12 novembro, 2018

Nunca deixe seu guarda-chuva para trás!

1
De todos os bens, o guarda-chuva é certamente o mais esquecível.
Mas...
O que indica o frequente esquecimento deste bem pelo proprietário?
Pode ser o desejo que a pessoa tem de que não chova mais. Pode ser a tendência ao risco ("quem sai na chuva é pra se molhar"). Ou pode ser a vontade de voltar ao tempo sem guarda-chuva, quando tudo era molhado, isto é, ao tempo intra-uterino.
Esta última, que apela para a figura materna, trata-se de uma explicação freudiana.
2
Fique seco!
Para evitar que as pessoas percam seus guardiões da chuva, uma empresa lançou um guarda-chuva com alerta de esquecimento.
É o Davek Alert Umbrella, o guarda-chuva de alta tecnologia que você não pode perder.
Além de forte e elegante, este guarda-chuva incorpora a avançada tecnologia Loss Alert. Que permite transmitir, através de um pequeno chip embutido na alça, um "sinal de proximidade" a seu smartphone. Este sinal é lido por um aplicativo no smartphone que pode rastrear a distância entre o telefone e o guarda-chuva. Se a distância exceder os 10 metros o guarda-chuva enviará um alerta sutil para o seu telefone.
(nota não patrocinada)
3
Respingos na memória, blog EM
4

O duro odor do durião

Deu na BBC Brasil:

Passageiros reclamaram do forte odor do durião, uma fruta oriental com aspecto semelhante ao da jaca. A fruta é macia, suculenta e sua semente pode ser torrada e comida como uma castanha.
Cerca de duas toneladas de durião estavam sendo transportadas no compartimento de carga do avião - que voaria de Bengkulu, na Indonésia, para a capital do país, Jacarta (5).
Os passageiros exigiram que a fruta fosse removida e houve brigas com comissárias de bordo.
No fim, a companhia aérea, Sriwijaya Air, cedeu e removeu os sacos de fruta da aeronave, que decolou uma hora depois do planejado.
(7 nov 2018)

A fruta (Durio zibethinus) é apreciada em parte da Ásia, mas também é controversa. Há quem a adore e há quem a odeie. Seu odor faz com que ela seja banida do transporte público, de hotéis e até de aviões, em determinados países. O odor característico do durião (de origem sulfurosa) serve a um propósito importante na natureza: ajudar a atrair animais para comê-lo e depois dispersar suas sementes.
A propósito de outra fruta com odor, informe-se aqui sobre o abricó-de-macaco, uma fruta não relacionada ao durião mas que parece semelhante. [PGCS]

Ó flor! (a "flor cadáver")

11 novembro, 2018

No país das armas - 2

27/10/2018 - Um tiroteio em uma sinagoga de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), deixou 11 mortos e 6 feridos na manhã deste sábado. De acordo com o relato de testemunhas, ele entrou no templo armado com um fuzil semiautomático AR-15 e com várias pistolas. O autor da chacina, que está sob custódia, é Robert Bowers, de 46 anos, que possui 21 armas de fogo. Ele gritou insultos antissemitas durante o ataque.

08/11/2018 - Mais um massacre a tiros, desta vez com 12 mortos, em Thousand Oaks, na Califórnia. O atirador foi Ian David Long, de 28 anos. Ele era veterano de guerra e serviu no Afeganistão.
Susan Orfanos disse que seu filho Telemachus Orfanos, de 27 anos, sobreviveu ao tiroteio de Las Vegas do ano passado, que matou 51 pessoas, mas não ao massacre de Thousand Oaks.
"Eu não quero orações", disse ela. "Eu não quero pensamentos. Eu quero o controle das armas... Não. Mais. Armas."
https://abcn.ws/2QxezKC
Os Estados Unidos são vítimas de sua própria cultura belicista. Onde o direito de alguém comprar armas é maior do que o seu direito de não ser morto por elas.


No país das armas - 1

A voz de hidrogênio

Antes de se tornar a primeira vítima da aviação, tentando a travessia aérea do Canal da Mancha em 1785, Rozier estava acostumado a viver perigosamente. Uma de suas demonstrações preferidas nas palestras de Química que ele dava consistia em inalar o hidrogênio e depois falar com a voz modificada pela inalação.
Hoje, tende-se a usar o hélio. [1] [2] [3] [4] [5]
O floreio final era acender o hidrogênio exalado pela boca. Tal homem era obviamente o "Right Stuff" para pilotar aquele balão híbrido de hidrogênio e ar quente em 1785.
Em "A Short History of Nearly Everything" ("Uma breve história de quase tudo"), Bill Bryson escreveu:
"Na França, um químico chamado Pilatre de Rozier testou a inflamabilidade do hidrogênio engolindo um bocado desse gás e soprando-o através de uma chama acesa."
Com isso, provando de uma só vez que o hidrogênio é de fato um combustível explosivo e que as sobrancelhas não são necessariamente uma característica permanente do rosto de uma pessoa. "

O camaleão introvertido

Você já teve uma paixão à primeira vista?
Isto pode acontecer em qualquer lugar - na rua, num ônibus, num funeral. Para Darrel, um camaleão introvertido, essa paixão aconteceu numa estação de metrô. Então, o que exatamente um menino como ele precisa fazer antes que a oportunidade se esgote?
Possivelmente, não deve ser o que Darrel fez.



Poderá também gostar de ver:
Um duelo de camaleões

10 novembro, 2018

Visitas inesperadas

Related image

Uma dama britânica disse certa vez que, se chegam visitas inesperadas a sua casa, ela rapidamente pega o chapéu e o guarda-chuva. Caso a pessoa que acaba de chegar for do seu agrado, ela diz: "Ah, que bom, eu também acabei de chegar!". Mas se a visita é de alguém inoportuno, ela diz: "É uma pena que eu precise sair".
(https://incrivel.club/admiracao-curiosidades/25-regras-modernas-de-etiqueta-72205/)

Cerveja no claustro

Michel Fox, in CRUX
Embora a cerveja possa ter sido inventada pelos antigos babilônios, ela foi aperfeiçoada pelos mosteiros medievais que nos deram a cerveja como a conhecemos hoje. As imagens mais antigas de uma cervejaria moderna estão no Mosteiro de São Galo, na Suíça. Os desenhos, que datam de 820 d.C., mostram três cervejarias - uma para os hóspedes do mosteiro, uma para os peregrinos e os pobres e outra para os próprios monges.
Foi creditada a um santo, Arnold de Soissons, que viveu no século 11, a invenção do processo de filtragem. Até hoje, e apesar da proliferação de muitas microcervejarias de renome, a melhor cerveja do mundo ainda pode ser feita dentro do claustro - especificamente, dentro do claustro de um mosteiro trapista.


-----Foto: Aposentado, o Papa Bento XVI desfruta de uma cerveja em sua festa de aniversário (90 anos), no Vaticano. Também retratados: o irmão dele, Mons. Georg Ratzinger, à esquerda do papa, e o arcebispo Georg Ganswein, prefeito da casa papal, na retaguarda. (Crédito: CNS photo /  L'Osservatore Romano.)

Ordens religiosas e vinificação

09 novembro, 2018

Asas à imaginação [continuação]

4
«A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução.» Um pensamento de Albert Einstein, publicado no livro "Sobre Religião Cósmica e Outras Opiniões e Aforismos", em 1931.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2016/06/a-imaginacao-e-tudo.html
5
«O melhor da preguiça é dar asas à imaginação.»
(aqui era para haver uma imagem gif, que bateu asas, escafedeu-se)
Então:

6
Dar asas (ou azo?) à imaginação?
Estamos perante duas expressões com significados diferentes.
«Dar asas à imaginação» é uma bela metáfora porque quer dizer que deixamos a imaginação voar.
«Dar azo à imaginação» significa dar ocasião à imaginação ou dar oportunidade à imaginação.
A. Tavares Louro, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
(Azo é um substantivo masculino que possui etimologia no antigo termo provençal “aize” e no latim “actum” com sentido de comodidade, estar confortável ou bem à vontade.)

Asas à imaginação, 1 - 3
(07/11/2017)

Valor literário

por Alberto Lins Caldas (*)
Como saber se um texto tem ou não "valor literário"? Como saber se um texto é realmente literário ou não passa de uma impostura? A gramática (normalmente o gramaticamente "correto" carrega uma boa dose de servilismo!) não pode ser aquilo que vai decidir sobre o "valor literário": a gramática é um ordenamento de poder, um círculo do já feito, do conhecido e reconhecido: a literatura vai sempre além desse círculo e seu limite; a língua também não pode decidir: a literatura é indiferente à língua: ela é somente seu suporte: não importa em qual língua a virtualidade literária se configure: ela não marca essa virtualidade; a região também em nada afeta o nascimento ou florescimento de uma obra, podendo, quando muito, fazê-la definhar por enquadrá-la a um pequeno significado vivencial, a um comodismo provinciano; uma tradição também não pode servir de parâmetro literário, pois a literatura sempre se fez a um passo depois das tradições, apesar de servir-se delas como nossa fome de um suculento pedaço de carne; gênero também não interessa: a grande literatura não pertence a nenhum gênero específico: não existe literatura negra ou branca, heterossexual ou homossexual, macho ou fêmea, moral ou imoral, infantil ou adulta, desenvolvida ou subdesenvolvida, prosa ou verso: o que há é literatura ou não literatura (parece que ninguém mais sabe o que é literatura e qualquer um que escreve é chamado de escritor); a história da literatura também não pode contribuir: as obras nascem sempre antes das outras obras de uma história: a origem de uma verdadeira obra literária é sempre anterior as suas "influências"; a economia também não resolve a questão: as classes sociais, a riqueza, o capital, a exploração, a mais valia, o roubo, o poder, a miséria, a história, os partidos, a política, o governo: nada disso cria ou impede a criação de uma grande literatura ou de uma grande obra: o "valor literário" não é uma conseqüência, em última instância, das determinantes econômicas. Então como saber se uma obra tem valor literário ou não?
Todas as obras de real valor literário possuem algo em comum: todas elas partem, sempre com um espírito de negação, de uma filosofia (F), de uma estética (E) e de uma visão de mundo (V) e constituem, em seus labirintos, uma visão de mundo própria, uma outra filosofia e uma nova estética: mas esses elementos só servem naquele universo, naquelas obras específicas: dali não nascem mais obras, a não ser como pastiches, reproduções de segunda mão, como em quase todas as obras provincianas: são reproduções simplificadas dos esquemas, das visões, das facilidades visíveis de uma obra, daqueles elementos que o poder difunde como qualidade e valor. Daí a misteriosa e espantosa multiplicação dos bilaquinhos, dos anjinhos, dos montelinhos, das lygiazinhas e dos coelhinhos: o que vemos aos montes em todas as províncias do mundo são pobres pastiches de algo que já foi feito e não poderia mais gerar nada a não ser a exaustão ou o delírio das críticas literárias, que fazem a festa exatamente sobre as FEV geradas pelas obras.
Mas ainda mantemos o mesmo problema: como saber se um texto tem ou não "valor literário"? É um longo caminho. Toda obra realmente literária gera uma rede de galerias onde se formatam em movimento sua FEV: cria-se uma espécie de "virtualidade singular" e uma forma de "virtualidade social". Há um intrincado virtual que é preciso levar em conta antes das análises do leitor, da língua, do estilo, dos discursos, dos gêneros, das formas, das estruturas, das funções. Precisamos, enquanto hermeneutas da obra literária, pensar sobre a FEV que propõe. É a partir desses componentes (FEV) que poderemos estabelecer se uma obra, em seus fundamentos, é somente uma reprodução sem valor, porquê mil vezes dita e dita mil vezes melhor, de uma “escola” qualquer, de um “autor” qualquer.
Uma “obra limite” sem história, sem personagem, sem lugar, sem perspectiva, sem narrador, sem temporalidade pode estruturar uma FEV inigualável. Sua significância nascerá da importância não do estilo, não da gramática, não da tradição, não da língua, não do gênero mas da sua específica FEV. Esse é um começo porque nenhuma obra literária se resume a sua FEV. Mas é dela que retira toda a sua força, todo a multiplicidade que devora as outras obras e exige a multiplicação da leitura e da interpretação; é dela que nasce nossa admiração, nosso amor, nosso espanto, nossa busca, nosso desejo, nosso olhar, nossa leitura. Fazer literatura não é somente escrever, contar uma história, construir um estilo: é criar uma FEV, é constitui-la com toda a nossa singularidade, com toda a sinceridade, coragem e unicidade que nos for possível. Como essa FEV pôs ao seu serviço um estilo, uma gramática, uma tradição, um gênero, uma história, uma língua é a nossa grande questão. Uma virtualidade singular que, para existir, precisa de uma outra voz, uma outra forma, uma outra perspectiva.
Daí porque é impossível para o artista ser "normal" e escrever (ou pintar ou esculpir ou criar qualquer coisa realmente em arte). Gerar filhotes, obedecer à família, entender o governo, participar de um partido político, sentir-se honrado por estar trabalhando ou estudando, amar pai e mãe, amar uma mulher ou à mulher sobre todas as coisas, defender a pátria, chorar de emoção com a bandeira, respeitar alguma coisa, gostar daquilo que todo mundo gosta, assistir televisão, gostar de programas de auditório e novelas, ler os autores da moda, ler os autores respeitados pela "escola" e pela "academia", desejar aquilo que todo mundo deseja e tolices do gênero são sintomas de uma quase FEV massificada que está há muito estabelecida, servindo somente a um mundo ridículo e cada vez mais pobre e fascista. Um escritor é aquele que, antes de tudo e depois de tudo, cria uma FEV própria, singular, como maneira de ver, sentir, dialogar, desejar e sonhar, viver e morrer.
Aqui resolvemos a nossa questão? Não! Para desalinharmos um bom pedaço desses fios é realmente preciso muito caminho e muita tinta. Aqui é somente um dos mil começos de algo sem começo que tem seu fim exatamente em todos os possíveis começos.
(*) Pernambucano de Gravatá, onde nasceu em 1957. Publicou Canto Fundamental e Cacimbas. Colabora em jornais do Recife (Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Diário da Manhã) com artigos de critica literária e poesia. Fundador do grupo informal Poetas da Rua do Imperador. Cursou Historia e Arqueologia na UFPE. Ensaísta proustiano e poeta. 

08 novembro, 2018

Nem lhes conto

Sergey Savitsky, de 55 anos, é engenheiro científico em um remoto posto avançado na Antártida. Ele e seu colega Oleg Beloguzov, de 52 anos, são leitores inveterados e costumam passar o tempo lendo livros na solidão do continente gelado.
Mas Beloguzov não parava de bancar o spoiler. Aborrecido com essa conduta do colega, Savintsky dias atrás não se conteve e esfaqueou-o.
A vítima, depois de removida da estação de pesquisa de Bellingshausen, na ilha King George, encontra-se em tratamento intensivo no Chile. E Savitsky voltou para São Petersburgo, onde está sob prisão domiciliar.
Acredita-se que, pela primeira vez, um homem é acusado de uma tentativa de assassinato na Antártida.


Spoiler tem origem no verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. Spoiler é quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme, sem que a pessoa tenha visto.
O spoiler é uma espécie de estraga-prazeres, pois ele é aquele indivíduo que conta os finais, ou o que vai ocorrer com determinado personagem em filmes, séries, livros, sem saber se a outra pessoa realmente quer saber. O spoiler não necessariamente precisa contar o fato todo, pode ser qualquer parte de uma fala, texto, imagem ou vídeo que faça revelações importantes sobre determinados assuntos.

Paisagens reunidas

As planícies de Vênus, Terra, Lua, Marte e Titã:


Astrônomos amadores interagindo...
Oceano não é planície.
É uma planície de inundação.
É onde a chuva na Espanha principalmente cai.
O que são aquelas coisas esquisitas em Vênus?
Venera 13, um lander soviético. Fundiu poucas horas depois de fotografar.
Titã, a maior lua de Saturno.
Eu pensei que tínhamos um novo planeta.
Corrigindo Terra:

07 novembro, 2018

Hey, James (4)

— Alô, James. Você poderia suprimir a placa de PISO MOLHADO desta fotografia? Obrigada!
— Seguramente.


James Fridman ajuda a realizar seus sonhos por meio do Photoshop.
(1) (2) (3)

HERE COMES THE SON

O dentista que comprou um dente de John Lennon mudou ligeiramente de ideia.
Ele agora está à procura de potenciais filhos amorosos do falecido Beatle numa tentativa de reivindicar uma fatia de bens e direitos de John Lennon avaliados em 400 milhões de libras.
Lennon, que foi baleado e morto em Nova Iorque em 1980, deu o dente para sua governanta Dot Jarlett, na década de 1960. Em 2011,  Dr. Michael Zuk, 45, de Alberta, Canadá, comprou em leilão esse molar decadente do lendário compositor por cerca de 20 mil libras.
Falando com o The Sun Online, o dentista revelou sensacionalmente que planeja usar o DNA daquela parte do corpo para legitimar as reivindicações sobre o vasto patrimônio do ícone da música.
Ele disse:
"Estou à procura de pessoas que acreditam que são filhos de John Lennon e que têm direito ao seu patrimônio.
"John era um cara muito popular que fazia sexo com muitas mulheres e eu duvido que o controle da natalidade estivesse em sua mente.
“Eles assinariam um acordo de comissão, o que significaria que, se eles fossem reconhecidos, pagariam à minha empresa uma porcentagem da herança.
"Como uma taxa de corretagem."
Aqui está a reportagem.

06 novembro, 2018

Réquiem para uma mídia impressa

Para quem gosta da VEJA, coisas do gênero e tem estômago. Será ou foi O Quarto Poder "de jure et de facto" do que sobrou da República?
Jaime Nogueira
Tenho a clara convicção de que a mídia impressa perdeu totalmente a força política e a reverência e credibilidade que tinha até os últimos 10 anos. Coitados dos italianos de Niterói donos de banca de Jornal, que atualmente sobrevivem vendendo cigarro, refrigerante, balas e coisas típicas de pequenas bodegas ou, melhor definido pelos pernambucanos, como "fiteiros". Foram-se os tempos em que as pessoas se aglomeravam em torno das bancas para bisbilhotar as manchetes do dia e cumprir o ritual de adquirir seu exemplar, quando não o recebia em casa, e dar aquela discreta espiadinha nas capas das revistas de mulher pelada com a devida discrição de quem compra camisinha numa farmácia cheia de mulheres conhecidas. O "modus operandi" desta mídia é por demais manjado - é a voz do dono do jornal e seus interesses, e só, como nas nostálgicas propagandas da RCA Victor.
O texto abaixo é um réquiem destas coisas. [JN]
A Corrupção Como Espetáculo Midiático: Análise das capas da revista Veja sobre a Lava Jato. Célia Ladeira MOTA e Paulo Henrique Soares de ALMEIDA.

A tragédia de Mariana: três anos depois

A tragédia de Mariana é o maior acidente da história em volume de material despejado por barragens de rejeitos de mineração. Os 62 milhões de metros cúbicos de lama que vazaram dos depósitos da Samarco, no dia 5 de novembro de 1915, representam uma quantidade duas vezes e meia maior que o segundo pior acidente do gênero, ocorrido em 4 de agosto de 2014, na mina canadense de Mount Polley, na Colúmbia Britânica.



Três anos de lama
Ontem, fez três anos que a barragem de Fundão se rompeu, varrendo do mapa o distrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana (MG). A poluição de terrenos e rios ao longo de 600 quilômetros entre Mariana e o Oceano Atlântico, que se seguiu ao acidente, faz deste o maior acidente ambiental do Brasil.
Morreram 19 pessoas nesta tragédia. Muitas outras perderam seus bens e ficaram desabrigadas. O rompimento da barragem acarretou problemas para pelo menos 500 mil pessoas em Minas Gerais e Espírito Santo (Fonte: Ministério Público Federal).
Ao todo, 21 réus estão sendo julgados pelos crimes de inundação, desabamento, lesão corporal e homicídio com dolo eventual. Ninguém foi preso.
Na área foram encontradas níveis de sódio, oriundo do hidróxido de sódio (utilizado na separação do minério de ferro), até 20 vezes acima do padrão de solo da Mata Atlântica. Experimentos com fungos e bactérias podem ajudar no reflorestamento de 2.200 hectares da mata devastada pela lama. E abre-se a possibilidade de que essa mesma técnica possa também ajudar na recuperação de lavouras (centenas de fazendas e sítios foram atingidos pelo rompimento da barragem)..
As multas do Ibama somam 350 milhões de reais. Mas a empresa recorreu e ainda não pagou nenhuma. Das 28 multas aplicadas pelo governo do Estado de Minas, a empresa só começou a pagar uma delas (Fonte: TV Globo, Jornal Hoje).

Mariana (pela Samarco), Barcarena (pela Hydro) ...
Qual será o próximo local? Meu palpite: costa brasileira, na área do pré-sal.

05 novembro, 2018

A chegada de Suassuna ao céu

Poema recitado por Rolando Boldrin:



Ariano foi Quixote
Que lutou de alma pura.
Contra a arte descartável
Vestiu a sua armadura
Em qualquer dia do ano
Eu digo: viva Ariano
Padroeiro da Cultura!
Autores: Klévisson Viana e Bule-Bule
http://www.vermelho.org.br/noticia/246987-1

Conteúdo extra
O tema da prova de redação do ENEM 2012 (arquivo)
O melhor [dos atrasados] do ENEM 2014 (arquivo)
Todo ano tem Carnaval e Enem (arquivo)
Perdi o ENEM 2018
04/11/2018 - O 1.º dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) manteve o perfil de abordar questões sobre os direitos humanos. Nas provas de Linguagens e Ciências Humanas, as questões trouxeram assuntos como os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a ativista americana Rosa Parks, que ficou conhecida mundialmente ao desafiar a lei de segregação entre negros e brancos. Cultura africana, questões de gênero, escravidão e noção de democracia foram tópicos que voltaram a aparecer nos enunciados da prova. O Estado de SP

Azul, a mais sinfônica das cores

Com o poético Pálido Ponto Azul [1] [2] [3] de Carl Sagan em mente, me vi ultimamente pensando na cor azul e na forma como o tom elementar do nosso planeta, a mais sinfônica das cores, aparece em toda a nossa literatura como algo maior do que um mero fenômeno cromático - um símbolo, um estado de ser, uma posição para as alturas mais líricas e transcendentes da imaginação.
Aqui está um ramalhete azul de alguns dos meus encontros favoritos com essa cor na literatura dos últimos dois séculos.
JOHANN WOLFGANG DE GOETHE (1810)
Em seu sexagésimo primeiro ano, Johann Wolfgang von Goethe (28 de agosto de 1749 - 22 de março de 1832), até então o intelecto reinante da Europa, publicou Theory of Colors [4] - seu esforço para descobrir a ligação psicológica entre a cor e a emoção. quase um século antes do alvorecer da psicologia como um campo formal de estudo, escrito um pouco antes de seu compatriota Abraham Gottlob Werner lançar sua nomenclatura científica seminal da cor, que Darwin mais tarde retomaria no Beagle .
"Adoramos contemplar o azul", escreveu Goethe, "não porque ele avança para nós, mas porque nos atrai". O tratado, composto como uma refutação de Newton, acabou por não ter validade científica. Mas seus aspectos conceituais fascinaram e inspiraram gerações de filósofos e cientistas que vão de Arthur Schopenhauer a Kurt Gödel.
Goethe escreve na seção dedicada ao azul:
Como o amarelo é sempre acompanhado de luz, pode-se dizer que o azul ainda traz consigo um princípio de escuridão.
Essa cor tem um efeito peculiar e quase indescritível no olho. Como tonalidade, é poderoso - mas está do lado negativo e, em sua mais alta pureza, é, por assim dizer, uma negação estimulante. Sua aparência, então, é uma espécie de contradição entre excitação e repouso.
Como o céu superior e as montanhas distantes parecem azuis, uma superfície azul parece se afastar de nós.
Mas, à medida que prontamente seguimos um objeto agradável que se distancia de nós, amamos contemplar o azul - não porque ele avança para nós, mas porque nos atrai.
O azul nos dá uma impressão de frio, e assim, novamente, nos lembra de sombra... As salas pintadas em azul puro parecem, em algum grau, maiores, mas ao mesmo tempo são vazias e frias.
A aparência de objetos vistos através de um vidro azul é sombria e melancólica.
Extraído de: Two Hundred Years of Blue, de Maria Popova, publicado em Brain Pickings.

Em seu "ramalhete azul", a escritora inclui Thoreau, Virgínia Woolf, Vladimir Nabokov, Rachel Carson, Toni Morrison e outros mestres da literatura.

N. do T. Os números com links de referências são nossos.

04 novembro, 2018

Voltando à vaca fria

Voltar à vaca fria, é uma expressão usada para retornar ao assunto principal em uma conversa, discurso ou discussão, que foi interrompida por divagações em temas periféricos. Como a vaca entrou nessa, é outra história.
De acordo com o professor Ari Riboldi, esta expressão é a tradução de outra expressão muito usada na França,"revenons à nos moutons", ou seja, "voltemos a nossos carneiros". Esta frase fazia parte da peça teatral "La Farce de Maître Pathelin" (A Farsa do Advogado Pathelin), sobre um roubo de carneiros.
Esta peça, considerada a primeira comédia da literatura francesa, é do fim da Idade Média, precisamente do ano de 1460. Porém, não se tem conhecimento do seu autor.
Mas, voltemos a nossos carneiros. Em determinada cena da peça, o advogado do ladrão faz longas divagações fora da questão principal e o juiz chama a sua atenção com a frase "voltemos aos nossos carneiros", fazendo-o retomar o assunto.
Tantas fez Pierre Pathelin que orientou um cliente a fingir-se de carneiro, só respondendo "bééééé" no tribunal. Mas, findo o julgamento, ao tentar receber seus honorários, o ex-réu lhe respondeu: bééééé, bééééé... E não houve meio de arrancar-lhe um níquel.
Mas, voltemos à vaca fria neste DBF (Dicionário Brasileiro de Frases). Na tradução para o português da expressão, esta acabou transformando os carneiros em uma vaca. Essa distorção, segundo R. Magalhães Júnior, possivelmente se deva ao fato de que era costume, em Portugal, iniciarem-se as refeições com a vianda fria, um prato frio feito com carne de gado.
Referências
Voltando à vaca fria, cientificamente falando. http://blogdopg.blogspot.com.br/2018/05/voltando-vaca-fria.html
https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/qual-origem-da-expressao-voltar-a-vaca-fria,6d18d8aec67ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-da-expressao-voltar-a-vaca-fria/21314

Chove no Sol?

Sim, embora o que cai não é água, mas plasma extremamente quente. Um exemplo ocorreu em meados de julho de 2012, após uma erupção no Sol que produziu tanto uma ejeção de massa coronal quanto uma moderada explosão solar . O mais incomum, no entanto, foi o que aconteceu em seguida. O plasma na vizinha coroa solar foi filmado resfriando e recuando, num fenômeno conhecido como chuva coronal. Porque elas são eletricamente carregadas, elétrons, prótons e íons da chuva foram graciosamente canalizados ao longo de alças magnéticas existentes perto da superfície do Sol, fazendo a cena parecer uma cachoeira surreal tridimensional. O espetáculo surpreendentemente sereno resultante é mostrado em luz ultravioleta e destaca a matéria que brilha a uma temperatura de cerca de 50.000 graus Kelvin . Cada segundo no lapso de tempo em destaque no vídeo leva cerca de 6 minutos em tempo real, de modo que toda a sequência da chuva coronal durou cerca de 10 horas. Observações recentes confirmaram que essa chuva coronal também pode ocorrer em alças menores por até 30 horas.



Afrânio Bizarria, ao trazer minha atenção para este vídeo, comentou: Vejam só a nossa pequenez!

Resposta - Quando eu penso no universo (onde tem buraco negro que mata uma estrela por dia...), logo desisto.

03 novembro, 2018

Maquete comestível de uma célula

2018 - Alunos de uma escola no Brasil criaram esta maquete comestível da estrutura de uma célula:


Cronologia
2012 - O blog EM prova que a divisão celular não é um atributo exclusivo dos seres vivos, ao publicar a imagem de um cookie em pleno processo de mitose.
2014 - A fotógrafa Petúnia, prata da casa do blog EM, concorrendo com a reportagem fotográfica Uma mitose quase concluída, é premiada com a medalha de ouro da revista Cell Phone.

Vox Asini

Saiu a última pesquisa Vox Asini, a mais exata compilação de votos da única nação do mundo em que o eleitor vota contra ele mesmo, faz uma força imensa para ser jogado no abismo e ainda comemora efusivamente como uma vitória pessoal.
Eleitor(a) que vota orgulhosamente no candidato que fala abertamente:
... que vai lhe tirar os direitos trabalhistas, reduzir sua renda e precarizar suas condições de trabalho (10 milhões de votos);
... que vai fuzilar a comunidade onde o(a) eleitor(a) mora (10 milhões de votos);
... que vai lhe tirar o emprego, privatizando a instituição em que o cidadão trabalha (7 milhões de votos);
... que vai lhe dar capim para comer (5 milhões de votos);
... contra os direitos das mulheres (5 milhões de votos);
... que vai entregar áreas preciosas e estratégicas do País para outra nação (5 milhões de votos);
... em "acabar" tudo e nunca falou em "construir" nada (5 milhões de votos);
... que tem horror à cor da própria pele (2 milhões de votos);
... que tem ódio à LGBT, sendo o(a) eleitor(a) da LGBT (1 milhão de votos);
Finalmente, eleitor(a) que vota orgulhosamente sem saber nada do que estão falando sobre o candidato (7,7 milhões de votos).
Total de votos do candidato: 57,7 milhões.
Total dos que ainda pensam e sentem que "o pulso ainda pulsa": 89,5 milhões.
Fernando Gurgel Filho


02 novembro, 2018

O homem visível

Nascido em Rangpur, Bangladesh, e radicado nos Estados Unidos, o artista multimídia Hasan Elahi (foto), de 46 anos, colocou toda a sua vida online.
Eis o que diz a revista Wired :
Dê uma olhada em seu site e você encontrará dezenas de milhares de imagens que remontam até o ano de 2005. Elahi documentou quase todas as horas da sua vida durante esse tempo. Ele posta cópias de cada transação com cartão de débito, para que você possa ver o que ele comprou, onde e quando. Um dispositivo GPS no bolso informa sua localização física em tempo real em um mapa.
O site de Elahi é o álibi perfeito. Ou um projeto de arte audacioso. Ou ambos. O norte-americano de Bangladesh diz que o governo dos EUA erroneamente o colocou em sua lista de vigilantes terroristas - e uma vez que você entra na lista, é difícil sair. Para convencer os federais de sua inocência, Elahi fez de sua vida um livro aberto. Sempre que quiserem, os funcionários podem ir a seu site e ver onde ele está e o que está fazendo. De fato, seus registros no servidor mostram acessos do Pentágono, do Secretário de Defesa e do Gabinete Executivo do Presidente, entre outros.
O especialista em viagens de negócios diz que sua vida superexposta começou em 2002, quando ele saiu de um voo da Holanda e foi detido no aeroporto de Detroit. Ele diz que os agentes do FBI disseram-lhe que foram informados de que ele estava acumulando explosivos em um determinado local na Flórida.
Testes subsequentes em um detector de mentiras convenceram os agentes de que Elahi não era o homem deles. Mas, com suas viagens frequentes - Elahi registra mais de 70.000 milhas aéreas por ano, exibindo seu trabalho de arte e participando de conferências - ele imaginou que era apenas uma questão de tempo até que ele fosse detido novamente. Ele podia até ser enviado para Gitmo (Guantanamo Bay Naval Base) antes que alguém percebesse o erro.
Os agentes do FBI haviam lhe dado o número de um telefone, então ele decidiu ligar para eles antes de cada viagem. Dessa forma, os agentes poderiam alertar os escritórios de campo. E ele não foi mais detido, desde então.

O "apito da morte" dos astecas

Era usado como arma de guerra pelos astecas para provocar terror psicológico nos inimigos.
O instrumento também aparecia em rituais funerários. Este exemplar (foto) foi descoberto por arqueólogos nas mãos de uma vítima de sacrifício ao deus do vento Ehecatl, no templo de Tlatelolco, no México.


@affonsosolano tuitou o som tenebroso (que já foi comparado ao gemidão do zap) dessa arma macabra. Ouça aqui.

SILÊNCIO FRENOCÔMIO
Se você soprar um apito desses à noite pode aparecer o Cthulhu meio irritado. Mas só para mandar você parar com o barulho.

01 novembro, 2018

Olá, gatinha

Hello Kitty é um personagem fictício produzido pela empresa japonesa Sanrio. É uma gatinha branca antropomorfizada, com um laço vermelho em sua orelha esquerda e... sem boca!
De acordo com seu passado, ela é uma estudante perpétua da terceira série que mora fora de Londres.
A data de seu aniversário é 1.º de novembro.
Originalmente destinado a pré-adolescentes do sexo feminino, o mercado de Hello Kitty ampliou-se para incluir consumidores do sexo masculino e de outras idades, estando a logomarca da franquia em uma grande variedade de produtos que vão desde material escolar a acessórios de moda. Várias séries de TV da Hello Kitty, voltadas para crianças, foram também produzidas, assim como mangás e filmes de anime.
Hello Kitty é a segunda maior franquia de todos os tempos, com uma receita de vendas no varejo estimada em mais de 50 bilhões de dólares para 2018.

Aqui está o weblog de alguém que já curtiu o suficiente da Hello Kitty: é o Hello Kitty Hell. Lançado em agosto de 2006, e atualizado até março de 2015, ainda pode ser visto na internet.

Besso, um cientista amigo de Einstein

Michele Angelo Besso (Riesbach, 25 de maio de 1873 - Genebra, 15 de março de 1955) foi um engenheiro suíço/italiano.
Angelo Besso nasceu em Riesbach de uma família de ascendência judaica italiana (sefardita). Ele foi um amigo próximo de Albert Einstein durante seus anos no Instituto Politécnico Federal em Zurique  (hoje o ETH Zurique), e depois no escritório de patentes em Berna, onde Einstein o ajudou a conseguir um emprego. Besso é creditado com a introdução de Einstein para os trabalhos de Ernst Mach, o crítico cético da física que influenciou a abordagem de Einstein à disciplina. Einstein chamou Besso de "a melhor caixa de ressonância da Europa" para as idéias científicas.
No artigo original de Einstein sobre a Relatividade Especial, ele terminou o artigo afirmando:
"Concluindo, gostaria de dizer que, ao trabalhar com o problema aqui tratado, tive a leal assistência de meu amigo e colega M. Besso, e que estou em dívida com ele por várias sugestões valiosas."
Besso morreu em Genebra, aos 81 anos. Em uma carta de condolências à família Besso, Albert Einstein escreveu:
"Agora ele partiu para esse mundo estranho um pouco à minha frente. Isso não significa nada. Pessoas como nós, que acreditam na física, sabem que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente." 
Einstein morreu trinta e três dias depois de seu amigo, em 18 de abril de 1955.

Web TV Culture: Einstein et Besso, deux génies au service de la science (vídeo 2;50)

31 outubro, 2018

Uma versão imaginária de Nova Iorque

Desde 2004, Nick Carr trabalha como observador de locações de filmes em Nova Iorque. Ele anda por toda a cidade em busca de ambientes e lugares para filmar cenas de filmes e programas de televisão. Carr conversou sobre o seu trabalho com Nate Berg, repórter do CityLab.
Carr: Eu diria que trabalhei em mais filmes com a versão imaginária de Nova Iorque do que com a versão real. A grande coisa que sempre me pedem para encontrar são becos úmidos e decadentes, e a cidade tem 5 ruelas assim. Talvez quatro. Você não pode filmar em três delas. Então, o que acontece é que há um beco em Nova Iorque, Cortlandt Alley, que todo mundo filma porque é o último lugar. Eu tento enfatizar de maneira educada a esses cineastas que Nova Iorque não é uma cidade de becos. Boston é uma cidade de becos. Filadélfia tem becos. Não conheço ninguém que use o "atalho do velho beco" para ir para casa. Não existe aqui. Mas esse é o filme que você vê. Sua impressão de Nova Iorque é que é a cidade dos becos, e então cineastas virão aqui, eles viram filmes de Nova Iorque e querem que seus filmes tenham becos. Essa é a versão fictícia autoperpetuadora de Nova Iorque... (trecho da entrevista)



Há tão poucos becos reais na cidade que todos acabam filmando exatamente o mesmo local.

Dos sonhos

"Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos." ~ Monteiro Lobato

Kekulé e a estrutura molecular do benzeno
O químico alemão August Kekulé (1829-1896), durante uma noite do ano de 1865, após uma década pesquisando as ligações dos átomos de carbono, adormeceu defronte à lareira sonhando com uma cobra que mordia o próprio rabo, a Ouroboros. Essa visão onírica serviu-lhe de inspiração para o entendimento da estrutura molecular do hidrocarboneto benzeno.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2017/01/cobra-e-macacos-em-quimica-organica.html

Mitsugi Ohno e a garrafa de Klein
Após vários dias tentando, construir a garrafa de Klein com uma única abertura, Mitsugi afirmou que o objeto seria impossível de fabricar em vidro. Mas, algum tempo depois, a solução do problema revelou-se a ele num sonho, e Mitsugi foi ao laboratório para soprar o vidro e fabricá-la. Essa foi a mais complexa obra de Mitsugi ao longo de sua carreira como soprador de vidro.

Watson e o modelo do código genético
James D. Watson, que apresentou o modelo da estrutura do código genético em 1953, juntamente com Francis Crick, teve a ideia do formato de dupla hélice do DNA depois de um sonho. Durante o episódio, Watson visualizou duas serpentes entrelaçadas e com as cabeças voltadas para lados opostos, embora existam boatos que afirmem que, na verdade, o cientista sonhou com uma escadaria dupla, e não com répteis.
https://blogdopg.blogspot.com/2018/09/uma-medalha-no-leilao.html

Mendeleiev e a tabela periódica
Reza a lenda que, durante um cochilo, Mendeleiev sonhou com a tabela periódica e logo ao acordar passou tudo para o papel. O próprio Mendeleiev lidava com esse boato com ironia. "Fiquei pensando na tabela por cerca de 20 anos e vocês dizem: 'sentou-se e, de repente, está pronto'", disse certa vez.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2016/05/fatos-curiosos-ou-nao-sobre-mendeleiev.html

Ramanujan e a fórmula exótica
O autodidata matemático indiano Srinivasa Ramanujan disse que sua fórmula veio a ele em um sonho.
https://blogdopg.blogspot.com/2018/06/o-homem-que-sonhou-o-infinito.html

30 outubro, 2018

Uma família ajustável

É HORA DO ALMOÇO!
MAMÃE CHAVE INGLESA ALIMENTA SEUS FILHOTES

Otimismo

Cada vez mais eu estou a admirar a resiliência.
Não a simples resistência de um travesseiro, cuja espuma retorna repetidamente à mesma forma, mas a tenacidade tenebrosa de uma árvore: encontrando a luz recentemente bloqueada de um lado, ela se transforma em outra...

(extraído de "Optimism", de Jane Hirshfield)


29 outubro, 2018

Pílulas do cometa


Em 1910, a Terra passou pela cauda do Cometa de Halley, o contato mais íntimo entre a Terra e qualquer cometa na história registrada.
O evento foi antecipado com terríveis previsões. Como alguns anos antes os astrônomos haviam encontrado o cianogênio (gás venenoso) em um cometa, supunha-se que, ao passar a Terra pela cauda do cometa, todos morreriam. Os astrônomos explicaram que as moléculas desse gás na cauda eram tão rarefeitas que, absolutamente, nenhum efeito negativo seria notado. No entanto, a ignorância criou oportunistas que vendiam as "comet pills" (pílulas do cometa) para a parte do público em pânico, supostamente para combater os efeitos do gás cianogênio. (*)

Cobertura do NY Times
HALLEY’S COMET BRUSHES EARTH WITH ITS TAIL (COMETA DE HALLEY ESCOVA A TERRA COM SUA CAUDA, a manchete do jornal); 350 astrônomos americanos mantêm vigília; Reações de medo e oração repetidas; Todos os cultos noturnos realizados em muitas igrejas; 1881 terríveis profecias lembradas pelo medo do cometa.
[http://pballew.blogspot.com.br/2018/05/on-this-day-in-math-may-19.html#links]


(*) Em 20 de maio, depois que a Terra passou pela cauda do Halley, ​​todos ainda estavam vivos  tendo ou não tomado as pílulas!

Slideshow O ENCONTRO MARCADO

Habemus Ducem


"As pessoas enlouquecem rapidamente e em bandos. Mas recuperam a lucidez lentamente e um a um." @EntreMentes

28 outubro, 2018

Marcianita

Um sucesso musical da década de 60.
Aqui interpretado por Mauricio Redolés, poeta, compositor e cantor chileno. Após o golpe de 1973, Redolés foi detido e torturado durante dois anos pela ditadura Pinochet. Exilou-se no Reino Unido até 1985, ano em que ele retornou a Santiago do Chile.



(Galvarino Villota e José Imperatore)
Ignorada marcianita,
Aseguran los hombres de ciencia
Que en 10 años más, tú y yo
Estaremos tan cerquita
Que podremos pasear por el cielo
y hablarnos de amor.
Yo que tanto te he soñado
Voy a ser el primer pasajero
Que viaje hasta donde estás
En la tierra no he logrado
Que lo ya conquistado
Se quede conmigo no más.
Quiero una chica de Marte
que sea sincera,
Que no se pinte, ni fume,
Ni sepa siquiera lo que es rock and roll.
Marcianita, blanca o negra
Espigada, pequeña, gordita, delgada
Serás, mi amor.
La distancia nos acerca
y en el año 70 felices seremos los dos.
(Versão brazuca)
Esperada, marcianita,
Asseguram os homens de ciência
Que em dez anos mais, tu e eu
Estaremos bem juntinhos
E nos cantos escuros do céu
falaremos de amor.
Tenho tanto te esperado,
Mas serei o primeiro varão
A chegar até onde estás
Pois na terra sou logrado
Em matéria de amor
Eu sou sempre passado pra trás.
Eu quero um broto de Marte
que seja sincero
Que não se pinte, nem fume
Nem saiba sequer o que é rock and roll.
Marcianita, branca ou negra,
Gorduchinha, magrinha, baixinha, gigante
Serás, meu amor.
A distância nos separa,
Mas no ano 70 felizes seremos os dois.

No Brasil, "Marcianita" foi gravada por Sergio Murilo, Bobby di Carlo, Raul Seixas, Caetano Veloso, Mutantes, Gal Costa, Leo Jaime etc.

Ele não!

Cercado por muita expectativa, em função da proibição de manifestação política, o músico Roger Waters deixou seu recado sobre as eleições presidenciais no Brasil, durante show da turnê em Curitiba.
Em um intervalo da apresentação de ontem, pouco antes das 22 horas — horário em que qualquer atividade que pudesse ser classificada como propaganda passaria a ser proibida — o fundador da banda Pink Floyd projetou no telão as seguintes frases:

"Nos disseram que não podemos falar sobre eleição depois das 10 da noite."

"Temos 30 segundos."

"Essa é a nossa última chance de resistir ao fascismo antes de domingo."


"São 10:00. Obedeçam a lei."

Icônica

a poesia mallarmaica
a câmara anecoica
a grande mídia farisaica
a classe média mesozoica
a justiça paranaica
a resistência heroica

Poema gráfico com que o poeta, tradutor, ensaísta e crítico de literatura Augusto de Campos, de 87 anos, reforça em seu estilo inconfundível a coletânea Lula Livre / Lula Livro.
(O título é um atrevimento de minha parte.)

27 outubro, 2018

Programa de desgoverno

Ou: como destruir um país
Tal e qual a sopa de pedras, aprenda como fazer um Plano de Governo bem leve. Tão leve que desmancha no ar.
Pegue várias pedaços de propostas de governo ditatorial na internet. De esquerda, direita, de lado, do outro lado, liberal, anarquista, conservador, em cima do muro e outras doideiras do gênero.
Separe e descarte as que podem exigir explicações de esquerda, direita, de lado, do outro lado, liberal, anarquista, conservador, em cima do muro e outras doideiras do gênero.
Separe e descarte as que você sabe que podem exigir algum estudo mais aprofundado, tais como: porque os carneiros defecam em bolinhas e os corruptos falam que são contra a corrupção...
Evite colocar na receita problemas mais complexos, tais como: esquentar água no microondas e ficar muito tempo ao celular.
Deixe no pau de arara por alguns segundos.
Mude os ingredientes de sabor mais forte. Quem manda mesmo pode não gostar.
Deixe no pau de arara por mais alguns segundos.
Mude o molho copiado da república velha. Copie tudo da república nova e da recente ditadura.
Deixe em cima de um fio descascado por mais alguns segundos.
Mude algum ingrediente copiado da política antiga. Sem ninguém ver, copie tudo de novo.
Deixe em cima de um fio descascado por mais alguns segundos.
Observe o efeito de Coriolis. Se, no ralo, roda da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Ou vice-versa. Ou tanto faz. (*)
Deixe mergulhado com saco plástico por mais alguns segundos.
Mude de vasilha.
Deixe mergulhado com saco plástico por mais alguns segundos.
Mude a vasilha de lugar.
Dê choque elétricos na água por mais alguns segundos.
Mude o método de arrancar sabor.
Deixe pendurado no teto por mais alguns segundos.
Esqueceu onde estava???
Não?!?!?
Deixe pendurado no teto por mais alguns segundos.
Sim!!!!
Então, está pronta a receita.
Fácil, não? Agora, vamos falar de como tornar abobrinhas com chuchu o prato principal.
Comece falando apenas abobrinhas...
Fernando Gurgel Filho
N. do E.
(*) Efeito de Coriolis: que é isto?
http://blogdopg.blogspot.com/2015/07/a-influencia-da-forca-de-coriolis-sobre.html
Em 2014, o cientista político Fernando Gurgel Filho alertou para o efeito da força de Coriolis no preparo de uma Marinada.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2014/09/marinada.html