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06 dezembro, 2019

João Cândido, o Almirante Negro

"Salve o navegante negro / que tem por monumento / as pedras pisadas do cais."
João Bosco e Aldir Blanc

Nascido em Encruzilhada do Sul (RS), João Cândido (24/07/1880 - 06/12/1969) entrou aos 14 anos para a Marinha do Brasil. Filho de ex-escravos, ao presenciar o uso de chibatadas como penalidade para os marinheiros, ele reivindicou melhores condições de trabalho nos navios brasileiros. Em 1910, ele liderou a chamada Revolta da Chibata.
Embora o movimento tenha terminado com o compromisso de o Governo Federal acabar com os castigos corporais e de conceder anistia aos revoltosos, João Cândido e os outros líderes foram detidos. Banido da Marinha, o Almirante Negro, como ficou conhecido, sofreu grandes privações, vivendo precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro.
Faleceu em decorrência de um câncer, pobre e esquecido, em 1969, aos 89 anos.

"O Mestre-sala dos Mares", de João Bosco e Aldir Blanc (vídeo)



GLOSSÁRIO (pela ordem de entrada)
dragão do mar, referência ao dragão do mar cearense, Francisco José do Nascimento, o jangadeiro Chico da Matilde, herói na luta por libertar os escravos no Estado do Ceará.
feiticeiro, marinheiro
navegante, almirante
acenar, navegar
alegria das regatas, bloco das fragatas
multidões, batalhões
santos, negros
cantos e chibatas, pontas das chibatas
pessoal do porão, tripulação

Arquivo: O marinheiro e o metalúrgico

28 janeiro, 2019

Gandavo viu a banana

Pero de Magalhães Gandavo, natural de Braga, descendia de flamengos, como seu nome indica: Gandavo corresponde a Gantois, morador ou filho de Gand. Residiu algum tempo no Brasil. Foi insigne humanista e excelente latinista, de cuja língua abriu escola pública entre Douro e Minho, onde foi casado. E se acrescentarmos que Luís de Camões o teve por amigo, teremos esgotado a sua breve biografia. ~ Capistrano de Abreu
Diz Gandavo, o amigo de Camões, que lhe reconheceu "claro estilo, engenho curioso, e a quem o Brasil devia um Tratado e uma História", em Tratado da Terra do Brasil:
"Também há uma fruta que lhe chamam bananas, e pela língua dos índios pacovas: há na terra muita abundância delas: parecem-se na feição com pepinos, nascem numas árvores muito tenras e que não são muito altas, nem têm ramos senão folhas muito compridas e largas. Estas bananas criam-se em cachos, algum se acha que tem de cento e cinqüenta para cima, e muitas vezes é tão grande o peso delas que faz quebrar a árvore pelo meio; como são de vez colhem estes cachos, e depois de colhidos amadurecem, e tanto que estas árvores dão uma fruta, logo as cortam porque não frutificam mais que a primeira vez, e tornam a rebentar pelos pés outras novas. Esta é uma fruta muito saborosa e das boas que há na terra, tem uma pele como de figo, a qual lhes lançam fora quando as querem comer e se come muitas delas fazem dano à saúde e causam febre a quem se desmanda nelas. E assadas maduras são muito sadias e mandam-se dar aos enfermos. Com esta fruta se mantém a maior parte dos escravos desta terra, porque assadas verdes passam por mantimento, e quase têm sustância de pão. Há duas qualidades desta fruta, umas são pequenas como figos berjaçotes, as outras são maiores e mais compridas. Estas pequenas têm dentro em si uma cousa estranha, a qual é que quando as cortam pelo meio com uma faca ou por qualquer parte que seja acha-se nelas um sinal à maneira de crucifixo, e assim totalmente o parecem."
Gandavo, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil : História da Província Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. 158 p. (Edições do Senado Federal; v. 100; p. 63-64)


Pesquisa Google:
Gandavo (160.000 resultados), Gândavo (152.000 resultados). Data: 09/09/18 às 10h50.

25 agosto, 2018

O suicídio de Getúlio

1954 — 25 de agosto
Logo após a notícia do suicídio do presidente Getúlio Vargas, multidões saem às ruas, enfurecidas, abortando qualquer hipótese de intervenção — muito embora o dispositivo militar montado para obrigar Getúlio a renunciar continuasse armado.
Populares ocuparam ruas e praças em todo o país e atacaram sedes de partidos de oposição — principalmente da UDN —, jornais alinhados ao udenismo e quartéis.
E não se esqueceram do maior inimigo do líder morto: Carlos Lacerda. Caçado nas ruas do Rio, ele se refugiou na embaixada dos Estados Unidos. Quando esta foi atacada, ele fugiu num helicóptero militar para o cruzador "Barroso", ancorado na baía da Guanabara.
"Mataram Getúlio! Mataram Getúlio!", gritavam os populares nas inúmeras manifestações que se seguiram à notícia do suicídio do presidente.
No Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e capitais do Nordeste, a multidão mostrava a cara e manifestava profunda revolta com o desfecho trágico da dura campanha oposicionista contra Vargas. O Exército interviria em várias cidades.
No Rio, armados de paus e pedras, populares percorreram o centro da cidade destruindo material de propaganda da oposição. Só o jornal "Ultima Hora" pôde ir para as bancas, pois os manifestantes incendiaram carros e exemplares de "O Globo" (foto) e da "Tribuna de Imprensa", que tiveram grande atuação na campanha sem trégua que levara Getúlio Vargas ao suicídio.


Ler mais em Memorial da Democracia.


28 maio, 2018

Baile da Ilha Fiscal - Dois ponto Zero Dezoito


CRÔNICA SOCIAL DOS ÚLTIMOS DIAS - A PROFECIA (?)
Versão modernosa e cafona do Baile da Ilha Fiscal em Brasilia 24/05/2018. Observem a descontração, elegância e alegria dos convivas em que, para embalar o réquiem, faltou um embatinado Barnabé (terceirizado e certamente superfaturado). O falso ar de seriedade e serenidade do Vampiro, poderia ser explicado por sua preocupação com eventual extravasamento de seu penico portátil. O Gatinho Angorá não muda, a elegância de sempre com seu look de Piloto de Provas de Fábrica de Supositórios e seu antípoda, o Marum, aquele que meu sogro, um gauchão nascido na Prussia Oriental (Anklam), facilmente o identificaria como aquele Baita Grosso de Bagé [https://www.youtube.com/watch?v=AXyws7QTWog]. Solene, aquele Ministro com sobrenome de Terrorista Basco - cara assustadora...
Desculpem-me o mau-humor.
Jaime Nogueira

Uma banda, instalada a bordo do "Almirante Cochrane", o navio homenageado, tocou valsas e polcas madrugada adentro
Dançou-se muito n'O Último Baile do Império, mas o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império. "Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto.
Longe dali, ao lado da família imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim. A família imperial chegou ao cais pouco antes das 10 horas. D. Pedro II, fardado de almirante, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro. Quinze minutos depois foi a vez da princesa Isabel e do conde D’Eu. Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. O guarda-roupa da imperatriz não chegou a causar impressão especial entre os convidados - um vestido de renda de chantilly preta, guarnecido de vidrilhos. A toalete da princesa Isabel, no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listrada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes."
Um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da família real, às 10 horas da noite: conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se e levou um tombo. Foi amparado por dois jornalistas. Ao recompor-se, exclamou: "O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!". Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado, visto que já estava em idade avançada, o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar.

Páginas do cardápio do último Baile da Ilha Fiscal, 1889. Arquivo Nacional.
Outro acontecimento curioso ocorreu no término da festa. Às 5 horas da manhã, após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram alguns artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas. O fato pode, entretanto, ser fictício, uma vez que foi relatado na coluna humorística Foguetes, do periódico carioca "O Paiz", no dia 12 de novembro, nestes termos:
"Houve quem perdesse dragonas, chapéos de sol, chapéos de cabeça, lenços, e até - parece incrivel, mas é rigorosamente verdadeiro - uma senhora deixou lá ficar o espartilho!!!"
Repercussão
A distribuição dos 5.000 convites começou no dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio de Janeiro se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vagas nos cabeleireiros. As senhoras lotavam as lojas de roupas finas e os cavalheiros recorriam aos alfaiates, para ajustar suas casacas e às barbearias, para cortar o cabelo ou aparar os bigodes e barbas. Muitas senhoras chegavam às 9 h da manhã, para fazer os cabelos
Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e mazurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo. A princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa mais animadas. Depois da festança, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou: 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 cintas-liga. De acordo com o historiador Milton Teixeira todas as fotos feitas na festa desapareceram.
O Baile foi comentado pela mídia por alguns dias, o que trouxe uma falsa imagem de solidez da coroa.

03 maio, 2018

A vida brasileira no princípio do século 19

Livro: Malerische Reise in Brasilien
Data: 1835
Autor Moritz Rugendas
Rugendas veio em expedição ao Brasil no século XIX e visitou os principais estados do Norte ao Sul. O seu livro Malerische Reise in Brasilien foi publicado em 1835 e traz uma seleção de cem desenhos, entre inúmeros feitos in loco, litografados pela famosa prensa de Engelmann. Muitos dos textos presentes foram retirados de cartas e notas do próprio artista. As gravuras desta publicação trazem um autêntico valor documental, de máxima importância para o estudo da vida brasileira no princípio do século XIX.
Um exemplar deste livro de Rugendas encontra-se na Unifor, à entrada da biblioteca central, no interior de uma caixa de vidro. O código QR do objeto exposto possibilita, através do telefone celular, folheá-lo e baixá-lo do site Flickr. (11/09/2017)
https://www.flickr.com/photos/uniforcomunica/albums/72157680611577376

28 outubro, 2016

Essa intendência é de morte!

"Eu estava de cócoras no chão e um gato passou por baixo de mim, esfregando-se contra a minha bunda. O meu primeiro pensamento, espontaneamente, foi: 'ei, isto é o que eu sentiria se usássemos gatos como papel higiênico'. Então, o meu cérebro me olhou de uma forma engraçado, balançou a cabeça e se afastou de mim." – Dave Pacheco
Isso me faz lembrar uma pequena história ocorrida com um estudante de Medicina, a qual me foi contada pelo próprio protagonista. Em viagem pelo interior do Ceará, ele precisou num dado momento usar a "casinha" de um restaurante. Concluído o "despacho", foi que ele deu pela falta de um suprimento importante: o papel higiênico. A solução final foi apelar para um macio gatinho cuja única desventura era estar no local errado.
Em seu blogue, o professor Luiz Vieira, de Parauapebas-PA, apresenta uma versão (bem diferente daquela que aprendemos nos livros didáticos) para o Grito da Independência:
No meio do caminho (D. Pedro) foi acometido por uma terrível dor de barriga e parou às margens plácidas do Rio Ipiranga para se aliviar. Quando terminou gritou para a intendência: papel! Os soldados nervosos reviraram a carroça de suprimentos e não encontraram o papel para D. Pedro se limpar. D. Pedro muito nervoso, após pedir por três vezes, se levantou com as calças entre as pernas, retirou sua espada da bainha, ergueu e gritou: "essa intendência é de morte!" Os soldados entenderam outra coisa e gritaram: "Independência! Independência!" Quando D. Pedro percebeu o engano já era tarde demais. Os soldados já estavam lhe abraçando e parabenizando pelo feito.