Mostrando postagens com marcador rei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rei. Mostrar todas as postagens

14 julho, 2026

Rei dos Ratos

Ele chega a ser considerado um ser criptídeo a ser estudado pela criptozoologia, porém é um fenômeno real.
Na biologia, um "rei dos ratos" é uma condição em que vários roedores ficam presos pelo rabo. As caudas entrelaçam-se devido a nós, sujeira, sangue ou fezes, quando muitos ratos estão amontoados em um espaço apertado. Incapazes de se moverem ou de se alimentarem, os animais acabam morrendo.
A primeira menção documentada data de 1576, registrada pelo historiador húngaro Johannes Sambucus. Há inclusive uma xilografia medieval retratando esse fenômeno e exemplos mumificados são mantidos em museus da Europa. 
O maior caso registrado ocorreu na Alemanha em 1828, envolvendo 32 ratos unidos.
O fenômeno pode ter escasseado quando o rato-marrom (R. norvegicus) substituiu o rato-preto (R. rattus) no século XVIII. Os avistamentos tem sido esporádicos na era moderna; sendo o caso mais recente o que foi descoberto numa fazenda  na Estônia, em 2005.
Esquilos   
No ano de 2018, noticiou-se o aparecimento de um "rei dos ratos" formado por cinco esquilos-cinzentos (S. carolinensis). Encontrados por um morador em Wisconsin, nos EUA, e levados para um centro de reabilitação da vida selvagem, foram submetidos a uma operação de quase meia hora de separação de suas caudas.

15 setembro, 2022

Dedos de salsicha

Os dedos inchados de Charles III viraram assunto na internet. E o Palácio de Buckingham, por sua vez, não divulga se há algum problema com a saúde do monarca.
Médicos ouvidos em reportagens indicam muitas possíveis causas para a inchação. Somente as relacionadas com artrites são quatro: osteoartrite, artrite reumatoide, artrite psoriátrica e gota.


Prefiro pensar numa causa mais prosaica: Música. Se Charles, por acaso, ainda estiver estudando ukulele, naquele velho ukulele feito de pote vazio de margarina.

05 abril, 2021

O rei que se tornou um pirata

Quando você pensa em uma convergência entre um rei e um pirata, vai se surpreender ao descobrir que isso aconteceu a um  governante descendente dos vikings.
Eric VII era rei da Dinamarca desde os sete anos de idade, e esse domínio acabou por incluir também a Noruega e a Suécia. Ele era um governante impopular, travando guerras mal concebidas e cobrando impostos, até que os suecos começaram a se rebelar e os nobres se articularam para derrubá-lo. E ele nem tinha herdeiro. Esses assuntos vieram à tona em 1438.
Com as paredes fechando, Erik viu que seu destino estava selado. Ele decidiu deixar o país com a arca do tesouro real, algumas das joias da coroa, os acessórios reais e a bandeira histórica do país. Ele sabia para onde estava indo: juntar-se aos piratas.
Os piratas em questão eram homens desgastados pelo mar que durante anos criaram medo e destruição entre os comerciantes e nobres da Suécia, Dinamarca e cidades alemãs conhecidas como Liga Hanseática. Os inimigos dos piratas - a nobreza que já foi amiga do rei Erik - eram as mesmas pessoas com quem ele agora se encontrava em desacordo. Então, naturalmente, os inimigos de seus inimigos se tornaram seus amigos.


(imagem: http://www.neatorama.com/2020/04/22/The-King-Who-Became-a-Pirate)

Erik passou uma década inteira como rei pirata, sempre esperando voltar ao poder no país que acreditava ser dele. Mas quando seu sobrinho, Christoffer, do Bayern, morreu repentinamente - sem filhos e com 31 anos de idade -, seus compatriotas trouxeram um novo rei de uma linhagem diferente, Christian o Primeiro.
Erik finalmente perdeu a esperança de recuperar o trono. Com a morte de seu sobrinho, a linhagem real de sua família, que remonta aos antigos reis vikings, chegou ao fim. Não havia mais nada por que que lutar. Ele voltou a seu local de nascimento, Pomerania, e morreu lá aos 77 anos.

Extraído de: The King Who Became a Pirate, Narratively

02 dezembro, 2020

Quando você mata dez milhões de africanos, você não é chamado de "Hitler"

Dê uma olhada nesta foto. Sabe quem é?
A maioria das pessoas nunca ouviu falar dele.
Mas você deveria. Quando você vê o rosto dele ou ouve o nome dele, deveria ficar tão enjoado como quando lê sobre Mussolini ou Hitler ou vê uma de suas fotos. Veja bem, ele matou mais de 10 milhões de pessoas no Congo.
Seu nome é rei Leopoldo II da Bélgica.


Mark Twain escreveu uma sátira sobre Leopoldo chamada "Solilóquio do rei Leopoldo; Uma defesa de seu domínio no Congo", onde ele zombou da defesa que o monarca fez do seu reino de terror, em grande parte com as palavras do próprio Leopoldo. É uma leitura fácil em 49 páginas e Mark Twain é um autor popular nas escolas públicas americanas. Mas, como a maioria dos autores políticos, frequentemente leremos alguns de seus escritos menos políticos ou os leremos sem saber por que o autor os escreveu em primeiro lugar. A "Fazenda Animal", de Orwell, por exemplo, serve para reforçar a propaganda antissocialista americana sobre como as sociedades igualitárias estão fadadas a se transformar em seus opostos distópicos. Mas Orwell era um revolucionário anticapitalista de um tipo diferente - um defensor da democracia da classe trabalhadora de baixo - e isso nunca é apontado. Podemos ler sobre Huck Finn e Tom Sawyer, mas "Solilóquio do rei Leopoldo" não está na lista de leitura. Isso não é por acaso. As listas de leitura são criadas por conselhos de educação para preparar os alunos para seguirem as ordens e suportar o tédio.
~ Liam O’Ceallaigh

Extraído de: Diary of a Walking Butterfly

Estátuas na mira dos manifestantes

16 março, 2019

Luís I, o rei das ovelhas

Título: Louis I – King of the Sheep
Autor/Ilustrador – Olivier Tallec
Uma parábola ilustrada de como o poder nos transforma. 

Foi o que aconteceu à ovelha Luís quando, numa colina ventosa, uma rajada de vento levou até si uma coroa dando início assim a seu reinado como Luís I, rei das ovelhas.


Rapidamente Luís I foi adquirindo tiques e vícios de déspota, acabando por expulsar do "reino" todas as ovelhas que não se parecessem consigo.
Até que, por outro golpe do destino, uma nova rajada de vento retira a coroa da cabeça de Luís I, o rei das ovelhas, que voltou a ser a ovelha Luís novamente.

Um lembrete sutil de que estamos separados dos menos afortunados do que nós por pouco mais que probabilidades cósmicas imerecidas, mesmo que seja mais lisonjeiro acreditar no contrário.

08 agosto, 2017

Filosofando sem ser...

por Fernando Gurgel Filho
Slavoj Zizek, no livro "Menos que Nada", cita Lacan na sua tese de que "o louco não é apenas o mendigo que pensa que é rei, mas também o rei que pensa que é rei".
O mendigo, ao imaginar-se como rei, está apenas realizando uma fantasia, fugindo da sua realidade. O rei, ao imaginar-se como rei, está apenas desempenhando uma função, exercendo um papel simbólico na sociedade. Ou seja, é uma convenção criada pela própria sociedade para facilitar a vida nas comunidades humanas. Ao confundir esta função com o seu próprio ser, está fugindo da realidade e entrando no espaço do imaginário ou simbólico, ou seja, está deslizando a catraca.
Ora, no Universo cada ser é único, insubstituível, apesar de isto não querer dizer muita coisa ou absolutamente nada, no final das contas. A função - qualquer uma que seja, até a de rei, presidente, sultão, califa, xeique... - pode ser exercida por qualquer outra pessoa, desde que tenha os requisitos exigidos e as circunstâncias legais o permitam. Mesmo que isto contrarie Platão e os fascistas de plantão.
Para evitar que os outros mortais pudessem cobiçar o trono e desempenhar as mesmas funções, era comum os reis se auto proclamarem como portadores de um "direito divino" para governar. Isto tornava a função equivalente ao sujeito, diferenciando-a das funções exercidas pelos outros mortais. Assim mesmo, como acontece com os que se declaram ou se consideram "salvadores da pátria", "redentores da humanidade", "deuses" etc.
Isto porque todos esses confundem o que são verdadeiramente, como seres humanos, com a função que exercem ou que acreditam lhes caber por "direito divino", hereditariedade ou seja lá qual for a justificativa dada.
O ser, este amontoado maravilhoso de células que parecem saber exatamente a sua finalidade nos corpos que dão forma, incontestavelmente é parte do Universo. Se é parte harmônica, não temos como saber, mas sabemos que não sabemos - nem ao menos supomos - se temos alguma finalidade ou se damos forma a alguma outra parte, ou corpo, deste Universo. Dentro deste raciocínio, o ser não é nada ou, quando muito, alguma parte insignificante de algo como o Universo. Praticamente a mesma coisa que será no não-ser.
O que se perpetua não é o ser, são as consequências dos seus atos, obras, erros e acertos ou as imagens que os outros formaram do ser. Uma palavra, um sorriso, um gesto, mesmo durando alguns segundos, geram consequências para todo o sempre, até a eternidade. Mas isto não é o ser.
Ainda que sejam atos grandiosos, como criações artísticas ou intelectuais, como descobertas maravilhosas ou invenções inacreditáveis. Um nome, uma placa ou uma estátua vistosa em homenagem ao ser que as concebeu perpetua-lhe uma imagem saudosa ou agradecida. Mas isto também não é o ser.

06 março, 2017

A música na vida de Luís II da Baviera

Luís havia acabado de completar 18 anos quando o pai morreu subitamente, deixando-lhe o trono da Baviera. Embora não estivesse totalmente preparado para o cargo, sua juventude e boa aparência o tornaram popular na Baviera. Um dos seus primeiros atos como rei foi convocar o compositor Richard Wagner para a sua corte em Munique poucas semanas depois da sua ascensão ao trono. Wagner tinha uma notória reputação de revolucionário e namorador e estava constantemente em fuga dos credores. Luís admirava Wagner desde a adolescência, depois de ter assistido às óperas Lohengrin e Tannhäuser aos 15 anos. As composições de Wagner apelavam à imaginação e fantasia do rei e preenchiam um vazio emocional. Em 4 de maio de 1864, Wagner, aos 51 anos de idade, foi recebido em audiência por Luís II no Palácio Real de Munique. Após sua primeira reunião com o rei, Wagner escreveu: "Ah, é tão elegante e inteligente, emotivo e encantador, que temo que sua vida derreta neste mundo vulgar como um sonho fugaz dos deuses". O rei foi provavelmente quem salvou a carreira de Wagner. Acredita-se que as composições posteriores de Wagner, bem como sua estreia no prestigiado Teatro Real de Munique (atual Ópera do Estado Bávaro), jamais teriam acontecido sem o patronato de Luís.
Um ano após a audiência com o rei, Wagner apresentou a aclamada ópera Tristan und Isolde (Tristão e Isolda) em Munique. Mas o comportamento extravagante e escandaloso do compositor desagradou o povo conservador da Baviera e Luís foi forçado a pedir a Wagner que deixasse a capital seis meses depois, em dezembro de 1865.
O interesse cênico de Luís não se limitava a Wagner. Em 1864, promoveu a construção de um novo teatro real, conhecido hoje com Staatstheater am Gärtnerplatz (foto), confiando a sua direção a Karl von Perfall em 1867.


Luís desejava levar a Munique o melhor do teatro europeu e, com o auxílio de Perfall, apresentou ao público bávaro obras de Shakespeare, Calderón, Mozart, Gluck, Ibsen, Weber e muitos outros. Também contribuiu para melhorar substancialmente o padrão de interpretação de obras de Schiller, Molière e Corneille.
Entre 1872 e 1885, o rei assistiu a 209 apresentações privadas (Separatvorstellungen) como único espectador, ou com um convidado, em dois teatros da corte, perfazendo um total de 44 óperas, sendo 28 de Wagner incluindo oito apresentações de Parsifal, 11 balés e 154 peças, num custo total de 97.300 marcos alemães.
Extraído da Wikipédia
Ver também: O CASTELO DE NEUSCHWANSTEIN
Apaixonado por música, "o rei dos contos de fadas" foi um ardente admirador do compositor Richard Wagner, cujas óperas mandou executar, só para si, mais de 200 vezes. Luís II sentava-se sozinho no camarote dos Wittelsbach no Teatro (que permanece até hoje à disposição da família).
Para criar um ambiente acústico adequado, soldados eram encarregados de simular o público. Não podiam virar-se em hipótese alguma, pois o rei queria ficar sozinho, sem ser observado. Os soldados sempre dormiam durante o "serviço". Mas roncar era estritamente proibido.

15 agosto, 2016

A aranha que inspirou Bruce

Lembram-se da história da aranha no relógio?
A história tem todos os elementos de uma fábula clássica. A aranha servindo como uma metáfora para a luta universal contra o tempo e a adversidade. Apesar de sofrer constante derrota, ela não esmorecia e continuava (fiando e porfiando) tentando construir a teia (a aranha vive do que tece, apud Gilberto Gil), sem se importar com as dificuldades insuperáveis.
A prisão da aranha no relógio apenas acrescentava um toque moderno à fábula, atualizando-a para a década de 1930.
Na época da saga do aracnídeo, alguns escreveram sobre a semelhança entre a aranha no relógio e a aranha que, certa vez, inspirou o rei escocês Robert the Bruce (gravura).
A "Lenda de Bruce e a  Aranha" (com a aranha colocada em primeiro lugar na edição de Sir Walter Scott, em 1828) conta que, durante uma fuga, o rei escocês escondeu-se em uma caverna escura onde passava o tempo assistindo a uma aranha que construía uma teia.
Inspirado pelo esforço incessante de aranha, Bruce fortaleceu o espírito para derrotar os ingleses na Batalha de Bannockburn.

13 maio, 2015

Nove meses de bastardos na França

O rei Filipe Augusto, da França, casou-se com Ingeborg, da Dinamarca, em 1193. Infelizmente, por considerar que Ingeborg era absolutamente insuportável, Augusto entrou com um pedido de divórcio, alegando que o casamento não havia sido consumado. Sua esposa, no entanto, argumentou que tinham consumado esse casamento.
Decidindo o litígio, o Papa Celestino III recusou-se a conceder o divórcio ao rei.
Mas Filipe não se deu por derrotado. Ele, não só ignorou a decisão do papa, como ainda se casou com Agnes, de Marania.
Foi quando o papa, além de ordenar ao rei que voltasse a Ingeborg para cumprir seus deveres conjugais, impôs um interdito. Determinando que, a partir de 12 de dezembro de 1199, todas as igrejas ficassem fechadas e que, enquanto o rei não estivesse dormindo com a verdadeira esposa, seus súditos não tinham permissão para dormir com as deles.
Durante o período da interdição, que durou até 7 de setembro de 1200, todas as crianças nascidas na França foram consideradas ilegítimas.
Foram nove meses de bastardos na França.
Quanto a Filipe Augusto, eventualmente ele visitava Ingeborg, mas não antes de 1213.

10 Examples of Royal Weirdness, Neatorama

08 janeiro, 2015

Frederico e os soldados que bebiam café




É repugnante notar o aumento na quantidade de café usado por meus súditos e, como consequência, a quantidade de dinheiro que vai para fora do país. Todo mundo está consumindo café, o que deveria ser evitado. Sua Majestade foi criado com cerveja como foram todos os seus antepassados. Muitas batalhas foram travadas e vencidas por soldados nutridos com cerveja. E o rei não acredita que beber café deva ser invocado para que os soldados suportem as dificuldades em caso de uma nova guerra. ~ Frederico, o Grande, da Prússia (1777)

24 janeiro, 2013

O trono do conhecimento

João VI de Portugal sofria da audição. Ele tinha um trono especialmente construído cujos braços "leoninos" (imagem) capturavam os sons mais próximos, sendo estes conduzidos por um tubo até um dos ouvidos do rei.
"Exigir de uma pessoa que deseja falar com você que se ajoelhe e fale através da boca de um leão esculpido pode até ser divertido em certas horas", observa o neurocientista Jan Schnupp, "mas poucos indivíduos psicologicamente equilibrados escolheriam manter as suas conversas dessa maneira".
Ele ressalta que João VI morreu de envenenamento por arsênico, o que sugere que as mandíbulas dos leões não conseguiram pegar todas as fofocas importantes da corte."

Seat of Knowledge, Futility Closet

18 abril, 2012

Todo rei é minha caça

charge: www.humorpolitico.com.br
Após cair, fraturar o quadril e precisar ser operado, o rei da Espanha se tornou alvo da ira de espanhóis e estrangeiros, ao se saber que ele sofreu o acidente ao participar de uma caça a elefantes em Botsuana. Um hobby caro, especialmente para o mandatário de um país em crise (com taxa de desemprego de 23 por cento), e duvidoso para alguém que ocupa, na Espanha, o cargo de presidente honorário (sic) de uma das mais representativas organizações de defesa do meio ambiente — o World Wildlife Fund (WWF).

“Eu não lhe desejo um pronto restabelecimento, se isso vai lhe levar a continuar com suas estadias assassinas na África ou em outros lugares. É indecente, revoltante e indigno de uma pessoa do seu nível. Você não é melhor do que os caçadores ilegais que pilham e saqueiam a natureza. Você é a vergonha da Espanha.”
Brigitte Bardot, em carta aberta a Don Juan Carlos I

Na antiga Birmânia, elefantes algumas vezes mataram reis. Tempos bons, aqueles... PGCS

Nelson é Nelson
É rei, mas carrega além da coroa, toda irracionalidade humana. Capaz de derrotar brilhantemente o golpe de estado em 1981 e agora caçar elefantes da forma mais covarde: protegido por seus guardas, atirar pelo prazer de matar um animal sem defesas. Declara-se arrependido porque foi desmascarado em razão do acidente que sofreu. Não fosse isso, continuaria por aí ostentando essa realeza antiquada e agora cínica.
Merece um:
Por qué no te callas?
Por qué no te averguenzas?
Por qué eres tan disimulado?
Por qué no te vas del trono? NJC

17 janeiro, 2012

A hora do rei

Eu, que republicano sou, reconheço que existe a hora do rei.


O My[confined]Space sabe mesmo como rodar a cabeça de quem não acredita nisso.

07 fevereiro, 2011

"O Rei das Dívidas"


O Rei Teodoro de Córsega não tinha muito de rei. Não era nobre de nascimento, ele era apenas um soldado que pediu para ser rei, em troca de ajudar os corsos em uma revolta. Quando a revolta fracassou e o governo genovês colocou um preço sobre sua cabeça, Teodoro começou a perder popularidade entre os súditos. Ele, então, decidiu que seria melhor viajar para o exterior.
Infelizmente, depois que deixou o país, ele nunca mais pôde regressar a seu reino. Esteve numa prisão de devedores em Amsterdã e, mais tarde, em outra do gênero, em Londres. Ser libertado da prisão na Holanda foi relativamente fácil, mas a única maneira que ele encontrou para ganhar a libertação em Londres foi dar Córsega a seus credores.
Quando ele morreu em Londres, em 1756, deram-lhe o seguinte epitáfio:

"Esta moral Teodoro aprendeu antes de morrer:
O destino, ao derramar lições de vida sobre a sua cabeça,
Concedeu-lhe um reino e negou-lhe o pão."
Baseada em sua burlesca história, uma ópera foi composta por G. Paisiello em 1784. Além disso, "Rei Teodoro de Córsega" virou gíria para gin no Reino Unido. PGCS

04 fevereiro, 2010

Rei posto, rei morto - 1

Que o rei não ignore o terrível fato! O de que existe, acima de sua cabeça, uma espada - de Dâmocles! - que, sustentada por um mísero fio, mui perigosamente está a pender. Como se fora uma ameaça mortal àquele que está a ocupar o trono. Pois, a qualquer momento, o frágil fio pode romper-se e... fim do ocupante do trono! É claro que, com algum acautelamento por parte dele, pode ir-se a coroa mas ficar a cabeça, o que é razoável. Quando a cabeça coroada tem alguma sensibilidade para identificar o instante imediatamente antes ao de romper o fio.
Com inspeções periódicas das condições em que se encontra o tecido social, eis a astúcia devidamente explicada.
Dizia Napoleão que com uma espada se pode fazer tudo... menos sentar nela. Se o que se busca é conforto, acrescento. Sobre Dâmocles, porém, o que eu tenho a dizer, neste momento, a meus atilados leitores? O seguinte: ele era um cortesão que vivia a bajular um tirano de Siracusa, chamado Dionísio, o Velho. Até que este, certa vez, aborrecido com tanto puxa-saquismo e babação, fez Dâmocles sentar no trono de Siracusa. Depois de haver colocado, acima do mesmo, uma espada nas condições descritas no parágrafo inicial. A fim de que o bajulador, expondo-se ao risco de morrer, entendesse de uma vez por todas o que eram as incertezas e as inquietações do poder.
De saída, por ser impossível agradar a todos os súditos. A exemplo, lembremo-nos do caso da garotinha que, depois de ter o pai, a mãe e os irmãos comidos pelo tigre, ainda assim se recusava a abandonar a aldeia natal. Porque "na cidade, lá está o rei...". Pois é, ser governante (sustentado a imposto etecétera e tal) está cada vez mais em baixa no conceito que lhe dão os governados. E, por isso, o rei que é esperto evita se desgastar com os comezinhos assuntos que os súditos lhe trazem. Ele simplesmente cede o assento real a um dos ministros (a fim de que este fique se maçando) e vai caçar raposa. Embora diga que vai caçar tigre.
Com um olho na caça(da) e outro no poder, é evidente. Para não chorar os dissabores por que passou Ricardo Coração-de-Leão.
Está nisso a esperteza: o rei deve reinar sem governar. Ser como o pássaro que não tem de bater as asas para provar ao reino animal a sua capacidade de voar.
Nos períodos sombrios, saber o rei que ainda poderá abrir três envelopes. Com três estratégicas instruções:
  1. onde se manda culpar o antecessor pela situação;
  2. onde se manda demitir um, vários ou todos os ministros;
  3. onde se manda renunciar após preparar três novos envelopes para o sucessor.
É tolo o soberano que, ao primeiro sinal de crise política, abre logo os três envelopes. Para que os problemas se confraternizem com as soluções é preciso levar algum tempo nessa empreitada. Nunca ser açodado. Porque, uma vez anunciada a renúncia, o passo seguinte será o ostracismo. Outrossim, tolo é o soberano do tipo protelador porque apresenta um grande apego ao poder. Pois a ele, além do destronamento, o destino pode-lhe estar reservando um fim trágico. Simplesmente por ele, em tempo hábil, não ter escolhido ir roçar nas ostras. PGCS