As empresas evitam contratar mães porque julgam que serão menos capazes por terem que enfrentar uma jornada dupla. As pessoas olham feio para a mãe se a criança começa a chorar. Até amamentar em público virou pauta, como se isso fosse da conta de qualquer pessoa que não seja da própria mãe.
A verdade é que a sociedade está sempre pronta pra julgar uma mãe:
Se conciliam a maternidade com a carreira, são egoístas. Se dedicam-se integralmente aos filhos, são preguiçosas; Se divorciam do pai da criança, são insensíveis; Se permanecem no casamento em prol dos filhos, são covardes; Se corrigem a criança em público, são agressivas; Se não corrigem, são mães relapsas; Se preocupam-se além da conta com os filhos, são controladoras; Se os deixam livres, são irresponsáveis.
E mesmo quando um homem erra, sobra pra a mãe: "mas que filho da puta!"
Penso que é por isso que a culpa materna – conceito cada vez mais comum nos estudos sobre maternidade – existe e a culpa paterna, não. Pais não são tão cobrados, e ficam, portanto, confortáveis na posição de precisarem apenas fazer o mínimo.
O motivo para que tantas mães se sintam culpadas e fracassadas é, sem sombra de dúvida, a cobrança excessiva – tanto da sociedade para com elas, quanto delas para consigo mesmas.
Um mundo que comporta um movimento absurdo como o "Child Free" (que consiste basicamente em odiar crianças, e é, inclusive, pauta no feminismo radical), não está pronto para acolher crianças – muito menos suas mães.
A maternidade, que deveria ser um momento sublime na vida de uma mulher, é demonizada de todas as formas, ainda que sutilmente. A sociedade esqueceu – ou nunca recordou – que chegamos a esse planeta no útero de nossas mães, que deveriam, portanto, ser sagradas.
Entretanto, essas mulheres não só não contam com o reconhecimento da sociedade à qual pertencem, como são, muitas vezes, punidas e excluídas por realizarem o exaustivo e invisibilizado trabalho de cuidado.
As mulheres que geram uma criança estão, em geral, dando o seu melhor para a tarefa mais importante da vida que é gerar outro ser humano.
Deixem as mães em paz.
Extraído de: O surto de Alane no BBB, por Nathalí Macedo. Diário do Centro do Mundo








