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02 fevereiro, 2023

A Batalha de Stalingrado

Não faltaram horrores durante a Segunda Guerra Mundial. O evento que deu ao mundo campos de concentração também nos deu o Estupro de Nanquim, o Bombardeio de Dresden e a destruição de Hiroshima e Nagasaki. Esses cenários de pesadelo geralmente ocorriam quando um grupo tinha poder sobre outro e usava esse poder para matar indiscriminadamente.
No entanto, as linhas de frente em si não eram exatamente um piquenique. Como as fotos da guerra nos mostram, os soldados rasos de todos os lados enfrentaram condições que a maioria de nós nem consegue imaginar. As marchas forçadas eram comuns, e a vida na linha de frente era um pesadelo constante que deixava muitos homens alquebrados mais do que apenas no sentido físico. E então houve a luta.
As batalhas da Segunda Guerra Mundial foram apocalipticamente brutais, devido a avanços na artilharia, tanques e outras armas de guerra. Houve muitas escaramuças sangrentas durante o conflito, mas talvez nenhuma tão terrível quanto a Batalha de Stalingrado . Essa batalha infame poderia ser chamada mais precisamente de cerco. Ele teve lugar de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943 - um total de cinco meses, uma semana e três dias. Em termos de número de soldados envolvidos, foi o maior encontro isolado na Segunda Guerra Mundial e provou ser um ponto de viragem na Frente Oriental. Os militares alemães se superestimaram em uma tentativa infrutífera de capturar Stalingrado. Se tivesse dado certo, o mundo seria muito diferente hoje.
Os historiadores tentaram compreender a insanidade de Stalingrado por meio de fatos e números, mas talvez as únicas vozes que realmente podem captar a experiência sejam aquelas que a viveram.

Quinn Armstrong, Ranker

21 abril, 2022

A Batalha de Pelúsio

Os egípcios consideravam os gatos animais sagrados. Uma de suas divindades, a deusa da guerra Bastet, era um ser com corpo de mulher e cabeça de gato.
Quando um gato morria, seu dono o embalsamava.
Na Batalha de Pelúsio (525 a.C.), sabendo que os egípcios não teriam a coragem de machucá-los, os persas usaram gatos como escudos.


Polieno nos fala que, de acordo com a lenda, Cambises conquistou Pelúsio com essa estratégia astuta. Ele ordenou que seus homens "lançassem gatos" (sic) em direção aos egípcios. Os egípcios não atirariam suas flechas com medo de ferir os animais, e assim a cidade foi tomada. Depois da batalha, Cambises aproveitou a oportunidade para mostrar sua superioridade aos egípcios. Ele mesmo carregou gaiolas com os animais sagrados e as lançou na cara dos vencidos. O causo é citado como um dos primeiros episódios de guerra psicológica.

26 abril, 2021

Batalha de Kursk

Seis de junho de 2021 marcará o 77.º aniversário do desembarque na Normandia, a ambiciosa operação dos Aliados que pode ser considerada o começo do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas não se deve esquecer de que a resistência férrea da União Soviética, especialmente na Batalha de Kursk, muito haja contribuído para colocar o exército alemão na defensiva quase dois anos antes. PGCS
Soldados soviéticos em Kursk
A campanha que culminou com essa batalha foi um sucesso estratégico soviético. Pela primeira vez, uma grande ofensiva alemã foi detida antes de alcançar um avanço. Os alemães, apesar de usarem armas tecnologicamente mais avançadas do que em anos anteriores, não conseguiram romper as profundas defesas soviéticas e ficaram surpresos com as importantes reservas operacionais do Exército Vermelho. Este resultado mudou o padrão de operações na Frente Oriental, com a União Soviética assumindo a partir de então as iniciativas operacionais. A vitória soviética em Kursk foi dispendiosa, com o Exército Vermelho perdendo consideravelmente mais homens e material do que o exército alemão. No entanto, o maior potencial industrial da União Soviética e sua força de trabalho permitiram-lhes suportar e reabastecer essas perdas, sem afetar sua força estratégica global.
Heinz Guderian escreveu:
"Com o fracasso em Kursk (entre julho e agosto de 1943), sofremos uma derrota decisiva. As formações blindadas, reformadas e reequipadas com tanto esforço, haviam perdido muitos homens e as equipes ficariam desativadas por muito tempo. Era problemático se eles puderiam ser reabilitados em tempo de defender a Frente Oriental ... Escusado será dizer que [os soviéticos] exploraram sua vitória ao máximo. Não haveria mais períodos de silêncio na Frente Oriental. A partir de agora, o inimigo estava em posse indiscutível da iniciativa."
Com a vitória, a iniciativa passou firmemente ao Exército Vermelho. Durante o resto da guerra, os alemães limitaram-se a reagir aos avanços soviéticos e nunca conseguiram recuperar a iniciativa nem lançar uma grande ofensiva na Frente Oriental. Os desembarques ocidentais aliados na Itália abriram uma nova frente, desviando ainda mais os recursos e a atenção da Alemanha.
Embora a localização, o plano de ataque e o momento fossem determinados por Hitler, ele culpou a derrota de sua equipe. Ao contrário de Stalin, que dava aos generais comandantes a liberdade de tomar importantes decisões de comando, a interferência de Hitler nos assuntos militares alemães aumentava progressivamente, enquanto sua atenção aos aspectos políticos da guerra diminuía. O oposto era verdadeiro para Stalin. Durante toda a campanha de Kursk, ele se baseou no julgamento de seus comandantes e, como suas decisões levaram ao sucesso no campo de batalha, ele aumentou sua confiança em seu julgamento militar. Stalin se retirou do planejamento operacional e raramente anulou as decisões militares, o que resultou no aumento de liberdade de ação do Exército Vermelho durante o curso da guerra. WIKI

14 dezembro, 2020

A carta de Solimão, o Magnífico

"Eu, que sou o sultão dos sultões, o soberano dos soberanos, o distribuidor de coroas aos monarcas da face da Terra, a sombra de Deus na Terra, o sultão e senhor soberano do Mediterrâneo e do Mar Negro, da Rumélia e Anatólia, da Karamânia e da terra de Rum, da Zulkadria, Diyarbakir, do Curdistão, do Azerbaijão, da Pérsia, Damasco, Cairo, Aleppo, de Meca e Medina, de Jerusalém, de toda Arábia, do Iêmen e de muitas outras terras, as quais meus nobres antepassados e meus gloriosos ancestrais - que Deus ilumine suas tumbas - conquistaram pela força dos seus braços e pelas quais minha augusta majestade as fizeram submissas à minha espada flamejante e sua vitoriosa lâmina, eu, Sultão Solimão, a tu, Francisco, o Rei da Província Francesa, blá, blá, blá..."
Com uma carta que começava nos termos acima, o sultão Solimão fez ciente o rei Francisco I, da França de que estava a caminho para livrá-lo do imperador Carlos V, do Sacro Império.
Se considerado um cara muito prolixo em sua correspondência, no campo de batalha, ao contrário, Solimão foi direto ao ponto. Em apenas duas horas, derrotou o imperador húngaro Luís II, aliado de Carlos V e por este patrocinado, o que transformou imediatamente os otomanos em vizinhos diretos do Sacro Império Romano, de Carlos V. Com isso, ele aliviou a pressão de Carlos V sobre o rei francês e a famosa aliança franco-otomana foi formada, durando mais de três séculos. É mole?

Batalha de Mohács (29 de agosto de 1526) ((Quora))

25 setembro, 2020

O homem que pediu munição ao inimigo

26 de julho de 1714. A Løvendals Gallej, uma fragata de 18 canhões, estava navegando ao largo de Lindesnes (um município da costa sul da Noruega), com bandeira holandesa, quando se deparou com um navio de bandeira britânica. Esse navio era o De Olbing Galley, uma fragata de 28 canhões disponibilizada pela Marinha Real para a Suécia.
Quando os dois navios se aproximaram um do outro com cautela, o Løvendals Gallej repentinamente ergueu sua verdadeira bandeira e o outro navio abriu fogo. Ocorrendo na sequência uma encarniçada batalha entre o Løvendals Gallej, capitaneado por Peter Jansen Wessel "Tordenskjold" (literalmente, Escudo do Trovão), e o De Olbing, capitaneado por Bactmann.
Os dois navios sofreram graves danos com os tiros (mas o Løvendals sofreu mais do que o De Olbing). E, devido à agressividade de Wessel, sua nave acabou sem munição... No entanto, ele ainda queria continuar o duelo. E então,
... Wessel baixou um barco e enviou-o com uma bandeira branca. O inglês pensou que fosse para negociar a rendição, mas ficou pasmo ao ouvir a real proposta do adversário: Wessel queria um carregamento de pólvora e balas de canhão para continuar a batalha. Obviamente, a proposta não foi aceita, mas eles trocaram brindes e elogios. Então, devido ao estado danificado dos dois navios, cada um seguiu seu próprio rumo.
Após esta batalha, Wessel foi submetido a uma corte marcial por determinação de Frederico IV, rei da Dinamarca.
Aconteceu o julgamento em novembro (do mesmo ano), e ele foi acusado de revelar ao inimigo sua situação precária e de colocar em risco um navio da Coroa ao desafiar um adversário mais bem armado. No entanto, o audacioso marinheiro foi absolvido. Tendo se defendido com uma seção do código naval dinamarquês que autorizava atacar os navios inimigos "em fuga", independentemente do tamanho.
E, se ele tinha sido audacioso naquela batalha, foi ainda mais ousado na cartada seguinte. Quando Wessel se aproximou do rei para pedir uma promoção, no que (de uma forma deveras surpreendente) foi atendido.
Em 1720, aos 30 anos, ele foi morto num duelo de espada com um coronel da Livônia a quem acusara de trapaça. Peter Jansen Wessel (enobrecido pelo nome "Tordenskjold ") é atualmente visto como uma figura heroica em dois países, tendo o nome mencionado no hino real dinamarquês e no hino nacional norueguês.

http://www.neatorama.com/2020/09/21/The-Man-Who-Asked-Ammunition-From-His-Enemy/
http://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Tordenskjold
http://www.amusingplanet.com/2020/09/the-audacity-of-peter-tordenskjold.html

08 fevereiro, 2020

A batalha das caretas

Um detalhe peculiar da Batalha de Waterloo:
À medida que o dia passava, a cavalaria francesa se tornou mais e mais desesperada, demonstrando isso com gestos ferozes e progressivamente mais acentuados a cada vez que era repelida. Os esgares e gestos dos soldados franceses tornaram-se tão marcantes que, quando o coronel, Fielding Browne dava a ordem de "preparem-se para cavalaria", os oficiais retransmitiam-na para as tropas inglesas, acrescentando: "Agora, homens, façam caretas!"
("The Prince of Wales’s Volunteers" Navy and Army Illustrated, 1899)

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Casacos vermelhos

07 dezembro, 2019

Cavalo de batalha


"Treina-se o cavalo para o dia da batalha, mas quem dá a vitória é o Senhor." (Provérbio 21: 30-31)

15 abril, 2019

A Batalha do Gelo

O início do século 13 foi um momento muito difícil para os russos, já que muitas nações continuaram a atacá-los, uma após a outra. Depois de se defenderem dos ataques tanto dos mongóis, quanto dos suecos, as tropas russas foram desesperadamente destruídas em 1242, exatamente quando as cruzadas cristãs decidiram aparecer à sua porta.
Os participantes das cruzadas alegavam que o cristianismo ortodoxo oriental dos russos era herético, e por isso enviaram alguns de seus cavaleiros mais fortes do ramo livônico da Ordem Teutônica, que estavam entre os cavaleiros mais preparados e com as armaduras mais pesadas do planeta na época.
A única oposição que a cruzada encontrou foi a turba da República de Novgorod, um dos últimos principados russos remanescentes que sobreviveram às invasões anteriores. O exército russo consistia apenas de alguns milicianos locais mal armados, dois príncipes e um punhado de guardas.
A "Batalha do Gelo" aconteceu em 5 de abril de 1242, nos campos congelados entre as partes sul e norte do Lago Peipus. O gelo não era plano, mas sim pontiagudo e irregular. Ao ver isso, a cruzada não foi dissuadida e decidiu atacá-lo de qualquer maneira, apesar de sua armadura ridiculamente pesada.
A cruzada acabou entrando em um combate corpo a corpo por horas a fio, enquanto eles estavam sobre esta superfície escorregadia contra os milicianos locais, que estavam em segurança em uma "cabeça de praia" até que os invasores finalmente decidiram desistir. No entanto, este não foi o fim de suas desgraças, já que durante a retirada o gelo supostamente desmoronou embaixo deles, fazendo com que muitos deles se afogassem ou congelassem até a morte.

Ir até: http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=12748

03 dezembro, 2018

A padeira de Aljubarrota

A vitória já não escapava às hostes portuguesas. E os castelhanos sobreviventes, apercebendo-se disso, desataram a fugir. Alguns fugiam a pé e iam-se desarmando para correr mais leves. Outros apanhavam os cavalos que podiam e punham-se a salvo, seguindo o exemplo do seu próprio rei. Por sua vez, finda a batalha, o povo da região organizou uma verdadeira caça ao homem, abatendo sem contemplações qualquer inimigo que encontrasse.
Ora, conta a lenda que sete desses castelhanos, exaustos e esfomeados, foram ter a uma padaria em busca de refúgio. Lá dentro, no entanto, estava uma valente mulher, de nome Brites, que, sem dó nem piedade, os abateu com a sua pá de cozer o pão. E assim nasceu a lenda da padeira de Aljubarrota.
Gravura:
O exército castelhano está representado à esquerda e o português à direita.

Image result for padeíra de Aljubarrota
Bibliografia:
CARDOSO, F.; TOROK, M. H.; CARDOSO, O. M. (1996).História e Geografia de Portugal. Lisboa: Areal Editores.
Webgrafia:
http://www.ribatejo.com/hp/base/cgi-bin/ficha_lenda.asp?cod_lenda=12

14 julho, 2017

Nelson e sua habilidade de ignorar ordens

 "Insubordinação só pode ser evidência de uma mente forte." - Napoleão Bonaparte (1817)

Horatio Nelson tem sido frequentemente chamado de melhor marinheiro da Grã-Bretanha. Além de sua capacidade inigualável para motivar aqueles que estavam sob seu comando, ele era um bruxo no campo da tática. Nelson não deixava que pequenos detalhes, como "ordens de seus superiores", o constrangessem. E, por não obedecer ordens, ele foi capaz de vencer batalhas críticas. A batalha de Copenhague é um exemplo disso.
Em 1801, os britânicos estavam lutando uma batalha crucial contra a Dinamarca. O Almirante Sir Hyde Parker era o comandante das forças britânicas. Vendo-se impossibilitado de tirar os navios de maior porte do alcance do inimigo – por causa das águas rasas, Parker enviou Nelson, seu segundo em comando, à frente com os navios mais leves. E, quando Parker achou que as coisas estavam indo mal, ele enviou o sinal de retirar-se.
Uma das formas preferidas de Nelson para não seguir ordens, e assim, ganhar batalhas críticas, era sua habilidade incomparável de não ver as mensagens indesejadas.
De acordo com testemunhas, quando Nelson viu o sinal voltou-se para Thomas Foley, seu substituto imediato, e disse: "Você sabe, Foley, eu tenho apenas um olho. Eu tenho o direito de ser cego, às vezes". Ele então transferiu sua luneta para o olho cego e concluiu: "Eu realmente não vejo o sinal". Você, provavelmente, já ouviu a expressão "fechar os olhos" (com o fim de não tomar conhecimento de algo óbvio). Se você já se perguntou de onde veio, ela veio de Horatio Nelson e sua habilidade de ignorar ordens.

10 Military Victories Achieved by Not Following Orders, TOPTENZ

14 junho, 2017

Falhanços militares

Por falhanço entende-se um confronto armado onde um dos oponentes sofre uma derrota marcante, desproporcional ou inesperada que pode ou não ter tido consequências no rumo da história. As razões para o falhanço militar são diversas e podem incluir mau planejamento, incompetência de tropas e/ou comandantes, condições atmosféricas, problemas técnicos e/ou capacidades excepcionais do inimigo.
Um dos falhanços da Era Moderna foi a Batalha de Isandlwana (África do Sul, 1879), na qual o exército zulu, formado por cerca de 20 mil homens, enfrentou dois batalhões da infantaria britânica.
Os zulus estavam equipados principalmente com lanças de ferro azagaia e escudos tradicionais, mas também tinham um número significativo de espingardas e rifles antigos, embora eles não tivessem sido formalmente treinados para utilizar este tipo de armamento.
Já as tropas coloniais estavam armadas com o estado da arte: rifles Martini-Henry e uma artilharia de montanha composta por dois canhões de 76 mm implantados como canhões de campanha, bem como uma bateria de foguetes.
Apesar da grande desvantagem tecnológica, os zulus (numericamente superiores) acabaram por derrotar os mal conduzidos britânicos.
O dia da lua morta
Em zulu, "Isandlwana" significa "o dia da lua morta". É que, por volta das 14h30, ocorreu localmente um eclipse solar anular (em que a Lua é visualmente pequena para encobrir o Sol), embora isso não tivesse influência sobre o resultado final da batalha.
(Josué, que não estava por lá, certamente teria procurado tirar vantagem do eclipse.)

Ver também: Um militar trapalhão