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27 dezembro, 2024

A ciência poética de como as cigarras cantam

Todo verão, as cigarras chegam aos bilhões com seus estranhos olhos vermelhos, seus misteriosos ciclos periódicos em forma de números primos e seu assustador surgimento noturno, repentino e sincronizado. Durante anos, viveram no subsolo, quais ninfas macias e brancas como leite, alimentadas por bactérias endossimbióticas durante sua longa e indefesa infância. E então, como que por algum sinal divino, quando a temperatura do solo atinge exatamente 17,9 °C (64 °F), um exoesqueleto de obsidiana envolve seus corpos num piscar de olhos para acompanhá-las durante as breves semanas de maturidade enquanto emergem do submundo cantando em busca de um companheiro.
Em consonância com a insistência da astrônoma pioneira Maria Mitchell de que "cada fórmula que expressa uma lei da natureza é um hino de louvor a Deus", agora temos uma fórmula para prever quando este enorme festival de música de saudade começará: E = (19,465 – t )/0,5136, onde E denota a data de início da emergência em maio e t são as temperaturas médias de abril em Celsius.
No início de junho, todos eles surgiram, mais deles do que todos os humanos que já existiram; no final de julho, todos eles morreram.
Enquanto as espécies anuais de cigarras cobrem o globo, as cigarras periódicas — as sete espécies conhecidas do gênero Magicicada, que emergem do solo a cada 13 ou 17 anos em ninhadas definidas pela geografia e periodicidade — são nativas apenas da América do Norte. Os ingleses ficaram surpresos ao encontrá-las quando chegaram.
Apesar de não terem voz – nem cordas vocais, nem pulmões – as cigarras são o coro masculino mais barulhento da Terra, e as suas serenatas de cortejo aproximam-se do nível de decibéis de um motor a jato graças a algumas das acústicas mais extraordinárias da natureza.
O corpo de uma cigarra macho lembra um instrumento de madeira. Em cada lado do abdômen oco há  uma malha de costelas em miniatura tecidas em uma membrana dura, dedilhada sempre que o cantor flexiona seus músculos de vôo sincronizado. Ao contrário dos gafanhotos, que emitem sons esfregando as pernas contra as asas e com os quais foram confundidos por muito tempo - foi apenas na décima edição de seu Systema Naturae que Linnaeus chamou a cigarra de um inseto diferente.
Alguns acham sua música ameaçadora, outros hipnotizantes. Os gregos consideravam-no quase divino. Quando Pitágoras descobriu a matemática da harmonia, uma cigarra sentada numa harpa passou a simbolizar a ciência da música. O maior elogio de Homero aos oradores foi compará-los às cigarras. Anacreonte, celebrado como o melhor poeta lírico de sua civilização, reverenciou-as em versos.
http://www.themarginalian.org/2024/05/05/cicadas/

11 agosto, 2021

O canto gutural de Batzorig

Ele é um mestre do canto gutural Tuvan. Um tipo de canto em que o intérprete tem que sustentar uma nota baixa e cantar uma nota alta ao mesmo tempo. 
Batzorig Vaanchig posta suas performances em seu canal no YouTube. Desta vez, ele canta com a sua filha.
O instrumento que ele toca é o tovshuur, um alaúde da Mongólia Ocidental com duas cordas.


02 janeiro, 2020

Chico Buarque canta mal? Professores de canto respondem

(...) Para não deixar dúvidas, fomos perguntar para professores de canto: afinal, Chico Buarque canta mal?— Não. Musicalidade e personalidade vocal são os principais atributos de um cantor. — defende a fonoaudióloga e preparadora vocal Valéria Leal. — Chico canta mal pra quem gosta de ressonância equilibrada, ampla tessitura no canto, voz potente, melismas, drives, vibrato e groove na voz. O canto popular permite uma gama variável de expressões vocais. Vale nesse quesito a originalidade, o discurso e a empatia que se cria com o público. O resto é apenas gosto pessoal. Também preparadora vocal e fonoaudióloga, Alza Alves, pensa de forma parecida. — Podemos até apontar um trecho de uma canção do passado em que Chico jogou a nota "na trave" (ou seja, desafinou) e perceber uma voz com característica levemente anasalada. — diz ela, que trabalhou com Silva, Pedro Luis, Serjão Loroza, Gabriel o Pensador, entre outros. — Mas a verdade, pelo menos para mim, é que na obra de Chico é quase impossível dissociar suas composições do seu próprio jeito de cantar, que transcende questões técnicas. A beleza está na voz a serviço da canção e da métrica impecável da poesia cantada. "Samba do Grande Amor" é um dos vários exemplos. O preparador vocal Ricardo Góes lembra que "diferente dos outros instrumentos, a voz é extremamente moldável" e que as inclinações estéticas e influências de cada artista ajudam a "entender melhor as várias escolhas que o cantor faz, consciente ou inconscientemente, ao longo do seu processo de construção". — Chico, assim como toda a sua geração de cantores e compositores, teve João Gilberto como referência de intérprete, com seu canto preciso, econômico, focado na sutileza do som da palavra, e na riqueza musical da língua portuguesa — destaca Góes. — Isso, somado à sofisticação melódica e harmônica da bossa nova e de toda a tradição musical das fontes onde ela bebe, impõe ao cantor um enorme rigor no controle da emissão vocal e da afinação. Góes lembra que Chico, mesmo tendo como base a canção e o samba, flertou com diversos estilos ao longo da carreira, como blues, salsa, rock, bolero etc. Destaca também a personalidade tímida do artista como mais uma característica definidora. Além disso, avalia que "no canto de Chico a palavra é uma prioridade, assim como em suas composições", ecoando argumento de Alza Alves. — Como poeta e cronista a palavra norteia a forma com que ele canta, às vezes mais despojadamente mas sempre expressivo na medida justa que a canção pede. Com o amadurecimento, Chico foi aumentando a complexidade das suas composições, elaborando melodias e harmonias vertiginosas na contramão do seu canto um pouco falado, e do desgaste natural da voz que subtrai dela cor, brilho e precisão, acentuando o som mais nasalado. Acho que dizer que Chico canta mal é reduzir a arte do intérprete, descer a um patamar menor, onde quesitos vocais não tão caros à música brasileira quanto a de culturas dominantes como a americana são supervalorizados. Daí o próprio João Gilberto, marco mais importante de afirmação estética do canto brasileiro, ter sido considerado por muitos a antítese do cantor.Na coluna que assinava no jornal O GLOBO, a cantora Zelia Duncan também já tratou do caso. No texto, de janeiro de 2018, a cantora defende que "cantar bem é subjetivo" e pergunta "o que é cantar bem? Ginástica? Malabarismo? Extensão?", para logo em seguida defender que muitos "atletas vocais nada nos entregam (…). Impressionam e têm lá seu valor, mas se botarmos uma lentezinha, nem são tão musicais, tamanha a preocupação com os saltos mortais, que podem matar é a canção". "Voltando ao nosso belo cantor, quem pode negar que certas canções suas não são ainda mais imbatíveis na sua própria voz? Seu jeito explicadinho com as letras, seus aparentemente distraídos contracantos? Quem nunca se emocionou com aquele vibratinho apressado no final das palavras? Não me obriguem a falar dos olhos verdes, que piscam devagar e o quase sorriso ao terminar uma canção, isso não é música… é doce sedução!"

Via

12 dezembro, 2019

Ópera dos Pássaros

Lindo, muito lindo - e com os créditos colocados no final!


InDICAção do vídeo: Nelson Cunha

18 outubro, 2018

O canto do gelo

Plataforma de gelo foi flagrada "cantando"
Ao incidir nas dunas de neve da Antártida, o vento faz o gelo embaixo vibrar, produzindo um ruído. Este ruído foi captado por detectores sísmicos que cientistas estadunidenses instalaram na área da Plataforma de Ross (imagem).


E suas frequências foram alteradas para tornar o canto do gelo audível.
Ouça-o AQUI.

Ouça também: O canto do cometa.

16 novembro, 2014

O canto do cometa

A Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) divulgou em sua página a descoberta de um som emitido pelo cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko que está sendo comparado com uma espécie de canto. De acordo com o texto, o fenômeno do som causou surpresa (*) até mesmo para os cientistas.
O fenômeno foi percebido pela primeira vez em agosto deste ano, quando a nave Rosetta, que transportava a sonda, se aproximou a cerca de 100 quilômetros do cometa.
Confira aqui:



O som captado pela sonda Philae tem uma frequência que não é percebida pelo ouvido humano. Está entre 40-50 milihertz (1 milihertz é igual a 0,001 hertz), enquanto o ouvido humano capta sons entre 20 hertz (Hz) e 20 kHz. Para tornar a música audível para o ouvido humano, as frequências tiveram que ser amplificadas cerca de 10 mil vezes.
Os cientistas acreditam que o som esteja sendo causado por partículas neutras que estão se soltando do cometa e ganhando carga. Mas o mecanismo físico por trás do fenômeno ainda é desconhecido.

(*) O som não se propaga no vácuo, mas talvez para o canto de um cometa exista a exceção. N. do E.

Questão de prova
– Que corpos celestes são habitados exclusivamente por robôs?
– Marte e o cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko.

19 dezembro, 2013

O canto do galo


Um estudo realizado por pesquisadores no Japão revela que o canto do galo é acionado pelo ciclo circadiano das aves, e não pelas condições ambientais de iluminação, como se acreditava anteriormente.
Em suma, os galos são geneticamente agendados para cantar de madrugada.

O estudo não diz, mas eu acredito que deve ser no período da madrugada que os galos ajustam entre si os relógios biológicos.

Falando nisso:
Como vai o galo falante, Nelson?