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06 julho, 2026

Madrugada de horror com abalos em João Câmara - RN

Há um certo alívio no Brasil com a ideia de que o país está protegido de terremotos, por estar localizado no centro de uma placa tectônica, já que estes fenômenos acontecem com mais frequência e intensidade em áreas de encontros das placas. Mas há uma região brasileira mais propensa aos abalos sísmicos do que as demais: o Nordeste. 
Isso acontece devido a uma particularidade da crosta terrestre em parte dos Estados nordestinos. Sob o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta terrestre tem de 30 a 35 quilômetros de espessura — em alguns pontos, até menos do que isso. É mais fina do que a média mundial, que passa dos 40 quilômetros, chegando a 70 quilômetros na região do Himalaia. 
Exatamente nessa região que corresponde a uma parte do Nordeste, a crosta teria se esticado um pouco mais do que no restante do país, em um processo de acomodação das placas. O resultado foi esse adelgaçamento atípico — o chamado "efeito de estiramento", como explica o engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor na Universidade de São Paulo (USP). 
As tensões são maiores nas bordas das grandes placas tectônicas, onde esses imensos volumes de rochas se encontram e buscam acomodar suas fronteiras. A Terra tem mais de 50 dessas placas — sendo que as maiores perfazem 14. O terremoto de grandes proporções que atingiu a Venezuela dias atrás (26) teve origem nesse encontro entre a placa Sul-Americana e a Caribenha.  
De acordo com o mapa feito pela organização internacional científica Global Seismic Hazard Assessment Program (GSHAP), entidade criada em 1992, enquanto a maior parte do território brasileiro não apresenta riscos de sismos, a "esquina nordeste" do país é classificada como de risco moderado para alto. A entidade considera como risco se há probabilidade de pelo menos 10% de tremores a cada 50 anos, considerando um histórico de ocorrências dos últimos 475 anos. O que acontece é que, se a maior parte do Brasil está sobre pontos estáveis da crosta, ali na Província Borborema, a quantidade de falhas geológicas é grande. A maior dessas falhas é a de Samambaia, no Rio Grande do Norte. 
Há cerca de 40 anos, em novembro de 1986, o município de João Câmara, a 82 quilômetros de Natal, registrou um abalo sísmico assustador. Com magnitude de 5,3 pontos, o tremor causou pânico na cidade, segundo reportagens publicadas na época. Não foi um terremoto forte, mas o suficiente para derrubar pequenas casas. 
E os pesquisadores puderam confirmar não só a espessura delgada da crosta da região, como também a diversidade de materiais rochosos de sua composição, um outro componente que pode explicar o grande número de falhas, já que não há uma homogeneidade que facilite a acomodação dos materiais. A Província de Borborema é muito heterogênea do ponto de vista geológico. São terrenos diferentes (quatro tipos), com muita rocha metamórfica e falhas antigas.

"O Poti", 01/12/1986 - Às 3 horas e 22 minutos da madrugada de domingo (30), um forte tremor sacudiu a cidade, com estrondos ao longe, sem um ponto certo de origem (como se viesse do mar). Portas, janelas e móveis tremeram durante vários segundos como se a cidade estivesse passando por abalos sísmicos, com o maior deles atingindo 5,3 na escala Richter. Casas rachadas ou destruídas, a torre da Igreja Matriz com rachaduras e o chão da cidade cortado de fissuras. Esses abalos foram sentidos também em Angicos, Lages, Riachuelo e outros municípios. 


Capa do Jornal "O Poti", de Natal - RN, no dia após o tremor registrado em João Câmara.
http://memoria.bn.gov.br/docreader/031151_04/11814

28 setembro, 2021

A estocagem de energia eólica

Maior produtor de energia eólica do país, o Rio Grande do Norte deverá estocar energia produzida pelo vento. O governo do Estado assinou protocolo para isso com a empresa EV Brasil Consultoria na terça-feira passada (21). Um documento que prevê a instalação de um projeto de armazenamento de energia verde em larga escala - o primeiro do tipo no país e na América Latina. 
A estrutura deverá ter 120 metros de altura e, quando concluída, terá capacidade de armazenar aproximadamente 400 megawatts de energia, o que representa quase 10% da atual capacidade de produção de energia eólica do Estado.
Veja o passo a passo de como funcionará:
  • A energia elétrica - que a estrutura quer armazenar - é injetada em um motor;
  • Com uso de cabos de aço, esse motor levanta blocos de concreto que pesam de 30 a 35 toneladas;
  • Esses blocos são empilhados em uma torre de até 120 metros de altura, onde podem ficar por tempo indeterminado;
  • Para usar a energia armazenada (gravitacional) e jogá-la no sistema, os blocos começam a ser baixados da torre;
  • O cabo de aço, por sua vez, está ligado a um gerador de energia elétrica, no topo da torre. Conforme ele se movimenta, com o peso do bloco, o gerador volta a criar energia elétrica, que é jogada de volta à rede nacional de energia.
A tecnologia substitui baterias químicas, que não duram tanto tempo (35 anos) e podem gerar resíduos tóxicos para o meio ambiente.

Fonte: G1

Relacionadas: [1] [2]

27 dezembro, 2012

UTI e Praia da Pipa

Registro o recebimento em minha residência destes dois livros enviados por seus autores:
TERAPIA INTENSIVA NO CEARÁ. UTI - LUGAR DE VIDA, de Joel Isidoro Costa e Luiza Helena Amorim, que trata da evolução da terapia intensiva, da implantação das UTI no Brasil, da história da terapia intensiva no Ceará, da formação em terapia intensiva e da regulamentação dessa especialidade, da criação da sociedade e da cooperativa dos médicos intensivistas no Ceará, da crise nas UTI e da situação atual da medicina intensiva no Ceará, dentre outros tópicos. Com esta obra, o médico intensivista Joel Isidoro e a jornalista Luiza Helena produziram a mais importante referência em nosso Estado, quiçá no Brasil, sobre os aspectos históricos e administrativos da terapia intensiva. No terceiro capítulo do livro, das páginas 39 a 41, os autores me surpreendem com a transcrição do meu relato A UTI Respiratória do Hospital de Messejana, originalmente postado neste blog em 19 de novembro de 2006.
A PRAIA DA PIPA DO TEMPO DOS MEUS AVÓS, de Ormuz Barbalho Simonetti, com histórias vivenciadas pelo autor em seus veraneios na Praia da Pipa, Rio Grande do Norte. Reunidas em mais de 400 páginas, juntam-se a essas histórias (que remontam a "um tempo da delicadeza") preciosas informações sobre os costumes, a culinária, a geografia, a fauna e a flora da região. Cada capítulo traz ainda apreciações dos leitores do blog Genealogia e História, no qual o autor antecipou, sob a forma de postagens, muitas das crônicas enfeixadas no livro. Ormuz, que é também genealogista, prepara para publicação um livro sobre a família GURGEL. Aproveite para ver, em Linha do Tempo, os vídeos de sua recente entrevista para o programa "Conexão Potiguar".
Aos autores: agradeço os livros enviados e acrescento que estou lendo-os com grande interesse e prazer.