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16 julho, 2025

Espetáculo para entrar na História

Este ano, 2025, o 14 de julho, a Fête Nationale de France - incorporou homenagens especiais ao Brasil como parte da Saison Brésil-France e do bicentenário das relações diplomáticas entre os dois países.
Brasil e França celebraram em 2022 dois séculos de relações diplomáticas, reforçando a profundidade histórica de sua amizade.
O Concert de Paris apresentou repertório com influências brasileiras, acompanhado de artistas convidados, seguido de show de fogos em frente á Torre Eiffel e ao Trocadéro, com cerca de 1.000 drones destacando tanto a cultura do Brasil quanto a temática climática.
~ Ana Margarida Arruda Furtado Rosemberg, médica e historiadora.

16 junho, 2025

"Germinal"

Hoje na História do Trabalho, 16 de junho de 1869:
Na pequena cidade mineira de Ricamarie, França, tropas abriram fogo contra mineiros que protestavam contra a prisão de 40 trabalhadores. Como resultado, as tropas mataram 14 pessoas, incluindo uma menina de 17 meses nos braços da mãe. Além disso, feriram outras 60 pessoas, incluindo 10 crianças. Esta greve, e outra em Aubin, juntamente com a Comuna de Paris, foram grandes inspirações para a obra seminal de Emile Zola, "Germinal", e a razão pela qual escolheu concentrar-se nas acções revolucionárias dos trabalhadores nesse romance.


Para escrever "Germinal", o autor passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na pele o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros.

23 abril, 2025

Je vous salue, Choro

23 de abril, o Dia Nacional do Choro

"Odeon", em edição bilíngue
Música: Ernesto Nazareth
Letra: Vinicius de Moraes
Chanson: Georges Moustaki


Aurélie Tyszblat e Verioca Lherm, duas francesas que amam o Brasil

Relacionada: Je vous salue, Samba

29 março, 2025

Epístola do magneto

Pierre Pèlerin de Maricourt (em latim: Petrus Peregrinus) foi um estudioso francês do século XIII, que realizou experimentos sobre magnetismo e escreveu o primeiro tratado existente sobre as propriedades dos ímãs.
Uma carta que escreveu em 1269 indica que ele tinha conhecimento da polaridade magnética, sabia que os opostos se atraem, entendia que dividir um ímã de barra preservava dois polos em cada parte e estava ciente de que um ímã mais fraco poderia ter sua polaridade invertida por um mais forte.
Era hábil com metais, inventou armaduras e ajudava o rei Luís IX de França (mais do que o próprio armeiro real).

18 março, 2025

Donald "Jabba" Trump

Mundo ao Minuto - Neste domingo (16), o deputado Raphaël Glucksmann, que representa a França no Parlamento Europeu, sugeriu que os Estados Unidos devolvessem a Estátua da Liberdade, que foi oferecido pela França no centenário da Declaração da Independência dos Estados Unidos.
Glucksmann, que é um grande defensor da Ucrânia, fez a sugestão após as medidas que estão sendo tomadas pela administração Trump na guerra da Rússia. O parlamentar justificou que os EUA já não se guiam pelos valores que levaram Paris a dar este presente.
O eurodeputado fez críticas não só à atuação de Washington em relação á guerra na Ucrânia, e à aproximação a Vladimir Putin, mas também contra as demissões que estão acontecendo em instituições públicas, como em organizações de pesquisas nas áreas da saúde e do clima.

05 fevereiro, 2025

Apego às tradições

por Yohan Vioujard, Mastodon

● Túmulo de Jean-Marie Le Pen (1928 - 2025) vandalizado com uma marreta (foto). Não será a última vez.


● Eu tinha lido que, desde a morte de Philippe Pétain (1856 - 1951), aqueles que cuidam do local onde ele está enterrado são obrigados a limpá-lo várias vezes por ano. O túmulo está frequentemente coberto de excrementos, urina e pichações.
● Durante 200 anos, alguns clubes republicanos realizaram banquetes onde comiam cabeça de bezerro em memória de Luís XVI.(1754 - 1793).
● Durante a Revolução, os reis foram desenterrados da Basílica de Saint-Denis e o cadáver de Henrique IV (1553 - 1610) ficou exposto na rua por vários dias.
Em algum lugar, mesmo quando somos progressistas, mantemos um apego às tradições.

Nota do Blog EM.
O que há em comum entre eles é a forte ligação com a história e a política francesa, mas seus contextos, papéis e legados são bastante distintos.

29 outubro, 2024

Asterix, 65 anos

Asterix, o Gaulês (em francês, Astérix le Gaulois), é uma série de histórias em quadrinhos criada pelo roteirista René Goscinny (1926-1977) e pelo artista Albert Uderzo (1927-2020), que apareceu pela primeira vez em 29 de outubro de 1959 na revista Pilote,antes de ser publicada como um álbum.
Foi traduzida para 111 idiomas e dialetos (incluindo latim e grego antigo), tornando-se a história em quadrinhos francesa mais popular do mundo. Foram vendidas 380 milhões de cópias e é a mais popular do mundo francófono, juntamente com a belga Tintin.
Asterix vive por volta do ano 50 a.C. numa vila fictícia no noroeste da Gália, única parte do país que ainda não foi conquistada por Júlio César, também personagem da série. A aldeia é cercada por quatro acampamentos romanos: Babaorum, Aquarium , Laudanum e Petibonum.
A vida não é fácil para os legionários romanos, e a resistência dos aldeões gauleses se deve à força sobre-humana que adquirem após beberem uma poção mágica preparada pelo druida Panoramix. 
Muitas histórias de Astérix têm como enredo principal a tentativa do exército romano de ocupar a aldeia e impedir o druida de preparar a poção ou de obter parte dela para seu próprio benefício. Estas tentativas são sempre frustradas por Asterix e Obelix graças à poção mágica.

10 outubro, 2024

Pão que parece luva de forno

"Se eu tivesse de usar uma destas, teria fome a toda hora. E, à noite, em meus sonhos eu comeria minha própria mão."


Tenho certeza de que todos vocês conhecem o tipo de pão instantaneamente associado à França – a icônica baguete. Mas há mais nesta maravilha dos padeiros do que apenas o seu formato alongado distinto. É praticamente uma forma de arte que os franceses levam muito a sério. Eles adoram baguetes e o pão em geral, por isso não é surpresa que esse tesouro de farinha tenha se tornado parte da cultura meme.
Hoje, convidamos você a mergulhar em uma coleção desses memes de baguetes compartilhados por uma conta do Instagram chamada baguettes.in.unusual.places. Esta saborosa variedade de imagens varia de apetitosa a engraçada e totalmente absurda.
Ao passar por esses memes, não podemos deixar de nos maravilhar com a criatividade da mente humana e como algo tão básico como um pedaço de pão (desculpe… uma baguete) pode desencadear cenários tão divertidos e imaginativos.

08 julho, 2024

VIVE LA FRANCE!

(no Xwitter, a partir de ontem)

Melhor texto, por Paulo RJ:
Madame Le Pen está ouvindo Re(i)ginaldo Rossi desde cedo.
🎵Serveur, ici à cette table de bar
Êtes-vous fatigué d'écouter
Des centaines d'histoires d'amour.
🎵

Melhor imagem, por Mario Lago Filho:

21 maio, 2024

O vazio de um exílio

Localizada em Marselha, França.

Uma das esculturas de bronze da série LES VOYAGEURS, do artista francês Bruno Catalano, originário de Marrocos. Catalano é conhecido por criar esculturas em que faltam seções substanciais como que representassem o vazio de um exílio (ou de um insílio?).

22 setembro, 2023

Le Petit Trianon

Le Petit Trianon, fachada

O Petit Trianon é um palácio construído no século XVIII pelo Rei Luis XV para a sua amante, a Madame de Pompadour. [1] [2] Este palácio fica localizado no interior do parque do Palácio de Versailles (Le Grand Trianon). É sob o impulso da sua favorita, Madame de Pompadour, que o Rei Luis XV ordena a construção de um novo Trianon: o Petit Trianon. A obra confiada a Jacques Ange Gabriel dura 6 anos entre 1762 e 1768. O lugar escolhido para esta nova construção é o antigo jardim botânico do Rei. Madame de Pompadour faleceu no dia 15 de Abril de 1764, pelo que não assistiu à conclusão da sua obra. É com a sua nova favorita, Madame du Barry, [3] que Luis XV inaugura o Petit Trianon. Luis XV morreu em 1774 e a Condessa do Barry teve que deixar o palácio.

Notas
[1] Madame de Pompadour foi amante, amiga e conselheira de Luís XV, permanecendo com ele até a morte em 1764. Introduzida na Corte por conexões bem colocadas, ela chamou a atenção do rei e logo se tornou sua amante oficial. Para ela, Luís XV encomendou o Petit Trianon, que se tornou um refúgio privado de paz. Ler +.
[2] "Etelvina, vai ter outra lua-de-mel / Você vai ser madame, vai morar no Palace Hotel / Eu vou comprar um nome não sei onde / De Marquês, Moringueira de Visconde / Um professor de francês, mon amour / Eu vou trocar seu nome pra madame Pompadour". In: "Acertei no milhar", de Wilson Batista e Geraldo Pereira, samba de breque gravado por Moreira da Silva em 1958. Ler +.
[3] Após a morte de Madame de Pompadour em 1764, Jeanne Bécu (conhecida como "Mademoiselle Vaubernier") tornou-se amante oficial do rei e mudou-se para Versalhes em 1768. Apesar dos melhores esforços do Duque de Choiseul (Secretário de Estado e aliada da ex-amante do rei) e o desprezo derramado sobre ela pela Delfina Maria Antonieta, ela conseguiu manter seu lugar na corte até a morte de Luís XV. Ler +.

O Petit Trianon do Brasil.
Em 1923, na gestão Afrânio Peixoto e do então embaixador da França, Raymond Conty, o governo francês doou à Academia Brasileira de Letras o prédio do Pavilhão Francês, edificado para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, uma réplica do Petit Trianon de Versalhes.

25 maio, 2023

A desculpa pelo voo atrasado

Em 2000, um voo de Nice a Paris após vários atrasos foi cancelado, mas os agentes não explicaram o motivo. Eles apenas disseram que estava relacionado ao clima e pareciam escorregadios. No dia seguinte, um jornal noticiou que o aeroporto teve que ser fechado porque a pista havia sido invadida por caracóis devido a fortes chuvas. Os aviões não podiam decolar/pousar com segurança sobre animais escorregadios.
Fonte:
Cottart, Frederic. Did you knowk that? (Amazon)


Tradução: O aeroporto de Nice (França) foi repetidamente fechado devido aos caracóis: eles invadiram as pistas, tornando-as escorregadias e, portanto, perigosas para as aeronaves. Isso acontece em áreas onde pouco chove: na verdade, os caracóis permanecem adormecidos por meses na grama, e acordam coletivamente quando começa a chover… e ocorre uma invasão.

03 fevereiro, 2022

Bicicleta para animais

Os humanos inventaram dispositivos mecânicos como bicicletas que, amplificando a força de nossas pernas, nos permitem mover mais rapidamente. Madeleine Ravier, de Paris, conjeturou que aquilo que funciona para as pessoas também deve funcionar para os animais. Então, ela inventou e, em 1907, patenteou sua "cycles pour animaux", ou "bicicleta para animais".
Ravier imaginou fazer bicicletas para todos os tipos de animais, incluindo "mulas, burros, elefantes, camelos, dromedários etc.". Mas ela começou com uma bicicleta para cavalos.


A patente está em francês, mas a tradução automática é bastante compreensível. Os desenhos estão nas páginas 5-7.

29 setembro, 2021

A conversão de Clóvis


Um monge escreveu que Clovis, estando num grande perigo na batalha de Tolbiac, fez voto de se tornar cristão se conseguisse escapar; é porém natural que uma pessoa se dirija a um deus estrangeiro em tal ocasião? Não é precisamente num momento desses que a religião na qual se nasceu age mais fortemente? Qual é o cristão que, numa batalha contra os turcos, não se dirigirá antes à Santa Virgem que a Mafoma? Acrescenta-se que um pássaro levou a santa ampola em seu bico a fim de ungir Clovis e que um anjo trouxe a auriflâmula para o conduzir. O preconceito crê em todas as historietas desse gênero. Os que conhecem a natureza humana sabem que o usurpador Clóvis e o usurpador Rolão ou Rol se tornaram cristãos para governar mais seguramente a cristãos, como os usurpadores turcos se tornaram muçulmanos para governar mais seguramente os muçulmanos.

Voltaire, Preconceitos históricos. "Dicionário Filosófico"

Clóvis I é importante na historiografia da França como "o primeiro rei do que se tornaria a França". Ele uniu todas as tribos francas sob um único governante, assegurando-se de que o reinado seria passado a seus herdeiros, e foi o primeiro bárbaro a se tornar rei católico após a queda do Império Romano do Ocidente. Sua conversão ao catolicismo, sob o estímulo de sua esposa Clotilde, foi um ato de imensa importância na história subsequente da Europa.

17 setembro, 2021

O criador do romance geográfico

Júlio Verne (1828-1905), um dos romancistas mais imaginativos e populares. Espírito extraordinariamente curioso, foi um grande leitor. Nutria sua cultura nas enciclopédias e nos periódicos que lia sistematicamente todos os dias. Soube como ninguém revelar os sonhos da sua época, expondo as visões de um novo mundo.
Suas especulações baseavam-se numa documentação científica impressionante que acumulava antes de iniciar os seus romances. A essas pesquisas se associava uma imaginação literária e poética de grande sensibilidade político-social que valorizava a importância da ciência e da tecnologia.
Como disse o filósofo e escritor Michel Serres: "Desde a morte de Verne falta um escritor que dê à ciência o valor que ela merece". Até hoje, o próprio nome Júlio Verne evoca as imagens de um mundo onde o cientista era uma mente preocupada em preservar um futuro feliz e justo para a humanidade.
(...) Essa profunda admiração pela extraordinária megabiodiversidade é talvez um dos pontos mais objetivos da obra de Verne.
A própria obra de Júlio Verne, em virtude da sua preocupação com a geografia (não se deve esquecer que Verne foi membro da Société de Géographie de Paris), a razão pela qual Júlio Verne é considerado o criador do romance geográfico.
RRF Mourão
Arquivo
http://blogdopg.blogspot.com/2018/10/os-primeiros-teoricos-do-voo-espacial.html
http://blogdopg.blogspot.com/2008/06/o-farol.html
http://blogdopg.blogspot.com/2019/02/viagem-lua.html
http://blogdopg.blogspot.com/2014/01/unioes-perfeitas-2.html
http://2.º post 29/04/2021

30 julho, 2021

Contenciosos entre o Brasil e a França

1595. O corsário Toussaint Gurgel, de mãe francesa da Alsácia e pai alemão da Baviera, chega a Cabo Frio, Rio de Janeiro, comandando algumas naus a fim de reforçar o contingente francês, que lutava desde Villegaignon no intento (não alcançado) de fundar no Brasil a França Antártica. Derrotado, preso e depois posto em liberdade (graças à magnanimidade do comandante Botafogo), Toussaint Gurgel integrou-se na vida da colônia e casou-se com Domingas Amaral, filha de portugueses, e desse consórcio resultaram as famílias Amaral Gurgel e Gurgel do Amaral.
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2010/09/origem-da-familia-gurgel-do-amaral.html

A tentativa seguinte do Reino Franco foi implantar a França Equinocial no Maranhão, em 1594. Por intermédio de navegadores franceses, que eram negociantes particulares contando com o apoio do rei francês Francisco I. Após muitas batalhas, os franceses foram expulsos definitivamente, em 1615. Os franceses, contudo, jamais desistiram de fixar uma colônia na América do Sul. Finalmente, conseguiram fazê-lo no território que hoje é a Guiana Francesa, com a fundação de Caiena em 1637.
http://www.todamateria.com.br/franca-equinocial/

É bom lembrar. Foi Palheta quem trouxe da Guiana Francesa as primeiras mudas de café para o Brasil, em 1727. A história é rocambolesca, envolve todo tipo de favores por parte da esposa do então governador de Caiena, apaixonada pelo fazendeiro do Pará. Vale a publicação de uma thread no Twitter.
http://blogdopg.blogspot.com/2021/07/a-semente-do-ouro-negro.html c/ vídeo

Para se vingar da invasão napoleônica de Portugal, D. João VI também comandou negócios de contrabando, em 1809. E há, segundo Luiz Antonio Simas, uma história curiosa nessa treta.
Na Guiana Francesa havia o horto La Gabriela, onde eram cultivados os mais variados tipos de especiarias. Dom Rodrigo de Souza Coutinho, que cuidava dos hortos brasileiros, determinou que fossem transportadas de Caiena para o Brasil mudas de diversas plantas.
Foi assim que chegaram ao Brasil mudas de cravo da índia, canela, fruta-pão, noz moscada, cana caiena (caiana), abacateiro etc. As mudas - de 82 espécies - foram fundamentais para o desenvolvimento do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
http://twitter.com/simas_luiz/status/1165663171522289664

A Guerra da Lagosta, como a imprensa da época jocosamente denominou, foi um contencioso entre os governos do Brasil e da França, que se desenvolveu entre 1961 e 1963. O episódio faz parte da História das Relações Internacionais do Brasil, e girou em torno da captura ilegal de lagostas, por parte de embarcações de pesca francesas, em águas territoriais no litoral da região Nordeste do Brasil.
Em 1961, o então presidente da república brasileira, Jânio da Silva Quadros, preparou um plano secreto que envolvia o governador nomeado Moura Cavalcanti, do Amapá, para a invasão e consequente anexação brasileira da Guiana Francesa. A operação chegou a entrar em fase de treinamento militar, mas foi abortada pela inesperada renúncia de Quadros.
Ainda ensejou que o novo governo brasileiro (João Goulart) tomasse uma atitude de persuasão naval, determinando o envio de navios da Marinha do Brasil ao local da crise a fim de demonstrar que o País estava disposto a defender seus direitos. Finalmente, o conflito de interesses foi resolvido no campo da diplomacia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Lagosta

No contencioso anterior com a França, vencemos com a experiência que havíamos adquirido na Batalha de Itararé. O risco atual é sermos tentados a excluir a França da situação de país amazônico. E, nessa linha de raciocínio, querermos lhe expropiar a base de Kourou para compensar a besteira que fizemos, em 2019, quando cedemos aos gringos a nossa base espacial em Alcântara. Ora, a França divide com o Brasil a maior de suas fronteiras (673 km), e sabem o que isto representa em caso de confronto? Os e-books de história relatarão no futuro que o Brasil foi anexado à Guiana Francesa.

11 julho, 2021

A Semente do Ouro Negro

O café chegou ao Brasil no século XVIII, graças à viagem de um homem à Guiana Francesa: Francisco de Mello Palheta, nascido no Norte, em Vigia (PA).
Seguindo ordens do governador do Estado do Maranhão e do Grão-Pará, o sargento-mor Palheta vai à Guiana em 1721 com uma dupla missão: 1) localizar os marcos de terra na foz do Oiapoque que indicavam os limites entre o territórios português e francês; 2) trazer mudas ou sementes férteis do café cultivado em Caiena para o Brasil.
Esta segunda parte da missão era ultrassecreta, já que havia uma severa proibição local de fornecer mudas e grãos da planta aos portugueses. Sendo a hipótese mais plausível de como ele alcançou este objetivo: Palheta entrou em um jogo de sedução com a bela Marie Claude de Pontgibaud (Madame d'Orvilliers), mulher do governador de Caiena, a qual, antes de seu amante retornar ao Pará, decidiu retribuir-lhe os afetos com um punhado de sementes férteis do café.


05 junho, 2021

Aline (Christophe)



Aline, a balada do cantor francês Christophe, que morreu de Covid-19 em abril de 2020 — que Wes Anderson escolheu como parte da trilha sonora de seu último filme, The French Dispatch — foi sem dúvida a canção do verão de 1965 na França. Aquele amor com sabor de sal e despedida, a letra começa na praia, com a frase: “Eu tinha desenhado na areia seu rosto doce que sorria para mim”, nasceu na Côte d’Azur, de acordo com a Paris Match, que no ano do lançamento fotografou Daniel Bevilacqua (o nome verdadeiro do artista) com a jovem loira moradora de Paris que tinha inspirado sua composição. Segundo a revista, o casal se conheceu quando ele atuava em discotecas da região e ela estava lá de férias. Outras versões da história sugerem que a verdadeira Aline era a assistente do dentista do cantor e que ele escolheu seu nome pela sonoridade, sem que houvesse qualquer romance.

Ana Fernández Abad, para El País.

The French Dispatch se passa num jornal americano em uma cidade fictícia da França do século XX. Esta dá vida a uma coleção de histórias publicadas na "The French Dispatch Magazine". Uma carta de amor ao jornalismo. Trailer oficial

17 dezembro, 2020

Cometas no céu de Paris

A previsão de que haveria o reaparecimento de um grande cometa em 1857 causou uma onda de pânico na Europa, particularmente em Paris. As razões para isso eram um tanto obscuras. Algum tempo antes, alguns astrônomos haviam se convencido de que os cometas brilhantes que haviam sido vistos pelas gerações anteriores, em 1264 e 1556, eram de fato o mesmo (o "Charles-Quint"), e que esse cometa reapareceria em algum momento, no final da década de 1850. Mais tarde, um jornal francês evidentemente pegou uma previsão obscura, aparente e originalmente feita pelo alemão (ou belga) Laensberg, em seu Liege Almanac. Em sua edição da semana que começou em 15 de junho de 1857, Laensberg havia advertido: "a essa altura, espere um cometa". Através dos caprichos das reportagens, isso acabou sendo entendido como uma previsão específica de que não apenas o cometa apareceria naquela data, como também colidiria com a Terra e que isso resultaria no fim do mundo.
Embora essa previsão tenha sido tratada com desprezo por muitos, também foi levada muito a sério por grande parte da população. Observou-se com ironia na imprensa que, como resultado do pânico, "as mulheres abortaram, as colheitas foram negligenciadas, as vontades foram atendidas, as roupas à prova de cometas foram inventadas e uma companhia de seguros de vida cometária (prêmios com pagamento antecipado) tinha sido criada" .O eminente, mas propenso a erros, físico/astrônomo Jacques Babinet tentou conter o pânico, declarando - notavelmente pouco convincente - que o impacto do cometa não afetaria a estabilidade da Terra "mais do que um trem entrando em contato com uma mosca".

Cenário
Fig. 1: Honoré Daumier, "O astrônomo alemão lança um famoso canard", ilustração para Le Charivari, 17 de março de 1857.
Tudo isso foi um campo fértil para satiristas como o caricaturista francês Honoré Daumier. Ele zombou gentilmente da obsessão dos parisienses por cometas em uma série de desenhos publicados em Le Charivari, ao representar o prognosticador alemão como um mágico fazendo o truque de soltar um pato semelhante a um cometa. A piada, é claro, era que em francês "canard" (pato) também significa "embuste". Como era de se esperar, o tão temido cometa não chegou - nas palavras de Owen Gingerich, tornou-se "o Grande Cometa que nunca veio". Mas esse não foi o fim da história.


Cenário
Fig 2: Honoré Daumier, "Sr. Babinet, avisado por sua concierge da chegada do cometa", ilustração para Le Charivari, 22 de setembro de 1858.
Por coincidência, no ano seguinte, um cometa extraordinariamente brilhante foi avistado. Infelizmente para os preditores originais, não teve nada a ver com os cometas de 1264 ou 1556 e Daumier foi capaz de voltar ao seu tema com um famoso desenho mostrando o erudito Monsieur Babinet olhando atentamente para os céus com a ajuda de seu telescópio, enquanto a humilde  concierge (governanta) bate-lhe animadamente no ombro. Em um triunfo do senso comum sobre o aprendizado obscuro, ela está a apontar o cruelmente óbvio - o cometa real é claramente visível em outra posição no céu.

Extraído de: http://www.artinsociety.com/comets-in-art.html, por Philip McCouat

2014 http://blogdopg.blogspot.com/2014/10/in-cauda-venenum.html
2017 http://blogdopg.blogspot.com/2017/07/o-cometa-halley.html
2018 http://blogdopg.blogspot.com/2018/10/pilulas-do-cometa.html
2019 http://blogdopg.blogspot.com/2019/02/observacoes-cometarias-no-seculo-16.html
         http://blogdopg.blogspot.com/2019/05/pilulas-do-cometa-2.html
         http://blogdopg.blogspot.com/2019/10/a-figura-excepcional-de-halley.html
         http://blogdopg.blogspot.com/2019/11/a-visita-de-borisov.html

24 junho, 2020

Doçura

Muita gente gosta de Nutella. Mas não é por gostar do produto da Ferrero que se deve nomear uma criança de Nutella.
Um casal de franceses havia escolhido esse nome para uma filha. Na esperança de que ela se tornasse uma doçura de criança - como o creme de avelã com cacau de referência. As autoridades franceses, no entanto, não aceitaram registrá-la como Nutella. E um juiz prolatou que o nome era contrário aos interesses da criança, tendo em vista que ela seria alvo de zombarias por toda a vida.

Ficou decidido que os pais mudariam o nome da criança para Ella.

http://www.rd.com/culture/banned-baby-names