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15 julho, 2026

Catão vs. Públio

Ao longo do ano de 147 a.C., os senadores romanos acostumaram-se a assistir a um duelo dos clichês com os quais dois oponentes políticos obstinados sempre concluíam seus discursos. Um deles era Catão, o Velho, defensor dos valores mais tradicionais, que sistematicamente terminava seus discursos exclamando “Carthago delenda est” (Cartago deve ser destruída). O outro, Públio Cornélio, genro do famoso Cipião Africano, fazia o oposto, afirmando: “Carthago servanda est” (Cartago deve ser salva).
Catão era um ultraconservador, levava uma vida simples e havia lutado contra os cartagineses na invasão por Aníbal. E Cornélio acreditava que os romanos precisavam de um inimigo externo permanente para mantê-los unidos e obedientes à autoridade, sob o risco de relaxarem seus costumes.
Ambas as frases eram incorporadas ao final de qualquer discurso proferido, independentemente do tema, mesmo que não tivesse relação com o contexto original. Serviam como uma espécie de assinatura para seus respectivos oradores, que representavam posições políticas opostas em relação à decisão a ser tomada diante da alarmante recuperação de Cartago após sua derrota nas duas Guerras Púnicas.
Catão, com a Terceira Guerra Púnica, venceu o longo debate, e sua previsão tornou-se realidade.

Nani Humor:

02 julho, 2025

Clichês em diálogos de filmes

O blogueiro Stephen Follows compilou uma lista de 138 clichês em diálogos de filmes e com que frequência eles aparecem em cerca de 72.000 filmes lançados desde 1940. 
O primeiro lugar foi "What the hell!" (Que diabos!), que apareceu em pouco mais de um terço de todos os filmes. "What are you doing here?" (O que você está fazendo aqui?) ficou em segundo, e em terceiro ficou "Honey, is that you?" (Querida, é você?).


N. do T.
Stephen Follows usa dados para entender como a indústria cinematográfica funciona e depois compartilha isso para ajudar cineastas a obter financiamento, filmagem e exibição de seus filmes.

13 fevereiro, 2020

Hora veja!

Na maioria dos anúncios de relógios a hora exibida é de aproximadamente 10h10. É um dos clichês do mundo da propaganda.
Mas por que isto "pegou"?
Bem, se as linhas orientadas obliquamente são mais atraentes do que as ortogonais, como dizem alguns neurocientistas, aí poderia ser uma explicação plausível. Além disso,  ao marcar 10h10, os ponteiros formam uma espécie de moldura, conduzindo o olhar do consumidor para a marca, que está geralmente situada na parte superior do mostrador.
E, com os ponteiros assim apresentados, tem-se ainda a impressão de que o relógio está sorrindo – o que, supostamente, ajudaria nas vendas do produto.


10 setembro, 2016

Clichê e estereótipo

A palavra clichê, de origem francesa cliché, era uma placa de impressão preparada para a conveniência de imprimir uma frase comumente usada. Cliché é o particípio passado de clicher, uma variante de cliquer. clicar. Aplicada em sentido figurado, a palavra se tornou sinônimo de tudo o que já foi objeto de repetição excessiva e perdeu a originalidade. Assim, "clichê" também pode significar uma ideia que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível dentro de um dado contexto. Nesse caso, corresponde ao conceito de "lugar-comum" ou "chavão".
A palavra estereótipo vem do grego stereos e typos, compondo "impressão sólida". Inventada por Firmin Didot, a palavra nasceu no mundo da impressão e refere-se à placa metálica criada para a impressão em si, em vez da prensa de tipos móveis. Deste significado migrou para significar um conceito infundado sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa;
Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação. (...) sendo um grande motivador de preconceito e discriminação.


19 março, 2016

Sra. Liberdade e Sra. Justiça. Enfim, juntas


Dez anos atrás, o ilustrador nova-iorquino Mirko Ilic combinou três clichês visuais para criar uma nova imagem, que permanece como símbolo do casamento lésbico.
Dois clichês são imediatamente percebidos: a Estátua da Liberdade e a Estátua da Justiça.
O terceiro clichê
Foi inspirado na célebre fotografia de um marinheiro norte-americano beijando uma enfermeira, na avenida Times Square, após a vitória dos Estados Unidos sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial, o trabalho mais conhecido do fotojornalista Alfred Eisenstaedt.

06 janeiro, 2012

Clichês médicos - 2

Anestesia: local; ráqui; geral; só um cheirinho.
Remédio: para emagrecer; genérico; amostra grátis; controlado.
Plantão: noturno; mudança; com um colega pé-frio.
Horário: corrido; das visitas.
Distúrbio: ocasional, recidivante; bipolar.
Livro: vademecum; xerocado; tijolão; vou devolver.
Universitário: bolsista; interno; pica-fumo.
Visão: turva; cansada; do futuro

Clichês médicos - 1

17 julho, 2007

Clichês médicos

Saúde: precária; de ferro; melhor do que a minha.
Doença: imaginária, raríssima, contagiosa; de notificação obrigatória.
Tratamento: sintomático, drástico, paliativo; de suporte; se bem não fizer...
Emergência: lotada; sem médicos; com pacientes nos corredores; um caos!
Exames: complementares; vamos repetir.
Paciente: ansioso, rebelde, terminal; caso clínico; o próximo!
Diagnóstico: provisório, confirmado, diferencial; ouvir uma segunda opinião.
Prognóstico: sombrio, incerto, reservado; pode surpreender.
Atestado: gracioso; para os devidos fins; com o CID.
História clínica: anamnese; convocar os familiares.
Dor: contínua, intermitente, progressiva; com radiação; vai doer só um pouquinho.
Morte: êxito letal; insucesso terapêutico; óbito (morte, nunca).