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24 julho, 2026

Nosso "Barretão"

Luiz Carlos Barreto, cearense de Sobral - Ceará, nasceu em 20 de maio de 1928. Foi repórter e fotógrafo da revista "O Cruzeiro", nos anos 1950 até 1963, e diretor de cinema.
Começou no cinema em 1961, como co-autor do roteiro e co-produtor do filme "Assalto ao Trem Pagador", dirigido por Roberto Farias. Essa película obteve um enorme sucesso, tanto no Brasil, como no exterior. A partir de então começou uma série de grande produções cinematográficas, divididas com uma importante atividade política e cultural.
Conhecido como "Barretão", ele esteve por trás de clássicos do Cinema Novo ("O Padre e a Moça", "Terra em Transe"), de adaptações literárias consagradas ("A hora e a vez de Augusto Matraga", "Dona Flor e seus dois maridos", "Luzia Homem") e de filmes que levaram o Brasil ao Oscar, consolidando uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à produção cinematográfica.
Além dos filmes que marcam sua carreira como produtor, foi pai de Bruno Barreto e Fábio Barreto - dois diretores da geração pós-Cinema Novo - e de Paula Barreto, formada em Comunicação Social.
Internado no Hospital Copa Star para tratar de uma infecção pulmonar, Barreto morreu em 22 de julho de 2026, aos 98 anos, no Rio de Janeiro.


Ele era militante do Partido dos Trabalhadores.
"Em reconhecimento à sua obra e à sua contribuição para a cultura brasileira, decreto luto oficial de três dias", escreveu o presidente Lula em sua rede social. Destacando a atuação de Barreto desde o Cinema Novo, movimento que ganhou força nos anos 1960 e do qual o produtor participou com obras como "Vidas Secas" e "Terra em Transe".
O presidente afirmou que Barreto teve um papel central na produção cinematográfica brasileira e ajudou a revelar talentos e viabilizar produções que marcaram época. E também citou filmes como "Dona Flor e seus dois maridos", "O Quatrilho" e "O que é isso, companheiro?", produções associadas à trajetória profissional de Barretão.
Os dois últimos levaram o Brasil à disputa do Oscar de melhor filme internacional.
Segundo o presidente, o produtor LC Barreto também se destacou pela defesa do audiovisual brasileiro e por atuar em favor de políticas públicas para o setor.

03 julho, 2026

Geólogos na tela do cinema

Um grupo de geólogos suecos vem monitorando como os geólogos são retratados no cinema. Você pode pensar que a profissão é rara, e relativamente pode ser, mas eles compilaram uma lista de 141 filmes com 202 geólogos entre 1919 e 2023. Eles aparecem em todos os gêneros, mas com mais frequência em filmes de aventura. Esses papéis são classificados por idade, sexo, raça, época, se são "os mocinhos" e até mesmo como se vestem.
No entanto, os geólogos morrem em filmes em uma taxa alarmante, 34,2%, e frequentemente no início da história. Assassinato é a causa mais provável. Isso pode ser porque a função de um geólogo muitas vezes é dar más notícias científicas e preparar o terreno para a aventura, depois da qual eles se tornam supérfluos. 
E os trocadilhos surgem facilmente: Morto e enterrado. Explorado por seu valor sedimentar. Um geólogo deveria entrar para uma banda porque eles arrasam. Gnaisse. Foi culpa deles.
Os dados mostram que ser um "vilão" aumenta o risco de morte de um geólogo no cinema para 77%. Ainda não está claro como a sobrevivência de geólogos em filmes se compara à de outras profissões, mas este artigo foi escrito por geólogos para geólogos na revista Geology Today.

07 junho, 2026

A Cachoeira Humana de 1933

Voltemos 93 anos (poderíamos até chamar de um século), quando o filme "Footlight Parade" foi lançado nos EUA. Embora o enredo não tenha nada de extraordinário (um produtor em dificuldades interpretado por James Cagney, em conflito com o mundo), este filme apresentava uma sequência de nado sincronizado, ao estilo de Busby Berkeley, simplesmente incrível.


Uma nota sobre o elenco:
Dorothy Lamour, que inspirou Petrúcio Maia e Fausto Nilo à canção homônima (ft. Ednardo), estava entre as muitas coristas do filme. Foi a estreia de Lamour no cinema.

18 abril, 2026

Chico Buarque - Ele Faz Cinema

Autor: Carlos Alberto Mattos, crítico e pesquisador de cinema
Este site-livro é o resultado de um trabalho de pesquisa, que se encontra disponível gratuitamente e sem qualquer caráter comercial.
Divide-se em oito seções apresentando: a música de Chico no cinema (por meio de trilhas); o cinema na música de Chico (as referências da música do compositor na sétima arte); os livros de Chico no cinema (adaptações de sua obra literária); o cinema nos livros de Chico (alusões ao cinema em seus livros); o teatro de Chico no cinema (trabalhos do músico no teatro levado às telas); Chico ator de cinema; a vida de Chico no cinema (documentários e programas dos quais é protagonista); e o cinema na vida de Chico (ou como a sétima arte permeou sua vida).
Numa conta sempre sujeita a omissões, Mattos localizou 60 títulos, entre filmes de ficção e documentários, longas e curtas-metragens, com canções de Chico em suas trilhas musicais. O primeiro deles foi há exatos 60 anos, quando ele compôs a trilha para o filme "O Anjo Assassino" (1966).

26 setembro, 2025

Mas um dia...

Que dia, meus leitores!
A censura do Cine Familiar deixou passar um filme que o menino aqui quase não acreditou. Com Cleópatra sendo entregue ao imperador romano embrulhada num tapete (o Sedex da época). Com a beldade egípcia nua em pelo, digo, em película como foi constatado ao abrir César o presente.
Mas acho que isso só aconteceu no Cine Familiar por que se tratava da cena final.
O bonequinho viu e aplaudiu.

Romances, pinturas, séries e filmes nos transmitiram a popular imagem de Cleópatra saindo de um tapete, mas na verdade isso se deve a um erro na tradução, feita em 1770, da obra de Plutarco.


O que o historiador grego registrou:
Cleópatra, com apenas um dos seus amigos com ela, Apolodoro, o siciliano, embarcou em um pequeno barco e chegou ao palácio quando já estava anoitecendo.
Como não parecia haver outra maneira de entrar sem ser vista, ela entrou dentro de um saco (de dormir?). E, depois de amarrar o saco, Apolodoro levou-a para César.
Este pequeno truque de Cleópatra, que mostrava à primeira vista a sua impudícia provocante, diz-se que foi a primeira coisa que cativou César. (Vidas, César, Capítulo 49)
Parece que ela e César sentiram uma afinidade instantânea e, na manhã seguinte, quando Ptolomeu XIII chegou para se encontrar com César, este e Cleópatra já tinham chegado a um acordo.

19 junho, 2025

Dia do Cinema Brasileiro(2025)

Em 1898, o italiano Afonso Segreto filmou "Uma vista da Baia de Guanabara", considerado o primeiro filme feito no Brasil. As imagens foram captadas em 19 de junho, que passou a ser o dia da celebração de nosso cinema.

Da esquerda para a direita:
Em pé: José Mojica, Rodrigo Santoro, Marieta Severo e Sonia Braga
Sentados: Wagner Moura, Renato Aragão (com Norma Bengell no quadro), Fernanda e Mazarópi
No chão: Douglas Silva (com Grande Otelo no quadro)

Sei que não dá para incluir na homenagem todos os que são merecedores, mas o José Wilker poderia estar aí. Como Vadinho, de "Dona Flor", ou como Lorde Cigano, de "Bye Bye Brasil", tanto faz.

Em 2025, Wagner Moura tornou-se o primeiro ator brasileiro a vencer o prêmio de atuação masculina no Festival de Cannes. No filme "O Agente Secreto", cujo prêmio de melhor direção coube ao cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho.

22 outubro, 2024

Paul O'Toole

FamilySearch me convida a subir uma foto. Com ela promete localizar em seus arquivos um sósia meu famoso.

Veio uma foto do ator britânico de ascendência irlandesa, Peter O'Toole (1932-2013), que fez "Lawrence da Arábia" no cinema.

A verossimilhança é 35% (sic).

12 agosto, 2024

Áudios e legendas

Lauren Weinstein, Mastodon

Um dos aspectos das séries de televisão comerciais dos anos 60 e 70 (e, em certa medida, também um pouco mais tarde) era o fato de os produtores não sentirem a necessidade de pontuar CADA SEGUNDO DE CADA FILME.

Ao vermos clássicos como "Columbo" e o original "Havaí 5.0", reparamos como o áudio é tão claro e as conversas são fáceis de ouvir e compreender, sem música contínua por baixo (ou por vezes por cima) de praticamente tudo o que alguém está a dizer.

É frequente observar o tempo que estes programas conseguiam aguentar com um plano contínuo sem cortes, enquanto os programas "modernos" sentem a necessidade de irritantes cortes múltiplos por segundo na maior parte do tempo.

Mas a questão do áudio é mais básica. Quando há uma partitura contínua (quer estejam ou não envolvidos sintetizadores de baixa qualidade), manter a noção do que está a ser dito pode ser uma confusão.

E isto não é apenas um problema para os espectadores mais velhos. Os inquéritos revelam que uma percentagem surpreendentemente elevada de todos os grupos etários deixa agora as legendas ativas por rotina, porque a dificuldade em ouvir e compreender os diálogos tornou-se tão intensa nas séries de televisão e filmes modernos (sendo que, na maioria dos casos, estes últimos nem sequer oferecem legendas práticas nas salas de cinema).

"Consegue ouvir-me agora?"

19 junho, 2024

Chico, que completa 80 anos, e o Cinema Brasileiro

Em 1966, Chico Buarque fez seu primeiro trabalho para cinema compondo as canções para o filme "Anjo assassino", de Dionisio Azevedo.
Em 1980, chegou às telas o documentário "Certas palavras", de Mauricio Beiru, sobre sua vida.
Escreveu os roteiros de "Os saltimbancos trapalhões", de J. B. Tanko (1981), "Para viver um grande amor" (1983) e Ópera do malandro", de Ruy Guerra (1986), e Budapeste (2009).
Como ator, participou de "Garota de Ipanema", de Leon Hirzman (1967); "Quando o carnaval chegar", de Cacá Diegues (1972) - para o qual compôs diversas canções além de organizar as peladas nos intervalos da filmagem; "Vai trabalhar vagabundo II – A volta", de Hugo Carvana (1991); "Ed Mort", de Alain Fresnot (1996); "O mandarim", de Júlio Bressane (1995); "Água e sal", de Teresa Villaverde (2001).
Compôs dezenas de canções para filmes ("Bye bye, Brasil", "A noiva da cidade", "República dos assassinos", "Perdoa-me por me traíres", "Dona Flor e seus dois maridos", "O Grande Circo Místico", "A ostra e o vento", "Joana Francesa", "Eles não usam black-tie" e muitos outros). 
E participou de diversos documentários:
"O povo brasileiro", de Isa Grinspum Ferraz (2000); "Raízes do Brasil", uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda, de Nelson Pereira dos Santos (2003); "Vinicius de Moraes", de Miguel Faria Jr. (2005); "Fados", de Carlos Saura (2005); "Maria Bethânia: Música é perfume", de Georges Gachot (2005); "O Sol - Caminhando contra o vento", de Tetê Moraes e Martha Alencar (2006); "Oscar Niemeyer - A vida é um Sopro", de Fabiano Maciel (2007); "Palavra encantada", de Helena Solberg (2009); e "Chico - Artista Brasileiro", de Miguel Faria Jr. (2015).
[lista em elaboração até 19/06/2024]

14 maio, 2024

Uma foto para o anuário escolar

Sigourney Weaver é popularmente conhecida como uma famosa atriz americana com vários prêmios em sua carreira. Ela é reconhecida principalmente por seu trabalho em filmes como "Alien", "Caça-Fantasmas" e "Avatar". Mas muito antes de entrar no mundo do cinema, ela desejava uma vida que não fosse comum. Quando estava se formando no ensino médio, ela tirou esta foto para o anuário escolar. Mas a verdadeira pérola foi a sua citação: "Por favor, Deus, por favor, não me deixe ser normal!".

19 junho, 2023

O cinema brasileiro

Começa oficialmente em 19 de junho de 1898 a história do cinema brasileiro. Quando foram gravadas as primeiras imagens com um cinematógrafo no Brasil pelo italiano Afonso Segreto.
Há 125 anos, portanto.
O cinematógrafo foi inventado pelos irmãos Lumière, os pais do cinema, em 1895. Ao chegar ao Brasil, Segreto filmou a Baía da Guanabara.
Infelizmente, esse filme foi perdido.

07 junho, 2023

Cinerama

O Cinerama era um processo popular de tela panorâmica que pode ser considerado um antecessor das telas modernas de IMAX. No entanto, era bastante complicado de operar e exigia três projetores perfeitamente sincronizados, todos alinhados entre si para projetar o filme. Inventado pelo fotógrafo da cidade de Nova Iorque Fred Waller, eram necessários os esforços de três projecionistas extremamente qualificados nos pontos em que ficavam os projetores para fazer com que o equipamento e o processo do filme Cinerama funcionassem corretamente.


O primeiro filme em cinerama, 'This Is Cinerama", foi apresentado em Nova Iorque em 1952. Infelizmente, os custos desse processo eram proibitivos e a maioria dos cinemas relutava em gastar tanto dinheiro com as atualizações de máquinas e com a equipe extra para projetar os filmes. Eventualmente, muitos poucos filmes foram gravados no formato Cinerama e o processo foi abandonado na década de 1960.

http://www.tudoporemail.com.br Cinerama (busca)
https://youtu.be/3xK2tkFngkU Roller Coaster (versão restaurada)

06 novembro, 2022

Bando de Tangarás e Almirante

O Bando de Tangarás foi um conjunto vocal e instrumental organizado no Rio de Janeiro em 1929. Seus integrantes eram Almirante (vocal), Braguinha (tambor), Henrique Brito (violão), Noel Rosa (violão) e Alvinho (violão). O nome foi inspirado na lenda dos tangarás, pássaros "cantadores" e "dançarinos" que, em grupo de cinco com quatro numa roda e o quinto no centro (personificado no conjunto por Almirante), saltitam, dançam e cantam alegremente. [1]
O grupo escondia os nomes de seus integrantes atrás de nomes de pássaros, daí o João de Barro para o Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha. [2]
"Quando nós saímos do norte / Foi pra no mundo mostrar / Como canta aqui nesta terra / Um bando de tangarás." (1929) [3]



Um vídeo de valor inestimável - com o único registro em movimento de Noel Rosa!
Almirante (c/ tapa-olho) cantava e gesticulava como um maestro. O compositor de "Na Pavuna" (o primeiro samba gravado com o ritmo do tambor) dava um show à parte, sem ofuscar os demais Tangarás.
1:20 - Afinação Instantânea de Violão (AIV). É necessário ter coordenação motora, noção de tempo e ouvido musical bastante apurados para executar este ato com precisão!
O filme foi gravado pelo sistema Vitaphone, [4] com uma única câmera fixa e uma iluminação precária. Foi encontrado em 1994.
A Cinédia (pesquisar no YT), o primeiro estúdio de cinema no Brasil foi pioneira e produziu muitos sucessos. Entre eles, "Coisas nossas" com Francisco Alves e músicas de Noel Rosa, de 1933; "Estudantes", de 1935 com Mário Reis, Carmen Miranda; "Alô alô, Brasil", com Mário, Carmen e Chico Alves. Um dos poucos que sobreviveram foi "Alô alô, carnaval", de 1936, e o melhor inteiro! A Cinédia ainda existe e trabalha em salvar filmes perdidos ou quase a sê-lo; uma coisa boa né!?
Sobre Almirante (RJ, 19 de fevereiro de 1908 — RJ, 22 de dezembro de 1980).
Em 1926, Henrique Foréis Domingues foi fazer a reserva naval, na Marinha de Guerra do Brasil, estudando de noite para não perder o emprego. No ano seguinte, a 5 de julho, participou das solenidades de recepção do hidroavião Jaú. Em um carro que cruzava as ruas da capital, com o Capitão Matias da Costa, dirigente da reserva, sentado na frente, e ele no banco detrás como ordenança, todo duro e engomado. Na rua, perguntavam: - Quem é o da frente? - É o comandante. - E esse aí atrás? - Ah, esse deve ser o Almirante! O apelido pegou. E o reservista naval Henrique Foréis Domingues foi definitivamente promovido a Almirante, ao menos para a MPB. Casando-se com uma irmã de Braguinha, Almirante passou a residir, por coincidência, na rua Almirante Cockrane, em um edifício também chamado Almirante Cockrane. [5]
Curiosidade. No Brasil, Almirante fez a voz do Espelho Mágico em "Branca de Neve e os Sete Anões".
[6] 
Fontes
[1] https://dicionariompb.com.br/grupo/bando-de-tangaras/
[2] https://youtu.be/UwMVhslf2Ao (entrevista de Braginha, TVE)
[3] https://youtu.be/mTPXbIKrEAU [4] https://youtu.be/S1ONEdascKQ
[4] https://youtu.be/ouldiKY4oOc
[5] https://dicionariompb.com.br/artista/almirante/
[6] https://blogdopg.blogspot.com/2022/10/espelhos-magicos-3.html

02 outubro, 2022

John Williams saúda os grandes compositores do cinema

Um medley de clipes de trilhas sonoras (22) dos grandes compositores do cinema pela Boston Pops Orchestra (2002). 

Arranjos e regência de John Williams.


O mais épico sobre isto é o quanto destas músicas ele mesmo escreveu, o quão merecedor ele é de que houvesse incluído sua própria música, e o quão modesto ele foi por não incluir, à exceção de Star Wars, Jaws e ET, outras de suas obras que absolutamente poderiam ter sido. E a forma como os clipes melódicos foram usados ​​neste medley é algo realmente admirável. Com transições perfeitas, especialmente ao ir direto de Psycho para Jaws É como uma composição inteira contando uma história tecida com um único fio!

11 agosto, 2022

O legado ao cinema do empresário John DeLorean

John DeLorean foi o criador de uma empresa que leva seu sobrenome, a DeLorean Motor Company (DMC). A empresa não existe há décadas, mas ainda é conhecida por ter feito a máquina do tempo mais elegante da história: o DeLorean DMC-12, de "Back to the Future" (de Volta para o Futuro). O que agora chamamos simplesmente de "o DeLorean" (foto), com suas lendárias portas em forma de asa de gaivota, foi o resultado de um projeto de negócios caótico e desastroso com toda uma história curiosa por trás, infelizmente muito menos épica e romântica do que se poderia supor.


Para uns, ele era um visionário que iria revolucionar a indústria automobilística; para outros, era o maior vigarista do mundo. John DeLorean chegou à General Motors, em Detroit, nas divisões de "carros de luxo" que lidavam com o marketing dos Pontiacs e Chevrolets dos anos 1950 e 1960. Foi então, em 1973, que ele decidiu tentar a sorte por conta própria e fundou a DeLorean Motor Company, com a ideia de criar um carro esportivo de dois lugares "único, diferente e futurístico" e com seu distinto acabamento em aço inoxidável.
Como seria um projeto de luxo, confiou o design a Giorgetto Giugiaro, criador de grandes clássicos como o Lotus Esprit S1, e no qual se inspirou. Então, DeLorean começou a buscar dinheiro para a empresa: não era fácil nem barato produzir um carro de luxo. E, para reduzir os custos, mudou a fábrica para os subúrbios de Belfast, na Irlanda do Norte, mas sem levar em conta que se encontrava no pior e mais conflituoso momento da história daquele país.
O que se segue é a clássica história de um desastre empresarial passo a passo: dificuldades de financiamento com investidores, muitas promessas, poucas realidades. A isso se somaram os problemas de fabricação e, naturalmente, os longos atrasos de um carro não vendia bem até janeiro de 1981. Tudo isto enquanto DeLorean gastava o dinheiro em marketing, promoção e - a título pessoal - mantendo a vida do pai com um alto salário, compras de obras de arte e outros luxos, algo em nada de acordo com a situação. Até os contadores da empresa ficaram chocados.
Este naufrágio em câmera lenta significou que apenas cerca de 9.000 unidades do DMC-12 foram fabricadas. E embora parecesse que as concessionárias americanas iam tirá-los das mãos (havia até lista de espera), tudo eram problemas, principalmente por causa da mudança de posição do motor em relação ao desenho original e depois por causa da finalização. Os clientes tiveram problemas com as portas, com os pedais, com a suspensão, com a antena do rádio e até com o desgaste das rodas. Não havia manual de serviço técnico oficial e os revendedores estavam desesperados; era inaceitável para um carro que custava o equivalente a cerca de US $ 80.000 hoje. Apenas 3.000 unidades foram vendidas no primeiro ano e algumas centenas mais com grandes descontos no ano seguinte.
A única saída digna era declarar falência, algo que DeLorean resistia e deveria ter feito muito antes. Ele já havia perdido US $ 175 milhões com a empresa. E, no meio da desordem, o FBI o flagrou  comprando 25 quilos de cocaína em um quarto de hotel, provavelmente para revender por cerca de 24 milhões de dólares (o que pagaria a insolvência de cerca de 17 milhões em que ele estava imerso). Ao conversar com o vendedor - que era apenas um agente disfarçado - e fazer a compra com as próprias mãos, DeLorean foi preso. No subsequente julgamento em 1984, ele foi considerado "inocente" porque os policiais teriam ido além da linha de incitamento para cometer o crime, tentando-o fortemente com "dinheiro fácil".
A popularidade da série "De Volta ao Futuro" fez do DMC-12 um objeto de culto. Na verdade, ainda existem milhares de DeLoreans por aí e peças sobressalentes para eles, que são delicadamente restaurados, além de reuniões e convenções de proprietários sendo realizadas.
John DeLorean morreu em 2005 com 80 anos de idade, falido e com ideias um tanto delirantes para novas versões do DMC e outros  projetos de veículos, incluindo um sobre monotrilho.

Extraído de: John DeLorean, el empresario automovilístico cuya carrera acabó en desastre pero que dejó un legado de película

Arquivo 

05 novembro, 2020

Thomas Sean Connery (25/08/1930 - 31/10/2020)

Será para sempre lembrado pela carreira de meio século em que fez interpretações inesquecíveis no cinema.
Esse veterano ator escocês foi o Agente 007 [1] [2] em sete filmes de James Bond, rodados entre 1962 e 1983, e seu portfólio incluía mais de 60 filmes, a maioria dos quais com ele no papel principal. Muitos desses filmes, como "Os Intocáveis", "Indiana Jones e a Última Cruzada", "A Caçada ao Outubro Vermelho" e "O Nome da Rosa" são considerados clássicos da sétima arte.
O mundo perdeu-o na madrugada de 31 de outubro, aos 90 anos.

26 julho, 2020

Sérgio Ricardo (18/06/1932 - 23/07/2020)

Ícone da bossa nova e do Cinema novo, Sérgio Ricardo (nome artístico de João Lutfi) saiu de cena aos 88 anos, na manhã de anteontem, 23 de julho, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou um importantíssimo legado para a música e o cinema brasileiros. "Junto com Geraldo Vandré e Carlos Lyra, Sérgio trouxe a bossa nova para olhar de perto a realidade brasileira", no expressar de Renato Terra.
É autor de "Zelão" (Todo morro entendeu quando Zelão chorou / Ninguém riu nem brincou / E era carnaval), "Enquanto a tristeza não vem" (Tristeza mora na favela / Às vezes, ela sai por aí), "O nosso olhar" (Viu / Quanta coisa linda / Você e eu sentimos) e "Folha de papel" (Olha só o que o vento faz com o papel / E traga a notícia que for), "Vidigal" (Não se brinca com o poder / Que o poder do povo é bem maior) e muitas outras composições.
Sua obra cinematográfica inclui a direção de cinco longa-metragens: "Esse mundo é meu" (1964), "Quatro contra o mundo" (1970, com outros três diretores), "Juliana do amor perdido" (1970), "A noite do espantalho" (1974) e "Bandeira de retalhos" (2018) e de vários curtas, além da trilha sonora que fez para o antológico filme "Deus e o diabo na terra do sol" (1964), de Glauber Rocha.
Cinema na Música (show completo).
Gravado no Teatro da UFF (RJ), em 2018, e depois apresentado em vários palcos do país. Neste espetáculo musical e visual, Sérgio dividiu as faixas com os filhos Marina Lutfi, Adriana Lutfi (vozes) e João Gurgel (voz e violão), acompanhados por Lui Coimbra (violoncelo), Marcelo Caldi (piano e acordeon), Alexandre Caldi (sopros), Diego Zangado (percussão) e Giordano Gasperin (baixo), e contou com a participação de Dori Caymmi, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e João Bosco. A gravação é resultado da parceria entre Cacumbu Produções, Biscoito Fino e Canal Brasil, que o transformou em especial de TV.


Sérgio Ricardo jamais mereceu o estigma de ser lembrado como o cantor intempestivo que, em 1967, quebrou o próprio violão no palco do III Festival de Música Popular Brasileira e arremessou o instrumento na plateia que o vaiava e o impedia de cantar o samba autoral "Beto bom de bola".

06 julho, 2020

RIP Ennio Morricone

Minibio
Morreu hoje em Roma, aos 91 anos, o compositor, arranjador e maestro italiano Ennio Morricone (10/11/1928 - 06/07/2020).
Autor de inesquecíveis composições para o cinema e séries da televisão, dentre as quais as trilhas sonoras de "Por um Punhado de Dólares", "Três Homens em Conflito", "Era uma vez no Oeste", "A Missão", "Os Intocáveis", "Cinema Paradiso" e "Bastardos Inglórios", Morricone foi indicado cinco vezes ao Oscar até receber o prêmio honorário em 2007.
Com a trilha sonora de "Os Oito Odiados", dirigido por Quentin Tarantino, recebeu o seu segundo Oscar, em 2016.

Por um punhado de samba
A ser também lembrado por ter sido o responsável pelos arranjos de "Per un pugno di samba", álbum de estúdio de Chico Buarque na Itália (1970).


Do "Estado de SP":
Para evitar problemas com o regime militar, Chico Buarque passou 15 meses na Itália, no fim dos anos 60. Em Roma, ele conheceu o ilustre compositor de trilhas de cinema Ennio Morricone, morto nesta segunda-feira (6), aos 91 anos. Os dois, à época, se juntaram para fazer um álbum que, durante décadas, foi cobiçado por colecionadores.
Em "Per un pugno di samba" – um trocadilho com o título original do filme "Por Um Punhado de Dólares" (1964), de Sergio Leone, para o qual Morricone fez a trilha – Chico interpretou sucessos da carreira vertidos para o italiano por ele e Sergio Bardotti, que fez a ponte para que Morricone se integrasse ao trabalho.
(...)

Arquivo
"O bom, o mau e o feio" pela "Orquestra de Ukulele da Grã-Bretanha"

22 abril, 2020

HAL 9000

Criado em 1968, HAL 9000 é um personagem ficcional de "Odissey Space", do romancista  Arthur C. Clarke.
Imortalizado em "2001 - Uma Odisseia no Espaço" (a adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick), este personagem foi um dos primeiros a ingressar no Robot Hall of Fame.
A representação física da inteligência artificial de HAL 9000 é um olho-câmera de cor vermelha.
Durante uma visita à Bell Labs, em 1961, o escritor Arthur C. Clarke tinha testemunhado o primeiro computador (um IBM 7094) a cantar, através de um sintetizador de voz, a canção "Daisy Bell".
É a composição que Hal canta ao ser desligado em "2001 - Uma Odisseia no Espaço".


Composição de Harry Dacre, 1892 (Daisy é Margarida)

Margarida, Margarida, me dê sua resposta
Eu estou meio louco de amor a você
Não será um casamento elegante 
Eu não posso pagar um carro 
Mas você parecerá meiga no selim 
De uma bicicleta para dois.

http://blogdopg.blogspot.com/2011/06/daisy-bell.html
http://blogdopg.blogspot.com/2018/12/apareceu-margarida.html
http://blogdopg.blogspot.com/2019/07/os-robos-mais-famosos-da-ficcao.html

O nome HAL 9000 não foi escolhido aleatoriamente. É formado pelas letras imediatamente anteriores àquelas que formam a palavra IBM.