08 julho, 2020

Aos Pesquisadores Científicos

No dia 8 de julho é comemorado o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico. A primeira data foi sancionada em 2001, pela Lei n.º 10.221; e a segunda, em 2008, através da Lei n.º 11.807. Ambas homenageiam o dia da criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 8 de julho de 1948.

Aos Pesquisadores Científicos
Vianney Mesquita*

Sejam benditos os pesquisadores,
Com seus rigores a buscar verdades,
Capacidades de interlocutores
E de ouvidores de obscuridades.

Ao perquirir tão insondáveis fatos,
Cujos relatos pedem teorias,
Por estas vias os feitos transatos
Têm, mais que atos, metodologias.

Neste exercício de sabedoria,
Ao revelar seus faustos de vivência,
Tranquilidade e douta teimosia,

É demonstrado em toda a percuciência,
Extasiando o mundo, que aprecia
Um vivaz operário da Ciência.

* Escritor e jornalista. Acadêmico titular da Academia Cearense de Língua Portuguesa

http://vianneymmesquita.blogspot.com/2016/04/metodo-e-conhecimento-confluencia_18.html
http://academiacearense.blogspot.com/2014/07/e-n-s-i-o.html
http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/3641/1/2010_TESE_MLCIDRACK.pdf

07 julho, 2020

Jabuti: em foco

Provérbio
Jabuti não sobe em árvore.
(Se está lá, foi enchente ou mão de gente.)

Jargão
No processo legislativo brasileiro, jabuti é a inserção de uma norma alheia ao tema principal num projeto de lei ou numa medida provisória enviada ao Legislativo pelo Executivo.

Prêmio
Concedido pela Câmara Brasileira do Livro, o Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil.

Moacir Viggiano - O Calmo Jabuti. Amigo de infância de Ziraldo, Moacir virou personagem de HQ da famosa Turma do Pererê.

Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

Inocentes do Leblon, por Carlos Drummond de Andrade
In "Sentimento do Mundo"
Irmãos Pongetti, 1940
© Graña Drummond

Lebloners, por Marcelo Adnet
http://twitter.com/EntreMentes/status/1279521461687013376

A poeira cósmica que emana do Leblon
O fio do Victor Ferreira sobre a elite atrasada e escravocata do Leblon, para quem o dinheiro compra tudo e todos, inclusive a subserviência calada dos mais pobres.

06 julho, 2020

RIP Ennio Morricone

Minibio
Morreu hoje em Roma, aos 91 anos, o compositor, arranjador e maestro italiano Ennio Morricone (10/11/1928 - 06/07/2020).
Autor de inesquecíveis composições para o cinema e séries da televisão, dentre as quais as trilhas sonoras de "Por um Punhado de Dólares", "Três Homens em Conflito", "Era uma vez no Oeste", "A Missão", "Os Intocáveis", "Cinema Paradiso" e "Bastardos Inglórios", Morricone foi indicado cinco vezes ao Oscar até receber o prêmio honorário em 2007.
Com a trilha sonora de "Os Oito Odiados", dirigido por Quentin Tarantino, recebeu o seu segundo Oscar, em 2016.

Por um punhado de samba
A ser também lembrado por ter sido o responsável pelos arranjos de "Per un pugno di samba", álbum de estúdio de Chico Buarque na Itália (1970).


Do "Estado de SP":
Para evitar problemas com o regime militar, Chico Buarque passou 15 meses na Itália, no fim dos anos 60. Em Roma, ele conheceu o ilustre compositor de trilhas de cinema Ennio Morricone, morto nesta segunda-feira (6), aos 91 anos. Os dois, à época, se juntaram para fazer um álbum que, durante décadas, foi cobiçado por colecionadores.
Em "Per un pugno di samba" – um trocadilho com o título original do filme "Por Um Punhado de Dólares" (1964), de Sergio Leone, para o qual Morricone fez a trilha – Chico interpretou sucessos da carreira vertidos para o italiano por ele e Sergio Bardotti, que fez a ponte para que Morricone se integrasse ao trabalho.
(...)

Arquivo
"O bom, o mau e o feio" pela "Orquestra de Ukulele da Grã-Bretanha"

Poluição do ar e incidência de raios

Brasil, o país em que mais caem raios no mundo
77,8 milhões de descargas elétricas despencam todos os anos no Brasil. Somos campeões mundiais no quesito. Uma consequência da localização e do tamanho de nosso território. O Brasil é o maior país tropical do planeta, e os trópicos têm o clima mais suscetível a tempestades. No mínimo 300 brasileiros são atingidos todos os anos por raios. Um em cada três acidentes é fatal: entre 2000 e 2019, raios foram responsáveis por 110 mortes por ano, em média. Foram 2.194 óbitos em duas décadas.
[de um relatório feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), à Super Iinteressante]
A quarentena provocou um efeito inédito no céu brasileiro: a diminuição da quantidade de raios
Até os pesquisadores do Inpe estão intrigados com isso. Eles acreditam que a menor incidência de raios está ligada à menor poluição.
Compararam a quantidade de descargas elétricas que chegaram ao solo na capital paulista, entre 20 de março e 2 de abril deste ano, com a do mesmo período em anos anteriores. O resultado impressionou: apenas 4% atingiram o chão em 2020. Em outros anos, este percentual ficava entre 40 e 60%.
Osmar Pinto Júnior (Elat, Inpe):
"Confirma-se claramente que a poluição, nos grandes centros urbanos, tem um reflexo importante sobre as tempestades. E que temos de continuar estudando para compreender melhor como acontece esse fenômeno."
"Gráficos do relógio" que mostram os dias da semana favorecidos pelas chuvas e raios em cada verão de 1998 a 2009, no sudeste dos Estados Unidos
Este gráfico, criado pelo meteorologista Thomas Bell, mostra que as chuvas e os raios raramente atingem o pico no fim de semana no sudeste dos Estados Unidos. De fato, relâmpagos não atingiram o pico em um fim de semana em nenhum ano desde 1998, Bell mostrou isto após vasculhar dados meteorológicos de 1998 a 2009. Depois de publicar vários artigos científicos sobre o assunto, explica o porquê: a poluição do ar (que está em seus níveis mais altos no meio da semana e nos níveis mais baixos no fim de semana) pode fortalecer tempestades, principalmente no ar instável e úmido do sudeste dos Estados Unidos.


Fontes
http://www.inpe.br/webelat/homepage/#
http://super.abril.com.br/especiais/brasil-o-pais-dos-raios/
http://globoplay.globo.com/v/8645155/
http://blogs.nasa.gov/whatonearth/2010/02/20/post_1266609787812/

05 julho, 2020

Cadeia alimentar (2)

A cadeia alimentar é uma sequência de seres vivos que dependem uns dos outros para se alimentar. É a maneira de expressar as relações de alimentação entre os organismos de um ecossistema, incluindo os produtores, os consumidores (herbívoros e seus predadores, os carnívoros) e os decompositores.


Os decompositores (fungos e bactérias) não são vistos na foto acima.

Cadeia alimentar (1)

O poeta aprendiz

Uma canção de Vinicius de Moraes e Toquinho, cantada e ilustrada por Adriana Calcanhotto
A primeira versão de "O poeta aprendiz" foi escrita por Vinicius de Moraes em 1958, em Montevidéu, e incluída no livro "Para viver um grande amor", de 1962. Anos depois, o poema viraria canção, na parceria com Toquinho. Mais adiante, voltou em um livro-disco idealizado por Adriana Calcanhotto, que interpretou a música e assinou as ilustrações.
A história da canção é curiosa. Toquinho começou a musicar um trecho do poema na Itália, em 1968, sem contar a Vinicius. Depois de trabalhar algum tempo na adaptação, viu-se diante de uma dificuldade que o impedia de continuar e acabou por revelar a ideia ao parceiro. Vinicius se entusiasmou com a idéia, e a canção foi finalmente gravada pela dupla em 1971.
O livro-disco foi concebido por Calcanhotto como um presente para Nina, afilhada da cantora e bisneta de Vinicius. Os versos falam de um menino que sonha em ser poeta e descrevem o universo infantil de forma bem humorada. A linguagem rica e divertida é ressaltada pelo glossário desta edição, que além de explicar algumas palavras chama a atenção para curiosidades do poema.
O disco que acompanha a edição tem três faixas: a interpretação de Adriana Calcanhotto, o próprio Vinicius lendo o poema e um caraoquê (uma faixa apenas com a música) para que o ouvinte possa experimentar o prazer de interpretar a canção.
ISBN: 9788574061320
Selo: Companhia das Letrinhas


04 julho, 2020

"É você, idiota?"

O que você diria quando confrontado com a eternidade? O Russia Beyond relembra as últimas palavras de escritores russos.

1. "Uma certa borboleta já está voando."
O vencedor do Prêmio Nobel Vladímir Nabokov tinha interesse em entomologia e colecionava borboletas. Dmítri, o filho do escritor, lembra que, quando ele estava se despedindo de seu pai, os olhos de Vladímir repentinamente se encheram de lágrimas: "Perguntei por que ele disse que uma certa borboleta já estava voando...".

2. "Estou morrendo! Faz tempo que não bebo champanhe!"
O escritor e médico Anton Tchekhov morreu de tuberculose na cidade alemã de Badenweiler. Segundo uma antiga tradição local, o médico que diagnostica uma doença fatal em um paciente lhe oferece champanhe. As últimas palavras de Tchekhov foram dirigidas ao seu médico.

3. "A Rússia me comeu, como um porco idiota come seu porquinho."
O poeta simbolista Aleksandr Blok ficou bastante doente na primavera de 1921. A doença foi causada por fome durante a guerra civil, exaustão nervosa e pela recusa da intelligentsia russa em aceitar seu poema revolucionário "Os Doze". O escritor Maksim Górki, o comissário do povo Anatóli Lunatcharski, e os amigos do poeta tentaram obter permissão para que Blok fizesse tratamento no exterior, mas o Politburo do partido bolchevique travou o processo. O escritor morreu no dia em que o passaporte com permissão de viagem foi finalmente emitido.

4. "É você, idiota?"
Mikhail Saltikov-Schedrin era conhecido por seu humor e sátira implacáveis. Conta-se que ele teria cumprimentado sua própria morte com a pergunta: "É você, idiota?".

5. "Eu te amei e não te enganei uma vez sequer, nem mesmo em pensamento."
Essas foram as palavras finais do escritor Fiódor Dostoiévski à sua esposa Anna. Durante todo o período em que permaneceram casados, os dois passaram poucos dias distantes um do outro. Anna não era apenas esposa do escritor, mas também sua assistente – ela copiava seus manuscritos e lidava com os editores.

6. "Eu amo a verdade."
Aos 83 anos, o conde Lev Tolstói escapou para sua propriedade em Iásnaia Poliana, na região de Tula, a 200 km de Moscou. Acompanhado por sua filha e um médico, viajou em um vagão de trem na terceira classe. Durante o trajeto, pegou um resfriado, que se transformou em pneumonia. Já delirante, o escritor disse: “Eu amo a verdade”.

7. "Traga-me a escada!"
A imagem de uma escada é um dos principais mistérios do escritor Nikolai Gógol. Quando criança, o pequeno Kolia ouvia de sua avó a lenda de uma escada que levava as almas das pessoas ao céu. De diferentes formas, essa imagem está presente em muitas das obras de Gógol. "A escada, rapidamente, traga-me a escada!" foram as últimas palavras do escritor, segundo testemunhas oculares.

In extremis
Lewis Carroll et al. | Goethe (escritor alemão) | Ney (marechal francês) | Gacy (palhaço assassino) | Corey (fazendeiro americano)

Um pequeno peixe em sua jornada de volta para casa

🔥 A tiny fish on its journey back to the home from r/NatureIsFuckingLit

É o mesmo princípio do traje espacial.

03 julho, 2020

Fones de ouvido - 17

Quando você tem menos recursos, mas tem amigos.


+ fones de ouvido
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 89, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16

Procrastinação e mais além

Pro · cras · ti · na · ção. Quão apropriado é que esta palavra seja longa e latina, levando-se algum tempo para chegar a uma conclusão. O fundador dos Alcoólicos Anônimos, Bill Wilson, escreveu que a procrastinação é "realmente preguiçosa em suas cinco sílabas". E, no entanto, a palavra denota muito mais do que mera preguiça ou indolência: um procrastinador, que organiza meticulosamente uma gaveta de meias ou uma biblioteca do iTunes, não pode ser exatamente acusado de preguiça. Da mesma forma, a procrastinação não é simplesmente o ato de fazer um adiamento. Implica uma evitação intencional de tarefas importantes, adiando responsabilidades desagradáveis ​​que se sabe que devem ser atendidas imediatamente e colocando-as em segundo plano para outro dia.
A promessa de "outro dia" é a chave para a origem da palavra. Ela deriva do verbo latino procrastinare, combinando o prefixo pro, "avançar", com crastinus, "de amanhã" - daí, mover algo para um dia à frente. Mesmo nos tempos antigos romanos, a procrastinação foi menosprezada: o grande estadista Cícero, em uma de suas filipinas atacando seu rival Marco Antônio, declarou que "na conduta de quase todos os casos a lentidão e a procrastinação são odiosas" (in rebus gerendis tarditas e procrastinatio odiosa est).
Quando procrastinate e procrastination começaram a aparecer em inglês, em meados do século XVI (época em que os latinismos inundavam a língua, principalmente via francês), as palavras sugeriam a clássica repugnância à inação em momentos críticos. Mas a procrastinação logo adquiriu um novo significado terrível: os cristãos usaram o termo para lembrar aos pecadores que adiar o arrependimento de seus maus caminhos pode levar à condenação. Um sermão de 1553 falou das terríveis consequências para "aquele que prolonga ou procrastina a confissão dos pecados", enquanto um tratado de 1582, sobre "A Loucura dos Homens", advertia: "Portanto, prestem atenção ao procrastinar o arrependimento… com intencionalidade e propósito; não tentem o Senhor".
Com o alvorecer da Revolução Industrial, o moralismo cristão se fundiu com as buscas comerciais. A procrastinação não só previne a salvação na próxima vida, mas também o objetivo do bem-estar financeiro nesta. Assim, os males da procrastinação chegaram aos adágios frequentemente repetidos da nova era capitalista. "A procrastinação é o ladrão do tempo", escreveu o poeta inglês Edward Young, em 1742. Poucos anos depois, Philip Stanhope, o conde de Chesterfield, escreveu estas palavras: "Sem ociosidade, sem preguiça, sem procrastinação; nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje". Ben Franklin é creditado com um ditado similar, transformado ironicamente por Mark Twain no lema do procrastinador: "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã".

Extraído de: How we got a word for putting things off, SLATE

N. do T.
Encontrei na web frases como estas (em espanhol):
• "Lo mío no es procrastinar, es perendinar."
• "Yo prefiero perendinar que procrastinar. En dos días te cuento."
• "Ya lo dice el refrán: no procrastines lo que puedas perendinar."
Origen: del latín perendinare, "dejar para el día después del siguiente".
Lo bueno de un diccionario como el nuestro (sinfaltas.com) es que permite recoger palabras que quizá no tengan uso real, pero que se proponen en las redes para cubrir huecos semánticos. Un buen ejemplo es perendinar, palabra que circula por la red para referirse a la acción que va más allá de procrastinar. Ha tenido 1700 visitas en 5 meses.
E cá estou a cobrir um oco semântico em português ao trazer para a nossa língua o verbo "perendinar" e as palavras que venham a derivar dele.

02 julho, 2020

De volta ao meme do Chico

Este meme, com origem na capa do disco "Chico Buarque de Hollanda", de 1966, surgiu nas redes sociais há alguns anos. Normalmente é utilizado para fazer a distinção entre uma coisa boa e uma coisa ruim. Ficou tão popular que foi parar até no exterior, onde celebridades já o publicaram como fez a cantora americana Patti Smith.


O próprio Chico Buarque aproveitou a famosa montagem desta "capa-do-disco-que-virou-meme" para promover sua nova conta no Instagram, em 2017. Nesse caso, a brincadeira do artista foi com as frases "Não tinha Instagram oficial" e "Agora tenho". No Blog EM, aqui também fizemos uma brincadeira com o meme do Chico, utilizando-o em: Qual panetone você prefere: de frutas cristalizadas ou com gotas de chocolate?, uma mal-sucedida enquete.
Recentemente, para ajudar a controlar a disseminação do novo coronavírus em nosso país (quiçá no mundo), o compositor publicou uma nova versão do meme, em que ele aparece usando máscara facial.
Protejam-se.


Só lembrando que ferramentas - - como a Chico Buarque Happy Sad Meme Generator - - ainda estão disponíveis na internet para gerar memes com a figura do artista.

O "gerador de besouros"



Um "gerador de besouros" com tecnologia de inteligência artificial e um toque artístico
Bernat Cuni (foto) usou antigas ilustrações de milhares de besouros para criar um "gerador de besouros" que produz novas imagens através do aprendizado de máquina. Algo que pode produzir imagens bonitas e imaginárias, do qual se diz ser capaz de confundir os entomologistas.
https://www.cunicode.com/works/confusing-coleopterists


Ver também:
Uma exposição divertida num museu de história natural. VÍDEO de PGCS

01 julho, 2020

A palavra mais longa pela nomenclatura musical

Em inglês é CABBAGED (tradução: REPOLHO), segundo @HaggardHawks.


Lembrando que:
A = Lá, B = Si, C = Dó, D = Ré, E = Mi, F = Fá e G = Sol.

Em português, seria BÊBADA?

A Hipótese Siluriana

por Aristos Georgiou, NEWSWEEK
artigo atualizado em 03/01/2020

E se outra civilização industrial tivesse existido na Terra dezenas de milhões de anos atrás, muito antes dos seres humanos, mas agora todos os vestígios dela estejam perdidos?
Embora possa parecer uma idéia absurda, esse experimento mental é o foco de um novo artigo científico de autoria de Adam Frank, astrofísico da Universidade de Rochester, e Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA.
Eles nomearam o artigo "A Hipótese Siluriana" depois de uma corrida fictícia de répteis inteligentes e bípedes da série de ficção científica britânica Doctor Who - conhecidos como os Silurianos - que supostamente viveram na Terra, centenas de milhões de anos atrás.
No estudo, publicado no International Journal of Astrobiology, Frank e Schmidt perguntam quais traços a civilização humana deixaria para trás e como os futuros cientistas poderão encontrar evidências de nossa existência.
Os pesquisadores analisaram a provável impressão digital geológica do Antropoceno - um termo usado por muitos pesquisadores para denotar a atual idade geológica em que a atividade humana tem sido a principal influência no clima e no ambiente.
Ainda que o Antropoceno não seja oficialmente classificado como uma era geológica distinta, já está claro que os seres humanos estão tendo um impacto no registro geológico que está sendo estabelecido hoje, escreveram os autores no artigo.
"Já somos uma força geofísica e nossa presença está sendo registrada em isótopos de carbono, oxigênio e nitrogênio, extinções, sedimentação extra, picos de metais pesados ​​e produtos químicos sintéticos (incluindo plásticos)", disse Schmidt à Newsweek.
A queima humana de combustíveis fósseis, por exemplo, já está afetando o registro geológico, apesar de a industrialização ter começado há apenas cerca de 300 anos. Além disso, o aquecimento global, a agricultura e a disseminação de poluentes sintéticos estão deixando sua marca.
Então, vamos imaginar que, talvez, algumas outras espécies na Terra tenham chegado brevemente à civilização milhões de anos atrás, haveria algum vestígio delas hoje, por exemplo, fósseis ou restos de edifícios?


"Possivelmente", disse Schmidt, "mas também pode ser que todos esses vestígios tenham sido transformados em pó e que os únicos vestígios restantes estejam nas perturbações mais sutis da geoquímica". Além disso, "a fossilização é extremamente rara e muito parcial, de modo que as evidências poderiam facilmente ser perdidas", especialmente se uma civilização durasse apenas alguns milhares ou dezenas de milhares de anos, como a nossa.
As questões levantadas por Frank e Schmidt com relação ao impacto planetário das civilizações também podem ter implicações para a exploração futura de outros planetas e nossa busca por vida alienígena inteligente.
"Conhecemos o início de Marte e, talvez, o início de Vênus eram mais habitáveis ​​do que são agora, e é possível que um dia perfuremos os sedimentos geológicos de lá também", disse Schmidt no comunicado. "Isso nos ajuda a pensar no que devemos procurar".

Nota
Ironicamente, uma civilização industrial mal gerenciada poderia esgotar o oxigênio dissolvido nos oceanos, levando a um aumento de material orgânico no sedimento, o que pode servir como fonte de futuros combustíveis fósseis. Assim, a atividade industrial anterior teria realmente dado origem ao potencial para a indústria futura por meio de sua própria destruição.

Julho
Inicialmente conhecido como Quintilis, ou o quinto mês, este mês foi assim renomeado em homenagem a Júlio César após sua morte em 44 a.C. César nasceu em Quintilis, e Julho é o primeiro mês do calendário com o nome de uma pessoa real.

30 junho, 2020

Tebas (1721 - 1811)

Joaquim Pinto de Oliveira (1721, Santos – 1811, São Paulo), também conhecido como Tebas, um negro arquiteto na São Paulo escravocrata, tem a sua arte hoje celebrada pelo Google Doodle. Com um talento raro para trabalhar com pedra, Tebas legou à cidade de São Paulo construções que incluem o frontão do Mosteiro de São Bento, a fachada da Igreja da Terceira Ordem do Carmo e o Chafariz da Misericórdia.

Microliteratura (2)

Garota, 9, desaparece após usar creme que faz rejuvenecer 10 anos.


O que é Microliteratura

29 junho, 2020

Autocontrole

Em 1937, depois que Jawaharlal Nehru foi eleito presidente do Congresso Nacional Indiano pela segunda vez, um autor que se autodenominava "Chanakya" publicou um artigo na Modern Review alertando que o poder pode corromper um idealista.
Mais tarde, foi revelado que o autor era o próprio Nehru. "Eu escrevi por diversão, enviei para uma amiga que publicou", disse ele. "Gandhi ficou indignado, pensando que algum inimigo estava me atacando."
Perguntado se ele achava o julgamento correto, Nehru disse:
"Suponho que se um homem puder ver essas fraquezas dentro de si e discuti-las, isso é uma prova prévia de que nunca sucumbirá a elas".
http://www.futilitycloset.com/2020/01/01/self-scrutiny/

Nehru e Gandhi

Uma breve história do Twitter

Em março de 2006, Evan Williams, um dos responsáveis pela criação do Blogger, e Biz Stone, que também trabalhava no Google, lançaram um serviço de troca de mensagens via SMS. Nascia o protótipo do Twitter, batizado originalmente de Status. Cada vez que uma atualização era enviada, o destinatário recebia um "twich" (vibração, em tradução livre).
Procurando refinar o nome, a equipe de desenvolvimento chegou a Twitter, que pode significar "uma pequena explosão de informações inconsequentes" ou "pios de pássaros" – o qual, além de combinar com o intuito da rede social, deu a ideia de utilizar o passarinho como mascote.
A rede social começou a ganhar destaque no mesmo ano, quando ela foi apresentada no "Southside by Southwest" (SXSW), um festival norte-americano de música, filme e tecnologia. A propaganda e o sucesso do Twitter no evento foram tão grandes que o número de mensagens diárias saltou de 20 mil para 60 mil. Seus criadores chegaram até a receber o prêmio Web Award no SXSW.
Como o Twitter deleta muitos de seus arquivos, não se sabe com certeza quem foi o primeiro brasileiro a tuitar. O youPIX fez uma investigação utilizando o serviço Wayback Machine e chegou à possível conclusão de que o primeiro a entrar na rede social teria sido o usuário @crisdias, em 12 de julho de 2006.
Fonte: Olhar Digital

Meu primeiro tuíte:
Na web lendo um tutorial sobre o Twitter no G1.
4:36 PM · 21 de abril de 2009
http://twitter.com/EntreMentes/status/1577786781
http://twitter.com/search-advanced (busca avançada)

28 junho, 2020

Para onde vai o nariz das estátuas?

Esta é uma questão que atormenta muitas pessoas. Você já deve ter notado que muitas estátuas estão expostas nos museus sem os respectivos narizes . Até mesmo a Grande Esfinge do Egito não tem o seu nariz. A questão é: para onde foram eles? A especulação usual seria a de que alguém tivesse cortado o nariz. No entanto, isso não é necessariamente o que deve ter acontecido, e só às vezes sim.
É verdade que algumas esculturas antigas foram deliberadamente desfiguradas por pessoas em vários momentos e por diferentes razões. Por exemplo, há uma cabeça de mármore grego do século I d.C., a deusa Afrodite (imagem ao lado, Quora), que foi descoberta na Ágora ateniense. Você pode dizer que essa cabeça de mármore em particular foi, em algum momento, propositalmente destruída pelos cristãos porque eles esculpiram uma cruz na testa da deusa.
Esta cabeça de mármore, no entanto, é um caso excepcional que não é representativo da maioria das esculturas antigas em que estão faltando os narizes. Para a maioria delas, a razão para havê-los perdido não tem nada a ver com as pessoas. Em vez disso, a razão para a ausência do nariz simplesmente tem a ver com o desgaste natural que a escultura sofreu ao longo do tempo.
O fato é que as esculturas antigas têm milhares de anos e todas passaram por um considerável desgaste natural ao longo do tempo. As estátuas que vemos hoje nos museus quase sempre foram danificadas pela prolongada exposição a elementos naturais. Assim, as partes das esculturas que se destacam, como narizes, braços, cabeças e outros apêndices, são quase sempre as mais propensas a se desprenderem. Outras partes que estão mais seguramente ligadas, como pernas e torsos, são geralmente as que permanecem intactas.

Where did the statues noses go?, Neatorama

Fazendo cera
O escritor e acadêmico José Maria Pemán escreveu no Livro de Honra do Museu de Cera de Madri o seguinte:
👃"Cuando se le rompían las narices a una estatua griega se la reponían en cera. De ahí viene la palabra sin cera para nombrar la verdad."

Cânone musical

Chama-se cânone (em música) a forma polifônica em que as vozes imitam a linha melódica cantada por uma primeira voz, entrando cada voz, uma após a outra, uma retomando o que a outra acabou de dizer, enquanto a primeira continua o seu caminho: é uma espécie de corrida onde a segunda jamais alcança a primeira.

Exemplos
1- O Cânone de Pachelbel in D, arranjo para piano. No ficheiro do Wikimedia Commons.
2 - Agora o célebre "Canon in D", de Pachelbel, interpretado por Voices of Music, acompanhado de partituras gráficas e simbólicas. No vídeo abaixo.



3 - "Crab Canon", uma sequência musical de J.S. Bach que funciona para frente, para trás e de modo combinado, prosseguindo com a partitura sendo transformada numa fita de Möbius. Um palíndromo musical de Bach, neste blog.

Pergunta aos musicólogos
Estariam enquadrados no estilo cânone o "Samba em Pelúdio", de Baden e Vinicius, e o "Sem Fantasia", de Chico Buarque?
. . .

27 junho, 2020

Recordes de raios

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou, nesta sexta-feira (26), o registro de dois recordes de raios: o mais extenso em distância percorrida, e o mais longo em segundos. São os "megaflashes".
  • O recorde de raio mais extenso é do Brasil: Ele percorreu 709 km em uma linha horizontal, cortando o Sul do Brasil, em 31 de outubro de 2018.
  • O recorde de raio com duração mais longa é da Argentina: Ele durou 16,73 segundos a partir de um flash que começou no norte da Argentina, em 4 de março de 2019.
Fonte: OMM

"Todos os caminhos levam a Roma"

I
A origem da expressão remonta ao século 1, quando o Império Romano era o umbigo do mundo, indo da Bretanha (atual Inglaterra) à Pérsia (atual Irã), e chegou a ter 80 mil quilômetros de estradas. Elas não eram como as que existem hoje e constituíam mais um meio de comunicação do que de transporte, por onde mensageiros levavam ordens de um lado a outro do Império.
Tabula Peutingeriana, o mapa viário do Império Romano. (Fonte: Wikicommons)
II
Avançadas para a época, essas vias, traçadas sempre em linha reta, eram feitas de pedras cortadas e polidas e cimento, mas não resistiram às invasões bárbaras a partir do século 3. Tempos depois da queda definitiva do Império Romano do Ocidente, em 476, as pedras foram utilizadas para erguer os castelos medievais.
Via Appia, na Itália, a principal ruína das estradas romanas. (Fonte: Wikicommons)
III
Roman Roads, as estradas do Império Romano visualizadas no estilo dos mapas de metrô. (Fonte: Sasha Trubetskoy)

26 junho, 2020

A moeda que veio do céu

Melhor dizendo: a moeda com algo que veio do céu.
O condrito extraterrestre que foi colocado no centro desta moeda foi obtido de um meteorito que caiu em Marrocos, em 2005. A rocha espacial se partiu em múltiplos pedaços quando entrou na atmosfera da Terra.
A moeda em si foi cunhada em uma forma côncava para representar a cratera de um metorito.


Condritos. São os meteoritos mais comuns. Estão presentes em cerca de 86% das quedas testemunhadas de meteoritos.

O navio de Teseu

A vida de Kepler é um testemunho de como a ciência faz pela realidade o experimento mental de Plutarco conhecido como "o navio de Teseu" faz para o eu.
Na alegoria grega antiga, Teseu - o rei fundador de Atenas - navegou triunfantemente de volta à grande cidade depois de matar o mítico Minotauro em Creta. Por mil anos, seu navio foi mantido no porto de Atenas como um troféu vivo e foi navegado anualmente para Creta para reencenar a viagem vitoriosa. Quando o tempo começou a corroer a embarcação, seus componentes foram substituídos um por um - novas pranchas, remos, velas - até que nenhuma peça original permanecesse. Plutarco pergunta então que era o mesmo navio? Não existe um eu estático e sólido. Ao longo da vida, nossos hábitos, crenças e ideias evoluem além do reconhecimento. Nossos ambientes físicos e sociais mudam. Quase todas as nossas células são substituídas. No entanto, permanecemos, para nós mesmos, "quem" "nós" "somos".
Assim, com a ciência: pouco a pouco, as descobertas reconfiguram nossa compreensão da realidade. Essa realidade nos é revelada apenas em fragmentos. Quanto mais fragmentos percebemos e analisamos, mais realista é o mosaico que fazemos deles. Mas ainda é um mosaico, uma representação - imperfeita e incompleta, por mais bela que seja, e sujeita a uma transfiguração interminável. Três séculos depois de Kepler, Lord Kelvin subiu ao pódio na Associação Britânica de Ciências, em 1900, e declarou: "Não há nada novo a ser descoberto na física agora. Tudo o que resta é uma medição cada vez mais precisa". No mesmo momento, em Zurique, o jovem Albert Einstein está incubando as idéias que convergiriam para sua concepção revolucionária de espaço-tempo, transfigurando irreversivelmente nossa compreensão elementar da realidade.

Extraído do ensaio How Kepler Invented Science Fiction and Defended His Mother in a Witchcraft Trial While Revolutionizing Our Understanding of the Universe, de Maria Popova. Brain Pickings

Relacionado: Mudança e identidade

25 junho, 2020

Superação




Ontem, o diabo sussurrou em meu ouvido:

"Você não é forte o suficiente para resistir a esta tempestade."

Eu gritei pra ele:

"Dois metros para trás, seu FDP."

Babirusa

É um porco selvagem (do gênero Babirousa, com várias espécies) encontrado em algumas ilhas da Indonésia. A notável aparência "pré-histórica" desses suínos se deve, em grande parte, às proeminentes presas dos machos.
Os dentes caninos do Babirusa macho crescem sem parar. Os da mandíbula, que é a parte inferior da boca, crescem como as presas dos demais porcos selvagens, enquanto os caninos superiores emergem pelo focinho e crescem a um tamanho inusitado. Em casos, chegam a perfurar o crânio causando a morte do animal!


A natureza não é cruel nem gentil: é indiferente.

24 junho, 2020

Doçura

Muita gente gosta de Nutella. Mas não é por gostar do produto da Ferrero que se deve nomear uma criança de Nutella.
Um casal de franceses havia escolhido esse nome para uma filha. Na esperança de que ela se tornasse uma doçura de criança - como o creme de avelã com cacau de referência. As autoridades franceses, no entanto, não aceitaram registrá-la como Nutella. E um juiz prolatou que o nome era contrário aos interesses da criança, tendo em vista que ela seria alvo de zombarias por toda a vida.

Ficou decidido que os pais mudariam o nome da criança para Ella.

http://www.rd.com/culture/banned-baby-names

A matemática é fundamentalmente criativa

Hilbert, um dos matemáticos mais famosos do século passado, comentou certa vez sobre um de seus ex-alunos que o jovem não havia sido criativo o suficiente para ser um matemático, mas agora que se tornara poeta, ele estava bem. Por mais que essa observação possa ter sido irônica, ela tem um núcleo de verdade. Como a matemática é restrita apenas pelas leis da lógica, existem conexões muito surpreendentes e profundas que podemos encontrar, se formos criativos o suficiente para vê-la. Goste ou não, todos nós temos modelos mentais internos sobre o uso de vários campos da matemática e sobre o que eles são. Ver que um campo da matemática tem algo a dizer sobre outro campo não é um exercício trivial. Considere a percepção de Descartes de que havia uma conexão entre equações e geometria, levando ao plano cartesiano que agora tomamos como garantido. Considere a descoberta, que pode ser rastreada até Galois, de que existe uma conexão entre álgebra linear (que se preocupa com sistemas de equações, matrizes etc.), soluções para equações polinomiais (por que existe um quadrático, cúbico e fórmula quártico, mas nenhuma fórmula quíntica?), e a construtibilidade de certos objetos na geometria (por que você não pode separar um ângulo com uma régua e um transferidor?). Não foram esses atos criativos?

Extraído de: What are some things that mathematicians know, but most people don't?, Quora
Senia Sheydvasser, PhD in Mathematics. Traduzido por: Afrânio Silva, Bacharelado Matemática Aplicada e Computacional, IME-USP (2022)

O hotel infinito de Hilbert
Um grande hotel com um número infinito de quartos e um número infinito de hóspedes nesses quartos. Essa foi a idéia do matemático alemão David Hilbert, amigo de Albert Einstein e inimigo das camareiras do mundo todo.
Para desafiar nossas idéias sobre o infinito, ele perguntou o que acontece se alguém novo aparecer procurando um lugar para ficar. A resposta de Hilbert é fazer com que cada hóspede se desloque por um quarto. O hóspede no quarto um passa para o quarto dois e assim por diante. Portanto, o novo hóspede teria um espaço no quarto um e o livro de visitas teria um número infinito de reclamações.
Mas e quando o infini-tours que contém um número infinito de novos hóspedes chega? Certamente ele não pode acomodar todos eles. Hilbert libera um número infinito de quartos pedindo aos hóspedes que se mudem para o número do quarto que é o dobro do número atual, deixando os infinitos números ímpares livres. Fácil para o hóspede no quarto 1, não tão fácil para o homem do quarto 8.600.597.
O paradoxo de Hilbert fascinou matemáticos, físicos e filósofos - até teólogos - e todos concordaram que você deve descer cedo para o café da manhã.
http://www.britannica.com/video/186420/paradox-David-Hilbert-hotel VÍDEO

Arquivo
http://blogdopg.blogspot.com/2016/11/premios-problemas-do-milenio.html
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23 junho, 2020

O Conto da Aia

Em uma sociedade patriarcal, machista, como ainda são as nossas, ainda mais quando se organiza em uma ditadura religiosa ou em uma tirania filosófica, como defendia Platão, onde será que as mulheres iriam parar?
Margaret Atwood responde com muita sabedoria: Na República de Gilead, claro.
Em "O Conto da Aia", Margaret Atwood descreve uma ditadura religiosa, uma teocracia, chamada República de Gilead, onde foram adotados quase todos os princípios defendidos por Sócrates e descritos por Platão no seu livro "A República". Princípios que, em maior ou menor escala, já foram adotados em nossa filosofia ocidental judaico-cristã e que continuam a fazer enorme sucesso entre aqueles que teimam em defender repressão como única forma de controle e crescimento do ser ser humano.
Na República de Gilead, como na de Platão, estão presentes:
- as mulheres são seres inferiores e suas únicas "utilidades", são cuidar da casa, da cozinha e procriar;
- Platão/Sócrates defendiam o infanticídio como forma de depurar a raça. Em Gilead eram as mulheres estéreis e rebeldes que iam parar em colônias penais, onde morriam. Ou, então, em eventos chamados de "Salvamentos" onde eram executadas em praça pública;
- na República de Gilead, uma teocracia, o absolutismo era a forma de governo;
- a sociedade estava estratificada em castas: os Comandantes, as Esposas, as Martas, os Olhos, os Guardiães, as Tias e as Aias;
- foi imposta severa censura sobre as artes e artistas: poetas, músicos, atores, compositores, etc;
Margaret Atwood descreve para que serviam uma das Aias: "...fazia parte da primeira leva de mulheres recrutadas para propósitos reprodutivos e fora destinada àqueles que não só requeriam esses serviços bem como podiam reivindicá-los por meio de sua posição na elite. O regime criou uma reserva imediata dessas mulheres ao declarar adúlteros todos os segundos casamentos e ligações extraconjugais, prendendo as parceiras do sexo feminino, e, com fundamento de que elas moralmente inaptas, confiscando os filhos e filhas que já tivessem, que foram adotados por casais sem filhos dos escalões superiores que era ávidos por progênie, quaisquer que fossem os meios empregados."
Nesta descrição parece ecoar todas as palavras de Sócrates, transcritas por Platão em "A República":
"Sócrates — De acordo com os nossos princípios, é necessário tornar as relações muito frequentes entre os homens e as mulheres de elite, e, ao contrário, bastante raras entre os indivíduos inferiores de um e outro sexo; além do mais, é necessário educar os filhos dos primeiros, e não os dos segundos, se quisermos que o rebanho atinja a mais elevada perfeição: e todas estas medidas deverão manter-se secretas, salvo para os magistrados, a fim de que, tanto quanto possível, a discórdia não se insinue entre os guerreiros."
"Sócrates — Assim, se um cidadão, mais velho ou mais novo, se imiscuir na obra comum de procriação, nós o declararemos culpado de impiedade e injustiça, pois fornece ao Estado um filho cujo nascimento secreto não foi colocado sob a proteção das preces e sacrifícios que as sacerdotisas, os sacerdotes e toda a cidade oferecerão para cada casamento, a fim de que de homens bons nasçam filhos melhores, e de homens úteis, filhos ainda mais úteis; um tal nascimento, ao contrário, será considerado fruto das trevas e da libertinagem."
A única diferença era que em "A República", de Platão, Sócrates defendia: "Todas as mulheres dos nossos guerreiros pertencerão a todos: nenhuma delas habitará em particular com nenhum deles. Da mesma maneira, os filhos serão comuns e os pais não conhecerão os seus filhos nem estes os seus pais."
A sociedade ocidental que se crê religiosa, culta e civilizada ainda tem muita recaída para o lado da simples repressão como forma de catalizar o medo que está sempre latente no seio de todas as comunidade humanas. Esta a parte mais horripilante do universo descrito em "O Conto da Aia", porque é um universo que está bem perto de todos nós. Ou, no mínimo, como um universo potencial onde os religiosos têm sede de assumir o poder em qualquer país do mundo e transformá-lo em uma tirania.

Fernando Gurgel Filho

Problemas de nomeação

Ou serão problemas de numeração?

22 junho, 2020

Laço humano

Tenho certeza de que você poderia fazer isto se quisesse. Eu simplesmente não quero.

(http://bitsandpieces.us/2019/02/just-showing-off/)

Há uma contorcionista neste conto.

Posta a gelar, Zlata - a que não se dilata, acha que a geladeira fica mais espaçosa.

A divisão aqui é Norte-Sul ou Leste-Oeste?

O mar profundo

Abaixo do primeiro quilômetro de água, a luz do sol nunca chega. É um lugar pouco povoado e com seres bioluminescentes. Nele, há peixes que vivem 200 anos, crustáceos e outros peixes como o tamboril, alguns dos quais possuem uma espécie de chifre luminescente para atrair suas presas.
Nós, humanos, mergulhamos apenas a 332 metros de profundidade (recorde de Ahmed Gabr em 2014).
Abaixo de 1.500 metros, você pode encontrar caranguejos e outros bichos curiosos, que vivem em túneis hidrotermais que se formam no leito do mar. Os narvais atingem 1.800 metros e vários tipos de tubarões 2.000, 3.000 e até 3.500. A famosa lula gigante "estilo 20.000 léguas submarinas" (bem, não tão grande, mas com 10 metros de comprimento) vive a 2.200 metros sem problemas. E a 3.000 metros chega ao último dos mamíferos: o zífio ou baleia-bicuda-de-Cuvier.
Além disso, em 4.600, você encontra o Megachasma pelagios, que é um tubarão parecido com o megalodonte descoberto em 1976, além de peixes e estrelas do mar "chatos". A 6.000 metros, há a área de Hadal, da qual se diz que "menos pessoas chegaram lá do que à Lua". Mas mesmo a 7.000 e 8.000 metros de profundidade, existem seres vivos como alguns tipos raros de água-viva,
A mais de 9.500 metros, começou a descida na Fossa das Marianas pelo batiscafo Trieste, que mesmo a 10.300 metros encontrou alguns seres vivos, pouco antes de atingir o ponto mais profundo já alcançado: 10.923 metros . Isso aconteceu em 1960, mais de 60 anos atrás. Essa profundidade esteve prestes a ser superada pelo veículo de mergulho profundo Deepsea Challenger, dirigido por James Cameron, que chegou a alguns metros de distância, embora a descida fosse mais rápida e a permanência na profundidade maior (3 horas).

Extraído de: http://www.microsiervos.com/archivo/ciencia/mar-profundo-scroll-infografia-casi-infinita-profundidades-abisales.html

21 junho, 2020

O lugar mais elétrico da Terra

Você certamente já ouviu o ditado "um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar". Mas, o lago Maracaibo, na Venezuela, é a prova de que isso não é verdade. Em uma noite tranquila, o lago pode ser palco de milhares de relâmpagos.
O fenômeno é conhecido por vários nomes, entre eles, Farol de Maracaibo, Relâmpago do Catatumbo e, mais sugestivamente, Tempestade Eterna. Talvez este último nome seja um exagero, mas é fato que há uma média de 260 dias de tempestade por ano no local em que o rio Catatumbo encontra o Lago Maracaibo.
Ali, o céu noturno é iluminado por nove horas com milhares de clarões de eletricidade produzidos naturalmente.
O número de tempestades diminui nos meses de janeiro e fevereiro, mais secos, e atinge seu ponto mais espetacular no ápice da estação chuvosa, em outubro. Nessa época do ano, é possível avistar, em média, 28 relâmpagos por minuto.


Os relâmpagos têm desempenhado um papel significativo na história da Venezuela, pois ajudaram a impedir, pelo menos, duas invasões noturnas ao país.
A primeira tentativa foi em 1595, quando os navios comandados por Sir Francis Drake, da Inglaterra, foram iluminados pela tempestade, revelando seu ataque surpresa aos espanhóis, em Maracaibo. A outra foi durante a Guerra da Independência da Venezuela, em 1823, quando eles denunciaram a frota espanhola tentando surpreender os venezuelanos.

A voz do dono e o dono da voz

No livro "Histórias de canções: Chico Buarque", Wagner Homem registra que a canção "A voz do dono e o dono da voz", de Chico Buarque (o dono da voz), foi uma "resposta irada e irônica" a uma discussão entre Chico e sua gravadora de então - 1981 (Poligram, a voz do dono). Outra informação importante oferecida por Wagner Homem é a de que "a expressão "o dono da voz" apareceu pela primeira vez nessa canção e rapidamente foi incorporada ao vocabulário da língua portuguesa. Era uma brincadeira de Chico com o lema "The master's voice" (A voz do dono), da gravadora RCA Victor, que exibia um cachorrinho observando atentamente um gramofone".
365 Canções

O símbolo da Victrola (o aparelho da Talking Machine Company que deu origem ao nome vitrola) o cãozinho Victor. Um fox terrier, cujo nome real era Nipper, que foi desenhado pelo pintor Francis Barraud. Na cena famosa, o cãozinho aparece olhando para o gramofone porque dali vinha a voz de seu falecido dono (um irmão do pintor), o qual tinha deixado algumas gravações com a sua voz. Ao ouvi-lo, o animal prestava atenção. E, por isso, o slogan de Victrola era "His Master´s Voice".
Slideshow O cãozinho Victor

Ao fechar a canção com o refrão "o que é bom para o dono é bom para a voz (vós)" - canto paralelo (paródia, paráfrase) de "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil", a inoxidável frase dita por Juracy Magalhães, ministro das Relações Exteriores do governo militar brasileiro - Chico, segundo o blogueiro Leonardo Davino, do "365 Canções", ironicamente amarra a discussão lançando, mais uma vez, o problema para o ouvinte.


Faixa do álbum "Almanaque" (1981), pela gravadora "Ariola"