22 setembro, 2017

Sol é para brilhar

NOS BASTIDORES DE UM ECLIPSE SOLAR

O excêntrico Napier

O matemático britânico John Napier (1550 - 1617) é conhecido como o decodificador do logaritmo natural (ou neperiano) e por ter popularizado o ponto decimal.
Além de seus interesses matemáticos, Ioannes Neper (seu nome em latim) adquiriu reputação de mágico e de praticante de alquimia e necromancia. Dizia-se que ele só viajava com uma aranha negra em uma caixinha e que um galo preto era seu espírito familiar.
Napier usou seu galo para determinar qual de seus servos estava roubando em sua casa. Ele fechou os suspeitos, um de cada vez, em um quarto com o galo, dizendo-lhes para acariciá-lo. O galo então diria a Napier qual deles era culpado. Na verdade, o que aconteceu é que secretamente ele cobriu o galo com fuligem. Os servos que eram inocentes não teriam nenhum escrúpulo em acariciá-lo, mas o culpado certamente o teria, e quando Napier examinasse as mãos de todos, aquele com as mãos limpas seria o culpado.
Outra ocasião que pode ter contribuído para a sua reputação como feiticeiro envolveu um vizinho cujos pombos vinham comendo os grãos de Napier. O matemático advertiu-o que pretendia prender quaisquer pombos encontrados em sua propriedade. No dia seguinte, diz-se, Napier foi visto cercado por pombos invulgarmente passivos que ele estava colocando em um saco. É que Napier, na noite anterior, embebeu umas ervilhas em brandy,  antes de semeá-las, e os pombos que as engoliram haviam-se tornado incapazes de fugir.

21 setembro, 2017

Oração das Mães

A canção "Oração das Mães", nasceu do resultado de uma aliança entre a cantora-compositora Yael Deckelbaum, e um grupo de mulheres corajosas, liderando o movimento de "Women Wage Peace".
O movimento surgiu no verão de 2014 durante a escalada de violência entre Israel e os Palestinos, e a operação militar "Tzuk Eitan".
Em 4 de outubro de 2016, mulheres judaicas e árabes começaram com o projeto conjunto "Marcha da Esperança".
Milhares de mulheres marcharam do norte de Israel para Jerusalém em um apelo à paz. Uma chamada que atingiu seu pico em 19 de outubro, em uma marcha de pelo menos 4.000 mulheres metade delas palestinas, e metade Israelita, em Qasr el Yahud (no Mar Morto do Norte), em uma oração comum pela paz.
Na mesma noite, 15 mil mulheres protestaram na frente da casa do primeiro ministro em Jerusalém.
As marchantes juntaram-se com a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Leymah Gbowee, que levou ao fim a Segunda Guerra Civil Liberiana em 2003, pela força conjunta das mulheres.
Na canção, Yael Deckelbaum combinou uma gravação de Leymah, tirada a partir de um vídeo do YouTube em que ela tinha enviado sua solidariedade ao movimento.



O Dia da Paz é internacionalmente celebrado em 21 de setembro (hoje).

Ver também: Juntos (vídeo)

Leitura da natureza

Na Alemanha, onde a moderna silvicultura (1) começou, um curioso novo tipo de literatura surgiu no século 18:
"Alguns entusiastas pensaram em ir além dos volumes botânicos que meramente ilustravam a taxonomia das árvores. Em vez disso, os próprios livros deveriam ser fabricados a partir da matéria em questão, de modo que o volume do Fagus, (2) por exemplo, a faia comum européia, teria como capa a casca desta árvore. E seu interior conteria amostras de castanha e sementes de faia, e suas páginas seriam literalmente suas folhas."
Isso está no "Paisagem e Memória" (1995), de Simon Schama. (3) Estas xilotecas, ou repositórios de madeira, cresceram em todo o mundo desenvolvido - e a maior delas, na Escola Florestal Florestal da Universidade de Yale, EUA, possui um acervo na casa das 60.000 amostras. (4) "Mas os livros de madeira não eram um puro capricho, um bom trocadilho sobre o significado do cultivo", escreve Schama. "Ao prestar homenagem à matéria vegetal de que ela e toda a literatura foi constituída, a biblioteca de madeira fez uma declaração deslumbrante sobre a necessária união da cultura com a natureza".
https://www.futilitycloset.com/2017/05/03/nature-reading/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Xiloteca

N. do E.
(1) Ciência que se dedica ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais e que compreende o estudo botânico das espécies, além da identificação, caracterização e prescrição da utilização das madeiras.
(2) Gênero que agrupa 10 espécies de árvores nativas das zonas temperadas da Europa, Ásia e América do Norte, conhecidas pelo nome comum de faia.
(3) Neste livro, Schama busca identificar a mitologia da natureza no Ocidente em suas várias manifestações; uma análise detalhada das significações atribuídas à paisagem natural em diversas épocas e lugares, mostrando o que se conserva e o que se perde, na visão culturalmente herdada da natureza.
(4) No Brasil, as maiores xilotecas ficam em São Paulo (17.000 amostras) e Rio de Janeiro (8.000 amostras).

20 setembro, 2017

Destilando o ódio


(Não vou reproduzir aqui o vídeo da operadora de TV húngara que passou não uma, mas duas rasteiras em um refugiado, até conseguir o momento penoso de vê-lo cair.)

Uma pesquisa na Internet sobre viajantes do tempo - 2

Em 2014, os físicos da Universidade Tecnológica de Michigan, Robert Nemiroff e Teresa Wilson, inventaram uma nova maneira de detectar viajantes no tempo: pesquisar na Internet.
Eles procuraram menções sobre o "Comet ISON", um cometa descoberto em setembro de 2012, e o "Pope Francis", cujo papado começou em março de 2013 e que é o primeiro de seu nome. Ambos os temas são historicamente importantes para que eles possam ser conhecidos por pessoas de um futuro distante. Se essas pessoas viajam para o nosso passado, então elas podem mencioná-los inadvertidamente em, digamos, 2011, antes que  nós mesmos pudéssemos plausivelmente ter feito isso.
"Dada a prevalência atual da Internet [...] esta pesquisa pode ser considerada ainda a pesquisa mais sensível e abrangente para a viagem no tempo do futuro”, eles relatam, reconhecendo que “tecnicamente, o que se procurou aqui não seria os viajantes do tempo no sentido físico, mas os traços informacionais deixados por eles".
E eles observam que o nosso fracasso em detectar viajantes não significa que eles não estivessem lá. "Em primeiro lugar, para eles pode ser fisicamente impossível deixar quaisquer vestígios duradouros de sua estadia no passado, incluindo até mesmo remanescentes informacionais na Internet. Em seguida, para nós pode ser fisicamente impossível encontrar tais informações porque violariam alguma lei ainda desconhecida da Física. [...] Além disso, viajantes do tempo podem não querer ser encontrados, e podem ser bambas em cobrir seus rastros."
https://www.futilitycloset.com/2017/04/15/history-search/

Uma pesquisa na Internet sobre viajantes do tempo - 1

19 setembro, 2017

Novíssimo farol



A Praia do Futuro
Farol velho e o novo
Os olhos do mar
São os olhos do mar
São os olhos do mar
O velho - que apagado
O novo - que espantado
Vendo a vida, espalhou
Luzindo na madrugada
Nossos corpos suados
E à praia fazendo amor.
("Terral" - Ednardo)

O novo farol de Fortaleza, em funcionamento desde 27 de julho, foi inaugurado ontem (18), às 16 horas, em uma solenidade promovida pela Capitania dos Portos e Grupo J Macêdo. O farol tem 72 metros de altura e foi construído ao lado do antigo, datado de 1958.
É o maior farol do tipo tradicional das Américas e o sexto maior do mundo.

LINHA DO TEMPO
1826. D. Pedro II aprovou a construção do primeiro farol do Mucuripe, no bairro Serviluz.
1840. As obras se iniciam, mas o farol, com apenas nove metros de altura, só ficou pronto em 1846.
1958. O farol é desativado com a construção de um segundo, com 22 metros de altura, localizado a cerca de 3 quilômetros de distância do primeiro.
1973. Ednardo lançou o hit "Terral"
1983. O antigo farol foi tombado pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult) e, em seguida, abrigou o Museu do Jangadeiro, que foi fechado posteriormente.
2016. Iniciada a construção de uma nova torre com 72 metros de altura, ao lado do segundo farol, no bairro Vicente Pinzon.
2017. O terceiro farol iniciou suas operações em 27 de julho e foi inaugurado em 18 de setembro. Tem estrutura de concreto armado, elevador de carga e uma lanterna automatizada que, emitindo um lampejo a cada dez segundos com o alcance de 40 milhas, torna ainda mais segura a navegação costeira no Ceará.

Como são escolhidos os nomes dos furacões

Na temporada de furacões – entre junho e novembro (para o Caribe) – sempre se pergunta, por que são usados nomes de pessoas para designar esses fenômenos meteorológicos.
A resposta é mais simples do que parece: além de facilitar a divulgação dos alertas e avisos para a população (protocolos de evacuação, medidas de segurança etc.), a adoção de nome para esses fenômenos meteorológicos é importante para reduzir os sofrimentos e perdas humanas que eles causam. O site oficial da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (a NOAA, na sigla em inglês) explica que, sem essas designações, a população local poderia ficar confusa. E as consequências seriam ainda mais sérias, principalmente no caso de furacões simultâneos no tempo ou numa região (vide imagem).


Como os nomes são escolhidos?
O livro "Furacões", de Ivan Tannehill, é citado como referência na história dos nomes dos furacões pelo NOAA. Segundo ele, no século XIX os furacões eram "batizados" em função do dia de santos católicos. Exemplos: o furacão Santa Ana, que devastou Porto Rico em 26 de julho de 1825, e o São Filipe, que atingiu a mesma região em 13 de setembro de 1876.
Atualmente, a definição dos nomes é feita pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), na Suíça, uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU). A OMM mantém uma lista com 21 nomes selecionados de nomes previamente enviados por entidades oficiais regionais. Essa lista, em ordem alfabética, alterna nomes masculinos e femininos. Um comitê de membros da Organização reavalia e acrescenta novos nomes para substituir os que foram "arquivados" e, a cada seis anos, uma nova lista é elaborada.
Nomes de furacões que causaram grandes tragédias não voltam a ser usados. Portanto, não haverá outro Katrina, o nome do furacão responsável pela tragédia de Nova Orleans em 2005. Nem outro Irma, assim espero.

18 setembro, 2017

O Mapa da Matemática

Veja no Flickr o Mapa da Matemática, de Dominic Walliman. Tenta cobrir todos os campos da matemática, agrupando-as por área de estudo, origens e semelhanças. Como a história dos números começa em "contar", há também um pouco dessa história no centro do Mapa (clique sobre ele para ampliá-lo).

A psicostasia e outras pesagens

Psicostasia: avaliação, julgamento simbólico ou pesagem da alma depois da morte.
Para os antigos egípcios, depois da morte a alma era levada perante o trono de Osíris. Anúbis, o deus chacal, colocava em um dos pratos de uma balança o coração do falecido. No outro prato, Maat, definida como a deusa da justiça, colocava a Pena da Verdade. Se o o coração fosse mais leve do que a pluma, o resultado era favorável ao morto, e sua alma era recebida no paraíso onde gozaria da vida eterna. Caso contrário, ele era imediatamente devorado pelo terrível monstro Ammit (um híbrido de crocodilo, hipopótamo e leão) e morria para sempre.
O cristianismo recolheu - provavelmente através dos coptas - a noção da psicostasia, com algumas modificações. No momento da morte, a alma é levada para o julgamento divino. O gerente de pesagem das almas, neste caso, é o Arcanjo Miguel, que também dispõe de uma balança de pratos. Num deles, as boas ações que o falecido tenha praticado durante a vida são colocadas. No outro prato, as más obras que obviamente contrariam a bondade. O diabo assiste ao julgamento e, se o resultado for negativo, ele leva a alma para o inferno.
Teoricamente, cabe ao diabo simplesmente assistir à pesagem e aguardar o veredito. Mas, como ele é um contumaz batoteiro (trapaceiro), é preciso estar atento a todos seus movimentos.


A balança de dois pratos
Uma balança de dois pratos é aquela onde se colocam pesos (confeccionados geralmente de metal) e no outro lado se coloca o que se deseja pesar. É possível também colocar os pesos nos dois pratos. Para valores inteiros, é possível representar os números usando-se pesos cujos valores são potências de 3, de 1 até 3 n .
Por exemplo, usando-se os pesos de 1 (= 30), 3 e 32  (apenas um peso de cada valor!), é possível representar os valores inteiros de 1 até 13 (as somas correspondem aos pesos colocados no mesmo prato da balança que o objeto a ser pesado, enquanto as diferenças são os contrapesos, ou seja, os pesos colocados no outro prato).
Assim:
NúmeroRepresentação
11
23-1
33
43+1
59-(3+1)
69-3
79-3+1
89-1
99
109+1
119+3-1
129+3
139+3+1

17 setembro, 2017

Lacônicas - 2

1
"Se entro na Lacônia, vou arrasar e submeter Esparta." - Filipe II da Macedônia
"Se..." - Os espartanos da Lacônia

2
A linguagem em si vai se reduzindo com o tempo:
vossa mercê
vosmicê
você
vc
c

3
- Tem pai?
- Nem mãe.

4
Discurso de elevador - Um resumo usado para definir rapidamente um processo, produto, serviço, organização ou evento e sua proposição de valor. Reflete a ideia de que é possível transmitir o resumo no tempo de um passeio de elevador (de trinta segundos a dois minutos).

5
"O que vale dizer pode ser dito em cinquenta palavras ou menos" ~ Stanislaw Ulam (antes do Twitter)

Lacônicas - 1

Controles de volume

A frase "put a sock in it" significa: "be quiet" ou "shut up" (feche a boca).
Originalmente, era usada para dizer que o som do gramofone estava muito alto. Como os gramofones não tinham um controle para o volume, as pessoas punham meias no alto-falante (corneta) para reduzir o seu volume sonoro.
Ir até:
http://www.myconfinedspace.com/2017/03/28/puta-sock-in-it/
http://www.urbandictionary.com/define.php?term=put%20a%20sock%20in%20it

Outra forma de controlar o volume do som numa antiga vitrola a manivela:


16 setembro, 2017

O Manuscrito Voynich finalmente decodificado

Notas relacionadas:
  1. O Manuscrito Voynich
  2. Em busca de decifrar o Manuscrito
O Manuscrito Voynich finalmente decodificado
Desde a sua descoberta em 1912, o Manuscrito Voynich do século 15 tem sido um mistério e fenômeno cult. Cheio de caligrafia em linguagem ou código desconhecido, o livro está fortemente ilustrado com imagens de plantas e objetos estranhos, mulheres nuas e símbolos do zodíaco. Agora, o pesquisador da história e escritor de TV Nicholas Gibbs parece ter quebrado o código, descobrindo que o livro é realmente um guia para a saúde das mulheres, além de haver também plagiado outros guias da época.
Gibbs escreve no Times Literary Supplement que foi contratado há três anos por uma rede de televisão para analisar o Manuscrito Voynich. Com este inteiramente digitalizado pela biblioteca de Beinecke de Yale, ele pôde ver detalhes minúsculos em cada página e examinar o manuscrito por completo em sua investigação. Sua experiência com o latim medieval e a familiaridade com guias médicos antigos permitiu-lhe descobrir as primeiras pistas.
Depois de olhar para o chamado código por algum tempo, Gibbs percebeu que estava vendo uma forma comum de abreviaturas latinas medievais, muitas vezes usada em tratados médicos sobre ervas. "No herbário incorporado ao manuscrito de Voynich, um padrão de abreviaturas e ligações emergiu de cada entrada de planta", escreveu ele. "As abreviaturas correspondem ao padrão das palavras utilizadas no Herbarium Apuleius Platonicus - aq = aqua (água), dq = decoque / decoctio (decocção), con = confundo (mix), ris = radacis / radix (raiz), s aiij = seminis ana iij (3 grãos cada) etc. " Então, ali não era um código; era apenas uma taquigrafia. O texto teria sido muito familiar para qualquer pessoa na época que estivesse interessada em medicina.
Um estudo mais aprofundado das ervas e imagens do livro fez lembrar Gibbs de outros textos médicos latinos. Quando consultou Trotula e De Balneis Puteolanis, dois livros médicos latinos medievais comummente copiados, percebeu que muitos textos e imagens do Manuscrito de Voynich foram plagiados diretamente deles (eles, por sua vez, foram copiados em parte de textos latinos antigos de Galeno, Plínio e Hipócrates). Durante a Idade Média, era muito comum que os escribas reproduzissem textos mais antigos para preservar o conhecimento neles. Não havia regras formais sobre direitos autorais e autoria, e como de fato os livros eram extremamente raros, então ninguém reclamava.
Uma vez que percebeu que o Manuscrito Voynich era um livro de texto médico, explicou Gibbs, isto ajudou-o a entender as estranhas imagens nele. Os desenhos de plantas, que se referiam a medicamentos à base de plantas, e todas as imagens de mulheres no banho, que marcavam o manuscrito como um manual ginecológico. Os banhos costumavam ser prescritos como remédios, e os romanos gostavam particularmente da ideia de que um bom mergulho pudesse curar todos os males. Os mapas do zodíaco foram incluídos porque os médicos antigos e medievais acreditavam que certas curas funcionavam melhor sob sinais astrológicos específicos. Gibbs identificou mesmo uma imagem copiada, é claro, de outro manuscrito - a de mulheres que portavam ímãs em banhos. Mesmo àquela época, as pessoas acreditavam na pseudociência dos ímãs.
O Manuscrito Voynich foi fielmente datado de poucas décadas antes da invenção da imprensa, por isso é provável que a sua peculiar mistura de plágio e criação fosse um formato moribundo. Uma vez que as pessoas seriam capazes de reproduzir cópias do Trotula ou do De Balneis Puteolanis originais em uma impressora, não haveria necessidade de reunir cuidadosamente as suas informações em um novo manuscrito.
Gibbs concluiu que é provável que o Manuscrito Voynich seja um livro personalizado, possivelmente criado para uma pessoa que se dedicava principalmente à medicina feminina. Outros estudiosos dos manuscritos medievais certamente querem revisar o que foi decifrado, mas em grande extensão a descoberta de Gibbs parece plausível.
Veja por si mesmo! Você pode ver páginas do Manuscrito Voynich aqui.

ANNALEE NEWITZ - 9/8/2017, 5:10 PM - Tradução: PGCS
The mysterious Voynich manuscript has finally been decoded, Ars Technica

Cassini e Saturno

A sonda Cassini terminou ontem sua missão espacial com um êxito além de qualquer expectativa. Ao fundir-se com o planeta que foi estudar, fazendo ciência até o último momento. Que fim melhor a gente poderia pedir para ela?

Cassini e Saturno, por @erikanesvold
Cassini-Huygens 
Foi uma missão espacial não-tripulada enviada ao planeta Saturno e seu sistema de luas. Um projeto conjunto da NASA, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana), ela consistia de dois elementos principais, o orbitador Cassini e a sonda Huygens. Lançada ao espaço em 15 de outubro de 1997, Cassini entrou na órbita de Saturno em 1º de julho de 2004 e continuou em operação até 15 de setembro de 2017, estudando o planeta, seus satélites naturais, a heliosfera e testando a Teoria da Relatividade.
Com o esgotamento previsto do seu combustível, a missão teve de ser encerrada, e a espaçonave foi colocada em uma trajetória de impacto com o planeta. Em 15 de setembro de 2017, depois de orbitar a apenas 3000 km da superfície de Saturno, a Cassini mergulhou na atmosfera do planeta, tendo sido completamente vaporizada pelo intenso calor gerado pelo atrito. A decisão de destruir o artefato de maneira a não deixar vestígios deve-se à preocupação de evitar uma possível contaminação com material terrestre de alguma das luas de Saturno, se porventura acabasse se chocando com uma delas. A vasta quantidade de dados enviados ao longo da missão alimentará a continuidade dos estudos sobre o planeta e seu sistema de luas por décadas.
Após 20 anos, quase 300 órbitas e descobertas pioneiras, a espaçonave fez o seu grand finale na atmosfera de Saturno, um pouco antes das 5 horas (horário de verão do Pacífico nos EUA) de ontem.

15 setembro, 2017

Solo de urinol em "MPEE3"

Este urinol permite aos usuários de banheiros masculinos tocarem seus próprios solos de guitarra enquanto se aliviam. É o resultado de um projeto que foi desenvolvido por uma agência brasileira de propaganda, e alguns deles já estão instalados em bares da cidade de São Paulo.
O urinol tem cordas com sensores conectadas a um alto-falante. Cada corda ao ser vibrada pelo jorro de urina toca uma nota diferente.


Após a descarga, aparece um número sequencial que corresponde à micção realizada. E os usuários podem baixar o "MPEE3" do solo para seus dispositivos móveis.

Relacionado
Blog EM, 14/08/2007 - Agora, a respeito do piss screen, um jogo eletrônico movido a pipi, que foi implantado com sucesso num banheiro masculino de Frankfurt:
O invento pode haver surgido na Europa, mas, aqui no Brasil, já eram conhecidos os fundamentos do jogo. Sempre que os brasileiros se aliviam nas toaletes dos bares e, com as forças de seus jorros, se divertem movimentando as bolinhas de naftalina deixadas na calha coletora para disfarçar os maus odores.
O que faltou, no Brasil, foi alguém que adaptasse o brinquedo de mecânico para eletrônico.

Reciclagem de poesia

Em 1987, o poeta português Alberto Pimenta tomou o soneto Transforma-se o amador na cousa amada, de Luís de Camões, e reorganizou as letras de cada linha para produzir um novo soneto, Ousa a forma cantor! Mas se da namorada.


Em 2014, quando o designer Nuno Coelho desafiou seus alunos de multimídia para fazer a transformação, Joana Rodrigues ofereceu isto:



Curiosamente, após o anagramismo de Pimenta, ficaram duas letras, L e C, que são as iniciais do poeta original, Luís de Camões. "Parece que, de alguma maneira misteriosa e mágica, Luís de Camões veio para reivindicar também a autoria do segundo poema."

"Camões, Pimenta and the Improbable Sonnet", por Carlota Simões e Nuno Coelho. In: Recreational Mathematics Magazine, setembro de 2014
rmm.ludus-opuscula.org

14 setembro, 2017

O cometa do Dilúvio

Na opinião do padre anglicano e matemático William Whiston, em 2348 a.C., um suposto cometa sob orientação divina passou perto da Terra, causando o Grande Dilúvio. Ele disse que os quarenta dias de chuva resultaram da viagem da Terra através da cauda do cometa. No seu tempo, a presença de água na composição dos cometas já era do conhecimento científico.
- A New Theory of the Earth, 1696

Havia água para o Dilúvio?

A origem do nome da Apple

Steve "Woz" Wozniak contou como isso aconteceu, em uma entrevista em Stanford: ele e Jobs estavam viajando juntos, de carro, pela Highway 85, e o Jobs disse que tinha bolado um nome para a empresa. Ele perguntou qual era, e o Jobs respondeu: "Apple Computers". E disse que tinha escolhido porque gostava do som do nome. Wozniak acha que ele tinha se lembrado do nome por associação, pois na época (1976), Jobs participava de uma comunidade hippie que ganhava algum dinheirinho colhendo maçãs em uma fazenda da Califórnia. Jobs acrescentou ainda que o nome era bom pois ficaria antes de Atari (onde ambos haviam trabalhado), na lista telefônica.
Duvido que os dois conhecessem a história do suicídio do Alan Turing. Além disso, teria sido uma homenagem bem grotesca, a alguém que se suicidou, perseguido, deprimido e fracassado, não acham? Não condiz com o alto astral do Jobs.
O motivo mais aceito, no entanto, é que Jobs achava que eles tinham tido uma ideia genial, mais ou menos como a que Newton teve sobre gravidade (a famosa, e talvez apócrifa, história da maçã que caiu em sua cabeça…). Tanto é que o primeiro logotipo da Apple Computer era uma imagem muito feia do Newton sentado debaixo da macieira. Ele prova claramente a origem do nome.
O logo era muito difícil de reproduzir graficamente, então, em 1977 o Jobs pediu a um designer que fizesse o primeiro logotipo colorido da maçã. A mordida significava a tentação do conhecimento (Adão mordeu a maçã dada por Eva) e também uma brincadeira com byte (mordida em inglês, e também significando 8 bits). E a maçã tinha as cores do arco-iris, algo muito muito hippie na época, induzido pelas ilustrações das capas de discos dos Beatles, como a do famoso álbum Magic Mistery Tour (cuja gravadora, coincidentemente, chamava-se Apple Records, e que acabou processando a Apple Computer por violação de direitos de marca). Só que as cores do arco íris estão com a ordem trocada! Woz acha também que Jobs queria homenagear os Beatles, dos quais era fã.
Assim, segundo o Museu da Apple, o novo logo simbolizava a mente de Jobs à época: "lust, knowledge, hope, and anarchy".
Como vê, cheio de simbolismos!! A marca colorida durou 20 anos, até ser trocada pelo símbolo sólido e clean de hoje.

Créditos das imagens: https://forum.imasters.com.br
O precursor do primeiro tablete, um PDA da Apple, foi batizado de Newton. Assim, Jobs nunca se esquecera da motivação inicial. E o primeiro computador com interface gráfica, o MacIntosh, foi batizado assim, pois MacIntosh é a marca das maçãs que o Jobs colhia, e que é considerada uma das melhores…. Dai derivou o nome mais simples e curto, usado até hoje, Mac.

Extraído de: 2012: Alan Turing e a Apple, por Renato M.E. Sabbatini. In: Noosfera

13 setembro, 2017

Álbum dos Pintos

(compartilhado no Pinterest)
A família Pinto é a única cujos membros, digo, integrantes estão legalmente autorizados a mudar seus prenomes de acordo com a idade.

Anúncios de sobremesas devem incluir marcas de mordida?

Aqueles no negócio de marketing de sobremesas podem estar interessados nas novas pesquisas de Donya Shabgard, da Universidade de Manitoba, EUA, que investigou, possivelmente pela primeira vez, a influência das imagens de um anúncio de sobremesa sobre as percepções de desejabilidade dos consumidores.
Especificamente, os anúncios devem mostrar, ou não, as sobremesas tendo uma mordida nelas?
Numa série de quatro experiências, em que os participantes foram convidados a avaliar anúncios falsos que mostravam sobremesas inteiras, cortadas, ou com uma mordida, as últimas se saíram melhor, especialmente nas avaliações daqueles que seguiam dietas.
"Estes resultados explicam que a sobremesa com mordida é percebida [sic] como mais real e autêntica em comparação com as sobremesas inteiras e cortadas, e, portanto, de suas percepções de realidade resultaram mais avaliações positivas."
.O autor aponta oportunidades para novas pesquisas:
"Também seria interessante testar se o efeito é válido para outros produtos alimentícios, como hambúrgueres e pizzas, ou se ele é limitado a sobremesas, ou a um certo tipo de sobremesa."

www.improbable.com

12 setembro, 2017

A vingança da árvore

Eles estão tentando arrancar um toco de árvore por meio de um veículo utilitário. Inicialmente, deviam ter tentado cavar um pouco, em torno do toco, porque aquela árvore já estava ali desde muito antes que eles tivessem nascido. E o que restou dela não era de desistir facilmente.
Ok, gaste os primeiros 30 segundos do vídeo tentando imaginar o que vai acontecer. Não será surpresa, claro.


(revenge of the tree)

Ver também: A árvore solitária de Ténéré.

A "morte" do "comerciante da morte"

Em 1888, um jornal francês erroneamente publicou o obituário de Alfred Nobel (1833 - 1896), o inventor de dinamite, chamando-o de "comerciante da morte".
O erro foi que havia sido um irmão de Alfred, Ludwig Nobel, quem realmente tinha morrido (aos 56 anos, devido a uma doença cardíaca) .No entanto, chocado com o relatório do jornal, Nobel começou a procurar uma mudança na opinião pública, o que levou à sua decisão de estabelecer uma fundação que premiasse anualmente as pessoas/entidades que mais tivessem contribuído para o bem-estar e o desenvolvimento da humanidade.

Pensamento do dia
"As notícias sobre minha morte são muito exageradas." ~ Mark Twain ou Edward Snowden

11 setembro, 2017

Tão longo quanto possível

ASLAP (As Long As Possible) é uma obra artística que Juha van Ingen instalou no Museu de Arte Contemporânea Kiasma, (*) em Helsinque, Finlândia. Consiste de um GIF animado de 48.140.288 fotogramas que levará 1.000 anos para ser apreciado.
Tendo iniciado a apresentação da série em 28 de março de 2017, o último fotograma só aparecerá na tela em 3017. Se até lá o museu e o mundo estiverem de pé, e se houver alguém para vê-lo.
O GIF não é especialmente emocionante. Consiste de um contador que gera números sobre um fundo negro. Cada fotograma se visualiza durante 10 minutos, antes de passar para o seguinte. E, por via das dúvidas, o artista colocou um backup do GIF numa cápsula do tempo.
Ao leitor impaciente:
Não é necessário esperar um milênio para ver como tudo termina. Já vazou como será o fotograma final.

(*) O nome Kiasma deriva de quiasma, que corresponde a um cruzamento, especialmente o das fibras dos nervos ópticos na base do cérebro.


Poderá gostar de ouvir: Tão lentamente quanto possível.

O pedido de socorro SOS

Em 1906, a International Radiotelegraphic Convention adotou o sinal de socorro SOS por radio. Reunida em Berlim, essa convenção assinou um acordo internacional, com data efetiva a partir de 1º de julho de 1908, em que estabeleceu:
"Navios em perigo devem usar o seguinte sinal: · · · - - - · · ·, repetido em intervalos curtos".
O primeiro uso bem documentado do pedido de socorro SOS aconteceu no Arapahoe, em 11 de agosto de 1909, quando o navio sofreu um eixo quebrado no Oceano Atlântico, perto do Cabo Hatteras, em Carolina do Norte. No entanto, um artigo intitulado "Realizações notáveis sem fio", publicado em setembro de 1910 no Modern Electrics, sugere que uma chamada de socorro SOS anterior foi transmitida pelo Cunard line Slavonia, em 10 de Junho de 1909.
Embora o "SOS", ao ser criado, não tenha nenhum significado em relação a pedidos de ajuda, sempre foi associado com as frases "Save Our Ship", que traduzida significa "Salve Nosso Navio", ou "Save Our Souls", que é "Salve Nossas Almas", ou ainda "Send Out Succour" , que significa "Enviem Socorro".
Código Morse
É um sistema de representação de letras, algarismos e sinais de pontuação através de um sinal codificado enviado de modo intermitente. Foi desenvolvido por Samuel Morse em 1835, criador do telégrafo elétrico, dispositivo que utiliza correntes elétricas para controlar eletroímãs que atuam na emissão e na recepção de sinais.
Uma mensagem codificada em Morse pode ser transmitida de várias maneiras em pulsos (ou tons) curtos e longos:
  • pulsos elétricos transmitidos em um cabo;
  • ondas mecânicas (som), conhecido por morse acústico;
  • sinais visuais (luzes acendendo e apagando);
  • ondas eletromagnéticas (sinais de rádio).
Árvore binária para representar o Código Morse, Wikipédia

Poderá também gostar de ver
Pontos e traços | Como é o símbolo @ no Código Morse | T-O-R-T-U-R-A | Hideki Tojo

10 setembro, 2017

Elefante branco

É uma expressão usada para se referir a uma posse valiosa da qual seu proprietário não pode se livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor.
O termo tem origem nos elefantes albinos do Sudeste Asiático, onde eram considerados animais sagrados. Em Myanmar, Tailândia, Laos e Camboja, receber um elefante branco de presente de um monarca era simultaneamente uma bênção e uma maldição: uma bênção porque era um sinal de favoritismo do monarca pelo cortesão que o recebia; uma maldição porque o animal não podia trabalhar (por ser sagrado) para compensar o custo de sua manutenção.

- Este aí em dólar eu aceito!

Ventríloquos talentosos

Os ventríloquos talentosos são capazes de fazer coisas incríveis com suas vozes, até mesmo dar a impressão de que conseguem trocá-las, como fazem Rudi Rok e sua amiga Sari Alto neste divertido vídeo.
Não há neste vídeo truques de edição, apenas ventriloquismo puro.


09 setembro, 2017

Poderes do Estado

É da essência da democracia que os três Poderes do Estado - Executivo, Legislativo e Judiciário - ponham em movimentação um sistema de freios e contrapesos, concebido para moderar os excessos que aconteçam em cada Poder.

Escalas para terremotos e furacões

"... E uma informação que acaba de chegar: o furacão Irma voltou para nível 5, a categoria máxima na escala Richter."
Vídeo G1 ao vivo, 09/09/17, 8:00
(http://g1.globo.com/mundo/ao-vivo/furacao-irma.ghtml)

Ooops! O que é a escala Richter
É uma escala logarítmica arbitrária, de base 10, utilizada para quantificar a magnitude local de um sismo. Para acomodar a enorme variação na quantidade de energia que se liberta em sismos, a escala de Richter, tal como a escala de magnitude estelar usada em astronomia para descrever o brilho das estrelas e de outros objetos celestes, recorre a uma escala logarítmica. O logaritmo incorporado na escala faz com que os valores atribuídos a cada nível aumentem de forma logarítmica, e não de forma linear, evitando os grandes valores que daí resultariam. Em consequência, um sismo a que seja atribuída magnitude 5,0 na escala de Richter tem uma amplitude sísmica 10 vezes maior do que um de magnitude 4,0. e uma diferença de três pontos na escala corresponde a um aumento de 1000 vezes na amplitude do sismo.
Para medir a intensidade de um furacão, utiliza-se da escala de Saffir-Simpson, que leva em consideração a velocidade dos ventos, a elevação do nível do mar e a redução da pressão atmosférica. Esta escala vai de DT (depressão tropical) a nível 5, sendo 5 (a categoria do furacão Irma por ocasião da reportagem acima) o nível mais devastador.


Conclusão: «uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa».

Por que os pilotos kamikazes usavam capacetes?

Os kamikazes foram pilotos japoneses que deliberadamente jogavam seus aviões sobre os navios de guerra dos Aliados. Aviões kamikazes estavam cheios de bombas e explosivos, a fim de causar a maior quantidade possível de danos aos navios de guerra inimigos.
O uso de um capacete seria um exercício inútil nessas situações. A colisão de um avião contra um navio de guerra inevitavelmente resultaria na morte do piloto, não importando o que ele estivesse usando na cabeça.
Agora, vamos voltar à pergunta original: Se esses caras eram pilotos suicidas, voando para a sua própria destruição, por que diabos eles usavam capacetes?
Primeiro de tudo, eles não usavam capacetes. Isso é um equívoco. Eles usavam tampões de couro para aviadores, do tipo que vemos em Charles Lindbergh e Amelia Earhart nos filmes antigos.
Esses tampões de voo cobriam a cabeça e as orelhas. Protegiam os pilotos do frio e da surdez temporária já que eles voavam com o cockpit aberto. Diferentemente da maioria dos pilotos regulares, que fecham o cockpit durante o vôo, os kamikazes voavam com eles abertos para ter uma visão melhor ao cumprimento de suas missões.
Junte a isso outro detalhe menos lembrado sobre os pilotos kamikazes: suas missões eram muitas vezes abortadas por causa de turbulência, mau tempo ou problemas de visibilidade. Capacetes de proteção do piloto poderiam, nestes casos, ironicamente, proteger os futuros pilotos suicidas. E os kamikazes sobreviventes poderiam concluir a sua missão suicida num dia melhor (sic).


Heróis à força?

08 setembro, 2017

O julgamento - 2


Os cães merecem a cama
Mas acho que esse aí deveria se declarar impedido de presidir o julgamento.

O julgamento - 1

Antes da Wikipédia

Seus livros foram a Wikipédia antes da Wikipédia. ~ Antonio Calvo
Embora seja conhecido por seus contos e romances de ficção científica, Isaac Asimov também foi um grande escritor de ciência: a Wikipédia atribui-lhe a autoria de mais de 500 títulos, distribuídos em 9 das 10 categorias da Classificação Decimal de Dewey (um sistema de classificação usado nas bibliotecas), daí a frase de Calvo.


Além de seu papel como autor, Asimov representou uma atitude em relação ao mundo e à vida especialmente admiráveis. Em "The Roving Mind" (A Mente Vagando), por exemplo:
"Não acredita em discos voadores?", eles me perguntam. "Você não acredita em telepatia, em antigos astronautas, no Triângulo das Bermudas, na vida após a morte?". Eu respondo que não. Não, não, não, não e não novamente. Uma pessoa, desesperada pela litania de negação sem cessar, então me perguntou se eu acreditava em alguma coisa. "Sim", eu disse: "Eu acredito em evidência. Eu creio em observações, medições, raciocínio e confirmação por observadores independentes. Eu vou acreditar em qualquer coisa, não importa o quão louca ou ridícula, se houver evidência para apoiá-la. Agora, quanto mais louca e ridícula for essa coisa, mais firme e sólida terá de ser a evidência."
Microsiervos

Asimovianas: Isso é divertido!, Leis da Robótica e O sonho de Asimov

07 setembro, 2017

"Emoji: O Filme"

Sinopse
Escondida dentro do app de texto está Textopolis, uma cidade cheia de vida onde os emojis vivem, aguardando ser selecionados pelo dono do telefone celular. Neste mundo, cada emoji tem apenas uma expressão facial - exceto Gene, um emoji que nasceu sem filtro e que se multiplica pelas mais variadas expressões. Determinado a tornar-se "normal" como os outros emojis, Gene conta com uma mãozinha do seu melhor amigo, Hi-5 e com a hacker emoji Rebelde. Juntos, eles embarcam numa aventura épica através dos apps do telemóvel, cada uma com o seu mundo de diversão e perigos, para encontrar o código que irá curar Gene. Mas quando um grande perigo ameaça o telemóvel, o destino de todos os emojis depende destes três amigos que terão de salvar o seu mundo antes que este seja para sempre apagado.

N.do E.
App pode referir-se a: Área de Preservação Permanente, Agnosticismo Permanente por Princípio, Controle de Aproximação (Approach Control, no tráfego aéreo), Proteína Precursora do Amiloide (em biologia molecular) e Aplicativo Móvel (o de um smartphone, este caso).



(...)
O ponto é que fui assistir "Emoji: O Filme", e foi tudo bem — não ri, mas também não chorei — e tirei cinco conclusões disso. Você, claro, pode ir assistir se quiser – pagando até R$ 60, entrar na fila, ficar com pipoca grudada no seu tênis novo, pagar mais 20 dinheiros pelo combo de pipoca e refri, depois ter seu ingresso rasgado por um menino sem expressão, assistir 30 minutos de comerciais (cinemas: se eu já paguei uma nota pra assistir o filme, por que tenho que ver propagandas também? Você já ganhou seu dinheiro. Eu. Te. Paguei. Para desperdiçar meu tempo. Repensem.), depois os trailers, e finalmente o filme propriamente dito, tudo isso numa sala escura não tão silenciosa assim, com um bando de gente que não consegue ficar uma hora e meia sem ter que levantar pra mijar, e numa temperatura que não é quente nem fria, sem outras opções: a experiência moderna do cinema — então sim, você pode ir ao cinema, e pode assistir o filme, e tirar suas próprias conclusões. Mas você não vai.
Então.
"EMOJI: O FILME" É O PRIMEIRO FILME NA HISTÓRIA A SER FEITO SEM UM PÚBLICO EM MENTE
Ei: Para quem é "Emoji: O Filme"? Fãs de emoji? Isso não existe. Ninguém vai dizer que é fã de emojis. Mesmo as pessoas que têm aquelas almofadas de emoji não vão dizer que são fãs de emojis. Pode perguntar. Pergunte diretamente por que a pessoa comprou uma almofada. "Sei lá, tava na promoção", ela vai dizer. O filme é para adultos? Não é para adultos. Você sabe que algumas animações são, secretamente, para adultos, né? Você sabe que tem gente crescida que vai assistir os filmes da Disney, que viaja para a Disneylândia. Adultos patológicos, adultos estranhos. Pessoas que têm vontades estranhas que em outra vida poderiam se materializar como infanticídio, mas aqui e agora surgem como uma afinidade sincera com a Disney. Mas esse filme também não é pra eles. É para crianças? Não sei. Conheço crianças. Não pessoalmente, mas o conceito. Eu mesmo já fui criança. Partes de mim ainda são. E como criança, não encontrei nada que redima "Emoji: O Filme", fora uma cena na qual o emoji de cocô, dublado pelo Patrick Stewart, faz cocô e fala com o filho, um cocô menor, sobre as atribulações de ser um cocô que faz cocô. Além disso, o filme é só um monte de referências ao Dropbox que eu não manjo e algumas sequências de dança. Nenhuma criança vai cair nessa merda.
por JOEL GOLBY, traduzido por MARINA SCHNOOR

Às margens do Ipiranga

É FERIADO MAS NÃO ENFORQUEM
NÃO É REPETIÇÃO DE TIRADENTES

+ outra versão diferente daquela que aprendemos nos livros didáticos para o Grito da Independência.

Galeria bacteriana

O biólogo sintético Tal Danino lava as mãos constantemente, um dos riscos ocupacionais de trabalhar com bactérias o dia todo no Synthetic Biological Systems Lab, que ele dirige na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Danino passa a maior parte do seu tempo tentando aproveitar certas propriedades das bactérias - as mesmas propriedades que podem torná-las tão perigosas para os seres humanos - com a finalidade de transformá-las em poderosas agentes do combate ao câncer.
Mas, quando ele não está programando bactérias para combater o câncer, ele as está programando para fazer arte. "É bom usar as artes visuais para ajudar a comunicar a ciência", diz ele, "pois a arte realmente transcende os limites da linguagem e do conhecimento".
Para seu mais recente projeto, Microuniverse, ele produziu em discos de Petri uma série de deslumbrantes imagens abstratas com diferentes espécies de bactérias, após deixá-las crescendo sob diferentes condições ambientais e por vários períodos de tempo.

Bacteria Gallery
Notavelmente, as bactérias podem crescer dentro de tumores, onde mesmo o sistema imunológico humano não pode chegar, e elas também podem ser programadas para produzir toxinas que causam a morte de células tumorais. Usando a clonagem molecular, Danino programa bactérias para que revelem tumores no corpo e, uma vez dentro deles, liberem toxinas de combate ao câncer. "É quase como uma situação do tipo Cavalo de Troia", explica ele. "Bactérias entram no tumor e, em seguida, começam a produzir drogas que fazem o tumor entrar em regressão".

06 setembro, 2017

Cadarços - 3

O Proceedings of the Royal Society publicou um trabalho de pesquisa sobre os papéis do impacto e da inércia no desfazimento de um nó de cadarço. Em outras palavras, por que seus cadarços se desamarram tanto. O estudo é impressionante, com oscilações de pêndulo, medições de forças e abundância de dados. A versão curta é mais fácil de entender.
Explorando este tópico, num vídeo em câmera lenta de um nó se desatando com um corredor usando a esteira mecânica, os pesquisadores descobriram que a causa e o efeito eram notavelmente os mesmos de quando alguém desamarra o cadarço manualmente.
É tudo causado pela combinação do pé ao golpear o chão com o balanço do pé.
O pé atinge o solo com cerca de sete vezes a força da gravidade. Este impacto faz com que o nó estique e, em seguida, relaxe quando o efeito da força desaparece, o que por sua vez afrouxa o nó. Na sequência, quando o pé balança durante a passada, a inércia encarrega-se de puxar as extremidades do cadarço com força suficiente para o laço se desfazer por completo.


Isso explica por que os sapatos de velcro são os preferidos por pessoas idosas e mães de crianças pequenas.

N. do E.
Resolvi este problema inventando um nó górdio para cadarços.
Ver também: Cadarços 1 e 2.