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07 novembro, 2025

Lô Borges (1952 - 2025)

Salomão Borges Filho, mais conhecido por Lô Borges, nasceu em 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, e tinha dez irmãos numa família com fortes vínculos musicais. Ainda adolescente, nos anos 1960, passava a maior parte do tempo no bairro de Santa Tereza, com os amigos, tocando violão em rodas que privilegiavam a bossa nova e o repertório dos Beatles.
Essa relação evoluiu para a formação do Clube da Esquina - a MPB de Minas Gerais.
No time, além de Lô, estavam seu irmão Márcio Borges, ao lado de Fernando Brant e Ronaldo Bastos, que eram os letristas da turma, os compositores Beto Guedes, Flávio Venturini e Tavito, o guitarrista Toninho Horta, o pianista e arranjador Wagner Tiso e o baixista Novelli. À frente do grupo, Milton Nascimento, que já gravava discos individuais e alcançara o sucesso nacional com a canção "Travessia".

Vídeo: Lô Borges em "Um café lá em casa", do violonista Nelson Faria

O artista morreu em Belo Horizonte, no último domingo (2), aos 73 anos, por falência múltipla de órgãos em decorrência de uma intoxicação medicamentosa.
Da obra de Lô Borges: 
"Feira moderna" (c/ Beto Guedes e Fernando Brant), "O trem azul" (c/ Fernando Brant), "Para Lennon e McCartney" (Márcio Borges e Fernando Brant), "Paisagem na janela" (c/ Fernando Brant) e "Quem sabe isso quer dizer amor" (c/ Márcio Borges), entre outras canções.

31 agosto, 2025

VER!SSIMO

Faleceu neste sábado (30), aos 88 anos, em decorrência de uma pneumonia, o escritor Luís Fernando Veríssimo, quando se encontrava internado no Hopital Moinhos de Vento, em Porto Alegre  Sua vida e sua múltipla obra deixaram um legado imenso para a cultura brasileira. Ele era muito mais do que um escritor; era um cronista agudo do cotidiano, um humorista refinado e um dos maiores expoentes da literatura contemporânea do país.
Era filho do também célebre escritor Érico Veríssimo, que escreveu a saga da terra gaúcha, "O Tempo e o Vento".

Uma vida dedicada às letras e ao humor
Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, Luís Fernando teve uma vida ligada à literatura desde a infância. Passou parte de sua adolescência nos Estados Unidos, onde seu pai lecionou, e retornou ao Brasil para trabalhar como jornalista e, mais tarde, se dedicar à literatura.
Era conhecido por sua personalidade reservada e por sua mente brilhante, que produzia algumas das críticas sociais mais perspicazes e engraçadas da imprensa nacional.

A múltipla obra: muito além das crônicas
A genialidade de Veríssimo se expressou em diversas frentes:
  • Crônicas e Humor. Sua coluna de jornal no "Zero Hora" era uma das mais lidas e aguardadas do Brasil. Coleções como "O Analista de Bagé" e "Comédias da Vida Pública" são antológicas. E seus personagens, como a Velhinha de Taubaté, Ed Mort e o Analista de Bagé, se tornaram ícones da cultura brasileira.
  • Romances e Contos. Sua ficção nestes gêneros é igualmente poderosa. Romances como "O Clube dos Anjos" (sobre um grupo de gourmets que se reúne para jantares finos) e "Borges e os Orangotangos Eternos" (uma mistura de romance policial e ensaio literário) demonstram sua erudição e capacidade narrativa.
  • Cartuns e Humor Gráfico. Também era um talentoso cartunista. Suas tiras, muitas vezes mudas, com traços simples e situações absurdas, expunham perfeitamente suas ideias. A série "As Cobras" é um exemplo disso.
  • Música e Outras Influências. Um amante declarado de jazz, tema que frequentemente permeava suas crônicas. Foi um músico (saxofonista) que dialogava com a banda "Jazz 6" em que tocava.
Repertório 0:56 - FOUR (Miles Davis) 6:27 - SAMBA DE VERÃO (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) 12:15 - FANTASY FOR DRUMS (Ray Lewis) 17:46 - DON'T GET AROUND MUCH ANYMORE (Duke Ellington) 24:53 - TAKE A TRAIN (Duke Ellington) 30:55 - A RÃ (João Donato e Caetano Veloso) 36:19 - HERE'S THAT A RAINY DAY (Jimmy Van Heusen e Johnny Burke) 41:52 - BLUE MONK (Thelonious Monk) 48:00 - BLUES FOR IG (Carry Campbell)

Seu legado e sua voz
O humor de Luís Fernando Veríssimo nunca foi apenas para fazer rir. Era um instrumento de crítica social e política. Ele usava o absurdo, a ironia e o nonsense para dissecar as hipocrisias, os costumes e os dilemas da vida moderna no Brasil. Sua capacidade de observar o óbvio e extrair dele uma conclusão hilária e profundamente verdadeira era seu dom maior.
Sua morte é uma perda irreparável. Ele era um farol de inteligência, lucidez e humor em tempos muitas vezes sombrios. Luís Fernando Veríssimo deixa uma obra vasta que continuará a fazer rir, pensar e encantar as gerações atuais e futuras. 

Relembre algumas de suas frases marcantes
  • Escrever não me dá prazer, gosto mesmo é de soprar saxofone.
  • Não gosto que me imponham coisas, e a velhice é uma imposição, uma prepotência do tempo. Sou contra.
  • Se o mundo está correndo para o abismo, chegue para o lado e deixe-o passar.
  • Vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca.
  • Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.
  • Depois de uma certa idade, é temerário fazer aniversário. Que agonia! Todo "parabéns" soa, mesmo dito numa boa, como ironia.
  • Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

26 agosto, 2025

Reverências e referências a Jaguar

Morreu neste domingo (24), aos 93 anos, Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, cartunista e um dos fundadores do semanário "O Pasquim" e da "Banda de Ipanema".


(por Renato Peters)

Todas as reverências a ele, dono do traço mais rebelde do cartum brasileiro, por Mário Lago Filho:
"Um exemplo do gênio Jaguar, no período mais tenebroso da ditadura militar.
E morreu tão jovem.
Isso porque ele nasceu em 29 de fevereiro e só comemorava o aniversário a cada quatro anos.
Portanto, tinha pouco mais de 23, e não os 93 que andam espalhando por aí."

+ Algumas referências no Blog EM:
2010 Por que bebes?
2012 Por favor, não apague a luz
2019 A anta de tênis e o cidadão de bem
2019 A censura prévia no Pasquim
2020 A "gripe" do Pasquim
2020 A feijoada no Bidê

14 fevereiro, 2025

Cacá Diegues (1940 - 2025)

Nascido em 19 de maio de 1940, em Maceió, Carlos José Fontes Diegues foi um dos fundadores do Cinema Novo. Esteve exilado na Itália e depois na França, após a promulgação do AI-5, em 1969, durante o regime militar.
Ao longo da carreira de cineasta, Cacá Diegues fez mais de 20 filmes de longa-metragem. Entre os mais premiados estão "Xica da Silva" (1976), "Bye Bye Brasil" (1980), "Veja esta canção" (1994) e "Tieta do Agreste" (1995).
Também são filmes dele: "Ganga Zumba" (1964), "Quando o carnaval chegar" (1972), "Joanna Francesa" (1973), "Chuvas de verão" (1978), "Quilombo" (1984), "Um trem para as estrelas" (1987), "Orfeu" (1999), "Deus é brasileiro" (2003), "O maior amor do mundo" (2005) e "O grande circo místico" (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima.
E deixou também, em fase de finalização, o longa "Deus ainda é brasileiro", com o ator Antônio Fagundes.
Além dos filmes, Cacá também se dedicou aos livros e publicou "Ideias e Imagens", em 1988; e "Vida de Cinema", com mais de 600 páginas sobre o Cinema Novo; e "Todo Domingo", uma coletânea de textos publicados por ele semanalmente no jornal O Globo, entre outras obras.
Em 2018, ele foi eleito para ocupar a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que pertenceu ao também cineasta Nelson Pereira dos Santos.
Cacá Diegues morreu na madrugada desta sexta-feira (14), aos 84 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia na próstata.

09 fevereiro, 2025

Ai, que saudade d'ocê

O cantor e compositor paraibano Vital Farias morreu, nesta quinta-feira (6), aos 82 anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa. O artista se mudou na década de 1970 para o Rio de Janeiro, onde se formou em Música.
Natural de Taperoá-PB, Vital Farias é compositor de inúmeros sucessos da MPB, gravados e regravados por renomados artistas brasileiros (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Fagner, Zeca Baleiro e Lucy Alves). Entre suas canções autorais mais conhecidas estão:
  • Canção em dois tempos (Era casa, era jardim)
  • Veja (Margarida)
  • Sete cantigas para voar
  • Caso você case
  • Ai, que saudade d'ocê (vídeo)

31 outubro, 2024

Arthur Moreira Lima (1940 - 2024)

Morreu, na noite de quarta-feira (30/10), o pianista Arthur Moreira Lima, aos 84 anos. A família do músico confirmou a informação, após duas semanas de internação no Imperial Hospital de Caridade, em Florianópolis (SC). Ele lutava contra um câncer no intestino.
Arthur Moreira Lima, considerado um dos maiores pianistas brasileiros, nasceu no Rio de Janeiro, em 1940. Ele começou a estudar piano aos 6 anos, tendo sido aluno de Lúcia Branco, também professora de Tom Jobim.
Em Varsóvia, na Polônia, em 1965, ficou em segundo lugar no concurso internacional de piano considerado o mais prestigiado do mundo, o Frédéric Chopin. Consagrou-se também em diversas outras disputas, como a Competição Internacional Tchaikovsky, de 1970, em que ficou em terceiro lugar.
Notabilizou-se também como um intérprete da música popular brasileira, gravando Ernesto Nazareth e clássicos do repertório do choro e do samba. O pianista também trabalhou no projeto "Um piano pela estrada", percorrendo o Brasil em um caminhão que virava palco.
Remêmora de "Um piano pela estrada", postagem de 9-1-2009 do blog EntreMentes
http://blogdopg.blogspot.com/2009/01/um-piano-pela-estrada.html
Desde 2003, o pianista Arthur Moreira Lima desenvolve este projeto responsável por levar a música erudita e a música popular de boa qualidade ao público brasileiro. Sendo o seu equipamento um caminhão, um palco móvel e, obviamente, um piano de cauda em que ele executa seus belos solos musicais por este Brasil afora.
Ontem à noite, em Fortaleza, no Parque do Cocó, Arthur deu o 281º concerto de "Um piano pela estrada". Para um público que vibrou muito com a apresentação que ele fez de peças de Bach, Beethoven, Chopin, Villa-Lobos, Radamés, Piazzolla, Nazareth, Gonzaga e Pixinguinha.
Durante o espetáculo, ao ver uma bandeira do Fluminense na plateia, o pianista (que é um dos torcedores célebres do tricolor das Laranjeiras) ficou eufórico e deixou escapar este comentário:
- Estão contratando, não sei se vai dar certo, mas estão contratando...
E sua apresentação no Parque do Cocó terminou com uma arrebatadora execução da Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro. (Paulo Gurgel)

27 outubro, 2024

Antonio Cícero (1945 - 2024)

"Espero ter vivido com dignidade e espero ter morrido com dignidade."
Antonio Cícero
Morreu na quarta-feira (23), aos 79 anos, o poeta Antonio Cícero Correia Lima, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nascido no Rio de Janeiro e filho de piauienses, era filósofo, escritor e letrista de muitas das canções que o Brasil canta. Com a cantora Marina Lima, sua irmã, compôs "Fullgás", "Acontecimentos" e "À Francesa", entre outros sucessos. A partir das composições em família, ele colecionou parceiros musicais como Lulu Santos e Sergio de Souza, com os quais compôs em 1984 o hit "O último romântico" (no vídeo abaixo, com Caetano Veloso e Jaques Morelenbaum).


Como compositor tinha mais de 300 canções registradas. Antonio Cícero era também crítico literário e entrou para a ABL (V. biografia), em agosto de 2017. Seu poema "Guardar" foi incluído na antologia "Os cem melhores poemas brasileiros do século", organizada por Ítalo Moriconi:
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado." (trecho)
Ele sofria de Alzheimer e se submeteu a um procedimento de morte assistida na Suíça (onde esse tipo de procedimento é permitido por lei). Aos amigos, Antonio Cícero deixou sua carta de despedida. 

12 outubro, 2024

Ary Christoni de Toledo (1937 - 2024)

Morreu aos 87 anos em São Paulo-SP, neste sábado, o humorista Ary Toledo. Ele fez carreira na televisão e no rádio contando piadas e histórias engraçadas.
O velório será hoje no Ossel Memorial, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, a partir das 19 horas. Ele será cremado.
Dois sucessos dele:
"PAU DE ARARA" (Comedor de Gilete), de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes;
http://youtu.be/c9RD8rmow1s?si=1z_0TzjOlpxZSr9r
"ROSINHA", do próprio humorista. (O final desta letra é surpreendente. Ou não, em se tratando de Ary Toledo.)
http://www.letras.mus.br/ary-toledo/451784/

07 setembro, 2024

Sergio Mendes (11/02/1941 - 06/09/2024), astro internacional

Nesta sexta-feira (6), morreu o músico Sergio Mendes, aos 83 anos, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A causa de sua morte não foi divulgada, mas sabe-se que vinha sofrendo com os problemas de uma Covid-19 de longa duração.
Nascido em Niterói-RJ, o brasileiro vivia há seis décadas em Los Angeles, com a mulher, a cantora Gracinha Leporace, com quem estava casado há mais de 50 anos. Ele deixa Gracinha, além de cinco filhos.
Sergio Mendes começou a carreira como pianista clássico, antes de ingressar na bossa nova. Em 1960, apresentando-se em jam sessions realizadas no "Little Club" (Beco das Garrafas, RJ).
Em 1966, gravou o LP "Herb Alpert presents Sergio Mendes & Brasil 66", que atingiu a vendagem de mais de um milhão de cópias e alcançou os primeiros lugares das paradas de sucesso norte-americanas, alavancado pelo sucesso da faixa "Mas que nada" (de Jorge Ben). Adiante, com o seu "Brasil 77", gravou o LP "País Tropical".
Alterando diversas vezes a formação do seu conjunto, formado por músicos brasileiros e norte-americanos, Sérgio Mendes tornou-se o grande divulgador internacional dos ritmos brasileiros, especialmente o samba e a bossa nova. 
O brasileiro ganhou um Grammy, dois Grammys latinos, e foi indicado ao Oscar em 2012 pela música "Real in Rio", do filme "Rio" (2011).

"Mas que nada" - Jorge Ben, Sérgio Mendes e Gilberto Gil

15 julho, 2024

Morre Sérgio Cabral

Morreu ontem Sérgio de Oliveira Cabral Santos (Rio de Janeiro, 27 de maio de 1937 – Rio de Janeiro, 14 de julho de 2024), jornalista, escritor e pesquisador. 
Ele trabalhou em jornais como O Globo, Última Hora e Diários Associados e foi um dos fundadores do semanário O Pasquim, um dos órgãos referenciais do humor e da crítica política no país.
Conviveu com artistas como Ary Barroso, Eliseth Cardoso, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Tom Jobim, entre outros importantes nomes da MPB, o que faz com que seus textos tenham um misto de história pesquisada e vivida.
No final da década de 1980, junto com Teresa Aragão, dirigiu os lendários shows do Teatro Opinião, reduto de resistência à ditadura no Rio de Janeiro. Os espetáculos, sempre às segundas, serviram de abertura para o público da Zona Sul carioca conhecer nomes geniais do samba, como Martinho da Vila (lançado por Sérgio Cabral), Nelson Cavaquinho, Cartola, Carlos Cachaça, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Rildo Hora, Dona Ivonne Lara, Marçal, Guilherme de Brito e Clementina de Jesus, entre muitos outros.
Seus livros (atualmente publicados pela Lazuli Editora) são considerados referências para todos aqueles que desejam conhecer os bastidores da cultura brasileira dos últimos 50 anos, por conta de sua linguagem acessível e direta e da intimidade que teve com algumas das maiores personalidades do período.

07 abril, 2024

Arquivo Z

Z de Ziraldo, cartunista,  jornalista, escritor e artista gráfico brasileiro.
Ziraldo Alves Pinto nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome de batismo vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, e de seu pai, Geraldo. Desde criança já mostrava talento para o desenho. Com seis anos, ele teve um de seus desenhos publicado no jornal "Folha de Minas".
Criador de A Turma do Pererê, que foi publicada primeiramente em cartuns em 1959, nas páginas da revista "O Cruzeiro". Depois, sob o nome de "Pererê", passou a ser publicada mensalmente a partir de outubro de 1960 até abril de 1964. "Pererê", que foi a primeira revista brasileira de histórias em quadrinhos totalmente colorida, conquistou rápido sucesso no Brasil. O que permitiu que fossem publicadas 43 edições em sua primeira série, com tiragens de 120 mil exemplares em média.
Em 1969, Ziraldo aceitou a proposta de fazer um livro infantil ilustrado em três dias. E criou Flicts - em apenas dois dias, a história de uma cor "diferente" (bege), que não conseguia se encaixar no arco-íris, nas bandeiras e em lugar nenhum. Até ser revelado que a Lua é flicts, pois bege é a cor da superfície lunar.
Em 1975, as histórias em quadrinhos com os personagens da Mata do Fundão voltaram a ser publicados, com o título de "A Turma do Pererê", pela Editora Abril. No entanto, esta segunda série foi cancelada em 1976, com apenas 10 edições. Desde então os quadrinhos do Pererê passaram a ser apenas republicados em almanaques nos anos seguintes, com poucas histórias ainda inéditas. Até que, em 1980, Ziraldo passou a dedicar-se às histórias do Menino Maluquinho.
Ziraldo Pinto foi também um dos fundadores do hebdomadário O Pasquim, (1969), um porta-voz da contracultura e da indignação intelectual com o regime militar, e do semanário Bundas (1999), uma sátira ao mundo das celebridades exposto em "Caras" ("Quem mostrou a bunda em Caras, não mostrará a cara em Bundas", segundo ele).


06/04/2024 - Dia triste para todos os meninos maluquinhos de Caratinga-MG e do Brasil. Aos 91 anos, foi-se Ziraldo, o Bom.

16 dezembro, 2023

Dos tempos heroicos da bossa nova

O cantor e compositor Carlos Eduardo Lyra Barbosa, ícone dos tempos heroicos da bossa nova (para citar uma expressão de Ruy Castro), morreu aos 90 anos, neste sábado, 16. Ele estava internado na UTI do Hospital Unimed Barra, no Rio de Janeiro, para o tratamento de uma septicemia.
Carioca do bairro de Botafogo, ele nasceu em 11 de maio de 1933. Ainda aluno do antigo segundo grau – o que hoje se chama de ensino médio – conheceu o compositor Roberto Menescal, com quem montou uma Academia de Violão, por onde passaram nomes como Marcos Valle, Edu Lobo e Nara Leão.
Ele entrou para o rol de ícones da bossa nova, ao lado de parceiros como Ronaldo Bôscoli, a dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes e o intérprete João Gilberto, todos representados no álbum "Chega de Saudade", lançado em 1959 e que consolidou o novo estilo musical para o porvir.
Carlos Lyra é autor de canções de sucesso, como "Você e Eu", "Coisa Mais Linda", "Influência do Jazz" (no vídeo abaixo de música instrumental, com ele ao violão e orquestra), "Maria Ninguém", "Minha Namorada", "Primavera", "Lobo Bobo", "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas", "Saudade Fez um Samba", "Se é Tarde me Perdoa", "Feio não é Bonito", "Samba do Carioca", entre outras.
Teve passagem também como diretor musical do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi um período em que entrou em contato com compositores populares como Zé Keti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e João do Vale. O hino da UNE é uma parceria de Lyra com Vinicius de Moraes.

(Ruy Castro, FOLHAPRESS) - Seja como for, esse corpo de canções, produzido em tão pouco tempo, foi suficiente para sustentar Carlos Lyra pelos 50 anos seguintes - período em que, por vários motivos, sua produção não se comparou à dos tempos heroicos da bossa nova. O que fez com que seu mais antigo parceiro (e cordial desafeto) Ronaldo Bôscoli assim o definisse: "Carlinhos Lyra é o contrário do vinho. Quanto mais moço, melhor".
Bôscoli sabia o que dizia. Os dois juntos, e mais uma plêiade de garotos por volta dos 20 anos, compunham uma turma que, naquela época, passava as noites no apartamento da quase adolescente Nara Leão, na avenida Atlântica, em Copacabana, para tocar violão, trocar acordes, cantar suas composições, rir muito e filar o uísque do dono da casa, pai de Nara. No futuro, dir-se-ia que a bossa nova nascera no apartamento de Nara. Mas Carlinhos, que vinha da pré-história do novo ritmo, sempre negou que tivesse sido assim. E acrescentava: "Nem a Nara nasceu no apartamento da Nara".

18 julho, 2023

João Donato nasceu para tocar

Faleceu ontem (17), aos 88 anos, o pianista, compositor e arranjador João Donato de Oliveira Neto (1934 - 2023). Estava internado para o tratamento de uma pneumonia. Seu corpo está sendo velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Trecho de Bossa nova combina com tudo, o memorável depoimento que João deu para a Folha de SP, em janeiro de 2008:
"Muitas histórias começam sob lonas de circo. A minha é mais uma delas. Foi num modesto picadeiro de Rio Branco, no Acre, que, sem tirar os olhos de um motoqueiro do Globo da Morte, pela primeira vez toquei acordeão em público. Era a década de 40, eu tinha menos de 10 anos de idade, e a única coisa que sabia fazer com alguma propriedade era obedecer a meu pai. Papai era um respeitado major da Aeronáutica – foi o primeiro acreano a tirar brevê – e havia traçado para mim um futuro de música e fama. Perseguia sua meta com sofreguidão. Ainda muito cedo descobri que isso é fundamental.
Nessa apresentação, o que eu realmente queria fazer era montar numa daquelas motocicletas prateadas e desafiar as leis da gravidade dentro da esfera de aço. Mas uma bailarina, uma menina, já estava pronta na arena, esperando meus primeiros acordes para se apresentar ante o respeitável público acreano. Naquele dia ouvi meus primeiros aplausos. Gostei.
Anos mais tarde, em São Paulo, dei de cara com a bailarina. Surpresos, rimos de nossas lembranças. Emocionado mesmo fiquei quando ela me contou que havia casado e já era mãe. O marido? O motoqueiro do Globo da Morte, Marcondes."
Nesta apresentação (vídeo) que ocorreu no Sesc Paulista em 06/12/2010, João Donato reafirma o nó geográfico que ele deu nesta parte do planeta com a música. Em seu piano sambista, educado em Debussy e doutorado em Stan Kenton, a América do jazz faz fronteira com o Caribe salseiro e a bossa Brasilis. E esta confluência nunca esteve tão nítida e fluída como no repertório escolhido para a apresentação, que inclui, o seu "Nasci para bailar" (c/ letra de Paulo André Barata), entre outras canções.


Foi parceiro de João Gilberto ("Minha saudade" e outras), Gilberto Gil ("Emoriô", "A Paz", "Bananeira" e outras), Caetano Veloso ("A Rã" e outras), Paulo César Pinheiro ("Ahiê" e outras), Chico Buarque ("Cadê você?"), Martinho da Vila ("Gaiolas abertas" e outras), Moraes Moreira ("Amor perfeito amor"), Marcos Valle ("Cadê Jodel?" e outras), Eumir Deodato ("Batuque") e Lysias Ênio, irmão de Donato ("Amazonas" e outras). 

João Donato "atravessou sete montanhas pra chegar ao mar porque nasceu, nasceu para tocar".

23 novembro, 2022

RIP, Pablo Milanés

Pablo Milanés Arias (Bayamo, 24 de fevereiro de 1943 - Madrid, 22 de novembro de 2022) foi um cantor e violonista cubano.
As origens musicais de Pablo Milanés remontam à sua infância, em Bayamo, cidade onde nasceu em 24 de fevereiro de 1943 e, quando criança, começou a cantar nas estações de rádio. Pablo ganhou um concurso de música na rádio CMXK, aos 6 anos, cantando um corrido mexicano: "Juan Charrasqueado".
A transferência de sua família para Havana, no início dos anos 50, significou seu contato com artistas populares e grupos tradicionais. Embora tivesse alguns anos de formação acadêmica no Conservatório Municipal de Havana, foram principalmente os músicos de rua, do seu bairro e dos cafés que frequentava, que incutiram no jovem Pablo a diversidade e a riqueza sonora.
No início da década de 1960, começou a compor a partir de múltiplas influências recebidas, tais como: da tradicional música cubana, da música norte-americana (principalmente o jazz) e da música brasileira.
Gravou sem primeiro disco em 1965. E foi também um dos fundadores do Movimento Nueva Trova.
Sua obra musical está contida em mais de 40 álbuns que contêm canções emblemáticas como "Yolanda"(vídeo), "Canción por la Unidad Latinoamericana"(*), "Yo no ti pido", "Pobre del cantor", "Yo pisaré las calles nuevamente" e muitas outras.
Este legado constitui uma grandiosa referência para a identidade e a cultura cubanas e suas canções e interpretações magistrais integram, por direito próprio, a trilha sonora da Revolução Cubana.
Sua última apresentação em Cuba foi num concerto na Cidade Desportiva de Havana, em 21 de junho de 2022.
Pablo internou-se no dia 13 de novembro em Madri para tratar uma doença oncohematológica que vinha sofrendo há vários anos. No dia 22 de novembro, ele faleceu das intercorrências.



(*) Em 1978, Chico Buarque de Hollanda foi chamado para ser jurado do Prêmio Literário da Casa das Américas, em Cuba, e aproveitou para buscar uma aproximação cultural com o país caribenho, que vivera seu processo revolucionário há 25 anos, criando uma versão para a música "Canción por la Unidad Latinoamericana", de Pablo Milanés.

13 novembro, 2022

Seu nome é Gal

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto quando ela era adolescente, não teve influência sobre suas escolhas.
No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal e artístico com ele, que perduraria até a morte.
João Gilberto, cujo perfeccionismo se tornou anedótico, ao ouvi-la cantando então cravou: "você é a maior cantora do Brasil".
Além de Caetano Veloso, Gal aproximou-se também dos baianos Maria Bethânia e Gilberto Gil, com os quais integraria o grupo conhecido como "Doces Bárbaros", responsável mais tarde por um dos discos representativos da década de 1970.
Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Gal foi uma revolução nas vozes e nos costumes da música brasileira desde seu surgimento na cena nacional.
Ela faleceu em sua casa, em São Paulo, na manhã da última quarta-feira, aos 77 anos.
A seu respeito, Ricardo Cravo Albin, presidente do Instituto Cultural Cravo Albin, publicou a seguinte nota:
O Instituto Cultural Cravo Albin faz pública sua imensa tristeza pelo desaparecimento de um dos maiores ícones da MPB.
Dizer-se que Gal Costa foi apenas uma das maiores cantoras brasileiras será pouco.
A Gracinha de todos nós foi personagem contemporâneo do Brasil desde que surgiu, em meados dos anos 60 no Rio de Janeiro, deslumbrando o país por inteiro.
Falar de seus discos imortais, de seus shows, alguns dos melhores já montados no país, e de sua vivacidade ao escolher o repertório realçando e revelando sempre o melhor de seu tempo e de sua vivência será fundamental para bem apreciarmos o vulto gigantesco que nos fará tanta falta a partir de agora.

Minhas preferências
Divino Maravilhoso, Baby, Que pena, Meu nome é Gal, Pérola Negra, Não Identificado, Como dois e dois, Sua estupidez, Só louco, Sonho meu, Aquarela do Brasil, Índia, Festa do Interior, Brasil, Folhetim (vídeo), Força estranha, A história de Lili Braun, Vapor barato, Volta, Meu bem, meu mal, Sorte, Balancê, Bloco do prazer, Último blues, Mil perdões


Notas anteriores
2009: http://blogdopg.blogspot.com/2009/11/nao-adianta-nem-me-abandonar.html
2012: http://blogdopg.blogspot.com/2012/08/espinha-de-bacalhau.html
2019: http://blogdopg.blogspot.com/2019/01/o-amor.html
2022: http://blogdopg.blogspot.com/2022/04/flores-do-cerrado.html

11 novembro, 2022

Morre um pouco da alma brasileira

Rolando Boldrin (22 de outubro de 1936, São Joaquim da Barra/SP - 9 de novembro de 2022, São Paulo/SP), apresentador, ator, cantor e compositor brasileiro.
Boldrin debutou na música, em 1960, como participante do disco de sua futura esposa, que se tornou sua produtora na época, Lurdinha Pereira. Em 1974, lançou seu primeiro disco solo, pela Continental, "O Cantadô".
Boldrin gravou principalmente toadas, cateretês e músicas de viola. Um de seus maiores sucessos foi "Vide Vida Marvada", de 1981: "É que a viola fala alto no meu peito humano / E toda mágoa é um mistério fora desse plano". 
Como ator de televisão, entre as décadas de 1960 e 1980, Boldrin atuou em diversas novelas das TVs Record, Tupi e Bandeirantes (em aproximadamente 30 novelas). Ele atuou ao lado de Lima Duarte, Laura Cardoso e muitos outros nomes.
E foi pioneiro da apresentação televisiva da autêntica música popular. Esteve à frente dos programas Som Brasil (TV Globo, 1981-1984), Empório Brasileiro (TV Bandeirantes, 1984-1986), Empório Brasil (SBT, 1989-1990) Estação Brasil (TV Gazeta c/ Rede CNT, 1995-1996). Seu ultimo trabalho como apresentador foi no programa Sr. Brasil (2005-2022) pela TV Cultura de São Paulo.


Boldrin no "Som Brasil", com o compositor cearense Luiz Sérgio, autor de "Saúde de Ferro"

Em 2010, foi homenageado no carnaval de São Paulo pela "Pérola Negra", escola de samba de Vila Madalena, com o enredo "Vamos tirar o Brasil da gaveta".
Aproveitando o espaço que dispunha na televisão, foi um dos maiores divulgadores da música regional brasileira. Rolando Boldrin contava "causos", dançava e exibia peças teatrais e pequenos documentários. Mas o destaque eram as atrações musicais, cujo repertório incluía músicas de cantores e compositores que tinham como fonte a cultura popular brasileira.
Ele morreu ontem, aos 86 anos.

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06 agosto, 2022

Jô Soares (in memoriam)

José Eugênio Soares
(16/01/1938, RJ - 05/08/2022, SP)
Morreu Jô Soares aos 84 anos, na madrugada desta sexta-feira (5), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado para o tratamento de uma pneumonia.
Ator, jornalista, escritor, poliglota, apresentador de televisão, diretor de teatro, artista plástico e torcedor do Fluminense, o multifacetado Jô Soares foi um ícone do entretenimento no Brasil.
Sua estréia no cinema se deu em 1958, no papel de um americano em "O Homem do Sputinik", filme de Carlos Manga estrelado por Oscarito.
Em 1961, começou a trabalhar na TV Record, interpretando o mordomo de "A Família Trapo", seriado que ele escrevia com Carlos Alberto de Nóbrega.
A partir de 1970, ele passou a atuar em programas humorísticos da TV Globo. Dentre os quais, "Faça Humor, Não Faça a Guerra", "Satiricom", "Planeta dos Homens" e, usando o peso em seu favor, "Viva o Gordo".
Os principais personagens de sua carreira, além do mordomo Gordon, foram: Dr. Sardinha (inspirado no ex-ministro Delfim Netto), Sebá ("cognome Pierre"), Irmão Carmelo ("Cala a boca, Batista!"), Capitão Gay (super-herói homossexual), Bô Francineide ("E pensar que saí dela!"), Reizinho ("sois rei?"), Dorival ("Tem pai que é cego!"), Zé da Galera ("Bota ponta, Telê!"), Gardelón (famoso pelo bordão "Muy amigo!").
Em 1987, ele deixou a Globo e foi trabalhar no SBT, onde realizou um sonho que acalentava há anos: apresentar um programa de entrevistas inspirado nos talk-shows americanos, o "Jô Soares Onze e Meia".
Em 2000, o humorista voltou à Globo para comandar o "Programa do Jô", um talk-show na linha do programa anterior. O novo programa contava com a participação do "Sexteto", grupo formado pelos músicos Derico (sax), Bira (baixo), Miltinho (bateria), Tomatti (guitarra), Chico Oliveira (trompete) e o maestro Osmar (teclados), além do garçom Alex.
Como jornalista, Jô Soares trabalhou nos jornais Última Hora, Folha de SP e na revista Veja.
E, como autor de livros, ele deixou dez livros publicados. Dentre os mais populares, estão o "O Xangô de Baker Street" (1995), que virou filme, "O Homem que Matou Getúlio Vargas" (1998), "Assassinatos na Academia de Letras" (2005) e "O Livro De Jô - Uma Autobiografia Desautorizada", publicada em dois volumes em 2017 e 2018.
Descanse em paz, Jô Soares. Obrigado por tudo e... um beijo do ex-gordo que sou. Uau!
Fonte: http://memoriaglobo.globo.com/perfil/jo-soares/noticia/jo-soares.ghtml

Em 1990, quando escrevi "O brasileiro cordial", enviei uma cópia da crônica à produção do programa “Jô Soares Onze e Meia”. Era costume de Jô Soares, em seu "talk-show" no SBT, ler alguma colaboração humorística antes de iniciar as entrevistas do programa. Através de amigos, soube depois que, num de seus programas, o entrevistador-humorista havia lido o meu texto. Como não assisti à edição do programa em que isso aconteceu, dou testemunho apenas por ouvir dizer.
Leia "O brasileiro cordial" no Preblog.

22 janeiro, 2022

Texto para Elza

por Chico Buarque de Hollanda

Se acaso você chegasse a um bairro residencial de Roma e desse com uma pelada de meninos brasileiros no meio da rua, não teria dúvida: ali morava Elza Soares com Garrincha, mais penca de filhos e afilhados trazidos do Rio em 1969.

Aplaudida de pé no Teatro Sistina, dias mais tarde Elza alugou apartamento na cidade e foi ficando, ficando e ficando. Se acaso você chegasse ao Teatro Record em 68 e fosse apresentado a Elza, ficaria mudo. E ficaria besta quando ela soltasse gargalhada e cantasse: "Elza desatinou, viu".

Se acaso você chegasse a Londres em 1999 e visse Elza Soares entrar no Royal Albert Hall em cadeira de rodas, não acreditaria que ela pudesse subir ao palco. Subiu e sambou "de maillot apertadíssimo e semi-transparente", nas palavras de um jornalista português.

Se acaso você chegasse ao Canecão em 2002 e visse Elza Soares cantar que a carne mais barata do mercado é a carne negra, ficaria arrepiado. Tanto quanto anos antes, ao ouvi-la em "Língua" com Caetano.

Se acaso você chegasse a uma estação de metrô em Paris e ouvisse alguém às suas costas cantar Elza desatinou, pensaria que estava sonhando. Mas era Elza Soares nos anos 80, apresentando seu jovem manager e os novos olhos cor de esmeralda.

Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando "Se acaso você chegasse", saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares.

Thread por Hildegard Angel

Em 20 de junho de 1964, o DOPS invadiu a casa de Elza Soares e Garrincha. Elza era amiga de JK e havia estado com João Goulart no Comício da Central e na sede do Automóvel Clube. Garrincha estava com Elza para o que desse e viesse. 

O mainá tem seu pescoço torcido.
Garrincha observa o gesto e chora.
O último a sair agarra Mané e afirma:
"Se abrir o bico vai ficar que nem esse passarinho!"

A família fugiu para a Itália, onde ficaram amigos de Chico Buarque e Marieta Severo.

In: "O dia em que a ditadura matou Mané Garrincha", por Roberto Vieira

REST IN POWER, ELZA.

01 janeiro, 2022

Jon, um explorador moderno

Jon (Jonco), 73, morreu em 28 de dezembro de 2021.
Ele era filho do falecido Benjamin e Ruth. Ele foi precedido na morte por suas sobrinhas Melissa e Renee, e por sua neta Samantha. Ele deixa sua esposa de 53 anos, Pat, filho Dave (Staci), filha Kris (Seth), irmão Paul (Janis) cunhada Gail (Mike), bem como seus netos Renly (Melanie), Seth (Sarah), Vince (Mady) e Logan (Joe). Ele também era amado por muitas sobrinhas, sobrinhos, primos, parentes, amigos e muito mais.
Jon e sua esposa, Pat, foram donos de uma série de pequenas mercearias na cidade de St. Louis por 40 anos. Ele sempre teve paixão por computadores e qualquer tipo de tecnologia, e por atualizar-se para o que há de melhor e mais recente. Ele era uma pessoa do povo e adorava se comunicar, desde começar seu próprio jornal quando criança à construção de sites na web, a escrever blogs que são vistos em todo o mundo. Ele era um membro leal e antigo da Irmandade dos Glutões e adorava se reunir com seus amigos Glutões. Ele foi uma figura paterna e mentor para muitos - sempre disposto a dar ouvidos e dar os conselhos mais abertos que pudesse, mesmo que não fosse o que você queria ou esperava. Ele amava seu cachorro, Buster. Ele gostava especialmente de se reunir com a família e jogar.
Ele e Pat visitaram 48 estados juntos, mais notavelmente um cruzeiro no Alasca por ocasião de seu 50.º aniversário. Ele adorava todas as coisas a ver com St. Louis, e eles tinham muitos encontros lá. Ele era um explorador moderno - pesquisando e vasculhando a web em busca de pedaços e peças divertidas para compartilhar com seus milhares de seguidores de blogs. Ele celebrou o talento em todas as formas. Ele era extremamente criativo, inteligente, espirituoso e adorava estar atrás de uma câmera ou microfone. Ele era um contador de histórias, um elogioso, um mestre de curiosidades, um pai adotivo, um profissional shopper, um cinegrafista, um amante do cinema e cineasta, um entusiasta da magia, um fã de Elvis, um membro de um grupo de jantar, um bombardeiro fotográfico, um piloto de drone, um torcedor atlético, um professor, um aluno, um inventor, um pensador e um consumidor de todas as partes da vida. Ele amava aventura; voar, paraquedismo, andar de balão de ar quente, mergulho, motociclismo e dirigir seu Tesla.
Sua lista de conselhos de vida para os outros (em suas próprias palavras): "Encontre coisas para rir. Passe algum tempo com a família e amigos. Não deixe ninguém estragar o seu dia. Trate as pessoas da maneira como deseja ser tratado. Como você reage às coisas que acontecem na vida é muito mais importante do que as coisas que acontecem. Pratique atos aleatórios de bondade. Pague a refeição de alguém em um restaurante drive-thru. Lembre-se de que você nem sempre está certo e eles nem sempre estão errados; as pessoas dizem as coisas de suas próprias perspectivas".
Jon apoiou muitas causas e especialmente aquelas que eram importantes para seus amigos e familiares, portanto, a esse respeito - todas as doações devem ser direcionadas para a instituição de caridade local de sua escolha.

Necrológio publicado no Bits and Pieces

30 maio, 2021

O Sargento do samba

Nelson Mattos (25/7/1924 Rio de Janeiro, RJ - 27/5/2021 Rio de Janeiro, RJ)
Compositor. Cantor. Escritor. Pintor. Músico. Ator.
O garoto que aprendeu a tocar violão desde cedo e que compunha com seu padrasto, o letrista Alfredo Português, passou a integrar em 1942 a ala de compositores de Mangueira. E logo se tornaria um dos baluartes desta escola, tendo composto alguns de seus sambas-enredos mais importantes.
Foi sargento do Exército de 1945 a 1949, daí o apelido que tomou como nome artístico após ter participado do musical "Rosa de Ouro".


O sambista morreu na quinta-feira (27), aos 96 anos, no Rio de Janeiro, por complicações da Covid-19. Era o autor de "Agoniza mas não morre", uma espécie de hino à resiliência do samba, "Canto à natureza", "Falso amor sincero" ("O nosso amor é tão bonito / Ela finge que me ama/ E eu finjo que acredito'), "A felicidade se foi" e muitas outras canções. Nelson Sargento compôs mais de quatrocentos sambas e era presidente de honra do G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira.