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30 janeiro, 2026

Azul e Cinzas

Nelson José Cunha
Tenho o costume de puxar conversa com quem se senta a meu lado no avião. Os filmes não me interessam; a comida, muito menos  nem boa, nem farta. Nem sempre sou bem-sucedido.
Naquela vez, tive sorte. O passageiro era um piloto em férias. Milhares de horas de voo e histórias. Contou-me esta.
O pedido veio em tom de súplica, quando a fila de embarque ainda serpenteava pelo saguão. Uma mulher de olhos aflitos destacou-se do grupo e aproximou-se de Greta, comissária alemã da KLM, com duas décadas de profissão nos ombros.
 Por favor  disse a passageira, a voz carregada de emoção. É o sonho dela.
Uma vida inteira sonhando em viajar na primeira classe. A senhora poderia fazer essa gentileza para a minha adorável mãe?
Greta sentiu o conhecido nó de impotência. O regulamento era inflexível: não havia upgrade gratuito. Mas aquele olhar não pedia um favor; pedia um milagre.
 Não posso mudar a classe  respondeu, suavizando a negativa com um sorriso profissional.  Mas diga-me o assento dela. Prometo que será tratada como uma passageira da primeira classe.
A gratidão inundou o rosto da mulher.
 34B, corredor. Obrigada. Muito obrigada.
Horas depois, com o Airbus estabilizado sobre os céus da America, Greta preparou seu pequeno ato de rebeldia contra as regras inflexíveis da companhia. No carrinho, dispôs uma taça de espumante italiano, um pequeno pote de caviar com torradas, uma rosa vermelha e um cobertor branco de cashmere. Era tudo o que a burocracia lhe permitia.
Caminhou até o assento 34B. A passageira estava sentada sozinha, com a mão pousada sobre uma mochila no colo.
 Onde está sua mãe, senhora?  perguntou Greta, estranhando o assento vazio ao lado.
A mulher sorriu. Um sorriso doce e melancólico. Sem pressa, abriu a mochila e retirou um elegante vaso de cerâmica azul.
 Aqui  disse, com serenidade.  São suas cinzas. Estou levando-a ao Rio Hudson em Nova York, seu lugar favorito no mundo. O sonho dela era vê-lo uma última vez… de primeira classe.
Greta não hesitou. A vida inteira em grandes altitudes lhe ensinara que o extraordinário mora nos detalhes. Tomou o vaso com o cuidado de quem segura um recém-nascido.
 Com sua permissão  disse apenas.
Caminhou até a primeira classe, silenciosa e quase vazia àquela hora. Escolheu o melhor assento: 1A, junto à janela. Acomodou o vaso, ajustou o cinto de segurança ao redor da cerâmica, cobriu-o com o cobertor de cashmere e dispôs a taça e o caviar na bandeja. A rosa ficou ao lado, junto à janela, onde o entardecer começava a dourar as nuvens.
Pela primeira vez em trinta anos, Greta violava uma regra fundamental. Mas, diante daquele assento ocupado por uma última viagem, teve a certeza de estar obedecendo a uma lei mais antiga: a de honrar um desejo, por mais impossível que pareça.
E quando a luz do pôr do sol incendiou a cabine, pareceu-lhe que, para a passageira do assento 1A, a vista era, de fato, simplesmente espetacular. O Rio Hudson, lá embaixo, em todo seu esplendor.

31 dezembro, 2024

Por que a tradicional queda da bola em Nova Iorque na véspera de Ano Novo?

Tudo começou com uma festa realizada pelo dono do jornal The New York Times, quando "em dezembro de 1904, este jornal comemorou a mudança para seu novo prédio na Times Square com uma festa de Ano Novo que, depois disso, cresceu ano a ano". (Huler, The New York Times)
Em 1907, uma proibição de fogos de artifício levou o jornal a encontrar um novo modelo de celebração para a tradição continuar. E, com as exceções dos dimouts (apagões) da Segunda Guerra Mundial em 1942 e 1943, o Baile de Ano Novo não faltou um ano desde sua estreia.
Embora a queda da bola na véspera de Ano Novo na Times Square não seja uma autêntica "bola do tempo" no sentido histórico (artigo em elaboração). 
Bolas de tempo verdadeiras marcam o tempo quando começam a se mover, e não quando param. A bola da Times Square marca o tempo com o fim de seu movimento — inexata, porém que é mais divertida para uma contagem regressiva, lá isso é.

Ao vivo: New York City Live Times Square New Years Eve Countdown 2025
 

12 dezembro, 2024

Sem resposta

Horace Greeley tinha uma caligrafia horrível. De acordo com o Handy-Book of Literary Curiosities (1892), de William Shepard Walsh, certa vez Greeley enviou de Nova Iorque a seguinte carta à Iowa Press Association:
"Esperei (até o limite de uma espera em que eu pareceria descortês), apenas para concluir que não posso comparecer a esta reunião de imprensa em junho próximo, como eu gostaria. Estou pressionado por tantos cuidados e deveres que, com o peso dos anos, sinto-me obrigado a recusar qualquer convite que me afaste um dia de viagem de casa."
Depois de algum estudo, os "iowanos" decifraram assim:
"Eu sempre me perguntei se algum esguicho havia negado o escândalo sobre o encontro do presidente com Jane na floresta, no sábado. Tenho canjica, cenoura e laços RR mais do que poderia movimentar com oito novilhos. Se as enguias estiverem estragadas, cave-as cedo. Qualquer insinuação de que os fornos de tijolos são perigosos para os presuntos me causa horrores."
A resposta deles não se tornou conhecida

12 outubro, 2024

A mais antiga corrida de escadas

Na última quinta-feira (10), o Empire State Building (ESB) sediou sua 46ª Corrida Vertical (Run-Up). Em várias baterias designadas, mais de 650 corredores de todo o mundo subiram os 1.576 degraus do edifício para alcançar a linha de chegada no icônico 86º andar do Observatório.
Ryoji Watanabe, do Japão, ficou em primeiro lugar na Elite Masculina com o tempo de 10:34, logo à frente de Wai Ching Soh, da Malásia, em segundo lugar, e Fabio Ruga, da Itália, em terceiro.
Monica Carl, da Alemanha, ficou em primeiro lugar na bateria da Elite Feminina com o tempo de 13:30, à frente de Yuko Tateishi, do Japão, em segundo, e Verena Schmitz, da Alemanha, em terceiro.
Mais informações sobre a Corrida Vertical do ESB podem ser encontradas aqui.

07 outubro, 2024

Falcões Noturnos

Sobre este quadro, Nighthawks (Falcões Noturnos), Edward Hopper lembrou que "inconscientemente, provavelmente, eu estava pintando a solidão de uma cidade grande".
Em um restaurante aberto a noite toda, três clientes sentam-se no balcão em frente a um garçom, cada um parecendo perdido em pensamentos e desligado um do outro. A composição é bem organizada e parca em detalhes: não há entrada no estabelecimento, nem escombros nas ruas. Através de formas geométricas harmoniosas e do brilho da iluminação elétrica da lanchonete, Hopper criou uma cena serena, bela, mas enigmática. Embora inspirada em um restaurante que Hopper viu na Greenwich Avenue, em Nova Iorque, a pintura não é uma transcrição realista de um lugar real.


Infelizmente, não consigo encontrar uma fonte viável sobre a autenticidade da citação. Ainda assim, eu rio ao lembrar deste pequeno boato, que colhi ao pesquisar Edward Hopper durante uma pesquisa noturna na Internet:
7 de junho de 1942. Edward Hopper completa uma de suas pinturas mais conhecidas, a seminal Nighthawks. Quando questionado por um repórter do Chicago Tribute sobre o significado filosófico por trás do restaurante não ter saídas claramente visíveis, Hopper respondeu: "Merda. Porra. Eu fiz de novo. Droga. Porra. De novo não. Eu fiz de novo. Merda". E bateu o chapéu na perna. (TheGayestAgenda, Reddit)

14 julho, 2024

Breaking

O breaking (break dance ) foi incluído como modalidade de disputa para as Olimpíadas de Paris de 2024.
Muitos podem ter se surpreendido com a decisão. Mas, para o escritor, produtor, artista, empresário e autodenominado pioneiro do hip hop Michael Holman, foi a realização de uma visão que ele teve 40 anos atrás.
O site dos Jogos Olímpicos descreve o breaking como estilo de dança hip hop caracterizado por "movimentos acrobáticos e passos estilizados".
Mas é um formato muito diferente da patinação no gelo e da ginástica. Os atletas não aguardam sua vez de se apresentar individualmente e impressionar os jurados. Os dançarinos do breaking irão para as pistas de Paris em pares, disputando ombro a ombro e superando os movimentos uns dos outros para levar uma medalha para casa.

Imagens do New York City Breakers dos anos 80

"Os [New York City] Breakers eram como giroscópios", segundo Holman. "Eles começavam a dar os passos, desciam até o chão e usavam algum tipo de propulsão interna, misturada com a fricção do solo, para impulsionar-se simultaneamente ou espalhar-se de uma certa forma. Eles criavam uma energia interna."

02 junho, 2024

O estranho caso do Dr. Robert

Em suas visitas aos EUA, os Beatles ouviram falar de um médico chique de Nova Iorque que dava injeções misteriosas "de vitaminas". Paul conta: "Nós ouvíamos pessoas dizendo 'você pode conseguir qualquer coisa com ele, o remédio que quiser'. Era uma grande pilantragem. A música (vídeo "Dr. Robert") era uma brincadeira em torno desse sujeito que curava todo mundo com remédios e tranquilizantes. Ele simplesmente mantinha Nova Iorque chapada".


Well, well, well, you're feeling fine
Well, well, well, he'll make you
Doctor Robert.

O "Doctor Robert" era, possivelmente, o doutor Robert Freymann, um médico de 60 anos nascido na Alemanha com um consultório na Esat 78th Street. (O doutor Charles Roberts citado em alguns livros sobre os Beatles não existia. Era um pseudônimo usado pelo biógrafo Jean Stein para ocultar a identidade de outro "médico de anfetamina"). Conhecido como doutor Robert ou o "Great White Father" (tinha uma mecha de cabelo branco), Freymann era bem relacionado com a vibrante cena de arte da cidade. Ele tinha ajudado, entre outros, Thelhonius Monk e Charlie Parker (cuja certidão de óbito fora assinada por ele em 1955) e tinha a reputação de ser generoso com anfetaminas. "Tenho uma clientela impressionante, de todas as esferas", ele se gabava. "Provavelmente posso dar a você em dez minutos cem nomes de clientes famosos". John, que escreveu "Dr. Robert", estava entre esses nomes famosos, de acordo com a filha de Freymann.
Inicialmente prescritas como antidepressivos, as anfetaminas logo se tornaram uma droga recreativa para os nova-iorquinos modernos. Um antigo paciente do Dr. Freymann, citado no New York Times em 1973, declarou: "Se você quiser ter uma noitada, é só passar no Max (Dr. Max Jacobson), depois no Freymann e depois no Bishop (Dr. John Bishop). Era como ir de bar em bar". O diretor de cinema Joe Shumacher, que fazia uso de anfetaminas nos anos 60, concorda: "E nós achávamos que eram "injeções de vitamina".
Ministrar anfetaminas não era ilegal na época, mas havia normas oficiais contra a prescrição de "quantidades excessivas". O Dr. Robert perdeu sua licença por seis meses em 1968 e, em 1975, foi expulso da Medical Society do Estado de Nova Iorque por imperícia. Quando New York Times pediu em março de 1973, que ele defendesse seus atos, a resposta foi: "Os viciados mataram uma droga boa". Ele morreu em 1987.

Fonte: O estranho caso do Dr. Robert, Blog "O Baú do Edu"

12 junho, 2023

O touro de Wall Street

Conhecido em inglês como "Charging Bull" ("Touro em investida", em tradução livre), é uma escultura de bronze que fica em Bowling Green, no distrito financeiro de Manhattan, na cidade de Nova Iorque.
A obra pesa 3,5 toneladas e mede 3,4 metros de altura por 4,9 metros de comprimento. Ela representa um touro em posição de ataque, como a simbolizar um mercado financeiro pujante (bull market).
Arturo di Modica idealizou essa estátua, após o crash da bolsa de valores de Nova Iorque de 1987, a "segunda-feira negra", como um presente para a cidade, um "símbolo da força e poder do povo americano". O artista gastou suas economias, 360 mil dólares, na obra, que foi instalada em 15 de dezembro de 1989 na Broad Street, em frente ao prédio da Bolsa de Valores. 
A escultura foi apreendida pela polícia de Nova Iorque e levada a um pátio de veículos. O protesto público que se seguiu levou o Departamento de Parques e Recreação da cidade a reinstalá-la dois quarteirões ao sul da Bolsa, em Bowling Green, com uma cerimônia em 21 de dezembro de 1989.
O touro de Wall Street tem sido muitas vezes alvo de críticas a partir de uma perspectiva anticapitalista. Os protestos do Occupy Wall Street usaram o touro como uma figura simbólica, em torno da qual direcionaram suas críticas à ganância corporativa.
A estátua já foi também comparada ao bezerro de ouro, que foi adorado pelos israelitas em seu Êxodo do Egito. Durante o Occupy, em várias ocasiões, um grupo interreligioso de líderes religiosos liderou uma procissão com um "bezerro de ouro" que foi modelado com base no touro.
Em 7 de março de 2017, véspera do Dia Internacional da Mulher, a estátua de uma menina em pose de desafio foi instalada em frente ao touro, como forma de chamar atenção para a desigualdade de gênero no mercado financeiro. A nova escultura ficou conhecida como "Fearless Girl" (Menina sem medo).

23 maio, 2023

O xadrez humano de Nova Iorque

Em 2003, Sharilyn Neidhardt organizou um jogo de xadrez na vida real em Nova Iorque,
Na galeria ABC No Rio, dois enxadristas enfrentaram-se diante de um tabuleiro comum de xadrez, enquanto seus movimentos eram reproduzidos em um "tabuleiro" representado por 64 quadras de Lower East Side da cidade.
Cada vez que um deles movia uma peça, uma pessoa em Lower East Side recebia uma mensagem de texto ("vá para f7", por exemplo) e tinha que se mover para a quadra correspondente, a pé, de bicicleta ou skate. Se ela fosse capturado se tornava uma pessoa comum de novo.
Os jogadores representando as peças foram recrutados on-line. Cada um tinha que ter um telefone celular funcionando e estar disposto a gastar cerca de três horas a aguardar ordens.
Neidhardt fez três advertências aos recém-chegados: os peões centrais podem esperar ser capturados logo, os bispos e os cavaleiros irão cobrir muitos territórios, e os reis terão um início de jogo discreto e um final muito atarefado.

https://www.futilitycloset.com/2017/07/26/life-size/
https://blogdopg.blogspot.com/2018/09/o-xadrez-humano-de-marostica.html

29 janeiro, 2020

Cofres no céu de Nova Iorque


Manhattan: uma cidade de condomínios de luxo vazios e abrigos lotados de moradores de rua
O mercado imobiliário de luxo de Nova Iorque está em queda livre há anos, e agora os edifícios de luxo da cidade estão vazios - enquanto os preços dos imóveis na cidade permanecem teimosamente altos, levando 300 nova-iorquinos a sair da cidade todos os dias para ocupar os abrigos para desabrigados e mais além.
Nova Iorque - como a maioria das cidades muito caras - não conseguiu construir moradias suficientes de renda baixa e média do tipo que as pessoas costumam morar, e se superou de maneira grosseira com os tipos de cofres no céu usados ​​pelos oligarcas como uma forma de classe de ativos de médio prazo, possivelmente sem nunca ocupá-la.
A luxurificação (de luxúria) das cidades não é um acidente. Quando Michael Bloomberg foi prefeito de Nova York, ele encorajou explicitamente o "bluelining" - designando regiões inteiras como somente de luxo, voltadas para os super-ricos globais - dizendo (em 2003) que queria que a própria cidade de Nova Iorque fosse vista como um bem de luxo.
O problema com esse plano - além de ser uma forma desumana de limpeza étnica que afugenta os trabalhadores de nossas cidades - é que só funciona se houver oligarcas globais suficientes interessando-se por esses condomínios super luxuosos para manter o mercado inflado e líquido (os oligarcas consideram as propriedades de luxo nas grandes cidades quase tão líquidas quanto o dinheiro, porque, por um tempo, você pode devolvê-las com apenas alguns dias de antecedência).
Mas três dos centros mais importantes do capital oligárquico secaram: a China instituiu controles rígidos de moeda e sua economia está desacelerando, e os oligarcas sauditas e russos estão muito menos ativos do que quando os preços do petróleo estavam no auge.
O resultado é uma espiral de morte para propriedades super luxuosas: à medida que os licitantes secam, mais oligarcas decidem que os imóveis não são basicamente uma forma de dinheiro em que você pode passar um fim de semana de vez em quando e colocá-los de volta no mercado. A oferta aumenta, diminuindo os preços, e isso leva mais proprietários ausentes a listar suas propriedades, esperando sair antes das crateras do mercado. Enquanto isso, os promotores imobiliários têm novas unidades entrando no mercado e recorrem a vendas a granel para fundos de investimento, ou simplesmente comprando as próprias unidades em uma ordem aleatória de papel para aumentar os preços.
Na última década, os preços dos imóveis na cidade de Nova Iorque passaram de meramente obscenos a absolutamente macabros. De 2010 a 2019, o preço médio de venda das casas dobrou em muitos bairros do Brooklyn, incluindo Prospect Heights e Williamsburg, segundo o Times. Os compradores de lá poderiam se considerar sortudos: em Cobble Hill, o preço de venda típico triplicou para US $ 2,5 milhões em nove anos.
Isto não é normal. E para as famílias de classe média, particularmente para os imigrantes que dão à cidade de Nova Iorque tanto dinamismo, tornou praticamente impossível viver em Manhattan ou no Brooklyn gentrificado. Não é de admirar, então, que a área da cidade de Nova Iorque esteja perdendo cerca de 300 moradores todos os dias. Isso se soma ao que Michael Greenberg, redator da The New York Review of Books, chamou de uma nova forma vergonhosa de discriminação habitacional - "enganosa".

Extraído de: Manhattan: a city of empty luxury condos and overflowing homeless shelters
Cory Doctorow, Boing Boing. Data da publicação: 18/01/2020
Imagem (modificada): Michael Vadon

05 dezembro, 2019

Hamster morto!

Estes são comentários reais feitos em boletins escolares por professores do sistema escolar público de Nova Iorque no ano de 2007:

1. Desde meu último relatório, seu filho chegou ao fundo do poço e agora começou a cavar.
2. Eu não permitiria que este aluno se reproduzisse.
3. Seu filho estabelece baixos padrões pessoais e, em seguida, falha consistentemente em alcançá-los.
4. Esta criança tem trabalhado muito com cola.
5. Quando o QI de sua filha atingir 50 deve vender.
6. É impossível acreditar que o espermatozoide que gerou essa criança superou um milhão de outros.
7. A roda está girando, mas o hamster está definitivamente morto.


(https://pballew.blogspot.com/2007/12/passing-comment-or-not.html#links)

01 maio, 2019

Dia da Mudança

Você odeia se mudar? Pense nisso: se você morasse em Nova Iorque, em qualquer momento desde a época colonial até a Segunda Guerra Mundial, então você realmente teria algumas queixas do 1.º de maio.
O 1.º de maio, aquele dia tão agradável da primavera, também já foi conhecido como "Moving Day" (Dia da Mudança), porque era o dia em que todos se mudavam. Sim, todos. No mesmo dia.
Como começou essa curiosa tradição?
Segundo a lenda, o "Moving Day" surgiu com os holandeses. Eles iniciaram sua primeira viagem a Manhattan no dia 1.º de maio (para "comprar" Manhattan dos nativos americanos com bugigangas) e, por conta disso, passaram a comemorar todos os anos a data da viagem, mudando-se de suas casas.E, assim, foram criando uma tradição que duraria vários séculos, enquanto Manhattan crescia. E como cresceu.
Antes do aparecimento de uma lei do inquilinato ou coisa parecida, generalizou-se entre os proprietários de imóveis o costume de usar o 1.º de fevereiro para notificar os inquilinos do aumento dos alugueis, dando-lhes três meses para mudar de habitação antes do reajuste, o qual entraria em vigor em... você adivinhou.
Naquele dia, carroças inundavam as ruas, transportando os pertences de cada inquilino de Nova Iorque, de um lado para outro e criando, claro, um gigantesco caos urbano.


Com a chegada do 1.º de maio, os carroceiros, que já desfrutavam de alguma popularidade, passavam a tê-la muito aumentada. Todo mundo chamava o seu de "Mr. Cartman".
Como você pode imaginar, com tanta concorrência por seus serviços, "Mr. Cartman" poderia praticamente definir o seu preço. Finalmente, a cidade começou a regular os preços para desencorajar os abusos. Por volta de 1890, uma lei estabeleceu o preço de US$ 2 por carroça de um cavalo dentro de duas milhas, com o acréscimo de 50 centavos por milha extra
Por estressante que o dia pudesse parecer, o "Moving Day" era também encarado como uma espécie de férias emocionantes; Crianças, muitas vezes, tinham o dia de folga nas escolas. E os solteiros eram a inveja de todos os homens porque suas poucas posses eram facilmente transportadas.

Extraído de: Why May 1st Was "Moving Day" For All of Manhattan, www.apartmenttherapy.com

Poderá também gostar de ver:
É o dia da mudança - Duas mudanças e uma vingança - Uma cidade muda o centro

31 outubro, 2018

Uma versão imaginária de Nova Iorque

Desde 2004, Nick Carr trabalha como observador de locações de filmes em Nova Iorque. Ele anda por toda a cidade em busca de ambientes e lugares para filmar cenas de filmes e programas de televisão. Carr conversou sobre o seu trabalho com Nate Berg, repórter do CityLab.
Carr: Eu diria que trabalhei em mais filmes com a versão imaginária de Nova Iorque do que com a versão real. A grande coisa que sempre me pedem para encontrar são becos úmidos e decadentes, e a cidade tem 5 ruelas assim. Talvez quatro. Você não pode filmar em três delas. Então, o que acontece é que há um beco em Nova Iorque, Cortlandt Alley, que todo mundo filma porque é o último lugar. Eu tento enfatizar de maneira educada a esses cineastas que Nova Iorque não é uma cidade de becos. Boston é uma cidade de becos. Filadélfia tem becos. Não conheço ninguém que use o "atalho do velho beco" para ir para casa. Não existe aqui. Mas esse é o filme que você vê. Sua impressão de Nova Iorque é que é a cidade dos becos, e então cineastas virão aqui, eles viram filmes de Nova Iorque e querem que seus filmes tenham becos. Essa é a versão fictícia autoperpetuadora de Nova Iorque... (trecho da entrevista)



Há tão poucos becos reais na cidade que todos acabam filmando exatamente o mesmo local.

10 março, 2018

Lei anacrônica sufoca vida noturna de NY

por Silas Martí
Nova Iorque, EUA (FolhaPress) - Era noite de Ano-Novo. Debaixo de uma linha de trem de superfície em Nova Iorque, o Bossa Nova Civic Club, um inferninho todo preto que de banquinho e violão não tem nada, tremia ao som de música tecno. Festeiros se esbaldavam até a invasão de uma turma que não estava na lista VIP.
"Eles chegaram desligando a música, acendendo as luzes, mandando todo mundo parar de dançar", diz John Barclay, o dono da boate no Brooklyn, sobre o dia em que, em nome da lei, os policiais acabaram com sua festa.
Desde o episódio, plaquinhas discretas coladas ali informam o impensável numa boate  é proibido dançar. "Fui parar num tribunal por causa disso", lembra o empresário. "Isso é uma vergonha para os nova-iorquinos."
Uma lei que exige de bares e baladas uma licença especial para operar com uma pista de dança existe em Nova Iorque desde a década de 1920, quando vigorava a Lei Seca.
"Era um tempo muito conservador e racista", diz Greg Miller, um dos maiores ativistas a favor da derrubada da medida e fundador do Dance Parade, grupo que defende o direito à dança em Nova Iorque.
"Essa lei surgiu para controlar os negros, para não deixar que chegassem perto das mulheres brancas nos bares de jazz. Diziam que quando as mulheres dançavam, o Diabo se apoderava delas."
Endiabrados ou não, baladeiros nova-iorquinos passaram anos dançando sem nunca saber da regra. Mas ela voltou à baila com a gentrificação que reconfigurou partes da cidade na última década.

Ler MAIS.

Chama-se gentrificação (do inglês gentrification) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local.

Imagem: COURB

13 janeiro, 2018

Diagramas de Voronoi

Do alto de um edifício, Rod Bogart fez esta fotografia à qual acrescentou um diagrama de Voronoi das pessoas que aproveitavam o sol no Bryant Park. (*)

18 de maio de 2017, Twitter


Estes diagramas são a repartição de um plano segundo a distância euclidiana entre os pontos que existem nele. No caso de um diagrama de Voronoi de gente, a repartição maximiza o espaço ao redor de cada pessoa (ou de cada grupo de pessoas). Mais exatamente: os perímetros dos polígonos são equidistantes dos pontos vizinhos e designam suas áreas de influência.
Os diagramas de Voronoi podem ser encontrados em diversos campos da ciência e da tecnologia, até mesmo na arte, tendo inúmeras aplicações práticas e teóricas.
(*) Uma das características deste parque em Nova Iorque é o seu extenso gramado. Além de servir como "refeitório" para os trabalhadores dos escritórios da região e de lugar de descanso para os pedestres cansados, o gramado também serve como área de estar para alguns dos principais eventos do parque. O diagrama de Voronoi é assim denominado em lembrança do matemático ucraniano Georgy Voronoi que descreveu este tipo de decomposição de um espaço.

15/12/2017 - Atualizando ...
Um diagrama de Voronoi em função das estacões do Metrô de Madri, por Microsiervos

01/06/2023 - Atualizando ...
Os territórios do mundo foram redesenhados para que uma região seja determinada pela capital mais próxima. Isso é calculado usando um diagrama de Voronoi esférico, que leva em consideração a curvatura da Terra ao calcular distâncias. Via Microsiervos

14 agosto, 2017

Uma demonstração da segurança do elevador

Em 23 de março de 1857, a Otis Elevator Company completou a primeira instalação comercial de elevadores de passageiros em uma loja de departamentos de cinco andares, a E. V. Haughwout Company (*), na esquina da Broome Street com a Broadway, onde é atualmente o distrito de SoHo, em Nova Iorque. Depois das vendas muito lentas, nos primeiros anos da empresa, a Otis decidiu fazer uma demonstração dramática no New York Crystal Palace, um grande salão de exposições construído para a Feira Mundial de 1853.
Empoleirado numa plataforma móvel bem acima da multidão, no Palácio de Cristal de Nova Iorque, um mecânico pragmático (o próprio Otis, ao que parece) chocou a multidão quando cortou dramaticamente a única corda que suspendia a plataforma em que estava. A plataforma caiu alguns centímetros, mas em seguida parou. Seu novo e revolucionário freio de segurança funcionara, impedindo que a plataforma caísse no chão.
- Tudo bem, cavalheiros! - proclamou o homem.
A demonstração de Otis teve o efeito desejado. Ele vendeu sete elevadores naquele ano, e quinze no ano seguinte.
HT Rick Brutti @ Rbrutti

(*) Este foi um dos vários aspectos em que o Edifício EV Haughwout (na gravura) foi um projeto pioneiro. O prédio teve o primeiro elevador de passageiros bem sucedido do mundo, um elevador hidráulico projetado para o edifício por Elisha Graves Otis. Custou US $ 300, desenvolvia uma velocidade de 0,2 metros por segundo, e era movido por uma máquina a vapor instalado no porão. Embora a estrutura de cinco andares não fosse mais alta do que outros edifícios da época, e não precisasse de um elevador, Haughwout sabia que as pessoas viriam para ver a nova novidade e ficariam para comprar mercadorias.

31 março, 2016

Um selfie dos antigos

É de 1920. Não havia câmeras digitais nem telefones celulares. As pessoas espremidas no segundo plano e os braços dos fotógrafos deste selfie de grupo mostram que a técnica ainda estava longe de seu estado de arte.

Byron Co. - 1920 - Museu da Cidade de NY

O gênero da palavra selfie
De fato, desde que os celulares passaram a tirar fotos e permitir sua postagem imediata nas redes sociais, a prática de tirar selfies virou febre. O que coloca a relevante questão: estamos tirando "um" selfie ou "uma" selfie?
Selfie é palavra inglesa, diminutivo de self, por sua vez redução de self-portrait, "autorretrato". Alguns gramáticos, como Napoleão Mendes de Almeida, defendem que palavras estrangeiras sejam empregadas em português mantendo o gênero que têm na língua de origem. Outros advogam que essas palavras tenham em português o gênero de sua equivalente vernácula. Assim, pelo primeiro critério devemos dizer "a Deutsche Bank" porque Bank é feminino em alemão; pelo segundo critério, é certo dizer "o Deutsche Bank", já que estamos nos referindo a um banco, masculino em português.
Quanto a selfie, seu gênero em inglês é neutro (ou natural, como denominam alguns), já que portrait é neutro. Como não temos em português o gênero neutro, devemos transferi-lo para o masculino, uma vez que as palavras neutras do latim deram, salvo uma ou outra exceção, palavras masculinas em nosso idioma. Nesse caso, selfie será masculino em português.
Se adotarmos o segundo critério, daremos a selfie o mesmo gênero do português "retrato". Mas este também é masculino, logo, qualquer que seja o critério adotado, "selfie" será sempre palavra masculina em nossa língua.

01 novembro, 2015

Almoçando na Estrela da Morte

Trabalhar na Estrela da Morte não era isento de riscos. Aliás, a Estrela da Morte era toda riscos. Um grupo de stormtroopers, que trabalhava na construção da importante obra, fez questão de demonstrar isso. Da seguinte maneira: posando todos para uma fotografia durante um almoço.


Produzida nos estúdios da japonesa General-Driver, uma divulgadora da cultura "friki", a cena é uma paródia da Timelunch atop a Skycrapper (Almoço no topo de um arranha-céu), a clássica foto tirada por Charles C. Ebbets. Em 1932, Ebbets tirou essa foto, que retrata onze homens sentados em uma viga almoçando, a centenas de metros acima das ruas de Nova York. A foto foi tirada do 69º andar do edifício RCA nos últimos meses de sua construção.


http://www.microsiervos.com/archivo/humor/almuerzo-durante-construccion-estrella-muerte.html

17/07/2018 - Atualizando ...
Vídeo Jantar no Céu

30 junho, 2015

Da imaginação para a realidade

Ao editar um mapa do estado de Nova York, na década de 1930, a General Drafting Company queria ter certeza de que os cartógrafos concorrentes não iriam simplesmente copiar seu trabalho. Assim, o dono da empresa, Otto G. Lindberg, e seu assistente, Ernest Alpers, colocaram a cidade fictícia de Agloe numa interseção de duas estradas de terra que constavam do mapa.
Anos depois, eles descobriram Agloe em um mapa de Rand McNally e confrontaram o concorrente. Mas Rand era inocente: ele tinha conseguido o nome com o governo do condado, que o tinha tomado do Agloe General Store, que se instalara no cruzamento. A loja, por sua vez, tinha tomado o nome de um mapa da Esso, a qual (aparentemente) o extraíra do mapa de Lindberg e Alpers.
De alguma forma, Agloe saíra da imaginação para entrar na realidade.
(extraído de Dreamed Up, Futility Closet)

23 julho, 2014

Flash mobs

São aglomerações instantâneas de pessoas em certo lugar para realizar determinada ação inusitada e previamente combinada, com elas se dispersando ao final, tão rapidamente quanto se reuniram.
No Brasil, são chamadas de rolezinhos.
Eis a ficha técnica deste caso:
Promovente - Improv Everywhere
Local – uma loja de departamentos em Manhattan, NY
Ação – invadir a loja, disfarçados de manequins
Dispersão – a cargo da polícia



♪Ode à Alegria♪