06 julho, 2026
Madrugada de horror com abalos em João Câmara - RN
31 maio, 2026
Zé do Norte
O menino Alfredo Ricardo, órfão de pai e de mãe, teve uma infância muito pobre. Trabalhou na enxada, apanhou algodão, conduziu tropas de burro. Gostava de cantar desde a infância, mas sem imaginar que isso pudesse ser um meio de vida.
Em 1921, foi para Fortaleza e alistou-se no Exército, indo servir no Rio de Janeiro. Convidado, atuou em programa de rádio, obtendo grande sucesso com uma embolada de sua autoria. Acabou sendo levado para a Rádio Tupi onde passou a cantar adotando o pseudônimo de Zé do Norte, em 1940.
Zé do Norte publicou o livro "Brasil Sertanejo" em 1948 e, cinco anos depois, indicado pela escritora cearense Raquel de Queiroz, atuou como consultor de linguajar nordestino e compositor no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto (1953). Sua música "Mulher Rendeira" (sobre motivo atribuído a Virgulino Ferreira, o Lampião) ficou mundialmente conhecida após ser incluída no referido filme.
O sucesso desta fita em Cannes elevou Zé do Norte ao Olimpo do cancioneiro popular nacional. Outras de suas canções de sucesso foram: "Sôdade, Meu Bem Sôdade", gravada por Nana Caymmi e Maria Bethânia, entre outros, e "Lua Bonita", gravada por Raul Seixas e Belchior (vídeo), entre outros.
Contudo, é provável que ele tenha feito modificações em canções que já fossem cantadas pelos sertões nordestinos. Ou, então, que ele tenha adotado como suas (hipótese José Neumanne Pinto) as canções que sua mãe cantava no sertão do Rio do Peixe.
"Lua Bonita" c/ Belchior e Dominguinhos
12 dezembro, 2025
Cordel e cordelistas
A Literatura de Cordel é um gênero literário popular no Brasil, especialmente no Nordeste, caracterizado por sua forma rimada e sua apresentação em folhetos de papel.
Os poemas, escritos em versos, geralmente narram histórias, lendas, fatos históricos e acontecimentos do cotidiano.
Essas histórias são impressas em pequenos folhetos com xilogravuras, que eram tradicionalmente pendurados em cordas ou barbantes, daí o nome "cordel".
As ilustrações não apenas embelezam os folhetos, mas também ajudam a contar a história, sendo parte integral da experiência do cordel.
A origem da Literatura de Cordel remonta à tradição oral dos trovadores medievais na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha.
Esses trovadores recitavam suas poesias em feiras e mercados, transmitindo histórias e notícias. Com a colonização essa tradição foi trazida para o Brasil, onde se adaptou e evoluiu.
O cordelistas, como são chamados os autores de cordel, eram frequentemente viajantes que levavam seus folhetos para vender em feiras, festas e outros eventos, disseminando assim suas histórias por todo o país.
Eles, muitas vezes, são também repentistas, capazes de criar e recitar versos improvisados.
A métrica mais comum usada nos cordéis é a sextilha, que consiste em estrofes de seis versos, geralmente com sete sílabas em cada verso, e rimas alternadas.
Ao registrar histórias e lendas transmitidas de geração em geração, o cordel contribui para a preservação da memória cultural de um povo.
Ao utilizar uma linguagem simples e temas acessíveis, o cordel estimula a leitura e a escrita, especialmente entre as camadas humildes da população.
As obras de cordel podem abordar uma grande variedade de temas, desde histórias de reis e rainhas até aventuras de cangaceiros, romances e críticas sociais.
Existem inúmeros cordelistas famosos, como o paraibano Leandro Gomes de Barros, considerado o "pai do cordel", e Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros.
Ao longo do tempo, a Literatura de Cordel ganhou reconhecimento e valorização, sendo estudada em universidades e apreciada por um público mais amplo.
(Extraído de um material de divulgação da Secretaria de Cultura do Ceará)
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido por Patativa do Assaré (1909 - 2002). Nasceu no município de Assaré, no Estado do Ceará. Ele começou a compor e a recitar poesias ainda jovem, inspirado pelas histórias e cantorias tradicionais do sertão nordestino. Seus versos frequentemente abordavam temas como a vida no sertão, as dificuldades enfrentadas pelos agricultores, as injustiças sociais e a luta por melhores condições de vida. Dentre suas obras mais conhecidas estão: "Triste Partida", que foi musicada por Luiz Gonzaga e se tornou um clássico da canção nordestina, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", que Patativa apresentou em show no Theatro José de Alencar, em 1980, e que Fagner editou em LP pela CBS. https://youtu.be/mdYqWeR6ZuI?si=Q1u7suKWOaQq_03o
02 dezembro, 2025
O tocador de triângulo
Por algum motivo não existe a função de tocador de triângulo na Orquestra Sinfônica das Bermudas.
Já no Nordeste brasileiro...
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12 outubro, 2025
Por trás da letra: Bicho de 7 Cabeças
Quem revela a história da implicância de Zé Ramalho com os versos de "Bicho de Sete Cabeças" é o próprio Geraldo, que confessa:
"Compusemos a melodia desta música no começo dos anos 70. Trabalhamos suas sonoridades com um quê de barroco, misturando choro, música clássica e música moura. E a batizamos de 'Dezesseis Cordas' (pois foi composta com dois violões, um de 10 e o outro de seis cordas). Caprichamos tanto que Zé Ramalho tomou-se de grande amor por ela."
Algum tempo depois, Geraldo entregou a melodia ao carioca Renato Rocha, para que nela colocasse letra. Os versos - "Não dá pé/ Não tem pé, nem cabeça/ Não tem ninguém que mereça/ Não tem coração que esqueça/ Não tem jeito mesmo/Não tem dó do peito/ Não tem nem talvez/ Ter feito o que você me fez/ Desapareça/ Cresça e desapareça/ Não foi nada/ Eu não fiz nada disso/ E você fez um bicho de sete cabeças" - foram registrados em disco pelo próprio Geraldo e alcançaram enorme sucesso, a ponto de tornar-se um dos hinos da geração bicho-grilo.
Quando Zé Ramalho ouviu a melodia acompanhada da letra de Renato Rocha - relembra Geraldo, bem-humorado - "implicou, não gostou de jeito nenhum". E o paraibano então comentou com o pernambucano: "é, realmente, não tem pé, não tem cabeça!"
Fonte: Face de Geraldo Azevedo
Geraldo Azevedo e Elba Ramalho (ao vivo)
09 fevereiro, 2025
Ai, que saudade d'ocê
Natural de Taperoá-PB, Vital Farias é compositor de inúmeros sucessos da MPB, gravados e regravados por renomados artistas brasileiros (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Fagner, Zeca Baleiro e Lucy Alves). Entre suas canções autorais mais conhecidas estão:
- Canção em dois tempos (Era casa, era jardim)
- Veja (Margarida)
- Sete cantigas para voar
- Caso você case
- Ai, que saudade d'ocê (vídeo)
16 agosto, 2024
Vento encanado
Os ventos, para o homem do povo, são perigosíssimos. O chamado "vento encanado" produz sabidas paralisias. A propósito, Mestre Nilo Pereira contou-nos que ao visitar um amigo, no Recife, encontrou-o de pescoço duro, não podendo mover a cabeça. Ao indagar o que acontecera, ouviu do seu amigo esta explicação: "Fiquei de pescoço duro porque apanhei um desses ventos". Ao que Nilo, sempre bem humorado, adiantou: "Se você algum dia desejar se mudar desta casa, avise-me que eu tenho necessidade de endurecer também alguma coisa..." (Veríssimo de Melo, in "Medicina popular num mundo em transformação")
https://youtu.be/IdNO0f7WqSQ?si=FIdkmNJrSaxJTR4P
21 janeiro, 2023
Uma versão brasileira da pitaia
A fruta desse cacto (Cereus jamacaru), uma versão brasileira da pitaia, tem uma cor violeta muito forte. Sua polpa é branca, com minúsculas sementes pretas, e dizem que é saborosa. Aves que sabem das coisas se alimentam dela.
Curiosidade - O mandacaru é também destaque na bandeira de Petrolina-PE.
20 fevereiro, 2022
Capoeira do Arnaldo
Por Zé Renato e Renato Braz
[...]
Quando eu vim da minha terra
Num sabia o que é sobrosso
Sabença de burro velho
Coragem de tigre moço
Oração de fechar corpo
Pendurada no pescoço
Rifle do papo-amarelo
Peixeira de cabo de osso
Medalha de Padre Ciço
E rosário de caroço
Pra me alisar pelo fino
E arrepiar pelo grosso
[...]
sobrosso, como diacronismo antigo, é «sensação de ameaça, intranqüilidade; temor, medo, receio» ou, como diacronismo obsoleto, «aquilo que obsta, estorva, contraria; empecilho, embaraço, dificuldade». Etimologicamente, é, segundo Nascentes, forma sincopada de sobreosso, propriamente «ferida sobre o osso (nas bestas)», em sentido figurado, «coisa que molesta». É uma palavra que sobrevive no Nordeste do Brasil.
08 dezembro, 2021
Transformando o fértil Nordeste em deserto, em câmera lenta
"Daqui a cinquenta anos, não haverá gente morando aqui", disse Inácio Batista Dantas, 80 anos, equilibrando-se em uma rede puída. "Digo aos meus netos que as coisas vão ficar muito difíceis". Sua neta, Hellena, 16, ouviu - e recuou. Ela cresceu aqui. "Pretendo trabalhar nesta terra", disse ela.
Os cientistas concordam com seu avô. Grande parte do vasto nordeste do Brasil está, de fato, se transformando em um deserto - um processo chamado desertificação que está piorando em todo o planeta. A mudança climática é uma das culpadas. Mas os residentes locais, enfrentando duras realidades econômicas, também tomaram decisões de curto prazo para sobreviver - como derrubar árvores para o gado e extrair argila para a indústria de azulejos da região - que tiveram consequências de longo prazo.
A desertificação é um desastre natural que ocorre em câmera lenta em áreas que abrigam meio bilhão de pessoas, desde o norte da China e o norte da África até a remota Rússia e o sudoeste americano. O processo geralmente não leva a dunas de areia onduladas que evocam o Saara. Em vez disso, temperaturas mais altas e menos chuva combinam-se com o desmatamento e a agricultura excessiva para deixar o solo ressecado, sem vida e quase desprovido de nutrientes, incapaz de sustentar plantações ou mesmo grama para alimentar o gado. Isso o tornou uma das principais ameaças à capacidade da civilização de se alimentar. Por JACK NICAS (03/12/2021)
Ilustração - A região do Seridó, no Brasil, é um pólo nacional de produção de telhas, atividade que contribui para a degradação do solo.
05 novembro, 2021
De "víbora" a "briba"
briba s. f. (1913 cf. CF2) 1 HERP design. comum às lagartixas do gen. Briba, representadas no Brasil por uma única sp. (Briba brasiliana), que ocorre do Piauí a Minas Gerais 2 HERP design. comum a algumas spp. de lagartos da fam. dos cincídeos, e dos anguídeos, que ocorrem no Nordeste do Brasil, de corpo alongado e membros reduzidos; víbora 3 B infrm aguardente de cana; cachaça ʘ ETIM lat. cien. gen. Briba, prov. corruptela de víbora.Briba passou a latim científico em 1935, quando o herpetólogo brasileiro Alfrânio Amaral descobriu um nova espécie de lagarto e a batizou de Briba brasiliana (Wikipédia). A palavra briba já então existia, e Mário Marroquim diz explicitamente que bibra é uma modificação popular nordestina de víbora. Mais: ele identificou, entre os muitos fenómenos linguísticos do Nordeste, a troca do "v" inicial por "b" em três outras palavras: vesica > bexiga, vagina > bainha, votum > bodo.
13 dezembro, 2020
O primeiro encontro de Dominguinhos com Luiz Gonzaga
Desde menino José Domingos de Morais já se interessava por música, por influência do pai que lhe deu de presente uma sanfona de oito baixos. Aos seis anos de idade aprendeu a tocar o instrumento e começou a se apresentar em feiras livres e portas de hotéis para ganhar algum dinheiro, junto com dois de seus irmãos, Morais e Valdomiro, formando o trio "Os Três Pinguins". No início da formação, tocava triângulo e pandeiro, passando depois a tocar sanfona. Praticava o instrumento por horas a fio e tornou-se um exímio sanfoneiro, quando passou a ser conhecido em Garanhuns como Neném do Acordeon. O nome artístico só lhe seria dado por Luís Fernando em 1957, já no Rio de Janeiro.
03:06 - 03: 41Conheceu Luiz Gonzaga quando tocava no hotel em que o Rei do Baião estava hospedado em Garanhuns. O nome do hotel era Tavares Correia, e o trio que sempre tocava na porta foi convidado naquele dia a tocar dentro do hotel para Gonzaga e seus acompanhantes. Gonzaga se impressionou com a desenvoltura do menino e o convidou a ir para o Rio de Janeiro onde morava. Essa viagem aconteceria anos mais tarde pois, algum tempo depois deste encontro em 1948, Neném do Acordeon foi para Recife estudar.
Que dia é hoje?
27 setembro, 2020
Saudade é um parafuso
que na rosca quando cai
só entra se for torcendo
porque batendo não vai
e quando enferruja dentro
pode quebrar mas não sai
quem quiser plantar saudade
primeiro escalde a semente
e depois plante em lugar seco
onde bata o sol mais quente
pois se plantar no molhado
quando nascer mata a gente
(antonio pereira)
Antônio Pereira de Moraes – O Poeta da Saudade
Conhecido como o poeta da saudade, Antônio Pereira nasceu a 13 de novembro de 1891, no sítio Jatobá, hoje município de Itapetim-PE, (*) onde viveu até a morte, a 7 de novembro de 1982. Violeiro e poeta popular, ele mal assinava o nome e nunca fez da arte a sua profissão, tendo sobrevivido como modesto agricultor. Antônio Pereira participava de jornadas de improviso com os amigos e seus versos repassados verbalmente por seus admiradores sobreviveram ao tempo. Em 1980, com a ajuda de amigos, publicou seu único folheto, "Minhas Saudades", uma coletânea de sua poesia.
http://forrobodologia.wordpress.com/2008/02/26/antonio-pereira-de-moraes-%e2%80%93-o-poeta-da-saudade/
(*) Itapetim é o berço de outros poetas como: Otacílio Batista, que compôs "Mulher nova, bonita e carinhosa" (c/ Zé Ramalho), e o jornalista Rogaciano Leite, autor de "Cabelos Cor de Prata" (c/ Silvio Caldas). Para Maria Sônia Leite, Antônio Pereira de Moraes nasceu no sitio Barra do Mineiro, em Livramento, no Cariri paraibano, também terra de grandes poetas.
Luiz Vieira no blog EM (arquivo)
http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/adeus-menino-passarinho.html
http://blogdopg.blogspot.com/2020/02/seu-delegado.html
03 setembro, 2020
Pavão Mysteriozo
Ednardo
Inspirada em um folheto de cordel da década de 1920, esta canção composta por Ednardo é a faixa-título do seu álbum "O Romance do Pavão Mysteriozo", de 1974. Trata-se de uma página do nosso cancioneiro em que tudo converge para ser a obra-prima que é: a melodia e a harmonia igualmente primorosas, a marcação rítmica de um maracatu cearense e a contação de uma aventura fantástica envolvendo uma ave mecânica.
O folheto de origem desta história tornou-se um dos maiores sucessos da literatura de cordel, tendo sido reeditado inúmeras vezes. Calcula-se que tenha vendido mais de 20 milhões de exemplares. Além da canção de Ednardo, o folheto inspirou também novelas de televisão e peça de teatro. E teve a história transposta para álbuns de histórias em quadrinhos (HQ), filmes e um audiovisual acessível.
Simbologia
"Qualificado como misterioso, o pavão é uma figura de significados mágicos. Sua presença na titulação não só registra sua participação na aventura, mas adverte quanto aos sentidos míticos do que se narra. O pavão insere-se numa complexa simbologia. Signo solar, do fogo, da beleza, do poder de transmutação, pela vistosidade de sua plumagem, é também conhecido, mitologicamente, como destruidor de serpentes (seres da obscuridade). Símbolo da paz, da prosperidade, da fertilização, sua morte tem o poder de trazer a chuva. Aparece como montaria em algumas mitologias e na tradição cristã é sinal de imortalidade. Como representação da dualidade psíquica do homem, o pavão conota as forças positivas, por todos os conteúdos que lhe são atribuídos."Cronologia
1923 - Publicação do folheto de cordel por Melchíades Ferreira da Silva (provável autor: José Camelo de Melo Rezende)
1960 - Publicação do álbum (HQ) pela Editora Prelúdio
1974 - Lançamento do LP "O Romance do Pavão Mysteriozo" por Ednardo
1976 - Tema musical de abertura da novela "Saramandaia" da Rede Globo
1986 - Estreia como peça de teatro
2001 - Remasterização do LP de Ednardo para o formato CD
2006 - Curta-metragem "O Pavão Misterioso" pelo Núcleo de Animação de São Bernardo
2013 - Remake da novela "Saramandaia"
2014 - Longa-metragem "O Resgate do Pavão Misterioso" dirigido por Sílvio Toledo
2016 - Lançamento de "Romance do Pavão Misterioso" no formato de um audiovisual acessível.
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Ednardo:
"Na recente manifestação em desapreço à democracia brasileira, foram às raias da insanidade, gritando pelo fechamento do congresso, volta de regime militar, prisões no STF e outras demonstrações de ódio extremista, e subserviência de nosso país a outros governos. Seria de se esperar em evento deste tipo. Mas então colocaram a música Pavão Mysteriozo, gravada de meu disco e com minha voz, em um dos caminhões de som para o público cantar, como se eu tivesse dando um aval."
09 maio, 2020
Só quer ser as pregas
Exemplo: "Fulano só quer ser as pregas."
- - - Completo (na Paraíba): "Só quer ser as pregas de quelé."
Sinônimo: "Achando-se..."
- - - Completo: "Achando-se o rei da cocada preta."
- - - Var.: o rei da coca da preta
Arcaísmo: umbigo
Neologismo: c*
Analogia: com o governo Bozo, quando se diz que continua sendo o c* (por sua fixação na segunda fase do desenvolvimento psicossexual segundo Freud).
Bom para o Dicionário Brasileiro de Frases.
28 março, 2020
A deslumbrante libélula
Como características distintivas, contam-se:
O corpo fusiforme, com o abdômen muito alongado, olhos compostos e dois pares de asas semitransparentes.
Mesmo possuindo seis pernas, praticamente não conseguem andar com elas.
Você deve ter observado que as líbelulas, enquanto voam, ficam tocando na superfície da água. Elas fazem isso durante o voo nupcial e para realizarem a postura dos ovos.
Preferem sempre voar sobre águas límpidas e, por isso, são consideradas bioindicadores da qualidade dos corpos de água naturais como lagos, lagoas, riachos, poças de chuva.
São predadoras e alimentam-se de outros insetos, inclusive do Aedes aegypti. Caçam à base do sentido da visão, que é muito apurado, e da velocidade de voo que pode alcançar 85 km/h.
São bastante úteis no controle das populações de mosquitos (uma libélula pode consumir 600 insetos em 24 horas), prestando assim um serviço importante ao Homem.
No Nordeste brasileiro, devido a esse hábito de adejar sobre as poças d'água, a líbelula é popularmente chamada de... lava-bunda.
Imagem: artesanato de escritório (com clipes)
31 agosto, 2019
Centenário de nascimento de Jackson do Pandeiro
Rei do Ritmo
Não apenas porque Jackson tocava – e muitíssimo bem – o pandeiro, mas também – aí o seu maior segredo – por empregar a voz com tal maestria, que ela também era um instrumento, ritmo e bossa. Tinha uma inigualável maneira de dividir a música, e diz-se que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com ele. Muitos o consideram o maior ritmista da história da Música Popular Brasileira.
Nordestinidade
Ao lado de Luiz Gonzaga, Jackson foi um dos responsáveis pela nacionalização de canções nascidas no seio do povo nordestino. Gilberto Gil, João Bosco e Alceu Valença, entre outros, são seus herdeiros artísticos. É de Alceu Valença esta declaração: "Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha."
Discografia e sucessos
Sua discografia compreende mais de 30 álbuns lançados no formato LP. Desde sua primeira gravação, "Forró em Limoeiro", de 1953, até o último álbum, "Isso é que é Forró!", de 1981, foram 29 anos de carreira artística. Seus principais êxitos, "Um a um", "Sebastiana", Cantiga do sapo", "Forró em Limoeiro", "Mulher do Aníbal", "Chiclete com banana" e "O canto da ema" revezavam-se por meses a fio no hit parade da época.
Em seu "Dicionário da MPB", relata Ricardo Cravo Albin:
"Certa vez, Jackson me visitou no Museu da Imagem e do Som. E ali eu testemunhei uma cena rara. Jacob do Bandolim, que estava comigo na sala, ao vê-lo entrar, levantou-se, impertigou-se solenemente e beijou a mão do Jackson, dizendo-lhe: 'Quero reverenciar o cantor que canta com maior sentido rítmico no Brasil'. Jackson resplandeceu. Não disse uma palavra, tirou duma sacola de pano o pandeiro e cantou durante quase meia hora para nós dois, que, embevecidos, degustávamos o raro e inesperado recital privado."
A lei da compensação
Brasília, a musa de muitos artistas
07 maio, 2019
Filosofia Nordestina, por Mírian Monte
Mas tem razão o Ministério da Educação.
Se o nordestino continuar filosofando,
Será um disparate, será desumano!
Imagine se surgisse outro Graciliano,
Uma nova Raquel de Queiroz...
O que seria de nós?!
O Brasil perderia as estribeiras!
Já pensou se resgatarem a Nise da Silveira?
Ah, meu pai amado, meu Jorge Amado!
Nem cravo e canela resolvem a querela!
“Parem o mundo que quero descer”,
Quero consignar essa queixa,
Parafraseando Raul Seixas.
E se os estudantes falarem versos
Contarem prosas,
Ou citarem Rui Barbosa?
Ariano Suassuna que assuma essa ciranda,
Porque nem Pontes de Miranda
Conseguiria solucionar!
E nem se fale em José de Alencar:
Imagine se “O Guarani” fosse uma trilogia!
Teríamos versos em tupi, na poesia!
Vou encerrar com Tobias Barreto,
Eu prometo!
Ou melhor seria com Castro Alves?
Que os anjos nos salvem!
Esse povo do Nordeste
É povo de muita sabedoria...
Imagina se nas escolas
Ensinarem filosofia?
(repassado por Jaime Nogueira)
19 fevereiro, 2019
NOTA DO CORECON-CE EM DEFESA DO BANCO DO NORDESTE
O BNB foi criado pela Lei nº1.640 DE 19.07.1952, sediado em Fortaleza, com missão diferenciada das demais instituições financeiras que desde sua fundação a cumpre - "Atuar como Banco de Desenvolvimento da Região Nordeste".
Para efetivar seu papel de agente indutor do desenvolvimento regional conta com a capilaridade de 280 Agências, localizadas nas cidades nordestinas, norte de Minas e parte do Espírito Santo, das quais algumas situadas nos mais distantes rincões do semi-árido nordestino. O Banco conta ainda em sua estrutura com o ETENE cuja missão é “ Elaborar, promover e difundir estudos, pesquisas e informações socioeconômicas e avaliar políticas e programas do Banco do Nordeste, subsidiando a ação do BNB e da sociedade na busca do desenvolvimento regional sustentável.
Concordamos com posição espelhada em artigo publicado em janeiro de 2019 pela AFBNB-Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste, "O BNB exerce um protagonismo econômico junto a diferentes setores da economia – agricultura, indústria, comércio, serviços, turismo, infraestrutura etc. – sendo o principal braço do Estado, enquanto instituição de fomento na região em que atua. Sua expertise, de quase 67 anos, promovendo o desenvolvimento regional o credencia, enquanto empresa séria que, ao contrário de ser ignorada deve ser reconhecida.
Os resultados positivos apresentados pelo Banco ao longo dos anos, seriam ainda mais eficazes se houvesse uma política macroeconômica de desenvolvimento nacional, com o suporte de um arcabouço institucional pensado para de fato superar as desigualdades entre as regiões e estimular as potencialidades locais. Não custa lembrar que órgãos que poderiam construir essa rede foram sucateados e/ou esvaziados de sua missão ao longo do tempo, a exemplo da Sudene, do DNOCs e da Codevasf."
Ainda segundo artigo da AFBNB, "os números mostram a força do BNB e a sua relevância para a política de desenvolvimento do País. Isto confirma ser a Instituição uma das mais relevantes para a superação das desigualdades regionais, devendo, portanto, ser fortalecida e reconhecida como tal, desconstruindo qualquer equívoco de privatização, incorporação, fusão ou qualquer outra medida que implique em seu desmonte."
Vale registrar que o BNB em 2018 atingiu a marca histórica de R$ 41,4 bilhões emprestados com recursos do FNE – sendo R$ 30 bilhões do próprio FNE e o restante do CrediAmigo e AgroAmigo – microcrédito urbano e rural, respectivamente.
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste-FNE, foi criado em 1988 (artigo 159, inciso I, alínea "c" da Constituição da República Federativa do Brasil e artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) e regulamentado em 1989 (Lei nº 7.827, de 27/09/1989). O FNE é um instrumento de políticas públicas no âmbito federal viabilizado pelos diversos programas de financiamento aos setores produtivos, cujos recursos não são contingenciados em orçamento da União,
Os que representam o CORECON-CE entendem que todos os segmentos da sociedade precisam se imbuir de uma causa comum, “Defender a Valorização e Manutenção do BNB”, enquanto braço do Governo Federal na efetivação, dentre outras missões, a constitucional, via operacionalização dos recursos do FNE. FNE.
02 dezembro, 2018
Morreu Maria Preá
= Vamos esquecer o assunto.
(Grato ao jornalista e escritor JB Serra e Gurgel por ter feito o contrário, isto é, me lembrado o assunto.)
Se o assunto é decidido ... quando não há mais questão ... se não cabe discussão ... e o martelo foi batido ... se não restar mais moído ... e acabou-se o bafafá ... se o que fazer já não há ... e recorrer não se pode ... emende o fio do bigode ... morreu Maria Preá ...
De onde surgiu esta expressão, apud Larissa Brandão:
Conta-se, no caso, que o vigário de determinado lugarejo interiorano foi apanhado em flagrante por seu sacristão quando transava com Maria Preá, uma paroquiana com atrativos físicos que atraíam a atenção de qualquer filho de Deus que tivesse os hormônios certos funcionando nas horas certas. Pouco importa saber como esse romance incomum começou, e mais ainda, de que forma chegou ao rola-rola, e ainda por cima na casa paroquial. O fato é que desse dia em diante o sacristão passou a fazer chantagem com o vigário, conseguindo dele tudo o que desejava. Bastava dizer em sussurro "Olha a Maria Preá!", para que o religioso se rendesse às suas exigências, embora o fizesse muito a contragosto. Mas fazer o quê numa situação dessas? Como explicar aquela aventura amorosa aos paroquianos?
Até que certo dia o vigário voltou mais cedo de uma tarefa que tinha ido realizar em sua missão pastoral. A porta da casa onde morava estava aberta, como de costume, e por isso ele entrou sem fazer alarde, como também era seu hábito. Ao passar pela porta entreaberta de um dos quartos, rumo à cozinha, e surpreender, num relance de olhar, o sacristão com o tronco curvado para frente, servindo passivamente de mulher para um garotão das redondezas, sua surpresa foi tamanha que ele não conseguiu dizer uma única palavra: só ficou ali parado, de boca aberta, olhando a cena patética. Mas logo foi percebido pelo sacristão, que "desarrolhando-se" do seu jovem parceiro tratou de ajeitar a roupa, aproximar-se do padre que ainda o observava de queixo caído, e murmurar em voz aflita: "Seu Vigário, não conte nada pra ninguém. O senhor não viu nada, está bem? E olhe: de hoje em diante, morreu a Maria Preá!".
E foi por causa disso que a frase nasceu. Não faz muito tempo, Itanildo Medeiros, natural de Angicos, no Rio Grande do Norte, compositor, empresário de bandas de forró e secretário de Cultura em sua cidade natal, pesquisou essa mesma história, descobriu sua origem, e como o que nela se diz ter acontecido integra o riquíssimo acervo folclórico nordestino, ele não se contentou em divulgá-la, apenas, mas valeu-se de seus dotes poéticos para escrever um poema de literatura de cordel sobre o tema, cujos últimos versos estão transcritos aí abaixo:
Assistindo aquela cena / mas lembrando do passado, / o padre ficou com pena / e também aliviado. / Mas, mesmo com a vergonha / daquela cena medonha, / o padre gritou de lá: / Sacristão, se oriente / pois, pra nós, daqui pra frente, / morreu Maria Preá.
Fonte: https://groups.google.com/forum/#!topic/projetobios/FzYx79FaY5w
O poema de Itanildo Medeiros na íntegra, dito por outro destaque da literatura de cordel, o Braulio Bessa:
Verbete futuro para o Dicionário Brasileiro de Frases (DBF): Agora é tarde, Inês é Morta




