19 agosto, 2019

De onde veio o material do punhal de Tutancâmon?

Veio do espaço
Segundo uma pesquisa publicada na revista norte-americana "Meteoritics e Planetary Science", o punhal encontrado junto à múmia de Tutancâmon foi, de fato, feito com material vindo de um meteorito.
Desde 1925, cientistas tentavam comprovar as "lendas" egípcias que citavam o "ferro que caiu do céu". Agora testes científicos feitos com técnicas de fluorescência de raios X indicaram que a lâmina contém 10% de níquel e 0,6% de cobalto, concentrações de substâncias encontradas em meteoritos metálicos.
O estudo também confirmou o valor que os antigos egípcios davam para o ferro dos meteoritos, usados para a produção de objetos preciosos, como o punhal do faraó.
O faraó Tutancâmon, conhecido como "faraó menino", se tornou a múmia mais famosa do mundo e tem sido alvo de curiosidade de diversos historiadores que desejam desvendar mais mistérios sobre aquele que foi o mais jovem mandatário do antigo Egito. Falecido aos 19 anos, em 1.324 a.C, ele reinou por nove anos.


Utilização do ferro meteorítico
O mineral de ferro puro nativo praticamente não existe na superfície da Terra. Antes do domínio do processo de transformação do minério de ferro (hematita) em ferro por volta de 1.200 a.C., os meteoritos foram utilizados como fonte de ferro, podendo ser reconhecidos nos artefatos antigos por conter níquel. Assim, as armas de ferro que revolucionaram as guerras, e o ferro que implementou a agricultura, teriam sido obtidos em grande parte do ferro meteorítico
O ferro meteorítico foi encontrado em numerosos sítios arqueológicos antigos, desde a Suméria cujos artefatos com este metal datam mais de 4,5 mil anos. Inclusive na tumba de Tutancâmon foi encontrada uma adaga de ferro meteorítico.
Mesmo após o advento da metalurgia do ferro, cujo produto ainda não era de boa qualidade, os meteoritos continuaram a ser utilizados em espadas e amuletos para reis, conquistadores e sacerdotes. Isso se deu não apenas pelo fato da qualidade do aço ser superior e mais resistente aos metais forjados na época, mas sobretudo por ser proveniente de fenômeno considerado sagrado desde a mais remota antiguidade, sendo o ferro meteorítico considerado presente dos deuses aos homens, ou melhor, aos reis e sacerdotes.
Têm-se na história espadas lendárias, sendo Excalibur a mais famosa, a espada mágica do rei Artur que, segundo a lenda, fora retirada de uma pedra. Átila, o Huno ou Flagelo de Deus, tinha a "espada de Marte". No Japão, Kusanagi-no-Tsurugi era uma espada lendária, tal como Excalibur, também chamada Ama-no-Murakumo-no-Tsurugi (Espada das nuvens do céu). Esses nomes insinuam fortemente uma origem celeste, isto é, seriam espadas feitas de ferro meteorítico. A espada que Joana d’Arc achou atrás de um altar seria também de ferro meteorítico. Em 1814 o czar Alexandre recebeu de presente uma espada forjada por James Sowerby de um meteorito do cabo da Boa Esperança (Sears, 1975).
Aqui no novo continente os maias, incas e astecas também tinham o conhecimento do uso do ferro meteorítico. Quando Hernán Cortés, o conquistador espanhol perguntou aos chefes astecas de onde obtinham suas facas, eles lhe apontaram o céu.
Até muito recentemente, o ferro meteorítico era também utilizado pelos malaios e indonésios para a produção de uma arma que ainda hoje faz parte da indumentária (especialmente nas festas) daquele arquipélago, as Keris ou Kris.
Em 1818, na expedição que buscava a passagem marítima do Atlântico para o Pacífico através do arquipélago ártico canadense, o explorador John Ross encontrou membros de tribo da Groelândia usando pontas de arpões e facas feitas de ferro meteorítico. Os nativos, no entanto, não queriam revelar a fonte do ferro. Cinco expedições de 1818 a 1883 falharam em encontrar o local considerado sagrado, até que Robert Peary conseguiu trocando algumas pistolas com um guia local, que o levou à fonte do ferro que eles chamavam a Tenda (Ahnighito) pesando 31 t, a Mulher 2,5 t e o Cão 0,5 t. Todas essas partes desse enorme meteorito foram transportadas para o Museu de História Natural de Nova Iorque.
Referências
Veio do espaço: punhal de Tutancâmon é mesmo feito de ferro de meteorito.
In: https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/06/02
Zucoloto, M. E. (MN/UFRJ), Breve histórico dos meteoritos brasileiros, 4-5. In: www.mast.br

18 agosto, 2019

Teste de Vocabulário Português Online

O português é uma língua de origem latina do subgrupo itálico do grupo das línguas indo-europeias.
É a língua mais falada no hemisfério sul, a terceira mais falada no mundo ocidental e a quinta mais falada no mundo. Atualmente, mais de 250 milhões de pessoas no mundo falam o português e o Brasil responde por cerca de 80% desse total.
A língua portuguesa é instituída como oficial em nove países: Portugal, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial.
Existem ainda lugares em que este idioma é utilizado de forma não oficial por uma parcela restrita da população. São eles: Macau (na China) e Goa (na Índia).

My Portuguese Vocabulary Size is about: 【27740】! What about you?


— Seu português é tão bom quanto o de Machado de Assis. Você pode até criar novas palavras que irão expandir o dicionário Português-Português.
— Eu já faço isto quando estou criando verbetes para o DBF, o Dicionário Brasileiro de Frases.

Ao leitor: Você já se perguntou sobre o tamanho de seu vocabulário em português?
https://www.arealme.com

"Rosa", de Pixinguinha

1
Uma das mais belas canções brasileiras é a valsa "Rosa", do mestre Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. Um primor tanto na versão original, sem letra, quanto na versão mais conhecida com letra de Otávio de Souza. Além da beleza ímpar, a canção possui algumas curiosidades.
Segundo o próprio autor, a valsa foi composta em 1917 e o título original era "Evocação". A música foi composta em três partes e, somente mais tarde, recebeu sua letra (apenas para a 1.ª e a 2.ª partes) e foi gravada e regravada muitas vezes dessa forma.
Há alguns anos atrás, a versão original, em três partes e sem letra, foi regravada para o box "Choro Carioca, Música do Brasil", lançado pela gravadora Acari. [http://qualdelas.com.br/rosa/]
"O autor dessa letra é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro, bairro carioca, muito inteligente e que morreu novo." (Pixinguinha)
A letra de "Rosa" é um capítulo à parte. Rebuscada, parnasiana e lindíssima foi composta pelo improvável Otávio de Souza. Mecânico de profissão, Otávio de Souza, morreu jovem e nunca compôs nada parecido com "Rosa". Um compositor de uma única música, uma obra prima.
Conta a lenda que Otávio de Souza se aproximou de Pixinguinha, enquanto o mestre bebia em um bar do subúrbio carioca, para falar que havia feito uma letra para a valsa. Pixinguinha ouviu-a e ficou maravilhado.
A gravações feitas por Orlando Silva (1937) (1960) foram responsáveis pela popularização de "Rosa". O desafio de regravar "Rosa" foi enfrentado por muitos intérpretes (Caetano Veloso, Luiz Melodia, Roberto Silva, Luss, grupo vocal Ordinarius etc.), sendo talvez o melhor resultado o obtido por Marisa Monte, em 1990, com pequenas alterações melódicas.
Outra curiosidade é que "Rosa" era a canção preferida da mãe de Orlando Silva, Dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando Silva jamais voltou a cantar a canção pois sempre chorava.
Fonte: Rosa, blog "Eternas Músicas",
2
Para o jornalista Luís Nassif, em seu artigo O mistério sobre o letrista de Rosa, de Pixinguinha, publicado no GGN, um dos grandes enigmas da música brasileira é sobre o verdadeiro autor da letra de "Rosa", música de Pixinguinha. A música está registrada em nome de Otávio de Souza, ao que consta um mecânico que morreu muito jovem.
Mas, devido ao rebuscamento da letra, uma parte dos historiadores atribui a Cândido das Neves, autor de canções românticas, rococós e inesquecíveis. A prova seria outra música de Cândido das Neves, uma suposta parceria com Pixinguinha, mas registrada apenas em nome de Cândido.
Seria a prova de uma troca que fizeram. No entanto, essa hipótese é profundamente desrespeitosa para com Otávio de Souza, mas, principalmente, para com Cândido das Neves.
Este era rococó, mas suas letras mantinham coerência.
O non sense da letra de "Rosa" lembra mais um poeta menor que se encantou com os volteios de Cândido das Neves, copiou seu estilo, mas sem dispor do talento de Cândido.
O que vocês acham?
A seguir, Nassif relaciona as letras de "Rosa", de Pixinguinha, e de "Cinzas", "Página de dor", "A última estrofe" e "Apoteose do amor", de Cândido das Neves, o Índio, para que o leitor faça seu juizo.
3
Bem esteve o compositor cearense Evaldo Gouveia que, ao compor "O mundo melhor de Pixinguinha", samba-enredo da Portela em 1974, assim cultuou São Pixinguinha: "A roseira dá / Rosa em botão / Pixinguinha dá / Rosa canção / E a canção bonita é como a flor / Que tem perfume e cor. / E ele que era um poema de ternura e paz / Fez um buquê que não se esquece mais / De rosas musicais." PGCS


17 agosto, 2019

O homem nu

Um cara chega cedo do trabalho e ouve ruídos estranhos em casa.
Ele corre para o quarto de cima, onde encontra a esposa nua na cama, muito ofegante.
"Está passando mal?", ele pergunta.
"Estou tendo um ataque cardíaco", diz a mulher.
Ele desce para o andar de baixo para pegar o telefone... mas, quando está discando, aparece seu filho de 4 anos, que diz:
"Papai! Papai! O tio Nelson está escondido em seu armário e ele não está usando roupas!"
O cara bate o telefone e sobe as escadas para o quarto, passando pela esposa a gritar, e abre a porta do armário.
Encontra seu irmão, totalmente nu e encolhido no chão do armário.
"Seu nojento", diz o marido, "minha esposa está tendo um ataque cardíaco e você está aqui nu, assustando as crianças!"

Uma mulher telefona para o vizinho e diz:
"Feche suas cortinas na próxima vez que você for transar com sua esposa. Foi repugnante e ficou todo mundo ontem rindo de você."
O homem respondeu:
"Bem, agora é minha vez de rir de vocês... porque eu nem estava em casa ontem".

Ilustração: recorte da capa do livro "O homem nu", de Fernando Sabino.

Um crime em família

Deu no hindustantimes:

A SEGUNDA ESPOSA DE UM HOMEM ASSASSINA A TERCEIRA ESPOSA COM A AJUDA DE DUAS FILHAS DA PRIMEIRA ESPOSA E DO NAMORADO DE UMA DAS FILHAS

Eu posso estar errado, mas eu suspeito de que este é um relacionamento polígamo (comum em algumas partes do mundo).
Parece que o homem de Mumbai é (foi?) casado com três mulheres, havendo geração de filhas em seu primeiro casamento. Isto em si não é um problema (numa sociedade poligâmica).
A questão é que depois que ele casou com a esposa 3, ele essencialmente negligenciou a esposa 2 - de uma perspectiva de relacionamento e de uma perspectiva financeira. Suspeito (por não estar afirmado diretamente no artigo) de que ele, de maneira semelhante, tenha também negligenciado a esposa 1, e é por isso que as duas filhas se envolveram no crime. Quanto à participação do namorado de uma destas, é provável que ele estivesse querendo ganhar pontos para ser aceito como agregado.
Conclusão
Dentro das sociedades poligâmicas, o homem deve tratar todas as esposas igualmente.

16 agosto, 2019

Controle do peso - 7







Eu tenho uma condição séria que me impede de perder peso,
É apelidada de "fome".

1, 2, 3, 45 e  6 desta série.

Uma meditação lírica

Sobre a solidão, a alteridade e a alegria de pertencer:

"Você pode estar longe dentro e longe estando fora."
— JonArno Lawson

"Você pode ficar sozinha em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão que surge quando se vive em uma cidade, cercada por milhões de pessoas."
— Olivia Laing

"Você só é livre quando percebe que não pertence a nenhum lugar — pertence a todos os lugares."
— Maya Angelou

Imagem: https://twitter.com/cduhigg/status/1098570800334917632

15 agosto, 2019

Orkut bloqueado no Tinder

Orkut Büyükkökten, criador do site homônimo, estava usando o Tinder no Brasil, mas alguns usuários o encontraram no aplicativo e denunciaram sua conta como fake. Por isso, Orkut foi bloqueado no Tinder e agora pede ajuda no Twitter para ter seu login de volta.


Quem mandou tirar o Orkut da gente!

A tamareira da Judeia

Uma espécie de árvore extinta cresce a partir de uma semente com 2.000 anos de idade
A tamareira da Judeia prosperou em Israel e foi mencionada na Bíblia por várias vezes. Mas centenas de anos de guerras, destruindo os bosques de tamareiras, fizeram com que a espécie desaparecesse em 500 d.C.
Nós tendemos a acreditar que quando uma espécie se extingue, nunca mais volta. Mas essa crença não leva em conta quanto tempo as sementes podem permanecer adormecidas e viáveis.
Durante as escavações no local do palácio de Herodes, em Israel, no início dos anos 60, os arqueólogos desenterraram um pequeno estoque de sementes arrumadas em um pote de barro de 2.000 anos. Nas quatro décadas seguintes, as antigas sementes foram mantidas em uma gaveta da Universidade Bar-Ilan, em Tel Aviv.
Em 2005, a pesquisadora botânica Elaine Solowey decidiu plantar uma delas para ver o que aconteceria. "Eu assumi que, depois de tanto tempo, a semente não prestava mais. Como poderia germinar?", disse Solowey. Mas logo constatou que estava errada.
A árvore resultante foi chamada Methuselah (Matusalém?). Dez anos depois, ela floresceu e produziu pólen, que foi usado na fecundação de uma tamareira selvagem.
https://www.neatorama.com/2015/08/15/Extinct-Tree-Grows-From-2000-year-old-Seed/
https://www.treehugger.com/natural-sciences/extinct-tree-grows-anew-after-archaeologists-dig-ancient-seed-stockpile.html

Break out the cigars...
A tamareira cultivada a partir de uma semente de 2.000 anos já é pai
https://www.treehugger.com/natural-sciences/date-palm-grown-2000-year-old-seed-dad.html

14 agosto, 2019

Coral Kombinat

Um coral da antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik, antiga Alemanha Oriental) mandando ver sem qualquer sotaque o hino dos partisans italianos (Bella Ciao). Observem a Frau Merkel (Angela Dorothea Merkel) com sua camiseta e o logotipo do Kombinat (onde provavelmente trabalhava como física em uma das empresas) ou o próprio nome do coral.
~ Jaime Nogueira



N. do E.
1 - Kombinat (russo : Комбинат) é um termo para grupos de empresas industriais, conglomerados ou trusts nos antigos países socialistas. Os exemplos incluem a VEB Kombinat Robotron, fabricante de produtos eletrônicos, e a IFA, fabricante de veículos, tanto na Alemanha Oriental, quanto a liga de cobre Erdenet, na Mongólia .
[https://en.wikipedia.org/wiki/Combine_(enterprise)]
2 - Kombinat é um coro feminino que canta músicas revolucionárias de todo o mundo em idiomas originais. Foi fundado em 27 de abril de 2008, no Dia da Resistência, que marca o estabelecimento da Frente de Libertação na Eslovênia em 1941. Cerca de 30 membros variam tanto em idade quanto em profissão, têm ensaios no centro cultural e social de Tovarna Rog no centro de Liubliana . Cada concerto do Kombinat segue um roteiro único: geralmente a história de cada música é revelada, enquanto alguns dos concertos são dedicados a eventos atuais, como a celebração do 1º de maio.
[https://www.culture.si/en/Kombinat_Choir]

Para não dizer que eu não falei de "Bella Ciao"

O evento do Curuçá

O evento do Curuçá se refere à queda de importantes bólidos perto desse rio, na região amazônica brasileira próxima à fronteira com o Peru, na manhã de 13 de agosto de 1930. O único relato desse evento foi feito pelo frei Fidelis D’Alviano, publicado na Europa em 1931. Um primeiro estudo realizado por Bailey et al. (1995) chamou esse evento de "Tunguska Brasileiro". Segundo Napier e Asher (2009), este evento como o conhecido evento de Tunguska, em 1908 e um terceiro, muito pouco estudado, que aconteceu na Guiana Inglesa, em 1935 (Korff, 1939), teriam sido os casos de queda de bólidos mais importantes do século 20. Diferentemente das estruturas pré-históricas de impacto já descritas no Brasil, o evento do Curuçá e sua estrutura de impacto, por ser episódio recente, está acompanhado de relatos e medições, especialmente do tipo sismológico. Além disso, uma expedição realizada em 1997 ao possível lugar de queda forneceu informações adicionais à lista das outras indicações conhecidas.
Relato
Todo o conhecimento inicial deste evento está concentrado num relato que foi publicado pela primeira vez pela agência Fides de notícias, em 1931, no jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano. Das repercussões desta notícia na Europa só se tem conhecimento daquela do jornal The Daily Telegraph, de Londres, naquele mesmo ano (Bailey et al., 1995; Steel, 1995). Trata-se de relato feito pelo frei Fidelis D’Alviano, da Ordem dos Franciscanos, que realizava seu trabalho de catequese no rio Curuçá. Foi justamente perto deste rio que aconteceu este evento que pode ser considerado planetário, e do qual o frei Fidelis se tornaria o único emissário para o mundo.
Frei Fidelis chegou ao rio Curuçá, rio que desemboca no Javari (divisa com o Peru), por volta de 18 de agosto de 1930, cinco dias após o estranho e terrível fenômeno. Mesmo cinco dias depois, a população, principalmente de seringueiros, ainda estava apavorada. No dia 13, vários bólidos tinham caído do céu produzindo três grandes estrondos e um tremor de terra. O frei fez relatório inteligente desse evento entrevistando perto de uma centena de seringueiros da região, e fazendo um resumo. Melhor ainda, ele produziu texto objetivo, sem nenhuma conotação religiosa. Esta objetividade não é surpreendente se considerarmos os vários aspectos pessoais do frei. Além de exercer suas atividades pastorais com os índios Ticuna por muitos anos, ele sempre trabalhou com uma atitude científica como etnógrafo e linguista.
A Europa já tinha ficado intrigada em 1908 com a queda de enorme bólido na Sibéria, evento hoje conhecido como o de Tunguska. Além das evidências sísmicas, também o céu europeu registrou este evento. Durante um tempo o céu ficou com as cores avermelhadas, características da presença de grandes quantidades de poeira em suspensão na atmosfera. Somente 15 anos depois, um conhecido geofísico russo, Leonid A. Kulik, teve a determinação de organizar uma expedição a fim de encontrar o lugar da queda. Foi tarefa difícil, já que essa região estava sendo ocultada pelos habitantes de Tunguska como sendo lugar sagrado. Kulik não encontrou nenhuma cratera, mas sim, enorme região de cerca de 2 mil km2 de floresta devastada. Isto motivou grande número de estudos, mas até hoje permanece envolto por alguns mistérios. No entanto, a interpretação mais aceita é de que um corpo de cerca de 60 a 100 m teria explodido na atmosfera em um fenômeno de detonação, produzindo violenta onda de choque que destruiu a floresta.
O astrônomo inglês Mark E. Bailey encontrou em 1995 artigo de cientistas russos citando trabalho passado de Kulik, em que ele mencionava que em 1930 teria acontecido um evento similar ao de Tunguska, na floresta amazônica. Bailey encontrou essa notícia no jornal inglês The Daily Telegraph publicado em 1931, mencionando o evento da Amazônia com um tom sensacionalista, referindo-se também ao perigo que teria corrido a nossa civilização. Bailey decidiu então procurar o artigo fonte que estaria no Vaticano. Com dois estudantes partiu à procura desse artigo nos arquivos de L’Osservatore Romano. Mas um astrônomo amador italiano, Roberto Gorelli, também teve conhecimento desse relatório de forma independente (Gorelli, 1995).
Grande e boa foi a surpresa de Bailey ao encontrar o relato do frei Fidelis. Primeiro, como foi mencionado antes, pela objetividade do relato e segundo, porque o evento teria acontecido na manhã de 13 de agosto. Bailey publicou artigo no magazine inglês The Observatory em 1995 e propôs a hipótese de que os bólidos seriam provenientes do cometa Swift-Tuttle. De fato, esse cometa periódico (período orbital de 120 anos) conhecido desde os tempos de Cristo, é aquele que produz a chuva de meteoros que acontece todos os anos entre 11 e 13 de agosto, muito conhecida no hemisfério norte como a chuva das Perseidas.
História da astronomia no Brasil (2013) / organizador: Oscar T. Matsuura ; comissão editorial: Alfredo Tiomno Tolmasquim ... [et al.]. – Recife : Cepe, 2014. v. 1. : il.
N. do E.
Em "História da astronomia no Brasil", volume I, capítulo 11, parte 2, páginas 401-402, Ramiro de la Reza, Henrique Lins de Barros e Paulo Roberto Martini apresentam a tradução para o português (de la Reza e Faulhaber, 2012) do relato do frei Fidelis, tal como apareceu em L‘Osservatore Romano (Bailey et al., 1995)

13 agosto, 2019

Tóxico, extremamente tóxico

A professora brasileira-suíça Deila Wenger costuma se deslocar de São Paulo para Berna, a capital da Suíça, durante o verão europeu para dar aulas de português intensivo numa escola de línguas local. Os alunos, em sua grande maioria, normalmente têm planos de visitar o Brasil. Mas a rotina de mais de 20 anos foi interrompida neste ano por algo inédito: não apareceu um só aluno interessado em aprender português.

Trecho inicial do texto A imagem tóxica de Bolsonaro no exterior, de autoria do jornalista Assis Moreira, correspondente em Genebra do "Valor Econômico" desde 2005.

Rosca e caneca

Mostrando por que uma rosca e uma caneca são topologicamente equivalentes:


https://www.archimedes-lab.com/wp/2018/05/21/mug-to-doughnut/ (imagem)

O Dia dos Canhotos (2019)

Para 13/08/2019 (left-handers day)
Deve o canhoto começar o dia com o pé direito?

👎Tesouras, abridores de latas, carteiras escolares com apoio de braço à direita, cadernos tipo espiral, réguas, mouses...
👍Canhotos de vales e recibos

Eu só queria ter uma loja igual à do Flanders!

12 agosto, 2019

Chocolate com poema de Fernando Pessoa na embalagem

"Em se tratando de chocolate toda resistência é em vão." ~ Regina Brett

mysugar creations

Aviso – isso só existe em Portugal! Foto que encontrei no Facebook de uma amiga com a seguinte frase – "Melhor embalagem de chocolate de todos os tempos".
Marise Araujo em Lisboa, Blue Bus
(http://omeubemestar.blogspot.com/2015/02/isto-e-aquilo-37-feira-do-chocolate-2015.html)
Merecem chocolate

Efeito Dunning-Kruger

É o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos.

Imagem: veio daqui.

Agora, vem o pior: é a incompetência que os priva da habilidade de reconhecer os próprios erros.
"Se você é incompetente, você não consegue saber que é incompetente. As habilidades necessárias para fornecer uma resposta correta são exatamente as habilidades de que você precisa ter para ser capaz de reconhecer o que é uma resposta correta." Dunning e Kruger (Journal of Personality and Social Psychology. 1999)

Relacionada: A síndrome do pombo enxadrista

11 agosto, 2019

Quem inventou a roleta?

A roleta tem uma história muito interessante. Naturalmente, hoje em dia a maioria das pessoas joga roleta online, mas isso nem sempre foi o caso. Então, quando o jogo se originou e como se desenvolveu ao longo dos anos? Ah, e o que o nome realmente significa?
Vamos começar com isso - você provavelmente adivinhou que é francês, mas em inglês ele se traduz como roda pequena. Então, isso faz sentido! Como o nome é francês, então você não ficará surpreso ao saber que o seu país de origem é… a França! Foi desenvolvida pela primeira vez no século 17, mas não foi originalmente projetada com o seu uso atual em mente.
Blaise Pascal (1623 – 1662) foi um matemático famoso. Criança prodígio, ele criou máquinas de calcular ainda na adolescência. Mas foi durante sua busca pelo segredo do movimento perpétuo que ele criou o que para muitos é o protótipo original do que hoje conhecemos como a roleta. Embora o modelo de Pascal fosse primitivo em comparação com o design final, que surgiu pouco mais de um século depois, é quase como se Einstein apresentasse o Pokémon como um subproduto da sua Teoria da Relatividade.
Além de algumas mudanças (as cores do zero e do duplo zero), a roleta era como a conhecemos na década de 1790, mas ainda era predominantemente jogada em cassinos franceses. Não foi até o século 19 que o jogo se tornou verdadeiramente popular no resto da Europa, também se espalhando para os Estados Unidos da América. Se fosse uma criança, você poderia chamá-lo de um desenvolvedor lento (como Einstein!). Mas uma vez que ele começou a realmente decolar para a dominação mundial, pelo menos nos cassinos foi rápido.
A língua francesa era amplamente falada na Louisiana, de modo que não surpreende que tenha sido nos bares de Nova Orleans que se tornou popular nos Estados Unidos, espalhando-se no Mississippi pelos barcos a vapor. Com o advento de Las Vegas nos anos 1940 e 50, a América se tornou a nova casa da roleta.
No entanto, a cidade norte-americana e - é claro - Monte Carlo foram as únicos "cidades-cassino" de nota até os anos 1970. A partir de então, porém, os cassinos também começaram a florescer em outros lugares e, em 2008, havia centenas de cassinos em todo o mundo oferecendo o jogo.
A ascensão da internet significou que o jogo também poderia ser adaptado para novas audiências on-line. Isso significa que a roleta está conosco para ficar - na vida real ou on-line - por muito tempo.
Só podemos imaginar o que Blaise Pascal, vivendo uma vida de pobreza refinada, pensaria se soubesse como seu protótipo original de roleta acabou. Espero que ele tenha defendido o jogo de maneira sensata, ao contrário de um homem de Londres que, em 2004, vendeu todos os seus pertences - incluindo roupas - e colocou tudo no "vermelho" em um cassino em Las Vegas. Incrivelmente, ele dobrou seu dinheiro.

Who Invented Roulette?, Kuriositas

Aposto que vai gostar: Os neutrinos no Cassino da Urca e Os ladinos no Cassino de Monte Carlo

Preto e Branco

Com a grande pianista Hazel Scott:



Hazel Dorothy Scott (11 de junho de 1920 - 2 de outubro de 1981) foi uma pianista com formação inicialmente clássica. Nascida em Port of Spain, Trindade e Tobago, ela foi levada aos 4 anos por sua mãe para a cidade de Nova Iorque, onde foi logo reconhecida como um prodígio musical. Hazel Scott foi proeminente cantora de jazz durante os anos 1930 e 1940 e, em 1950, ela se tornou a primeira pessoa negra a ter um programa de TV, "The Hazel Scott Show". Também atuou em vários filmes de Hollywood, sempre se recusando a assumir papéis que a colocavam como uma "empregada cantora". Sua luta contra a segregação racial levou-a a ser colocada na "lista negra" do macartismo, razão pela qual ela teve que morar na França em certo período de sua carreira.
O vídeo acima é uma cena em que Hazel Scott aparece no filme "The Heat's On" (Columbia, 1943).

10 agosto, 2019

Passando o apagador

Em 1843, um notário chamado Leclair descobriu que, se as palavras fossem cortadas ao meio, horizontalmente, e deixadas apenas com a metade superior, essas palavras seriam lidas e reconhecidas. Com os pontos, as vírgulas e as reticências sendo sacrificados, dificuldades surgiriam para se pausar os textos. Entretanto, como as aspas, os apóstrofos e os acentos seriam preservados, a textualidade estaria garantida.
Essa dica sobre uma das propriedades das palavras me foi dada por carta pelo bom e velho Dr. Carta Pácio, inconformado com os crescentes preços dos cartuchos de tinta.

Lousa, giz e apagador
Moça provou que, se apagasse a metade superior de uma certa sequência de números, seria possível fazer surgir uma declaração de amor.

Venha de chapéu!


Provérbio português com rimas internas
Arrenego do mouro e do judeu e do homem de Viseu,
mas lá vem braguês que é pior que todos três;
e o do Porto, no seu contrato, é o pior de todos os quatro,
mas o ilhéu é de se lhe tirar o chapéu.

09 agosto, 2019

Linhas torturantes

"A tortura é o meio mais efetivo de absolver os criminosos robustos e condenar os fracos inocentes." ~ Cesare Beccaria

E os níveis assombrosos de apoio à tortura por cristãos meramente revela que poucos deles são cristãos de fato. A tortura não é uma área cinzenta para os cristãos. É a mancha mais escura que existe.
~ https://blogdopg.blogspot.com/2015/06/torturas-cia.html

Meu tio foi assassinado pelo ídolo de Bolsonaro, The Intercept
~ Tatiana Merlino, jornalista

Chefe do DOI-Codi de São Paulo, no período de setembro de 1970 a janeiro de 1974, o coronel Ustra comandava as torturas que aconteciam a presos políticos no citado órgão da repressão. Mas é elogiado e homenageado pelo rei da Bozolândia, com repetidas afrontas à Carta Magna, no artigo 5, inciso III, que diz:
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

Quino fez este retrato falado do admirador confesso do coronel Ustra:

Charge do Quino

Na linguagem dos comedores de batatas

Dan Nosowitz

A batata é nativa da Cordilheira dos Andes, onde, quando os europeus chegaram, ela se tornou a principal cultura de um império tão grande e provavelmente mais grandioso do que qualquer outro na Europa. "Era como pão na França, ou arroz no sul da China", diz Charles C. Mann, autor de "1491: New Revelations of the Americas Before Columbus" (1491: Novas Revelações das Américas Antes de Colombo). Nos Andes há milhares de variedades de batatas e muitos métodos de preparação que ainda são essencialmente desconhecidos em outros lugares, embora a batata seja agora uma cultura global.

Os registros dos Andes pré-colombianos e imediatamente pós-contato não são particularmente bons, mas temos alguns registros que sugerem que a batata tinha tal lugar nas línguas quéchuas da população montanhosa. De acordo com um padre jesuíta do século 17, que passou algum tempo nessas comunidades, o tempo que uma batata leva para cozinhar era usado como uma divisão abreviada do tempo. Então, podia-se dizer que foram precisos três potes de batatas para construir um telhado. Isso continua até hoje.

Os exploradores / conquistadores europeus ficaram completamente perplexos com a batata quando a encontraram. A maioria das culturas básicas do mundo eram grãos de cereais - trigo e cevada, por exemplo, e o arroz já existia na Europa há algumas centenas de anos. Mas um gênero de primeira necessidade no subsolo? A Europa tinha cenouras, beterrabas e nabos, claro, mas nada como a batata. Dentre as principais culturas básicas do mundo, a maioria - incluindo batata, batata-doce e mandioca - é nativa das Américas. (Os outros são taro do sul e sudeste da Ásia e o inhame da África, provavelmente.)

Os espanhóis, nunca tendo visto nada parecido com a batata-doce ou a batata, simplesmente usavam a mesma palavra para ambos, mesmo que as plantas estivessem mal relacionadas. A palavra quíchua para a batata é papa, que permaneceu como "batata" na América Hispânica.

Uma coisa interessante sobre a batata é que é uma cultura realmente incrível, e isso é parte da razão pela qual ela tem uma linguagem idiomática em todo o mundo. É capaz de crescer em quase qualquer lugar e prospera em solo ruim, arenoso e / ou ácido. Ela cresce particularmente bem em encostas rochosas e montanhas, onde as culturas de cereais não se saem tão bem. Não requer basicamente nenhum equipamento para armazenar ou preparar, ao contrário dos vastos silos de grãos, moinhos e fornos comunitários usados ​​até recentemente para produzir pão a partir do trigo na Europa. Mann diz que os pequenos agricultores do norte da Europa obtêm quatro vezes mais calorias por acre de batatas em comparação com grãos de cereais.

Há apenas algo sugestivo sobre a batata. Ela cresce no subsolo e está coberta de terra. Ela pode ser irregular e feia, pelo menos quando comparada a algo como uma maçã brilhante e perfeita, uma espiga de milho dourada ou um tomate vibrante e cheio de suco. Ele pede pouco do seu concurso. Mas pode sustentar muitos, com facilidade e eficiência. É a comida do povo. E é na linguagem que nós, comedores de batata, falamos também.

Extraído de: Hot, Small, or Couch: Why Potatoes Make Great Idioms, Atlas Obsura


ANTES | DEPOIS

08 agosto, 2019

Motocicleta vs. Violino

FILHO: Pai, eu preciso de uma moto.
PAI: Vou comprar um violino para você.
FILHO: Não, pai. Eu quero uma moto.
PAI: Você terá um violino.
Após muitos meses de aulas de violino, o pai pede ao filho para tocar algo.


AQUECIMENTO GLOBAL. Origem do termo


Em seu sentido moderno, o termo aquecimento global foi provavelmente usado pela primeira vez, em 8 de agosto de 1975, em um artigo científico do geoquímico Wally Broecker na revista Science intitulado "Climatic change: are we on the brink of a pronunced global warning?" (Mudança climática: estamos à beira de um aquecimento global pronunciado?).
A escolha das palavras por Broecker era inusitada e representava um reconhecimento significativo de que o clima estava se aquecendo. Anteriormente, o fraseado usado pelos cientistas era "modificação climática inadvertida", porque, embora se reconhecesse que os humanos podiam mudar o clima, ninguém sabia ao certo para que direção estava indo.
A Academia Nacional de Ciências usou pela primeira vez o termo em um relatório de 1979 chamado "Charney Report", que diz: "se o dióxido de carbono continua a aumentar, não há razão para duvidar que as mudanças climáticas aconteçam e não há razão para acreditar que essas mudanças serão insignificantes".
O aquecimento global tornou-se mais popular após 23 de junho de 1988, quando o cientista do clima da Nasa, James Hansen, usou o termo em um depoimento ao Congresso dos EUA. Ele disse: "o aquecimento global atingiu um nível tal que podemos atribuir, com um alto grau de confiança, uma relação de causa e efeito entre o efeito estufa e o aquecimento observado". Seu testemunho foi muito divulgado e, depois disso, o termo aquecimento global foi comumente usado na mídia e no discurso público.

Leitura recomendada: Protocolo de Kyoto  Aquecimento Global

Slideshow O AQUECIMENTO GLOBAL (humor)

07 agosto, 2019

Uma fuga legal da prisão

Pode parecer difícil, mas é possível realizar uma fuga de uma prisão estritamente dentro da lei. Aconteceu com o americano Joel Kaplan, em 1971, quando ele escapou de uma prisão no México, sem quebrar uma única norma legal.
A fuga de Kaplan foi cuidadosamente planejada para evitar que ele cometesse novos crimes.
Começou pelo momento escolhido. Ela ocorreu enquanto os guardas assistiam a um filme e, por isso, ele não teve que subornar ninguém ou usar de violência. O helicóptero que o pegou na prisão tinha sido adquirido por ele, para não ser acusado de desvio de finalidade de um veículo de transporte alugado.
Em seguida, Kaplan embarcou em um jato particular monomotor, que, como o helicóptero, ele também o havia comprado. No jato, com um plano de voo devidamente aprovado pela Federal Aviation Administration (FAA), ele voou para a Califórnia.
Após o desembarque, Kaplan se apresentou na alfândega com seu nome real, evitando assim a acusação de entrar ilegalmente nos Estados Unidos. E recebeu visto de entrada, pois as autoridades locais ainda não haviam sido comunicadas de sua evasão de uma prisão no México.
Depois disso, Kaplan passou a viver numa espécie de limbo, onde nem o FBI nem o governo mexicano pareciam muito interessados em encontrá -lo, pois ele nunca mais voltou para cumprir a pena.

Fonte: Gizmodo

FUGAS, um slideshow a respeito do tema.

Um caminho para o reino do silêncio

O filósofo alemão Josef Pieper (4 de maio de 1904 - 6 de novembro de 1997) explorou a permanente perplexidade do poder da música em um discurso proferido durante um intervalo em um concerto de Bach. em 1952, mais tarde publicado sob o título "Thoughts About Music", em sua pequena-grande coleção de ensaios póstuma "Somente o Amante Canta: Arte e Contemplação".
Ecoando a requintada afirmação de Aldous Huxley de que "depois do silêncio o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música", Pieper escreveu:
"A música abre um caminho para o reino do silêncio. A música revela a alma humana em total 'nudez', por assim dizer, sem as costumeiras cortinas linguísticas."
Que é isto?

A fermata sobre uma pausa é chamada de suspensão. A execução fica por conta do intérprete. Entretanto, palavras como "longa" ou "curta" podem ser colocadas com a fermata, sinalizando maior ou menor sustentação da pausa.

O resto é silêncio

06 agosto, 2019

Benjamin e as aves


Benjamin Franklin nunca fez lobby nos Estados Unidos para que o peru se tornasse o pássaro nacional, mas ele escreveu que a águia careca era uma ave de "mau caráter moral" e que o peru era "um pássaro muito mais respeitável".

Sobre a produção escrita interpessoal

Um especialista em Conan Doyle explicou, certa feita, que a importância que a correspondência por escrito desempenha nas histórias de Sherlock Holmes só poderá ser bem avaliada se lembrarmos que na Londres vitoriana o correio fazia doze entregas por dia, com o intervalo de uma hora! Computando o tempo destinado à coleta e à distribuição, uma carta levava no máximo três horas para chegar ao destinatário, o que permitia a Holmes rabiscar pela manhã um bilhete apressado para Watson e receber a resposta quando se preparava para acender o tradicional cachimbo de depois do almoço. Com toda essa facilidade, era natural que as pessoas se carteassem intensamente, fazendo com a pena o que depois seria feito pelo telefone. Veio então a santa internet, e todos voltaram a escrever; o correio eletrônico, com sua rapidez de foguete, permite, num ritmo de bate lá, volta cá, um volume espantoso de produção escrita interpessoal.
Sua Língua, Prof. Claudio Moreno

05 agosto, 2019

As incríveis esculturas de Li Hongbo

Parecem feitas de gesso...
Mas são flexíveis. Elas podem se esticadas, entortadas e contraídas, mas sempre voltam à forma original.


InDICAção do vídeo: Nelson José Cunha | VIX

São esculturas feitas de papel. Isso mesmo de papel!

Bolas brancas e pretas

Jerzy Spława-Neyman (16 de abril de 1894 - 5 de agosto de 1981), matemático polonês e um dos principais arquitetos da Estatística moderna.
Num artigo com a amiga de longa data e colega Elizabeth Scott, Jerzy Neyman escreveu:
Todas as manhãs antes do café da manhã, cada um de nós se aproxima de uma urna cheia de bolas brancas e pretas. Nós tiramos uma bola. Se é branca, nós sobrevivemos ao dia. Se é preta, nós morremos. A proporção de bolas pretas na urna não é a mesma para cada dia, mas cresce à medida que envelhecemos. Ainda assim há sempre bolas brancas presentes, e continuamos a tirá-las da urna, dia após dia, por muitos anos.
Nesta data, Neyman, 87 anos, pegou uma bola preta.
(http://pballew.blogspot.com/2018/08/on-this-day-in-math-august-5.html#links)

04 agosto, 2019

O terrorismo nos EUA

Deu no G1: Ataques a tiros nos EUA deixam 29 mortos em 12 horas
Criminoso assassinou 9 na madrugada deste domingo na cidade de Dayton, em Ohio. Na tarde de sábado, outro atirador matou 20 em El Paso, no Texas. Os ataques deixaram, ainda, 42 feridos, parte deles em estado grave.

O terrorismo está aumentando nos EUA e caindo ao redor do mundo, mostra o Banco Mundial de Dados sobre Terrorismo. Esse aumento é alimentado principalmente por grupos de direita e filiados religiosamente, como escreveu Luiz Romero, do Quartz.
Vide GRÁFICO 
Extremistas violentos caseiros "representam claramente a mais imediata e onipresente ameaça para nós aqui dentro dos Estados Unidos", disse Nick Rasmussen, chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, em novembro passado. "A maioria dos terroristas nascem ou são criados aqui, ou só se radicalizaram muito depois de terem vindo para os Estados Unidos", disse ele.
Nos últimos anos, os EUA experimentaram um "aumento dramático nos ataques por pessoas descontentes ou em busca de algum senso de realização", disse Cohen. Eles se conectam com uma "causa", seja a supremacia branca ou a Al Qaeda, e depois "usam-na como um motivo para cometer um ataque violento", estimulados pelo que veem nas redes sociais e na internet. As pessoas mais facilmente influenciadas pela retórica odiosa frequentemente "procuram legitimidade e um senso de validação para suas tendências violentas", disse Cohen.
O Instituto Nacional de Justiça, o braço de pesquisa do Departamento de Justiça dos EUA, publicou um relatório em junho sintetizando diferentes pesquisas que financiou nos últimos anos sobre o problema de terrorismo doméstico dos EUA. Os chamados "terroristas do tipo lobo solitário" frequentemente combinavam queixas pessoais (ou seja, percepções de que tinham sido pessoalmente prejudicados) com queixas políticas (isto é, percepções de que uma entidade governamental ou outro ator político havia cometido uma injustiça) ", constatou o relatório.
Em particular, "sentir que um (ou um grupo) foi tratado injustamente, discriminado ou alvejado por outros pode levar indivíduos a buscar justiça ou vingança contra aqueles que eles culpam por esta situação", observa o relatório.
Essas queixas alimentam um ciclo de reforço e radicalização que culmina em um ato violento, conclui o relatório.

A continuar: O terrorismo estocástico

Qualidade da infraestrutura das escolas públicas do ensino fundamental no Brasil

A infraestrutura escolar é uma prioridade na área educacional no Brasil e no mundo, pois o desempenho de aprendizagem dos estudantes é maior quando as escolas são seguras, confortáveis, limpas, acessíveis, convidativas e estimulantes. Escolas bem estruturadas podem causar impactos positivos no ambiente escolar e é um apoio poderoso para a aprendizagem. Esta publicação apresenta os resultados de uma pesquisa que desenvolveu indicadores para avaliar a infraestrutura das escolas públicas brasileiras de ensino fundamental com dados públicos e tendências de 2013, 2015 e 2017. Este estudo poderá servir de referência para os formuladores de políticas e gestores que precisam de ferramentas e indicadores para implementar políticas públicas que possam garantir a melhoria da qualidade das infraestruturas públicas escolares brasileiras.
Coordenadoras da pesquisa: Maria Teresa Gonzaga Alves and Flavia Pereira Xavier
Brasília: © UNESCO, Ministério da Educação, 2019. ISBN: 978-85-7652-238-6.
Download gratuito: PDF
(estudo sugerido por Fernando Gurgel Filho)

Compilando Irene

Nos idos de 2010 escrevi o Irene na Terra. Sem a pretensão de que os pósteros o elegessem como o maior poema da língua portuguesa. Cabia por inteiro numa "tuitada". Além disso, seus três primeiros versos fazem parte de "Irene no céu", de Manoel Bandeira, e o seu quarto (e último) verso conheceu tempos melhores na canção "Irene", de Caetano.
Não era um poema que pudesse fazer frente, por exemplo, ao Maabáratra, de Krishna Dvapayana Vyasa. O poema deste hindu tem 74 mil versos. E se nele formos incluir o "Harivamsa" já sobe para 90 mil versos.
Acontece que, tempos depois, numa das minhas caminhadas crepusculares por Two Thousand City (Cidade 2000), escutei por acaso uma gravação de Agnaldo Timóteo.
Numa Vitrolex (link não patrocinado), o ex-motorista da Ângela Maria estava a cantar "A casa de Irene", versão de um sucesso de Nico Fidenco.
E, nesse instante de grande enlevo, dei-me conta de que "Irena na Terra" ainda estava inacabado. Então, sem delongas, retornei ao poema em construção, que assim ficou:
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
Na casa de Irene a tristeza se vai
- Quero ver Irene dar sua risada.
De forma que meu poema prossegue aos poucos: tijolo com tijolo num desenho mágico. E dá para ver que, mesmo sendo comparado aos prolixos poetas indianos, eu continuo competitivo.
Reconstruindo Irene, Blog EM

Irene - Caetano
1969, Philips do Brasil
Eu quero ir minha gente / Eu não sou daqui / Eu não tenho nada / Quero ver Irene rir Quero ver Irene dar sua risada.
Diz Marcus Martins, em Camarilha dos Quatro: “Irene foi composta enquanto Caetano esteve preso, em homenagem a sua irmã caçula e no mesmo ponto em que revela saudade e o evidente desejo de liberdade, de voar da prisão com a leveza do arranjo, a música esconde seu ideal subversivo e irresignado, uma suposta homenagem à metralhadora de Che Guevara e o ideal de uma revolução socialista, que seria libertária de mesma forma. A leitura nunca parece ter sido reconhecida por Caetano, que mantém apenas a versão de que a canção remete a sua irmã e à sua capacidade de desanuviar seus pensamentos na prisão com a lembrança de sua risada juvenil".



A casa d'Irene - Nico Fidenco
A casa d'Irene si canta si ride / C'e gente che viene, c'e gente che va / A casa d'Irene botiglie di vino / A casa d'Irene stasera si va.
https://youtu.be/jbfV9ZhC2dg

Irene - Erasmo Silva
De Humberto de Carvalho, Henrique de Almeida, A. Garcez.
Disco Odeon 12.676-A. Fevereiro de 1946. Arquivo Nirez. (página de Luciano Hortencio)
https://youtu.be/4BYBqXYB8A8

Ô Irene - Fundo de Quintal
Ô Irene, ô Irene (bis) / Vá buscar o querosene / Pra acender o fogareiro.
https://youtu.be/d4QJPWJx1-k

Irene - Ronaldo Adriano
1976, gênero brega (estilo Evaldo Braga)
https://youtu.be/LVDZtubjnL4

Irene - Caribou
Irene / I know it's hard to stay away / I can only imagine / The things that you must say.
https://www.letras.mus.br/caribou/1446079/

Good Night Irene
The Weavers https://youtu.be/MSDyiUBrUSk
Eric Clapton https://youtu.be/CZm96PKwtHc
Nashville Jam  https://youtu.be/75fQE_d2HM0

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Musical Madalena, A beleza em Tereza, Apareceu a Margarida, Carol, Carolina e A levada da Rita

03 agosto, 2019

O direito de moquear os inimigos

1
Cumprir o que está escrito na Constituição Federal é coisa de gente civilizada.
Mas procuradores e juízes da Lava Jato não são civilizados, eles são tupinambás.
Isso explica porque eles não reconhecem a validade e eficácia dos princípios constitucionais do Direito Penal.
A única coisa que os juristas tupinambás respeitam é o direito deles de executar e moquear seus inimigos.
Eles têm Fé e tem Rei (Pelé), mas não tem Lei.
Fábio de Oliveira Ribeiro, GGN

2
Deltan Dallagnol tem de dividir a cela com Walter Delgatti. Ambos são hackers —o segundo, em sentido estrito; o primeiro, em sentido derivado. Um recorre a seus conhecimentos técnicos para roubar dados de celulares; o outro se aproveita de sua condição para cometer abuso de autoridade e roubar institucionalidade.
Sim, há diferenças brutais entre eles, a exemplo daquelas caracterizadas por Padre Vieira em célebre sermão ao distinguir o ladrão grande do pequeno. Um rouba "debaixo de seu risco"; o outro, "sem temor nem perigo"; um, se rouba, é enforcado; outro "rouba e enforca".
Reinaldo Azevedo, DCN

O desmonte da agenda ambiental brasileira

São Paulo – O mundo está preocupado com o futuro da maior floresta tropical da Terra e da qual depende o equilíbrio ambiental do Planeta. Promessa de liberação de áreas protegidas da Amazônia para a mineração, esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente, ataques às ações de fiscalização do Ibama e de órgãos de monitoramento do desmatamento, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outras ações que especialistas chamam de desmonte da agenda ambiental brasileira formam os ponteiros de um "relógio da morte", segundo a revista britânica The Economist.
Em sua edição de agosto, o tradicional periódico britânico sentencia: "Brasil pode salvar Amazônia ou destruí-la". A segunda opção é mais provável dado o risco de colapso ecológico associado às políticas do atual governo para a região. Desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro, as árvores estão desaparecendo a uma taxa equivalente a "duas vezes a área de Manhattan (EUA)" por semana, destaca a revista. Dados do Inpe divulgados nesta quinta-feira mostram uma escalada de 40% no desmatamento entre 1.º de agosto de 2018 a 31 de julho deste ano, no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
O texto lembra que, apesar de grandiosa, a floresta amazônica possui um equilíbrio delicado e cada vez mais ameaçado. A Amazônia desempenha um papel crucial no sistema climático global, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para regiões distantes. Por isso, argumenta a revista, o que acontece naquele vasto e verde mundo de água e floresta diz respeito ao mundo inteiro e não apenas ao Brasil, como afirmou Bolsonaro recentemente. [https://exame.abril.com.br/brasil/amazonia-brasil-pode-salvar-a-floresta-ou-destrui-la-diz-the-economist/amp/]
. . .
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) surgiu no início dos anos 1960, motivado pelas expectativas que se criaram em torno das primeiras conquistas espaciais obtidas pela União Soviética e pelos Estados Unidos. Tem como missão produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial e do ambiente terrestre e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.
Mantém cooperações técnico-científicas com 88 empresas e instituições no Brasil e cooperações bilaterais e multilaterais com governos e instituições de muitos outros países.
Entre os dados abertos do INPE estão os do portal TerraBrasilis, que é uma plataforma web desenvolvida para acesso, consulta, análise e disseminação de dados geográficos gerados por projetos de monitoramento da vegetação nativa  como o DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) e o PRODES (utilizado no Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira).
Comunicado à imprensa em 1.º de agosto de 2019:
. . .
O INPE reafirma sua confiança na qualidade dos dados produzidos pelo DETER. Os alertas são produzidos seguindo metodologia amplamente divulgada e consistentemente aplicada desde 2004. É amplamente sabido que ela contribuiu para a redução do desmatamento na região amazônica, quando utilizada em conjunto com ações de fiscalização.
O trabalho do INPE sempre foi norteado pelos princípios de excelência, transparência e honestidade científica. A busca pelo aperfeiçoamento e pela melhoria constante da qualidade de seu trabalho também são componentes fundamentais de sua cultura técnica e científica.

02 agosto, 2019

Linhas cortantes

Soltar pipas, papagaios ou arraias é uma brincadeira tradicional no Brasil. Não fossem a utilização das linhas cortantes (para os chamados "cortes de arraias") e o enroscamento das linhas nos fios da rede elétrica, essa brincadeira seria um passatempo considerado inocente.
Não o é, como disse, pelos motivos acima expostos.
No passado, a linha cortante era o cerol. Preparado em casa com vidro finamente moído e cola de sapateiro derretida, o cerol já causava sérios acidentes, não só entre os brincantes como também com as pessoas que eram alcançadas por ele.
Com o surgimento da linha chilena, o problema tornou-se pior. Feita industrialmente com pó de quartzo e óxido de alumínio, o poder de corte da linha chilena é muito superior ao do cerol (4x). E as histórias de pessoas lesionadas e até mesmo mutiladas por essa linha mostram-se cada vez mais frequentes.
O motovlogger Chico Sepúlveda postou um vídeo alertando para os perigos do cerol e da linha chilena. Vamos apoiá-lo nesta campanha.


A correlação das línguas tonais com o ouvido absoluto

Nas línguas tonais, a altura dos tons pode ser decisiva. Ela determina o significado das palavras ou das sílabas. Assim, o tom está firmemente ligado à palavra. A maior parte das línguas faladas na Ásia são língua tonais. O chinês, o tailandês e o vietnamita pertencem, por exemplo, a este grupo. Também na África e em ilhas do Pacífico existem línguas tonais. Muitas línguas indígenas da América são igualmente línguas tonais. De um modo geral, as línguas indo-europeias contêm apenas alguns elementos tonais (como acontece com o sueco e o sérvio).
É interessante realçar que as línguas tonais podem ter um efeito sobre o ouvido absoluto, [1] [2] [3] que é a capacidade de discriminar com exatidão os tons escutados. Estudos sobre o ouvido absoluto têm confirmado este fato. Na Europa e na América do Norte, o ouvido absoluto é muito raro. O número de pessoas com um ouvido absoluto não chega a uma em cada 10.000. No caso dos falantes nativos de chinês, a situação é diferente. Neste caso, o número de pessoas com esta capacidade é nove vezes maior. Quando somos crianças todos nós temos um ouvido absoluto. Precisamos dele para podermos aprender a falar corretamente. Infelizmente, a maioria das pessoas perde esta capacidade com o passar do tempo.

Fonte: https://www.10winds.com/50languages/did_you_know/PT032.HTM

01 agosto, 2019

Sobrinhos do Capitão

Em 12 de dezembro de 1897, o estreante Rudolph Dirks começou a publicar as trapalhadas dos "Sobrinhos do Capitão" no jornal de W. R. Hearst.
O loiro Fritz e o moreno Hans vivem em alguma colônia alemã da África, a princípio em companhia da mãe, do pai e do avô. Com o passar dos anos, o pai e o avô simplesmente sumiram da tira e, em 1902, apareceu o Capitão: aquele que se tornaria seu pai adotivo e, principalmente, o alvo favorito dos garotos.
Hans e Fritz representam, em última análise, a guerra contra qualquer tipo de autoridade – paterna, escolar, administrativa.

Erico Molero, em Guia dos Quadrinhos, 2007

O cruzamento de espécies

Pergunta. Deixando de lado todas as miríades de objeções éticas, os chimpanzés e os humanos poderiam se cruzar com sucesso? – J. Goodall

Resposta. Ninguém sabe - ou se o fizeram, eles estão guardando para si mesmos, diz o Dr. Ian York, do Centro Médico da Universidade de Massachusetts. Vamos começar com uma questão relativamente simples: os humanos e os chimpanzés podem cruzar-se para produzir descendentes férteis? A resposta é um claro "não"; chimpanzés e humanos têm diferentes números de cromossomos (humanos 23 pares, chimpanzés 24), que quase (não completamente) significa que qualquer descendente hipotético seria estéril.
Membros de diferentes espécies podem, de fato, às vezes se cruzar. Os exemplos mais óbvios são cavalos e burros, que são espécies diferentes, têm números cromossômicos diferentes, mas podem se cruzar produzindo mulas.
Além disso, porém, diz o Dr. York, não há uma regra simples para determinar quais espécies podem se cruzar. Os seres humanos e os chimpanzés divergiram (na evolução) aproximadamente ao mesmo tempo que cavalos e burros (entre 5 e 10 milhões de anos atrás) e, muito grosseiramente, são tão semelhantes, geneticamente, quanto cavalos e burros. Mas isso não garante nada; é um assunto caso a caso. Algumas espécies que são mais semelhantes que humanos a chimpanzés não podem se cruzar.
"Em princípio, é perfeitamente possível que os chimpanzés e os humanos possam se cruzar. Em princípio, é inteiramente possível que eles não consigam. A menos que a experiência seja feita, não saberemos." – The Hook

Ler também: Humanzee (um hipotético híbrido humano/chimpanzé). Uma tentativa fracassada de criar tal híbrido foi feita por Ilya Ivanovich Ivanov, na década de 1920.

31 julho, 2019

Trágico contato



Diz a lenda popular que Horst Rippert, o piloto de caça alemão que abateu o avião do autor de "O Pequeno Príncipe" (em 31 de julho de 1944, no Golfo de Biscaia), desmoronou e chorou ao ouvir as notícias - Saint-Exupéry tinha sido seu autor favorito.
Que forma trágica de contato, a guerra.

Ver também:
MEMÓRIA. Antoine de Saint-Exupéry

O cibernético SAM

SAM (Sound Actived Mobile) foi a primeira escultura a se mover direta e reconhecidamente em resposta ao que estava acontecendo a seu redor. Ele foi exibido na exposição "Cybernetic Serendipity", (*) que foi realizada inicialmente no Instituto de Arte Contemporânea em Londres, em 1968, e mais tarde percorreu o Canadá e os EUA terminando no Exploratorium em San Francisco.
O SAM consistia em um conjunto de peças fundidas de alumínio, um tanto reminiscentes de vértebras, encimadas por um refletor de fibra de vidro semelhante a uma flor (uma papoula), com um conjunto de quatro pequenos microfones montados imediatamente à frente dele. As vértebras continham pistões hidráulicos em miniatura que lhes permitiam mover-se um em relação ao outro, de modo que toda a coluna pudesse girar de um lado para o outro e inclinar-se para frente e para trás. Um circuito eletrônico simples usava os sinais dos quatro microfones para determinar a direção de onde vinha qualquer som na vizinhança e duas servoválvulas eletro-hidráulicas moviam a coluna na direção do som até que os microfones a encarassem.
http://www.senster.com/ihnatowicz/SAM/sam.htm

N. do E.
(*) Em inglês existe a palavra "serendipity" para designar as descobertas afortunadas, feitas aparentemente por acaso. Foi criada pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754, a partir do conto persa infantil "Os três príncipes de Serendip". Esta história de Walpole conta as aventuras de três príncipes do Ceilão, actual Sri Lanka, que viviam fazendo descobertas inesperadas, cujos resultados eles não estavam procurando realmente. Graças à capacidade deles de observação e sagacidade, descobriam “acidentalmente” a solução para dilemas impensados. Esta característica tornava-os especiais e importantes, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.
http://blogdopg.blogspot.com/2015/07/descobertas-ao-acaso.html



"Não grite, eu não sou surdo"
O comportamento resultante, o de seguir o movimento das pessoas enquanto caminhavam ao redor de seu pedestal, fascinou muitos observadores. Além disso, como a escultura era sensível a ruídos discretos mas sustentados, em vez de gritos, muitas pessoas passaram horas em frente ao SAM tentando produzir o nível certo de som para atrair sua atenção.
O SAM ainda existe. Não funciona atualmente, pois alguns de seus componentes foram removidos (principalmente o hardware hidráulico). Dê uma olhada em suas fotos na condição atual.

30 julho, 2019

Fones de ouvido - 13

QUANDO SEUS FONES DE OUVIDO ESTÃO COM DEFEITO ...
E VOCÊ ENCONTRA A ÚNICA POSIÇÃO EM QUE FUNCIONAM.

+ fones de ouvido
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 89, 10, 11 e 12

A descoberta dos números incomensuráveis

A Escola Pitagórica descobriu a existência de números irracionais, isto é, números que não eram naturais (1,2,3, ...), ou inteiros (...- 3, -2, -1,0,1,2,3 , ...) nem racionais (frações de números inteiros).
Eles chamaram esses números de incomensuráveis.
É possível que essa descoberta tenha ocorrido ao tentar resolver o seguinte problema:
Se traçarmos um quadrado cujo lado mede a unidade, isto é, 1, e tentarmos calcular o que mede a diagonal usando o Teorema de Pitágoras, poderemos dividir o quadrado em dois triângulos cuja hipotenusa será a diagonal d do quadrado. Em resumo, teremos dois triângulos retangulares iguais com catetos que medem 1.
Se aplicarmos agora o Teorema de Pitágoras, verificaremos o seguinte desenvolvimento de d na relação pitagórica.
O número √2  é irracional (com decimais não periódicos infinitos).
Os pitagóricos ficaram muito surpresos com a existência desses números "tão raros" que contradiziam sua doutrina que defendia a adoração do número como a entidade perfeita que governava o universo e tudo o que existia nele.
Aparentemente, decidiram manter em segredo a descoberta que mostrava a fragilidade de suas crenças, executando um dos membros que traiu a seita revelando a descoberta.
In: Los pitagóricos y los números irracionales
Hipaso de Metaponto
Foi um filósofo pré-socrático, membro da Escola pitagórica. Nasceu em torno do ano 500 a.C. em Metaponto, cidade grega da Magna Grécia situada no Golfo de Tarento, ao sul do que agora é a Itália. Os documentos da época dão versões diferentes para seu final (afogamento, suicídio, banimento...).
A descoberta de razões incomensuráveis é atribuída a Hipaso de Metaponto (séc. V a.C.). Supõe-se que os pitagóricos estavam no mar naquele momento e lançaram Hipaso para fora do barco por ter produzido um elemento no universo que negava a doutrina pitagórica de que todos os fenômenos do universo podem ser reduzidos a números inteiros ou suas razões.
Assim, "a descoberta da existência de números irracionais foi surpreendente e perturbadora para os pitagóricos. [...] Tão grande foi o 'escândalo lógico' que, por algum tempo, foram feitos esforços para manter a questão em sigilo, e há uma lenda que conta que o pitagórico Hipaso (ou um outro talvez) foi lançado ao mar pela ação ímpia de revelar o segredo a estranhos ou (de acordo com outra versão) que ele foi banido da comunidade pitagórica, sendo-lhe erigido um túmulo, como se estivesse morto.
In: Revisitando a descoberta dos incomensuráveis na Grécia Antiga, por Carlos Gonçalves e Claudio Possani
Segundo a lenda, um dos seguidores de Pitágoras, Hipaso de Metaponto, provou, especificamente, que a diagonal de um quadrado unitário (um quadrado com lados valendo uma unidade) é irracional: não é uma fração exata. Conta-se que (as fontes são duvidosas, mas a história é boa) ele cometeu o erro de anunciar esse fato quando os pitagóricos estavam atravessando o Mediterrâneo de barco, e seus colegas de seita ficaram tão exasperados que o lançaram ao mar e ele se afogou. O mais provável é que tenha sido simplesmente expulso da seita. Qualquer que tenha sido sua punição, ao que parece os pitagóricos não ficaram nada satisfeitos com a descoberta.
A interpretação moderna da observação de Hipaso é que é irracional. Para os pitagóricos, esse fato brutal era um golpe decisivo em sua crença praticamente religiosa de que o Universo se baseava em números – referindo-se aqui a números inteiros. Frações – razões entre números inteiros – se encaixavam bastante bem nessa visão de mundo, mas o mesmo não acontecia com números que provavelmente não eram frações. E assim, afogado ou expulso, o pobre Hipaso tornou-se uma das primeiras vítimas da irracionalidade, por assim dizer, da crença religiosa.
In: Em busca do infinito, por Ian Stewart

29 julho, 2019

Como escapar das braçadeiras plásticas (zip ties)

Usando cadarços:

Demonstração desta manobra em vídeo.

Infelizmente, essa dica também ensina os sequestradores a tirar os sapatos da vítima. Mas pelo menos pode ajudar a frustrar os sequestradores não alfabetizados por computador!

LINKS internos para cadarços
1, 2, 3 e 4

A cisterna "Chapéu do Padre Cícero"

No início dos anos 2000, a Articulação no Semiárido Brasileiro desenvolveu o programa "Um Milhão de Cisternas", [1] [2] a ser implantado em todo o Nordeste. Na época, a ideia era atender a uma necessidade básica da população: água para o consumo humano. Com isso, foi criada a cisterna de 16 mil litros para captar água da chuva pelo telhado.
Algum tempo depois, surge o programa "Uma Terra, Duas Águas", com objetivo de implementar a cisterna maior, com capacidade para armazenar 52 mil litros e voltada para produção. Os modelos mais instalados são o do calçadão retangular e o da enxurrada, que ainda hoje são construídos.
Porém, os técnicos enxergavam um problema, sobretudo, na cisterna de calçadão: a tecnologia consumia muito espaço nas terras dos pequenos agricultores, aproximadamente 200 m² de área de cimento, onde a água da chuva é jorrada. Foi aí que os técnicos se debruçaram em busca de outra solução.
Em 2007, teve início as primeiras experiências para criar uma cisterna com calçadão circular em que a água que atingisse seu teto também fosse captada, possuindo a mesma capacidade de estocamento: 52 mil litros. Com 80 m² de área, que escorre para as fendas nas bordas, surge a tecnologia batizada de Chapéu do Padre Cícero, por causa do seu formato (foto). E também para homenagear o Padre que incentivava a construção de uma cisterna em cada casa.


Apesar de ser certificada pela Fundação Banco do Brasil, em 2013, a tecnologia dessa cisterna ainda é pouco difundida no Nordeste e se restringe à região do Cariri, onde foi criada pela Associação Cristã de Base. O custo de cada cisterna "Chapéu do Padre Cícero" é R$ 6 mil,  sendo 40% menor que o custo da convencional, pois utiliza-se de menos material e de menos mão de obra.

Texto e foto de Antonio Rodrigues, publicado em 15/02/2018, no Diário do Nordeste
(condensado por PGCS)

28 julho, 2019

Bajazeto e a melancia

Tanta era a ênfase do iraniano Bajazeto de Bastam na imitação de Maomé que se recusava a comer melancia por não saber como o profeta a cortaria.

Arabescos

O nome Alá escrito na melancia.

Que o homem repare, pois, em seu alimento. (Corão 80:24)

Bem como em tudo quanto vos multiplicou na terra de variegadas cores. Certamente nisto há sinal para os que meditam. (Corão 16:23)

Ver também: Uma cabra para Alá

E o meu samba vai ficar assim

A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar
Quem descasque por mim.
(Vivo triste mesmo assim!)
— Noel Rosa e Kid Pepe

Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana, menina, tem vitamina
Banana engorda e faz crescer.
— Braguinha e Alberto Ribeiro

Foi numa casca de banana que pisei, pisei
Escorreguei, quase caí
Mas a turma lá de trás gritou: xi ...
Tem nêgo bêbo aí, tem nêgo bêbo aí.
— Mirabeau e Ayrton Amorim

Chiquita Bacana
Lá da Martinica
Se veste com uma casca
De banana nanica.
— Braguinha e Alberto Ribeiro

Eu sou a filha da Chiquita Bacana
Nunca entro em cana porque sou bonita demais
Puxei à mamãe, não caio em armadilha
E distribuo bananas com os animais.
— Caetano Veloso

Olha a banana.
Olha o bananeiro.
— Jorge Ben

Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim.
— Gordurinha e Almira Castilho


Chiclete com Banana: Gilberto Gil / Marjorie Estiano

"No caso de Chiclete com Banana a criação foi coletiva. Os três participaram diretamente, mas só dois podiam assinar. Gordurinha chegou com a ideia, alguns versos prontos e um esboço melódico. A gente já tinha conversado antes sobre a invasão americana na música brasileira... Jackson reclamava muito disso. Aí ficamos alguns dias ajeitando a danada, Jackson burilando no violão, e quando Gordurinha voltou, fechamos. (...) E a música foi feita assim, cada um construindo um pouquinho, porque a gente sabia qual era o recado que queria passar. E deu certo, não foi?"
— Almira Castilho (ex-esposa de Jackson). Em: "Jackson do Pandeiro, o rei do ritmo". São Paulo: Ed. 34, 2001 (p.297) © Fernando Moura e Antonio Vicente.

27 julho, 2019

Fala, Abaporu (2)

Outra releitura de Abaporu, de Tarsila do Amaral, 1928, óleo sobre tela.

📷Abaporu, de @pedrooliverx, 2019, foto na piscina.

A língua do assobio

No mundo todo, são cerca de 70 as populações até agora identificadas que se exprimem através de assobios, conferindo a essa forma de comunicação a complexidade de uma língua perfeitamente definida e acabada.
Julien Meyer, linguista da Universidade de Grenoble, dedicou muitos anos à tarefa de encontrá-las e estudá-las in loco. Um trabalho que revela muito sobre como o cérebro interpreta sons e palavras, e que poderia inclusive explicar como os seres humanos se comunicavam originalmente.
Os assobios chegam a distâncias bem mais longas do que os sons da língua falada, mesmo quando gritada. Em um ambiente aberto, os assobios podem ser ouvidos e entendidos a 8 quilômetros de distância. Esta é a razão pela qual a linguagem dos assobios com frequência é utilizada por comunidades isoladas de pastores de montanhas. Ela constitui o método perfeito para transmitir informações do começo ao fim dos vales.
Em La Gomera, uma das ilhas Canárias, existe uma população de "assobiadores" (foto) muito estudada que, com os assobios, elabora frases que possuem complexas regras de sintaxe. A língua se chama Silbo Gomero e é tão semelhante aos cantos dos pássaros, que os melros da ilha aprenderam a imitá-la.
Charles Darwin falava de uma protolinguagem musical. Com base nessa teoria, o ser humano teria começado a cantar antes de falar, talvez com vocalizações destinadas a cortejar os parceiros. Como fazem até hoje um grande número de espécies animais, com essa prática o homem primitivo assustava e intimidava os rivais, ressaltava a sua própria pessoa no seio da comunidade e consolidava os seus laços sociais.
Se essa teoria for válida, a linguagem dos assobios poderá ser considerada uma forma de protolinguagem.

Extraído de: A língua do assobio. Forma primitiva de comunicação ainda sobrevive. Equipe Oásis

A La Gomera me voy, Blog EM

LOUVOR AO ASSOVIO, Preblog

26 julho, 2019

Um fóssil trilobita

Este é um fóssil trilobita Boedaspis, de 480 milhões de anos, encontrado na pedreira de Putilovo, perto de São Petersburgo, Rússia.



Foi extraído do calcário circundante por um mestre preparador de fósseis, usando abrasivos de ar sob microscópio.
Tempo usual de preparação desse tipo de exoesqueleto: 100 - 200 horas.


Os trilobitas eram em grande maioria de ambientes marinhos. Eles possuíam um exoesqueleto de natureza quitinosa que, na zona dorsal, era impregnado de carbonato de cálcio, o que lhes permitiu deixar fósseis em abundância.

As salas de aula nas antigas salamancas

Vejam como as salas de aula de 900 anos atrás, como nas universidades de Salamanca, Paris, Bolonha, Cambridge etc. eram organizadas:

1. Fileiras de bancos e mesas de madeira, em paralelo, voltadas para a frente. Alunos sentados lado a lado, anotando em rolos de pergaminho, com pedaços de grafite ou penas de ganso (ainda hoje podem ser encontradas carteiras em escolas brasileiras que têm o buraquinho para pôr o tinteiro, um anacronismo).

2. Professor na cátedra (cadeira alta, com um baldaquino, com uma mesa, e espaço para colocar o livro sendo lido para os alunos — os livros eram muito caros, e os alunos não tinham cada um o seu — isso só surgiu depois do século XV, com o livro impresso. Tanto é que os professores até hoje são chamados de lentes, em Portugal e Espanha, e "readers" ou "lecturers", na Inglaterra e EUA. E catedráticos ("chairman"), que são os que têm direito de sentar na cátedra, imponente… A invenção da cátedra precedeu a dos bancos escolares, pois já existia no século X.

3. Na Renascença, surgiram os anfiteatros, com a parte ocupada pelo professor em uma parte mais profunda, e com os bancos escolares distribuídos em semicírculo, em diferentes níveis. Eu visitei a sala em que o Galileu dava aula, que é do tempo do grande anatomista Marcelo Malpighi, na Universidade de Pádua. Muito confortável, muito pratica, os alunos enxergam tudo, por isso eram muito usadas para demonstrações como experimentos de física e química, dissecções e cirurgias. Não sei porque desapareceu, é o caso de uma sala bem inventada. Aliás. chama-se anfiteatro justamente por ter sido inspirado quanto à disposição nos teatros greco-romanos. Foi uma adaptação para dar aula.

Extraído de: Nos tempos da lousa e giz, por Renato Sabbatini. In: Noosfera

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O quadro negro, não sendo ele negro
Desenvolvido pelo escocês James Pillans, em 1801, o quadro negro foi uma grande revolução no ensino. Antes dele os professores não tinham como escrever algo que todos os alunos pudessem ver ao mesmo tempo. Inicialmente, eram fabricados a partir de uma pedra preta ou cinza escura, a ardósia. Com o tempo, surgiram novos materiais, mais baratos, claros, fáceis de manusear e menos frágeis. Os quadros poderiam ser fabricados de qualquer cor, mas o verde foi uma escolha popular. Além de ser mais confortável para os olhos, destacava melhor as cores dos gizes. Hoje, a palavra quadro negro, apesar de ainda ser utilizada, está sendo substituída por lousa ou apenas quadro.
O giz, não sendo ele giz
Os primeiros gizes eram meros pedaços de calcita (carbonato de cálcio), uma rocha sedimentar branca. Brancos, porosos e propensos a se fixar nas superfícies onde são colocados (e igualmente fáceis de limpar). Os gizes atuais são feitos de gesso comprimido (sulfato de cálcio), produzidos quimicamente, e podendo ser adicionados de corantes.