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13 dezembro, 2019

Chuculatera(ê)

A palavra não consta do "Vocábulário Ortografico da Língua Portuguesa" (VOLP), nem de importantes dicionários como o Aurélio (2.ª edição), o Houaiss (1.ª edição) e o Mirador (4.ª edição). Tampouco está no "Dicionário de Gíria" (8.ª edição), de J.B. Serra e Gurgel, nem em alguns "webdicionários" que eu andei consultando. Num blog hispânico, encontrei uma postagem cujo título é "La líbélula chuculetera", que traz um termo foneticamente assemelhado a "chuculatera" (sem tradução para o português, conforme o Tradukka).
Analisando-se, porém, duas canções populares em que a palavra "chuculatera" aparece, supõe-se se tratar de um termo regional para designar algum tipo de chaleira. Talvez seja uma corruptela de "chocolateira", vasilha onde se prepara e/ou serve o chocolate (por extensão, o café e o chá). O Aurélio consigna o termo "chocolateira
1. Em "Boi bumbá", de Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga Júnior (Gonzaguinha)
1965, BMG Brasil Ltda.
Ê boi, ê boi
Ê boi do mangangá {bis}
Quem não tem chaculatêra
Não toma café nem chá. {bis}
2. Em "Chuculatêra" (1971), de Antonio Carlos e Jocafi
1971, "O Canto Jovem de Luiz Gonzaga" (primeira faixa do lado A), pela RCA Victor.
Chuculatêra fervendo de café cheinho ou meio
Me dê dois tons de conversa, morena, e baixa a saia do joelho
Que o povo que tá por perto fala muito e acha feio {bis}
Neste LP, Luiz Gonzaga gravou composições de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom e Vinicius, Edu Lobo, Vandré, Gonzaguinha e outros. Os  próprios autores de "Chuculatera", Antonio Carlos e Jocafi, somente gravariam esta canção em 1974, no LP "Definitivamente", pela RCA Victor.

13 de dezembro é o Dia Nacional do Forró. Esta data, que referencia a data natalícia do músico Luiz Gonzaga do Nascimento (13/12/2012), foi instituída pela Lei nº 11.176, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com origem no Projeto de Lei nº 4265/2001, de autoria da deputada federal Luiza Erundina.

Vídeos c/ "Treze de dezembro" [1] [2] no blog EM.

19 junho, 2008

Azeitona

A morte recente de Jamelão me fez lembrar do sanfoneiro Azeitona, falecido há 8 anos. Por uma associação de idéias bastante compreensível, uma vez que o jamelão, no Nordeste do Brasil, é chamado pelo nome de azeitona.
Trata-se de uma pequena fruta que, ao amadurecer, adquire a cor preta e cuja polpa é intensamente roxa.
Se o sambista Jamelão era "o melhor mau humor do Brasil" (créditos pela expressão a Chico Buarque), o mesmo não acontecia com o sanfoneiro nordestino. Ao contrário, abraçado à sanfona velha de guerra, Azeitona irradiava alegria nos bares e restaurantes em que tocava.
Baiano, Valter dos Santos (este o seu verdadeiro nome) radicou-se em Fortaleza para viver de sua arte. O autêntico forró "pé-de-serra" que ele extraía de sua sanfona, como a fazer contraponto à música eletrônica das bandas de forró da época.
Dono de uma voz marcante, chegou a gravar disco de vinil (imagem da capa do LP nesta nota) e a excursionar pelo exterior.
Nas décadas de 80 e 90, o grupo musical que Azeitona comandava e a banda Alta Tensão (com a qual se alternava no palco) trouxeram para o Pirata Bar, na Praia de Iracema, "as segundas-feiras mais loucas do mundo", tal era a animação da casa noturna nesse dia da semana.

16 maio, 2008

Com a cara e a covardia

Lourenço era o tipo do sujeito frouxo. Desses de levar desaforo para a casa porque, na "hora R" (de reagir), já se via... Lourenço se punha a tremer que nem palma de coqueiro-babão. E... pernas para que vos quero, não está mais aí quem falou, Deus é grande mas o mato é maior, enquanto eu correr meu pai tem filho, para os mortos sepultura e para os vivos... escapula! Boi é pouco, Lourenço dava logo a boiada inteira para não entrar em briga, discussão ou entrevero (com o magarefe do bairro, então avaliem).
Poltronaria à parte, havia um projeto por que Lourenço se babava de um modo torrencial. Ir, pelo menos uma vez, ao Forró do Arnaldo que existia e dava função nas proximidades de sua residência. Principalmente quando, ao portão de casa, ele via o desfilar do mulherio a caminho do forró. Cada mulher de deixar Lourenço entre embevecido e assanhado. Numa de imaginar-se em plena sessão bate-coxa com uma delas, depois com outra e outra, botando para fora (epa!) a própria timidez.
Mas... cadê coragem para adentrar aqueles domínios de cabra-macho? Sim, porque outra coisa não era o Forró do Arnaldo. A dar crédito a umas tantas histórias que circulavam pelo bairro, e que causavam frio na espinha de quem as ouvia, era bem perigoso o arrasta-pé. Havia acontecidos em profusão que patenteavam a macheza de seus freqüentadores - uns homens capazes de, a uma minúscula provocação, logo estripar quem na frente estivesse! De fato, assim não dava para Lourenço, o Frouxo. Que sentia contorção intestinal só ao pensar em tal ambiente metido.
Ah, não estando sob forte coação, naquele local ele jamais poria os pés!... Coragem não é dor-de-dente que dá em todo mundo!
Um dia, porém, Lourenço se viu obrigado a fazer das tripas (epa!) coração. Por haver aceitado um convite da parte de Ermelinda - mulher de fechar o shopping center - para ir ter com ela, sabem onde? No Forró do Arnaldo, acreditem, e não podendo faltar! Pois Ermelinda era a personagem mais habitual em seus devaneios de rapaz solito. Mas que agora, graças a Deus, começaria a perder a diafanidade, para se tornar um ente de carne e osso (mais o primeiro item) a entrar em sua vida. Desde que ele, claro, não perdesse bestamente a oportunidade ali surgida.

Leia o conto todo no Preblog.