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03 julho, 2025

Por que a sociedade odeia as mães?

[...] 
Nosso país – e grande parte do mundo – odeia as mulheres e odeia ainda mais as mães, colocando-lhe sobre os ombros um peso que não precisariam carregar.
As empresas evitam contratar mães porque julgam que serão menos capazes por terem que enfrentar uma jornada dupla. As pessoas olham feio para a mãe se a criança começa a chorar. Até amamentar em público virou pauta, como se isso fosse da conta de qualquer pessoa que não seja da própria mãe.
A verdade é que a sociedade está sempre pronta pra julgar uma mãe:
Se conciliam a maternidade com a carreira, são egoístas. Se dedicam-se integralmente aos filhos, são preguiçosas; Se divorciam do pai da criança, são insensíveis; Se permanecem no casamento em prol dos filhos, são covardes; Se corrigem a criança em público, são agressivas; Se não corrigem, são mães relapsas; Se preocupam-se além da conta com os filhos, são controladoras; Se os deixam livres, são irresponsáveis.
E mesmo quando um homem erra, sobra pra a mãe: "mas que filho da puta!"
Penso que é por isso que a culpa materna – conceito cada vez mais comum nos estudos sobre maternidade – existe e a culpa paterna, não. Pais não são tão cobrados, e ficam, portanto, confortáveis na posição de precisarem apenas fazer o mínimo.
O motivo para que tantas mães se sintam culpadas e fracassadas é, sem sombra de dúvida, a cobrança excessiva – tanto da sociedade para com elas, quanto delas para consigo mesmas.
Um mundo que comporta um movimento absurdo como o "Child Free" (que consiste basicamente em odiar crianças, e é, inclusive, pauta no feminismo radical), não está pronto para acolher crianças – muito menos suas mães.
A maternidade, que deveria ser um momento sublime na vida de uma mulher, é demonizada de todas as formas, ainda que sutilmente. A sociedade esqueceu – ou nunca recordou – que chegamos a esse planeta no útero de nossas mães, que deveriam, portanto, ser sagradas.
Entretanto, essas mulheres não só não contam com o reconhecimento da sociedade à qual pertencem, como são, muitas vezes, punidas e excluídas por realizarem o exaustivo e invisibilizado trabalho de cuidado.
As mulheres que geram uma criança estão, em geral, dando o seu melhor para a tarefa mais importante da vida que é gerar outro ser humano.
Deixem as mães em paz.
Extraído de: O surto de Alane no BBB, por Nathalí Macedo. Diário do Centro do Mundo

01 julho, 2024

Abandonados

Fernando Gurgel Filho

Quem foi abandonado primeiro? O recém nascido ou a mulher?

Sem querer justificar atos desse tipo, devemos pensar nas causas que levam uma mãe a abandonar um recém nascido. Ou uma criança de qualquer idade parida por aquela mulher.

Na minha opinião, o motivo principal é um só. Mesmos nas situações em que seja diagnosticada falta de sanidade mental da mulher.

Antes de a mulher abandonar uma criança, podemos afirmar com quase total segurança, que a mulher foi abandonada à própria sorte.

Para uma sociedade que prefere fugir de responsabilidades, uma gravidez indesejada é um problema para o resto da vida.

Assim, muitas grávidas são abandonadas pelo marido/companheiro/namorado, são abandonadas pela família, pela sociedade, pelo mercado de trabalho, pelo Estado, assim que anuncia sua gravidez.

Grávidas, sozinhas e tendo que assumir uma enorme responsabilidade, sem ninguém para oferecer sequer um ombro onde derramar suas lágrimas, é como se uma pesada cortina se fechasse diante de seus olhos. Nesta situação não se vê nada. O futuro não existe. O hoje é um tormento sem fim. Tormento que a mulher, naquela hora dramática, pensa poder se livrar se livrando da criança numa lata de lixo. Sozinha, abandonada.

E continuará assim.

Um dos responsáveis diretos por uma gravidez, o pai, é o primeiro a cair fora da relação e abandonar a mulher à própria sorte. Fácil para quem a comprovação de paternidade somente pode ser provada - apenas por probabilidade - após o nascimento da criança. Com custo proibitivo para a maioria da população. E a mãe que se vire e sofra todas as consequências, inclusive a criminalização de seus atos.

Todos os responsáveis diretos e indiretos pelo abandono de recém nascidos - o pai, a família, o Estado - têm a certeza que nunca poderão ser criminalizados por esses inúmeros abortos após o parto.

Isso mesmo, aborto pós parto, essa sim uma prática criminosa de responsabilidade de toda a sociedade que joga nas lixeiras, nas ruas e nas praças inúmeros órfãos de pais vivos, que farão a felicidade da criminalidade e o tormento da própria sociedade que os abandonou e os mantém abandonados.

E ainda tem gente que é contra a interrupção de ua gravidez indesejada. Esses, preferem crianças praticamente perdidas para a vida em sociedade em prol de uma gravidez bem sucedida (sic???!!!).

E as próprias mulheres que, em número, são a maioria da população ainda permanecem caladas ou apenas esboçam reações tímidas ante essa monstruosidade que lhes jogam nos ombros.

Se depender da população masculina, ainda levará muito tempo antes que mulheres grávidas parem de ser jogadas nas lixeiras. Isto porque jogar na fogueira, atualmente, é crime.

12 maio, 2021

Teoria de Dunbar

Ao que parece, há limites bem definidos para o número de amigos, colegas e conhecidos que uma pessoa comum é capaz de manter.
E, de acordo com uma pesquisa do fim do século 20, este número mágico é 150.
Mas será que esse limite é válido para a sociedade hiperconectada de hoje, considerando que muitos perfis nas redes sociais contam com milhares de seguidores?
Por meio de estudos com primatas não humanos, o antropólogo britânico Robin Dunbar concluiu que havia uma relação entre o tamanho do cérebro e o tamanho do grupo com o qual nos relacionamos.
O especialista descobriu que o tamanho do neocórtex – parte do cérebro associada à cognição e à linguagem – em relação ao corpo está vinculado ao tamanho de um grupo social coeso. E essa relação limita o grau de complexidade que um sistema de interação social é capaz de administrar.
Dunbar e seus colegas aplicaram esse princípio básico aos seres humanos, examinando dados históricos, antropológicos e psicológicos contemporâneos sobre o tamanho dos grupos sociais, incluindo quão grandes esses grupos ficam antes de se dividirem ou se desfazerem.
E encontraram uma consistência notável em torno do número 150.
Segundo Dunbar e muitos pesquisadores influenciados por ele, essa regra de 150 é válida tanto para as sociedades primitivas de caçadores-coletores, como para uma surpreendente variedade de agrupamentos modernos: escritórios, comunas, fábricas, acampamentos, organizações militares, vilas inglesas do século 11 e até mesmo para a lista de destinatários de cartões de Natal.
E, de acordo com ele, se um grupo exceder 150 pessoas, é improvável que dure muito tempo ou seja coeso.
Mas nem tudo gira em torno do número 150. Outros números também foram concebidos dentro da hipótese do cérebro social, como é conhecida a teoria de Dunbar.
Segundo ele, nosso círculo social mais próximo é formado por apenas cinco pessoas – entes queridos. E é seguido por camadas sucessivas de 15 (bons amigos), 50 (amigos), 150 (contatos significativos), 500 (conhecidos) e 1500 (pessoas que você pode reconhecer).
As pessoas com quem nos relacionamos podem migrar para dentro e para fora dessas camadas, mas a ideia é que é preciso abrir espaço para novas adesões.
Evidentemente, todos esses números representam, na verdade, o alcance. Os extrovertidos tendem a ter uma rede mais ampla, com relações mais pulverizadas. Já os introvertidos se concentram em um grupo menor de contatos sólidos.
As mulheres, por sua vez, costumam ter um pouco mais de contatos nos círculos mais próximos.
"O que determina essas camadas na vida real, no mundo cara a cara (...), é a frequência com que você vê as pessoas", diz Dunbar.
"Você precisa tomar uma decisão todos os dias sobre como vai investir o tempo disponível na interação social, e esse tempo é limitado."
Dunbar não sabe ao certo por que essas camadas de números são múltiplos de cinco, mas diz que "o número cinco parece ser fundamental para macacos e símios em geral".
Algumas organizações levaram esse conceito a sério. A Receita Federal sueca, por exemplo, reestruturou seus escritórios para permanecer dentro do limite de 150 funcionários.


Siga lendo em: Teoria de Dunbar: somos mesmo incapazes de ter mais de 150 amigos?
Christine Ro, BBC Future

28 abril, 2021

Os bárbaros venceram! (2)

Em dezembro de 2019, com o título Os bárbaros venceram! transcrevi no blog EM este COMUNICADO:
Com pesar, tenho que anunciar que, depois de 18 anos, decidi encerrar a Sociedade de Proteção ao Apóstrofo.
Há duas razões para isso. Uma é que, aos 96 anos, estou cortando meus compromissos e a segunda é que menos organizações e indivíduos estão se preocupando com o uso correto do apóstrofo no idioma inglês.
Nós e nossos muitos apoiadores em todo o mundo, fizemos o nosso melhor, mas a ignorância e a preguiça presentes nos tempos modernos venceram!
Este site (www.apostrophe.org.uk, idealizado por John Hale) permanecerá aberto por algum tempo para referência e interesse.
— John Richards, novembro de 2019
Notícias tristes de Boston, Inglaterra: John Richards morreu (aos 97 anos). Ele ensinava ao mundo que a revisão é uma forma de filosofia moral. Em 2001, foi agraciado com o Prêmio Ig Nobel de Literatura por sua cruzada gramatical em defesa do uso correto do apóstrofo.
Manchete do Improbable Research a respeito de sua morte: The Apostrophe’s Greatest Champion Has Died.

N. do E.
Infelizmente, não temos como prestar a John Richards uma homenagem dessas no Brasil - com apóstrofo e tudo!. Nos países lusófonos, só usamos este sinal gráfico quando há supressão de letras. Em expressões nas quais aparecem palavras como água, óleo, alva, este/oeste... e nos santos chamados Iago e Ana.
"'stamos phodidos", diria Castro Alves.

23 junho, 2020

O Conto da Aia

Em uma sociedade patriarcal, machista, como ainda são as nossas, ainda mais quando se organiza em uma ditadura religiosa ou em uma tirania filosófica, como defendia Platão, onde será que as mulheres iriam parar?
Margaret Atwood responde com muita sabedoria: Na República de Gilead, claro.
Em "O Conto da Aia", Margaret Atwood descreve uma ditadura religiosa, uma teocracia, chamada República de Gilead, onde foram adotados quase todos os princípios defendidos por Sócrates e descritos por Platão no seu livro "A República". Princípios que, em maior ou menor escala, já foram adotados em nossa filosofia ocidental judaico-cristã e que continuam a fazer enorme sucesso entre aqueles que teimam em defender repressão como única forma de controle e crescimento do ser ser humano.
Na República de Gilead, como na de Platão, estão presentes:
- as mulheres são seres inferiores e suas únicas "utilidades", são cuidar da casa, da cozinha e procriar;
- Platão/Sócrates defendiam o infanticídio como forma de depurar a raça. Em Gilead eram as mulheres estéreis e rebeldes que iam parar em colônias penais, onde morriam. Ou, então, em eventos chamados de "Salvamentos" onde eram executadas em praça pública;
- na República de Gilead, uma teocracia, o absolutismo era a forma de governo;
- a sociedade estava estratificada em castas: os Comandantes, as Esposas, as Martas, os Olhos, os Guardiães, as Tias e as Aias;
- foi imposta severa censura sobre as artes e artistas: poetas, músicos, atores, compositores, etc;
Margaret Atwood descreve para que serviam uma das Aias: "...fazia parte da primeira leva de mulheres recrutadas para propósitos reprodutivos e fora destinada àqueles que não só requeriam esses serviços bem como podiam reivindicá-los por meio de sua posição na elite. O regime criou uma reserva imediata dessas mulheres ao declarar adúlteros todos os segundos casamentos e ligações extraconjugais, prendendo as parceiras do sexo feminino, e, com fundamento de que elas moralmente inaptas, confiscando os filhos e filhas que já tivessem, que foram adotados por casais sem filhos dos escalões superiores que era ávidos por progênie, quaisquer que fossem os meios empregados."
Nesta descrição parece ecoar todas as palavras de Sócrates, transcritas por Platão em "A República":
"Sócrates — De acordo com os nossos princípios, é necessário tornar as relações muito frequentes entre os homens e as mulheres de elite, e, ao contrário, bastante raras entre os indivíduos inferiores de um e outro sexo; além do mais, é necessário educar os filhos dos primeiros, e não os dos segundos, se quisermos que o rebanho atinja a mais elevada perfeição: e todas estas medidas deverão manter-se secretas, salvo para os magistrados, a fim de que, tanto quanto possível, a discórdia não se insinue entre os guerreiros."
"Sócrates — Assim, se um cidadão, mais velho ou mais novo, se imiscuir na obra comum de procriação, nós o declararemos culpado de impiedade e injustiça, pois fornece ao Estado um filho cujo nascimento secreto não foi colocado sob a proteção das preces e sacrifícios que as sacerdotisas, os sacerdotes e toda a cidade oferecerão para cada casamento, a fim de que de homens bons nasçam filhos melhores, e de homens úteis, filhos ainda mais úteis; um tal nascimento, ao contrário, será considerado fruto das trevas e da libertinagem."
A única diferença era que em "A República", de Platão, Sócrates defendia: "Todas as mulheres dos nossos guerreiros pertencerão a todos: nenhuma delas habitará em particular com nenhum deles. Da mesma maneira, os filhos serão comuns e os pais não conhecerão os seus filhos nem estes os seus pais."
A sociedade ocidental que se crê religiosa, culta e civilizada ainda tem muita recaída para o lado da simples repressão como forma de catalizar o medo que está sempre latente no seio de todas as comunidade humanas. Esta a parte mais horripilante do universo descrito em "O Conto da Aia", porque é um universo que está bem perto de todos nós. Ou, no mínimo, como um universo potencial onde os religiosos têm sede de assumir o poder em qualquer país do mundo e transformá-lo em uma tirania.

Fernando Gurgel Filho

07 dezembro, 2019

Os bárbaros venceram!

COMUNICADO
Com pesar, tenho que anunciar que, depois de 18 anos, decidi encerrar a Sociedade de Proteção ao Apóstrofo.
Há duas razões para isso. Uma é que, aos 96 anos, estou cortando meus compromissos e a segunda é que menos organizações e indivíduos estão se preocupando com o uso correto do apóstrofo no idioma inglês.
Nós e nossos muitos apoiadores em todo o mundo, fizemos o nosso melhor, mas a ignorância e a preguiça presentes nos tempos modernos venceram!
Este site (www.apostrophe.org.uk, idealizado por John Hale) permanecerá aberto por algum tempo para referência e interesse.
— John Richards, novembro de 2019
A Sociedade de Proteção ao Apóstrofo
foi iniciada em 2001 por John Richards com o objetivo específico de preservar o uso correto desse sinal de pontuação, atualmente muito sujeito a abusos em todas as formas de texto escritas no idioma inglês.

12 maio, 2019

A contribuição da mãe para a sociedade





"Todo homem ou mulher que é sensível, todo homem ou mulher que tem a sensação de ser uma pessoa no mundo, e para quem o mundo significa alguma coisa, toda pessoa feliz, está em débito infinito com uma mulher." ~ Donald Winnicot

14 outubro, 2016

Saguaros - 3

Existe uma sociedade totalmente dedicada aos saguaros com crista. É a Crested Saguaro Society.
A crista é uma excrescência semelhante a um leque.que ocorre naturalmente em cactos graças a um fenômeno chamado fasciação.
A CSS coleciona fotos e informações desses cactos com crista que vivem no Arizona, Califórnia, Nevada e México.
Atualmente, conta com mais de 2.200 imagens protegidas por espinhos:
"Qualquer uso sem autorização é uma violação dos direitos de autor. Ver as imagens no website não confere direitos ao uso ou à publicação, mesmo que seja dado crédito."

Saguaros: 1 e 2

18 maio, 2015

Museus e sociedade sustentável

O Dia Internacional dos Museus é comemorado a 18 de maio,
Este ano, a data é dedicada a assinalar a contribuição dos espaços museológicos para promover uma sociedade sustentável.
"Museus para uma sociedade sustentável" é o tema proposto pelo Conselho Internacional de Museus (sigla ICOM, em inglês), a entidade que promove a iniciativa para as comemorações com o objetivo de reforçar os laços dos museus com a sociedade.
O tema leva a refletir em que medida os museus conservando, expondo e dialogando com as suas colecções podem contribuir para conscientizar a sociedade sobre a importância de preservar o meio ambiente, disponibilizando as melhores respostas para as transformações que nos rodeiam.

02 outubro, 2014

Marchem com as multidões

"O primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela; e cada um deve, segundo suas forças físicas ou morais, administrar em benefício da mesma os conhecimentos, ou talentos, que a natureza, a arte ou a educação lhe prestaram. O indivíduo que abrange o bem geral de uma sociedade vem a ser o membro mais distinto dela: as luzes que espalha tiram das trevas, ou da ilusão, aqueles que a ignorância precipitou no labirinto da apatia, da inépcia e do engano. Ninguém mais útil, pois, do que aquele que se destina a mostrar com evidência os acontecimentos do presente e desenvolver as sombras do futuro". ~ Hipólito da Costa (o primeiro jornalista brasileiro).

"É melancólico chegar assim no crepúsculo, sem contar com a solidariedade de si mesmo. Eu não posso estar satisfeito de mim. O meu passado não é mais meu companheiro. Eu desconfio do meu passado. Façam ou se recusem a fazer arte, ciências, ofícios. Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camuflados em técnicos de vida, espiando a multidão passar. Marchem com as multidões". ~ Mario de Andrade (ao final da vida amargurado consigo mesmo, por ter se ausentado do debate político, logo ele que, mais do que ninguém de seu tempo, tanto fez pela cultura brasileira).

Citações transcritas de Quem monta um tigre não pode apear, artigo de Isabel Lustosa, publicado no Caderno 3 do Diário do Nordeste, de 20/09/2014.

Ler também
O analfabeto político

21 março, 2014

Qual é o propósito evolutivo das cócegas?

Você provavelmente sabe que não pode fazer cócegas em si mesmo. E, embora você possa ser capaz de de fazê-las para agradar um desconhecido, o seu cérebro desaconselha a praticar algo tão socialmente desajeitado.
Estes fatos oferecem uma visão do propósito evolutivo das cócegas, segundo Robert R. Provine, neurocientista da Universidade de Maryland, em Baltimore, e autor do livro Laughter: A Scientific Investigation. Cócegas, diz ele, ajudam a estabelecer relações entre amigos, companheiros íntimos e membros de uma  família.

Reprodução de um óleo sobre tela de José Malhoa, 1904
Museu Nacional de Belas Artes - Brasil
Alguns cientistas afirmam que elas não só inspiram a ligação social como podem ajudar a aprimorar reflexos e habilidades de autodefesa. Em 1984, o psiquiatra Donald Black, da Universidade de Iowa, observou que as partes mais delicadas do corpo, como o pescoço e as costelas, são também as mais vulneráveis ​​em combate. E que as crianças aprendem a proteger essas partes durante as "lutas de cócegas", uma atividade lúdica e bem segura.

Traduzido resumidamente de What Is the Evolutionary Purpose of Tickling?, POPSCI

+ "coscas"
Um segredo de alcova e "Frei Cosquinha", personagem real de In illo tempore

31 janeiro, 2013

Enquanto engoma a calça

Imagem: veio daqui
A estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções.

Paulo,
Para você postar enquanto engoma a calça:
Maridos que gastam mais tempo em tarefas tradicionalmente femininas (foto) têm relações sexuais com menor frequência do que aqueles que fazem tarefas consideradas masculinas.
É a conclusão de um novo estudo, que foi publicado no último número (fevereiro/2013) da American Sociological Review.
"Nossos achados sugerem a importância dos papéis socializados dos gêneros para a frequência sexual no casamento heterossexual." Sabino Kornrich ( autor principal do trabalho), do Centro de Estudos Avançados da Instituto Juan March, em Madrid
Nelson Cunha
N. do E.
É assim que elas nos agradecem?

Bônus


22 outubro, 2012

Quatro loucuras da sociedade

ISTOÉ - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

ROBERTO SHINYASHIKI* - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que: "Todos têm de ter sucesso." Como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

* Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com pós-graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. Esta resposta integra a entrevista que ele deu a Camilo Vannuchi, da Revista ISTOÉ, em 19/10/05.

05 maio, 2011

Nossa covardia de todo dia


Fernando Gurgel Filho

Numa hora dessas, a dor não tem limites, o pavor não acaba nunca e a indignação, a impotência, o desejo de justiça nublam todas as opiniões.
Assim, corremos o risco de simplificações, generalizações e outro monte de erros comuns nesses assuntos.
Mas ninguém pode omitir opiniões simplesmente por medo de errar. Nestes casos, creio que os fins humanitários justificam a tentativa de acertar. Mesmo errando feio.
Em primeiro lugar, vamos colocar as coisas no seu devido lugar: o assassino não era nenhum bandido; nem os policiais, heróis.
O assassino era apenas um jovem covarde, que tinha medo - ou ódio - dos seus semelhantes. Talvez tivesse suas imensas razões. Talvez a raiz de todos os seus problemas esteja na família desajustada. Talvez a origem de seus desajustes sociais esteja em algum tipo de violência que sofreu na infância.
O mais correto é que não teve qualquer tipo de amor familial, nem qualquer tipo de segurança por parte daqueles que deveriam formar cidadãos, sejam educadores, agentes sociais, comunidades religiosas ou qualquer outro agente público/privado que teriam obrigação de zelar pelas pessoas. E incluo neste rol os nossos doutos agentes de segurança, que pensam apenas em armamentos, câmeras, arame farpado, prisões... Repressão, enfim.
Nada disso, para mim, é dar segurança, nem cuidar da segurança da comunidade. Segurança, na realidade, passa primeiro pela sensação de saber-se respeitado em qualquer situação e em qualquer lugar. E onde temos essa sensação na nossa sociedade corrupta/corruptora? A única sensação que temos é de desrespeito, impotência, raiva...
Aí fica apenas a certeza de que, alguns seres humanos, apesar de conseguirem, sabe-se lá a que custo, conviver precariamente em sociedade, têm a certeza de que aquela sociedade não lhes pertence. São os excluídos em todos os sentidos.
Talvez a grande diferença, ou o que pode fazer a grande diferença, seja a falta de sentir-se gente. Talvez seja o sentir-se incluído, sentir-se parte da sociedade humana, não sofrer abusos, não sentir-se o último ser sobre a face da terra...
Talvez a diferença entre aquele que comete desatinos e o que procura catalisar suas frustrações de outra forma, seja a diferença entre o ser humano que se sente cidadão e o ser humano impotente ante o dia a dia kafkiano que a sociedade impõe aos que não fazem parte da escória que aceita qualquer coisa para subir na vida.
Uma sociedade estruturada em apadrinhamentos, proteção paga, propinas para atendimento, criação de dificuldades para venda de facilidades, onde corruptos e corruptores cospem na cabeça e afrontam aberta e livremente todo e qualquer cidadão decente, é uma sociedade que tende a parir apenas mais e mais bandidos e, dentre estes, alguns monstros. Porém, todos estes podem ser monitorados e identificados por meios repressivos. Basta querer.
Pior de tudo nessas sociedades é quando geram monstros que não são bandidos. São apenas pessoas comuns que, no desespero, têm atitudes monstruosas. E, no mais das vezes, covardes. Como a desse jovem.
Porque foi atirar justamente contra crianças e adolescentes inocentes? Porque as do sexo feminino? Se queria morrer, porque ele não procurou uma boca de fumo e saiu atirando? Porque não enfrentou bandidos?
Por covardia. Não acredito nem que ele tenha tido coragem de atirar contra os policiais que entraram na escola. Nem que ele tenha se suicidado. Era muito covarde para qualquer atitude desse tipo.
E é o tipo de covarde que vemos todos os dias, rastejando junto a amigos e pessoas influentes para conseguir facilidades em locais onde o cidadão é humilhado.
Tenho um amigo, não é nenhum deserdado da vida, que diz ficar literalmente doente quando tem que resolver algo em algum órgão público. Mas, esse mesmo amigo, apesar de relativamente influente, ao invés de usar de sua condição de cidadão para exigir mais respeito, prefere a maneira mais fácil de resolver seus problemas através da chamada "carteirada" ou contando com o "jeitinho" de alguns amigos. Quando não aceita pagar. Descaradamente.
Depois, é facílimo culpar a internet, quando antes podíamos culpar o cinema, os livros. Podemos achar culpado para tudo.
Muito mais difícil é aceitar a realidade e dizer abertamente: A CULPA É NOSSA!