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27 julho, 2026

NOBEL. Histórias

Em 1867, Nobel inventou a dinamite. Foi com essa invenção que ele acumulou a fortuna que usou para criar os Prêmios Nobel.
Existe uma história bastante conhecida sobre a origem do Prêmio Nobel, embora os historiadores não tenham conseguido verificá-la e alguns a considerem um mito. Em 1888, a morte de seu irmão Ludvig teria levado vários jornais a publicarem obituários de Alfred por engano. Um jornal francês o condenou por sua invenção de explosivos militares — em muitas versões da história, cita-se a dinamite, embora esta fosse usada principalmente para fins civis — e diz-se que isso o levou a decidir deixar um legado melhor após sua morte. 
O obituário dizia: "Le marchand de la mort est mort" ("O mercador da morte está morto") e continuava: "O Dr. Alfred Nobel, que enriqueceu encontrando maneiras de matar mais pessoas mais rapidamente do que nunca, morreu ontem". Nobel leu o obituário e ficou horrorizado com a ideia de ser lembrado dessa forma. Sua decisão de doar postumamente a maior parte de sua fortuna para fundar o Prêmio Nobel é atribuída ao seu desejo de deixar um legado melhor. No entanto, questiona-se se o obituário em questão realmente existiu.
Em 27 de novembro de 1895, no Clube Sueco-Norueguês em Paris, Nobel assinou seu último testamento e destinou a maior parte de seu patrimônio para a criação dos Prêmios Nobel, a serem concedidos anualmente sem distinção de nacionalidade.
Uma explicação incorreta bastante conhecida para a inexistência do Prêmio Nobel de Matemática é a de que algum matemático teria seduzido a esposa de Nobel. Uma dessas histórias é frequentemente atribuída a Niels Bohr, que costumava dizer que não havia Prêmio Nobel de Matemática porque o matemático sueco Gösta Mittag-Leffler teria seduzido a esposa de Nobel. Quando Bohr foi lembrado de que isso era impossível, pois Nobel nunca se casou, ele respondeu: "Nunca deixe que os fatos atrapalhem uma boa história."
V. Frederick Rickey, USMA

06 junho, 2025

Caronas que desaparecem

Relatos sobre caronas que desaparecem começaram a circular na década de 1930, uma época em que muitas pessoas pegavam carona nas rodovias da América (EUA).
Mas pode remontar a muito mais tempo. Automóveis e até mesmo a própria América são recentes no grande esquema das coisas, mas estradas e viajantes solitários remontam a milhares de anos.
Em antigos contos europeus, mulheres espectrais saltavam sobre os cavalos dos homens enquanto eles cavalgavam para festas e então desapareciam quando eles chegavam. E no sul dos Estados Unidos, os caroneiros sobrenaturais assumiram características de La Llorona, o famoso fantasma chorão do folclore mexicano.
Exclusivo do Havaí, um carona pode ser a deusa Pele, a qual recompensa as pessoas que lhe oferecem ajuda e pune aquelas que se recusam a tanto.
O cenário para o conto assustador é clássico: viajar à noite (o que já é assustador) e um estranho na estrada (que pode ser alguém necessitado ou muito perigoso). E que, à porta de um cemitério, pede para descer e... desaparece.
Que medo!
Então, se você não tiver conhecimento de uma história local fantasmagórica, você já pode começar a criar uma lenda para a sua região.
(https://www.neatorama.com/2024/10/13/The-Legend-of-the-Vanishing-Hitchhiker-Occurs-Everywhere-and-is-Older-Than-Hitchhiking/)

02 maio, 2025

Gorilas a go go

Um gorila morre de velhice um pouco antes da abertura do zoológico. Ele é o único gorila de lá.
No entanto, o gorila é de longe a atração mais popular, e eles não podem passar um dia sem ele. Então, o dono do zoológico pede a um de seus funcionários que use uma fantasia de gorila que eles têm guardada. Por um adicional de 100 dólares por dia, se ele fingir ser o gorila (até que o zoológico possa comprar um outro).
Logo, o novo "gorila" se torna a febre do momento no zoológico. Pessoas de todos os lugares vêm para ver "o gorila que parece um ser humano".
Cerca de um mês depois, a febre começou a passar. Então, para trazer as pessoas de volta, o "gorila" decide escalar seu cercado e se pendurar acima da cova dos leões.
Uma multidão se aglomera para assistir atônita ao espetáculo.
De repente, o homem perde o equilíbrio e cai na cova dos leões. E começa a gritar "SOCORRO! SOCORRO!"
É quando um leão o agarra por trás e sussurra em seu ouvido: "Cale essa boca aí ou você vai fazer com que sejamos demitidos."

A gorila fêmea do zoológico estava ficando louca, e o veterinário da equipe fez um prognóstico sombrio. "Ela está na época de acasalamento e, depois de uma vida inteira em cativeiro, se não acasalar, morrerá."
O administrador do zoológico estava em apuros. Simplesmente não havia dinheiro para obter um gorila macho para o acasalamento. Então, ele decidiu que os humanos eram próximos o suficiente dos gorilas. Alguém da administração teria que transar com a gorila.
Depois de analisar todas as opções para oferecer o máximo de dinheiro que o zoológico poderia pagar, ele abordou o estranho zelador Hank sobre o assunto. "Hank, precisamos de alguém para transar com a gorila. Eu sei que é estranho, mas são 500 dólares. O que você acha?"
Hank pensou por algum tempo, depois assentiu. "Eu aceito. Mas preciso de algumas semanas para juntar esses 500 dólares."

Palíndromo:ALI ROGO RETER O GORILA

05 março, 2023

Novas Ilusões

Nova Ilusão, 1941
Autores: Pedro Caetano e Claudionor Cruz
Intérpretes: Renato Braga, Lúcio Alves, Paulinho da Viola e Zélia Duncan
É dos teus olhos a luz, que ilumina e conduz minha nova ilusão. É nos teus olhos que eu vejo o amor e o desejo do meu coração. És um poema na terra, uma estrela no céu, um tesouro no mar. És tanta felicidade, que nem a metade consigo exaltar. Se um beija-flor descobrisse a doçura e meiguice que teus lábios tem, jamais roçaria as asas brejeiras por entre roseiras em jardins de ninguém. Oh, dona dos sonhos, ilusão concebida, surpresa que a vida me fez das mulheres! Há no meu coração um amor em botão que abrirás se quiseres.
As histórias dos bastidores da canção, por Laura Macedo. In: http://blogln.ning.com
Numa terça-feira do verão carioca de 1941, quatro dias antes de estrear o show no Golden Room do Copacabana Palace, Sílvio Caldas encontrou-se por acaso com o seu velho amigo Claudionor Cruz. Sabendo da estreia de Sílvio, grande cartaz a época, Claudionor ofereceu para lançar no show uma valsa inédita, apaixonada, seresteira como as que Sílvio gostava e como as que Claudionor fazia tão bem com seu parceiro Pedro Caetano. Sílvio Caldas, ele próprio compositor de belas valsas, agradeceu. Valsas tinha muitas. Que tal Claudionor e Pedro fazerem um samba. Um samba choro nos moldes de "Da cor do pecado", música e letra de Bororó, que o próprio Sílvio gravara com sucesso, em 1939. Não querendo perder a oportunidade Claudionor Cruz prometeu a Sílvio Caldas entregar o novo samba no dia da estreia, sábado. Promessa difícil de cumprir porque Pedro e Claudionor moravam um no centro e o outro no subúrbio e não poderiam se encontrar antes disso. Foi de Pedro Caetano a ideia e Claudionor aceitou na hora. Ele, Pedro, faria uma nova letra para "Da cor do pecado", ou seja, com o mesmo número de versos, cada verso com o mesmo número de sílabas, observando a pontuação e a acentuação melódica de Bororó. Ao mesmo tempo Claudionor faria a melodia que coubesse perfeitamente na letra de "Da cor do pecado". Primeira e segunda partes prontas, letra e melodia casadas, samba intitulado “Nova ilusão”. Sílvio Caldas aprendeu um pouco antes de entrar em cena. Lançou na noite de estreia, mas por algum motivo jamais o gravaria. Quem fez primeiro foi Renato Braga, irmão do compositor João de Barro, o Braguinha. Nada aconteceu. Em março de 1953, Lúcio Alves reviveu com arranjos de Radamés Ganattali, já então como samba canção. E as lições que ficam dessa história são pelo menos três: uma, o atestado do imenso talento de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, dois gigantes da nossa música popular brasileira, ambos hábeis tanto em letra como em melodia. Outra lição: a de que até um Sílvio Caldas podia errar na hora de escolher o que gravar. A terceira: a de que o novo samba nasceu para ficar, sobretudo quando revivido mais de trinta anos depois por Paulinho da Viola (vídeo 1).



Nova Ilusão, 1948
Autores: Zé Menezes e Luiz Bittencourt
Intérpretes: Os Cariocas, Billy Eckstine e João Gilberto (vídeo 2)
Foi o destino talvez causador desse samba infeliz, ter você junto a mim outra vez, relembrar todas as juras que fiz. Tão satisfeito fiquei ao sentir nosso amor reviver, eu nem sei se sorri ou se chorei, custei até mesmo a crer. Recomeçamos assim a nossa felicidade, jamais alguém pensaria que aquela amizade viesse de novo a ter fim. Mas durou pouco afinal, essa nova ilusão terminou e não sei, se por bem ou por mal, você foi e não voltou.



José Menezes de França nasceu em 06/09/1921, em Jardim, Ceará. Compositor, arranjador e multiinstrumentista, dominava o cavaquinho, o bandolim, o banjo, o violão tenor, o violão de 6, 7 e 10 cordas, a guitarra e o contrabaixo. Em 1948, teve sua primeira composição gravada, o samba "Nova Ilusão", lançado pelo grupo "Os Cariocas", na gravadora Continental. Esse samba, inclusive, acabou se tornando o prefixo das apresentações do grupo. In: Zé Menezes, o craque das cordas

É permitido criar músicas com nomes de outras músicas que já existem?
Canções são mais que títulos e, na visão prática da lei, títulos (que são frequentemente muito curtos) não podem ter seus direitos autorais garantidos. Violações de direitos autorais requerem uma reprodução ou imitação substancial de conteúdo. Não podemos reclamar para nós o direito sobre as palavras "eu te amo", por exemplo, porque não há tantas formas de dizer a mesma coisa, convenhamos. Sequências de acordes também não têm direitos autorais; melodias e letras, por outro lado, sim.
https://pt.quora.com (Sealtiel) 
Se estiver em dúvida, consulte a Lei 9.610/98. Veja o que ela diz:
Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei:
VI - os nomes e títulos isolados;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm

04 setembro, 2021

Fechamentos de historinhas

Os começos têm o poder de abrir a porta do universo da história; os finais fazem a passagem de volta para "o mundo aqui de baixo". (Machado)


Chegamos ao final da história. E agora? Existem aquelas frases para finalizar a contação, inventadas ou decoradas de outros contadores e referências literárias, tais como:
  • Entrou pelo pé do pinto, saiu pelo pé do pato, quem quiser conte mais quatro.
  • Colorim, colorado, esse conto está terminado.
  • E entrou por uma porta, e saiu pela outra, e quem quiser que conte outra.
  • Era uma vez a vaca Vitória, que caiu no buraco e acabou-se a história.
  • E acabou a história, quando vier me encontrar, eu volto a recontar.
  • Entrou pela porta e saiu pela janela, quem quiser que conte outra mais bela.
  • E acabou-se o que era doce.
  • Tiririm, tiririm… e a historinha chegou ao fim!
São frases que as crianças reconhecem como o fim da história. Podem ser inventadas pelo contador ou que ele ouviu em outros lugares. A vantagem em terminar dessa forma, principalmente para os pequeninos, é que eles identificam prontamente que a historinha chegou ao final.
Fontes
http://contadoresdehistorias.com.br/blog/fechamento-da-historia/
http://www.educacao.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/02/guia_vii_plenarinha_9abr19.pdf

16 julho, 2021

Histórias com o Saci

Quem conta é Leonardo Mota (em "Sertão Alegre")
Nos sertões do Nordeste, caçadores e lenhadores costumam pôr na frincha de uma árvore da mata em que se encontram certa porção de fumo para Santa Clara. A santa, em recompensa, faz com que naquele dia a chuva não lhes estorve o trabalho. Em São Paulo há uma superstição semelhante: - quem sai a caçar, em dia de sexta-feira, tem a obrigação de levar um pedaço de fumo para o Saci-Pererê. De um caipira mentiroso, fértil no relato de inverossímeis proezas venatórias, repete-se que o mesmo contava:
"Uma sexta-feira, eu me esqueci de levar o fumo. Estava pensando nisso, quando o Saci apareceu e me exigiu o tal tributo que lhe era devido. Fiquei atrapalhado, mas resolvi ver se enganava o Saci e o matava.
Disse a ele:
- Fumo, mesmo, fumo eu não truxe não, mas truxe o cachimbo carregado."
Aí, meti-lhe o cano da espingarda na boca e puxei o gatilho. Quando o tiro falou e eu esperava ver o Saci esperneando e morrendo, ele mexeu com as bochechas, como se estivesse enxaguando a boca com os caroços de chumbo e, cuspindo a carga da espingarda, me disse:
- O fuminho é fraco, mas é até cheiroso..."

http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2020/10/folclore-politico-xliv.html

Quem conta é Monteiro Lobato
"Com a ajuda de Tio Barnabé, Pedrinho enfrenta seu maior medo e consegue capturar um Saci. O sucesso o enche de coragem e ele decide explorar a floresta levando numa garrafa o duende de uma perna só, que usa gorro vermelho e fuma cachimbo. Os dois se tornam grandes amigos e encaram juntos a Curupira, a Mula sem Cabeça e o Boitatá, entre outros monstros que povoam o imaginário infantil. Durante as aventuras, o Saci ajuda Pedrinho a ampliar sua compreensão do mundo. ' 'Dentro de cada criatura, bichinho ou plantinha, há uma força que a empurra para a frente. Essa força é a vida. Empurra e diz no ouvido das criaturinhas o que elas devem fazer. A vida é uma fada invisível' ', ensina o mais esperto personagem da cultura popular." M. Lobato

http://blogdopg.blogspot.com/2015/10/o-saci-perere-resultado-de-um-inquerito.html

14 maio, 2021

Contos telegráficos

Dolorosamente, ele mudou "é" para "era".

Estranhos. Amigos. Melhores amigos. Amantes. Estranhos.

"Número errado", diz uma voz familiar.

"Você não é bom artista, Adolf."

Incendiou o palheiro. Encontrei a agulha.

Desculpe soldado, sapatos vendidos em pares.

Six Word Stories

Histórias que têm apenas seis palavras: 1 e 2

29 maio, 2020

Histórias que têm apenas seis palavras

Elas são realmente um "gênero narrativo"?
David Fishelov, acredita que elas possam ser. Ele é professor de literatura comparada, na Universidade Hebraica de Jerusalém. Veja o ensaio dele sobre o assunto. "The Poetics of Six-Word Stories" (A Poética das Histórias de Seis Palavras), que foi publicada na Narrative de janeiro de 2019.
O professor considera as histórias de websites. Como neste, por exemplo. E chega a várias conclusões como, por exemplo:
"[…] Elas oferecem uma visão original, nos convidam a mergulhar no iceberg narrativo (para construir exposição implícita, contexto, causas possíveis), reler o texto (muito) breve e refletir sobre o contraste entre seu pequeno formato e as complexas situações humanas que evocam."
RESUMO. Histórias de seis palavras apresentam um estudo de caso intrigante para teóricos de gêneros literários e narratologistas. Apesar da popularidade dessa forma narrativa peculiar - provavelmente a mais recente novidade no clube de gêneros narrativos - e do fato de ter produzido muitos textos cativantes, quase não há discussão crítica sobre esse fenômeno literário em rápido crescimento. Depois de explicar por que as histórias de seis palavras merecem o título de um gênero narrativo, ofereço uma breve discussão comparativa dessas histórias ao lado de formas literárias curtas tradicionais, como aforismos e provérbios. Discuto então sete características importantes das histórias de seis palavras. Os três primeiros compreendem o "núcleo duro" da poética do gênero, os dois seguintes são muito comuns entre histórias de seis palavras, mas não são uma parte essencial de sua poética, e os dois últimos estão relacionados à recepção e produção do gênero: (1) Uma cadeia de eventos representada (o elemento narrativo); (2) A ponta do princípio do iceberg; (3) a estrutura da linha de punção; (4) estruturas rítmicas e poéticas; (5) o realismo das histórias; (6) a "contagiosidade" da forma; e (7) a forte conexão do gênero com o inglês, o idioma em que foi introduzido pela primeira vez. Concluo apontando que, embora muitas histórias de seis palavras ilustrem realizações espirituosas e artísticas, também há o risco de que os praticantes do formulário produzam mecanicamente textos sem graça.
http://muse.jhu.edu/article/712868

Qual foi então o criador das histórias de seis palavras?
Alguns afirmam que foi Ernest Hemingway. Com sua agora famosa obra literária: For sale: baby shoes, never worn (À venda: sapatos de bebê, nunca usados), escrita num guardanapo, diz Penned. Mas é possivelmente uma história apócrifa.

30 outubro, 2019

O rei dos bobos

Os deveres de um bobo da corte medieval eram divertir o rei, sua corte e quaisquer visitantes que o rei quisesse divertir. Ele também era utilizado para animar o monarca (quando o monarca estava deprê), para atuar como confidente e, às vezes, como mensageiro. O termo "bobo da corte" somente foi cunhado algum tempo mais tarde (antes disso, eram chamados de bufões. Mas o bufão tinha que ser esperto o suficiente para saber que era tênue a linha de separação entre provocar risos e ofender os que tinham poder sobre ele. Essa foi uma linha que o famoso bobo da corte Triboulet (na gravura) cruzou algumas vezes quando serviu Luís XII e Francisco I, reis da França.
Diz a lenda que, entre Francisco I e o Triboulet, aconteceu uma ríspida conversa, na qual ele disse ao rei que um dos membros da corte havia ameaçado matá-lo. O rei supostamente respondeu a isso: "Se ele o fizer, eu o enforcarei um quarto de hora depois". Ao que Triboulet supostamente brincou: "Ah, senhor, não é então melhor que fosse um quarto de hora antes?"
Certa vez, Triboulet não conseguiu se conter e deu um tapa no traseiro do monarca. O rei perdeu a paciência e ameaçou punir Triboulet. Um pouco mais tarde, o monarca se acalmou e prometeu perdoar Triboulet se o bobo pudesse pensar em um pedido de desculpas ainda mais ofensivo do que o desrespeito praticado. Alguns segundos depois, Triboulet respondeu: "Sinto muito, majestade, por não ter reconhecido você! Confundi-o com a rainha!"
Em outro exemplo famoso, ele enfureceu o rei por tirar sarro da rainha, após o que sua execução foi ordenada. No entanto, diz a lenda que, devido a seus anos de bom serviço, ele foi autorizado a escolher o modo de sua morte. Depois de refletir sobre isso, Triboulet disse ao rei: “Bom pai, pelo bem de Saint Nitouche e Saint Pansard, patronos da loucura, eu escolho morrer de velhice". Isso divertiu tanto o rei que ele optou por banir Triboulet em vez de executá-lo.
O mais famoso dos bobos das cortes medievais, Triboulet passou para história com o título de "bobo do rei e rei dos bobos".

Poderá também gostar de ver:
CASTELO DE HEIDELBERG. O pequenote Percheo

08 fevereiro, 2019

As histórias narradas sob a forma de cartas

- - - Os livros epistolares não são atraentes para todos (embora figurem entre meus favoritos), mas as histórias narradas sob a forma de cartas constituem uma tradição antiga desde os tempos de São Paulo. A não ficção epistolar incorpora a virtude adicional de uma vida real, tal como narrada (seja qual for sua veracidade e o que quer que seja ocultado) por seu protagonista.
Muitos historiadores têm lamentado o declínio das cartas escritas em papel passível de ser preservado como uma terrível perda para seu ofício. A tecnologia moderna colocou-se numa situação paradoxal. Costuma-se presumir que as informações tornam-se mais ricas à medida que nos aproximamos dos tempos atuais, pois um número maior de tipos de registros deve passar a existir, daí resultando menor perda e deterioração.
Agora, entretanto, a maioria de nossos comunicados é remetida de uma vez por todas para o esquecimento permanente, através de um fio de telefone, e muitas de nossas cartas (senão sua maioria) existem apenas no espaço cibernético do correio eletrônico e noutros dispositivos similares (nos quais, é claro, podem ser transferidas para o papel, mas podem, com igual probabilidade, ser atiradas num reino perdido, juntamente com nossos telefonemas).

Extraído de: "Prefácio" de Stephen Jay Gould (do Museu de Zoologia Comparada da Universidade Havard) para "As Cartas de Charles Darwin: Uma Seleta, 1825 - 1859", editadas por Frederick Burkhardt (com tradução de Vera Ribeiro)

24 novembro, 2017

"Aqui há Otis"

1
O antigo diretor do Diário de Minas (José Oswaldo de Araújo, poeta parnasiano de renome estadual e futuro prefeito de Belo Horizonte) contaria, anos mais tarde, a impressão que lhe causou o comentário de um amigo, o escritor Afonso Pena Júnior, ao ler os primeiros poemas de Carlos Drummond de Andrade: "Aqui há Otis", sentenciou o futuro ensaísta de "A arte de furtar e seu autor", poeta simbolista já quarentão, que, em sua juventude, já brilhara em dois grupos literários belo-horizontinos, os "Cavaleiros do Luar" e os "Jardineiros do Ideal". "Aqui há Otis" - eram estes os dizeres das placas que anunciavam a instalação de elevadores, um dos símbolos da modernidade que, ufa, desembarcava na jovem capital de Minas.
— "O desatino da rapaziada", por Umberto Werneck
https://books.google.com.br
2
Ainda continuei trabalhando no hospital quase um ano. Já publicando, me pagavam 10 mil réis por desenho. Aí me devolviam os originais que eram grandes assim, e com esse desenhos do "Eu Vi" (revista em que o desenhista cearense Luiz Sá publicou seus primeiros desenhos no início da década de 1930) fiz uma exposição no Museu de Artes e Ofícios. Vendi um bocado de quadros. Inclusive um, "A Fundação da Cidade do Rio de Janeiro", um desenho todo estrambólico: aqueles índios trabalhando, tal e tal, um Estácio de Sá assim, e numa construção eu botei: "Aqui há Otis". Aí chegou um senhor, comprou na hora. Ele falou: "Esse seu quadro aqui, nas 400 agências da Otis no mundo inteiro, tem esse quadro". Então eu disse: "Estou muito importante". Não fiz com maldade nenhuma, que eu não tinha essa maldade de dar golpe. É porque a gente chegava ao Rio e via assim num prédio: "Aqui há Otis", "Aqui há Otis", era só o que se via. Ele me pagou 100 mil réis pelo quadro, que era dinheiro naquele tempo.
— Uma entrevista histórica dada por Luiz Sá ao também cartunista Fortuna, em abril de 1975, no terceiro número da revista "O Bicho".
http://www.onordeste.com
(Os grifos são nossos.)
3
— Uma demonstração da segurança do elevador
Blog EM, 14/08/2017

22 março, 2017

CASTELO DE HEIDELBERG. Outras histórias

"A Dentada da Bruxa" 
No portão do pátio do castelo encontra-se uma argola, com a qual os visitantes davam uma pancada na porta quando procuravam entrar. Segundo a lenda, receberia o castelo de presente aquele que mordesse a argola. Muitos tentaram essa tarefa, tal como uma bruxa com a sua forte dentição, a qual fez tentativas até quase partir os dentes. Essa bruxa tentou mordê-la várias vezes, mas a força da sua magia falhou. Apenas permaneceu um pequeno aprofundamento no batente da argola, a chamada Hexenbiss ("dentada da bruxa").
Conclui Daniel Häberle:
Aquele que, ao serviço do senhor do castelo, conseguir morder a argola da porta, será o próximo rei. No pensamento tranquilo do senhor do castelo, está presente que nesta tarefa não estão envolvidos só os dentes, mas também os elementos da vida.
Atualmente pode ver-se a argola da porta com a suposta dentada, e a lenda continua a afirmar que receberá o castelo de presente aquele que conseguir morder a argola.

"O Salto do Cavaleiro"
Wilhelm Sigmund conta a seguinte história em seu livro "Alt Heidelberg" (Antiga Heidelberg):
Certa vez, durante a realização de um banquete ou outro evento, irrompeu subitamente um incêndio nos espaços superiores do castelo, sendo todas as damas e cavalheiros postos rapidamente em segurança, com exceção de um cavaleiro. Este não estava familiarizado com os compartimentos, escadas e corredores e encontrou todas as saídas bloqueadas pelo fogo. As chamas encontraram facilmente alimento nas cortinas e em outros materiais inflamáveis. Vendo-se cercado pelo fogo, gritou por ajuda. No entanto, ninguém o ouviu, o que talvez o tenha levado a pensar que não restava ninguém para salvá-lo. Portanto, não lhe restava outra alternativa senão saltar temerosamente pela janela. E o céu recompensou o audacioso ato, pois ele chegou íntegro ao terraço. Mas o chão foi perfurado pelas fortes botas, deixando lá uma pegada que ainda hoje pode ser vista. As pessoas registaram estas estranhas marcas no Altan do castelo com o nome de "O Salto do Cavaleiro" (Der Rittersprung).
Atualmente, os visitantes do castelo tentam que os seus calçados se encaixem nas pegadas do cavaleiro. Outra lenda associa a pegada com o rei Frederico IV, afirmando que este saltou, completamente alcoolizado, da janela do seu palácio para o terraço do castelo.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Heidelberg

Ver também: CASTELO DE HEIDELBERG. O pequenote Percheo

15 março, 2017

CASTELO DE HEIDELBERG. O pequenote Percheo

Em Heidelberg, cidade que integra a rota romântica da Alemanha, um ponto turístico imperdível é o Castelo de Heidelberg. É uma das mais famosas ruínas do país e símbolo da cidade.
Chega-se a este castelo por uma estrada ou, de uma maneira mais interessante, tomando-se o funicular.
Uma das atrações do Castelo de Heidelberg é o Fassbau (Edifício do Barril).
Foi mandado construir entre 1589 e 1592, especificamente para acolher o famoso Grande Barril. Estava diretamente ligado ao Salão do Rei, de forma a permitir, durante as celebrações, o acesso direto ao vinho contido no barril.
Percheo e eu
No Fassbau, o visitante se depara com a estátua de Perkeo (no alto da foto), o bufão da corte, símbolo do consumo de vinho, ali colocado por Carlos Filipe III para guardá-lo. Carlos Filipe trouxera Perkeo de Innsbruck, onde tinha anteriormente o seu trono como regente. imperial do Tirol, para a corte de Heidelberg. O rei tinha aprendido a tirar prazer do pequeno tamanho do bufão e de suas piadas espirituosas.
Conta-se que Carlos Filipe III lhe teria perguntado se conseguia beber o conteúdo de um barril sozinho. A resposta parece ter sido "Perché no?" (o que significa "porque não?", em italiano), o que daria origem à sua alcunha: "Perkeo".
E o rei: "Vem comigo para Heidelberg. Nomeio-te cavaleiro e camareiro do barril do rei. Na adega do meu castelo está o maior barril de todo o mundo. Se o beberes, a cidade e o castelo serão teus".
O vinho devia ser a única bebida que Perkeo conhecia desde a sua infância. Quando, em sua velhice, adoeceu pela primeira vez, o seu médico aconselhou-o a beber vinho com urgência e recomendou-lhe que bebesse água em abundância. Apesar do ceticismo, Perkeo seguiu o conselho do médico e morreu na manhã seguinte.
Perkeo era uma criatura digna de pena e tinha – como Victor Hugo mencionou – que consumir diariamente quinze garrafas de vinho, caso contrário era açoitado.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Heidelberg

03 março, 2017

Um lugar de honra para Michael

1
Em 1813, Michael Faraday foi nomeado para a Royal Institution como assistente químico de Humphry Davy, a quem sucedeu como Professor de Química em 1820. Desde a idade de 14 anos, em 1805, quando era um aprendiz de encadernador, que Faraday se interessava por ciência. Em 1810, ingressou na City Philosophical Society para participar de palestras e discutir assuntos científicos. O ponto de viragem em sua vida aconteceu em 1812. Um cliente da loja de encadernação deu-lhe quatro bilhetes para ouvir umas palestras de Humphry Davy na Instituição Real. Fascinado pelos tópicos científicos abordados, Faraday tomou notas, que ele levou consigo mais tarde para mostrar a Davy, quando pedia a ele uma posição. Davy o entrevistou, mas não houve abertura naquela momento. Quando uma vaga finalmente ocorreu, em 1813, Davy recordou-se de Faraday e este foi contratado.
http://pballew.blogspot.com.br/2017/03/on-this-day-in-math-march-1.html#links
2
Em 1844, Michael Faraday foi enviado como comissários do governo para realizar um inquérito sobre uma explosão com mortes em uma mina de carvão em Haswell.
Faraday interrogou as testemunhas. Entre muitas indagações, ele perguntou como a taxa de fluxo das correntes de ar era medida.
Em resposta, um inspetor tomou uma pitada de pólvora de uma caixa, como se fosse rapé, e deixou-a cair através da chama de uma vela. Um companheiro, com um relógio, observou o tempo que a fumaça levava para percorrer uma determinada distância e anunciou o resultado.
O cientista deu-se por satisfeito. Mas, comentou sobre o manuseio descuidado da pólvora, e perguntou onde ela ficava guardada.
"Em um saco, firmemente amarrado", foi a resposta.
"Sim, mas onde vocês mantêm o saco?"
"Você está sentado nele", responderam.
Não havia cadeiras no local. E pessoas bem intencionadas tinham oferecido a Michael Faraday o melhor substituto que dispunham para uma almofada.
A agilidade do comissário do governo para desocupar aquele "lugar de honra" dá para imaginar.
http://anengineersaspect.blogspot.com.br/2010/05/fun-anecdotes-about-scientists-found-in.html
3
Preblog – Há outros momentos burlescos na história das grandes invenções. Michael Faraday, o genial físico, certa feita mostrava à rainha Vitória I um artefato magnético que ele havia criado, quando Sua Majestade, a Rainha da Grã-Bretanha e da Irlanda, a Imperatriz das Índias, não sabendo ficar calada, perguntou: "Para que serve a gerigonça?" Ora, Faraday tinha a consciência da importância de seu "rebento" no mundo do porvir e devolveu a inquirição: "Senhora, para que servem os bebês?" A rainha saiu tão agastada do episódio, conta-se, que só conseguiu gerir a loura Albion por 64 anos. Ficou conhecida como Vitória I, a Breve.
http://preblog-pg.blogspot.com.br/2008/06/nova-literatura-brasileira-1984.html

03 maio, 2016

Tempo de histórias

Quando o terceiro filho de Hal Taylor nasceu, ele se viu com um dilema:
Ele não tinha espaço suficiente no colo para todos os filhos ao mesmo tempo. É que o carpinteiro Taylor costumava pôr os filhos no colo para ler histórias para eles.
Então, ele projetou esta cadeira de balanço (Storytime) para a solução do problema.


Agora, ele vende-as também. Faz cada uma delas à mão. Estão com o preço em torno de 7 mil dólares cada unidade.
http://www.neatorama.com/neatopicto/2015/08/27/Storytime-Rocking-Chair/

12 junho, 2015

Agora e então

A maioria das histórias são contadas no tempo passado. "Era uma noite escura e tempestuosa." Ao ler a história, entendemos que a tempestade está acontecendo "agora", no presente, mas a linguagem em que isso é comunicado à gente coloca-a no passado.
Esta é uma estranha forma de administrar as coisas. Imagine ler um romance com um marcador. Tudo à esquerda do marcador está no passado, já conhecido. Tudo à direita está no futuro, e ainda não é conhecido. Em sua localização atual, no marcador, está o presente de outra pessoa narrada no pretérito. E isso implica que há um futuro no presente, em relação ao qual os acontecimentos "atuais" estão no passado.
"Se o passado é para ser lido como presente, é um curioso presente que sabemos ser passado em relação a um futuro, o qual sabemos que está em vigor, já esperando por nós para alcançá-lo", escreve Peter Brooks, em "Reading for the Plot" (1984).
Mark Currie, "About Time", de 2007

19 setembro, 2013

A iconoclasta Polly

Polly Matzinger, nascida em 1947, é uma cientista estadunidense que propôs uma nova explicação de como o sistema imunológico funciona. É o chamado Modelo de Perigo (Danger Model).
Esse trabalho, publicado no Journal of Experimental Medicine, em 1978, e tendo Galadriel Mirkwood como coautor, pode ser lido em arquivo PDF. Aqui.
Antes de ser cientista, Polly Matzinger teve uma carreira incomum. Foi coelhinha da Playboy, garçonete, música de jazz, carpinteira e treinadora de cães.
Como cientista, entretanto, ela teve sérios problemas com o editor da revista científica. Ele, após fazer restrições preconceituosas ao nome de Galadriel Mirkwood no primeiro trabalho, não consentiu mais a publicação de outros artigos da pesquisadora no Journal.
A cientista tinha porém "n" justificativas:
Não gostava de escrever na primeira pessoa. Nem na voz passiva. Além disso, Galadriel era tão envolvido em suas pesquisas como outros coautores por aí. Etc.
Depois da questão levantada, Polly Matzinger só retornaria às páginas da revista em 1995. Quando o editor do J. Exp. Med já era. Até então, ela vinha publicando seus trabalhos na Science, Ann NY Acad Sci, J Immunol, Proc Transplant, Med Nature e Nature Immunology.

Polly e seu cão Galadriel, um galgo afegão

25 agosto, 2013

Placa, conquista e vendas


A placa diz:
"Se você comprar este produto com outra pessoa receberá $1.000 de presente."
Um homem pobre lê a placa e sugere a transação a um homem rico que passa por ali. O produto custa $50. O pobre propõe que cada um gaste $25 para que ambos ganhem os $1.000 prometidos. O rico concorda com a proposta desde que fique com $800. O pobre diz que não é justo. O rico responde que é melhor o pobre ter $200 do que nada. O pobre aceita.

Um europeu chega a terras indígenas para conquistá-las. Os indígenas dizem que aquelas terras são deles porque os seus antepassados ​​lutaram ferozmente por elas.
O europeu responde:
"Bem, eu vou brigar com vocês por isso aqui."

Um navio alcança uma ilha e a tripulação precisa de cigarros. O capitão desembarca para comprar todos os maços de cigarros existentes na mercearia local.
O nativo negaceia:
"Se eu vender tudo, depois não vou ter mais para vender."
O capitão voltou ao navio, contou o acontecido e todos riram. O que o capitão não sabe é que o nativo sabe que os marinheiros não desembarcam apenas para comprar cigarros, mas também para comprar refrigerantes e outros produtos. O nativo também sabe que os cigarros são o "gancho" para ele vender outras coisas e que há sistemas de comunicação entre os navios que trocam informações sobre o local em que essas coisas estão à venda.

In: Razonando como economista moderno (tradução livre de PGCS)

14 outubro, 2012

Tarde demais!

Desde pequeno eu via coisas estranhas na TV:

O Tarzan corria pelado...
Cinderela chegava à casa meia-noite...
Aladim era ladrão...
Batman dirigia a 320 km/h...
Pinocchio mentia...
Bela Adormecida era uma vadia...
Salsicha (do Scooby-Doo) tinha voz de maconheiro, via fantasma e conversava com o cachorro...
Zé Colmeia e Catatau eram cleptomaníacos e roubavam cestas de piquenique...
Branca de Neve morava numa boa com 7 homens...
Olívia Palito tinha bulimia...
Popeye fumava um matinho suspeito!!!
Pac Man corria em uma sala escura com musica eletrônica comendo pílulas que o deixavam ligadão...
Super Homem colocava a cueca por cima da calça...
A Margarida namorava o Pato Donald e saía com o Gastão...
Manda-Chuva só sacaneava o guarda Belo e se dava bem...
Pica-Pau roubava comida das festas...
Zé Carioca valorizava o ócio...
Sininho jogava um pozinho estranho que deixava todo mundo aéreo...

Olha os exemplos que eu tive...

Agora pedem para eu me comportar?!?!?

Repassado por Winston Graça.

16 dezembro, 2011

O amor-próprio

1 Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:
- O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
- Senhor - respondeu o pedinte - estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. - E com toda a
dignidade castelhana virou-lhe as costas.
Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por
amor de si mesmo não suportava reprimendas.
2 Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.
- Que renúncia de si próprio! - dizia um dos espectadores.
- Renúncia de mim próprio? - retorquiu o faquir. - Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste
mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro.
Dicionário Filosófico, Voltaire - Virtual Books Online

Tiveram, pois, plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todos as nossas ações - na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável.
Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem
amor próprio. O amor próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da
perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos. E cumpre ocultá-lo.

Frases sobre o amor-próprio
"O amor-próprio é o maior de todos os lisonjeadores." (François de La Rochefoucauld)
"Pode ferir-se o amor-próprio; matá-lo, nunca." (Henry de Montherlant)
"O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses." (Marquês de Maricá)
"É pelo nosso amor-próprio que o amor nos seduz. Como resistir a um sentimento que embeleza o que temos, que nos restitui o que perdemos e nos dá o que não temos!" (Nicolas Chamfort)
"O amor-próprio é um balão cheio de vento, do qual saem tempestades quando o picam." (Voltaire)
"Os raciocínios do amor-próprio não gozam do crédito das melhores conseqüências." (Camilo Castelo Branco)
"As feridas do amor-próprio só o mesmo amor-próprio as cura." (Jacinto Benavente)
SiteQuente.com
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Paulo,
Você se esqueceu do amor-proprio argentino.
Durante uma transa a menina empolgou-se e disse:
"Ai mi Dios!"
O argentino então corrigiu:
"En la intimidad puedes lhamarme Carlitos."
Nelson Cunha
Nelson,
À época, o amor-próprio de nossos hermanitos ainda não tinha inflado a ponto de mexer com o amor-próprio de Voltaire.
PG