Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

13 abril, 2026

Datas de fundação das capitais brasileiras

Região Nordeste
Recife (PE): 1537
Salvador (BA): 1549
João Pessoa (PB): 1585
Natal (RN): 1599
São Luís (MA): 1612
Fortaleza (CE): 1726. Data: 13/04, há 300 anos
Maceió (AL): 1815
Teresina (PI): 1852
Aracaju (SE): 1855

Região Sudeste
Vitória (ES): 1551
São Paulo (SP): 1554
Rio de Janeiro (RJ): 1565
Belo Horizonte (MG): 1897

Região Sul
Florianópolis (SC): 1673
Curitiba (PR): 1693
Porto Alegre (RS): 1772

Região Centro-Oeste
Cuiabá (MT): 1719
Campo Grande (MS): 1899
Goiânia (GO): 1933
Brasília (DF): 1960

Região Norte
Belém (PA): 1616
Manaus (AM): 1669
Macapá (AP): 1758
Rio Branco (AC): 1882
Boa Vista (RR): 1890
Porto Velho (RO): 1914
Palmas (TO): 1989

Capitais Federais Históricas
Salvador: 1549 - 1763
Rio de Janeiro: 1763 - 1960
Brasília: 1960 - presente

29 março, 2026

Pandeiro e tamborim

Pandeiro e tamborim são instrumentos de percussão brasileiros, mas com funções e características diferentes. O pandeiro é um aro de madeira ou aço com pele esticada (geralmente de cabra) e platinelas (pequenos pratos), que é tocado com as mãos. É ideal para samba de mesa, pagode, choro e ritmos nordestinos (V. Jackson do Pandeiro). Já o tamborim é um aro de metal, acrílico ou PVC com membrana esticada, sem platinelas, que é tocado com baqueta. É ideal para blocos, escolas de samba e também é usado em orquestras na música erudita.

"Viva Meu Samba"
Compositor: Billy Blanco
Violão, pandeiro 
Tamborim na marcação e reco-reco 
Meu samba, viva meu samba verdadeiro 
Porque tem teleco-teco.


O mestre João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba, além de ter sido parceiro de Pixinguinha e Donga - "Pelo Telefone", com os quais formou o Grupo da Guarda Velha.
Nascido no Rio de Janeiro no dia 17 de maio de 1887, João da Baiana protagonizou um dos mais pitorescos episódios de nossa história musical.
Na Festa da Penha de 1908, teve seu pandeiro apreendido pela polícia - o senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o motivo da falta.
Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido pelos policiais, resolveu presenteá-lo com um novo pandeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao João da Baiana - Pinheiro Machado".
Com essa dedicatória ("salvo-conduto") do senador, passou a tocar seu pandeiro, sem que a polícia fosse atormentá-lo!
(extraído de O Som do Animal, no Facebook)

17 março, 2026

Redistribuição dos fusos horários no BR

E se na PB, e também em RN, PE, AL e SE, adotássemos um fuso horário próprio - o mesmo de Fernando de Noronha. Por questões geográficas e sem horário de verão.
Ilustração por Luciano Amorim no X:


Comentário
A proposta é interessante. Mas vejo alguma confusão entre o CE e PE ao nível do Cariri. 

13 março, 2026

Um título: duas canções

Ó abre alas
1 - de Chiquinha Gonzaga (1899)
Um marco na obra de Chiquinha Gonzaga, a marcha Ó abre alas foi composta em 1899, despretensiosamente, para um cordão carnavalesco que ensaiava próximo a sua casa. Sua biografia revela também que foi a primeira música feita especialmente para o carnaval.
2 - de J. Piedade e Jorge Faraj
http://chiquinhagonzaga.com/wp/o-abre-alas-mesmo-titulo-dois-compositores/

Nova ilusão
1 - de Pedro Caetano e Claudionor Cruz
intérpretes: Paulinho da Viola, Zélia Duncan
2 - de Zé Menezes e Luiz Bittencourt
intérpretes: João Gilberto, Os Cariocas
http://blogdopg.blogspot.com/2023/03/novas-ilusoes.html

O que será?
1 - de Chico Buarque 
 ("À flor da pele", no álbum "Geraes")
2 - de Chico Buarque
("À flor da terra", no álbum "Meus caros amigos")
http://youtu.be/zXJciCo86kU?si=c5V1liQG5ewwjVih
Wikipédia
 
Meu vício é você
1 - de Adelino Moreira
intérprete: Nelson Gonçalves
2 - de Chico Roque e Carlos Colla
intérprete: Alcione

24 fevereiro, 2026

Encontros e despedidas

Getúlio Vargas sempre conservou intenções continuístas. Um dia, foram procurá-lo para saber se isso era verdade.
E o presidente:
- Não, meu candidato é o EURICO (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: EU FICO.

Em setembro de 1947, o Brasil sediou a Conferência Interamericana. O evento ocorreu no Hotel Quitandinha, em Petrópolis-RJ, sendo o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman,  um dos participantes. Desse encontro Truman e Dutra nasceu um delicioso trocadilho. Truman dirigiu-se a Dutra e o cumprimentou: HOW DO YOU DO, DUTRA?. Incontinenti, o presidente brasileiro devolveu: HOW TRU YOU TRU, TRUMAN?.


Mas o melhor foi na despedida.
Quando o "papel de enrolar prego" apertou a mão do presidente norte-americano, dizendo:
Boa viagem, INSIGNE PARTINTE!
E que Truman respondeu:
Obrigado, INSIGNE FICANTE!

22 fevereiro, 2026

Metamorfose ambulante

Inspirado no livro "Metamorfoses", do poeta latino Ovídio, Raul Seixas (1945 - 1989) criou este hit aos 12 anos. Ao ouvir a canção quase pronta, Paulo Coelho desdenhou dela, embora adiante tenha-se arrependido.
Seu verso mais emblemático é: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Que Raulzito colocou na letra "para questionar o problema das verdades absolutas".


Raul Seixas tocado por 1.000 músicos no Allianz Parque - São Paulo, 2022

Leia mais em: https://whiplash.net/materias/news_711/348272-raulseixas.html

19 fevereiro, 2026

Cascalho, cascalho, cascalho

Medalhista em Jogos Olímpicos tem direito a receber uma premiação em dinheiro (sin.: "cascalho") pela conquista. Aqui os valores são definidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
O repasse do COB é feito a todos os atletas brasileiros que subirem ao pódio. A premiação é de R$ 310 mil para os medalhistas de ouro, de R$ 210 mil para os de prata e de R$ 140 mil para os de bronze.
Em caso de mais de uma medalha, os atletas recebem por cada prova.
Para as modalidades em grupo (dois a seis atletas) ou coletivas (sete atletas ou mais), os valores são maiores, porém divididos entre todos os atletas do grupo ou equipe.
Grupo: Ouro - R$ 700 mil; Prata - R$ 420 mil; Bronze - R$ 280 mil.
Coletiva: Ouro - R$ 1,05 milhão; Prata - R$ 630 mil; Bronze - R$ 420 mil
Fonte: Notícias ao Minuto

14 fevereiro, 2026

Um gigante no slalom gigante

O esquiador Lucas Pinheiro Braathen fez história neste sábado (14) ao conquistar a primeira medalha para o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Ele liderou a prova do slalom gigante no esqui alpino, disputada no norte da Itália, faturando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Milão-Cortina.
Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom - as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.
Pela primeira vez, o Brasil (e toda a América do Sul) subiu ao pódio em uma edição olímpica de inverno. E a medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte.


Lucas volta a competir nos Jogos de Inverno na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), na prova do slalom do esqui alpino.

04 fevereiro, 2026

O biquíni de lacinho

O biquíni, esta peça do vestuário feminino que se originou do maiô, foi invenção de um estilista francês na década de 1940. Louis Réard, que ousou lançar uma coleção de roupas de banho em duas peças, em 1946, no desfile da streepteaser Micheline Bernardini. O nome biquíni foi em razão das explosões atômicas experimentais no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, imaginando Louis Réard que sua criação seria tão explosiva quanto uma bomba atômica.
Na década de 1980, os modelos asa-delta e fio dental apareceram nas areias brasileiras. Mas o fio dental só vingou no Brasil.
Quanto ao biquíni de lacinho, é também uma invenção brasileira. Do paraense David Azulay, o dono da Blue Man que sempre acreditou que a moda praia seria um dos meios mais importantes de identificação e divulgação da cultura brasileira.
Deixemos que a filha de David Azulay conte como foi a história desse "erro" que virou história.

27 janeiro, 2026

Caiu a ficha

Esta expressão continua em uso, mas a sua origem nos transporta ao passado.
Quando a arquiteta Chu Ming Silveira projetou, em 1971, um novo tipo de telefone público que fosse adequado a um país dos trópicos. Durável, porém leve e barato de fabricar, instalar e manter, o qual logo foi apelidado de orelhão (em alusão a ter a forma de uma grande orelha).
Precisava de fichas para fazer ligações. Mas, em 1992, as tais fichas foram substituídas por cartões.
No auge de sua utilização, havia 1,5 milhão desses aparelhos nas ruas e praças do Brasil.
E fizeram muito sucesso em quadros de humor da televisão brasileira.
Na década de 1980, com o "Zé da Galera" e o "Paquera da Jupira", personagens de Jô Soares no programa humorístico "Viva o Gordo"; e também, com o comediante Aloísio Ferreira Gomes, o "Canarinho", destaque do programa "A Praça É Nossa", que usava o telefone público próximo de outras pessoas, falando alto e provocando grandes confusões.
No cinema nacional, os orelhões foram também utilizados como peças do "mobiliário urbano". Como em "O Agente Secreto" (de 2025), em que foi preciso recriar uma Recife dos anos 1970s para as locações do filme.


Este mês de janeiro marca o início da despedida de nossos confidentes de fibra de vidro. Em povoados onde a cobertura da internet é insatisfatória, apenas 9 mil desses orelhões sobreviverão até 2028.
Não vai sobrar lugar para eles, em um país que atualmente se comunica por meio de 270 milhões de telefones celulares.
A ficha caiu para sempre, mas a conexão com a história será eterna. (Paulo Gurgel)

03 janeiro, 2026

"Melhor atuação com cigarro"

Até os 72 anos, Tânia Maria nunca tinha assistido a um filme no cinema. Moradora de Santo Antônio da Cobra, um povoado com menos de mil habitantes no Rio Grande do Norte, ela passava os dias trabalhando como artesã e costureira. Hoje, atriz de 78 anos, que é um dos destaques do filme "O Agente Secreto" interpretando Dona Sebastiana, ela é citada pela imprensa internacional como uma possível candidata ao Oscar. 
Fumante por mais de 60 anos, ela decidiu abandonar o cigarro justamente depois que o reconhecimento internacional passou a exigir deslocamentos e viagens longas. Tânia chegou a recusar um convite para ir ao Festival de Cannes, na França, por não suportar as horas de voo sem fumar. "Eu fumava três carteiras por dia. Quero dizer que não tirava o cigarro da boca, né", conta. 
O jornal "The New York Times" destacou sua atuação como uma das melhores de 2025, e revistas especializadas como "Variety" e "The Hollywood Reporter" passaram a incluí-la em listas de apostas para a categoria de "Melhor Atriz Coadjuvante". A decisão de parar de fumar veio então, com um objetivo: não perder mais oportunidades. Inclusive, o Oscar. Com passaporte pronto, a atriz aguarda agora o visto americano para viajar. 
A entrada de Tânia Maria no cinema aconteceu por acaso. Em 2018, a equipe de "Bacurau", filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles que estrearia no ano seguinte, estava na região do Seridó em busca de figurantes locais. A produtora de elenco Renata Roberta entrou na casa de Tânia. "Eu estava costurando e escutei umas conversas na sala de jantar. Quando chego e digo 'boa noite', ela diz 'é dela que estou precisando' e me perguntou se eu toparia ser figurante. Ganhando R$ 50 todo dia, eu achei bom demais", lembra. 
Depois do sucesso de Bacurau, vieram outros convites. Hoje, ela soma seis filmes no currículo — todos iniciados depois dos 70 anos. 
Em "O Agente Secreto", filme brasileiro recente dirigido por Kleber Mendonça Filho, a atuação de Tânia Maria ao fumar foi tão marcante que "The New York Times" a elegeu como a "melhor atuação com cigarro" de 2025. No papel de Dona Sebastiana, fumando de "uma forma magnética e poderosa", ela dirige uma pousada em que cuida de refugiados políticos durante a ditadura militar brasileira.
Descreveu "The New York Times" sua performance como "best cigarette acting" (melhor atuação com cigarro), comparando a forma como ela segura o cigarro ao uso de uma bengala por idosos, e elogiando como ela traz toda a vida que já viveu para a tela. 
Significado 
A crítica aponta que o ato de fumar de Dona Sebastiana seria uma metáfora para superar a opressão. Como se ela afirmasse: "Se eu consigo vencer esses cigarros, consigo vencer essa ditadura".

23 novembro, 2025

Tenório Jr.

Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.

“A memória, quando bem guardada, não desaparece." (Ruy Castro)
Brasil247.com

20 novembro, 2025

O presidente negro do Brasil

Com a morte por pneumonia de Afonso Pena, o sexto presidente da República do Brasil, assumiu em 1909 o Executivo, então o vice: o político e advogado Nilo Peçanha (1867-1924).
De origem humilde, ele é considerado o primeiro e único presidente negro do Brasil.
Mas naquele início de século 20, com a preponderância de teorias racistas e uma ideia de embranquecimento da população, sua própria identidade racial se tornou objeto de controvérsia. "Rigorosamente, ele era um mestiço", define à BBC News Brasil o historiador Petrônio Domingues. Hoje, pelas categorias oficialmente utilizadas pelo IBGE, ele seria classificado como pardo.
Peçanha governou o país em um período profundamente marcado pelo racismo científico. Doutrinas como a frenologia e a eugenia ganhavam força no país, legitimando teorias que buscavam justificar a marginalização de pessoas negras e mestiças.
Na imprensa, era caricaturado em charges e anedotas que enfatizavam sua cor de pele de maneira depreciativa.
A conjuntura era do favorecimento da vinda de imigrantes estrangeiros para o Brasil, na ideia de que europeus brancos iriam, de certa forma, trazer o progresso para o Brasil. E de que a raça negra iria perdendo força, desaparecendo, a partir da miscigenação com a raça branca, também superior.
Nascido em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, teve uma infância pobre com seis irmãos em um sítio. A família se mudou para a cidade quando Peçanha chegou à idade escolar. Ele estudou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, mas acabou concluindo o curso na Faculdade do Recife.
Seu casamento chocou a sociedade da época: a noiva, Ana de Castro Belisário, a Anita, era de família rica de Campos dos Goytacazes, neta de um visconde e bisneta de dois barões. Anita chegou a fugir de casa para concretizar a união, um escândalo social que refletia as barreiras impostas pelas estruturas raciais e de classe da época.
Questões pessoais à parte, Peçanha trilhava uma sólida carreira política. Em 1890, reconhecido por seu engajamento nas lutas abolicionista e republicana, foi eleito para a Assembleia Constituinte que redigiu a primeira Carta Magna da República.
Foi deputado até 1902. No ano seguinte, tornou-se presidente do Rio de Janeiro — cargo equivalente ao atual governador. Em 1906 foi eleito vice-presidente da República. Apesar de circular em meios políticos dominados por brancos, parte da opinião pública o questionava, associando o fato de ele ser negro a eventuais dificuldades em sua capacidade de conduzir o país.
Museu da República
Paradoxalmente, quando Peçanha alcançou destaque na política nacional, a elite brasileira, alinhada com os ideais de branqueamento, tentou "corrigir" sua imagem. Fotografias oficiais e retratos eram manipulados para clarear sua pele e aproximá-lo dos padrões eurocêntricos, numa tentativa de apagar qualquer traço de diversidade racial em figuras públicas de prestígio.
Em sua passagem pelo Palácio do Catete, deixou duas marcas importantes. Foi ele quem criou o Serviço de Proteção aos Índios, órgão que antecedeu a atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). E também quem fundou a Escola de Aprendizes Artífices, que é considerada a precursora do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). E por causa disso em 2011 ele foi homenageado com uma lei federal que o tornou o patrono da educação profissional e tecnológica no Brasil.
Nilo Peçanha morreu em 1924, vítima de um problema cardíaco causado pela doença de Chagas. Há dois municípios brasileiros que o homenageiam com o nome: Nilo Peçanha, na Bahia, e Nilópolis, na região metropolitana do Rio.
Extraído de: VEIGA, Edison. Quem foi o 1.º e único presidente negro do Brasil. In: BBC News Brasil

16 novembro, 2025

Qual foi a primeira música brasileira gravada?

Este marco é envolto em mistério e disputa entre registros históricos incompletos, limitações técnicas da época e poucas gravações sobreviventes, segundo informa Penélope Nogueira. Ainda asim, entre as canções mais antigas e conhecidas, destaca-se o lundu "Isto é bom", escrita por Xisto Bahia e interpretada pelo baiano Manoel Pedro dos Santos para a casa Edison, a primeira gravadora do Brasil.
(Não confundir com o título de primeiro samba gravado no Brasil, que foi "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, gravado em 1916 e lançado no ano seguinte.)
Xisto Bahia, nome artístico de Francisco Xavier da Silva, escreveu "Isto é bom" em algum momento antes de seus vinte anos de idade, mas a canção só seria gravada em 1902, quase dez anos após sua morte.
A letra da canção é composta de sete estrofes. Confira uma delas:
"Os padres gostam de moças / E os doutores também / Eu como rapaz solteiro / Gosto mais do que ninguém."
E as estrofes eram intercaladas por este refrão:
"Isto é bom, isto é bom, isto é bom que dói." (bis)

Diferentemente de como são feitos atualmente, os registros eram feitos de forma mecânica, diretamente em cilindros de cera ou discos rudimentares, e o somera captado por grandes bocais sem uso de eletricidade, o que tornava a qualidade sonora bastante limitada.

14 novembro, 2025

O Agente Secreto

Filme brasileiro de 2025 (realizado com o apoio da Ancine e de instituições financeiras da França, Holanda e Alemanha)
Mescla de gêneros (suspense, espionagem, terror)
Duração: 2 h 41 min
Roteiro e direção: Kleber Mendonça Filho (diretor de AQUARIUS e BACURAU)
Sinopse: Ambientado no Recife em 1977, durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, "O Agente Secreto" acompanha a trajetória de Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário e especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal, após anos de afastamento e fugindo de um passado misterioso e violento em São Paulo, possivelmente ligado a um conflito com um poderoso industrial e a uma patente ou invenção.
Com a vida em perigo e sob constante ameaça e vigilância, Marcelo busca encontrar um pouco de paz, proteger seu filho pequeno, Fernando, que vive com os avós maternos (o avô é projecionista no icônico Cinema São Luiz, de Recife), e, eventualmente, deixar o país com o filho (também interpretado na vida adulta por Wagner Moura). Para seus planos, ele encontra refúgio em uma casa segura com outros dissidentes e figuras marginalizadas, além da figura maternal de Dona Sebastiana (Tânia Maria).
Ao tentar se reaproximar da família e do cotidiano, ele percebe que a cidade está sob intensa vigilância e a corrupção do regime militar que ainda controla e persegue opositores. E Marcelo acaba envolvido em uma rede de espionagem e conspirações, enfrentando dilemas morais e pessoais enquanto luta para proteger a si, aqueles que ama e desvendar o próprio passado.
A narrativa explora temas como repressão política, corrupção policial, memórias interrompidas, poder empresarial, identidade, manipulação da verdade e resistência. O filme traça um retrato crítico e sensível da sociedade brasileira durante uma de suas fases mais difíceis, misturando suspense, drama e elementos de thriller, conduzidos pela direção criativa de Kleber Mendonça Filho, que reforça seu estilo de crítica social e política, com toques do imaginário popular (lenda da "perna cabeluda") e referências cinematográficas ("Tubarão", de Spielberg).

02 novembro, 2025

Máscaras

Máscara Negra, de Zé Kéti e Pereira Mattos
Com Augusto Martins e Marcel Powell
Na mesma máscara negra / Que esconde teu rosto / Eu quero matar a saudade.
http://youtu.be/FKBI8hvhpwo?si=Qc40qZ3_HYXdwq8o

Mascarada, de Zé Kéti e Elton Medeiros
Com Zé Renato
Na esperança de que / Tirasses esta máscara / Que sempre me fez mal / Mal que findou / Só depois do carnaval.
http://youtu.be/H6_0a6UrkD4?si=Bv85vO4q9-Bu21lZ

Pierrot, de Joubert de Carvalho e Pascoal Carlos Magno.
Com Silvio Cadas
Arranca a máscara da face, Pierrot / Para sorrir do amor que passou.
http://youtu.be/YV993Uaj6kI?si=3zLwS-EsHuKEa7lk

Baile de máscaras, de Guilherme Arantes (da trilha sonora da novela Espelho Mágico)
Com Guilherme Arantes
Num baile de máscaras qualquer / Colombina e Pierrô / Cansados de procurarem / Cada qual seu par / Se convidaram pra dançar.
http://www.facebook.com/guilhermearantesfaclube

Máscaras, rap de Delacruz
Delacruz ft. Sant e Tiago Mac
Agora eu quero ver você aparecer / A máscara caiu no final, baby / E fiz parecer que eu saí pra esparecer / E isso tudo é tão natural, baby
http://youtu.be/-HtO6t22xlA?si=BNp7FM3dQ0Vhy2qy

Noite dos Mascarados, de Chico Buarque
Com MPB4 e Quarteto em Cy (vídeo)
Hoje os dois mascarados procuram / Os seus namorados, perguntando assim: / Quem é você?

22 outubro, 2025

Café

Ribeiro Couto (*)

Sabor de antigamente, sabor de família.
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão de casa, com lenha do mato de casa.

Café para as visitas de cerimônia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada,
para toda gente.

Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,
Café para todas as horas do riso ou da pena,
Café para as mãos leais e os corações abertos.
Café da franqueza inefável,
Riqueza de todos os lares pobres,
Na luz hospitaleira do Brasil.

(*) Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.

Título desta imagem de autoria de Tini Malina: Bruxas do café.

05 outubro, 2025

BWV 1068

Esta é uma adaptação para violão único da Ária na Quarta Corda do Segundo Movimento da Suíte Orquestral nº 3 em Ré Maior, de J. S. Bach - BWV 1068 (no catálogo das obras de Bach em alemão).
Trecho da vídeo-aula "Violão em Harmonia", do grande mestre Paulinho Nogueira.
No Brasil, com letra e arranjo de Flávio Venturini, e rebatizada com o nome de "Céu de Santo Amaro", a melodia "Arioso" virou uma espécie de "hit dos casamentos".

NEW POST
Davi Russell J.S. Bach: Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068: II. Air ("On a G String")
https://www.youtube.com/watch?v=NW8w5d3R7Rk

10 setembro, 2025

O Brasil 100% interligado

O Presidente Lula acompanhou, nesta quarta-feira (10), o início da energização do Linhão Manaus - Boa Vista.
A Linha de Transmissão Manaus - Boa Vista completa o mapa energético do Brasil, com a integração de Roraima, o último Estado da Federação que ainda estava isolado, dependente de usinas termelétricas locais e da Venezuela.
Para isso, foram investidos R$ 3,3 bilhões em aproximadamente 725 km de extensão, em circuito duplo de 500 quilovolts (kV), desde a Subestação Eng. Lechuga, no Amazonas, à Subestação Boa Vista, na capital de Roraima.
É o Brasil 100% interligado. Poucos países apresentam um Sistema Interligado Nacional (SIN) como nós temos. E já somos interligados ao Paraguai, por meio da maior usina de integração da América Latina, que é a Itaipu Binacional.
Também somos interligados à Argentina e ao Uruguai. Ano passado, exportamos energia: 426 milhões de energia à Argentina e 296 milhões ao Uruguai.

29 julho, 2025

Currículo azul

O batizado "currículo azul" será integrado às escolas de todo o país e adaptado às realidades locais, trazendo uma visão holística do oceano como "regulador climático, fonte essencial de vida e catalisador de soluções sustentáveis.", destacou a ONU em comunicado.

Ronaldo Christofoletti, copresidente do grupo de especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, disse que a inicativa "nasce da escuta ativa e plural da sociedade brasileira”.

A mudança acontece em um momento crucial para o combate à crise climática, com o aquecimento dos oceanos batendo níveis recordes e trazendo consequencias drásticas para a vida na Terra. Nossos mares pedem socorro: poluição, acidificação das águas, perda de biodiversidade e branqueamento de extensos recifes de corais tornam o desafio da conservação uma corrrida contra o tempo.

Mirando a COP30 no Brasil, o oceano também entra em cheque como um aliado para o equilíbrio do clima junto com as florestas, visto que funciona como um grande sumidouro de carbono. Diferente do senso comum que diz que a Amazônia é o 'pulmão do mundo', na realidade este papel é desempenhado pelo ecossistema marinho.

Leia a matéria completa em: http://exame.com/esg/brasil-e-o-primeiro-pais-a-incluir-educacao-oceanica-no-curriculo-escolar/