20 janeiro, 2019

ENEM 2019

Do Globo:
Após a divulgação do resultado do Enem, muitos estudantes comemoram as notas obtidas, enquanto outros lamentam e ficam na apreensão pela chegada do Sisu, sistema para se candidatar às vagas no ensino superior. Uma minoria, no entanto, tem algo a mais para exaltar. Segundo o Inep, autarquia responsável pelo Enem, dos 4,1 milhões de candidatos, somente 55 tiraram mil pontos na redação.

🎯Não é a televisão que ensina a escrever, claro.
Vá à Itália da RAI, à Inglaterra da BBC ou a qualquer país minimamente civilizado e veja quantos canais existem.
(A televisão) não impediu a Itália da magnífica RAI eleger a extrema-direita separatista, nem a Alemanha da ZDF estar às portas de entregar o poder à AfD neo-nazista...
Mas a televisão ajuda a estupidificar.
Comentário de Paulo Henrique Amorim




Pela "enemésima" vez: toda TV tem seu botão de pânico, a tecla de desligar. Além da tomada, claro.

Unplugging

"A Voz Orgulho do Brasil"

Antônio Vicente Felipe Celestino (1894, Rio de Janeiro, RJ - 1968, São Paulo, SP), cantor, compositor e ator. Nasceu no dia 12 de setembro de 1894, na Rua Paraíso, bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Filho de imigrantes da região da Calábria, Itália, chegados ao Brasil dois anos antes de seu nascimento. Teve cinco irmãos e cinco irmãs. Cinco dedicaram-se ao canto e um ao teatro.
Desde os 8 anos, por sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar como sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.
Começou cantando para conhecidos em festas e serenatas e era fã de Enrico Caruso. Estreou profissionalmente cantando no teatro São José a valsa "Flor do Mal", de Santos Coelho e Domingos Corrêa. Ao gravá-la em 1915, em um histórico 76 rpm da Casa Edison (número 121052), esta canção vendeu milhares de discos. [https://youtu.be/CCiTQsQEuLk]
Casou-se, em 1933, com a cantora e atriz Gilda de Abreu.
Em 1946, foi lançado o filme "O Ébrio", baseado em canção de sua autoria , com a direção de Gilda de Abreu, e com ele no papel principal obtendo recordes de bilheteria. [https://youtu.be/BFOO-HFoMSg]
Além de "O Ébrio"(1936), outras músicas autorais de Vicente Celestino obtiveram grande sucesso, dentre elas:
Coração Materno (1937) [https://youtu.be/I_03HjYehYE]
Patativa (1937) [https://youtu.be/NvmnrG0VlLw]
Mia Gioconda (1946) [https://youtu.be/56m-JkqMFXM]
Porta Aberta (1946) [https://youtu.be/y7cQ98sziP8]
Cantor que lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exacerbado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século 20, através do teatro, dos discos e do cinema nacional, Celestino passaria incólume por todas as fases e modismos. Mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou "Ontem ao luar", "Conceição", "Nono Mandamento" e "Se Todos Fossem Iguais a Você".
Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como "A Voz Orgulho do Brasil".
No dia 23 de agosto de 1968, quando se preparava para gravar um programa de televisão, onde seria homenageado pelo Movimento Tropicalista, Vicente Celestino passou mal no quarto do Hotel Normandie, em São Paulo, falecendo logo em seguida.
Eis alguns trechos copidescados de uma reportagem do "Jornal da Tarde":
Na porta da gafieira "Som de Cristal", na rua Rego Freitas (São Paulo-SP), o movimento era grande. Lá dentro, o salão estava cheio - mais de 2.000 pessoas. Ramos de coqueiros enfeitavam o salão. Por todas as paredes muitas faixas com frases, algumas incompletas.
Era a gravação do primeiro programa "Tropicália ou Panis et Circenses", de Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Quando correu a notícia de que Vicente Celestino, que também ia se apresentar no programa (ele tinha ensaiado uma música para cantar na festa.), tinha morrido. "Isso é boato para tornar mais animada a festa. Aposto como ele na hora aparece aí", comentou uma mulher.
Passava de meia-noite, quando anunciaram que Vicente Celestino tinha mesmo morrido. Os apresentadores ficaram na dúvida se fariam o show, mas sabendo que, se o cantor estivesse vivo, a opinião dele seria a de que fizessem, decidiram fazer.
Gil e Caetano sobem ao palco.
Outros cantores continuam: Nara, Os Mutantes, de novo Caetano, Dalva de Oliveira, Linda e
Dircinha Batista. Araci de Almeida canta músicas de Noel.
Em um momento de pausa, Chacrinha começa a cantar uma música de Caetano e conversa com o cantor. Depois, é a vez de Maria Bethânia.
Todos os cantores agora estão juntos, de frente para as câmaras de televisão. Abraçados, cantam e dançam "Bat Macumba", de Gil. O público também canta e aplaude. A festa está chegando ao fim.
http://dicionariompb.com.br/vicente-celestino
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vicente_Celestino
http://tropicalia.com.br/v1/site/internas/report_depois.php
Vídeo
Áudio 1: "Rasguei o teu Retrato", 1935, composição Cândido das Neves "Índio", interpretação de Vicente Celestino, com Orquestra Victor Brasileira, gravadora Victor, lado B, 78 rpm. Com cenas do Cinema.
Áudio 2: Fragmento da mesma canção tango, interpretação do cantor/compositor cearense Ednardo, 1978, gravadora WEA BR.
Acervo e produção criativa: Rádio Educativa Mensagem - radiosantos (REM).


19 janeiro, 2019

O tio louco

Toda família tem quatro tipos de membros:
O primeiro é aquele em que todos confiam, o segundo é o irmão mais novo ligeiramente flexível e com direito ao voto, o terceiro é aquele primo excêntrico que é evitado nas reuniões importantes, e o quarto é o velho tio louco que ninguém deixa sair do sótão.


AQUI COMEÇA O ARTIGO. Às vezes, o tio maluco não mora em um sótão usando um chapéu de papel alumínio.
Mas eles estão lá ouvindo Rush, assistindo a Fox News, e acreditando que Obama está em armas e vai destruir a Constituição para conseguir um terceiro mandato. Eles se consideram patriotas e apoiam nossas tropas e, ao mesmo tempo, querem que os membros da milícia atirem neles se cruzarem a fronteira do estado do Texas. Eles apoiam a polícia, a menos que a polícia tente prender um racista por deixar seu gado pastar em terras federais. Eles acreditam que deveria haver testes de drogas para aqueles que estão no bem-estar social, enquanto provavelmente eles estão no bem-estar social. Eles ainda acreditam que existiam armas de destruição em massa no Iraque e nós as encontramos, mas a mídia está mantendo isso em segredo. Eles sabem, profundamente em seus corações, que o presidente é um muçulmano comunista nascido no exterior e que ele apoia terroristas e tem uma agenda secreta para destruir os Estados Unidos. Eles vão lhe contar tudo sobre a "turnê de desculpas" de Obama, onde o presidente se desculpou pelos Estados Unidos. Eles falam sobre os custos de trilhões de dólares de Michelle Obama para os contribuintes norte-americanos. Eles juram que o casamento gay destruirá a santidade do casamento e eles sabem disso porque Rush Limbaugh, três vezes casado, disse isso a eles. AQUI NÃO TERMINA O ARTIGO.

Crazy Uncle, por Clay (01/11/2015)

Essa mulher

Elis Regina Carvalho Costa (Porto Alegre, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982)


"Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
Num espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural."
(de Joyce e Ana Terra)

Henfil — Carta a Elis

18 janeiro, 2019

Ficando OK, OK?

[http://bitsandpieces.us/2018/08/youll-be-ok/]

Ser escritor

Estava aqui pensando sobre ser escritor e como, às vezes, a gente espera que os resultados caiam no nosso colo. Ou como a gente olha para a trajetória do coleguinha e pensa que tudo para ele veio mais fácil do que para a gente. LÁ VOU EU EM MAIS UMA THREAD.
Iris Figueiredo

Publiquei meu primeiro livro em 2011, daí um cara veio me perguntar durante a Bienal como eu tinha feito para chegar até a seguinte e "fazer sucesso" (entre aspas porque estou MUITO longe disso, só citando o que ele me disse mesmo).

Daí eu fui lá e contei mais ou menos o que fiz nesses anos todos: escrevi muito, li mais ainda, tentei aprender mais sobre escrita, conheci o trabalho de outros escritores, frequentei feiras, aumentei minha presença on-line, tentei conhecer editores e autores.




Não conheço um escritor que tenha estourado "do nada". Até mesmo booktubers, por exemplo, que as pessoas costumam dizer que foi mais "fácil": essas pessoas cultivaram por anos o público delas no YouTube, por anos, criaram uma base, contatos etc. Isso é trabalho.

Todos os autores que conheço e que vendem relativamente bem fizeram uma longa jornada até ali. Seja conquistando leitores em feiras de livros (tipo eu curto fazer), publicando de forma independente na Amazon ou Wattpad, falando de livros na internet etc.

Vou dar exemplos de pessoas que conquistaram seus leitores de diferentes formas:
- @apamgoncalves, @belrodrigues e @pah_aleksandra: elas construíram uma base de seguidores através de anos de trabalho no booktube;
- @lucasdlrocha e @robertaspindler: eles entraram para o ranking dos mais vendidos das respectivas editoras porque foram à Bienal todos os dias e apresentaram seus livros;
- @Rayctjay: passou anos escrevendo em plataformas on-line antes de conseguir publicar um livro.

O caminho de cada um deles é diferente. E tudo bem, porque são PESSOAS DIFERENTES, com formas diferentes de trabalho. Mas no final, está todo mundo levando suas histórias por aí da melhor forma que conseguiu encontrar.

Nada caiu no colo para nenhum deles. Eles aproveitaram as oportunidades que tiveram e trabalharam em cima delas. É um momento ótimo para ser autor no Brasil. As editoras estão de olho na gente! Não precisa ser "famoso" antes. Mas o que você precisa é TRABALHAR.

Porque você pode ser publicado pela melhor editora de todas, mas muitas vezes isso não quer dizer nada. Porque se você abandonar seu livro lá e esperar que as pessoas comprem porque é seu, e você merece isso, provavelmente não vai funcionar.

Por isso, escreva! Escreva MUITO! Mas também apoie outros autores, converse com seus leitores, use as redes sociais para divulgar seu trabalho… e não desanime! Pode ser que as coisas só comecem a funcionar na milésima tentativa.

Mas você aprendeu muito com as outras, tudo que você descobre com seus “erros” como escritor também é de grande ajuda pro futuro. Continuem a escrever, mas saibam que há bastante a se fazer depois de publicar.

17 janeiro, 2019

A Anta de Tênis e o Cidadão de Bem

A Anta de Tênis foi uma criação do Jaguar, um dos fundadores de "O Pasquim".
No início, ela apenas falava a língua geral dos porcos: oinc, oinc, oinc. Foi Ivan Lessa que lhe ampliou as fronteiras linguísticas.
"Eu sou uma anta.Tenho DOIS pares de tênis."
Dizem os "pasquinófilos" que a frase era uma alusão aos basbaques da época. Quando possuir UM par de tênis era coisa de rico, e eles estufavam o peito para proclamar:
– EU tenho DOIS pares de tênis!
Apesar da representante monocórdica, o melhor do Brasil era a anta-brasileira.

O Cidadão de Bem eclodiu de um armário em tempos mais recentes.
Empoderado, ele agora se prepara para assaltar (como se fosse uma Black Friday) as lojas de armas e munições. Em seguida, entrar pela porta blindada da frente do seu clube de tiro favorito. Seu líder e guru acaba de assinar o decreto que facilita a posse das armas de fogo.
Ao assinar a lei, o guru pontificou: "O Cidadão de Bem, com toda certeza, poderá fazer uso dessas armas".
O decreto estabelece QUATRO armas por pessoa, mas o limite pode ser excedido.
Não importa quantas sejam, em casa deverá manter todas as armas fora do alcance das crianças. Já não basta o perigo que os liquidificadores representam para elas?

Segredos de liquidificador

Luz, mais luz

"Licht, mehr Licht." ~ atribuída a Goethe.
Em 1993, uma manchete no National Enquior zombou da National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência) por financiar o professor Jonathon Copeland, da Geórgia do Sul, em seus estudos com os vagalumes (*) em Bornéu.
 - Não é uma ideia brilhante.
O tabloide atribuía a frase acima a um representante republicano de Wisconsin.
Ironicamente, na mesma semana em que este artigo foi publicado, apareceu outro artigo na revista Time relatando que os médicos estavam usando a luciferase, a enzima responsável pela bioluminescência dos insetos lampirídeos, em testes de resistência a drogas por cepas do bacilo da tuberculose.
Vagalume ou vaga-lume?
Ler: https://dicionarioegramatica.com.br/tag/vagalume-ou-vaga-lume/
Os vagalumes, pela beleza e pelos fachos de luz que carregam proporcionando deslumbramento em locais mais escuros onde a natureza ainda impera, não deveriam ter hífen. Os vagalumes vagam acima da nova ortografia luso-brasileira. Comentário de um leitor do blog Nova Ortografia, de Gabriel Perissé.
(*) Numa edição revista e ampliada desta nota talvez eu escolha a opção "pirilampos". N. do E.

16 janeiro, 2019

As brincadeiras de Feynman

Devido à natureza secreta do trabalho, o Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, foi instalado em local remoto e controlado pelas autoridades. Richard Feynman, o físico que coordenava o grupo responsável pelo trabalho teórico e pelos cálculos sobre a bomba de hidreto de urânio, uma proposta que acabou por se revelar inviável, arranjou um modo próprio de se divertir: investigar os segredos dos armários de seus colegas de trabalho. Com isso, ele descobriu que os colegas tendiam a deixar seus armários desbloqueados, ou deixá-los com as configurações de fábrica, ou escrever as combinações onde podiam ser lidas, ou criá-las facilmente adivinháveis como datas. Em casos difíceis, Feynman tentava os números que ele achava que um físico usaria (27–18–28, que se relaciona com o valor da constante de Euler, e= 2,71828 ...). Em três armários com essa combinação nas fechaduras um colega mantinha um conjunto de anotações das pesquisas da bomba atômica. Como brincadeira, Feynman deixou uma série de anotações nos armários, o que inicialmente assustou seu colega Frederic de Hoffmann, que pensou que um espião ou sabotador tivera acesso a segredos da bomba atômica.

(https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Feynman)

Contagem de dedos


O Cebolinha usa sapatos. Mônica, Magali e Cascão, que andam descalços, não têm dedos nos pés. Por que só o Chico Bento tem esse privilégio? A explicação é simples: praticidade.
O Mauricio de Sousa queria economizar nos traços para publicar suas tiras. Então, a Monica, o Cascão e a Magali foram dispensados dos dedos nos pés.
Notem que o Cebolinha (personagem mais antigo) usa sapatos. Enquanto o Chico Bento, que é caipira (e tão antigo quanto), tem os seus pés no chão com todos os dedos.
Sobre isso:
Já houve até uma historinha com plot twist (reviravolta no enredo).


A se pensar: 
Maurício faz seus personagens com 5 dedos na mão.
Outros desenhistas fazem seus personagens com 4 dedos, como Matt Groening (dos Simpsons). Para Groening só Deus tem o quinto dedo.
http://blogdopg.blogspot.com/2013/02/o-quinto-dedo.html

15 janeiro, 2019

Ilha dos Faisões

Em 1659, quando Luís XIV da França e Filipe IV da Espanha se reuniram para assinar o Tratado dos Pirineus, após a Guerra dos Trinta Anos, eles o fizeram na Ile des Faisans / Isla de los Faisanes, uma ilha desabitada no rio Bidasoa entre as duas nações.
Desde então, a ilha permaneceu sob soberania conjunta - é governada alternadamente pela Espanha e pela França, trocando de mãos a cada seis meses.
A ilha está sendo corroída e já perdeu quase a metade de seu tamanho ao longo dos séculos. Mede atualmente pouco mais de 200 m de comprimento por 40 m de largura.


(https://www.futilitycloset.com/2018/08/25/cosmopolitan-2/)
(https://www.bbc.com/news/stories-42817859)

Ilha Hans (entre o Canadá e a Dinamarca)

Cérebro e computador: tudo a "bugar"

A gíria "bugar" e palavras derivadas têm sua origem em "bug", uma gíria americana que significa "defeito", "falha" etc.
"Bug", segundo alguns historiadores, foi usado pela primeira vez por Thomas Edison, quando alguns insetos causaram problemas de leitura em seu fonógrafo, no ano de 1878. Outra hipótese é que o termo tenha surgido em 1945, em face da atuação de uma mariposa que impediu o funcionamento do então supercomputador Harvard Mark II.
Mesmo sendo o mais esperto dos órgãos, o cérebro (já parou para pensar que ele foi o único órgão a escolher o próprio nome?) é o grande "bugado".
"Buga-se" o cérebro através de todos os sentidos, o da visão em primeiro lugar. Estão aí as ilusões ópticas e as pareidolias que não me deixam mentir.
O consolo é que não estamos sós no reino animal. Outras espécies também compartilham conosco esses momentos de desarranjo cerebral.
[PGCS]

Ver também: Um erro no cérebro

14 janeiro, 2019

Fingido Diário

Nem mesmo os diários mais pessoais têm por que atingir o ideal, provavelmente quimérico, da verdadeira exatidão. Ao defender-se durante uma investigação do senado em 1993, um assessor político da cidade de Washington prestou depoimento dizendo que havia conscientemente mentido para seu próprio diário!
Stephen Jay Gould

Ninguém pode ter "opinião" sobre a existência da gravidade

Salvador Nogueira

FELIZ ANO VELHO. O obscurantismo voltou com tudo, e se trata de um fenômeno global. Para alguns arautos da irracionalidade, aliás, a palavra "global" nem faz sentido. É o caso dos terraplanistas, que seguem colecionando adeptos. Em outubro de 2018, um grupo de "pesquisadores" terraplanistas foi recebido por deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, onde ganharam uma homenagem por seus "estudos" sobre a forma do nosso planeta.
O terraplanismo é folclórico. Rende risadas. (1) Mas o fato de sandices como essa ganharem popularidade não tem a menor graça. Por duas razões. Primeiro, porque trata-se de um sintoma de que parte significativa da população viva hoje desconhece fatos objetivos sobre o mundo - como a Lei da Gravitação, que os terraplanistas dizem ser uma farsa. Segundo, porque estamos descobrindo que quase ninguém sabe distinguir fatos de opiniões - você simplesmente não pode ter uma "opinião" sobre o formato da Terra ou sobre a existência da gravidade. Isso pertence ao reino dos fatos. O pior, de qualquer forma, é que isso definitivamente não se aplica só a conceitos como o formato da Terra.
Uma pesquisa do Pew Research Center, feita em 2018, entrevistou 5.035 americanos adultos selecionados aleatoriamente pela internet. Tudo que eles tinham de fazer era ler dez frases simples e apontar se eram afirmações factuais ou opiniões. Apenas 26% foram capazes de apontar corretamente as cinco factuais e só 35%conseguiram identificar corretamente as cinco que eram opinativas. Resumindo a ópera, três em cada quatro americanos não sabem separar fato de opinião. Poucos acreditariam que no Brasil a situação seja muito melhor. E isso explica muita coisa. Ou você nunca ouviu alguém dizer por aí, pelas redes sociais, quando encurralado pelos fatos, que "essa é a minha opinião", como forma de encerrar um debate?
A partir do momento em que as pessoas se sentem à vontade para desconectar suas opiniões dos fatos objetivos, temos um problema grave. A Terra plana é entretenimento, mas e o movimento antivacinas? A Europa viu um aumento de 400% no número de casos de sarampo em um ano - de 5.273 em 2016 para 21.315 em 2017.
E mesmo quando defensores do movimento antivacinas são confrontados com esses números, e com a explicação clara de como vacinas funcionam e de como simplesmente não há evidência de que elas possam causar os males que se atribuem a elas, ainda assim eles podem se esconder por trás de teorias conspiratórias sobre a "malévola indústria farmacêutica". E, claro, quando não houver outro recurso, parte-se para um "mas essa é a minha opinião". Eita.
Ao longo do progresso fantástico realizado pela humanidade durante o século 20, fomos nos esquecendo do que era a vida antes que a ciência entrasse para valer no nosso cotidiano. Sem vacinas e antibióticos, a mortalidade infantil era altíssima. Durante o século 19, ela era de 30%; a cada três crianças nascidas, uma morria antes de completar cinco anos. Na Alemanha chegava a 50%.
Então a ciência entrou em cena, com três contribuições essenciais: a percepção de que saneamento básico era essencial para evitar infecções, o desenvolvimento dos antibióticos e a criação das vacinas. O ser humano passou milhares de anos tentando proteger sua prole com rezas, chás e superstições de todo tipo, mas o que deu certo foi entender como as doenças funcionam e combatê-Ias com armas eficazes.
Ao longo do século 20, pela primeira vez na história, vimos um declínio acentuado na mortalidade infantil. Em 2015, ela era, em termos globais, de 4.3%. Ou seja, a cada cem crianças, apenas quatro morriam antes de completar 5 anos. E isso numa média tirada do mundo inteiro. No Brasil, no mesmo ano, era só de 1,7%. Na Suécia, dado de 2014, 0,3%.
Outro tema adorado pela turma do "mas essa é a minha opinião" é a mudança climática. Pouco importa que a Nasa e quem mais for apresente fartas evidências do aquecimento global. Pouco importa que os registros de temperaturas, feitos com termômetros (pouco afeitos a ideologias), apontem que a temperatura média do planeta já subiu 0,9°C entre 1880 e 2017. Pouco importa que 17 dos 18 anos mais quentes nos 138 anos de registros tenham acontecido depois de 2001, ou que 2016 tenha sido o ano mais quente de todos os registros. O sujeito espera a primeira brisa gelada soprar para dizer "cadê o aquecimento global?". É dramático, e se trata de um problema que está ganhando proporções cada vez maiores. Não é mais o seu primo doido no WhatsApp. É o Ministro das Relações Exteriores que atribui às medições feitas pela Agência Espacial dos Estados Unidos o status de "complô ambientalista globalista esquerdista sei-lá-mais-o-que-ista".
Da mesma forma, vemos o descalabro nas políticas de saúde. Basta lembrar a quantidade de dinheiro que o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta em "práticas alternativas", também conhecidas como "tratamentos sem qualquer evidência de eficácia". É homeopatia, acupuntura, aromaterapia, bioenergética, cromoterapia, florais; tudo pago com dinheiro público. Em 2017, foram R$ 17,2 bilhões nisso.
É o tal negócio: o sujeito pode acreditar no que quiser. É direito dele. Mas ninguém pode aplicar crenças pessoais no âmbito da gestão pública. E estamos chegando num ponto em que agentes públicos se sentem à vontade para ditar políticas de acordo com premissas completamente desconectadas da realidade objetiva. Tudo não passaria de um escândalo embaraçoso, não fosse um detalhe: essas atitudes nunca tiveram tanto apoio popular.
Como é possível? Hoje, qualquer um de nós tem mais informação disponível nas mãos, com um celular e uma conexão 4G, do que tinha o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca nos anos 1960. (2) É um disparate imaginar que, diante do tamanho poderio tecnológico de que dispomos, estejamos ficando, na média, cada vez mais desinformados e ignorantes. No entanto, é verdade.
E só vamos desarmar essa arapuca se encontrarmos uma base comum de fatos objetivos com os quais todo mundo possa concordar. Essa base só pode ser uma: a ciência. E não porque ela seja moralmente ou ideologicamente superior. Mas porque ela se aceita como falível. Porque está fundamentada na dúvida, não na certeza. E a certeza inabalável, imune aos fatos, é o caminho mais curto para o retrocesso.
(matéria enviada por Jaime Nogueira)
Notas do blog EM
(1) A Conferência Internacional da Terra Plana (FEIC, na sigla em inglês) decidiu fretar um navio de cruzeiro no ano que vem com o absurdo propósito de chegar aos limites da Terra. Segundo uma parte dos seguidores desta corrente, que defende que a Terra não é esférica, o planeta acaba num muro de gelo que nos separa do espaço exterior, aonde pretendem chegar nesse cruzeiro. O ex-capitão naval Henk Keijer lembra que todas as cartas náuticas e os sistemas de navegação foram desenvolvidos sob a premissa de que a Terra é esférica, a que navegação desse cruzeiro deverá ser "muito complicada" se a tripulação discordar disso. "Os navios navegam baseando-se no princípio de que a Terra é redonda. As cartas náuticas são desenhadas com isso em mente: que a Terra é redonda", recorda o ex-capitão, acrescentando que os navios usam "um moderno sistema de navegação que se chama ECDIS, que proporciona uma grande melhora na segurança da navegação". A própria existência do GPS é outra prova de que a Terra é esférica, indica Keijer, já que o sistema se baseia em 24 satélites que orbitam a Terra. "Se a Terra fosse plana, três satélites já seriam suficientes para proporcionar os dados" argumenta,
(2) Ler: Comunicação e informação.

13 janeiro, 2019

A pareidolia com pipocas

⚡️Você já olhou para uma pipoca e achou parecida com alguma coisa? Pois a @umimixx0, sim. Reconhecendo rostos nas palomitas (pipocas, em espanhol), ela reproduziu-os em desenhos que viralizaram.
me he puesto a dibujar las caras que me transmitian las palomitas y es que me parto el culo de verdad.
@umimixx0 · 18 de ago 2018


Pareidolia é o fenômeno pelo qual reconhecemos algo familiar, como um rosto, em um objeto inanimado. Essa distorção perceptual comum pode ocorrer em todos os tipos de elementos, como nuvens (e como pipocas), e é o resultado da tendência de nosso cérebro de associar formas não estruturadas a outras formas reconhecíveis armazenadas em nossa memória. [1] [2] [3] [4] [5]

A pipoca do dia (= a foto do dia da Nasa)

Comercial - Uma das redes de cinemas no Canadá veiculou algum tempo atrás este teaser de animação com pipocas. O teaser é uma técnica usada em marketing para chamar a atenção para uma campanha publicitária, aumentando o interesse de um público-alvo a respeito da mensagem pelo uso de informações enigmáticas no início da campanha.


R2-D2 foi pego fumando

Com todos os negócios da Força, do Lado Negro e da Estrela da Morte acontecendo, os fãs mais novos de Star Wars confiam em R2-D2 e C-3PO para lhes mostrarem as luzes. Eles são os rostos amigáveis ​​da franquia, do tipo que você esperaria ter uma influência positiva sobre as crianças. Então, imagine o choque de todos quando o C-3PO pegou R2-D2 puxando um cigarro maneiro perto de umas máquinas pesadas.



Foi, de fato, um anúncio do serviço público (public service announcement, USA), em 1983, alertando os jovens fãs de Star Wars sobre os perigos do tabagismo.  Visto a fumar, Artoo é advertido por Threepio sobre o danos que o cigarro causa ao coração e aos pulmões. Obviamente, eles não possuem estes órgãos, (*) o que Artoo destaca para seu companheiro de ouro, mas eles concordam que devem ser um bom exemplo para os humanos.
Como exatamente o pequeno droide astromecânico consegue fumar não fica claro. Talvez ele tenha algum tipo de dispositivo de sucção embutido em sua garra retrátil.


(*) Mesmo assim não deve ser bom para para seus componentes e circuitos.

12 janeiro, 2019

Cavalaria também é cultura

Aqui está o mais puro exemplo de como temos, muitas vezes, de nos adaptar às atitudes tomadas no passado:
A bitola das ferrovias (distância entre os dois trilhos) nos Estados Unidos é de 4 pés e 8,5 polegadas.
Por que esse número foi utilizado?
Porque era esta a bitola das ferrovias inglesas e, como as americanas foram construídas pelos ingleses, esta foi a medida adotada.
Por que os ingleses usavam essa medida?
Porque as empresas inglesas que construíam os vagões eram as mesmas que, antes das ferrovias, construíam as carroças e utilizavam as mesmas ferramentas.
Por que utilizar essas medidas (4 pés e 8,5 polegadas) para as carroças?
Porque a distância entre as rodas das carroças deveria servir para as estradas antigas da Europa, que tinham essas medidas.
E por que tinham essas medidas?
Porque as estradas foram abertas pelo antigo Império Romano, quando de suas conquistas, e tinham as medidas baseadas nas antigas bigas romanas.
E por que as medidas das bigas foram definidas assim?
Porque foram feitas para acomodar dois traseiros de cavalos!
Finalmente...
O ônibus espacial americano utiliza dois tanques de combustível sólido SRB (Solid Rocket Booster) que são fabricados pela AtK Thiokol, no Estado americano de Minnesota.
Os engenheiros que os projetaram queriam fazê-lo mais largo, porém tinham a limitação dos túneis das ferrovias por onde eles seriam transportados, os quais tinham suas medidas baseadas na bitola da linha.
Conclusão: O exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia acaba sendo afetado pelo tamanho da bunda dos cavalos da Roma antiga.





Washington at Dorchester Heights, 1806
Esta pintura de George Washington não é tão amplamente conhecida e celebrada como outros quadros do herói norte-americano que foram pintados por Gilbert Stuart (1755-1828).
Algo a ver com a presença da bunda de um cavalo? Ou, de um modo subliminar, com o que a presença dela pode significar?

horse's ass: uma pessoa estúpida ou incompetente

Estádios de futebol no mundo

Na Eslováquia
Em Cierny Balog, o estádio do time local tem uma característica bem peculiar: o trem passa no campo de futebol entre a lateral e a arquibancada.
Corre, trem

Na Groenlândia
2018 - O time B-67 venceu a final do campeonato nacional contra o N-48. A arquibancada do estádio em que os times finalistas jogaram essa partida chamou a atenção dos telespectadores brasileiros.
Confere só: era uma arquibancada in natura.

11 janeiro, 2019

Hélio-3: o combustível do futuro no satélite natural da Terra

por Nayan Seth, Li Jingy

Nenhum ser humano colocou os pés na superfície lunar desde que as missões Apollo da América terminaram em 1972. Quase cinco décadas depois, a Lua não é vista apenas como o satélite natural da Terra.

Além das missões tecnológicas, cientistas ao longo dos anos pesquisaram a presença de minerais preciosos e energia inexplorada na Lua que poderiam ser usados ​​na Terra.

Mas por que as pessoas continuaram trabalhando na exploração da Lua? Aqui pode estar a resposta.

Além de ajudar os seres humanos a estudar o mistério do sistema solar, a Lua atraiu a atenção global devido à presença de ricos recursos naturais em sua superfície e no núcleo.

Assim, é por vezes referida como o Golfo Pérsico do sistema solar. Os cientistas acreditam que a Lua está cheia de recursos como elementos de terras raras, titânio e urânio.

Mas o elemento mais importante é o hélio-3. (*)

O isótopo hélio-3 é extremamente raro na Terra, mas existe em abundância na Lua.

É emitido do Sol e transportado por todo o Sistema Solar por ventos solares, mas é repelido pelo campo magnético da Terra, com apenas uma pequena quantidade penetrando na atmosfera.

Mas para a Lua, onde o campo magnético é fraco e a atmosfera é extremamente fina, o Hélio-3 é depositado em quantidades significativas.

Acredita-se que o elemento seja um componente crítico no desenvolvimento de energia de fusão termonuclear controlada, um processo difícil, mas ainda possível.

Olhando para o potencial do hélio-3, os especialistas acreditam que 5 mil toneladas de carvão poderiam ser substituídas por apenas 40 gramas de hélio-3.

E apenas oito toneladas de hélio-3 em reatores de fusão forneceriam a energia equivalente a um bilhão de toneladas de carvão, reduzindo drasticamente os custos de transporte e protegendo o meio ambiente.

Em uma entrevista à BBC em 2013, o principal cientista chinês, Ouyang Ziyuan, estimou que os recursos de hélio-3 da Lua poderiam resolver a demanda de energia dos seres humanos por pelo menos 10 mil anos.

Mas ainda estamos a décadas de realmente fazer a mineração na Lua, retornando com suas riquezas e, finalmente, usá-las.

(*) O hélio-3, abreviado como He-3, é uma forma isotópica não-radioativa do hélio. Os núcleos de hélio-3 consistem em dois prótons, mas apenas um nêutron, em contraste com o átomo original de hélio, que possui dois prótons e dois nêutrons. Proposto como combustível de segunda geração para a fusão nuclear, o He-3 é dez mil vezes mais raro que o He-4 na Terra.

Na Medicina: Ressonância Magnética com Hélio Hiperpolarizado no acompanhamento dos resultados do tratamento da fibrose cística (a traduzir para publicação em Nova Acta)
https://askzephyr.com/helium-imaging-measures-cystic-fibrosis-treatment/

De Thomas Edison à Geração Mimeógrafo

Em 8 de agosto de 1876, o estadunidense Thomas Alva Edison, de Menlo Park, Nova Jersey, recebia a patente de uma de suas invenções mais impactantes, o mimeógrafo, uma máquina de copiar em série. A patente, de número 180.857, abarcava duas invenções de Edison: a caneta elétrica (que deu origem à agulha de tatuagem) e a máquina de cópias (método de preparação de estênceis autográficos para impressão).


Antes da fotocopiadora se popularizar, o sistema de cópia mais comum nas escolas era o mimeógrafo, cujo processo de impressão funcionava da seguinte maneira: o texto era escrito sobre uma folha chamada estêncil (stencil), que continha carbono, e aparecia na outra face do papel. A folha então era colocada sobre um rolo com a parte escrita para cima, e uma manivela era girada para exercer pressão e liberar a tinta que ia na folha em branco.
Os mais novos podem não se lembrar ou nem sequer ter tido contato com o mimeógrafo, mas as gerações passadas certamente se lembram da máquina e do tradicional cheiro de álcool que ela deixava nas folhas, (*) permeando salas de aula em dias de provas, trabalhos e outras atividades.
O mimeógrafo, popularizando o processo de impressão, foi uma verdadeira salvação para inúmeros escritores (Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs, entre outros) cujos trabalhos desviavam do conteúdo do mainstream. Em seu artigo na revista Galileu, diz Letícia Negresiolo:
"Uma pequena tiragem de 500 exemplares era o suficiente para alcançar milhares de leitores em poucas semanas. Rapidamente, tornou-se instrumento presente nas cenas literárias independentes de Nova York e São Francisco na década de 1950".
No Brasil, tivemos a "Geração mimeógrafo", um fenômeno ocorrido durante a década de 1970, em função da censura imposta pela ditadura militar que levou intelectuais, professores universitários, poetas e artistas em geral a buscarem meios alternativos para a difusão cultural. Reunindo jovens poetas (Capinam, Chacal, Leila Miccolis, Nicolas Behr, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão, entre outros) que produziam à margem do sistema editorial brasileiro, eles deixaram como legado uma maneira mais livre, leve e solta de escrever, agir artisticamente e viver
Da mesma maneira que, hoje em dia, a internet e as redes sociais possibilitam a difusão de ideias que desafiam o status quo e promovem debates e o engajamento no espaço público, o mimeógrafo, em sua época, foi um instrumento que abriu caminhos, conectou mentes e causou impactos reais na sociedade.
(*)  A conferir: consta que o solvente da tinta mimeográfica era óleo de rícino. (Fonte: Charles Wells)

10 janeiro, 2019

Geraldinos e Arquibaldos

Nelson Rodrigues criou estas expressões, "geraldinos" e "arquibaldos", para designar os frequentadores da geral e das arquibancadas do Maracanã. Retratando-os com suas agruras, num paralelismo com a vida, nos setores em que eles ficavam no maior estádio do mundo.
Enquanto a elite da época aboletava-se em suas cadeiras azuis.
Nos tempos do cronista (Google: você quis dizer: rodrigues anos), o ingresso da geral era ¼ do preço das arquibancadas. O ingresso das arquibancadas, por sua vez, era ¼ do preço das cadeiras.
Foi inspirado no comportamento do povão no Maracanã que Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, compôs a canção "Geraldinos e Arquibaldos". Ela aparece no terceiro disco do cantor e compositor, datado de 1975:
"Melhor se cuidar
No campo do adversário
É bom jogar com muita calma
Procurando pela brecha
Pra poder ganhar."



Com a transformação dos estádios em arenas, o Maracanã expandiu o setor das cadeiras e o preço dos ingressos. E geraldinos e arquibaldos desapareceram, notadamente no futebol.

Saiba mais em QUE FIM LEVOU?

Crowdfunding

por Jaime Nogueira
PANTEÃO DOS INFAMES, a versão brasileira destinada às estrondosas vaias e apupos a um seleto grupo de inquilinos ilustres (outros não tanto). Não serão construídos monumentos como a Abadia da Santa Cruz do Valle de los Caídos. (1) Uma simples placa com a nominação dos execrados atualizada anualmente e uma estátua equestre em bronze do Padroeiro montado no Bigode, obviamente com sua arte final devidamente tropicalizada de forma a representar o povo brasileiro. O Patrono ou Cavalariano terá mandato de 4 anos, não renovável.
O local escolhido para o PANTEÃO DOS INFAMES de tão chique, que até o Sandro (Botticelli) (2) a ilustrou para o fôlder de lançamento do empreendimento: um elegante astroblema (3) em local a escolher de preferência dentro do perímetro do Nono Círculo. (4) Um impasse cruel: o Senhorio recusa a doação ou aluguel de parte da área, temeroso do comportamento selvagem dos novos hóspedes, questão de imagem. A intenção deste crowdfundig é arrecadar fundos para para empreitada e pagar as propinas e os devidos alvarás. A área visada é privilegiada, localizada às margens do bucólico Lago de Cócite, e outros locais podem ser estudados. (5)
De qualquer forma, o destemido e nada discreto Comandante da Guarda Pretoriana já está aceitando parcerias dedutíveis na Lei Rouanet que a SRF gentilmente abriu exceção e será lavrado um Termo de Compromisso da COAF garantindo absoluto sigilo se a operação for em espécie ou Caixa 2.

(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Valle_de_los_Ca%C3%ADdos
(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Sandro_Botticelli
(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cratera_de_impacto
(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Inferno_(Divina_Com%C3%A9dia
(5) https://maringapost.com.br/ahduvido/10-descricoes-do-inferno-em-diversas-culturas/

09 janeiro, 2019

O enigma das maçãs

Quais os 3 personagens que você identifica com as 3 maçãs?

(http://acertijosymascosas.blogspot.com.br/2014/11/personajes-acertijo.html)

Enigma fácil.
De cima para baixo: Eva, Guilherme Tell e Newton

Galileu explica seu novo método de observar o Sol

Em 1612, na segunda carta a Marc Welser, Galileu explicou seu novo método de observar o Sol:
O método é este: direcione o telescópio para o Sol como se fosse observá-lo. Tendo focado e estabilizado, exponha uma folha de papel branca e plana a cerca de 30 cm da lente côncava; sobre ela se projetará uma imagem circular do disco solar com todas as manchas, exatamente com a mesma simetria como estão no Sol. Quanto mais o papel for movido para longe do tubo, maior será a imagem e melhores serão os pontos representados. Assim, eles serão vistos sem causar danos ao olho, mesmo o menor deles - que, quando observado através do telescópio, dificilmente pode ser percebido, e ainda assim com fadiga e lesão para os olhos.”
Anteriormente, ele havia observado o Sol apenas diretamente ao nascer e ao se pôr.
(http://pballew.blogspot.com/2018/08/on-this-day-in-math-august-12.html#links)
Istoria e dimostrazioni intorno alle macchie solari - seconda lettera
Galileu e as cartas sobre as manchas solares:a experiência telescópica contra a inalterabilidade celeste, Marcelo Moschetti

Há uma pintura interessante no Rijksmuseum, um museu nacional holandês dedicado às artes e à história em Amsterdã, mostrando as várias formas pelas quais as pessoas viram um eclipse solar em 1642. À esquerda, um homem aponta para uma bacia com água. Dois homens veem o eclipse com um espelho. Outros olham para o sol através de um pedaço de vidro.
(http://pballew.blogspot.com/2018/08/on-this-day-in-math-august-12.html#links)

08 janeiro, 2019

Primeiro dia como entregador de pizzas

MOÇA BONITA - Eu não tenho dinheiro. Mas talvez eu possa pagar a pizza de um outro modo...

*Cai a toalha*

ENTREGADOR - Legal! Eu sempre quis ter uma toalha dessas.

Arquivos do Preblog (dezembro de 2009)
A entrega domiciliar é um caso (de polícia) à parte. Não poucas vezes, a pizza vem gelada e a cerveja, quente. Se é isso o que diz a lei da compensação, ora, dispensamos o cumprimento da referida lei. Como também pedimos que, haja o que houver, não vá o entregador além da pizza. Significando isto resistir à provocação de uma mulher que, na ausência do marido, entende de priorizar o sexo sobre o estômago. PGCS

Um robô antimentira

Um pai compra um robô detector de mentiras, que bate nas pessoas quando elas mentem. Ele decide testá-lo no jantar daquela noite.
O pai pergunta ao filho o que ele fez na tarde.
O filho diz: "Fiz algumas tarefas escolares".
O robô bate no filho.
O filho diz: "Ok, Ok. Eu estava na casa de uma amiga assistindo filmes."
O pai pergunta: "Que filme você assistiu?"
O filho diz: "Toy Story".
O robô bate no filho.
O filho diz: "Ok, ok, estávamos assistindo pornografia".
O pai reage: "O quê? Com a sua idade, eu nem sabia o que era isso!".
O robô bate no pai.
A mãe ri e diz: "Bem, ele certamente é seu filho".
O robô bate na mãe.

"Anti" e o hífen
O prefixo anti é utilizado na língua portuguesa para indicar oposição a algo. Somente é separado do segundo elemento por hífen nos casos em que este inicia por "i" ou "h". Caso o segundo elemento inicie com a consoante "s" ou "r", é necessário dobrá-la, sem usar hífen. Nos demais casos, quando o segundo elemento inicia por outras consoantes ou vogais, não há hífen.

07 janeiro, 2019

O mergulhador que salvou a catedral

No início do século XX, grandes rachaduras começaram a aparecer nas paredes maciças e tetos arqueados da Catedral de Winchester. Alguns eram largos o suficiente para que corujas pudessem entrar. Os pedaços de pedra caíam no chão.
Winchester fica em um vale do rio Itchen - com muita água subjacente. Você ainda pode ver uma inclinação distinta em algumas paredes de sua extremidade leste.
Então, William Walker, um mergulhador experiente que trabalhava no estaleiro de Portsmouth, foi chamado.
A partir de 1906, Walker trabalhou sob a água abaixo da Catedral por seis horas por dia, a profundidades de até 6 metros. Ele trabalhou na escuridão total, usando as mãos nuas para sentir seu caminho através da água turva.
Seu enorme e pesado traje de mergulho demorava muito para que vestisse. Então, quando ele parava para o almoço, ele tirava apenas o capacete. Ele também, às vezes, fumava um cachimbo por achar que isso mataria algum germe.
Levou seis anos para escavar as trincheiras inundadas e preenchê-las com sacos de concreto. Quando ele terminou, todas as águas subterrâneas puderam ser bombeadas e as paredes inferiores apoiadas com segurança por pedreiros
Em 1911, uma equipe de 150 operários da qual ele fazia parte integrou as bases com cerca de 25 mil sacos de concreto, 115 mil blocos de concreto e 900 mil tijolos. Em seguida, uma linha de contrafortes imponentes foi adicionada ao lado sul da catedral e, finalmente, o prédio estava seguro.
Infelizmente, ele morreu com apenas 49 anos, durante a grande epidemia de gripe espanhola de 1918. Desde então, a história inspiradora desse homem modesto e trabalhador capturou a imaginação pública e sua fama cresceu constantemente.
Você encontrará uma pequena estátua dele em seu traje de mergulho, segurando seu enorme capacete, na extremidade da Catedral.

The diver who saved the cathedral, WINCHESTER CATHEDRAL

No diagrama acima, da Popular Science de 1912, dois homens operam uma grande bomba no nível do solo. Abaixo deles, parado em uma plataforma logo acima do nível da água, o assistente do mergulhador controla o ar e as linhas de comunicação para o mergulhador enquanto ele se move em torno da trincheira. Walker, no fundo, segura um saco de concreto que acabou de ser baixado para ele. As trincheiras eram geralmente mais longas e mais estreitas do que aqui descritas, e a água deveria ser impenetravelmente mais turva pelos sedimentos.
(https://www.futilitycloset.com/2018/03/12/podcast-episode-192-the-winchester-diver/)

Rosa nem sempre foi "cor de menina"; nem o azul, "de menino"

"A regra geralmente aceita é que rosa é para os meninos, e azul para as meninas. O motivo é que o rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais apropriado para meninos. Enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina."

O parágrafo acima foi publicado há cem anos, em 1918, por uma revista de moda infantil americana, a "Earnshaw", voltada para profissionais da área. Foi encontrado por Jo Paoletti, professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro "Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America" (Rosa e Azul: Distinguindo Meninos de Meninas nos Estados Unidos).

"(Encontrar essa frase) virou minhas suposições de cabeça para baixo", lembra a pesquisadora, em conversa com a BBC News Brasil. Afinal, o rosa nem sempre havia sido uma cor de menina, nem o azul cor de menino.

"A ideia de que há algo natural e permanente sobre o uso de rosa para as meninas e azul para garotos é historicamente errada", diz Paoletti. "Assim, também é errada a ideia de que se você não tratar as crianças segundo um estereótipo de gênero elas vão crescer confusas, serão pervertidas, vão se tornar homossexuais, transgênero. Não há nenhuma evidência disso. Não é dos estereótipos de gênero que nasce a identidade homossexual ou trans."

COR NÃO TEM GÊNERO

Nem em Cabul.

Para o pessoal do humor a ministra vai ser um prato rosa. Cheio.

06 janeiro, 2019

O discurso contra o politicamente correto

Moira Weigel: "O discurso contra o politicamente correto é uma retórica que inviabiliza o debate democrático"
Há expressões que aparecem de forma tão frequente no nosso dia a dia que as tratamos como se fossem verdades autoevidentes, sem nunca nos perguntarmos por que elas assumiram determinados significados nem desde quando são utilizadas. Moira Weigel (Nova York, 1984), pesquisadora associada da Universidade de Harvard, debruçou-se sobre duas palavras que, embora recorrentes há anos no léxico norte-americano, ganharam especial relevância desde a meteórica ascensão de Donald Trump à Casa Branca: politicamente correto. Afinal, como é possível que uma figura pública se refira a mexicanos como "estupradores" e, diante da indignação coletiva, se esquive argumentando que os seus adversários são politicamente corretos demais? Ou, num contexto mais próximo ao brasileiro, um parlamentar que, depois de afirmar que não estupraria uma deputada "porque ela não merece", se defenda da reação acusando seus opositores de o perseguirem numa cruzada em nome do politicamente correto?
Em Um álibi para o autoritarismo, artigo publicado na última edição da "Serrote", a revista de ensaios do Instituto Moreira Salles (IMS), a pesquisadora de Harvard detalha como a linguagem é parte fundamental da conexão que Trump estabeleceu com seus seguidores. O mandatário americano, diz Weigel, recebe apoios justamente por dizer coisas "ultrajantes", consideradas inapropriadas pelas convenções que estabelecem os limites do debate público. Cria empatia com parte expressiva da população porque "diz o que pensa" e por denunciar uma suposta conspiração de liberais com a imprensa, que teria o escuso objetivo de controlar inclusive as palavras que as pessoas comuns usam.
👉Não escapa a um brasileiro que leia o texto de Weigel a memória das explosivas declarações de Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República, que, mesmo após sofrer um ataque a faca, não se furta de seguir beligerante e sair em fotos simulando ter uma arma nas mãos. Na verdade, mesmo sem encontrar uma única citação ao capitão reformado do Exército no ensaio, cuja versão original foi publicada em 2016 no jornal britânico "The Guardian", a associação é quase automática.

Siga lendo em EL PAÍS, onde o artigo completo com a entrevista da pesquisadora foi publicado por Ricardo Della Coleta em 08/09/18.

Relacionado: Harvard cancela a admissão de futuros alunos por compartilharem memes ofensivos no Facebook, por Mari Luz Peinado

O diabo violinista

O violinista Niccolò Paganini fazia shows para fãs que acreditavam que seu talento vinha do diabo. Mas este é apenas um exemplo extraído da longa linha de histórias que descreve o diabo como violinista. Segundo a lenda medieval, Satanás selecionou o violino como a arma profana com que ele atrairia as pessoas para dançar... direto para o inferno.
A imagem de Satanás como violinista decolou durante o período barroco, começando por volta de 1600. Quando Thomas Balthazar tocou na Inglaterra, em 1655, um professor de música em Oxford abaixou-se para inspecionar os pés do virtuoso alemão para se certificar de que não eram cascos fendidos. Mais tarde, a "Sonata em Sol Menor do Diabo", que data de 1740, teria sido composto por Giuseppe Tartini depois que ele despertou de um sonho febril em que o diabo lhe fez um solo "tão singularmente belo e executado com tal sabor e precisão, que superou tudo o que ele já ouviu ou concebeu em sua vida", escreveu o astrônomo francês e entusiasta da música do século XVIII Jérôme Lalande.



Leia sobre as origens e a progressão do conceito do diabo como violinista neste artigo de Addison Nugent, em Ozy.

05 janeiro, 2019

Como driblar um carro de assaltantes

Está circulando nas redes sociais um vídeo que mostra um homem fugindo de assaltantes, na noite do dia 1°. O caso teria acontecido, por volta das 20 h, na cidade de Poá, em São Paulo.
No vídeo, o homem é abordado por assaltantes, que estavam em um carro e sai correndo.



Contei 3 dribles: em 0:12, 0:16 e 0:20 (tendo a ajuda, no último drible, de um "carro do bem" que fez o corta-luz).

A moça no metrô


Esse gato está no lugar errado.
Senão, vejamos:
1) Que é o escapa-gato?
2) O TESTE

04 janeiro, 2019

Enfiar o pé na jaca

Enfiar (ou meter) o pé na jaca (ou no jacá), como se sabe, significa passar do ponto na bebida, tomar um porre, um pifão, embora o sentido possa ser ampliado para abarcar também tipos não alcoólicos de excesso e desregramento.
Como será que uma coisa foi dar na outra?
A origem de expressões idiomáticas nunca é assunto pacífico. Neste caso, as teses variam um pouco, mas não costumam fugir da que é exposta pelo músico Henrique Cazes (*) em seu livro "Suíte gargalhadas" (apud Sérgio Rodrigues, blog Sobre Palavras), reunião de historietas reais protagonizadas por personagens da música popular brasileira:
A origem dessa denominação do pileque remonta aos tempos em que os bares tinham, na parte da frente, cestos com frutas e legumes. Era o modelo botequim-quitanda. E era nos cestos de palha, chamados jacás, que ficavam os artigos à venda. Quando alguém bebia demais, ao sair, enfiava o pé no jacá.
Sérgio Rodrigues prossegue: "A relativa obscuridade da palavra jacá bastaria para explicar a metamorfose ocorrida desde então, mas é preciso registrar que, além disso, a imagem de um pé enfiado numa jaca gorda e visguenta, com seu cheiro estonteante, tem uma expressividade que nos ajuda a compreender o fato de a expressão ter caído no gosto dos falantes".
A fruta não cai longe do pé, um provérbio com poucas palavras aqui sendo ilustrado por uma imagem que vale mil. (rsrsrs)


(*) Henrique Cazes é também idealizador e apresentador da série de vídeos APANHEI-TE CAVAQUINHO.

Histórico do DBF
05/10/2007 - "Bebel que a cidade comeu" e "Deite-se na cama e crie fama" AQUI
13/03/2014 - "Imagine se pega no olho?" AQUI
18/02/2015 - "Impitimam é meuzovo" AQUI
02/02/2016 - "Vá correndo fazendo vento" AQUI
09/07/2016 - "Boas cercas,bons vizinhos" AQUI
08/11/2016 - "Besta elevada ao quadrado" AQUI
25/01/2017 - "Não sou má, é que me desenharam assim" AQUI
16/03/2017 - "Chore um rio por mim" AQUI
18/06/2017 - "Vá direto ao assunto" AQUI
15/12/2017 - "Botar suspensório em cobra" AQUI
16/02/2018 - "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" AQUI
29/04/2018 - "A palo seco" AQUI
01/05/2018 - "Corre, trem" AQUI
27/07/2018 - "Batidas na madeira" AQUI
02/09/2018 - "Sem querer explicar, mas já explicando..." AQUI
04/11/2018 - "Voltando à vaca fria" AQUI
02/12/2018 - "Morreu Maria Preá" AQUI

Agricultura lunar

Chang'e-4
Na quinta-feira (3), a China se tornou o primeiro país a pousar uma sonda no lado oculto Lua — a Chang'e-4, que já mandou as primeiras imagens da superfície do satélite da Terra.
A Chang'e-4, assim batizada em homenagem à deusa chinesa da Lua, carrega um recipiente de alumínio de 3 quilos, com sementes de batatas, tomates e da Arabidopsis thaliana (uma planta com flores), além de um punhado do ovos do bicho-da-seda.
Contendo ar, água e uma solução nutritiva especial, o cilindro lacrado constitui um ecossistema completo, no qual se espera a produção de oxigênio pelas plantas, a partir da utilização do dióxido de carbono exalado pelas larvas do bicho-da-seda. O sucesso deste projeto de universidades chinesas nos dirá o quanto a gravidade extremamente baixa da Lua pode afetar o crescimento dos organismos vivos e a qualidade da seda que os insetos produzem.
As vidas desses pioneiros lunares serão transmitidas para a Terra por meio de uma pequena câmera instalada no cilindro.
A gravidade da lua é de apenas 17% da gravidade da Terra, o que torna mais complicada a sobrevivência de organismos em crescimento. A biosfera de alumínio de Chang'e-4 é isolada e equipada com seu próprio suprimento de energia para regular a luz e a temperatura que são diferentes na Lua, embora não haja muito o que fazer para neutralizar a microgravidade.
Já está claro que a agricultura lunar não será fácil. Como os cientistas da ISS descobriram, a água tende a se aglomerar em baixa gravidade. É provável que a água pulverizada na base da planta "grude no caule ou adira ao material no qual a planta cresce", observa a NASA, em The Physics of Space Gardens. A conferir: se plantas e animais estabelecerão uma sinergia para crescer sob a magra gravidade lunar.

N. do E.
O astronauta Mark Watney (Matt Damon) sobreviveu comendo batatas, quando ele ficou preso em Marte. Mas isso foi na ficção — no filme "The Martian" ("Perdido em Marte", no Brasil).
Ao consumidor, as batatas

03 janeiro, 2019

A descoberta dos elementos químicos nos últimos 300 anos

Este vídeo mostra quando se deu a descoberta de 105 elementos químicos nos últimos 300 anos.
Dos 118 elementos que formam a tabela, 13 já eram conhecidos desde a antiguidade: carbono, fósforo, enxofre, ferro, cobre, arsênico, prata, estanho, antimônio, ouro, mercúrio, chumbo e bismuto.
O vídeo começa no ano de 1718 e, em 1739, o cobalto é descoberto, sendo adicionado na relação como o 14.º elemento.
O hidrogênio apesar de ser tão elementar e tão abundante no universo só foi descoberto em 1766.
Quando o século XIX começou, 35 elementos já eram conhecidos, incluindo o urânio, que tomou o nome do planeta Urano, e não o contrário.
No início do século XX, a tabela tinha 85 elementos. Todos os outros ainda não descobertos pertenciam às chamadas terras raras: lantanídeos e actinídeos.
Do elemento 95 ao 118, existem apenas versões sintetizadas em laboratório, porque não são elementos encontrados na natureza. E o último destes foi obtido em 30 de dezembro de 2015.



A ONU proclamou o ano de 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica de Elementos Químicos. Então, você já pode entrar no espírito do ano.

Como limpar um espectógrafo

A marcha da ciência nunca avançou suavemente. Ao longo dos anos, foi marcada por episódios de drama e comédia, de fracasso e triunfo, por golpes de sorte ultrajantes, merecidos e não merecidos, e às vezes por tragédia humana. Viu amizades intelectuais profundas, bem como animosidades ferrenhas e, de vez em quando, atos de roubo e maldade, enganos e até mesmo uma fraude ou duas. Os cientistas se apresentam em todas as formas: o obsessivo e o diletante, o genial, o invejoso, o preternaturalmente brilhante e o lerdo (que, às vezes, vê mais no final), a mente aberta e o intolerante, o recluso e o arrivista.
Robert Williams Wood (2 de maio de 1868 - 11 de agosto de 1955) foi um físico experimental estadunidense. Em Researches in Physical Optics, de 1913, ele legou à posteridade o modo prático de como limpar um espectógrafo.
Espectrógrafo, para quem não está a fim de ler o artigo da Wikipédia, é o equipamento que realiza um registro fotográfico de um espectro luminoso.
Eis o sobredito legado de Wood:
"O tubo longo foi feito prendendo placas de oito polegadas, e foi pintado de preto por dentro. Alguns problemas foram causados por aranhas, que construíram suas teias em intervalos ao longo do tubo, uma dificuldade que eu superei enviando uma gatinha através dele e destruindo posteriormente as aranhas com fumaça venenosa." (How to clean a 40-foot spectrograph)
Mas esta foi a menor das façanhas dele. Em Eurekas and Euphorias, Walter Bruno Gratzer escreve que o o físico "iria alarmar os cidadãos de Baltimore cuspindo nas poças em dias úmidos, enquanto secretamente deixava cair um pedaço de sódio metálico, que explodiria em um jato de chamas amarelas".
(http://pballew.blogspot.com/2018/08/on-this-day-in-math-august-11.html#links)

02 janeiro, 2019

O soldado sobrecarregado

Uma aula interessante a que assisti na Escola de Engenharia foi ministrada pelo Prof. Homero Lenz Cesar, o pai de Claudio Lenz Cesar (v. entrevista), um dos físicos brasileiros mais importantes da atualidade. Em pouquíssimas palavras, Prof. Homero detalhou o real significado do que seja a Ciência, ao assegurar com todas letras que "O homem é o único animal que tem condições de complicar as coisas". Tenho certeza de que o saudoso Professor estava com a razão. Segue um texto, no mínimo hilário, relacionado com a sobrecarga que os recrutas das temidas Forças Armadas Americanas têm que arrastar no lombo, nas marchas e nos campos de batalha. Boa parte desta parafernália é composta por "gadgets", de utilidade discutível, cujo uso a industria armamentista penhoradamente agradece. ~ Jaime Nogueira

Uma história pesada
A infantaria sobrecarregada não é um problema novo.
Em 107 a.C., o general romano Gaius Marius decidiu que a cauda de logística estava diminuindo suas legiões, então ele ordenou que os soldados carregassem seus próprios equipamentos . A carga incluía até quinze dias de rações, uma serra, uma cesta de vime, uma pá, um odre, uma foice e uma picareta, além de armas, armaduras e um escudo. Esses legionários marchariam 20 milhas por dia com 80 libras. de engrenagem, ganhando o apelido de "Mulas Marius".
Avance um milênio ou mais para a era do cavaleiro medieval. Seu traje completo de armadura de campo pesava cerca de 60 libras, mas permitia movimento suficiente para o usuário montar um cavalo sem ajuda. O cavaleiro francês Jean de Maingre, por exemplo, poderia subir a parte de baixo de uma escada usando apenas as mãos enquanto estava de armadura completa.
Armaduras pesadas desapareceram com a chegada da idade das armas de fogo. Mas logo o peso pesado da munição virou um flagelo para os soldados. Na Guerra Civil Americana , um soldado típico da União poderia levar um total de 60 libras de equipamentos, incluindo um mosquete de dez libras. Na Segunda Guerra Mundial, um soldado americano poderia estar carregando 75 libras , razão pela qual muitos soldados feridos se afogaram durante o desembarque do Dia D, em 1944.
As Forças Armadas sempre souberam que isso é um problema. Desde 1945, os militares realizaram pelo menos cinco grandes pesquisas sobre a carga do soldado. Todos concordaram que os soldados estavam sobrecarregados e procuraram maneiras de diminuir o peso. E todos eles falharam, porque as cargas não só aumentaram para o soldado moderno como mais do que duplicaram.
Em 2016, o Marine Corps Times relatou um novo padrão de força e resistência. Um oficial de infantaria do Corpo de Fuzileiros Navais deveria ser fisicamente capaz de carregar 152 libras por nove milhas. Essa carga pode parecer extrema, mas até mesmo documentos oficiais descrevem carregar 100 libras como padrão. No debate que se seguiu, sobre se isso era realista, um soldado de infantaria da Marinha descreveu que chegava a carregar mais de 200 libras durante as missões no Afeganistão.
A tecnologia deveria ser a solução. Em vez disso, fez crescer o problema.

Siga lendo: The Overloaded Soldier: Why U.S. Infantry Now Carry More Weight Than Ever, Popular Mechanics

Aqui está Wally

Curtindo Wally adoidado
"Aqui está Wally" (ou Waldo, dependendo do país) é um robô cuja missão na vida é perscrutar as páginas dos livros "Onde está Wally?", para localizar este personagem em uma multidão.
Os rostos presentes na multidão são enviados ao serviço Google Auto ML Vision que compara cada um deles com o de Wally. Se há uma sobreposição de 95% ou superior, a mão do robô é instruída para se mover para as coordenadas da superfície de contacto e ponto.
De acordo com a agência Red Pepper, o robô leva em torno de 4 segundos para localizar Wally, sendo mais rápido que a maioria das crianças de 5 anos.




Só perguntam: ONDE está Wally?
Ninguém nunca pergunta: COMO está Wally?

01 janeiro, 2019

A Cadeia de Comando de Morgan Freeman


Se Deus viesse à Terra, ele teria que assumir a forma de Morgan Freeman. Neste ponto, qualquer coisa menor seria decepcionante. ~ Jonco Stl

Juízo, Milênio

Feliz aniversário de 18 anos, Milênio!
Agora que você é um adulto, pare de agir como um adolescente desajustado e de nos atacar como se fôssemos seus pais.
N. do E.
O terceiro milênio d.C. é o período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 3000, sendo este o atual milênio.

Por que as pessoas insistem em errar?
A razão básica de a maioria das pessoas achar que o terceiro milênio iniciou-se em 1º de janeiro de 2000 consiste na confusão entre contagem e medida.
Com efeito, nós contamos os anos e temos o costume de iniciar qualquer tipo de contagem a partir do um. Consequentemente, quem construiu o calendário fez o natural, qual seja: iniciou a contar os anos da Era Cristã a partir do um e não a partir do zero; com efeito, em nosso calendário não existe ano zero.
Por outro lado, quando medimos ( por exemplo, quando medimos um comprimento, um peso etc ) iniciamos do zero. Note que isso em nada contradiz o dito acima, pois a função do calendário é "contar anos" e não "medir anos".
Aprofundemos um pouco a discussão. É perfeitamente correto dizer que o tempo é uma grandeza contínua e, como tal, tem de ser medido e não ser contado. Assim um físico mede o tempo de duração de seu experimento, embora possa ter de contar quantos segundos o mesmo durou.
Uma situação ainda mais delicada é a da idade das pessoas: nós contamos os anos de vida, mas isso nem sempre é adequado; com efeito, se quisermos expressar a idade de uma criança de menos de um ano costumamos apelar para meses, por exemplo, dizendo que ela tem três meses e não que ela tem 0,25 anos; e embora possamos dizer que uma outra tem meio ano de vida, dificilmente alguém diria que uma outra criança tem um terço de ano de vida.
(http://mathematikos.mat.ufrgs.br/disciplinas/ufrgs/mat01038041/portosil/milenio.htm)