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19 fevereiro, 2025

O branqueamento das escolas militares nos Estados Unidos

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América está impondo um regime de censura abrangente em sua rede de 161 escolas primárias e secundárias — eliminando conteúdo que reconheça as contribuições de mulheres, minorias e pessoas LGBTQ+.
As restrições pretendem implementar ordens executivas do presidente Trump, incluindo "Defender as mulheres do extremismo da ideologia de gênero e restaurar a verdade biológica ao governo federal" e "Acabar com a doutrinação radical na educação básica". A repressão ao discurso é considerado importante, não apenas porque afeta 67.000 alunos de famílias militares, mas porque provavelmente reflete uma agenda que o governo Trump tentará impor a todas as escolas públicas.
O memorando cancela "todos os eventos especiais planejados e atividades não instrucionais relacionadas a observâncias de conscientização cultural". Isso significa que as escolas estão proibidas de celebrar o Mês da História Negra, o Mês da História das Mulheres, o Mês do Orgulho, o Mês da Herança Hispânica, o Mês da Herança Indígena Americana e outros eventos.
Como parte do cumprimento da diretriz, algumas escolas estão removendo pôsteres e conteúdo de mídia social que homenageiam mulheres e pessoas de cor. Uma escola militar, de acordo com o congressista Jamie Raskin, "removeu fotos das paredes de Susan B. Anthony e Dr. Martin Luther King Jr.".
Extraído de:
The whitewashing of military schools. In: Popular.Info

05 dezembro, 2019

Hamster morto!

Estes são comentários reais feitos em boletins escolares por professores do sistema escolar público de Nova Iorque no ano de 2007:

1. Desde meu último relatório, seu filho chegou ao fundo do poço e agora começou a cavar.
2. Eu não permitiria que este aluno se reproduzisse.
3. Seu filho estabelece baixos padrões pessoais e, em seguida, falha consistentemente em alcançá-los.
4. Esta criança tem trabalhado muito com cola.
5. Quando o QI de sua filha atingir 50 deve vender.
6. É impossível acreditar que o espermatozoide que gerou essa criança superou um milhão de outros.
7. A roda está girando, mas o hamster está definitivamente morto.


(https://pballew.blogspot.com/2007/12/passing-comment-or-not.html#links)

16 junho, 2017

As escolas literárias no Rio antigo

(Enquète à moderna - Previna-se aos leitores que não será publicada em volume - É só para o gasto - Deu trabalho para escrever - Se não prestar é por minha culpa - Cada um dá o que tem.)
O Rio tem muitas escolas literárias, mas nem todas são conhecidas do público. Ora, e isto é o diabo. O público brasileiro é doido pelas letras, pelas artes: interessa-se de um modo exorbitante por tudo que cheira a livro, excetuando-se, já se vê, os livros do "bê-a-bá". Isso é outra massada: o publico adora a literatura, protege-a, vive para ela, porém não sabe decifrar as letras porque odeia o "bê-a-bá".
Daí começa a dificuldade da minha reportagem, porque ela é feita para a massa. E sabem quem é a massa? É o conjunto absoluto, compacto, integral e unânime de todos os bípedes implumes chamados vulgarmente cidadãos e cientificamente Homo sapiens.
Para uma enquète desta ordem a primeira coisa a fazer é definir o que seja uma escola literária. A melhor definição é a seguinte: escola literária é a reunião de uma ou mais pessoas escrevendo segundo as mesmas regras.
Assim, por exemplo, o nefelibatismo. Esta escola tem, como todas, um chefe, os adeptos, os simpáticos e os apreciadores.
Tem três regras principais:
1ª - Escrever palavras.
2ª - Escrever as ditas palavras com letra maiúscula.
3ª - Não se preocupar com o sentido.
O fundador do nefelibatismo foi São João Evangelista escrevendo o seu Apocalipse. Depois dele surgiram diversos nefelibatas, entre os quais Coelho Lisboa, Floriano de Lemos e Osorio Estrada.
Todas as escolas literárias têm entre si uma relação, ou melhor, um laço de união chamado rivalidade. Por meio deste laço de união é que as diversas escolas se entendem por seus diversos agentes que agem pelos jornais, pelos botequins e, às vezes, nos prólogos das obras que costumam aparecer. Pelos jornais e nos prólogos estes agentes trabalham pela descompostura e nos botequins por diversos meios, entre os quais a mão na cara. [...]

X. Malmequer
Revista Careta, 13 de fevereiro de 1909 - edição 37
(texto transcrito com atualização ortográfica)
http://memoria.bn.br