18 abril, 2026
Chico Buarque - Ele Faz Cinema
Este site-livro é o resultado de um trabalho de pesquisa, que se encontra disponível gratuitamente e sem qualquer caráter comercial.
Divide-se em oito seções apresentando: a música de Chico no cinema (por meio de trilhas); o cinema na música de Chico (as referências da música do compositor na sétima arte); os livros de Chico no cinema (adaptações de sua obra literária); o cinema nos livros de Chico (alusões ao cinema em seus livros); o teatro de Chico no cinema (trabalhos do músico no teatro levado às telas); Chico ator de cinema; a vida de Chico no cinema (documentários e programas dos quais é protagonista); e o cinema na vida de Chico (ou como a sétima arte permeou sua vida).
Numa conta sempre sujeita a omissões, Mattos localizou 60 títulos, entre filmes de ficção e documentários, longas e curtas-metragens, com canções de Chico em suas trilhas musicais. O primeiro deles foi há exatos 60 anos, quando ele compôs a trilha para o filme "O Anjo Assassino" (1966).
14 fevereiro, 2026
No tempo das indelicadezas
Com a Orquestra Royal.
A propósito de uma agressão verbal a Chico Buarque que aconteceu no "Brasil dos Coxinhas".
"Não vai passar / Intolerante nem por um segundo / Cálice, filhinho de papai / Vai trabalhar, vagabundo."
20 dezembro, 2025
po.li.te.a.ma
Anagrama: epitálamo
Com o nome arcaico de Polytheama, foi cine-teatro em várias cidades do Brasil (Fortaleza-CE, Jundiaí-SP, Rio de Janeiro-RJ e Vitória-ES).
Localizado na Praça do Ferreira, em Fortaleza, o Cine-Theatro Polytheama foi inaugurado em 1911 e demolido em 1938, para dar lugar ao Cine São Luiz, hoje Cineteatro São Luiz. https://www.secult.ce.gov.br/2019/09/13/cineteatro-sao-luiz-homenageia-o-antigo-cine-polytheama-com-nova-faixa-de-programacao-de-cinema/
Em Vitória, inaugurado em 1926 num barracão de zinco no Parque Moscoso, funcionou até 1935 o Cine Politeama. O calor local era insuportável. Quando chovia o barulho da chuva batendo no telhado de zinco atrapalhava a sonoridade da exibição do filme. Antigos espectadores relatam também que se alguém se levantasse para ir ao banheiro, quando voltava não mais encontrava seu lugar vazio.
O Politheama é também um time criado por Chico Buarque na década de 1970, primeiramente como uma equipe de futebol de botão e que, posteriormente, ganhou os gramados como uma equipe de pelada.
Hino completo
Politheama, Politheama
O povo clama por você
Politheama, Politheama
Cultiva a fama de não perder
O seu pavilhão
Tremula sempre de emoção
Ostenta o galhardão
De clube sempre campeão
Augusto e varonil
O nosso clube verde-anil
Nas glórias, nas glórias
Vitórias, vitórias
Na história do meu Brasil.
01 outubro, 2025
"Essa pequena", de Chico Buarque
De tudo. Strictu sensu, da relação amorosa de um homem idoso (Chico Buarque) com uma mulher mais nova (Thaís Gulin, segundo dizem), em 2011.
meu tempo é curto vs. o tempo dela sobra
meu cabelo é cinza vs. o dela é cor de abóbora
meu dia voa vs. ela não acorda
vou até a esquina vs. ela quer ir para a Flórida
ela pinta a boca e sai vs. eu digo: take your time.
Ao final:
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena.
25 agosto, 2025
"A rainha das frutas"
Apenas 1/3 da fruta é comestível. A casca (de coloração roxa escura que lembra a brasileiríssima jabuticaba), o pericarpo (a camada entre a polpa e a casca) e as sementes representam os 2/3 restantes da fruta.
É geralmente consumida in natura ou utilizada para preparar sucos, doces e tortas. A rainha Vitória (1819-1901), da Inglaterra, teria considerado o mangostim a fruta mais saborosa do mundo, o que a esta rendeu o apelido de "a rainha das frutas".
O mangostão ou mangostim ultrapassou a jabuticaba e ficou em 1.º lugar no ranking das 10 melhores frutas do mundo elaborado pela TasteAtlas, em 2023.
"Moço, o senhor podia vender mangostão. Maneja tão bem todas as frutas que aqui estão expostas; um verdadeiro boticário - sabes olfativamente ofertar tantas delícias. O perfume mixado de manga rosa, goiaba, bergamota, jaca y jenipapo: não há quem não salive ao passar perto. Essa banca é a oportunidade de comer as cores que a vida sempre pariu. Também sou parido de árvore. Facilmente enraízo, me agrada sol, água boricada, 'auto poda', dou fruto, flor e desfolho. Desde que comi mangostão, procuro repetir o gozo. Tenho pedido pouco, agradecido muito. Até amor incondicional conheci. Já encontrei quase tudo o que acusei falta, mas mangostão tem sido a cobiça. O senhor podia vender mangostão! Veja que planejo comprar. Tantas coisas me são dadas para encontrar... meu recém poder de compra até esperança quis pagar." ~ Fabrício Hundou in "Pensador"
08 agosto, 2025
A homenagem de Joana a Chico
"Diante do Chico Buarque, todo homem é potencialmente corno."
O Otto Lara Rezende garantia que esta frase foi dita pelo Nelson Rodrigues. Se não foi o Nelson quem disse, foi o Otto.
"As garotas de Quixeramobim
As luzidias negras do Senegal
As de olhos amendoados do Nepal
A minha pequena Vênus de marfim
Entregam-se a Chico Buarque."
(https://jornalggn.com.br/noticia/a-homenagem-de-joana-gouvea-a-chico-buarque/)
27 julho, 2025
Chico do Politeama
É capaz de cobrar um escanteio, correr para a pequena área, cabecear a ⚽ e, como bom palindromista que é, comemorar gritando:
LOGO NO GOL.
22 junho, 2025
O Ceará no universo musical do Chico
"A Violeira" (de Tom Jobim e Chico Buarque). Juntei os trapos / Com um velho marinheiro / Viajei no seu cargueiro / Que encalhou no Ceará. / Voltei pro Crato / E fui fazer artesanato / De barro bom e barato / Pra mode economizar. / (...) / Perder os filhos / Em Fernando de Noronha / E voltar morta de vergonha /Pro sertão de Quixadá.
https://blogdopg.blogspot.com/2015/09/a-violeira.html
"Bye Bye Brasil" (filme brasileiro de 1979 dirigido por Carlos Diegues, e canção de Roberto Menescal e Chico Buarque). Em março vou pro Ceará / Com a benção do meu orixá / Eu acho bauxita por lá / Meu amor.
https://gurgel-carlos.blogspot.com/2024/10/bye-bye-brasil.html
"Até o fim" (de Chico Buarque). Eu bem que tenho ensaiado um progresso / Virei cantor de festim / Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso/ Em Quixeramobim / Não sei como o maracatu começou / Mas vou até o fim.
https://youtu.be/8Y9EFxE5a9I?si=nLAikhNTRVYsHK-u
"Baticum" (de Gilberto Gil e Chico Buarque). Veio Mané da Consolação / Veio o barão de lá do Ceará / Um professor falando alemão / Um avião veio do Canadá.
VÍDEO
"Iracema voou" (de Chico Buarque).Tem saudade do Ceará / Mas não muita / Uns dias, afoita / Me liga a cobrar.
https://blogdopg.blogspot.com/2024/07/iracema.html
21 maio, 2025
Sonho Impossível (A Busca)
De acordo com o compositor Mitch Lee, em "Soul Music - The Impossible Dream", o letrista original seria WH Auden. Mas houve desentendimentos com Wasserman, o autor da peça para a televisão, e a canção acabou sendo letrada por Joe Darion (com sua última gota de coragem / para alcançar as estrelas inalcançáveis).
A canção completa é cantada pela primeira vez por Dom Quixote, enquanto ele fica de vigília à sua armadura, em resposta à pergunta de Dulcinéia sobre o que ele quer dizer com "seguir a busca". Ela é reprisada parcialmente mais três vezes - a última por prisioneiros em uma masmorra, enquanto Miguel de Cervantes e seu criado sobem a escada da prisão em forma de ponte levadiça para enfrentar o julgamento pela Inquisição Espanhola.
De Elvis Presley a Frank Sinatra, foram muitos os intérpretes nos EUA que gravaram esta canção. No Brasil, Chico Buarque e Ruy Guerra escreveram a versão em português de "Sonho Impossível" (e o mundo vai ver uma flor / brotar no impossível chão), que foi gravada por Maria Bethânia em 1974, em seu álbum "Cena Muda" (vídeo 2).
06 outubro, 2024
Para Chicólatras
Via San Marino, 12. No primeiro andar do prédio baixo e amarelo, o menino traça rotas no mapa-múndi que cobre a parede do quarto. A náusea sentida durante a navegação do Brasil à Itália ficara para trás e as viagens cartográficas vão sendo deslocadas, em escala menor, para os percursos pelas ruas de uma cidade a ser descoberta. Reminiscências diversas compõem esse trajeto: as primeiras manifestações do desejo; as partidas no gol a gol com Amadeo, o filho do quitandeiro; a escola e suas fugas; cartas, bilhetes e romance, toda uma escrita endereçada a Sandy L., sua paixão juvenil; a dor da apendicite.
Em sua bicicleta niquelada com pneus brancos, Chico Buarque faz o zigue-zague por Roma, solta às vezes a mão do guidom e ensaia um equilíbrio fino entre lembrança e imaginação. Nesse passeio delicado, vislumbres da relação com o pai, a mãe e os irmãos somam-se às experiências formativas projetadas por um narrador às voltas com o passado.
PARA SEGUIR MINHA JORNADA, por Regina Zappa. Biografia ilustrada de Chico Buarque revista e ampliada com imagens exclusivas em comemoração aos 80 anos do artista. Editora Nova Fronteira
Sobre o livro:Regina Zappa nos dá o retrato mais completo e autêntico desse personagem que vem nos emocionando, acolhendo e representando com poderosos hinos políticos e sociais e tantas trilhas sonoras capazes de embalar antigos e futuros amantes. Sua vida é documentada aqui com manuscritos, reportagens, entrevistas, relatos e fotos, que são verdadeiros registros de época, pois as histórias ― de Chico e do Brasil ― se conjugam. Prefaciado pela cantora Mônica Salmaso, que acompanhou Chico em sua última turnê, este livro-almanaque vai deleitar o leitor com imagens raras de todas as fases da vida e da obra desse genial e inigualável artista brasileiro.
TROCANDO EM MIÚDOS - SEIS VEZES CHICO, de Tom Cardoso. Editora Record
Sobre o livro:
Um ensaio jornalístico dividido em seis capítulos: "Política", "Literatura", "Fama", "Polêmicas", "Censura e autocensura" e "Futebol". Para tanto, Tom Cardoso consultou extensa biografia, ouviu a discografia do cantor (ao longo da carreira, Chico gravou 37 álbuns de estúdio e nove ao vivo) e pesquisou entrevistas antigas em dezenas de livros, jornais e revistas.
O QUE NÃO TEM CENSURA NEM NUNCA TERÁ - CHICO BUARQUE E A REPRESSÃO ARTÍSTICA DURANTE A DITADURA MILITAR, de Márcio Pinheiro. Editora LPM
Sobre o livro:
Márcio Pinheiro relata os muitos apuros enfrentados por Chico durante a ditadura. Entre outros perrengues, o cantor teve música censurada (pelo menos umas dez, como "Apesar de Você" e "Cálice"), foi obrigado a viver no exílio (em Roma, entre janeiro de 1969 e março de 1970), precisou compor sob pseudônimo (Júlio César Botelho de Oliveira, o Julinho da Adelaide)
CHICO BUARQUE EM 80 CANÇÕES, de André Simões, Editora 34
Já no prefácio, o autor diz que "para analisar uma canção, requer-se a utilização de critérios próprios e adequados. A indissociabilidade entre música e letra é apenas o mais básico deles". Depois de enumerar outros elementos que devem ser pesados - arranjo, interpretação, performance etc. - ele conclui que a canção "é um objeto de estudo fortemente interdisciplinar". É com essa disposição que André Simões (um jornalista que estudou música e literatura) se debruça sobre 80 canções de Chico Buarque, dispostas ao longo de quase seis décadas de criação. O livro abre com "Pedro Pedreiro", de 1965, e se encerra com "Que tal um samba?", de 2022.
19 junho, 2024
Chico, que completa 80 anos, e o Cinema Brasileiro
Em 1980, chegou às telas o documentário "Certas palavras", de Mauricio Beiru, sobre sua vida.
Escreveu os roteiros de "Os saltimbancos trapalhões", de J. B. Tanko (1981), "Para viver um grande amor" (1983) e Ópera do malandro", de Ruy Guerra (1986), e Budapeste (2009).
Como ator, participou de "Garota de Ipanema", de Leon Hirzman (1967); "Quando o carnaval chegar", de Cacá Diegues (1972) - para o qual compôs diversas canções além de organizar as peladas nos intervalos da filmagem; "Vai trabalhar vagabundo II – A volta", de Hugo Carvana (1991); "Ed Mort", de Alain Fresnot (1996); "O mandarim", de Júlio Bressane (1995); "Água e sal", de Teresa Villaverde (2001).
Compôs dezenas de canções para filmes ("Bye bye, Brasil", "A noiva da cidade", "República dos assassinos", "Perdoa-me por me traíres", "Dona Flor e seus dois maridos", "O Grande Circo Místico", "A ostra e o vento", "Joana Francesa", "Eles não usam black-tie" e muitos outros).
"O povo brasileiro", de Isa Grinspum Ferraz (2000); "Raízes do Brasil", uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda, de Nelson Pereira dos Santos (2003); "Vinicius de Moraes", de Miguel Faria Jr. (2005); "Fados", de Carlos Saura (2005); "Maria Bethânia: Música é perfume", de Georges Gachot (2005); "O Sol - Caminhando contra o vento", de Tetê Moraes e Martha Alencar (2006); "Oscar Niemeyer - A vida é um Sopro", de Fabiano Maciel (2007); "Palavra encantada", de Helena Solberg (2009); e "Chico - Artista Brasileiro", de Miguel Faria Jr. (2015).
[lista em elaboração até 19/06/2024]
19 novembro, 2023
Francisco(s)
Passaredo
Meu caro amigo
Atrás da porta
Pivete
Vai passar
O que será
Amando sobre os jornais
Rosa dos ventos
CHICO BUARQUE e parceiros | Francisco(s) Suíte nº 2 [Orquestração de Francis Hime]
Amor barato
Meu caro amigo
Passaredo
Atrás da porta
A noiva da cidade
Embarcação
Trocando em miúdos
Pássara
Vai passar
CHICO BUARQUE e parceiros | Francisco(s) Suíte nº 3 [Orquestração de Francis Hime]
Mar e Lua
Roda Viva
Deus lhe pague
A Banda
Para todos
04 setembro, 2023
Carta de Gregório Duvivier a uma filha que vai nascer
(1) Vives na gandaia e esperas que eu te respeite / Quem que te mandou tomar conhaque / Com o tíquete que te dei pro leite / Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate. (in: "Biscate")
(2) Vai passar / Nessa avenida um samba popular / Cada paralelepípedo da velha cidade / Essa noite vai se arrepiar. (in: "Vai passar")
(3) Onde queres revólver sou coqueiro / e onde queres dinheiro sou paixão / onde queres descanso sou desejo / e onde sou só desejo queres não / e onde não queres nada nada falta / e onde voas bem alta eu sou o chão / e onde pisas o chão minha alma salta / e ganha liberdade na amplidão. (in: "O quereres", 1.ª de 6 estrofes)
30 julho, 2023
Encontro de craques: Chico do Politeama e Pelé do Santos
Chico recebe Pelé no campo do seu Politeama.
Chico fala da "invencibilidade" do Politeama.
Pelé põe os pés no cimento fresco.
Pelé fala dos seus gols.
Chico "perdeu a conta" dos seus.
Pelé autografa no cimento fresco.
Chico e Pelé posam para fotografias.
Pelé revela "ser grato" ao Corinthians.
Pelé surprende Chico com uma foto da "linha do Santos que fez mais gol no Brasil".
(Tite, Álvaro, Pagão, Pelé e Pepe)
Pelé lê a dedicatória da foto.
Chico quer saber se Pelé sonha com o futebol.
Cantam "Preconceito", samba de Marino Pinto e Wilson Batista.
Chico dá autógrafo a Pelé e vice-versa em camisas do Politeama.
Abraçam-se.
02 julho, 2023
Blues e Rocks do Chico
Apesar de sua notória preferência pelo samba, Chico Buarque incursionou por diversos gêneros musicais em sua carreira de compositor. Dentre os quais: o blues, o rock, a valsa, o tango, o choro, a valsa, o baião etc. Tomemos inicialmente sua produção de blues.
Bancarrota Blues
Foi composta por Chico Buarque e Edu Lobo para a peça "O corsário do rei", de Augusto Boal, em 1985.
Uma fazenda / Com casarão / Imensa varanda / Dá gerimum / Dá muito mamão / Pé de jacarandá / Eu posso vender / Quanto você dá?
https://youtu.be/CBdMg9tA22k
Bolero Blues
Música do baixista Jorge Helder, que o Chico confessou ter tido dificuldade para colocar letra. De fato, a canção é constituída de tortuosos caminhos melódicos e a letra teve que seguir pela mesma vereda. Para uma melodia psicodélica, uma letra psicodélica, e o resultado foi fascinante.
Quando eu ainda estava moço / Algum pressentimento / Me trazia volta e meia por aqui. / Talvez à espera da garota / Que naquele tempo andava longe / muito longe de existir.
https://youtu.be/lfgxqdwp9f8
Blues para Bia
Teria sido para a Bia, a tecladista que toca na banda que o acompanha?
Eu fiz este blues pra Bia / Mas Bia não vem me ouvir / Não vou censurar a bela / É da natureza dela / Viver solta por aí.
Mais adiante: ... no coração de Bia / Meninos não têm lugar / Porém nada me amofina / Até posso virar menina / Pra ela me namorar.
https://youtu.be/d2mqlakQg_E
Essa Pequena
Chico Buarque, DVD "Na Carreira"
Às vezes ela pinta a boca e sai / Fique à vontade, eu digo, take your time / Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas / O blues já valeu a pena.
https://youtu.be/qoWnm9p7N3w?si=9X7lRNi7oduMhsPO
O Último Blues
A letra desta canção inspirou, de um modo indireto, a mudança do nome de uma banda britânica para "Radiohead".
Na vida real / Você é quem enlouquece / Apaga a última luz / E nos cantos do seu quarto / A figura dela fosforesce / Ao som do último blues / Na Rádio Cabeça / Se puder esqueça / A menina que você seduz.
https://youtu.be/6mKUb2zfRYY
A História de Lily Braun
Canção de Edu Lobo e Chico Buarque que consta do disco "O grande circo místico", de 1983, cuja letra faz referência a seu gênero blues:
Como no cinema / Me mandava às vezes / Uma rosa e um poema / Foco de luz / Eu, feito uma gema / Me desmilinguindo toda / Ao som do blues.
https://youtu.be/hfTR_SjYBeY (vídeo)
Mil Perdões, A Voz do Dono e o Dono da Voz e Sobre Todas as Coisas
Nessas três canções do Chico, não há título ou letra se referindo a blues, mas apresentam uma levada bluesy.
Quanto ao rock, é possível garimpar alguns exemplos (https://rockontro.org/2013/03/20/o-rock-na-musica-de-chico-buarque/) na obra de Chico:
Baioque, uma divertida mistura de rock com baião, composta para o filme "Quando o Carnaval Chegar", de Cacá Diegues; Jorge Maravilha, uma das canções que ele fez com o pseudônimo de Julinho da Adelaide (para driblar a censura); e Hino de Duran, que faz parte da "Ópera do Malandro", um rock-reggae no qual ele é acompanhado pelo grupo "A Cor do Som". Em duas outras músicas, a valsa João e Maria (em parceria com Sivuca) e o chorinho Meu Caro Amigo (em parceria com Francis Hime), o rock é citado nas letras.
19 maio, 2023
O Pai da Rita
Inspirada nos versos de "A Rita", de Chico Buarque, a obra tem como cenário o bairro do Bixiga, em São Paulo, onde os boêmios e compositores Roque e Pudim compartilham uma amizade de décadas, um pequeno apartamento e o amor pela escola de samba "Vai Vai", agremiação a que pertencem.
Além disso, outro ponto se destaca nessa relação: a dúvida sobre o que ocorreu com a passista Rita, paixão dos dois personagens. E quando, dessa "grande paixão perdida", então surge a filha Rita, a amizade entre os dois corre o sério risco de acabar.
Mas, afinal, quem é o pai da Rita?
Arquivo
A Rita e a resposta dela
A levada da Rita
24 abril, 2023
Valeu a pena esperar
O cantor, compositor, escritor, dramaturgo e inspirador de memes Chico Buarque, de 78 anos, recebeu o prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa, em uma cerimônia no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra, Portugal, nesta segunda-feira (24).
Chico Buarque (ferino):
"Reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando seu espaço em branco para a assinatura do nosso presidente Lula."
Marcelo Rebelo (presidente de Portugal):
"Eu assinei, depois houve a recusa de assinar, então eu disse: não há mais nenhum Prêmio até ser assinado este. E nós iríamos para quatro, cinco, seis, sete anos. Não foi preciso irmos para tanto, foram só quatro (risos)."
26 fevereiro, 2023
Rádio Cabeça
Anos mais tarde, em 1991 na Inglaterra, uma banda chamada On a Friday começava a fazer sucesso. Após os integrantes se encontrarem com o representante da gravadora e assinarem um contrato de seis discos, foi pedido para que o nome do grupo fosse mudado. A banda passou a se chamar Radiohead, inspirado no título da canção dos Talking Heads. E assim surge uma influência indireta do cantor/compositor brasileiro com relação à banda britânica.
[...] Na vida real / Você é quem enlouquece / Apaga a última luz / E nos cantos do seu quarto / A figura dela fosforesce / Ao som do último blues / Na Rádio Cabeça / Se puder esqueça / A menina que você seduz. Chico Buarque
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Contado por Eliezer Franco:
Em uma partida beneficente de futebol entre os amigos de Ronaldo e os amigos de Zidane, estavam presentes Chico Buarque e o baterista da banda RadioHead. O técnico era Parreira, e Chico foi escalado como titular, ficando com a posição do baterista. Mas este não gostou da troca e foi reclamar ao técnico. Foi quando Chico disse-lhe, em perfeito inglês, ter sido o que "bolou" (LOL) a expressão que deu nome à banda do reclamante.
28 novembro, 2022
Mas eis que chega a Roda Viva...
2 A canção foi escrita para a peça de teatro de mesmo nome, também de autoria de Chico Buarque, que estreou no ano seguinte no Rio de Janeiro sob a direção de José Celso Martinez Correa. O espetáculo não tinha relação com política, mas com a trajetória de um cantor massificado pelo esquema da televisão.
3 Em São Paulo, a montagem de "Roda Viva", no Ruth Escobar, em Julho de 1968, foi encerrada com a invasão do teatro por membros do Comando de Caça aos Comunistas – CCC, a milícia paramilitar de apoio à ditadura, os quais espancaram o elenco e membros do público (foto). Em outubro do mesmo ano, a apresentação de Roda Viva em Porto Alegre foi impedida pela repressão do regime autoritário. Nesse contexto, a música tornou-se símbolo da luta contra o autoritarismo e a repressão.
4 Por décadas, Chico Buarque não autorizou novas montagens da peça. Em 2018, entretanto, o diretor José Celso obteve autorização do compositor para que o Teatro Oficina Uzyna Uzona fizesse a remontagem do musical. A nova versão manteve a crítica política, porém a agressividade dirigida ao público deu lugar a uma conjunção celebratória.
5 A Marola Edições Musicais Ltda. é a titular dos direitos patrimoniais de autor de Chico Buarque sobre a obra musical "Roda Viva".
6 A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5°, inciso XXVII, assegura que "aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras".
7 A canção aparece creditada a Chico Buarque no "Dicionário de Música Popular Brasileira de Cravo Albin" e no "Escritório Central de Arrecadação e Distribuição", o Ecad.
8 A Lei 9.610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, determina, no seu artigo 22, que "Pertence ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou". Reconhece a melhor doutrina que ao autor a lei reserva prerrogativas de natureza patrimonial ou econômicas e moral. As prerrogativas morais, também conhecidas por direitos morais do autor, integram a categoria dos direitos da personalidade, os quais se revestem de caráter absoluto, sendo inalienáveis e irrenunciáveis.
9 Os direitos à edição do livro "Roda Viva", por sua vez, são reservados à Editora Sabiá Ltda. - Copyright by Francisco Buarque de Hollanda, 1968. O texto dessa peça (uma comédia musical em 2 atos) inclui as partituras de dez canções (abertura, sambas, marcha, frevo, fox-trot, iê-iê-iê e baião).
23 novembro, 2022
RIP, Pablo Milanés
As origens musicais de Pablo Milanés remontam à sua infância, em Bayamo, cidade onde nasceu em 24 de fevereiro de 1943 e, quando criança, começou a cantar nas estações de rádio. Pablo ganhou um concurso de música na rádio CMXK, aos 6 anos, cantando um corrido mexicano: "Juan Charrasqueado".
A transferência de sua família para Havana, no início dos anos 50, significou seu contato com artistas populares e grupos tradicionais. Embora tivesse alguns anos de formação acadêmica no Conservatório Municipal de Havana, foram principalmente os músicos de rua, do seu bairro e dos cafés que frequentava, que incutiram no jovem Pablo a diversidade e a riqueza sonora.
No início da década de 1960, começou a compor a partir de múltiplas influências recebidas, tais como: da tradicional música cubana, da música norte-americana (principalmente o jazz) e da música brasileira.
Gravou sem primeiro disco em 1965. E foi também um dos fundadores do Movimento Nueva Trova.
Sua obra musical está contida em mais de 40 álbuns que contêm canções emblemáticas como "Yolanda"(vídeo), "Canción por la Unidad Latinoamericana"(*), "Yo no ti pido", "Pobre del cantor", "Yo pisaré las calles nuevamente" e muitas outras.
Este legado constitui uma grandiosa referência para a identidade e a cultura cubanas e suas canções e interpretações magistrais integram, por direito próprio, a trilha sonora da Revolução Cubana.
Sua última apresentação em Cuba foi num concerto na Cidade Desportiva de Havana, em 21 de junho de 2022.
Pablo internou-se no dia 13 de novembro em Madri para tratar uma doença oncohematológica que vinha sofrendo há vários anos. No dia 22 de novembro, ele faleceu das intercorrências.
(*) Em 1978, Chico Buarque de Hollanda foi chamado para ser jurado do Prêmio Literário da Casa das Américas, em Cuba, e aproveitou para buscar uma aproximação cultural com o país caribenho, que vivera seu processo revolucionário há 25 anos, criando uma versão para a música "Canción por la Unidad Latinoamericana", de Pablo Milanés.

