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30 maio, 2026

Roteadores Wi-Fi comuns poderão em breve identificar pessoas

Cientistas na Alemanha demonstraram uma nova e surpreendente forma de vigilância: identificar pessoas usando apenas sinais comuns de Wi-Fi. Ao analisar como as ondas de rádio se propagam em um ambiente, os pesquisadores conseguem "ver" e reconhecer indivíduos — mesmo que eles não estejam portando nenhum dispositivo ativo.
"O funcionamento é semelhante ao de uma câmera comum, com a diferença de que, em nosso caso, ondas de rádio são utilizadas em vez de ondas de luz para o reconhecimento", explica o especialista em cibersegurança o professor Thorsten Strufe, do KASTEL. "Portanto, não importa se você está carregando um dispositivo Wi-Fi ou não."


Desligar o smartphone não é suficiente para evitar a detecção. Dispositivos sem fio próximos, conectados à rede, ainda geram sinal suficiente para que o sistema funcione.
A precisão quase perfeita levanta preocupações com a privacidade
A tecnologia é poderosa, mas ao mesmo tempo acarreta riscos aos nossos direitos fundamentais, especialmente à privacidade.
Os pesquisadores estão particularmente preocupados com a forma como a tecnologia poderia ser usada em países autoritários para monitorar manifestantes ou rastrear cidadãos sem o seu conhecimento. Eles defendem a inclusão de proteções e salvaguardas de privacidade mais robustas no próximo padrão Wi-Fi IEEE 802.11bf.
Extraído de: Instituto de Tecnologia de Karlsruhe ( KIT). "O Wi-Fi comum agora pode identificar pessoas com precisão quase perfeita." 
ScienceDaily. ScienceDaily, 22 de maio de 2026. 

15 março, 2026

O Bolero de 8 bits de Ravel

Linus Akesson interpreta uma composição clássica popular, o Bolero de Ravel, com nove instrumentos caseiros de vários tipos, construídos com equipamentos de 8 bits. São 14 minutos de melodias hipnotizantes construídas em torno de um dos padrões rítmicos mais conhecidos do mundo.
Após mais de 1/2 ano para concluir o projeto, foram ainda necessários 9 horas e 42 minutos de gravação de vídeo, 52 canais para as mixagens e 13 "gravatas" diferentes.
Tenho certeza de que, se Ravel ressuscitasse dos mortos, ele acenaria com orgulho para esta tecnológica versão de Akesson para sua criação.
http://wtf.microsiervos.com/eltubo/bolero-8-bits-ravel.html

15 janeiro, 2026

Robô para a colheita do açaí

Um novo equipamento desenvolvido em Belém, no Estado do Pará, promete transformar a rotina dos agricultores familiares que dependem da colheita do fruto do açaí. Apresentado ao presidente Lula, em sua recente visita a um assentamento na Ilha Grande, o Açaíbot surge como alternativa segura ao método tradicional, que envolve peconheiros subindo até 20 metros de altura apenas com a peconha — uma tira de cipó ou corda usada para prender os pés e auxiliar na escalada do açaizeiro —, prática marcada por alto risco de acidentes, lesões graves e até mortes.
O equipamento é voltado exclusivamente para a agricultura familiar e pode ser adquirido por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf  B). O financiamento está disponível em instituições como Banco da Amazônia (Basa), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste, permitindo a aquisição do robô em condições facilitadas com longos prazos de pagamento e juros de 0,5% ao ano.
Tecnologia
Fabricado em Belém, o Açaíbot tem o objetivo de triplicar a produtividade, com sua capacidade de colher 1 tonelada de açaí por dia, aumentando a renda das famílias extrativistas, além de eliminar o risco humano durante a colheita.
O equipamento é prático e de fácil transporte, podendo ser carregado em uma mochila. No Instagram da fabricante, a Açaí Kaa, um colaborador demonstra o funcionamento do Açaíbot. Operado por controle remoto, o peconheiro aciona o movimento de atracação do robô, que se ajusta ao tronco do açaizeiro. Em seguida, ativa a mola de segurança e utiliza um cinto de proteção. Pelo próprio controle remoto, é possível operar o coletor e uma serra elétrica acoplada, responsáveis por cortar e recolher os cachos de açaí no topo da árvore.
Fonte: Revista Cenarium

26 dezembro, 2025

Desabafo: a tecnologia concentra poder

Nos anos 90, parecia que a internet poderia ser uma exceção, que poderia ser uma força descentralizadora e democratizadora. Ninguém a controlava, ninguém a projetava, ela estava apenas se construindo de uma forma atraente e anárquica. As empresas que primeiro tentaram centralizar a internet, como a AOL e a Microsoft, falharam risivelmente. E o código aberto parecia pronto para matar qualquer dragão.
Mas esses dias acabaram. Centralizamos a internet ao máximo. Há um mecanismo de busca (além daquele que ninguém usa), uma rede social (além daquela que ninguém usa), um Twitter. Usamos uma rede de anúncios, um conjunto de ferramentas de análise. Para onde quer que você olhe online, uma ou duas gigantes americanas dominam completamente o setor.
E aí está a nuvem. Que nome brilhante! A nuvem é o futuro da computação online, uma abstração amigável e fofa à qual todos nós ascenderemos, envoltos em luz. Mas, na verdade, a nuvem é apenas um grande amontoado de servidores em algum lugar, propriedade de uma empresa americana (além das nuvens que ninguém usa).
Orwell imaginou um mundo com uma teletela em cada cômodo, sempre ligada, sempre conectada, sempre monitorada. Uma visão distópica do Xbox One.
Mas fizemos melhor. Quase todo mundo aqui carrega no bolso um dispositivo de rastreamento que sabe onde você está, com quem você fala, o que você olha, todos esses detalhes íntimos da sua vida, e os reporta meticulosamente a servidores privados onde os dados são armazenados para sempre.
Sei que pareço um fanático por conspirações ao colocar a questão dessa forma. Não estou dizendo que vivemos em um pesadelo orwelliano. Eu amo a Nova Zelândia! Mas nós temos a tecnologia.
Quando eu estava na escola primária, costumavam nos assustar com algo chamado registro permanente. Se você jogasse uma bolinha de cuspe em um amigo, ela entraria em seu registro permanente e o impediria de conseguir um bom emprego ou de se casar bem, até que, eventualmente, você morresse jovem e sem amigos, sendo enterrado do lado de fora do muro do cemitério.
Que alívio quando descobrimos que o registro permanente era uma ficção. Só que agora implementamos essa maldita coisa. Cada um de nós deixa um rastro indelével, como um cometa, pela internet, que não pode ser apagado e que nem sequer temos permissão para ver.
As coisas com as quais realmente nos importamos parecem desaparecer da Internet imediatamente, mas poste um comentário idiota no YouTube (agora vinculado à sua identidade real) e ele viverá para sempre.
E precisamos rastrear tudo isso, porque a base econômica da web atual é a publicidade, ou a promessa de publicidade futura. A única maneira de convencer os investidores a manter o fluxo de dinheiro é mantendo os registros mais detalhados possíveis, vinculados às identidades reais das pessoas. Com exceção de alguns pontos de anonimato, que não por acaso são as partes culturalmente mais vibrantes da internet, tudo é rastreado e precisa ser rastreado, ou o edifício ruirá.
O que me incomoda não é que criamos essa versão centralizada da Internet baseada em vigilância permanente.
O que me incomoda, o que realmente me irrita, é que fizemos isso porque era a coisa mais fácil de fazer. Não houve planejamento, previsão ou análise. Ninguém disse "ei, isso parece um mundo ótimo para se viver, vamos criá-lo". Aconteceu porque não nos importamos. Tornar as coisas efêmeras é difícil.
Distribuir as coisas é difícil.
Tornar as coisas anônimas é difícil.
Criar um modelo de negócio sensato é muito difícil. Fico cansado só de pensar nisso.
Então, vamos pegar os dados das pessoas, colocá-los em um servidor, vinculá-los a seus perfis do Facebook, mantê-los para sempre e, se não conseguirmos levantar outra rodada de financiamento de risco, simplesmente colocaremos anúncios do Google no site.
"Toca aqui, Chad!"
"Toca aqui, mano!"
Esse é o processo de design usado na construção da Internet de 2014.
E é claro que agora ficamos chocados — chocados! — quando, por exemplo, o governo ucraniano usa dados de torres de celular para enviar mensagens de texto assustadoras a manifestantes em Kiev, a fim de tentar mantê-los longe das ruas. Pessoas mal-intencionadas estão usando o sistema de vigilância global que construímos para fazer algo perverso! Puta merda! Quem poderia imaginar isso?
Ou quando descobrimos que o governo americano está lendo o e-mail que você envia sem criptografia para o serviço de e-mail com anúncios em outro país, onde ele fica arquivado para sempre. Inconcebível!
Não estou dizendo que esses abusos não sejam graves. Mas são o oposto de surpreendentes. As pessoas sempre abusarão do poder. Essa não é uma percepção nova. Há tábuas cuneiformes reclamando disso. No entanto, aqui estamos em 2014, assustados porque pessoas inescrupulosas começaram a usar as ferramentas poderosas que criamos para elas.
Dedicamos tanto cuidado para tornar a internet resiliente a falhas técnicas, mas não fazemos nenhum esforço para torná-la resiliente a falhas políticas. Tratamos a liberdade e o Estado de Direito como recursos naturais inesgotáveis, em vez dos tesouros frágeis e preciosos que são.
E agora, é claro, é hora de criar a Internet das Coisas, onde conectaremos tudo a todo o resto e criaremos aplicativos interessantes em cima disso, e nada poderá dar errado.

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 8.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]

31 julho, 2025

Termen de volta à União Soviética

Termen nunca teve cabeça para negócios, embora tenha se lançado com entusiasmo nos loucos anos 20, registrando patentes, criando uma empresa de fachada atrás da outra e, em geral, conseguindo organizar suas finanças de uma forma bem americana.
Ele estava mais interessado em saber para onde essa nova música etérea estava indo.
Houve uma grande corrida naqueles dias em direção a formas sintéticas de arte que combinassem visão, movimento e todos os sentidos juntos. Termen era um entusiasta. Além do Illumivox, ele começou a experimentar outras melhorias para seu show itinerante: apoios de mão nos assentos que mudavam a textura com a música, uma luva com feedback de força, até mesmo (inevitavelmente) odores e aromas que enchiam a sala de concertos no ritmo da música.
Ele colaborou com o magnífico louco Joseph Schillinger, que buscava automatizar todo o processo de composição musical, e acreditava ter criado leis matemáticas da arte. Ele fazia truques como pegar os preços das ações do dia e convertê-los em uma música de sucesso. Gershwin e Glenn Miller, entre outros, ficaram fascinados por seu sistema. E Termen fez a primeira bateria eletrônica do mundo, chamada Rhythmicon, onde o ritmo era determinado pelo tom da nota.
Termen também criou o instrumento elétrico definitivo, um tão intuitivo que ninguém conseguia tocá-lo. Chamado de Terpsitone (foto ao lado), este era basicamente uma pista de dança sensível ao movimento. Não havia mais necessidade de os dançarinos sincronizarem seus movimentos com um acompanhamento estranho. Em vez disso, eles criariam sua própria música simplesmente movendo seus corpos! A única pessoa capaz de tirar uma melodia da coisa foi sua aluna mais capaz, Clara Rockmore, que gostava de tocar com ele em particular, mas se recusava a dar recitais públicos.
Perto do fim de seu tempo nos EUA, Termen estava explorando o que hoje chamamos de detecção de olhar, tornando possível tocar música apenas olhando em direções diferentes. Ele também era fascinado pelo controle direto do pensamento e estava investigando como usar os campos tênues gerados pela atividade cerebral como uma interface musical. Ambas as tecnologias, é claro, estão na vanguarda da pesquisa atual.
Mas Termen não tinha mais tempo.
Em 1938, Termen retornou à União Soviética. Há debate sobre se ele fez isso voluntariamente.
Era o pior momento possível para voltar. O programa de eletrificação de Lenin tinha tido sucesso, e a União Soviética era agora uma potência industrial. E o poder soviético certamente estava forte. Mas em vez de se somarem para nos dar o comunismo, os dois fatores produziram aquela outra grande inovação do século XX, o estado totalitário.
1938 foi o auge da guerra de Stalin contra a intelligentsia russa, o Grande Terror. Termen, com seus anos no Ocidente, não teve chance. Você pode ver suas fotos de quando ele foi preso, apenas algumas semanas após seu retorno. A polícia secreta o enviou para morrer nos campos de trabalho de Kolyma.
Termen ficará preso por muito tempo, então, enquanto esperamos a Segunda Guerra Mundial para libertá-lo, deixe-me aproveitar a oportunidade para um discurso.

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 7.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]

30 maio, 2022

Vislumbres do futuro

Hoje quero falar sobre esses momentos em que o futuro cai em nosso colo, sem avisar ou pensar se estamos prontos para enfrentá-lo. Trabalhando com tecnologia, todos nós temos momentos em que parece que o véu foi levantado e temos um vislumbre do que está por vir. Esses momentos são pessoais, mas tenho certeza de que todos vocês podem pensar em alguns por experiência própria. Um exemplo da minha vida é a primeira vez que experimentei wi-fi. Não parecia grande coisa no início - por que eu não poderia simplesmente usar um cabo Ethernet de dez metros e aproveitar a velocidade de conexão mais rápida?
Mas da primeira vez que verifiquei meu e-mail do sofá, sem fios entrando no computador, entendi. De agora em diante, a Internet não seria algo que eu usasse em algum lugar. Estaria ao nosso redor, como o éter, preenchendo todos os espaços (exceto esta sala). Eu sabia que isso não aconteceria imediatamente, mas iria acontecer. E adorei essa sensação de saber o que aconteceria a seguir. Esses vislumbres podem ser viciantes. Para alguns de nós, a sensação de ter um pé no futuro foi o que primeiro nos atraiu para a tecnologia, ou ficção científica. Vocês, pessoas da Nova Zelândia, são especialmente sortudos por estarem mais perto do amanhã do que qualquer outra pessoa.
Mas esses vislumbres também enganam. Se você não tomar cuidado, você acaba como esse pobre coitado, o profeta digital da AOL. Sempre que tentamos prever como realmente será viver naquele futuro, qual será o sabor do futuro, invariavelmente falhamos, e das maneiras mais ridículas. É como uma estranha lei da natureza. Podemos ver as tecnologias chegando, mas esse conhecimento de alguma forma torna o futuro menos previsível.


Talvez possamos prever o Roomba com cem anos de antecedência, mas o colocamos em um mundo onde as mulheres ainda usam espartilhos de crinolina e osso de baleia. Ou então predizemos corretamente que a Enciclopédia Britânica um dia caberá na cabeça de um alfinete, nunca imaginando que a própria Britannica se tornará uma relíquia, substituída por algo livre, colaborativo e extenso chamado Wikipedia. Essas previsões não estão erradas, "nem mesmo estão erradas", elas erram o ponto básico. O futuro torna todos nós tolos.

OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 2.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.

21 março, 2022

Tanques voadores

Um dos conceitos mais estranhos da tecnologia militar que surgiu no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foi o tanque voador. Essencialmente, era um tanque de guerra comum com asas de planador removíveis. Concebido para ser um veículo militar pesado, ele reuniria as características de duas importantes máquinas de guerra - o avião e o tanque.


Estrategistas militares de muitos países pensaram que, se tivessem um tanque de guerra preparado para voar e descer em uma zona de guerra, isso lhes daria uma grande vantagem. Assim, as principais superpotências da época, como Estados Unidos, Rússia, Inglaterra e Japão, começaram a experimentar essa tecnologia. Vários modelos foram criados e, embora os testes iniciais de alguns tanques alados tenham sido bem-sucedidos, a idéia acabou sendo abandonada.
As limitações dos materiais disponíveis e o esforço necessário para pousar apenas um desses tanques foram duas das razões pelas quais o conceito de tanque voador foi abandonado.

02 janeiro, 2022

Dança e tecnologia

Pixel por Mourad Merzouki. Os efeitos deslumbrantes são resultados do mapeamento de projeção criado por Claire Bardainne e Adrien Mondot, artistas performáticos de Lyon.


Não é só à dança. A tecnologia pode trazer aquele plus às artes em geral.

04 janeiro, 2021

A campanha contra a tecnologia 5G

Javier Peláez
es.noticias.yahoo.com
Deixe-me começar com uma pequena  história anedótica que se ajusta perfeitamente às circunstâncias atuais. Em 1619, na região francesa da Borgonha, o consumo da batata foi proibido, tornando-a responsável pelos múltiplos casos de hanseníase que, na época, assolavam a região. As inocentes batatas que vieram da América para a Europa, se espalharam por vários países, conseguindo desconcertar grande parte da sociedade. Um tubérculo que parecia uma pedra e que, para muitos, era um alimento diabólico que causava doenças e epidemias. 
Quase uma década atrás, escrevi um pequeno artigo intitulado "New Media, Old Fears". E ainda estou convencido de que a maior causa do medo ridículo é a ignorância. A ignorância é a principal razão para sentir medo, e muitos dos nossos problemas atuais vêm de pessoas que não sabem quase nada, mas têm medo de quase tudo. Atribuir a culpa por epidemias a um elemento novo e pouco conhecido, como a batata, foi repetido dezenas de vezes durante a história da humanidade, e agora parece que é hora de culpar os males do mundo pela tecnologia 5G.
A confusão está chegando a extremos tão surreais que, incentivados pelo boato que relaciona as redes 5G com a epidemia de coronavírus, grupos de vândalos estão queimando torres de telefonia na Bolívia ... sem que aquele país tenha 5G . Coletivos pós-modernos, grupos de pensamento da nova era, associações ambientais pseudocientíficas e até cantores famosos juntaram-se a manifestações e protestos contra uma tecnologia que, muito provavelmente, eles nem se deram ao trabalho de conhecer.
O que é 5G? O nome já dá uma boa pista, quinta geração , e remete a uma nova etapa nas redes de comunicação sem fio. O 1G nos permitiu conversar, com o 2G conseguimos mandar mensagens, o 3G conseguiu trazer a internet para os nossos celulares e o 4G aumentou a velocidade. Todas essas inovações conseguiram conectar e aproximar o mundo em que vivemos, ninguém atualmente levaria a sério alguém que dissesse que a tecnologia 2G, ou 3G ou 4G causam epidemias ... e ainda assim muitos levam as mãos à cabeça com a 5G, sem entender que, na verdade, esta requer antenas com potências menores que 4G.

16 junho, 2020

Salvando pássaros

Teias inspiraram um fabricante a criar vidros que impedem que os pássaros se choquem contra as janelas.


25 maio, 2020

Pedra, papel e tecnologia

Procurando uma alternativa ao papel comum? Papel de pedra pode ser a alternativa que você está procurando! 
crédito de imagem: Karst Stone Paper
Este papel é composto de rochas esmagadas, sendo à prova d'água, durável e mais ecológico. Sua produção envolve pouco ou nenhum alvejante e água, conforme detalhes do cnet.com:
O pó da rocha pode não parecer um ingrediente ideal para o papel, mas funciona. O papel de Karst é feito com cerca de 80% de carbonato de cálcio, o principal ingrediente do mármore e das rochas calcárias em geral. Um fornecedor de Taiwan, o Taiwan Lung Meng Advanced Composite Materials, pulveriza a rocha, funde-a com plástico, o que a mantém unida, e depois a comprime com rolos maciços até que fique fina como papel.
O papel em si parece um pouco mais suave do que o papel convencional, pois é feito de pequenas partículas e não de uma esteira mais áspera de fibras vegetais. Mas também é mais pegajoso, como o látex, e oferece uma maior resistência ao deslizamento das pontas das canetas sobre a superfície. E, como o papel de pedra é à prova d'água, a tinta úmida das canetas de feltro têm um problema.
A presença do plástico também é perceptível quando você tenta rasgar o papel: ele se estende primeiro.
(https://www.neatorama.com/2019/11/29/You-Can-Now-Write-On-Papers-Made-From-Rock/)

09 dezembro, 2019

O Legado de Apollo


As diferentes inovações tecnológicas que tivemos durante o século passado deram grandes passos. Alguns argumentam que certas tecnologias definitivamente foram saltos gigantescos para a sociedade humana, mas a "próxima grande coisa" provavelmente seria algo que pode revolucionar nosso modo de vida de maneiras monumentais.
O pouso na Lua foi um salto gigantesco para um homem - a vida de Armstrong mudou para sempre - mas, em retrospectiva, apenas um pequeno passo para a humanidade. Não é que colocar as pessoas na Lua não tenha sido uma conquista coletiva difícil - foi. Mas chegar à Lua fez pouco a longo prazo para mudar a sociedade humana.
Como Roger Launius, eminente historiador do espaço, escreve em seu novo livro "Apollo's Legacy", "Em um nível básico, a decisão do presidente de bancar o programa Apollo foi para os Estados Unidos o que a determinação dos faraós de construir as pirâmides foi para o Egito. Seu impacto mais ressonante não é uma tecnologia específica, mas simplesmente a metáfora: se podemos colocar um homem na lua, por que não podemos fazer "X"? 
Os "Xs" que geralmente surgem nessas discussões, como resolver os problemas da mudança climática ou da pobreza, "todos têm algum potencial para a aplicação de soluções técnicas", observa Launius."Mas eles são em grande parte problemas políticos e sociais". E Apollo não resolveu nenhum problema político ou social. Outros "Xs" - diz ele, como curar o câncer - dependem do desenvolvimento de novas formas de conhecimento científico.

Extraído de: What Neil Armstrong got wrong, MIT Technology Review

27 outubro, 2019

A música tornada visível

A música, no sentido absoluto, é a geometria invisível do cosmos, um delicado traçado de frequências que se harmonizam entre si e através das quais toda a matéria se manifesta. O condutor desta sublime sinfonia é a força criativa do cosmos. A música, percebida pelos seres humanos, é um delicado traçado de frequências audíveis que se harmonizam entre si e geralmente agradam às emoções. O que não é conhecido, mas é claramente demonstrado neste vídeo, é que a música tem o poder quase mágico de criar forma a partir da falta de forma.
Cymascope
As imagens quase-3D, resultantes desta nova tecnologia, são literalmente a música impressa na superfície da água pura para você apreciar com a visão e a audição. Todos os sons audíveis têm forma de bolha, à medida que saem de um instrumento musical ou da boca de alguém. O CymaScope nos permite ver uma seção transversal da bolha sônica em constante mudança e cintilação. Para a peça de estréia, foi escolhida a muito amada "Clair de Lune", de Debussy, interpretada pelo talentoso pianista de concertos, Daniel Levy.



A MusicMadeVisible ainda está em desenvolvimento, mas um futuro emocionante está à frente - - quando todas as músicas puderem ser descritas no campo visual. É provável que esta nova tecnologia seja de grande ajuda para pessoas profundamente surdas e com outros desafios da vida.

06 outubro, 2019

Tecnologia contra Big Brother


Grigôri Bakunov, diretor de distribuição de tecnologia da Yandex, gigante do setor e maior buscador da Rússia, ao desenvolver um algoritmo de reconhecimento facial, criou simultaneamente uma maquiagem futurista que poderia ludibriar as câmeras inteligentes com apenas algumas linhas e pontos faciais.
Apesar de útil para evitar o reconhecimento facial, o projeto não foi adiante. A maquiagem seria perigosa caso fosse aplicada em rostos errados.

02 janeiro, 2019

O soldado sobrecarregado

Uma aula interessante a que assisti na Escola de Engenharia foi ministrada pelo Prof. Homero Lenz Cesar, o pai de Claudio Lenz Cesar (v. entrevista), um dos físicos brasileiros mais importantes da atualidade. Em pouquíssimas palavras, Prof. Homero detalhou o real significado do que seja a Ciência, ao assegurar com todas letras que "O homem é o único animal que tem condições de complicar as coisas". Tenho certeza de que o saudoso Professor estava com a razão. Segue um texto, no mínimo hilário, relacionado com a sobrecarga que os recrutas das temidas Forças Armadas Americanas têm que arrastar no lombo, nas marchas e nos campos de batalha. Boa parte desta parafernália é composta por "gadgets", de utilidade discutível, cujo uso a industria armamentista penhoradamente agradece. ~ Jaime Nogueira

Uma história pesada
A infantaria sobrecarregada não é um problema novo.
Em 107 a.C., o general romano Gaius Marius decidiu que a cauda de logística estava diminuindo suas legiões, então ele ordenou que os soldados carregassem seus próprios equipamentos . A carga incluía até quinze dias de rações, uma serra, uma cesta de vime, uma pá, um odre, uma foice e uma picareta, além de armas, armaduras e um escudo. Esses legionários marchariam 20 milhas por dia com 80 libras. de engrenagem, ganhando o apelido de "Mulas Marius".
Avance um milênio ou mais para a era do cavaleiro medieval. Seu traje completo de armadura de campo pesava cerca de 60 libras, mas permitia movimento suficiente para o usuário montar um cavalo sem ajuda. O cavaleiro francês Jean de Maingre, por exemplo, poderia subir a parte de baixo de uma escada usando apenas as mãos enquanto estava de armadura completa.
Armaduras pesadas desapareceram com a chegada da idade das armas de fogo. Mas logo o peso pesado da munição virou um flagelo para os soldados. Na Guerra Civil Americana , um soldado típico da União poderia levar um total de 60 libras de equipamentos, incluindo um mosquete de dez libras. Na Segunda Guerra Mundial, um soldado americano poderia estar carregando 75 libras , razão pela qual muitos soldados feridos se afogaram durante o desembarque do Dia D, em 1944.
As Forças Armadas sempre souberam que isso é um problema. Desde 1945, os militares realizaram pelo menos cinco grandes pesquisas sobre a carga do soldado. Todos concordaram que os soldados estavam sobrecarregados e procuraram maneiras de diminuir o peso. E todos eles falharam, porque as cargas não só aumentaram para o soldado moderno como mais do que duplicaram.
Em 2016, o Marine Corps Times relatou um novo padrão de força e resistência. Um oficial de infantaria do Corpo de Fuzileiros Navais deveria ser fisicamente capaz de carregar 152 libras por nove milhas. Essa carga pode parecer extrema, mas até mesmo documentos oficiais descrevem carregar 100 libras como padrão. No debate que se seguiu, sobre se isso era realista, um soldado de infantaria da Marinha descreveu que chegava a carregar mais de 200 libras durante as missões no Afeganistão.
A tecnologia deveria ser a solução. Em vez disso, fez crescer o problema.

Siga lendo: The Overloaded Soldier: Why U.S. Infantry Now Carry More Weight Than Ever, Popular Mechanics

22 abril, 2018

A moda balão

Quem não quer a última capa de iPhone nas cores mais chamativas? Hoje, nos preparamos para comprar os acessórios de moda mais recentes para nossos novos dispositivos eletrônicos e nos apressamos a encontrar para nossos filhos aqueles tênis com luzes que piscam.
Podemos pensar que a ideia de a tecnologia moldar a moda seja coisa nova, mas, no passado, os avanços científicos e tecnológicos também inspiraram tendências da moda. O surgimento da aeronáutica no final do século XVIII fornece um exemplo.
Após a criação do balão de ar quente pelos irmãos Montgolfier, em 1783, europeus e americanos ficaram fascinados por balões de ar quente e hidrogênio. As pessoas compravam balões para realizar seus próprios lançamentos e os livros que narravam viagens em balões de ar quente tornaram-se populares. Os aventureiros até se inscreviam para fazer um voo com aeronautas profissionais, um grupo emergente.
Os balões também inspiraram tendências de moda em roupas e outros itens. Os franceses lideraram o caminho, mergulhando em modas aeronáuticas desde seu ponto inicial. Em uma ilustração, intitulada "La folie du jour" (a loucura do dia), um homem usava uma camisa de balão com bolas de balão, fivelas de sapatos de balão, botões de balão no casaco e desenhos de balão em suas calças.
Na Inglaterra, os chapéus de balão apareceram em março de 1784. Uma loja em Londres vendia os "Air Balloon Hats, cortados ou lisos, ou os fios para fazê-los". Esses chapéus vinham em uma grande variedade de cores. Em Boston, os Nathaniel Fellows anunciaram uma coleção de bonés e chapéus de balão, assim como Samuel Barrett, cujos "chapéus de balão de ar" eram em branco e preto. Os nova-iorquinos foram vítimas da mania do chapéu de balão durante o verão de 1784. Uma "canção de balão" que apareceu no pacote de Nova Iorque, naquele ano, referia-se a capô, chapéu, touca e tupee (peruca), para não mencionar as anáguas - todos haviam caído sob a influência da aeronáutica.
Sob seus chapéus, as mulheres também podiam ter o cabelo no estilo balão. A chegada a Londres do cabeleireiro francês Sieur Dugrenier, um protegido do famoso Leonard que trabalhou como cabeleireiro pessoal da rainha Maria Antonieta, causou alvoroço. Ele prometeu modelar o cabelo em "todos os gêneros modernos", inclusive no após-balões.
Quase todos os artigos mostravam-se sob a influência de balão. Os coletes foram bordados com balões nos bolsos e as fivelas de sapato foram adornadas com globos. Os sacos e os estojos vinham repletos de projetos aeronáuticos, assim como botões de balão em miniatura, bastões com cabeça de balão e espadas com desenhos afins. Brincos em forma de globos e colares com pingentes de balão apareceram. Os vestidos foram concebidos como "balão de vento", os quais podiam deixar a área do tórax "artificial e artisticamente inflada".
Alguns itens de moda se inspiraram em balonistas específicos.
Depois que ele se tornou o primeiro homem na Grã-Bretanha a ascender em um balão, Vincenzo Lunardi, um pequeno diplomata italiano que morava em Londres, tornou-se uma celebridade instantânea. Escrevendo no Morning Herald e no Daily Advertiser, um escritor observou que "as senhoras da cidade honram o Sr. Lunardi com muitas marcas de seu carinho. Elas adornam a cabeça com o chapéu de Lunardi, e estes têm a cor Lunardi."
Uma vez que uma moda começa a ser usada por todos, é hora de os apontadores de tendências entrarem em cena, e assim aconteceu com as modas de balão - que desinflaram quase tão rapidamente quanto haviam inflado. Mas a tendência da ciência e da tecnologia para influenciar a moda ainda não desapareceu.

Michael R. Lynn, o autor deste texto aqui condensado, é professor titular de História da Purdue University, Indiana, EUA. Você pode comprar seu livro, The Sublime Invention, clicando aqui .
A gravura utilizada veio do Pat's blog.
http://ultimatehistoryproject.com/flying-fashion.html
http://pballew.blogspot.com.br/2017/09/on-this-day-in-math-september-15.html#links

11 fevereiro, 2018

O carro voador de Elon

Décadas atrás, o negócio de lançar coisas além da órbita da Terra cabia exclusivamente aos governos. Quando essas coisas não eram um hardware robótico ou instrumentos científicos, as pessoas responsáveis pelo evento se preparavam com certa seriedade para o que diriam aos remetentes, assim como para o que tudo aquilo significava. Afinal, não estariam a falar apenas para uma nação espacial, mas para toda a espécie humana.
Na década de 1970, um pequeno grupo de pessoas lideradas pelo astrofísico Carl Sagan passou semanas deliberando sobre o conteúdo de uma mensagem que seria enviada ao cosmos, a bordo da nave espacial Voyager, em sua longa jornada pelo sistema solar. Eles escolheram uma série de sons, vozes e imagens de vários cantos do planeta na tentativa de criar uma cápsula que poderia representar  por mais imperfeita que fosse  o mundo inteiro. E, então, eles a lançaram ao céu.
Away, o cartão postal da Terra foi para o espaço, passando pelo tempestuoso Júpiter, os delicados anéis de Saturno, além dos mármores azuis que são Urano e Netuno até os limites do sistema solar e mais além. Ad astra, como diz o ditado: às estrelas.
Isso foi antes. Hoje, as pessoas que decidem o que enviam pelo sistema solar nem sempre trabalham para a Nasa. Agora, é Elon Musk  e ele está rompendo com tradições.
Musk, o homem de negócios sul-africano, fundador e CEO da SpaceX e da Tesla Motors, escolheu como carga útil para o primeiro voo de seu novo foguete (um Falcon Heavy lançado do Cabo Canaveral, na última terça-feira), um conversível Tesla Roadster, cor de cereja, tendo como "condutor" do veículo o manequim Starman.


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Perguntei sabendo...
Por que não fez algo pela classe pobre?
Elon Musk:
 Vou lançar uma bicicleta no espaço.

05 julho, 2017

O velcro do século 21

O velcro, inventado em 1948 pelo engenheiro suíço Georges de Mestral, é um sistema de aderência e fixação que se baseia em dois tecidos diferentes: um deles, com ganchos, e o outro, com fios entrelaçados. Ao serem justapostos, os dois tecidos se enredam entre si e se mantêm colados. É um sistema de aderência temporário, versátil e muito utilizado, inclusive na indústria espacial — como acontece também com a fita adesiva.
Sem dúvidas, nem o velcro nem a fita adesiva são sistemas de fixação temporários perfeitos: o velcro somente funciona aos pares (une um tecido com outro, mas não com outras superfícies diferentes) e a fita adesiva perde sua propriedade de aderência depois de algum uso. Ambos os métodos também deixam resíduos sobre as superfícies que são utilizadas.
Por estes motivos o Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, em Pasadena, vem desenvolvendo um novo sistema de aderência temporário, inspirado nas patas das lagartixas e salamandras. Elas estão entre os trepadores mais eficientes que existem e são capazes de subir do chão ao teto de uma casa em apenas um par de segundos, independentemente de qual seja o tipo de parede e de qual seja o grau de rugosidade.
Esta habilidade das lagartixas e salamandras se baseia em um fenômeno conhecido como forças de van der Waals. As plantas dos pés do réptil estão cobertas de milhões de diminutos pelos que, em contato com outra superfície, criam um pequeno campo elétrico que gera uma atração entre as moléculas, de forma parecida à eletricidade estática, resultando em uma capacidade de grudar que persiste em condições extremas de temperatura e pressão.
Igualmente ao que sucede com os pelos das patas desses répteis, os "pelos" sintéticos do JPL fabricados com silício também apresentam o "poder pegajoso" das forças de van der Waals, mesmo sbmetidos a condições extremas.
Passados 70 anos desde a invenção do velcro, ainda não existe uma palavra para designar este "sistema de aderência temporária formado por duas tiras de tecidos diferentes que se engancham ao entrarem em contato". A palavra "velcro" é na realidade uma marca comercial, o nome da companhia que fabricou e comercializou originalmente o velcro até expirar a patente. Assim, hoje em dia, nem todos os "velcros" são Velcro.

Fontes
Velcro, blog EntreMentes
www.microsiervos.com
https://youtu.be/6zasTmmR95E (vídeo)

24 maio, 2017

Uma leitura interessante sobre o futuro

Em 1998, a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendia 85 por cento de todo o papel fotográfico no mundo.
Em apenas alguns anos, seu modelo de negócios desapareceu e eles entraram em falência. O que aconteceu com a Kodak acontecerá com muitas indústrias nos próximos 10 anos.
Em 1998, você pensava que, 3 anos mais tarde, não faria mais retratos com rolos de filme?
No entanto, as câmeras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras eram de 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como em todas as tecnologias exponenciais, foram uma decepção por algum tempo, antes de mostrarem a superioridade e tornarem-se mainstream em poucos anos.
Isso vai acontecer com a Inteligência Artificial, a saúde, os automóveis autônomos e elétricos, a educação, a impressão 3D, a agricultura e os empregos.
Bem-vindo à 4ª Revolução Industrial. Bem-vindo à Era Exponencial.
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