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24 julho, 2026

Nosso "Barretão"

Luiz Carlos Barreto, cearense de Sobral - Ceará, nasceu em 20 de maio de 1928. Foi repórter e fotógrafo da revista "O Cruzeiro", nos anos 1950 até 1963, e diretor de cinema.
Começou no cinema em 1961, como co-autor do roteiro e co-produtor do filme "Assalto ao Trem Pagador", dirigido por Roberto Farias. Essa película obteve um enorme sucesso, tanto no Brasil, como no exterior. A partir de então começou uma série de grande produções cinematográficas, divididas com uma importante atividade política e cultural.
Conhecido como "Barretão", ele esteve por trás de clássicos do Cinema Novo ("O Padre e a Moça", "Terra em Transe"), de adaptações literárias consagradas ("A hora e a vez de Augusto Matraga", "Dona Flor e seus dois maridos", "Luzia Homem") e de filmes que levaram o Brasil ao Oscar, consolidando uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à produção cinematográfica.
Além dos filmes que marcam sua carreira como produtor, foi pai de Bruno Barreto e Fábio Barreto - dois diretores da geração pós-Cinema Novo - e de Paula Barreto, formada em Comunicação Social.
Internado no Hospital Copa Star para tratar de uma infecção pulmonar, Barreto morreu em 22 de julho de 2026, aos 98 anos, no Rio de Janeiro.


Ele era militante do Partido dos Trabalhadores.
"Em reconhecimento à sua obra e à sua contribuição para a cultura brasileira, decreto luto oficial de três dias", escreveu o presidente Lula em sua rede social. Destacando a atuação de Barreto desde o Cinema Novo, movimento que ganhou força nos anos 1960 e do qual o produtor participou com obras como "Vidas Secas" e "Terra em Transe".
O presidente afirmou que Barreto teve um papel central na produção cinematográfica brasileira e ajudou a revelar talentos e viabilizar produções que marcaram época. E também citou filmes como "Dona Flor e seus dois maridos", "O Quatrilho" e "O que é isso, companheiro?", produções associadas à trajetória profissional de Barretão.
Os dois últimos levaram o Brasil à disputa do Oscar de melhor filme internacional.
Segundo o presidente, o produtor LC Barreto também se destacou pela defesa do audiovisual brasileiro e por atuar em favor de políticas públicas para o setor.

17 julho, 2026

Estratégias da imprensa brasileira para sinalizar a censura durante a ditadura militar

Durante esse período, diversos jornais brasileiros desenvolveram estratégias criativas para sinalizar a censura sem confrontá-la diretamente. Enquanto O Estado de S. Paulo publicava receitas culinárias no lugar de notícias censuradas e a Folha de S.Paulo utilizava trechos de "Os Lusíadas" e outros poemas clássicos. Foram tantas as matérias censuradas que o jornal acabaria publicando duas vezes os 8.116 versos do poema quinhentista de Luís de Camões, entre dezembro de 1969 e janeiro de 1975, quando finalmente os censores saíram da redação.
Já o Diario de Pernambuco optou por uma abordagem diferente: a publicação de narrativas ficcionais sobre eventos sobrenaturais. Fundado em 1825 e reconhecido como o jornal diário em circulação mais antigo da América Latina, o Diario de Pernambuco enfrentava dificuldades para preencher seus espaços editoriais devido ao corte sistemático de matérias pelos censores. Então, em dezembro de 1975, começou a publicar uma série de matérias relatando o suposto aparecimento de uma "perna fantasma" no bairro de Tiúma.
A criatura era descrita como uma perna humana decepada, coberta por pelos escuros e espessos, que se movia autonomamente pelas ruas da cidade, atacando transeuntes com rasteiras e chutes durante a noite. Considerada uma das lendas urbanas mais conhecidas do imaginário recifense, foi reapropriada ao longo das décadas em diversas adaptações culturais, inclusive no filme "O Agente Secreto" (2025), que a incorporou como um elemento narrativo central.
Estratégia do Pasquim 
Ao terminar a censura prévia a que estavam submetidos, os editores do semanário  O Pasquim adotaram o recurso de inserir na publicação um selo com a seguinte mensagem:

ENQUANTO VOCÊ ENCONTRAR 
ESTE SELO
O PASQUIM CONTINUA 
SEM CENSURA PRÉVIA

Era uma forma de avisar seus leitores de que estaria havendo o recrudescimento da censura.

10 julho, 2026

Marietta Baderna

Marietta Baderna (1828 – 1892) foi uma bailarina italiana, radicada no Brasil a partir de 1849. Casou-se com o maestro Gioacchino Giannini no Rio de Janeiro e suas apresentações tornaram-se populares na cidade, onde seu sobrenome entrou para o vocabulário do português brasileiro como sinônimo de "confusão".
Movida por seu talento, Baderna estreou nos palcos brasileiros e seu sucesso foi um acontecimento muito celebrado à época, e "baderna" tornou-se sinônimo de "beleza", mas posteriormente, recebeu críticas por parte da elite conservadora ao introduzir, entre os passos do balé clássico, gestos do lundu, da umbigada e de outras danças afro-brasileiras.
Em meio a essa polêmica, aqueles que defendiam sua dança, passaram a ser chamados de "baderneiros" e a palavra "baderna" mudou o seu significado e tornou-se sinônimo de "tumulto".
Com relação aos ataques, Baderna e os fãs revoltados chegaram a ser defendidos por figuras importantes como o escritor José de Alencar.
"Baderna – O memoricídio no dicionário" (imagem da capa
 Livro escrito por sua tetraneta, Paula Giannini, que conta a trajetória da artista e explicita mais um caso de apagamento do protagonismo feminino (mesmo no seio da família) na história brasileira.

06 julho, 2026

Madrugada de horror com abalos em João Câmara - RN

Há um certo alívio no Brasil com a ideia de que o país está protegido de terremotos, por estar localizado no centro de uma placa tectônica, já que estes fenômenos acontecem com mais frequência e intensidade em áreas de encontros das placas. Mas há uma região brasileira mais propensa aos abalos sísmicos do que as demais: o Nordeste. 
Isso acontece devido a uma particularidade da crosta terrestre em parte dos Estados nordestinos. Sob o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta terrestre tem de 30 a 35 quilômetros de espessura — em alguns pontos, até menos do que isso. É mais fina do que a média mundial, que passa dos 40 quilômetros, chegando a 70 quilômetros na região do Himalaia. 
Exatamente nessa região que corresponde a uma parte do Nordeste, a crosta teria se esticado um pouco mais do que no restante do país, em um processo de acomodação das placas. O resultado foi esse adelgaçamento atípico — o chamado "efeito de estiramento", como explica o engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor na Universidade de São Paulo (USP). 
As tensões são maiores nas bordas das grandes placas tectônicas, onde esses imensos volumes de rochas se encontram e buscam acomodar suas fronteiras. A Terra tem mais de 50 dessas placas — sendo que as maiores perfazem 14. O terremoto de grandes proporções que atingiu a Venezuela dias atrás (26) teve origem nesse encontro entre a placa Sul-Americana e a Caribenha.  
De acordo com o mapa feito pela organização internacional científica Global Seismic Hazard Assessment Program (GSHAP), entidade criada em 1992, enquanto a maior parte do território brasileiro não apresenta riscos de sismos, a "esquina nordeste" do país é classificada como de risco moderado para alto. A entidade considera como risco se há probabilidade de pelo menos 10% de tremores a cada 50 anos, considerando um histórico de ocorrências dos últimos 475 anos. O que acontece é que, se a maior parte do Brasil está sobre pontos estáveis da crosta, ali na Província Borborema, a quantidade de falhas geológicas é grande. A maior dessas falhas é a de Samambaia, no Rio Grande do Norte. 
Há cerca de 40 anos, em novembro de 1986, o município de João Câmara, a 82 quilômetros de Natal, registrou um abalo sísmico assustador. Com magnitude de 5,3 pontos, o tremor causou pânico na cidade, segundo reportagens publicadas na época. Não foi um terremoto forte, mas o suficiente para derrubar pequenas casas. 
E os pesquisadores puderam confirmar não só a espessura delgada da crosta da região, como também a diversidade de materiais rochosos de sua composição, um outro componente que pode explicar o grande número de falhas, já que não há uma homogeneidade que facilite a acomodação dos materiais. A Província de Borborema é muito heterogênea do ponto de vista geológico. São terrenos diferentes (quatro tipos), com muita rocha metamórfica e falhas antigas.

"O Poti", 01/12/1986 - Às 3 horas e 22 minutos da madrugada de domingo (30), um forte tremor sacudiu a cidade, com estrondos ao longe, sem um ponto certo de origem (como se viesse do mar). Portas, janelas e móveis tremeram durante vários segundos como se a cidade estivesse passando por abalos sísmicos, com o maior deles atingindo 5,3 na escala Richter. Casas rachadas ou destruídas, a torre da Igreja Matriz com rachaduras e o chão da cidade cortado de fissuras. Esses abalos foram sentidos também em Angicos, Lages, Riachuelo e outros municípios. 


Capa do Jornal "O Poti", de Natal - RN, no dia após o tremor registrado em João Câmara.
http://memoria.bn.gov.br/docreader/031151_04/11814

26 junho, 2026

Hino do Brasil: eleito como o mais bonito dos países da Copa

The New York Times elegeu o Hino Nacional Brasileiro como o mais bonito entre os hinos dos 48 países participantes da Copa do Mundo de 2026. A escolha saiu em uma matéria assinada por Tim Spiers, com tom de crítica musical e toques de humor.
O que o jornal destacou no hino brasileiro
Segundo o texto, o grande diferencial do hino é a gloriosa introdução orquestral de 28 segundos. A publicação afirmou que, embora a execução completa dure quase dois minutos, esse trecho inicial é o ponto mais marcante e ajuda a colocar o Brasil no topo da lista.
O jornal também observou que a letra é cantada em ritmo acelerado na maior parte do tempo, mas isso não diminui o impacto da composição. Para o NY Times, trata-se de um dos melhores hinos do mundo.
No ranking final, o Brasil aparece na liderança, seguido por França, Colômbia, Portugal e Escócia. Na última colocação ficou a Inglaterra, cujo hino foi descrito de forma bastante dura pelo jornal.
A melodia do Hino Nacional Brasileiro foi criada em 1831, em comemoração da abdicação de D. Pedro I, por Francisco Manuel da Silva. Seguiu como Hino Nacional durante todo o período da monarquia brasileira, sendo modificada depois da proclamação da república e permanecendo sem letra até 1909, quando Joaquim Osório Duque-Estrada criou uma nova letra para o Hino Nacional.
A composição se consolidou como símbolo nacional (juntamente com os outros três símbolos da República Federativa do Brasil, que são a Bandeira Nacional, as Armas Nacionais e o Selo Nacional) e agora ganhou também o reconhecimento internacional no curioso ranking do NY Times.

17 maio, 2026

La Banda

"A Banda" do brasileiro Chico Buarque interpretada pela cantora Marina Voica, que dominou as paradas musicais da Romênia, nas décadas de 1960, 70, 80 e até mesmo 90.

13 abril, 2026

Datas de fundação das capitais brasileiras

Região Nordeste
Recife (PE): 1537
Salvador (BA): 1549
João Pessoa (PB): 1585
Natal (RN): 1599
São Luís (MA): 1612
Fortaleza (CE): 1726. Data: 13/04, há 300 anos
Maceió (AL): 1815
Teresina (PI): 1852
Aracaju (SE): 1855

Região Sudeste
Vitória (ES): 1551
São Paulo (SP): 1554
Rio de Janeiro (RJ): 1565
Belo Horizonte (MG): 1897

Região Sul
Florianópolis (SC): 1673
Curitiba (PR): 1693
Porto Alegre (RS): 1772

Região Centro-Oeste
Cuiabá (MT): 1719
Campo Grande (MS): 1899
Goiânia (GO): 1933
Brasília (DF): 1960

Região Norte
Belém (PA): 1616
Manaus (AM): 1669
Macapá (AP): 1758
Rio Branco (AC): 1882
Boa Vista (RR): 1890
Porto Velho (RO): 1914
Palmas (TO): 1989

Capitais Federais Históricas
Salvador: 1549 - 1763
Rio de Janeiro: 1763 - 1960
Brasília: 1960 - presente

29 março, 2026

Pandeiro e tamborim

Pandeiro e tamborim são instrumentos de percussão brasileiros, mas com funções e características diferentes. O pandeiro é um aro de madeira ou aço com pele esticada (geralmente de cabra) e platinelas (pequenos pratos), que é tocado com as mãos. É ideal para samba de mesa, pagode, choro e ritmos nordestinos (V. Jackson do Pandeiro). Já o tamborim é um aro de metal, acrílico ou PVC com membrana esticada, sem platinelas, que é tocado com baqueta. É ideal para blocos, escolas de samba e também é usado em orquestras na música erudita.

"Viva Meu Samba"
Compositor: Billy Blanco
Violão, pandeiro 
Tamborim na marcação e reco-reco 
Meu samba, viva meu samba verdadeiro 
Porque tem teleco-teco.


O mestre João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba, além de ter sido parceiro de Pixinguinha e Donga - "Pelo Telefone", com os quais formou o Grupo da Guarda Velha.
Nascido no Rio de Janeiro no dia 17 de maio de 1887, João da Baiana protagonizou um dos mais pitorescos episódios de nossa história musical.
Na Festa da Penha de 1908, teve seu pandeiro apreendido pela polícia - o senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o motivo da falta.
Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido pelos policiais, resolveu presenteá-lo com um novo pandeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao João da Baiana - Pinheiro Machado".
Com essa dedicatória ("salvo-conduto") do senador, passou a tocar seu pandeiro, sem que a polícia fosse atormentá-lo!
(extraído de O Som do Animal, no Facebook)

17 março, 2026

Redistribuição dos fusos horários no BR

E se na PB, e também em RN, PE, AL e SE, adotássemos um fuso horário próprio - o mesmo de Fernando de Noronha. Por questões geográficas e sem horário de verão.
Ilustração por Luciano Amorim no X:


Comentário
A proposta é interessante. Mas vejo alguma confusão entre o CE e PE ao nível do Cariri. 

13 março, 2026

Um título: duas canções

Ó abre alas
1 - de Chiquinha Gonzaga (1899)
Um marco na obra de Chiquinha Gonzaga, a marcha Ó abre alas foi composta em 1899, despretensiosamente, para um cordão carnavalesco que ensaiava próximo a sua casa. Sua biografia revela também que foi a primeira música feita especialmente para o carnaval.
2 - de J. Piedade e Jorge Faraj
http://chiquinhagonzaga.com/wp/o-abre-alas-mesmo-titulo-dois-compositores/

Nova ilusão
1 - de Pedro Caetano e Claudionor Cruz
intérpretes: Paulinho da Viola, Zélia Duncan
2 - de Zé Menezes e Luiz Bittencourt
intérpretes: João Gilberto, Os Cariocas
http://blogdopg.blogspot.com/2023/03/novas-ilusoes.html

O que será?
1 - de Chico Buarque 
 ("À flor da pele", no álbum "Geraes")
2 - de Chico Buarque
("À flor da terra", no álbum "Meus caros amigos")
http://youtu.be/zXJciCo86kU?si=c5V1liQG5ewwjVih
Wikipédia
 
Meu vício é você
1 - de Adelino Moreira
intérprete: Nelson Gonçalves
2 - de Chico Roque e Carlos Colla
intérprete: Alcione

24 fevereiro, 2026

Encontros e despedidas

Getúlio Vargas sempre conservou intenções continuístas. Um dia, foram procurá-lo para saber se isso era verdade.
E o presidente:
- Não, meu candidato é o EURICO (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: EU FICO.

Em setembro de 1947, o Brasil sediou a Conferência Interamericana. O evento ocorreu no Hotel Quitandinha, em Petrópolis-RJ, sendo o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman,  um dos participantes. Desse encontro Truman e Dutra nasceu um delicioso trocadilho. Truman dirigiu-se a Dutra e o cumprimentou: HOW DO YOU DO, DUTRA?. Incontinenti, o presidente brasileiro devolveu: HOW TRU YOU TRU, TRUMAN?.


Mas o melhor foi na despedida.
Quando o "papel de enrolar prego" apertou a mão do presidente norte-americano, dizendo:
Boa viagem, INSIGNE PARTINTE!
E que Truman respondeu:
Obrigado, INSIGNE FICANTE!

22 fevereiro, 2026

Metamorfose ambulante

Inspirado no livro "Metamorfoses", do poeta latino Ovídio, Raul Seixas (1945 - 1989) criou este hit aos 12 anos. Ao ouvir a canção quase pronta, Paulo Coelho desdenhou dela, embora adiante tenha-se arrependido.
Seu verso mais emblemático é: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Que Raulzito colocou na letra "para questionar o problema das verdades absolutas".


Raul Seixas tocado por 1.000 músicos no Allianz Parque - São Paulo, 2022

Leia mais em: https://whiplash.net/materias/news_711/348272-raulseixas.html

19 fevereiro, 2026

Cascalho, cascalho, cascalho

Medalhista em Jogos Olímpicos tem direito a receber uma premiação em dinheiro (sin.: "cascalho") pela conquista. Aqui os valores são definidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
O repasse do COB é feito a todos os atletas brasileiros que subirem ao pódio. A premiação é de R$ 310 mil para os medalhistas de ouro, de R$ 210 mil para os de prata e de R$ 140 mil para os de bronze.
Em caso de mais de uma medalha, os atletas recebem por cada prova.
Para as modalidades em grupo (dois a seis atletas) ou coletivas (sete atletas ou mais), os valores são maiores, porém divididos entre todos os atletas do grupo ou equipe.
Grupo: Ouro - R$ 700 mil; Prata - R$ 420 mil; Bronze - R$ 280 mil.
Coletiva: Ouro - R$ 1,05 milhão; Prata - R$ 630 mil; Bronze - R$ 420 mil
Fonte: Notícias ao Minuto

14 fevereiro, 2026

Um gigante no slalom gigante

O esquiador Lucas Pinheiro Braathen fez história neste sábado (14) ao conquistar a primeira medalha para o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. Ele liderou a prova do slalom gigante no esqui alpino, disputada no norte da Itália, faturando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Milão-Cortina.
Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom - as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.
Pela primeira vez, o Brasil (e toda a América do Sul) subiu ao pódio em uma edição olímpica de inverno. E a medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte.


Lucas volta a competir nos Jogos de Inverno na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), na prova do slalom do esqui alpino.

07 fevereiro, 2026

O Agente Secreto

06/02/2026
Kleber Mendonça Filho comemora a marca de 2 milhões de ingressos vendidos por "O Agente Secreto" no Brasil.

O filme segue a história de Marcelo, um fugitivo da ditadura militar brasileira, que foge para Recife em busca de paz, mas percebe que a cidade está longe da paz que deseja.

Lista de prêmios, honrarias, indicações e pendências de "O Agente Secreto"
(Fonte: Wikipédia
Prêmios: 58
Honrarias: 3
Indicações: 70
Pendências: 43

04 fevereiro, 2026

O biquíni de lacinho

O biquíni, esta peça do vestuário feminino que se originou do maiô, foi invenção de um estilista francês na década de 1940. Louis Réard, que ousou lançar uma coleção de roupas de banho em duas peças, em 1946, no desfile da streepteaser Micheline Bernardini. O nome biquíni foi em razão das explosões atômicas experimentais no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, imaginando Louis Réard que sua criação seria tão explosiva quanto uma bomba atômica.
Na década de 1980, os modelos asa-delta e fio dental apareceram nas areias brasileiras. Mas o fio dental só vingou no Brasil.
Quanto ao biquíni de lacinho, é também uma invenção brasileira. Do paraense David Azulay, o dono da Blue Man que sempre acreditou que a moda praia seria um dos meios mais importantes de identificação e divulgação da cultura brasileira.
Deixemos que a filha de David Azulay conte como foi a história desse "erro" que virou história.

27 janeiro, 2026

Caiu a ficha

Esta expressão continua em uso, mas a sua origem nos transporta ao passado.
Quando a arquiteta Chu Ming Silveira projetou, em 1971, um novo tipo de telefone público que fosse adequado a um país dos trópicos. Durável, porém leve e barato de fabricar, instalar e manter, o qual logo foi apelidado de orelhão (em alusão a ter a forma de uma grande orelha).
Precisava de fichas para fazer ligações. Mas, em 1992, as tais fichas foram substituídas por cartões.
No auge de sua utilização, havia 1,5 milhão desses aparelhos nas ruas e praças do Brasil.
E fizeram muito sucesso em quadros de humor da televisão brasileira.
Na década de 1980, com o "Zé da Galera" e o "Paquera da Jupira", personagens de Jô Soares no programa humorístico "Viva o Gordo"; e também, com o comediante Aloísio Ferreira Gomes, o "Canarinho", destaque do programa "A Praça É Nossa", que usava o telefone público próximo de outras pessoas, falando alto e provocando grandes confusões.
No cinema nacional, os orelhões foram também utilizados como peças do "mobiliário urbano". Como em "O Agente Secreto" (de 2025), em que foi preciso recriar uma Recife dos anos 1970s para as locações do filme.


Este mês de janeiro marca o início da despedida de nossos confidentes de fibra de vidro. Em povoados onde a cobertura da internet é insatisfatória, apenas 9 mil desses orelhões sobreviverão até 2028.
Não vai sobrar lugar para eles, em um país que atualmente se comunica por meio de 270 milhões de telefones celulares.
A ficha caiu para sempre, mas a conexão com a história será eterna. (Paulo Gurgel)

03 janeiro, 2026

"Melhor atuação com cigarro"

Até os 72 anos, Tânia Maria nunca tinha assistido a um filme no cinema. Moradora de Santo Antônio da Cobra, um povoado com menos de mil habitantes no Rio Grande do Norte, ela passava os dias trabalhando como artesã e costureira. Hoje, atriz de 78 anos, que é um dos destaques do filme "O Agente Secreto" interpretando Dona Sebastiana, ela é citada pela imprensa internacional como uma possível candidata ao Oscar. 
Fumante por mais de 60 anos, ela decidiu abandonar o cigarro justamente depois que o reconhecimento internacional passou a exigir deslocamentos e viagens longas. Tânia chegou a recusar um convite para ir ao Festival de Cannes, na França, por não suportar as horas de voo sem fumar. "Eu fumava três carteiras por dia. Quero dizer que não tirava o cigarro da boca, né", conta. 
O jornal "The New York Times" destacou sua atuação como uma das melhores de 2025, e revistas especializadas como "Variety" e "The Hollywood Reporter" passaram a incluí-la em listas de apostas para a categoria de "Melhor Atriz Coadjuvante". A decisão de parar de fumar veio então, com um objetivo: não perder mais oportunidades. Inclusive, o Oscar. Com passaporte pronto, a atriz aguarda agora o visto americano para viajar. 
A entrada de Tânia Maria no cinema aconteceu por acaso. Em 2018, a equipe de "Bacurau", filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles que estrearia no ano seguinte, estava na região do Seridó em busca de figurantes locais. A produtora de elenco Renata Roberta entrou na casa de Tânia. "Eu estava costurando e escutei umas conversas na sala de jantar. Quando chego e digo 'boa noite', ela diz 'é dela que estou precisando' e me perguntou se eu toparia ser figurante. Ganhando R$ 50 todo dia, eu achei bom demais", lembra. 
Depois do sucesso de Bacurau, vieram outros convites. Hoje, ela soma seis filmes no currículo — todos iniciados depois dos 70 anos. 
Em "O Agente Secreto", filme brasileiro recente dirigido por Kleber Mendonça Filho, a atuação de Tânia Maria ao fumar foi tão marcante que "The New York Times" a elegeu como a "melhor atuação com cigarro" de 2025. No papel de Dona Sebastiana, fumando de "uma forma magnética e poderosa", ela dirige uma pousada em que cuida de refugiados políticos durante a ditadura militar brasileira.
Descreveu "The New York Times" sua performance como "best cigarette acting" (melhor atuação com cigarro), comparando a forma como ela segura o cigarro ao uso de uma bengala por idosos, e elogiando como ela traz toda a vida que já viveu para a tela. 
Significado 
A crítica aponta que o ato de fumar de Dona Sebastiana seria uma metáfora para superar a opressão. Como se ela afirmasse: "Se eu consigo vencer esses cigarros, consigo vencer essa ditadura".

23 novembro, 2025

Tenório Jr.

Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.

“A memória, quando bem guardada, não desaparece." (Ruy Castro)
Brasil247.com

20 novembro, 2025

O presidente negro do Brasil

Com a morte por pneumonia de Afonso Pena, o sexto presidente da República do Brasil, assumiu em 1909 o Executivo, então o vice: o político e advogado Nilo Peçanha (1867-1924).
De origem humilde, ele é considerado o primeiro e único presidente negro do Brasil.
Mas naquele início de século 20, com a preponderância de teorias racistas e uma ideia de embranquecimento da população, sua própria identidade racial se tornou objeto de controvérsia. "Rigorosamente, ele era um mestiço", define à BBC News Brasil o historiador Petrônio Domingues. Hoje, pelas categorias oficialmente utilizadas pelo IBGE, ele seria classificado como pardo.
Peçanha governou o país em um período profundamente marcado pelo racismo científico. Doutrinas como a frenologia e a eugenia ganhavam força no país, legitimando teorias que buscavam justificar a marginalização de pessoas negras e mestiças.
Na imprensa, era caricaturado em charges e anedotas que enfatizavam sua cor de pele de maneira depreciativa.
A conjuntura era do favorecimento da vinda de imigrantes estrangeiros para o Brasil, na ideia de que europeus brancos iriam, de certa forma, trazer o progresso para o Brasil. E de que a raça negra iria perdendo força, desaparecendo, a partir da miscigenação com a raça branca, também superior.
Nascido em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, teve uma infância pobre com seis irmãos em um sítio. A família se mudou para a cidade quando Peçanha chegou à idade escolar. Ele estudou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, mas acabou concluindo o curso na Faculdade do Recife.
Seu casamento chocou a sociedade da época: a noiva, Ana de Castro Belisário, a Anita, era de família rica de Campos dos Goytacazes, neta de um visconde e bisneta de dois barões. Anita chegou a fugir de casa para concretizar a união, um escândalo social que refletia as barreiras impostas pelas estruturas raciais e de classe da época.
Questões pessoais à parte, Peçanha trilhava uma sólida carreira política. Em 1890, reconhecido por seu engajamento nas lutas abolicionista e republicana, foi eleito para a Assembleia Constituinte que redigiu a primeira Carta Magna da República.
Foi deputado até 1902. No ano seguinte, tornou-se presidente do Rio de Janeiro — cargo equivalente ao atual governador. Em 1906 foi eleito vice-presidente da República. Apesar de circular em meios políticos dominados por brancos, parte da opinião pública o questionava, associando o fato de ele ser negro a eventuais dificuldades em sua capacidade de conduzir o país.
Museu da República
Paradoxalmente, quando Peçanha alcançou destaque na política nacional, a elite brasileira, alinhada com os ideais de branqueamento, tentou "corrigir" sua imagem. Fotografias oficiais e retratos eram manipulados para clarear sua pele e aproximá-lo dos padrões eurocêntricos, numa tentativa de apagar qualquer traço de diversidade racial em figuras públicas de prestígio.
Em sua passagem pelo Palácio do Catete, deixou duas marcas importantes. Foi ele quem criou o Serviço de Proteção aos Índios, órgão que antecedeu a atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). E também quem fundou a Escola de Aprendizes Artífices, que é considerada a precursora do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). E por causa disso em 2011 ele foi homenageado com uma lei federal que o tornou o patrono da educação profissional e tecnológica no Brasil.
Nilo Peçanha morreu em 1924, vítima de um problema cardíaco causado pela doença de Chagas. Há dois municípios brasileiros que o homenageiam com o nome: Nilo Peçanha, na Bahia, e Nilópolis, na região metropolitana do Rio.
Extraído de: VEIGA, Edison. Quem foi o 1.º e único presidente negro do Brasil. In: BBC News Brasil