19 junho, 2026

O homem mais francês do mundo

CBS NEWS - Um ciclista francês sobreviveu por três dias após uma queda de 40 metros em um barranco, graças às garrafas de vinho tinto que carregava em sua sacola de compras. Antes de ser socorrido no hospital de Saint-Julien-des-Points, uma comuna no sul da França, ele caiu em um riacho várias vezes ao tentar subir de volta para a estrada.
Esta não foi a primeira vez que alguém enfrentou condições adversas com garrafas de vinho. Em 2023, uma mulher que ficou desaparecida por cinco dias no interior da Austrália foi encontrada viva, após sobreviver durante esse período, alimentando-se apenas de vinho... e pirulitos.

18 junho, 2026

Peixes escaladores

Durante grandes cheias, milhares de pequenos peixes se reúnem nas Cataratas de Luvilombo, na bacia superior do Rio Congo, para subir uma cachoeira de 15 metros. O comportamento dessa espécie (Parakneria thysi) foi descrito pela primeira vez na revista Scientific Reports por um intrépido estudante de doutorado que levou um equipamento fotográfico para dentro da queda d'água.
E como esses minúsculos peixes fazem isso se não têm braços? Suas nadadeiras são cobertas por estruturas microscópicas que se assemelham a ganchos, permitindo que se agarrem à rocha escorregadia. Eles se deslocam com rajadas de movimento ascendente e depois fazem pausas que podem durar de menos de um minuto a cerca de uma hora. Na verdade, a maior parte de sua jornada de 10 horas é gasta descansando.


É “fabuloso” ver um peixe usar “recursos que aumentam o atrito”, como esses ganchos, para se agarrar e escalar, diz Adam Summers, biólogo da Universidade de Washington, que estuda adaptações incomuns em peixes e não participou do estudo. O comportamento de escalada desses peixes era conhecido de forma anedótica há anos, mas agora está documentado para o mundo todo. — Emma Gometz.

17 junho, 2026

Monumentos e estátuas

Um monumento é uma estrutura comemorativa, muitas vezes grande, feita para preservar a memória de um evento ou pessoa, enquanto uma estátua é uma forma de escultura que representa uma figura (humana, animal ou abstrata).
Uma estátua pode ser um monumento, mas nem todo monumento é uma estátua.
Objetivos:
  • Monumento: foco no significado histórico/coletivo, podendo ser uma construção, obelisco ou prédio.
  • Estátua: foco na representação artística da figura.
Principais diferenças:
  • Propósito: Monumentos servem para lembrar um evento ou figura histórica de relevância. Estátuas focam na representação física e artística de um ser.
  • Escala e contexto: Monumentos geralmente são grandiosos e fazem parte da paisagem urbana. Estátuas podem ser de qualquer tamanho, muitas vezes em tamanho real.
  • Exemplos: Monumento às Bandeiras (monumento com esculturas), estátua do Cristo Redentor (estátua monumental).

Localizado em frente ao Parque Ibirapuera, o Monumento às Bandeiras é um dos postais de São Paulo. Criada pelo escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, a obra homenageia os bandeirantes, exploradores que expandiram as fronteiras do Brasil durante os séculos XVII e XVIII.

16 junho, 2026

Cama de gato

Por que se preocupar com uma cama de gato quando ele pode simplesmente usar... outro gato?

Não confundir com a "cama de gato" que o Thiago Silva sofreu:

http://youtube.com/shorts/nyl9-7i0Rr0?si=br0va4ouX-xb9O3i

15 junho, 2026

Cavalgando o vento

A energia eólica tem um longo passado e um futuro promissor.
Os seres humanos têm aproveitado a força do ar em movimento desde que o primeiro pano foi içado sobre um barco, dando origem à expressão "barco a vela". E desde que moinhos e bombas de vento impulsionam nossas máquinas, drenam nossas terras e moem nossas plantações com mais potência e praticidade do que qualquer força muscular.
O uso de combustíveis fósseis pode ter marginalizado a energia eólica, porém colocou nosso planeta em perigo. Em meio a um crescente desejo e necessidade por energia mais limpa, sem mencionar a tecnologia em constante aprimoramento, o mundo está se voltando para as turbinas eólicas em busca de energia não apenas limpa, mas também barata, sustentável e renovável, e que está sempre disponível, pronta para ser aproveitada.
As turbinas eólicas são muito importantes na China. Além de estarem no mar, você as encontrará em colinas e em campos abertos — basicamente em qualquer lugar onde haja vento suficiente.
"Essa é a beleza do vento", diz Zhang Lei, fundador e CEO da Envision. "Uma vez que você tenha espaço, você consegue aproveitar a energia eólica... É uma fonte infinita de fluxo de energia."
A China já instalou 520 gigawatts de energia eólica — quase a metade do total mundial. Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar. Alemanha, Índia e Brasil vêm a seguir. E os números têm aumentado em toda a Europa. A quantidade de eletricidade produzida por energia eólica é quase 30 vezes maior do que era no início dos anos 2000.


Mas há um problema: o vento não sopra o tempo todo. Isso significa que a energia precisa ser armazenada em baterias, e a maioria das baterias só armazena uma pequena quantidade de energia.
Enquanto especialistas na Europa estão levando a energia das baterias a novos patamares, cientistas na China estão elevando a tecnologia de turbinas a novos patamares.
A turbina flutuante 
Em janeiro, uma empresa chinesa testou um sistema de turbina que flutua a centenas de metros de altura, gerando energia a partir de ventos em altitudes mais elevadas, que geralmente são mais fortes do que os ventos próximos ao solo.
Extraído de: CGTN

14 junho, 2026

Frida Kahlo

Frida Kahlo (6 de julho de 1907 – 13 de julho de 1954), uma das 35 meninas entre os 2.000 alunos da Escola Preparatória Nacional do México, tinha quinze anos quando conheceu Alejandro Gómez Arias. Ambos eram apaixonados e cultos, ambos eram membros do grupo estudantil anarquista conhecido como Los Cachuchas, por causa dos bonés de pano pontiagudos que usavam em desafio ao código de vestimenta restritivo da época, e ambos se tornaram o primeiro amor um do outro.
Alejandro estava no ônibus com Frida naquele fatídico dia do final do verão, pouco depois de seu décimo oitavo aniversário, quando uma colisão de bonde matou vários outros passageiros e a deixou tão gravemente ferida — sua pélvis fraturada, seu estômago e útero perfurados por um trilho, sua coluna quebrada em três lugares e sua perna em onze — que os médicos do Hospital da Cruz Vermelha não acreditavam que ela pudesse ser salva.
Foi a insistência implacável de Alejandro que os fez tentar. Contra todas as expectativas, Frida sobreviveu — mas sua vida mudou para sempre. A forma como ela lidou com o que teve que enfrentar, por sua vez, mudou a história da arte. 

 

Após os graves ferimentos que Frida sofreu e as múltiplas cirurgias a que se submeteu, o jovem Alejandro foi desaparecendo gradualmente de sua vida, até abandoná-la. (Infobae)

13 junho, 2026

Aversão estética

Esta imagem é uma ilustração histórica da revista britânica "Punch", publicada em 17 de fevereiro de 1877, satirizando as modas da época.
A cena retrata um diálogo social sobre "verdadeiro refinamento artístico", com foco nas cores vibrantes de roupas femininas.
O texto menciona a aversão de um personagem aos novos corantes sintéticos derivados do alcatrão de hulha, populares na época por produzirem cores intensas como malva e magenta.


Anfitrião:
"Vamos descer para a ceia, Sr. Mirabel. Permita-me apresentá-lo à Srta. Chalmers."
Sr. Mirabel:
"Sei. É a jovem alta ao lado de sua esposa!"
Anfitrião:
"Sim. Ela é a garota mais charmosa que conheço."
Sr. Mirabel:
"Eu não duvido. Mas... ah, como me afetam os corantes sintéticos, você não sabe! Eu realmente não poderia descer para a ceia com uma jovem que usa guarnições malva na saia e fitas magenta no cabelo!"
Anfitrião:
"Sim, ela é a garota mais charmosa..."

12 junho, 2026

"Caminhar na prancha"

É um termo popular que surgiu após diversos relatos de uma forma elaborada e incomum de tortura sádica em navios chegarem ao continente. Consistia em estender uma prancha de madeira além da borda do navio, forçando o prisioneiro a caminhar sobre ela até o final, onde as vibrações da prancha o fariam perder o equilíbrio e cair no mar. Embora a cultura popular moderna associe o termo "caminhar na prancha" às famosas histórias de piratas, na realidade, a Era de Ouro da Pirataria (entre os 1650s e os 1730s) não possui nenhum registro desse evento. Piratas famosos como Henry Avery , Barba Negra , Henry Morgan e outros jamais utilizaram essa técnica para torturar e matar seus prisioneiros. Na verdade, a grande maioria dos piratas preferia não matar suas vítimas e se esforçava para garantir que aquelas que deixavam para trás tivessem pelo menos alguma chance de sobreviver (abandonando-as em navios saqueados, em praias etc.).
O primeiro caso documentado de alguém forçar um prisioneiro a "andar na prancha" ocorreu em 1769, quase 40 anos após o fim do último período de pirataria generalizada no Caribe. Nesse relato, um dos amotinados navais capturados confessou a seu capelão na prisão de Newgate, em Londres, que durante os eventos de seu motim no mar, marinheiros mataram seus oficiais forçando-os a caminhar na prancha e a jogar-se no mar.

11 junho, 2026

Quantas fatias tem uma tangerina?

Uma investigação domiciliar realizada em condições de excesso de oferta sazonal de citrinos em que, ao longo de três anos, a distribuição numérica de gomos se manteve estável e correspondendo de perto a relatos do final do século XX.

Conclusão
As tangerinas consumidas em condições típicas de inverno europeu apresentam uma variação modesta no número de gomos, mas mantêm uma distribuição surpreendentemente estável em torno de 10 gomos. Essa consistência persiste apesar de décadas de esforços de melhoramento genético que removeram com sucesso as sementes, melhoraram a doçura e tornaram a fruta fácil de descascar, mesmo por crianças pequenas. A arquitetura interna da tangerina, portanto, parece excepcionalmente resistente à inovação. Em um cenário de produtos agrícolas caracterizado pela rápida otimização, a tangerina permanece um objeto discretamente conservador — abundante, conveniente e apenas levemente ousada em sua geometria. Se os futuros programas de melhoramento genético conseguirão, eventualmente, persuadi-la a reconsiderar suas preferências numéricas, permanece, no momento, incerto.

10 junho, 2026

Um ser introvertido

A toupeira-cega-da-palestina (Spalax ehrenbergi - Nehring, 1898)) é a definição de um ser introvertido. Ela mora no subsolo, em uma profundidade de cerca de 30 cm, e cava sistemas de túneis onde fica durante a maior parte da vida, comendo raízes, tubérculos e bulbos. Cada toupeira-cega tem seu próprio território: se uma delas acidentalmente cavar no túnel de outra, elas mostrarão os dentes ou morderão umas às outras em batalhas violentas, muitas vezes mortais.
As toupeiras-cegas geralmente só interagem com outros animais de sua espécie durante a temporada de acasalamento, mas mesmo assim, devem proceder com cautela.
O macho cava o solo em direção a uma fêmea, mas faz uma pausa antes de entrar em seu túnel. Por vários dias, eles enviam sinais vibracionais um ao outro tamborilando no teto do túnel com suas cabeças.
Somente quando a fêmea expressa interesse em se encontrar, o macho avança, acasala com ela e vai embora. Após fechar o túnel atrás dele, ele continua seu modo de vida recluso.
Estilos de vida solitários como esse são comuns no reino animal. Mesmo entre os mamíferos — um grupo geralmente sociável — 22 por cento das espécies estudadas são amplamente solitárias, o que significa que machos e fêmeas dormem e buscam comida sozinhos na maior parte do tempo.
Extraído de: Solidão, que podemos aprender com jabutis, toupeiras e polvos, por Katarina ZimmerRole, da BBC Future

Aqui estão os pontos principais sobre essa criatura:
  • Estilo de vida subterrâneo. Vivem em túneis, passando a maior parte da vida sem ver a luz do dia.
  • Adaptação à cegueira. Seus olhos são atrofiados e cobertos por pele, uma adaptação evolutiva à vida na escuridão total.
  • Habilidades de escavação. Utilizam seus dentes frontais e patas fortes para cavar galerias, criando montes de terra na superfície.
  • Outros sentidos apurados. Na ausência de visão, orientam-se por vibrações e têm um olfato e audição muito desenvolvidos.
  • Supervivência. São conhecidas por serem resistentes, capazes de lidar com baixos níveis de oxigênio em seus túneis.

09 junho, 2026

Brutus (Bruto)

Desambiguação
  • Brutus (Marcus Brutus, famoso líder de uma conspiração que assassinou Julio César nos "Idos de Março de 44 a.C.) 
  • Brutus (o arquirrival musculoso e barbudo do marinheiro Popeye, que é quase sempre derrotado após Popeye comer espinafre)
  • Brutus (crocodilo australiano gigante do Rio Adelaide, notório por ter apenas três patas como resultado de uma suposta luta contra um tubarão) 
  • Bruto (um cão vira-lata caramelo brasileiro, herói da Guerra do Paraguai).
Era um cão vira-lata que vivia nas ruas do antigo Centro do Rio de Janeiro, que certo dia adentrou no Quartel dos Barbonos da Corte — atual Quartel General da Polícia Militar, — na Rua Evaristo da Veiga, 78, e que passou a viver por lá. Nesse contexto, é adotado pela corporação e recebe o nome de Bruto.
No dia 10 de janeiro de 1866, um Corpo Policial da Corte com cerca de quinhentos oficiais e praças, sob o comando do coronel Manoel José Machado, se apresenta no pátio da unidade militar e Bruto os acompanha voluntariamente em marcha, embarcando posteriormente num navio na praça Mauá e seguindo para lutar na Guerra do Paraguai.
Bruto participou ativamente dos combates, como na Batalha de Tuiuti, em 24 de maio de 1866, e auxiliou em missões de resgate a soldados feridos.[carece de fontes] Ferido em combate, foi tratado e curado, retornando com as tropas para o Brasil em 1870, na condição de herói.
Poucos meses após seu regresso ao país, quando andava pelo Campo de Santana, morreu envenenado. Um artigo publicado no jornal "A Noite" afirmou que Bruto foi vítima de uma "covarde cilada de um guarda fiscal (...) que o mimoseou com uma bola envenenada e fulminante". 
As praças do quartel fizeram um rateio para pagar sua autópsia e taxidermia, e também lhe mandaram confeccionar uma coleira gravada com uma dedicatória em homenagem a ele.
Atualmente, Bruto está em exposição na sala da Guerra do Paraguai, dedicada aos Voluntários da Pátria, no Museu da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (fotografia).
Wiki e Galeria de Fotos do MPMERJ.

08 junho, 2026

Vulcano

Um pequeno planeta hipotético cuja existência foi proposta em uma órbita entre Mercúrio e o Sol. 
Tentando explicar as peculiaridades da órbita de Mercúrio, o matemático francês do século XIX, Urbain Le Verrier, levantou a hipótese de que elas seriam o resultado da existência de outro planeta, ao qual deu o nome de "Vulcano".
Diversos pesquisadores se envolveram na busca por Vulcano, mas tal planeta nunca foi encontrado, e as peculiaridades da órbita de Mercúrio foram explicadas pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein.
Vulcano em um mapa litográfico de 1846. (Wiki)

07 junho, 2026

A Cachoeira Humana de 1933

Voltemos 93 anos (poderíamos até chamar de um século), quando o filme "Footlight Parade" foi lançado nos EUA. Embora o enredo não tenha nada de extraordinário (um produtor em dificuldades interpretado por James Cagney, em conflito com o mundo), este filme apresentava uma sequência de nado sincronizado, ao estilo de Busby Berkeley, simplesmente incrível.


Uma nota sobre o elenco:
Dorothy Lamour, que inspirou Petrúcio Maia e Fausto Nilo à canção homônima (ft. Ednardo), estava entre as muitas coristas do filme. Foi a estreia de Lamour no cinema.

06 junho, 2026

Por que elefantes não têm bolas?

Quando você diz bolas, presumo que queira dizer testículos. ;)
- Sim. Bolas, do inglês "balls".
Claro, sendo machos, os elefantes machos têm que ter testículos, como é o caso de quase todos os mamíferos machos (eu disse quase). O que os elefantes não têm é um escroto. Então, eles têm bolas. Eles simplesmente não têm bolas externas. É como uma baleia, exceto que aparentemente os elefantes nunca mostraram nenhum sinal de que, em seu passado evolutivo, tivessem um escroto; ao contrário das baleias, que possivelmente tinham. Os testículos das baleias estão dentro de seus corpos para mantê-los na temperatura perfeita. Se a maioria dos outros mamíferos (incluindo humanos) tivesse suas bolas dentro de seus corpos, o esperma cozinharia. (Ericles Lima, Quora)
- Mas este aqui possui UMA bola. O que já é um começo...

05 junho, 2026

O legado que Thermen deixou no Ocidente

Na década de 1960, altos funcionários da KGB ficaram obcecados por OVNIs e fenômenos paranormais, e incumbiram Termen de investigar isso. Ele considerou uma perda de tempo. Palavras duras de um sujeito que queria descongelar Lenin!
As pessoas que conheceram Termen depois da guerra comentaram que ele mal movia os lábios enquanto falava, um hábito adquirido por viver sob constante vigilância.
No final da década de 60, Termen deixou o trabalho de espionagem e conseguiu um emprego em uma universidade, onde fazia pesquisa acústica. Certo dia, um jornalista ocidental em visita encontrou Termen e, infelizmente, noticiou no New York Times que ele ainda estava vivo.
Isso foi demais para o chefe de Termen, que levou todos os instrumentos musicais dele para fora e os destruiu com um machado. "Eletricidade só serve para fazer cadeiras elétricas", explicou. E assim terminou a carreira universitária de Termen.
É assim que a opressão muitas vezes se manifesta. Ninguém ligou de Moscou para dizer a esse cara para destruir a obra de Termen. Mas ele não quis se arriscar e adotou uma postura proativa.
O resto da vida de Termen foi gasto tentando encontrar um pequeno espaço para trabalhar. Ele recebeu um pequeno quarto individual em um apartamento compartilhado, que encheu de equipamentos e arquivos antigos. Ele nunca parou de dar aulas de theremin.
Ele passou seus últimos anos tentando despertar interesse em um dispositivo chamado microscópio do tempo. Havia minúsculos corpúsculos no sangue que podiam ser vistos com o equipamento fotográfico de alta velocidade adequado. Eles eram a chave para a imortalidade.
As pessoas que convidaram Termen para conferências musicais no final de sua vida fizeram grandes esforços para mantê-lo em silêncio sobre o microscópio temporal. Assim frustrado, ele morreu em novembro de 1993, aos 97 anos.
Sabemos o legado que o Theremin deixou no Ocidente. Na década de 1930, ele foi utilizado nas trilhas sonoras de alguns filmes sobre protagonistas com distúrbios mentais. A música do Theremin passou a ser associada a thrillers psicológicos e, eventualmente, à ficção científica pura. Tinha aquele som exótico e perturbador.
Apesar dos esforços de músicos como Clara Rockmore e de participações ocasionais em músicas populares, como "Good Vibrations", o theremin permaneceu um instrumento de nicho. Os poucos músicos de estúdio que sabiam tocá-lo ganhavam muito bem compondo trilhas sonoras para filmes. Mas o theremin tinha esse poder de cativar a imaginação. Inspirou uma geração de pessoas como Robert Moog, o grande pioneiro dos sintetizadores, que começou fabricando theremins e nunca perdeu a paixão por eles. Moog considera o reparo do theremin original de Clara Rockmore o ponto alto de sua carreira.
O que tornou o instrumento tão durável foi sua bela simplicidade. Não apenas como interface, mas como circuito. É um dos circuitos de rádio "reais" mais simples que você pode construir. O projeto original de Termen exigia apenas cinco válvulas eletrônicas. Por isso, sempre foi um elemento básico em projetos de eletrônica caseira e um ótimo ponto de partida para experimentos. Era "hackeável" no melhor sentido da palavra.
E, claro, o theremin, e Termen, têm outro legado, em todos os dispositivos com tela capacitiva (sensível ao toque). Esses celulares em nossos bolsos não são apenas dispositivos de vigilância, mas pequenos theremins, capazes de rastrear a posição dos seus dedos com a mesma magia elétrica que Termen usava para criar música. Acho maravilhoso que o legado desse homem se estenda até aí.
Gostaria de encerrar com minha anedota favorita sobre Termen, do final de sua vida. Termen passou anos tentando se filiar ao Partido Comunista, e eles sempre arranjavam desculpas para rejeitá-lo.
Quando ele tinha noventa anos, candidatou-se novamente, mas disseram-lhe que para ingressar teria de fazer um curso avançado de cinco anos em marxismo-leninismo. Então ele o fez. Frequentou a escola noturna e concluiu o curso.
Em 1991, literalmente semanas antes da queda da União Soviética, Termen recebeu seu distintivo do partido. O bolchevique de 95 anos foi, por um breve período, o comunista mais jovem do país. Naturalmente, as pessoas lhe perguntavam: "Lev Sergeyevich, por que diabos você se filiaria ao Partido Comunista agora, quando todos os outros estão saindo?" Ele lhes deu a resposta mais ousada que se possa imaginar: "Eu prometi a Lenin."
Prometi à Tasha e ao Mike que minha apresentação teria duração de trinta minutos. Muito obrigado a todos!
(Aplausos estrondosos e prolongados.)
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 10.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.

04 junho, 2026

Sobre as armas de fogo para os cartéis mexicanos de drogas

Não existe um dado único que aponte para um país específico como o maior produtor de armas exclusivamente para os cartéis de drogas, pois a produção é legal e o desvio ocorre no mercado secundário. No entanto, todas as evidências disponíveis, incluindo dados governamentais, investigações da imprensa e ações judiciais, apontam os Estados Unidos como a principal fonte de origem das armas utilizadas pelos cartéis mexicanos. 
O fluxo ocorre majoritariamente através do tráfico ilegal a partir de território estadunidense. Estima-se que entre 200.000 e 500.000 armas são traficadas dos EUA para o México, anualmente. Entre 70 e 90% das armas recuperadas em cenas de crime no México e apreendidas com cartéis são fabricadas nos EUA. Calculam as autoridades mexicanas que cerca de 3 milhões de armas foram enviadas dos EUA para os cartéis nos últimos 15 anos. 
Como funciona o esquema 
A origem americana das armas não significa que o governo dos EUA as envie diretamente. O esquema funciona através de brechas e do mercado ilegal: 
  1. O "tráfico de formigas". A principal forma de operação. Centenas de "laranjas" (cidadãos americanos sem antecedentes criminais) compram legalmente uma ou mais armas em lojas, supermercados, internet ou feiras de armas nos EUA. 
  2. Contrabando pela fronteira. Essas armas são então escondidas em veículos e contrabandeadas através da fronteira para o México, onde são vendidas aos cartéis. 
  3. Falta de controle eficaz. A diferença na legislação é um fator chave. Enquanto o México tem uma das leis mais restritivas do mundo, os EUA possuem milhares de pontos de venda próximos à fronteira, facilitando as compras ilegais. 
Ações e disputas judiciais 
O governo do México processou fabricantes como Smith & Wesson, Colt e Beretta nos tribunais dos EUA, alegando que suas práticas abastecem o crime organizado. Em 2021, o México abriu um processo de US$ 10 bilhões contra os fabricantes de armas dos EUA, alegando que as empresas de armas conhecem o destino ilegal de seus produtos e, mesmo assim, adotam práticas negligentes. Como vender para distribuidores que abastecem os cartéis e até mesmo lançar modelos de edição especial com apelo à narcocultura. 
Resumo da ópera 
Embora a produção legal seja uma cadeia global, os Estados Unidos são, de longe, a fonte primária do arsenal dos cartéis de drogas no México. A combinação de: 1) leis permissivas de venda, 2) a enorme demanda no mercado ilegal e 3) a falta de um controle mais rígido na fronteira transformaram os EUA no principal ponto de origem do "rio de ferro" que abastece a violência na América Latina.

02 junho, 2026

Gelo fino

Urso polar foi bom aluno de Física. Ele aprendeu que ao distribuir o peso corporal (de 450 kg) por uma área mais extensa diminuirá a pressão sobre o gelo.

01 junho, 2026

O quadrado mágico de Lo Shu

É o único quadrado mágico de ordem três que pode ser formado com os dígitos de 1 a 9. 
Lendas chinesas sobre o imperador pré-histórico Yu contam a história do Lo Shu:
Na China antiga, houve um grande dilúvio: o povo ofereceu sacrifícios ao deus de um dos rios inundantes, o rio Luo, para tentar acalmar sua ira. Uma tartaruga mágica emergiu da água com o curioso e decididamente antinatural (para um casco de tartaruga) padrão Lo Shu em sua carapaça: pontos circulares representando os números inteiros de um a nove em algarismos unários (base 1), dispostos em uma grade de três por três.

Em algarismos arábicos, sua representação é assim:
Os números pares e ímpares se alternam na periferia do padrão Lo Shu; os 4 números pares estão nos quatro cantos, e os 5 números ímpares (superando os números pares em um) formam uma cruz no centro do quadrado. As somas em cada uma das 3 linhas, em cada uma das 3 colunas e em ambas as diagonais são todas 15 (o número de dias em cada um dos 24 ciclos do ano solar chinês).

31 maio, 2026

Zé do Norte

Alfredo Ricardo do Nascimento, conhecido como Zé do Norte (Cajazeiras (PB), 18 de dezembro de 1908 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1992), foi um músico brasileiro.
O menino Alfredo Ricardo, órfão de pai e de mãe, teve uma infância muito pobre. Trabalhou na enxada, apanhou algodão, conduziu tropas de burro. Gostava de cantar desde a infância, mas sem imaginar que isso pudesse ser um meio de vida.
Em 1921, foi para Fortaleza e alistou-se no Exército, indo servir no Rio de Janeiro. Convidado, atuou em programa de rádio, obtendo grande sucesso com uma embolada de sua autoria. Acabou sendo levado para a Rádio Tupi onde passou a cantar adotando o pseudônimo de Zé do Norte, em 1940.
Zé do Norte publicou o livro "Brasil Sertanejo" em 1948 e, cinco anos depois, indicado pela escritora cearense Raquel de Queiroz, atuou como consultor de linguajar nordestino e compositor no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto (1953). Sua música "Mulher Rendeira" (sobre motivo atribuído a Virgulino Ferreira, o Lampião) ficou mundialmente conhecida após ser incluída no referido filme.
O sucesso desta fita em Cannes elevou Zé do Norte ao Olimpo do cancioneiro popular nacional. Outras de suas canções de sucesso foram: "Sôdade, Meu Bem Sôdade", gravada por Nana Caymmi e Maria Bethânia, entre outros, e "Lua Bonita", gravada por Raul Seixas e Belchior (vídeo), entre outros.
Contudo, é provável que ele tenha feito modificações em canções que já fossem cantadas pelos sertões nordestinos. Ou, então, que ele tenha adotado como suas (hipótese José Neumanne Pinto) as canções que sua mãe cantava no sertão do Rio do Peixe.


"Lua Bonita" c/ Belchior e Dominguinhos

30 maio, 2026

Roteadores Wi-Fi comuns poderão em breve identificar pessoas

Cientistas na Alemanha demonstraram uma nova e surpreendente forma de vigilância: identificar pessoas usando apenas sinais comuns de Wi-Fi. Ao analisar como as ondas de rádio se propagam em um ambiente, os pesquisadores conseguem "ver" e reconhecer indivíduos — mesmo que eles não estejam portando nenhum dispositivo ativo.
"O funcionamento é semelhante ao de uma câmera comum, com a diferença de que, em nosso caso, ondas de rádio são utilizadas em vez de ondas de luz para o reconhecimento", explica o especialista em cibersegurança o professor Thorsten Strufe, do KASTEL. "Portanto, não importa se você está carregando um dispositivo Wi-Fi ou não."


Desligar o smartphone não é suficiente para evitar a detecção. Dispositivos sem fio próximos, conectados à rede, ainda geram sinal suficiente para que o sistema funcione.
A precisão quase perfeita levanta preocupações com a privacidade
A tecnologia é poderosa, mas ao mesmo tempo acarreta riscos aos nossos direitos fundamentais, especialmente à privacidade.
Os pesquisadores estão particularmente preocupados com a forma como a tecnologia poderia ser usada em países autoritários para monitorar manifestantes ou rastrear cidadãos sem o seu conhecimento. Eles defendem a inclusão de proteções e salvaguardas de privacidade mais robustas no próximo padrão Wi-Fi IEEE 802.11bf.
Extraído de: Instituto de Tecnologia de Karlsruhe ( KIT). "O Wi-Fi comum agora pode identificar pessoas com precisão quase perfeita." 
ScienceDaily. ScienceDaily, 22 de maio de 2026. 

29 maio, 2026

Mulher de 30 e Homem de 30

Dos vinte aos trinta, quem eu quiser; dos trinta aos quarenta, quem me quiser... 
Provérbio

Mulher de Trinta
Compositor: Luís Antônio (nome artístico)
Intérprete: Miltinho
Você, mulher / Que já viveu, que já sofreu / Não minta / Um triste adeus, nos olhos seus / A gente vê, mulher de trinta.
http://youtu.be/03IuPyCrcOQ?si=gXCY4mo-ytcrXL-7

Homem de Trinta 
Sérgio Sampaio
Álbum "Sinceramente"
Eu me desenho, amor / Como se pinta / Um quadro novo com o brilho e a cor / De todo homem de trinta.
https://youtu.be/aB80YLzDhqs?si=-dAtujfkrBUIN-9P
Sérgio Sampaio é também o autor de "Eu quero é botar meu bloco na rua".

28 maio, 2026

Tridente


O Brasão de Armas da Ucrânia (conhecido como Tryzub; em português,"'Tridente") apresenta as mesmas cores encontradas na bandeira ucraniana: um escudo de fundo azul com um tridente amarelo.
A utilização deste símbolo foi suplantada a partir do século XI pela tradição cristã de utilizar as imagens de santos (principalmente São Jorge, considerado protetor da família), e mais tarde por simbologia heráldica dos cossacos ou imagens culturais. 
O tridente só foi pensado como um símbolo nacional em 1917, quando um dos mais proeminentes historiadores ucranianos, Mykhailo Hrushevsky, propôs a sua adoção. Em 22 de Março de 1918, a Verkhovna Rada (Conselho Central) aprovou-o como o brasão de armas da então fugaz República Nacional da Ucrânia. Fonte: Ukraine World

27 maio, 2026

ARGUMENTUM EX SILENTIO

Frances Wood baseou seu controverso livro "Marco Polo foi à China?" num argumento pelo silêncio. Ao argumentar que Marco Pólo (gravura)jamais foi até à China e que ele teria apenas inventado seu relato. Baseando-se na falta de elementos que deixa de citar, como o chá, a Grande Muralha da China e a prática de amarrar os pés das moças (pés de lótus). Ela argumentou que nenhum estrangeiro que tivesse passado quinze anos na China teria deixado de perceber e de relatar estes elementos. A maior parte dos historiadores, porém,discorda da sinóloga.

26 maio, 2026

Novo teste de embriaguez

Um homem é parado na estrada por estar com o farol quebrado. O policial olha para dentro do carro e vê uma coleção de facas no banco de trás.
– Senhor, por que todas essas facas? – pergunta.
– São para o meu número de malabarismo – ele responde.
– Prove – diz o policial.
O homem sai do carro e faz malabarismo com as facas.
Nisso, dois homens passam de carro.
– Puxa – diz um deles –, ainda bem que parei de beber. Esses novos testes de embriaguez estão cada vez mais difíceis.
(http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=15966)

25 maio, 2026

Dois homens, duas toalhas...

Dois homens, duas toalhas e música! Isso é tudo de que eles precisam para fazer o público rir.

Todo dia 25 de maio os fãs da série "O guia do mochileiro das galáxias", do autor britânico Douglas Adams, comemoram o Dia da Toalha. A série de cinco livros conta a história de Arthur Dent e seus amigos em aventuras pelo espaço, e a toalha é um item essencial para esses viajantes. Por isso, durante todo esse dia, os fãs carregam uma toalha com eles. Alguns usam como uma capa, outros como um turbante, o importante é carregá-la todo o tempo e, claro, postar fotos nas redes sociais. ou vídeos nos blogues.

O Dia da Toalha em 2016 e 2019.

24 maio, 2026

"Tira os óculos e recolhe o homem"

Moreira da Silva - Jards Macalé
Quis apelar para o bom-senso do delegado
Ele não atendeu:
-Você vai ser é enquadrado. Tira os óculos e recolhe o homem  
Fecha o cadeado, incomunicabilidade com ele!

http://youtu.be/xglkQWLXVEI?si=G9gG94fyoAg-VRTq
Moreira explica:
Tira os óculos (para não tentar cortar os pulsos na carceragem).

23 maio, 2026

O medalhista olímpico mais velho de todos os tempos

Aos 72 anos, o atirador esportivo Oscar Swahn representou a Suécia, nos Jogos Olímpicos de 1920 em Antuérpia, na Bélgica. Esta foi a terceira participação de Swahn, que também competiu nos Jogos Olímpicos de 1908 e 1912 (os jogos de 1916 não aconteceram).
Swahn era um atirador de elite com rifle. 

Ele ganhou medalhas nestas três competições:

Ouro (Londres, 1908) Individual
Ouro (Londres, 1908) Equipe
Ouro (Estocolmo, 1912) Equipe

Prata (Antuérpia, 1920)
Prata (Londres, 1908)

Bronze (Londres, 1908)
Bronze (Estocolmo, 1912)

22 maio, 2026

O ponto de não retorno do pepino

"É de pequenino que se torce o pepino" trata-se de um ditado popular de origem portuguesa, com registros desde o século XVII, que significa que a educação, valores e hábitos de uma pessoa devem ser moldados desde a infância, quando ainda é mais fácil corrigir comportamentos e ensinar virtudes.

"O ponto de não retorno (ou tipping point)" é um limiar crítico a partir do qual um sistema sofre mudanças drásticas e irreversíveis, entrando em um novo estado de equilíbrio do qual não consegue mais retornar às condições originais, mesmo que as causas iniciais do dano sejam interrompidas.

A junção da expressão com o ditado é para significar que a, partir de um certo ponto que o pepino (ou que o menino) alcance, não será mais possível corrigir os desvios verificáveis.

(Não conheço o fedelho. A foto meramente ilustrativa.)

21 maio, 2026

O valor da individualidade

por Nelson José Cunha
Este vídeo é uma pequena, mas poderosa alegoria da condição humana.
Um grupo de pessoas aguarda em uma sala. Sempre que um sinal sonoro toca, todos se levantam. Uma mulher recém-chegada observa a cena sem entender o motivo. Nos primeiros momentos, permanece sentada. Logo, porém, começa a se levantar também - não por compreender a razão, mas simplesmente porque o grupo o faz.
Gradualmente, as pessoas vão saindo da sala. No final, ela fica sozinha. Ainda assim, continua obedecendo ao sinal. A regra perdeu o sentido, mas o hábito permaneceu.
O experimento revela uma das forças mais profundas da vida social: a tendência humana à conformidade.
O psicólogo Solomon Asch* demonstrou, em seus experimentos clássicos, que indivíduos perfeitamente racionais eram capazes de negar o que viam com os próprios olhos apenas para não contrariar o grupo. Stanley Milgram* mostrou até onde pessoas comuns podem chegar quando obedecem automaticamente a uma autoridade. Gustave Le Bon*, em sua análise das multidões, observou que o indivíduo frequentemente perde parte do senso crítico ao se dissolver no coletivo.
É assim que as culturas se perpetuam - e nem sempre isso é ruim. A civilização humana só existe porque aprendemos a transmitir conhecimentos, hábitos e valores de geração em geração. A imitação é uma ferramenta poderosa de sobrevivência. Nenhuma criança reinventaria sozinha a linguagem, as normas sociais ou as técnicas essenciais à vida
. O problema surge quando herdamos comportamentos sem jamais submetê-los à reflexão crítica.
É nesse terreno fértil que nascem preconceitos, idolatrias, consumismos vazios, modismos passageiros e crenças repetidas de forma mecânica. Muitas vezes defendemos ideias que nunca examinamos de verdade. Compramos o que não precisamos. Desejamos o que os outros desejam. Rejeitamos pessoas porque fomos ensinados a rejeitá-las. Não pensamos; apenas reproduzimos.
A dúvida, portanto, não é uma ameaça à civilização. É um instrumento de maturidade.
René Descartes* transformou a dúvida em método filosófico. John Stuart Mill* defendeu a individualidade como condição essencial para o progresso humano.
Sem pessoas dispostas a questionar os consensos, a sociedade se reduz a mera repetição.
Talvez a verdadeira liberdade comece exatamente aí: no instante em que alguém tem a coragem de perguntar “por quê?” antes de simplesmente se levantar junto com todos os outros.
Referências citadas:
*Solomon Asch – Experimentos de conformidade
*Stanley Milgram – Experimento de obediência à autoridade
*Gustave Le Bon – Psicologia das multidões
*René Descartes – Método da dúvida
*John Stuart Mill – Defesa da individualidade e da liberdade de pensamento

20 maio, 2026

O roubo de um dólar

A complexidade em conseguir tratar problemas de saúde gratuitamente afetou James Verone. Em 2011, na época com 59 anos, ele decidiu arriscar sua liberdade para conseguir um diagnóstico médico — e, posteriormente, um procedimento especializado.
Suspeitando de que estava sendo acometido por um câncer, James colocou seu plano em prática. Era junho de 2011, quando o americano entrou em um banco na Carolina do Norte, Estados Unidos, e entregou um bilhete para uma das atendentes do caixa.
No papel, havia um pedido curioso: Verone queria apenas um dólar: era esta sua estratégia para acabar atrás das grades. Quando a funcionária do banco avisou que iria chamar as autoridades, o ladrão se mostrou calmo e apenas aguardou a chegada das viaturas. “Eu disse para o atendente que esperaria pela polícia. Queria deixar claro que não cometi o crime por razões financeiras, mas por razões médicas”, contou o homem em uma entrevista.
Capturado, Verone tinha duas possibilidades: pagar uma fiança de dois mil dólares ou esperar na cadeia o julgamento por roubo. Sem hesitar, optou pela segunda alternativa, afinal, seu objetivo era ser atendido por médicos de graça.
Enviado para a prisão, em poucos dias ele teve sua consulta agendada. Mas o diagnóstico de câncer não aconteceu.
Um ano após daquele roubo de um dólar, em junho de 2012, Verone foi liberado. Sem bens materiais ou financeiros, o americano estabeleceu residência em um abrigo para moradores de rua, onde iria tentar recomeçar a vida, agora curado e podendo desfrutar da liberdade novamente.
Até que ponto iríamos para salvar nossa vida?
Aqui no Brasil, ainda que com dificuldades, podemos contar com o serviço público para realizar procedimentos médicos específicos. Noutros países a situação pode ser bem mais complexa - como foi este caso nos Estados Unidos.

19 maio, 2026

Sonho secreto

Alguns sonham em viajar para o espaço.
Eu sonho em ter uma porta secreta numa biblioteca que me leve a outra biblioteca [oculta].

18 maio, 2026

O menino elétrico

Este experimento foi amplamente celebrado na Europa como a famosa demonstração do "Menino Elétrico".
Um menino era suspenso por fios de seda. A seguir, carregado eletricamente por Stephen Gray, que aproximava seu tubo friccionado (gerador de eletricidade estática) dos pés do menino, sem tocá-lo. E demonstrava-se que o rosto e as mãos do menino atraíam a palha, o papel e outros materiais.
Existia um misterioso fluido elétrico que poderia se propagar por algumas coisas... e por outras não.
O que levou a Gray dividir o mundo em dois diferentes tipos de substâncias: isolantes e condutoras. As isolantes como a seda, o cabelo, o vidro e a resina, detinham a carga elétrica em seu interior e não a deixavam passar, enquanto as condutoras permitiam que a eletricidade se propagasse.
Stephen Gray poderia ter sido o exemplo perfeito do cientista cavalheiro (se tivesse sido um cavalheiro). Nascido em 1666, era filho de um tintureiro. Ter um ofício sólido não era uma má posição, considerando a época, mas num período em que, para aprender, era preciso ter acesso a materiais, professores e uma biblioteca, Gray estava em clara desvantagem. Ele se educou por conta própria, graças à sua amizade com pessoas que possuíam bibliotecas e à sua natureza incansavelmente observadora.
No final do século XVIII, os cientistas estavam fazendo grandes avanços na manipulação da eletricidade e o público queria participar da diversão. As demonstrações de eletricidade eram um dos eventos mais populares da época. Para o público, eram divertidas e incríveis. Mas para os meninos que participavam, eram simplesmente incômodas.
Depois de algum tempo, com o menino suficientemente carregado, entrava em cena o livro. Gray sabia como criar tensão e interesse em sua plateia. Mas ele não revelava seu melhor truque de imediato. Segurando o livro perto da mão do menino, Gray pedia que ele virasse as páginas sem tocá-lo. O menino estendia a mão e a página mais próxima flutuava em sua direção.
Dando continuidade a seu trabalho, Gray convidava uma pessoa da plateia. Colocando-a em um pedestal isolante, ele a fazia dar as mãos ao menino. Embora a pessoa não sentisse nenhuma diferença em seu corpo, ao estender a mão sobre as páginas de um livro ou sobre pedaços de papel soltos, ela  descobria que havia sido investida com o poder do menino.

17 maio, 2026

La Banda

"A Banda" do brasileiro Chico Buarque interpretada pela cantora Marina Voica, que dominou as paradas musicais da Romênia, nas décadas de 1960, 70, 80 e até mesmo 90.

16 maio, 2026

O piso não aguentou o peso

Uma banheira gigante para uso do czar Alexandre da Rússia no Palácio Babolovsky, São Petersburgo. Era originalmente um pedaço de granito de uma ilha finlandesa, pesando mais de 160 toneladas. Uma equipe recebeu a tarefa de transformar a rocha em uma banheira, e o trabalho levou uma década para ser concluído.


Nunca foi usada, pois a estrutura do piso não aguentou o peso da banheira.

15 maio, 2026

Um Sistema Solar invertido

Entenda a contradição desta descoberta
Um sistema exoplanetário a cerca de 116 anos-luz da Terra pode mudar completamente a forma como sabemos que os planetas se formam, de acordo com pesquisadores que o descobriram usando telescópios da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA).
Quatro planetas orbitam LHS 1903 — uma estrela anã vermelha, o tipo mais comum de estrela no Universo — e estão dispostos em uma sequência peculiar. O planeta mais interno é rochoso, enquanto os dois seguintes são gasosos e, inesperadamente, o planeta mais externo também é rochoso.
Essa configuração contradiz um padrão comumente observado em toda a galáxia e em nosso próprio Sistema Solar, onde os planetas rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) orbitam mais perto do Sol e os gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) estão mais distantes.
Os astrônomos suspeitam que esse padrão comum surge porque os planetas se formam dentro de um disco de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem, onde as temperaturas são muito mais altas perto do corpo celeste. Nessas regiões internas, compostos voláteis como água e dióxido de carbono são vaporizados, enquanto apenas materiais que podem suportar calor extremo — como ferro e minerais formadores de rochas — conseguem se aglomerar em grãos sólidos. Os planetas que se formam ali são, portanto, principalmente rochosos.
Mais distante da estrela, além do que os cientistas chamam de "linha de gelo", as temperaturas são baixas o suficiente para que a água e outros compostos se condensem em gelo sólido — um processo que permite que os núcleos planetários cresçam rapidamente. Quando um planeta em formação atinge cerca de 10 vezes a massa da Terra, sua gravidade é forte o suficiente para atrair grandes quantidades de hidrogênio e hélio e, em alguns casos, esse crescimento descontrolado produz um planeta gigante gasoso como Júpiter ou Saturno.
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14 maio, 2026

Vampiromania

Figuras vampirescas existem desde a antiguidade: em mitos, no folclore e na religião. Na Mesopotâmia, por exemplo, havia histórias de demônios que bebiam sangue. As mitologias grega e romana citam a "estirge" (em latim: strix), um pássaro de mau agouro que se alimentava de sangue.
Séculos depois, os vampiros apareceram no folclore eslavo e dos Bálcãs, já com algumas das características que hoje associamos à sua figura contemporânea: cadáveres reanimados que não suportavam a luz do sol, a aproximação de um crucifixo e, claro, o alho.
A primeira figura do tipo a surgir na literatura inglesa apareceu em 1819, na pele do aristocrata Lord Ruthven, personagem do conto "O Vampiro", de John Polidori. Na sequência: "Varney, o Vampiro" (1847), de James Malcolm Rymer, e a novela "Carmilla", de Joseph Sheridan Le Fanu, na qual a personagem principal é uma vampira.
Mais tarde, em 1897, foi a vez do romance "Drácula", de Bram Stoker, consolidar o arquétipo do imortal que vira morcego e dorme em caixões.


O personagem que inspirou o romance do irlandês Bram Stoker foi o Príncipe Vlad 3º (ca. 1428-1477),  que reinou com crueldade extrema na Valáquia, atual Romênia: a ele se atribuem mais de 80 mil mortes. Como ostentava a Ordem do Dragão (em romeno, Dracul), Vlad foi apelidado Drăculea (Filho do Dragão). 
Outro de seus apelidos era "Vlad, o Empalador", por sua preferência por esse método de tortura.
Cerca de 550 anos atrás, ele mandou empalar milhares de presos otomanos, também crianças. Esse suplício consistia em introduzir uma estaca ou lança pelo ânus da vítima e deixá-la morrer lenta e dolorosamente por hemorragia. 
Ele provavelmente sofria, pelo menos nos últimos anos de vida, de hemolacria. Ou seja: vertia lágrimas misturadas com sangue", explica o professor Vincenzo Cunsolo, da Universidade de Catânia. Em casos raros, infecções e lesões podem causar hemolacria – sangue nas secreções lacrimais. Outra causa possível é a presença de um tumor nas glândulas lacrimais.
A ideia genial de Stoker foi, sem dúvida, associar o mito do vampiro a uma figura histórica que realmente existiu. Assim, o quimérico vampiro ganhou tempo e lugar, e uma vida convincente foi-lhe atribuída. Além disso, o personagem criado por Stoker tinha um caráter um tanto charmoso: ele seduzia mulheres, ele não era somente mau, mas de certo forma também trágico. Isso é naturalmente um bom material.
A "vampiromania" atingiu um outro patamar com a invenção do cinema. Conde Drácula, por exemplo, já estrelou centenas de filmes, tornando-se, segundo levantamentos, o personagem literário mais retratado no cinema depois de Sherlock Holmes.
O primeiro filme com um vampiro "de verdade" foi, justamente, uma produção alemã: "Nosferatu", de  Murnau, realizado em 1922 com Max Schreck no papel-título e que em breve tornaria o gênero popular.
A partir de 1931, Bela Lugosi passou a incorporar o sinistro e cruel "Drácula, o Príncipe das Trevas". A tal ponto que, com o decorrer dos anos, o ator hollywoodiano de origem húngara passou a se considerar, cada vez mais, um verdadeiro vampiro. Desde Lugosi, os vampiros da tela são cultos e cavalheirescos, marcados por uma boa dose de charme e carisma. 
Pouco a pouco, o subtexto sexual foi-se acentuando. E modificações comportamentais foram então  incorporadas. Lendária é, por exemplo, a cena de "A dança dos vampiros" (1967), de Roman Polanski, em que um "vampiro judeu" não se impressiona nem um pouco com o efeito de um crucifixo cristão.
Em anos recentes, o mito foi revivido – embora numa versão adolescente adocicada.
Quando a série "Crepúsculo" (Twilight) mais uma vez transformou em entretenimento – e bilheteria milionária – o mito dos mortos-vivos sugadores de sangue. Com filmes, baseados nos best-sellers da norte-americana Stephenie Meyer, que injetam um forte componente de erotismo adolescente na narrativa. E, assim, a pálida e confusa saga cinematográfica é a versão contemporânea de uma lenda com longa tradição.
Fontes: 

13 maio, 2026

Um erro grave (corrigido)

Em 1816, os EUA começaram a construir um forte no Lago Champlain para se defender contra a invasão britânica - apenas para descobrir depois que ele estava realmente em terras canadenses. A construção parou, e o local foi apelidado de "Fort Blunder". O erro não foi corrigido até 1842, quando um tratado ajustou a fronteira e o local tornou-se oficialmente parte dos EUA. Dois anos depois, o forte foi reconstruído como Forte Montgomery.
 

11 maio, 2026

De piloto a astronauta

O padrão internacionalmente aceito para a altitude em que o espaço começa é a Linha de Kármán , a 100 quilômetros acima do nível do mar. A NASA concede o status de astronauta a qualquer pessoa que voe acima de 80 quilômetros (50 milhas).
O piloto de testes da NASA, Joseph A. Walker, levou um avião ao espaço. O avião era o X-15, um protótipo movido a foguete, lançado não do solo, mas de baixo de um bombardeiro B-52 já em alta altitude. Este avião teve que ser projetado de forma diferente de qualquer outro para operar sem atmosfera. De sua altitude máxima, o X-15 retornaria à Terra como um planador.
Joseph A. Walker, piloto da Segunda Guerra Mundial e físico experimental da NASA, voou pela primeira vez com o X-15 em 1960. Em 30 de março de 1961, Walker ultrapassou a altitude planejada para sua missão e entrou na mesosfera, atingindo 51 quilômetros de altitude. Ele se tornou a primeira pessoa a voar acima da estratosfera e deteve o recorde mundial de altitude por cerca de duas semanas, até que o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornou a primeira pessoa a orbitar a Terra.
Mas Walker não havia terminado de voar com o X-15. Em janeiro de 1963, ele se qualificou como astronauta da NASA ao voar acima de 80 km. Mais dois de seus voos naquele ano ultrapassaram a Linha de Kármán, a 106 km em julho e a 108 km em agosto. Walker se tornou o primeiro civil americano no espaço. 

10 maio, 2026

CONSELHOS DE MÃE (2026)

FILHO, PROTEJA-SE DO FASCISMO.

ENQUANTO VOCÊ MORAR NESTE PAÍS VAI RESPEITAR A DEMOCRACIA.

SE EU PEGÁ-LO COM FAKE NEWS, VOCÊ VAI VER.

NÃO ESQUEÇA O CASACO E O TÍTULO DE ELEITOR.

09 maio, 2026

Tronco de enchente

Expressão (MG). 
Pessoa que gosta de parar a fim de puxar uma prosa. Como acontece com um tronco na correnteza que, a todo instante, interrompe a descida em uma margem do rio.

08 maio, 2026

O rato na chaleira

A chaleira, ao que parece, estava em desuso e ficou por muito tempo em uma prateleira com a tampa parcialmente aberta, como vemos na foto. Certa noite, um rato entrou na chaleira, possivelmente na esperança de encontrar algum resto de comida. Não se sabe por que o pequeno animal decidiu deixar a chaleira pelo bico, mas foi o que ele tentou fazer, com o resultado retratado na foto. Sua cabeça passou sem problemas; suas patas dianteiras também; mas ele não conseguiu ir mais longe, e ficou preso. Na manhã seguinte, alguém pegou a chaleira e ajudou o rato a sair, fazendo com que ele emergisse por inteiro e, finalmente, pudesse mancar dolorosamente para longe.
~ Strand Magazine, julho de 1897 (Futility Closet)


Para muitos, "The Strand" é sinônimo de Sherlock Holmes.Fundada em 1891 e editada por George Newnes, era uma revista de interesse geral, oferecendo ficção, humor, atualidades, sátira política, biografias de celebridades e muito mais.Sherlock Holmes fez sua primeira aparição em "The Strand" em 1891, e grande parte da ficção de Doyle também aparece nesses volumes, juntamente com obras de muitos dos autores mais conhecidos do mundo, como Mark Twain, Júlio Verne e outros. A revista também era conhecida por seu amplo uso de fotografias, o que levou a uma crescente demanda por histórias sobre "curiosidades" de todo o mundo que pudessem ser ilustradas com fotos. As edições mensais eram compiladas em volumes encadernados de 6 meses, de janeiro a junho e de julho a dezembro.

07 maio, 2026

Túnel verde

Chandelier Drive Thru Tree, Califórnia
Penso que esculpir/escavar um túnel numa sequoia-costeira gigante de 2400 anos e depois cobrar dinheiro às pessoas para conduzirem um carro/SUV através dele resume, melhor do que qualquer outra coisa, como funciona a cultura estadunidense.
~ HunterNP, Mastodon

Túnel verde, este sim.
Localizada no bairro Independência, em Porto Alegre (RS), a Rua Gonçalo de Carvalho ganhou projeção internacional ao ser frequentemente citada como a rua mais bonita do mundo. As árvores formam um corredor natural (túnel verde) em plena área urbana. E a rua se tornou um dos símbolos de preservação ambiental na capital gaúcha.
https://qr.ae/pCqYLc

06 maio, 2026

Sincronias

Ursula K. le Guin
Se você fixar dois relógios de pêndulo lado a lado numa parede, eles gradualmente começarão a oscilar juntos. Eles se sincronizam captando pequenas vibrações que cada um transmite através da parede.
Quaisquer duas coisas que oscilam aproximadamente no mesmo intervalo, se estiverem fisicamente próximas uma da outra, tenderão gradualmente a se encaixar e pulsar exatamente no mesmo intervalo. As coisas são preguiçosas. É preciso menos energia para pulsar cooperativamente do que para pulsar em oposição. Os físicos chamam essa preguiça bela e econômica de arrastamento.
Todos os seres vivos são osciladores. Nós vibramos. Amebas ou humanos, pulsamos, movemo-nos ritmicamente, mudamos ritmicamente; marcamos o tempo. Você pode ver isso na ameba sob o microscópio, vibrando em frequências nos níveis atômico, molecular, subcelular e celular. Essa pulsação constante, delicada e complexa é o próprio processo da vida tornado visível.
Nós, enormes criaturas multicelulares, precisamos coordenar milhões de frequências de oscilação e interações entre frequências diferentes em nossos corpos e no ambiente. A maior parte dessa coordenação é efetuada pela sincronização dos pulsos, pela harmonização das batidas com um ritmo mestre, por sincronização.
Assim como os dois pêndulos, embora por meio de processos mais complexos, duas pessoas podem se sincronizar mutuamente. Um relacionamento humano bem-sucedido envolve sincronia — entrar em sintonia. Se isso não acontecer, o relacionamento será desconfortável ou desastroso.
Considere ações deliberadamente sincronizadas como cantar, entoar cânticos, remar, marchar, dançar, tocar música; considere ritmos sexuais (o namoro e as preliminares são dispositivos para entrar em sincronia). Considere como o bebê (lactente) e a mãe (lactante)estão ligados: o leite sai antes do bebê chorar. Considere o fato de que mulheres que moram juntas tendem a entrar no mesmo ciclo menstrual. Nós nos conectamos o tempo todo.
Ver também:
Metrônomos e vagalumes

05 maio, 2026

Luz e chaves

Pedestre que passava por um local à noite. E notou um homem que rastejava sob um poste de luz, aparentemente procurando algo.

Transeunte: "Você perdeu alguma coisa?"

Homem de joelhos: "Sim, deixei cair minhas chaves."

Transeunte: "Por aqui?"

Homem de joelhos: "Não, ali perto da porta da frente da minha casa."

Transeunte, oça a cabeça e diz: "Então, por que você está procurando por aqui?"

Homem de joelhos: "Porque a luz aqui é melhor."

04 maio, 2026

Sombras têm átomos?

Não.
Uma sombra é simplesmente uma área onde não há ou há menos fótons, por que estes foram bloqueados por algo entre a área de sombra e a fonte de luz.
Já átomos individuais projetam sombras!
Isso é compreendido há cerca de 100 anos, mas só foi demonstrado experimentalmente em 2012.
Com técnicas de alta precisão, pesquisadores do Centro para Dinâmicas Quânticas da Universidade de Griffith, na Austrália, conseguiram capturar a imagem da sombra de um átomo de itérbio (David Kielpinski, Nature).


Para a realização da imagem, os pesquisadores precisaram aprisionar o átomo de itérbio dentro de uma câmera de vácuo, segurado por campos magnéticos. Depois, o átomo foi exposto a uma frequência específica de luz que permitiu a captura de imagem por um microscópio de altíssima resolução.
Se a frequência da luz fosse alterada em um bilionésimo de potência, a fotografia já não poderia ser realizada.
Com esses experimentos, a ciência se beneficia de conhecimentos que poderão ser aplicados à computação quântica e, principalmente, a técnicas de microscopia voltadas para a biologia, atividade em que o excesso de luz acaba danificando amostras biológicas, como células e DNA.
Fonte: Tecmundo

03 maio, 2026

Mucuripe

Existe uma lost media (mídia perdida) de Belchior que, só quem frequentava um bar específico em Fortaleza, na década de 1970 (quando o compositor tinha vinte e pouco anos), é que teve a rara chance de ouvi-lo cantando.
Não sei se posso chamá-la assim pois, para ser uma lost media, primeiro tem que ser uma media, e eu acho que a versão que ele cantava nunca foi gravada. Nunca houve registro da mesma, a não ser na memória de quem andava com ele.
Eis a história de "Mucuripe", copidescada de @meubrasil, no Instagram:
Belchior tinha vinte e quatro anos e, depois das aulas na Faculdade de Medicina, ele se juntava com os amigos e iam para o bar do Anísio, que ficava na praia do Mucuripe.
Um dia, Belchior estava lá observando o vai e vem das jangadas e lembrou-se de uma cena de filme antigo, em que uma pessoa dialogando com a mulher de um marinheiro, dizia-lhe para entregar todas as mágoas e sofrimentos para o mar.
É por isso que, na música, ele diz: "Vou mandar as minhas mágoas pras águas fundas do mar."
Certo dia, Fagner estava no Anísio conversando com amigos, quando Belchior lhe entregou um papel, dizendo:
 Fagner, dá uma olhada nisto
O que tinha no papel era a letra de "Mucuripe", uma canção que futuramente seria gravada por Elis Regina, Roberto Carlos, Nelson Gonçalves e pelo próprio Fagner.
Fagner levou o papel para casa e, no dia seguinte, quando almoçava com a família, uma melodia surgiu em sua cabeça. Na mesma hora, correu para o seu quarto onde se trancou. 
Naquela época, alguém só saía da mesa de refeição, se o pai ou a mãe desse autorização. Então, eles ficaram batendo na porta do quarto de Fagner enquanto ele compunha a melodia.
(Pois é... Quando uma música surge assim, de repente, e se a gente não gravá-la na hora pode a esquecer para sempre. E muita gente não tinha naquele tempo um gravador.)
Não demora, Fagner apareceu com a música pronta no bar do Anísio e causou espanto. Quem ouviu aquele canção logo percebeu que era só uma questão de tempo para virar um sucesso nacional.
O próprio Belchior reconheceu que a versão do Fagner era muito melhor do que a dele. É que, antes de entregar aquele papel com a letra para o Fagner, Belchior já havia colocado uma melodia em "Mucuripe", que ele até cantava no bar do Anísio.
Ou seja, "Mucuripe" virou uma letra com duas versões melódicas  bem diferentes.
Apesar das eventuais turbulências entre os dois, o próprio Belchior considerava a versão de Fagner muito melhor. E nunca mais cantou "Mucuripe" em sua versão original.

"Aquela estrela é dela. Vida, vento, vela, leva-me daqui."

Trata-se de uma citação de Augusto Pontes, poeta e "guru" do Pessoal do Ceará. Belchior incorporou-a ao final da música, e estes versos tornaram-se um dos pontos mais fortes da canção. Em entrevista (de 2006), Augusto Pontes afirmou que não se importava com a utilização dos versos e que considerava a citação como uma homenagem, nunca tendo pedido parceria por isso.

02 maio, 2026

Patriotismo cego

Uma nova escultura de Banksy parece mostrar um homem cego pela própria bandeira.
Instalada recentemente em Waterloo Place, em Londres, a obra mostra um homem de terno dando um passo à frente do seu pedestal, enquanto uma grande bandeira cobre-lhe completamente o rosto. A figura parece confiante, mas o próximo passo, que o leva ao vazio, transforma o momento seguinte em algo inseguro.
Vem atraindo os fãs locais e, através da mídia e da internet, os seus admiradores por todo o mundo. Como costuma acontecer no que diz respeito às obras que ele faz com forte teor político.


Bansky no Blog EM:

O Maracujá

Agora que sou velho, posso enfim responder ao jovem que um dia fui - aquele rapaz inquieto, confuso diante do próprio futuro. O coração acelerado pela necessidade de tomar decisões importantes sem experiência para referendá-las.
A velhice não estava entre as minhas aflições. Era apenas a ruína inevitável dos outros.
O que é ser velho?
Hoje eu sei. Ou, ao menos, sei mais do que ele sabia.
E, ainda assim, há dias em que me surpreendo diante do espelho, quase paralisado. Olho com uma estranheza quase infantil para aquele rosto e penso, com uma sinceridade desarmada:
Não pode ser. Isso não sou eu.
Há um desencontro profundo entre o que os olhos veem e o que o peito sente. O espelho me mostra um homem gasto: a pele do pescoço frouxa, as bochechas rendidas pela gravidade, a testa sulcada - tanto no riso quanto na dor, como se um e outro estivessem sempre presentes. É um corpo que revela.
Que denuncia.
Que conta, sem pedir licença, a história que o tempo escreveu.
Mas há mudanças mais silenciosas, mais fundas - aquelas que o espelho não alcança. Descobri, por exemplo, que o choro se tornou fácil. Agora ele brota quieto, como quem já não tenta conter o que transborda.
Não consigo olhar fotografias dos meus filhos pequenos. Evito - como quem evita um lugar perigoso. Porque a saudade não chega: avança. É súbita, afiada, quase física. Dá uma vontade desmedida de voltar no tempo.
Não para refazer grandes escolhas - elas foram acertadas. Mas para o pequeno. Segurar de novo aqueles corpos leves no colo. Sentir o calor deles adormecendo sobre o peito. Beijar as testas mornas.
A velhice me alcança com força nesses instantes. Não pelo que perdi - mas pelo que foi bom demais para caber apenas na memória.
Por isso, às vezes, fecho os álbuns antes da última página. Não por esquecimento. Por excesso.
As fotografias de meu pai - morto há trinta e cinco anos - ainda sabem me encontrar. Basta um segundo a mais… e algo cede por dentro. É um choro manso. Uma dor educada, comportada, desavergonhada - que aprendeu a falar baixo.
Nos momentos importantes, penso nele. Essa ausência nunca envelheceu. Queria que estivesse aqui - nem que fosse para ver o tamborete que acabei de fazer na oficina.
Há, nisso tudo, uma ironia discreta. A velhice só pesa quando me lembro dela. No resto, sigo vivendo - às vezes até com humor. Gosto de me chamar de velho quando tropeço, quando subo escadas e as pernas reclamam, quando o corpo, com sua honestidade brutal, me lembra dos limites.
Mas, se o corpo envelhece com franqueza quase cruel, o pensamento fez o caminho inverso. Hoje penso com mais leveza. Já não me agarro às minhas certezas. Compreendo mais do que julgo. Observo mais do que reajo.
Há uma serenidade que não existia antes - não por virtude, mas por realismo. Vejo o mundo com uma clareza que a pressa da juventude não permitia. Percebo padrões. Às vezes, antevejo finais.
Você já sabia? - perguntam.
Não. Eu não sabia. Apenas aprendi que o mundo se repete.
E é assim que respondo ao jovem que fui:
Ser velho não é apenas perder.
É um deslocamento.
O corpo enruga.
Mas algo dentro - silencioso - rejuvenesce.
Talvez porque já não precise provar nada.
Ou porque o essencial, enfim, tenha se revelado.
Envelhecer é isso:
a casca se fragiliza, por dentro, a vida insiste.
E insiste com esplendor.
Exatamente como um maracujá.
Nelson José Cunha
N. do E.
A flor do maracujá (Passiflora) simboliza principalmente a Paixão de Cristo, sendo conhecida como a "flor-da-paixão". 
Quando chegaram no continente americano, missionários espanhóis do século XVI interpretaram suas estruturas como símbolos religiosos: filamentos como a coroa de espinhos, estigmas como os cravos, e anteras como as chagas de Jesus. 
A flor também representa a paz e a espiritualidade.
Paulo Gurgel

01 maio, 2026

Farmácia na UE

Um homem entrou na farmácia e disse: "Algo para o fim de semana, por favor. Um pacote com 3". O farmacêutico respondeu: "Desculpe, não é permitido, são as normas da UE. Tem que ser um pacote com 6, 8 ou 12". O homem perguntou por quê, e o farmacêutico explicou: "Bem, um pacote com 6 é para a França, já que as francesas fazem amor seis dias por semana e vão à igreja no domingo. Um pacote com 8 é para a Itália, já que as italianas fazem amor 6 dias por semana e duas vezes no domingo. Um pacote com 12 é para o Reino Unido". "Por quê?", perguntou o homem. "Janeiro, fevereiro, março..."

30 abril, 2026

A baleia Timmy

A baleia jubarte, apelidada de "Timmy" (*) pela imprensa alemã, mobilizou o país desde que ficou presa em um banco de areia próximo à cidade de Lübeck, longe de seu habitat natural, no fim de março.
Diversas tentativas de salvamento já foram feitas, entre elas a escavação de canais para facilitar sua saída, mas todas fracassaram.
A mais recente operação de resgate, financiada por dois empresários, consiste no transporte do mamífero marinho em uma barcaça com um compartimento cheio de água, normalmente usada para levar outras embarcações, da costa alemã do Mar Báltico até áreas mais profundas.


Nesta quarta-feira, 29, a barcaça, rebocada por um barco, chegou às águas dinamarquesas, seguindo em direção ao Mar do Norte.
Apesar do alívio, o desfecho ainda é incerto.
Especialistas alertam que o transporte pode causar estresse intenso ao animal, que já está debilitado. E também há dúvidas se a baleia vai resistir ao trajeto ou se conseguirá se readaptar ao mar aberto, após tanto tempo em condições adversas.
(*) Diminutivo do nome próprio Timothy e referência à praia de Timmendorfer Strand, localizada no Mar Báltico (Alemanha), onde o animal encalhou repetidamente em março e abril de 2026.
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25/05/2025 - Desde a liberação em alto-mar, o paradeiro do animal esteve incerto. Em meados de maio, a carcaça da baleia foi localizada próxima à ilha dinamarquesa de Anholt.

29 abril, 2026

Arre, que arrogância!

Donald Trump não é uma exceção na política americana; ele é seu resultado natural. Sua trajetória de estrela de reality show a Presidente mostra o declínio intelectual e político dos Estados Unidos. Trump não entende de ideologia, história ou diplomacia. Em vez disso, ele usa a arrogância para encobrir sua ignorância. Tristemente, muitos americanos acham isso atraente.
Ele se assemelha ao herói americano superficial que vemos em filmes de Hollywood — forte, mas não pensativo, excessivamente confiante e orgulhoso de saber muito pouco. No mundo real, guerras não são vencidas apenas pela força; diplomacia exige inteligência e liderança demanda responsabilidade. Mas para pessoas como Trump, o mundo é um palco para um filme de ação, cheio de grandes ameaças e gestos chamativos. Ele transforma política, governança e relações internacionais em um programa de TV.
O verdadeiro problema não é Trump em si, mas o sistema que permitiu que ele se tornasse Presidente. Se os Estados Unidos, vistos como uma das grandes potências dos séculos XX e XXI, podem eleger uma pessoa tão superficial, o país pode estar já no caminho do declínio. Outrora conhecida por liderar em ciência, tecnologia e cultura, a que se diz América agora é governada por discursos populistas, teorias da conspiração e uma política que trata a ignorância como uma virtude.
Trump também é um símbolo. Ele reflete o que uma grande parte do público americano — consciente ou não — escolheu: uma sociedade que vê a ignorância como bravura e rejeita o conhecimento e a expertise. Em um ambiente como esse, um líder como Trump parece quase inevitável.
Isso é perigoso para o mundo inteiro. Enquanto uma figura como Trump liderar uma superpotência como os Estados Unidos, a estabilidade global dependerá de seus caprichos, truths e rancores pessoais. A ideia da diplomacia e da diplomacia cuidadosa desaparecem, e até mesmo as questões mais sérias se tornam parte de um show. Isso poderia marcar o começo do fim, não apenas para a que se diz América, mas para todos.

28 abril, 2026

Um balanço famoso


Esta foto mostra um balanço que atravessa a fronteira internacional entre a Bélgica e os Países Baixos. Fica na divisa entre as municipalidades de Baarle-Hertog (Bélgica) e Baarle-Nassau (Países Baixos).
A região de Baarle é conhecida por ter uma das fronteiras mais complexas do mundo, com enclaves belgas dentro do território holandês e vice-versa. E o balanço simboliza a facilidade de circulação entre os dois países, onde os moradores costumam cruzar a fronteira muitas vezes por dia.
Ao permitir que as pessoas mudem de país com um simples movimento, este balanço tornou-se uma atração turística popular.