10 Fevereiro, 2010

 

Come-se com os olhos


Esta pequena réplica da Torre Eiffel foi feita de queijo Cheddar por Sarah Kaufmann. A habilidade em usar esse tipo de material em suas esculturas justifica o título como é conhecida: "The Cheese Lady".
E há mais obras do gênero na galeria do Woman's Day.

Não estou exagerando. Mas, ao fazer esta reprodução do famoso monumento parisiense, Sarah Kaufmann lhe conferiu um acabamento fálico.

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Pedra, papel e tesoura

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09 Fevereiro, 2010

 

Cerveja e Viagra não combinam

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Uma lógica impecável

Wendell Phillips (1811-1884), famoso líder abolicionista norte-americano, viajando certa vez de trem por Ohio, encontrou-se com um grupo de ministros protestantes em regresso de uma convenção.
Um ministro sulista, obviamente hostil a Phillips, por causa das ideias abolicionistas deste, começou a conversa:
- O senhor é Wendell Phillips, não é?
- Sou, sim.
- O senhor é o homem que pretende libertar os negros?
- Sim, senhor.
- Então por que prega por aqui, em vez de ir para Kentucky, onde estão os negros?
Phillips silenciou por um momento. Depois disse:
- O senhor é ministro, não é?
- Sim, senhor.
- E o senhor pretende salvar as almas do fogo do inferno, não é?
- Pretendo, sim.
- Então - finalizou Phillips -, por que o senhor não vai para o inferno?
(Mouzar Benedito)

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08 Fevereiro, 2010

 

O livro que abalou o mundo de Ruy Castro

"A vida nunca mais é a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade não me recordo de mim a não ser cercado por elas (RC)."
O livro em questão entrou no mundo desse mineiro de Caratinga sob a forma de um presente de aniversário. Quando ele, num remoto fevereiro de 1953, foi presenteado com Alice no país das maravilhas. Ruy Castro fazia cinco anos e ainda não sabia ler.
Ah, entender aquela história maravilhosa contada por Lewis Carroll foi o grande estímulo para que o garoto aprendesse a ler.
Um dia, sua Alice, que tinha sido traduzida e adaptada por Monteiro Lobato, tomou um rumo ignorado. Outras "Alices" - em edições de luxo, de bolso, comentadas, com e sem ilustrações, bilingues etc - tentaram tomar o seu lugar. Sem sucesso. O próprio Ruy Castro, com os seus conhecimentos da língua inglesa, aventurou-se a criar uma delas. Sem que isso significasse desistir de rever aquela que desencadeara sua paixão pelos livros. Numa busca pelos sebos que ele prosseguiu até obter um exemplar "da mesma fornada" de sua primeira e insubstituível Alice.
O escritor estava enfim reconciliado com o garoto que um dia fora.

Referência: "10 livros que abalaram meu mundo", Casa da Palavra

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07 Fevereiro, 2010

 

Irene na Terra

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
- Quero ver Irene dar sua risada.

Que é isso?
Os três primeiros versos são de Irene no Céu, um poema de Manuel Bandeira; o quarto, da canção Irene (uma referência à metralhadora de Ernesto "Che" Guevara), que foi composta por Caetano Veloso em seu tempo menos ególatra.
Aqui uma colagem minha uniu esses versos sob um novo título (PG).


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06 Fevereiro, 2010

 

O castigo

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Yes, bananas

Uma dica que me foi enviada pela jornalista Mirna Gurgel. Para que as bananas se conservem por mais tempo é necessário que, quando for guardá-las em casa, elas sejam antes separadas da penca. Utilizando-se, para isso, de tesoura ou de faca, e procedendo para que todas fiquem como estas duas que estão sendo mostradas (na parte inferior da fotografia).


No dia seguinte ao corte, a banana já está com a ponta seca e fechada (como um umbigo seco), podendo ficar em bom estado por cerca de uma semana. E sem atrapalhar em nada o seu processo de amadurecimento, conforme acrescenta Mirna.
Não se deve esperar pelo desprendimento espontâneo da banana de sua penca. Porque isso apenas cria as condições para que ela se estrague mais rapidamente.

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05 Fevereiro, 2010

 

Rei posto, rei morto - 1

Que o rei não ignore o terrível fato! O de que existe, acima de sua cabeça, uma espada - de Dâmocles! - que, sustentada por um mísero fio, mui perigosamente está a pender. Como se fora uma ameaça mortal àquele que está a ocupar o trono. Pois, a qualquer momento, o frágil fio pode romper-se e... fim do ocupante do trono! É claro que, com algum acautelamento por parte dele, pode ir-se a coroa mas ficar a cabeça, o que é razoável. Quando a cabeça coroada tem alguma sensibilidade para identificar o instante imediatamente antes ao de romper o fio.
Com inspeções periódicas das condições em que se encontra o tecido social, eis a astúcia devidamente explicada.
Dizia Napoleão que com uma espada se pode fazer tudo... menos sentar nela. Se o que se busca é conforto, acrescento. Sobre Dâmocles, porém, o que eu tenho a dizer, neste momento, a meus atilados leitores? O seguinte: ele era um cortesão que vivia a bajular um tirano de Siracusa, chamado Dionísio, o Velho. Até que este, certa vez, aborrecido com tanto puxa-saquismo e babação, fez Dâmocles sentar no trono de Siracusa. Depois de haver colocado, acima do mesmo, uma espada nas condições descritas no parágrafo inicial. A fim de que o bajulador, expondo-se ao risco de morrer, entendesse de uma vez por todas o que eram as incertezas e as inquietações do poder.
De saída, por ser impossível agradar a todos os súditos. A exemplo, lembremo-nos do caso da garotinha que, depois de ter o pai, a mãe e os irmãos comidos pelo tigre, ainda assim se recusava a abandonar a aldeia natal. Porque "na cidade, lá está o rei...". Pois é, ser governante (sustentado a imposto etecétera e tal) está cada vez mais em baixa no conceito que lhe dão os governados. E, por isso, o rei que é esperto evita se desgastar com os comezinhos assuntos que os súditos lhe trazem. Ele simplesmente cede o assento real a um dos ministros (a fim de que este fique se maçando) e vai caçar raposa. Embora diga que vai caçar tigre.
Com um olho na caça(da) e outro no poder, é evidente. Para não chorar os dissabores por que passou Ricardo Coração-de-Leão.
Está nisso a esperteza: o rei deve reinar sem governar. Ser como o pássaro que não tem de bater as asas para provar ao reino animal a sua capacidade de voar.
Nos períodos sombrios, saber o rei que ainda poderá abrir três envelopes. Com três estratégicas instruções:
  1. onde se manda culpar o antecessor pela situação;
  2. onde se manda demitir um, vários ou todos os ministros;
  3. onde se manda renunciar após preparar três novos envelopes para o sucessor.
É tolo o soberano que, ao primeiro sinal de crise política, abre logo os três envelopes. Para que os problemas se confraternizem com as soluções é preciso levar algum tempo nessa empreitada. Nunca ser açodado. Porque, uma vez anunciada a renúncia, o passo seguinte será o ostracismo. Outrossim, tolo é o soberano do tipo protelador porque apresenta um grande apego ao poder. Pois a ele, além do destronamento, o destino pode-lhe estar reservando um fim trágico. Simplesmente por ele, em tempo hábil, não ter escolhido ir roçar nas ostras. PGCS

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04 Fevereiro, 2010

 

A poluição luminosa

O uso irracional dos sistemas de iluminação nas cidades é a grande causa da poluição luminosa. E esta forma de poluição apresenta fortes impactos biológicos, econômicos e astronômicos nas regiões em que acontece. Estima-se, como exemplo das suas consequências, que 1/5 da população mundial e 2/3 da população dos EUA já perderam a visibilidade a olho nu da Via Láctea.
Saulo Gargaglioni, do Laboratório Nacional de Astrofísica, em artigo a respeito da poluição luminosa, escreveu o seguinte:
"Tal fenômeno é o resultado do mau planejamento dos sistemas de iluminação. Uma das grandes vantagens da conscientização para o planejamento desses sistemas é a economia de energia elétrica, visto que existe grande desperdício de energia pela escolha inadequada da iluminação dos municípios. A visibilidade do céu noturno tem sido prejudicada não só pelas luminárias das vias públicas, mas também pela iluminação ineficiente de estádios de futebol, outdoors, monumentos e fachadas de prédios."
Fonte: Canadian Space Agency

Link para o seu artigo Poluição luminosa e a necessidade de uma legislação, publicado em Com Ciência, a revista eletrônica da SBPC.

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03 Fevereiro, 2010

 

Um cigarro explosivo

O indonésio Andi Susanto, 31, pilotava uma motocicleta quando o cigarro que fumava explodiu em sua boca, arrancando-lhe seis dentes.
Ele aceitou uma indenização de 5 milhões de rúpias indonésias (cerca de R$ 996), além do pagamento das despesas médicas e odontológicas, por parte da empresa PT Nojorono Tobacco, fabricante do Clas Mild, a marca do cigarro que fumava.
A polícia da Indonésia prossegue em suas investigações sobre a causa da explosão do cigarro. E o fabricante, através de seu porta-voz, declarou que aguarda a conclusão do laudo do laboratório forense para só então se pronunciar a respeito do acidente. E que, no momento, não tem planos para fazer qualquer recall.
Susanto, que fuma desde a adolescência, pensa agora em deixar o vício. O que deve contribuir para baixar a taxa de fumantes da Indonésia, que está entre as mais altas do mundo, mas sem que o mesmo efeito se observe com relação à taxa de desdentados do país.
BBC News

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Tabelas periódicas

Já estava, há um bom tempo, com este slideshow preparado no Google Docs, a partir de imagens obtidas em fontes diversas na web, e só aguardava o dia em que eu o publicaria no blog. Aí, descubro - num único site - uma quantidade incrível de tabelas, acompanhadas das respectivas explicações.
Trata-se do Database of Periodic Tables do Chemogenesis. É uma visita obrigatória.


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02 Fevereiro, 2010

 

Laser não cura asma

Caro colega,

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia tem como uma das suas funções a difusão do conhecimento científico na área das doenças respiratórias prioritárias e o zelo pela divulgação de Boas Práticas Clínicas. Foi com surpresa que verificamos a divulgação, em imprensa leiga, matéria na Revista Veja - Edição 2146 - ano 43 - n°1 - pagina 74, de 6 de janeiro de 2010, artigo referente a pesquisa desenvolvida no InCor com aplicação de Laser para obtenção de controle da asma. A reportagem sugeriu que asmáticos, após o tratamento com raios Laser, poderiam ter uma vida normal, sendo possível abandonar o tratamento anti-inflamatório com corticóides inalatórios, após a aplicação das ondas luminosas.
Compreendemos perfeitamente a missão da Universidade em pesquisar e divulgar tratamentos novos, bem como assegurar que esse conhecimento, ao ser transferido ao público leigo, seja sempre revestido dos devidos cuidados para que a falta de embasamento teórico da população não propicie uma má interpretação.
Essa reportagem, descrevendo um tratamento experimental como potencialmente mais eficaz do que o tratamento universalmente aceito como o mais efetivo para controle da asma (corticóides inalatórios: Evidencia A nas Diretrizes e Consensos mundiais), gera uma falsa impressão de conhecimento sólido e produzido em Instituição de credibilidade irrefutável.
Como especialistas sabemos que o Laser ainda carece de comprovação científica definitiva para ser recomendado como tratamento de primeira linha.
Sendo assim, encaminhamos, através de nossa Assessoria de Imprensa, uma resposta a VEJA, a qual não foi publicada. Estamos trabalhando para esclarecer a população de forma transparente e adequada.

Jussara Fiterman
Presidente da SBPT

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O mistério da seta


Você sabe o que faz a seta se mover na tela do computador quando o mouse é manuseado?
Esse mistério, que só aparentemente é tecnológico, está agora desvendado. Graças à poderosa lente de aumento do 1-click Award, o site responsável pela revelação da verdadeira natureza do fenômeno.
Pode levar algum tempo para a página do site ser carregada, mas a espera vale a pena. E o melhor é o que acontece com a seta quando você clica no mouse.

Itapiúna - CE

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01 Fevereiro, 2010

 

Aula de genética

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Inícios inesquecíveis de romances

Relembrando alguns:
"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". Anna Karênina, Leon Tolstói
"Num lugar de La Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor." D. Quixote, Cervantes
"Me chame Ismael." Moby Dick, Herman Melville
"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta." (Vladimir Nabokov, “Lolita”.)
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo." (Gabriel García Márquez, “Cem anos de solidão”)
"Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, cousa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. (Machado de Assis, “Memórias póstumas de Brás Cubas”)
“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; …” (José de Alenar, "Iracema")
— Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente — depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão."(Guimarães Rosa, "Grande sertão: veredas")
E o que eu considero o mais impactante de todos:
"Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado, viu que se transformara, em sua cama, numa espécie monstruosa de inseto." (Franz Kafka, “A metamorfose”)
O leitor certamente deve ter em mente mais exemplos.

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31 Janeiro, 2010

 

O esquilo pidão

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A peleja do poeta Carioca com o Maestro Soberano

Desde que Chico Buarque compôs suas primeiras músicas, Wagner Homem, um paulista de Catanduva, inscreveu-se entre seus grandes admiradores. Atuando na área da Tecnologia da Informação, Wagner um dia propôs a Chico a criação de um site pessoal, que contivesse toda a sua obra. Com o layout aprovado e todo o conteúdo revisado pelo próprio Chico, o site estreou em 1998, e desde então já ganhou três prêmios iBest. No link denominado "Notas", colocado para incrementar o site, Wagner passou a divulgar fatos interessantes que ouvia ou lia a respeito da obra de Chico. Esta seção, em face do grande interesse que despertou nos internautas, cresceu tanto que virou o livro "Histórias de canções: Chico Buarque".

A Maristane Fernandes, que me presenteou com um exemplar do livro, o meu agradecimento. Como a amiga pode ver, esse presente já está sendo utilizado.

Retrato em branco e preto
-------------(...)
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão.
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração.
(Tom Jobim - Chico Buarque)
"A canção de Tom Jobim, feita em 1965, chamava-se 'Zíngaro' - porque Tom, vivendo nos Estados Unidos, sentia-se como um cigano - e, já havia sido gravada no LP A Certain Mr. Jobim, com a participação do arranjador alemão Claus Ogerman. Tom passou a Chico diversas músicas desse álbum, e a primeira letra que saiu foi 'Retrato em branco e preto'.
Nos primórdios da parceria, estimulada por Vinicius de Moraes, Tom Jobim pouco palpitava, o que viria a acontecer com muita frequência quando o tempo e a intimidade permitiram. Chico atribui a benevolência e a tolerância iniciais ao paternalismo do maestro, que queria dar uma forcinha ao jovem letrista. Mesmo assim houve discussões.
Quando o Qarteto em Cy estava para gravar a canção, Chico decidiu mudar a expressão 'peito tão marcado' por 'peito carregado', e explicou ao parceiro que 'tão' havia sido uma muleta para completar as sílabas da canção. A alteração foi aceita, mas logo depois o maestro telefonava pedindo que mantivesse a versão original, porque 'peito carregado' tinha também a conotação de tosse. Chico cedeu.
Em outra ocasião, Tom teria dito a Chico que ninguém fala: 'retrato em branco e preto' e que a expressão correta seria 'retrato em preto e branco'. Ao que Chico teria respondido: 'Então tá. Fica assim: Vou colecionar mais um tamanco / Outro retrato em preto e branco'. Diante de uma tamancada tão convicente, Tom entregou os pontos."
In: "Histórias de canções: Chico Buarque", de Wagner Homem.

Vídeo


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30 Janeiro, 2010

 

O maior poeta do Brasil

"Em Belo Horizonte existe um sonetista, senhor respeitável, que, se bebe um pouco mais, não admite elogio a estro que não seja o seu e de outros raros poetas. Antes de tudo, não admite complacência com os escritores que vieram do Modernismo. Pois o vate estava no bar, quando uns rapazes da mesa ao lado começaram a dizer que Carlos Drummond de Andrade era o maior poeta do Brasil.
O homem da velha-guarda pediu polidamente para participar da conversa, no que foi atendido. Depois tirou um revólver do bolso, colocou a arma sobre a mesa e falou pausadamente, como se presidisse uma reunião literária:
- Meus caros jovens: os senhores dispõem do prazo improrrogável de dez minutos para mudarem de opinião. O maior poeta do Brasil é Alphonsus de Guimaraens.
Os rapazes, depois de cinco minutos, mudaram de opinião; e o sonetista os cumprimentou pelo invulgar bom-senso literário.

Fonte: Campos, Paulo Mendes. "Supermercado".
Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1976

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Por que a borracha é capaz de apagar o lápis?


Para respondermos a esta questão temos que primeiramente entender o processo que ocorre quando escrevemos com um lápis sobre o papel: ao passarmos o lápis no papel, este tem dureza suficiente para riscar o papel, e isso faz com que um pouco do grafite do lápis seja retirado e se deposite sobre o papel. Desmanchar o que foi escrito envolve a quebra de pequenas ligações elétricas que prendem o grafite ao papel.
A borracha consegue realizar essa tarefa porque, ao ser atritada contra o papel escrito, consegue se aproximar suficientemente das moléculas de grafite, exercendo sobre elas uma força superior à que as liga ao papel.

Fonte: FÍSICA DO DIA-A-DIA

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29 Janeiro, 2010

 

O Riacho e o Coronel

Em minhas viagens de trabalho à cidade de Itapiúna, pela rodovia CE-060, eu passo de carro por algumas pequenas pontes. Elas cruzam rios, aliás, filetes de rios (às vezes, nem isso), reduzidos como se apresentam pela inclemência do sol, que castiga o sertão cearense, associado à irregularidade das chuvas.
Placas bem conservadas, ainda não danificadas pelos pichadores, me informam à entrada das pontes os nomes que os rios têm. Na maioria das vezes, são nomes bem pitorescos como Baú, Água Verde, Gavião, Oitizeiro e Pesqueiro.
Um desses rios, que cruza a estrada no trecho entre Guaiuba e Acarape, tem o simpático nome de Rio Riacho. E parece não fazer caso de ter sido rebaixado a riacho, como se estivesse a matutar que não há mal que sempre dure. No seu caso, uma circunstância que deve acabar ao receber as águas da próxima quadra invernosa. E assim, revitalizado e a correr fartamente no leito, poder esse rio surpreender aqueles que o menosprezam.

(fotografia por câmera de telefone móvel)

Então, é quando uma associação de pensamentos me transporta a março de 1972. Eu, aluno de um curso de formação de oficial médico, na Escola de Saúde do Exército, no Rio de Janeiro. A integrar uma turma de cem jovens médicos, oriundos de diversos estados do país, e ansiando todos em receber no fim do curso as patentes.
Fomos avisados de que devíamos escolher os nomes de guerra. Colocados nos fardamentos, eles fariam com que logo nos conhecêssemos, uns aos outros, por esses nomes.
Sucede que um dos colegas, que pertencia à família Coronel, adotou como nome de guerra o tal sobrenome "militar". E, assim, passou a ser chamado de Tenente Coronel, ora por brincadeira, ora por respeito.
Ostentando duas estrelas em cada ombro, via-se de longe que esse Coronel era apenas um tenente. Pois, para ser um Tenente-Coronel - de verdade - o estimado colega tinha que possuir três estrelas, duas das quais "gemadas". Ah, isso ainda ia levar muito tempo!

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28 Janeiro, 2010

 

Bandeiras de Benin

É esquisito que isso (abaixo à esquerda) tenha sido a bandeira de um país. Representa a decapitação de um homem, sobre um fundo vermelho hemorrágico, e foi a bandeira que tremulou no céu de Benin, um país do noroeste da África. E não foi por pouco tempo. De 1447 a 1897, esse pendão abertamente belicoso de Benin deve ter deixado a vizinhança com as mãos no pescoço.












Já a segunda figura (acima à direita), não foi o croquis da bandeira. Encontrei-a em minhas navegações pela internet e prefiro considerá-la como uma coincidência. Foi ela desenhada em 1968 pelo cartunista James Thurber.
Clique aqui para ver a bandeira nova de Benin.

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27 Janeiro, 2010

 

A Terra invisível

A tecnologia digital está nos tornando invisíveis para os extraterrestres
Frank Drake (na fotografia), astrônomo norte-americano e considerado o pai do programa de Busca de Inteligência Extraterrestre (também conhecido por SETI, as iniciais do nome do programa em inglês), declarou que a tecnologia digital está convertendo a nossa Terra em um planeta praticamente indetectável para os extraterrestres que estejam buscando a vida inteligente pelo vasto Universo.
Via Alt1040
Comentário
Passarmos despercebidos dos alienígenas (acaso eles existam), isso é bom ou mau? Respondam-me, leitores, através dos meios digitais.

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Um show de equilíbrio

Para quem está pensando em trocar a bicicleta (por estar levando muitas quedas) pelo monociclo.


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26 Janeiro, 2010

 

Não foi uma boa ideia

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Canção por Eliana



Polegares, polegares
Onde estão?
Aqui estão
Eles se enfrentam
Eles se enfrentam
E se vão
E se vão.
PGCS

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25 Janeiro, 2010

 

Uma gripe, duas ondas















"ÓI NÓIS AQUI 'TRA VEZ!" >>>>>

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O livro que abalou o mundo de David Toscana

O romancista David Toscana, que nasceu em 1961, na cidade de Monterrey, México, não tem dúvidas a respeito. É o livro A metamorfose, de Kafka, uma obra do qual tomou conhecimento ainda na infância. Ao ver um colega, sentado na escadaria da escola, a ler com profundo interesse o tal livro e a suspeitar, pelo título, que o mesmo abordaria a vida das borboletas.
Escrito por um mestre em dissecação, palavras como ninfa, pupa e larva estariam lá presentes, inevitavelmente.
Mas esse equívoco da imaginação foi logo desfeito pelo amigo: "é sobre um homem que se transforma em inseto". Um esclarecimento que, no entanto, não impediu o surgimento de novas inquietações na mente do jovem Toscana. Do tipo: seria a história de um homem que, por haver recebido uma grande carga de radiação, transformara-se num louva-a-deus gigante que atacava as pessoas?
Foi a leitura do livro que operou a metamorfose do leitor. Levando-o a (se) perguntar:
"Ponho veneno ou esmago o inseto, mas amo Gregorio Samsa. Por quê? O que ele fez para ganhar o meu carinho? Amo-o porque é feito de palavras, pois se aparecesse em minha porta eu o enxotaria a vassouradas. Benditas as palavras que embelezam um inseto monstruoso."
E a ênfase é dada, quando o romancista interroga, se essa novela de Kafka já fora adaptada para o cinema. E deseja que não tenha sido. O cinema faria um trabalho especialmente infeliz com o livro, ao apresentar coisas que Kafka não pensava em esclarecer. Como: as características físicas de Gregorio Samsa transformado em inseto, a peça que a irmã toca ao violino, o ruído que saía da boca de Gregorio quanto ele parou de falar etc.
Porque, para David Toscana, Gregório é (para ser apenas) palavra. E maldita seja a imagem (PGCS).

Referência: "10 livros que abalaram meu mundo", Casa da Palavra

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24 Janeiro, 2010

 

A Aventura do Inglês

The Adventure of English, um DVD duplo e legendado,
escrito, apresentado e produzido por Melvyn Bragg

Melvyn Bragg conta a história de como um insignificante dialeto germânico, que apenas chegou à Grã-Bretanha no século quinto da era cristã, evoluiu para se transformar no Inglês, um idioma hoje falado por cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Iniciando a "viagem" nessa língua por suas humildes raízes, passando pelas fortes influências que ela recebeu do Latim e do Francês, até o seu florescimento com a escrita de Shakespeare e seus contemporâneos.
É uma bela história da aventura desse idioma que, mesmo em ocasiões havendo estado próximo da extinção, conseguiu sobreviver e triunfar mercê de sua surpreendente flexibilidade.

Agradeço o colega Nelson Cunha por me ter presenteado com esse documentário.

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Um governador fodão


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Comment
The whole message is I FUCK YOU SA. So who is SA and why does the governator want to fuck he/she/it?

O Exterminador
A propósito de Arnold Schwarzenegger, o ator-governador acaba de rodar mais um filme da série. Neste, ele recebe a missão de voltar ao passado para exterminar Eurídice Ferreira, a dona Lindu, em Pernambuco. O objetivo principal de sua missão é deixar o cineasta Fábio Barreto sem roteiro para o filme "Lula, o Filho do Brasil". Obtendo êxito em sua empreitada, as salas de cinema no Brasil exibirão apenas "O Exterminador" (que mostra o ator paulista José Chirico no pior papel de sua carreira).



Post scriptum
How to Say "Fuck You!" in Any Language Worldwide

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23 Janeiro, 2010

 

Diários de motocicletas

Quantas pessoas esta motocicleta transporta?

Não há como responder ao certo.

Exceto que ela faz um páreo duro com esta outra... que deve ser a limusine das motocicletas.
All Things Pakistan

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As 30 mentiras mais contadas

  1. Esse processo é rápido. ADVOGADO
  2. Qualquer coisa, volte aqui que a gente troca. AMBULANTE
  3. Já vai? Ainda é cedo! ANFITRIÃO
  4. Presente? Sua presença é mais importante. ANIVERSARIANTE
  5. Sei perfeitamente o que estou dizendo. BÊBADO
  6. Visite-nos sempre; adoramos suas crianças. CASAL SEM FILHOS
  7. Em seis meses colocarão: água, luz e telefone. CORRETOR DE IMÓVEIS
  8. Tomaremos providências. DELEGADO
  9. Não vai doer nada. DENTISTA
  10. Não quero mais saber de homem. DESILUDIDA
  11. Amanhã, sem falta! DEVEDOR
  12. É muita pressão que vem da rua. ENCANADOR
  13. Dormi na casa de uma colega. FILHA DE 17 ANOS
  14. Antes das 11 estarei de volta. FILHO DE 18 ANOS
  15. Trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado. GERENTE DE BANCO
  16. Era um bom sujeito. DESAFETO DO MORTO
  17. Vamos continuar treinando forte. JOGADOR DE FUTEBOL
  18. Isso aqui foi um homem que me deu. LADRÃO
  19. É o carburador. MECÂNICO
  20. Tem garantia de fábrica. MUAMBEIRO
  21. Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei. NAMORADA
  22. Você foi realmente a única mulher que eu amei. NAMORADO
  23. Casaremos o mais breve possível! NOIVO
  24. Apenas duas palavras... ORADOR
  25. Se eu fosse milionário distribuía dinheiro com todo mundo. POBRE
  26. Até que a morte nos separe. RECÉM-CASADO
  27. Depois alarga no pé. SAPATEIRO
  28. Em briga de marido e mulher não me meto. SOGRA
  29. Há 3 anos que procuro trabalho e não encontro VAGABUNDO
  30. Este é o último e-mail que repasso. EU
(recebido por e-mail)

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22 Janeiro, 2010

 

Redenção

A cidade surgiu no século XVII, a partir de um povoamento que deu origem à Vila Acarape, nos sopés do Maciço de Baturité, no sertão cearense.
No ano de 1882, a vila testemunhou a criação da "Sociedade Redentora Acarapense". Em 1º de janeiro de 1883, recebeu a visita de grandes abolicionistas como José do Patrocínio, Liberato Barroso, Justiniano de Serpa, entre outros, que vieram assistir à alforria de 116 escravos do lugarejo. A partir daquele ato, ali não haveria mais escravos e, por seu pioneirismo em libertá-los em nosso país, ganhou a vila o nome de Redenção.
Também em reconhecimento a esse fato, Redenção foi escolhida para ser a sede da recém-criada Universidade Federal da Integração Luso-afro-brasileira (Unilab), que está prevista para funcionar a partir de 2010.

Natural de Acarape (que foi desmembrada de Redenção em 1987), meu pai, Luiz Carlos da Silva, escreveu em sua juventude um soneto em homenagem à Redenção. O poema foi publicado na revista "Verdes Mares", do Colégio Cearense do Sagrado Coração, onde ele estudava, e, recentemente, figurou também no livro "Maquis - Redenção na França ocupada", escrito por meu irmão Marcelo Gurgel. Aqui.

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21 Janeiro, 2010

 

Braz tacheiro

Nelson José Cunha, médico e escritor
Fui lá para ver de quem tanto falavam - O Braz tacheiro. Claro que havia também outros motivos para a viagem: Dezessete anos sem visitar o lugar onde a minha memória fez um ninho e lhe deu o nome de Ubajara. Queria ver também quem não me via: Parentes e amigos do meu pai
Fui entrando na cidade e lembrando do meu avô, já em rodas, debruçado na janela, a ver feira e interromper passantes com indagações banais: - E a vaca, pariu? - Trouxe a farinha que lhe pedi? E outras bobinhas. Minha avó, pequenina e frágil, comandava a cozinha para o almoço das dez, agitando, maestrina, a enorme chave da despensa. Lembro Muinha, vestida de chita barata, passos abertos tipo “dez pras duas”, correndo com uma brasa na colher. Levava o fogo para o cigarro empalhado do velho Quincas. Conduzia a chama do olímpico esforço de servir com um amor franciscano àquela família que um dia lhe dera prato e cobertor. Muinha é minha heroína, sua lembrança é o amuleto que me recompõe quando perco as esperanças no gênero humano. Quem a conheceu sabe de quem falo e chora comigo sua falta, pois ela foi a melhor de todos nós. Santinha!
A missa de domingo tinha quermesse na praça, radiadora com mensagens ingênuas anunciando amores tímidos. Eu mesmo arrisquei uma flecha para alguém que vestia azul e circulava na praça de braços com outras. Todas riam ao passar por mim, o tal de boné carmim. Ia dormir sem trocar palavra, dormia rápido para no sonho ter coragem de perguntar-lhe pelo menos o nome.
Na feira, gostava de me aproximar dos ciganos e espreitar suas negociatas com animais e tachos cobreados. Achava as ciganas mais belas e misteriosas do que as mulheres de cá. Uma delas quis ler minha mão, mas por medo ou timidez, neguei a mão e a viagem ao futuro. Saí correndo e entrei na bodega do Chico Chagas, amigo do meu avô e de lá fiquei espiando o mundo dos que não conheciam horas, disciplinas, estudos e compromissos, o mundo que já começava a me aprisionar. Eu invejava o admirável mundo vagabundo dos ciganos.
A casa de meu avô fronteava a praça sem recuo. Descia-se um degrau para pisar na sala de assoalho rústico que rugia e retumbava. Os quartos eram escuros, sem janelas, mas cheios de portas. Alcovas despojadas, devassadas, algumas redes dobradas em cachos e um baú tão lacrado que acendia minha fantasia: Guardaria moedas de ouro puro? Jóias e pedrarias? Com o falecimento do meu avô, o velho lampião Petromax do quarto pôde iluminar o baú aberto. Lembro-me de dezenas de títulos de eleitor, Notas Phiscais de atacadistas de Sobral fornecedores do Armazém do Quincas. Havia ainda um pincinê de mola (na foto menor) que guardo até hoje. Do meu avô trago com orgulho um queixo, um pincinê e o sobrenome.
A mais saborosa parte da casa era a cozinha aberta para o pátio e com a lenha sempre acesa. A goiabeira do quintal, de boa sombra e más goiabas, guarnecia a porta da cozinha por onde descíamos para o porão à cata de velharias e jacas maduras. Depósito de rapaduras e alfenins, mangas e amendoins que atiçavam o apetite do menino magro, avesso ao sal das comidas boas.
Dessa vez, o avô sou eu, andando na praça, conectando um fio ao passado, buscando uma infância que desapareceu como água servida. Os tempos mudaram a feira de Ubajara. Não há mais ciganos. Uma barraca vende a quilo roupas usadas e arrematadas em São Paulo. Um caboclo de brincos anuncia DVD do Matrix e outras pinóias do Paraguai. Assim vai se montando o cenário que servirá às reminiscências dos velhos de amanhã. O mundo segue seu curso e vai deixando pelo caminho esses velhos doentes de saudades.
Fui ver o Braz tacheiro (na foto maior – Nelson Cunha, Braz e esposa, Paulo Lopes). Sujeito rabugento, que se tornou lenda no alto da serra. Fui conferir sua fama e comecei atiçando o braseiro com uma pergunta imbecil:
- Aqui se vende tacha? Essas tachas de pregar solado?
Ele já exasperado, respondeu que vendia tacho de cobre para garapas e doces e que entre tacha e tacho, um ignorante não vê muita diferença. Era o que eu precisava para iniciar a conversa num clima menos amistoso. Perguntei então se podia fazer pipoca com os tachos. Respondeu que pipoca se faz com milho e me fez engolir cuspe e emudecer.
Atarracado, mãos brutas, olhar de nojo pelo atrevido forasteiro. Era falante, áspero e briguento: vestia-se com estopim de dinamite. Perguntei porque havia tantos retratos de políticos na parede, respondeu que é pra ter raiva deles.
- Para que esta quantidade de garrafões de pinga, se senhor não bebe? - perguntei com ar abestalhado.
- Já bebi muito, mas não bebo mais. Pus ai só pra teimar.
- Então o senhor é teimoso?
- Sou sim, mas num sou sévergonha. Aqui em Ubajara tem um beco que eu num passo.
- Por que não passa?
- Num passo porque eu dixe. Dixe que num passava e num passo nem se me matar. Já me deram uma D20 zerada para passar e eu num passei. O ômi pode ser teimoso, só num pode ser é sévergonha.
Esse é o Braz, o Seu Lunga(*) da Ibiapaba. Um homem que pode ser tudo, mas não é um sévergonha.
Tem-se dito!

(*) Seu Lunga, o do Cariri, que esteve recentemente de passagem pelo blog, foi o responsável por Nelson haver desarquivado e enviado esta crônica.

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20 Janeiro, 2010

 

Um dia na internet

Acabo de encontrar no Geekstir este incrível diagrama que sintetiza um dia de atividades na internet. São números tão grandes que nos causam arrepios.
Somente os blogs postam 900.000 artigos novos a cada dia.

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Um calendário de animais

Foi desenvolvido pela Takkoda para o ano de 2010. É o calendário mais fofo e estiloso dos últimos tempos.


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19 Janeiro, 2010

 

A vida na berlinda

"Em minha opinião, a vida tem sido algo muito valorizado. Sem ter ao menos microrganismos, Marte vai muito bem."

Dr. Manhattan, Watchmen, 1986
Itapiúna - CE

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Dez milhões de morcegos!

O título realmente diz tudo. Sobre o maior ajuntamento de morcegos ao ar livre no mundo, esse que diariamente acontece em um remoto pântano da Zâmbia.
Para obter as fotografias do espetáculo, uma câmera da BBC percorreu a área (equivalente a dois ou três campos de futebol) transportada por um balão de ar quente. Um helicóptero não conseguiria voar no local durante a revoada de tantos morcegos.

- Santa Multidão, Batman!

Ver VÍDEO.

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18 Janeiro, 2010

 

Por motivos intestinos

Os deputados distritais de Brasília (afora algumas honrosas exceções) não vão "digerir" bem o panetone dessa CPI.
Digo mais: vão só "arrudear" o dito-cujo.

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"Temo o homem de um livro só"

Em latim: Timeo hominem unius libri.
Esta frase de Tomás de Aquino, ao que parece, encerra um elogio ao homem que conhece a fundo um livro só e, com isto, poderia ser um opositor temível. Atualmente, porém, exprime dúvidas sobre a sabedoria de alguém, cujas opiniões e idéias revelam a influência exclusiva de um único autor.
A propósito, no filme "Os sonhadores", de Bertolucci, há uma cena em que um dos personagens, um jovem militante radical, mostra a seu amigo uma foto de milhares de chineses acenando com o "Livro vermelho", de Mao. E, na sequência, pergunta:
- Não achas maravilhoso?! Milhares com um livro na mão!
- Não, pois é o mesmo livro! - responde o amigo.
A frase em outros idiomas:
God deliver me from a man of one book.
Gardez-vous de disputer avec l'homme d'un seul livre.
Dios me libre de hombre de un libro.
Dio mi guardi de chi studia un libro solo.
Gardu vin de tiu, kiu lernas en unu sola libro
(esperanto).

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17 Janeiro, 2010

 

Músicas corporais

O Fleshmap fez um levantamento das frequências com que os nomes das partes do corpo humano aparecem nas letras das canções norte-americanas. Distribuindo inclusive os resultados obtidos pelos vários gêneros musicais existentes nos Estados Unidos.
Nos onze gêneros pesquisados, em oito são os olhos (olá, oftalmologista Nelson Cunha) o órgão mais referido; em dois, as mãos; em um, as nádegas.
Coração e pulmões não aparecem, pois foram consideradas apenas as partes visíveis do corpo. Mas, como o tórax (chest) é levemente citado nas canções, posso eu me sentir lisonjeado?
Via Gente de Mídia

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Desgraça muita é bobagem

O cônsul do Haiti no Brasil, o Sr George Samuel Antoine, em seu esforço para adotar o pensamento da "elite" branca / preconceituosa do país que o acolhe desde 1975, deve estar ultimamente vendo muito Boris, muito Nêumanne e lendo muito Diego, muito Reinaldo.
Pois, a respeito do terremoto que devastou seu país, foi esta a "explicação" que apresentou para a tragédia:

"desgraça de lá está sendo boa pra gente aqui; fica conhecido... o terremoto que atingiu o país pode ter sido causado por macumba... o africano em si tem maldição, todo lugar que tem africano tá f..."



(Observem os evidentes sinais de desconforto de seu interlocutor, enquanto Sr. Samuel "desgraça muita é bobagem"Antoine expõe sua abalada abalizada "teoria das placas raciais".)

Abaixo, por terem sido as regiões em que aconteceram os 10 maiores terremotos do planeta (em números de mortos), divulgo os nomes dos locais onde certamente se concentram esses "africanos / macumbeiros":
1. Shensi, China, 1556 - 830 mil mortos
2. Calcutá, Índia, 1737 - 300 mil mortos
3. Tangshan, China, 1976 - 250 mil mortos
4. Kansu, China, 1920 - 200 mil mortos
5. Kwanto, Japão, 1923 - 143 mil mortos
6. Messina, Itália, 1908 - 120 mil mortos
7. Chihli, China, 1290 - 100 mil mortos
8. Shemakha, Azerbaijão, 1667 - 80 mil mortos
9. Lisboa, Portugal, 1755 - 70 mil mortos
10. Yungay, Peru, 1970 - 66 mil mortos
Fonte

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16 Janeiro, 2010

 

Nunca te vi

Sinopse
Brasil, 1986. Com Paulo César Aperreio, no melhor papel de sua carreira. Ele é Macondo Ferraz, um bem-sucedido homem de negócios paulista (entre suas atividades, está a de dirigir uma carteira de investimentos com a qual ajuda as pessoas até que elas fiquem falidas). Entediado com o trabalho, ele resolve passar umas férias na Europa e na França, com conexão na Bahia. O mau tempo, porém, obriga o avião em que ele vai a fazer um pouso de emergência no Dedo de Deus, em Teresópolis. E, quando melhoram as condições meteorológicas, constata-se uma surpresa desagradável: o avião não pega nem com empurrão. Com o sistema de comunicação avariado, resta a passageiros e tripulantes a espera pelas equipes de busca e salvamento. Elas chegam dias após, e todos são resgatados com vida. Todos, menos Ferraz cuja ausência é minimizada por uma ossada que as equipes descobrem no local. Detalhe crucial: uma trempe, com as cinzas ainda quentes, parecem apontar na direção de um canibalismo por parte dos sobreviventes. Mas, ao fim dos interrogatórios policiais, são todos inocentados sob os protestos de um detetor de mentiras importado dos Estados Unidos (mentira, importado do Japão). Rodado com o nome provisório de "Nunca te vi, sempre te comi", por sugestão do distribuidor o filme teve o título encurtado. Para não confundir o cinéfilo pornô.

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Dicionário Brasileiro de Prazos

"Para evitar que estrangeiros fiquem pegando injustamente em nosso pé, está sendo compilado o 'Dicionário Brasileiro de Prazos', que já deveria estar pronto mas atrasou, do qual foram extraídos os trechos a seguir:

DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa 'passou a ser minha primeira prioridade', enquanto 'faço já já' quer dizer apenas 'assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito'.

LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase 'Mas logo eu?', que quer dizer 'tô fora!' .

MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!

NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca.

POR VOLTA: Similar a 'no máximo'. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5 h quer dizer a partir das 5 h.

SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer 'fique tranqüilo que amanhã eu entrego.' E depois do segundo atraso, 'relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta.'

UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

UM MOMENTINHO: Demora, em média, cinco vezes UM MINUTINHO.

TÁ SAINDO: Ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar?
Capisci! Understood? Comprendez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo...

VEJA BEM: É o
day after do depende. Significa 'viu como pressionar não adianta?' É utilizado da seguinte maneira: 'Mas você não prometeu os cálculos para hoje?' Resposta: 'Veja bem...' Se dito neste tom, após a frase 'não vou mais tolerar atrasos, OK?', exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário."

(circulando por e-mail na internet)

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15 Janeiro, 2010

 

Ciência x Filosofia

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Micropoemas do infortúnio - 11


o MURO antes de sua destruição pelo vento
-----´´´´´´´´´´´´´pela chuva
-----era o espinhaço do vergel.
Ia-se por [sobre] ele até as Colunas de Hércules
-----do mundo felinamente conhecido.

Hoje, não mais...
E os lagartos pervagantes estão atentos
-----a uma nova realidade:::
--------------------------escombros.

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14 Janeiro, 2010

 

O homem que desafiou a bomba

Morreu em 04/01/10, o japonês Yamaguchi Tsutomu, reconhecido como sobrevivente dos dois bombardeios atômicos sofridos pelo japão, ao fim da II Guerra Mundial.
Na manhã de 6 de agosto de 1945, Yamaguchi se encontrava a negócios em Hiroshima, quando a cidade sofreu o bombardeio atômico. Com os tímpanos rotos, cegueira temporária e graves queimaduras pelo corpo, ele passou a noite em um abrigo antiaéreo local e, no dia seguinte, voltou para Nagasaki, a cidade onde morava, em busca de algum tratamento.
Três dias após, Nagasaki sofreu o seu bombardeio atômico. E Yamaguchi estava lá, sobrevivendo novamente.
Considerado um hibakusha (sobrevivente da radiação) pelo governo de seu país, o japonês recebeu cuidados médicos e compensações financeiras ao longo de sua vida. Desfrutou de uma regular saúde e somente veio a falecer aos 93 anos de idade por câncer de estômago.
Era um intransigente defensor do desarmamento nuclear.

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13 Janeiro, 2010

 

Testes nucleares

De 1945 a 2008, mais de 2.000 testes nucleares já foram realizados no mundo. O mapa abaixo mostra as regiões do planeta em que essas experiências aconteceram. O caso do Japão, apresentado como uma dessas regiões (Hiroxima, Nagasaki), chega a ser irônico.

Comentário
CONTINUEM INCLUINDO A AMÉRICA DO SUL FORA DISSO!
Nuclear Test Sites

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Meu vício é ele

O COMPUTADOR É MEU SENHOR E NADA ME DESCONECTARÁ.


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12 Janeiro, 2010

 

O papel de melhor amigo

Por este e outros préstimos é que...
o papel de melhor amigo do homem pertence ao cão.

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Conjugo Vobis

Conjugo o verbo casar:-----
-----Eu caso
-----Tu casas
-----Ele casa.
Depois começo a pensar...
Quem pensa, porém, não casa
Já dizia Vitor Hugo.

Conjugo o verbo casar.
O verbo casar, com jugo,
E resolvo não casar.

Assinado por Ataulfo de Paiva e publicado no Almanhaque para 1949 (do Barão de Itararé) com o subtítulo de "Poema do Celibato".

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