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29 julho, 2026

Por falta de originalidade

Jack London costumava comprar ideias de histórias do jovem Sinclair Lewis. Ele atribuía isso à sua "maldita falta de originalidade".
Dos 55 roteiros que Lewis lhe enviou, London comprou 27, pagando US$ 137,50. Destes, London usou cinco: três para contos, um para uma novela e um para um romance que ele nunca terminou.
Ele escreveu certa vez para Elwyn Hoffman:
"Como você vê: expressar, para mim, é muito mais fácil do que inventar."

12 fevereiro, 2025

Albert Camus - 2

Nascido em uma Guerra Mundial para viver em outra, Albert Camus (7 de novembro de 1913 – 4 de janeiro de 1960) morreu em um acidente de carro com uma passagem de trem não utilizada para o mesmo destino... no bolso. Apenas três anos antes, ele havia se tornado o segundo mais jovem laureado do Prêmio Nobel concedido para literatura.

"O que resta é um destino cuja única saída é fatal."
CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Ed. Record, pg. 97

30 dezembro, 2022

Concurso de frases de abertura para romances

A premissa do Concurso Bulwer-Lytton de Ficção (where "www" means wretched writers welcome) é "compor frases de abertura para o pior de todos os romances possíveis". Como tal, a frase em si não precisa ser ruim, mas deve ser projetada para criar uma história que fará você temer pelo resto do livro. Mesmo que seus originais não sejam encaminhados a uma editora.
Essa caprichosa competição literária homenageia Sir Edward George Bulwer-Lytton, cujo romance de 1830, "Paul Clifford", começa com "Foi uma noite escura e tempestuosa" - um dos incipts mais conhecidos da literatura inglesa.
Mais de 5.000 inscrições chegaram à 40.ª edição do concurso. E a vencedora de 2022, na categoria Literatura Infanto-Juvenil, foi esta digestiva abertura:
Três ursos chegaram à sua toca e descobriram uma menina de cabelos louros dormindo e, como ela não era nem muito quente nem muito fria, nem muito mole nem muito dura, mas na medida certa, eles a comeram.
Neil Prowd, Ballarat, Victoria, Austrália

02 dezembro, 2022

Primeiras coisas por último

No livro 11 da Odisseia, Odisseu (Ulisses) encontra sua mãe no Hades (Inferno, em grego) e lhe faz sete perguntas:
1. O que a matou?
2. Uma longa doença?
3. Ou Ártemis (Diana) com suas flechas?
4. Como está meu pai?
5. Como está meu filho?
6. Meus bens estão seguros?
7. Minha esposa tem sido fiel?
Ela responde todas as perguntas, mas estranhamente na ordem inversa:
7. Sua esposa tem sido fiel.
6. Seus bens estão seguros.
5. Seu filho está prosperando.
4. Seu pai está vivo, mas em condições precárias.
3. Ártemis não me matou com suas flechas.
2. Nem uma doença me matou.
1. Mas minha saudade de você me matou.
Essa inversão é chamada de quiasmo e aparece em toda a literatura oral. Para além do seu efeito estético, pensa-se que pode ter ajudado os poetas antigos a recordarem longas passagens e a estrutura de uma história complexa. (Futility Closet)

A estruturação do quiasmo (do grego khiasmós, cruzamento) pode entender-se sob a forma de enumeração, na qual os elementos se repetem em ordem invertida. Vejamos como se desenvolve o quiasmo com um exemplo.
1. Acordei.
2. Peguei num livro.
3. Comecei a ler.
3. Acabei de ler.
2. Deixei o livro.
1. Adormeci.
O quiasmo expressar-se-ia da seguinte forma: "Acordei, peguei num livro e comecei a ler. Quando acabei de ler, deixei o livro e adormeci".

Para melhor compreensão dessa figura de estilo em que os elementos são dispostos de forma cruzada, eis mais alguns exemplos:
Melhor é merecê-los sem os ter / Que possuí-los sem os merecer. (Os Lusíadas, XI, 93)
Evito-o em toda a parte, em toda a parte ele me persegue.
Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigada eu vinha.
Era fera lá fora, em casa carneiro era.
Pouco milho pra muito bico, muita caca pra pouco penico.

Variante: quiasma. O quiasma óptico é uma estrutura em formato de X formada pelo encontro dos dois nervos ópticos. Localiza-se na parte anterior do assoalho do III ventrículo. Recebe as fibras dos nervos ópticos, que ai cruzam em parte e continuam em direção aos corpos geniculados laterais.
(Fig.)

18 outubro, 2021

Sinopse

"Nem sempre somos dores, nem sempre somos fortes... E só seguimos, porque existem sonhos."

Sonhos... O que os definem e ou os diferem?

Diferentes cérebros, conheceres, desejos, critérios etc.

Escrever um texto ou livro, com ou sem um verbete. Ser erudito ou comum, inscrito ou proscrito. Seguir simplesmente ou emergir do "mundo" do medo, despindo-se do obsoleto cruel que envolve e sucumbe sonhos.

Um emergir em desejos prolíferos descritos em contos contíguos define seu norte. Ser escritor. Consciente do difícil percurso descreve seu ir e vir num frenético recomeço. Em trens, ônibus e metrôs expõe grilhões que ferem e reduzem o ser livre, porém contido, que no refúgio de seu loft, no conforto de seu "pufe" e em conjunto com seu notebook constrói o que premeditou. Do sonho pueril surge o inconteste. Despindo seres fictícios rompe com seus temores e conduz com lucidez o verbo ser, inscrito no presente e no futuro, descrevendo o efêmero, o infinito e, seus possíveis encontros consigo e com o mundo:

"Sou um lírio perdido no imenso,

Torcendo e querendo outro beijo..."

@ngel@ Budd@

Elder Prates, autor dos livros "O sonho de ser escritor", escrito sem a utilização da letra A, o "Diário do Psiquiatra", escrito sem a utilização da letra E, e "Opúsculo à Contemplação", escrito sem a utilização da letra I. Reside em SP.

O lipograma: o que é isto?

15 janeiro, 2021

A escrita logogenética

Entediados, um dia, o autor de ficção científica Damon Knight e sua esposa inventaram a logogenética, "a nova ciência de vender histórias sem realmente escrevê-las".
  • Pegue dois livros e abra cada um em uma página aleatória.
  • Escolha uma palavra do primeiro livro e depois outra do segundo que possa segui-la razoavelmente. Escreva-as.
  • Leia a próxima palavra em cada livro. Escreva-as.
  • Continue dessa maneira, descartando palavras "ruins", conforme fôr necessário, até que você reúna uma história inteira.
Como exemplo, Knight combinou "The World of Null-A", de AE ​​van Vogt, com "The Golden Apples of the Sun", de Ray Bradbury, para produzir "The World of Null-Apples", de A. Ray Van Vogtbury:

Gosseyn se mexeu, mas em torno da porta.
"Engula os comprimidos". No céu, com uma grande chegada desesperada, o perigo florescendo em assobios irreais, Prescott disse calmamente: "Das mulheres que viram isto, helicópteros irão nevar". Os hotéis, as pessoas físicas, cidades que subiram a um poder estranho. Quente, estranhamente, com fáceis rostos rosados, porque a corrida de homens presos soaria misteriosa. "Você se opôs ao ataque, cara!".
Assassinato. Dois supostos Gosseyn de chocolate maltado. Ele sorriu bruscamente, pois o problema mudo, lenta e relutantemente desembaraçante, dizia-lhe sobre a aceitação parcial da cor. Mais uma vez, era uma imagem de uma mente sombria, mais próxima da sanidade, um devaneio branco, inquieto brilhando. (...)

A escrita logogenética raramente faz sentido, mas Knight ressalta que "o ideal é escrever pequenos livros para exibir em exposições de arte ultramoderna".

N. do E.
Participando do "I Concurso de Contos, Poesia, Fotografia e Artes Plásticas", promovido pelo "Movimento Cultural dos Servidores do INAMPS", em Fortaleza-Ce, em 1984, com o texto OS GERÚNDIOS ESTÃO FLORINDO, obtive o 1.º lugar na categoria "Contos". Desconhecia então a tal escrita logocinética.

04 dezembro, 2020

Histórias que têm apenas seis palavras (2)

São elas uma categoria de narrativa? 
O professor de literatura comparada da Universidade Hebraica de Jerusalém, David Fishelov, acredita que sim. Em seu ensaio sobre o assunto, "The Poetics of Six-Words Stories" (*), Fishelov considera até mesmo as histórias por websites. 
(*) O título do ensaio tem seis palavras. Desde que você ignore o hífen, contando "Six-Words" como duas palavras. Em vez de apenas uma palavra hifenizada.
Quem foi o criador das histórias de seis palavras? 
Alguns afirmam que foi Ernest Hemingway. Com seu famoso conto: "For sale: baby shoes, never worn" (À venda: sapatos de bebê, nunca usados), que Ernest, diz Penned, escreveu em um guardanapo. Mas é possivelmente uma história apócrifa.

http://www.improbable.com/2019/11/04/stories-that-only-have-six-words-a-valid-category-of-narrative-genre/
http://quoteinvestigator.com/2013/01/28/baby-shoes/
http://blogdopg.blogspot.com/2020/05/historias-que-tem-apenas-seis-palavras.html


Existe um texto alternativo popular baseado em outro item vinculado a bebês: "Para venda, carrinho de bebê, nunca usado". Que tem o mesmo formato de um anúncio classificado.
O leitor deve cooperar na construção da narrativa mais ampla, obliquamente delimitada por essas palavras, que implica aborto espontâneo ou morte súbita do bebê.

27 novembro, 2020

Sobre a relação mapa-território

Pegue um mapa de onde você estiver e coloque-o no chão. Haverá exatamente um ponto no mapa que está diretamente acima do ponto que representa no chão. Isso se refere ao teorema do ponto fixo de Banach.

"Del rigor en la ciencia"
É um conto de um parágrafo escrito em 1946 por Jorge Luis Borges, sobre a relação mapa-território, na forma de uma falsificação literária. A história de Borges, creditada ficcionalmente a "Suárez Miranda, Viajes de varones prudentes, Livro IV, Cap. XLV, Lérida, 1658", imagina um império onde a ciência da cartografia se torna tão exata que apenas um mapa na mesma escala do império será suficiente.
"As seguintes gerações entenderam que o extenso Mapa era inútil e, não sem impiedade, elas o entregaram às inclemências do sol e do inverno. Nos desertos do oeste, as ruínas do Mapa permanecem habitadas por bestas e ocasionais mendigos."
Borges, conheça Carroll!
"Que coisa útil é um mapa de bolso!" comentei.
"Essa é outra coisa que aprendemos com sua nação", disse Mein Herr, "a confecção de mapas. Mas levamos isso muito mais longe do que você. O que você considera o maior mapa que seria realmente útil?"
"Cerca de quinze centímetros por milha."
"Apenas quinze centímetros!" exclamou Mein Herr. “Logo chegamos a seis metros por milha. Depois tentamos cem metros por milha. E então veio a maior ideia de todas! Na verdade, fizemos um mapa do país, na escala de uma milha por milha!"
"Você a usou muito?" perguntei.
"Nunca se popularizou ainda", disse Mein Herr. "Os fazendeiros se opuseram: disseram que cobriria todo o país e impediria a luz do sol! Portanto, agora usamos o próprio país, como seu próprio mapa, e eu garanto que funciona quase tão bem."
Lewis Carroll, Sylvie and Bruno Concluded, Capítulo XI, Londres, 1895

N. do E.
O Google Earth, que fornece detalhes de todos os cantos do mundo, seria o mapa 1:1 de que Lewis Carroll falava?

18 setembro, 2020

Anna, de estenógrafa a editora

Anna Dostoyevskaya, por Laura Callaghan
(...) das esposas de escritores russos, sem dúvida a mais notável foi Anna Dostoievskaya (1846-1918), segunda esposa de Fiódor Dostoiévski.
A história de origem de seu amor parece, à primeira vista, ter sido tirado das páginas de um clássico literário russo - ela era uma estudante de estenografia, de 19 anos, que veio trabalhar para o já famoso escritor, de 45 anos.
No início, Anna considerou risível a ideia de um romance com Fiódor. "Nada pode transmitir a aparência lamentável de Fiódor Mikhailovich, quando o vi pela primeira vez", escreveu ela. "Ele parecia confuso, ansioso, impotente, solitário, irritado e quase doente." Ele, por sua vez, foi rápido em lhe propor casamento - mas ela recusou, citando seu desejo de "viver uma vida independente". Era um ideal que funcionava na família - sua irmã, Sofia Kovalevskaya, foi a primeira cientista russa e a jovem Anna, a primeira filatelista russa.
Quando eles acabaram se casando, o vício no jogo de Dostoiévski deixava a família endividada (o que ele tentou resolver inventando um sistema "infalível" para ganhar na roleta). Anna era claramente a chefe racional da família . Então, ela começou a revolucionar a indústria editorial ao transformar seu marido no primeiro autor autopublicado da Rússia, uma proposta ambiciosa e radical. Anna estudou meticulosamente o mercado de livros, pesquisou os melhores fornecedores do país, negociou com diretores de arte e planejou um plano de distribuição. Logo, Dostoiévski foi uma marca nacional. Hoje, muitos consideram Anna a primeira editora russa e a primeira empresária russa.

Extraído de: An illustrated celebration of the little-known mothers, brothers, friends, wives and other unsung champions behind geniuses, por Maria Popova.
Brain Pickings [1] [2]

10 julho, 2020

Um caracol marinho com cracas

Muitos escritores célebres defenderam os benefícios criativos de manter um diário, mas ninguém colocou o diário em um uso prático mais impressionante no processo criativo do que John Steinbeck (27/02/1902 - 20/12/1968).
Na primavera de 1938, ele embarcou na experiência de escrita mais intensa de sua vida. O fruto público desse trabalho se tornaria a obra-prima de 1939, "The Grapes of Wrath" (As Vinhas da Ira), com que Steinbeck ganhou o Prêmio Pulitzer em 1940 e foi a pedra angular do seu Prêmio Nobel, duas décadas depois. Mas suas recompensas particulares são também importantes e moralmente instrutivas: além do romance, Steinbeck deu continuidade a um diário, eventualmente publicado como "Working Days: The Journals of The Grapes of Wrath"  - um registro vivo de sua jornada criativa, em que esse escritor extraordinário luta com uma insegurança insatisfatória (exatamente do tipo que Virginia Woolf descreveu de maneira memorável), mas segue adiante, com partes iguais de entusiasmo e determinação, determinado a fazer o melhor com o presente que ele tem, apesar de suas limitações.
Seu diário, que se tornou para ele uma prática redentora e transcendente, é um testemunho supremo do fato de que a substância essencial do gênio é o ato diário de persistir. Steinbeck captura isso perfeitamente em uma entrada que se aplica a qualquer campo de empreendimento criativo: "Devo anotar minhas palavras todos os dias, sejam elas boas ou não".
Assim, o diário se torna uma ferramenta de autodisciplina (ele jurou escrever nele todos os dias da semana e o fez, declarando em uma das primeiras entradas: "O trabalho é a única coisa boa"). Um mecanismo de estimulação (ele deu a si mesmo sete meses para concluir o livro e terminou-o em menos de cinco meses, com uma média de 2.000 palavras por dia, sem incluir o diário).
Acima de tudo, o diário foi uma ferramenta de prestação de contas para mantê-lo seguindo em frente, apesar da ladainha de distrações e responsabilidades da vida. "Os problemas se acumulam, de modo que este livro se move como um caracol marinho com uma concha e cracas nas costas" , escreve ele, e o essencial é que, apesar dos problemas, apesar das cracas, ele se move.


O livro, é claro, estava longe de ser comum. Além de receber os dois maiores elogios da literatura, "The Grapes of Wrath" permaneceu no topo da lista de mais vendidos por quase um ano após sua publicação, vendeu quase 430.000 cópias apenas no primeiro ano e continua sendo um dos romances mais lidos e celebrados de todos os tempos.

Extraído de: Elevating Resolutions for the New Year Inspired by Some of Humanity’s Greatest Minds, por Maria Popova. Brain Pickings

29 maio, 2020

Histórias que têm apenas seis palavras

Elas são realmente um "gênero narrativo"?
David Fishelov, acredita que elas possam ser. Ele é professor de literatura comparada, na Universidade Hebraica de Jerusalém. Veja o ensaio dele sobre o assunto. "The Poetics of Six-Word Stories" (A Poética das Histórias de Seis Palavras), que foi publicada na Narrative de janeiro de 2019.
O professor considera as histórias de websites. Como neste, por exemplo. E chega a várias conclusões como, por exemplo:
"[…] Elas oferecem uma visão original, nos convidam a mergulhar no iceberg narrativo (para construir exposição implícita, contexto, causas possíveis), reler o texto (muito) breve e refletir sobre o contraste entre seu pequeno formato e as complexas situações humanas que evocam."
RESUMO. Histórias de seis palavras apresentam um estudo de caso intrigante para teóricos de gêneros literários e narratologistas. Apesar da popularidade dessa forma narrativa peculiar - provavelmente a mais recente novidade no clube de gêneros narrativos - e do fato de ter produzido muitos textos cativantes, quase não há discussão crítica sobre esse fenômeno literário em rápido crescimento. Depois de explicar por que as histórias de seis palavras merecem o título de um gênero narrativo, ofereço uma breve discussão comparativa dessas histórias ao lado de formas literárias curtas tradicionais, como aforismos e provérbios. Discuto então sete características importantes das histórias de seis palavras. Os três primeiros compreendem o "núcleo duro" da poética do gênero, os dois seguintes são muito comuns entre histórias de seis palavras, mas não são uma parte essencial de sua poética, e os dois últimos estão relacionados à recepção e produção do gênero: (1) Uma cadeia de eventos representada (o elemento narrativo); (2) A ponta do princípio do iceberg; (3) a estrutura da linha de punção; (4) estruturas rítmicas e poéticas; (5) o realismo das histórias; (6) a "contagiosidade" da forma; e (7) a forte conexão do gênero com o inglês, o idioma em que foi introduzido pela primeira vez. Concluo apontando que, embora muitas histórias de seis palavras ilustrem realizações espirituosas e artísticas, também há o risco de que os praticantes do formulário produzam mecanicamente textos sem graça.
http://muse.jhu.edu/article/712868

Qual foi então o criador das histórias de seis palavras?
Alguns afirmam que foi Ernest Hemingway. Com sua agora famosa obra literária: For sale: baby shoes, never worn (À venda: sapatos de bebê, nunca usados), escrita num guardanapo, diz Penned. Mas é possivelmente uma história apócrifa.

12 dezembro, 2019

Chico Buarque na literatura, teatro e cinema

LITERATURA - Ainda adolescente, publica suas primeiras crônicas no Verbâmidas, jornal do Colégio Santa Cruz.
Em 1966, publica em O Estado de S.Paulo o conto "Ulisses", incorporado depois no primeiro livro chamado "A banda" que trazia os manuscritos das primeiras canções.
Em 1974, sai a novela pecuária "Fazenda Modelo". Em 1979, é editado "Chapeuzinho amarelo" e, em 1981, "A bordo do Rui Barbosa", poema da década de 60 ilustrado por Vallandro Keating.
A partir do início dos anos 80, Chico tem alternado a produção musical com a literária: os romances "Estorvo" (1991), "Benjamim" (1995), "Budapeste" (2003), "Leite derramado" (2009), "Irmão alemão" (2014) e "Essa gente" (2019) e o livro de contos "Anos de chumbo" (2021).
TEATRO - Em 1965, a pedido de Roberto Freire, diretor do TUCA, Teatro da Universidade Católica de São Paulo, Chico musicou o poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, para a montagem da peça. Desde então, sua presença no teatro brasileiro tem sido constante. Foram quatro peças ("Roda Viva", "Calabar", "Gota d'água", e "Ópera do Malandro") que Chico Buarque escreveu, além das diversas canções que ele compôs para o teatro.
CINEMA - Em 1966 fez seu primeiro trabalho para cinema compondo as canções para o filme "Anjo assassino", de Dionisio Azevedo.
Em 1980, chegou às telas o documentário "Certas palavras", de Mauricio Beiru, sobre sua vida.
Escreveu os roteiros de "Os saltimbancos trapalhões", de J. B. Tanko (1981) e Ópera do malandro", de Ruy Guerra (1986).
Como ator, participou de "Garota de Ipanema", de Leon Hirzman (1967); "Quando o carnaval chegar", de Cacá Diegues (1972) - para o qual compôs diversas canções além de organizar as peladas nos intervalos da filmagem; "Vai trabalhar vagabundo II – A volta", de Hugo Carvana (1991); "Ed Mort", de Alain Fresnot (1996); "O mandarim", de Júlio Bressane (1995); "Água e sal", de Teresa Villaverde (2001).
Compôs dezenas de canções para filmes ("Bye bye, Brasil", "Dona Flor e seus dois maridos", "O Grande Circo Místico", "A ostra e o vento", "Joana Francesa", "Eles não usam black-tie" e muitos outros) e participou de diversos documentários:
"O povo brasileiro", de Isa Grinspum Ferraz (2000); "Raízes do Brasil", uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda, de Nelson Pereira dos Santos (2003); "Vinicius de Moraes", de Miguel Faria Jr. (2005); "Fados", de Carlos Saura (2005); "Maria Bethânia: Música é perfume", de Georges Gachot (2005); "O Sol - Caminhando contra o vento", de Tetê Moraes, Martha Alencar (2006); "Oscar Niemeyer - A vida é um Sopro", de Fabiano Maciel (2007); "Palavra encantada", de Helena Solberg (2009)

www.chicobuarque.com.br, com acréscimos. Ainda há itens não incluídos que estão em: http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-194465/filmografia/

09 setembro, 2019

"Elementar, meu caro Watson"

Nas histórias de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes com frequência comentava que suas conclusões lógicas eram "elementares", considerando-as simples e óbvias. No entanto, a frase completa "Elementar, meu caro Watson" não aparece em nenhuma das 60 histórias de Holmes escritas por Doyle.
O começo de "The Crooked Man" (1893) é o mais próximo que "Elementar" e "meu caro Watson" aparecem no texto, mas as duas expressões estão separadas por um parágrafo - e estão na ordem invertida.
"Elementar, meu caro Watson" apareceria mais tarde no capítulo 19 de "Psmith, Journalist" (1915) de PG Wodehouse, e no final do filme de 1929, "O Retorno de Sherlock Holmes", o primeiro filme sonoro com este personagem. A frase também é proferida no filme de 1935, "O Triunfo de Sherlock Holmes", uma adaptação da história "O Vale do Medo".
en.wikiquote.org

Em 21/12/2018: "Toque de novo, Sam"

22 maio, 2019

Prêmio Camões 2019 para Chico Buarque

O compositor, romancista e dramaturgo Chico Buarque foi homenageado nesta terça-feira (21/05) com o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. Essa é a primeira vez que um músico é agraciado com o troféu, que é um reconhecimento pela obra completa do autor.
Um dos maiores nomes da MPB, Chico foi eleito por unanimidade pelo júri composto pelos portugueses Clara Rowland e Manuel Frias Martins, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e Antônio Carlos Hohlfeldt, pela angolana Ana Paula Tavares e pelo moçambicano Nataniel Ngomane.
O júri destacou o "caráter multifacetado" do trabalho de Chico, além de afirmar que a escolha ocorreu tanto pela qualidade da obra do compositor quanto por sua "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações" em vários países de língua portuguesa. "Seu trabalho atravessou fronteiras e mantém-se como uma referência fundamental da cultura do mundo contemporâneo", ressaltou em nota.
O peso literário das composições de Chico também foi destacado. "Evidente que esse prêmio é um reconhecimento pela poesia dele nas letras de música, que também são literárias, não só pelos livros. São poemas. Grandes poemas. A música 'Construção', por exemplo, é um poema até raro de se fazer", afirmou o escritor Antonio Cicero, ao jornal Folha de S.Paulo.
Francisco Buarque de Hollanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro. Começou sua carreira musical na década de 1960 e se tornou um dos maiores compositores brasileiros. Em 1967, escreveu sua primeira peça de teatro, "Roda Viva". Em 1991, publicou seu primeiro romance, "Estorvo".
O sucesso como escritor lhe rendeu três prêmios Jabuti, a premiação literária mais importante do Brasil, de melhor livro do ano, por "Budapeste", em 2006, e "Leite Derramado", em 2010. Já "Estorvo" ganhou na categoria melhor romance. Seu último livro, "O Irmão Alemão", foi publicado em 2014.
O Prêmio Camões foi criado em 1988 pelo Brasil e por Portugal, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do patrimônio literário e cultural da língua comum". Ao longo de sua história, a distinção já homenageou 13 escritores brasileiros.
Ao ganhar o prêmio, Chico receberá também 100 mil euros.
Paris, 21/05 - "Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar", afirmou Chico Buarque, referindo-se ao compatriota que ganhou o Prêmio Camões em 2016.

15 fevereiro, 2019

Subtexto

Para criar seu romance de 1970, A Humument, o artista britânico Tom Phillips começou com o "A Human Document" (Um Documento Humano), esquecido romance de 1892, de WH Mallock, e desenhou, pintou e colou as páginas, preservando algumas palavras para contar uma nova história até então não revelada.
Por exemplo, o título surge da deleção por Phillips de cinco letras centrais no título de Mallock.
Até esse novo texto está evoluindo. Phillips publicou cinco edições do livro, em cada uma das quais ele substitui certas páginas; Eventualmente, ele espera substituir todas as páginas, criando um trabalho totalmente novo (ou uma versão totalmente nova do mesmo trabalho).
"Podemos chamar o que Phillips está fazendo 'escrita', ou algum outro termo seria melhor?", pergunta Adam Smyth em "London Review of Books". "Qual versão de autoria ou criatividade está em ação aqui? A Humument é um lembrete de que os livros são inevitavelmente intertextuais - eles crescem de textos mais antigos - e que toda escrita envolve a seleção de palavras de um conjunto finito: o que parece ser uma restrição, ter que trabalhar dentro das paredes de um romance preexistente, de fato dramatiza uma condição da literatura".

O texto completo da edição de 1970 está AQUI.

Subtext, Futility Closet

Criar é subtrair, blog EM

28 novembro, 2018

Viagem em volta do meu quarto

Em 1790, Xavier de Maistre escreveu sua "Voyage autour de ma chambre" ("Viagem em volta do meu quarto" ou "Viagem em torno do meu quarto", conforme a edição no Brasil), quando ele estava preso em Turim como conseqüência de um duelo.
Publicada na França em 1794, esta obra é uma paródia na tradição da narrativa das grandes viagens. É um relato autobiográfico de como um jovem funcionário, aprisionado em seu quarto por seis semanas, observa os móveis, gravuras, etc. como se fossem cenas de uma viagem em um terra estranha.
Ele elogia esta viagem porque não custa nada e, por isso, é fortemente recomendada aos pobres, aos enfermos e aos preguiçosos.
"Quando viajo por meu quarto", escreve ele, "raramente sigo uma linha reta: saio da mesa em direção a uma foto pendurada em um canto; de lá, me dirijo obliquamente para a porta; mas mesmo assim, quando ao começar é realmente minha intenção ir até lá, se por acaso eu encontrar minha poltrona a caminho, não penso duas vezes sobre isso e me sento nela sem mais delongas".
Continua:
"Ao lado da poltrona, ao ir para o norte minha cama aparece. Ela está colocado no final do meu quarto e fornece a perspectiva mais agradável. É muito agradavelmente situada, e os primeiros raios do sol brincam em minhas cortinas. Nos bons dias de verão eu os vejo rastejando, enquanto o sol nasce ao longo de toda a parede embranquecida.
Este trabalho é notável porque ele joga com a imaginação do leitor, ao longo de suas linhas  à la Laurence Sterne, a quem Xavier admirava. Xavier não acreditou muito em "Voyage...", mas seu irmão Joseph o publicou, e aqui estamos falando sobre isso 224 anos depois.

09 novembro, 2018

Valor literário

por Alberto Lins Caldas (*)
Como saber se um texto tem ou não "valor literário"? Como saber se um texto é realmente literário ou não passa de uma impostura? A gramática (normalmente o gramaticamente "correto" carrega uma boa dose de servilismo!) não pode ser aquilo que vai decidir sobre o "valor literário": a gramática é um ordenamento de poder, um círculo do já feito, do conhecido e reconhecido: a literatura vai sempre além desse círculo e seu limite; a língua também não pode decidir: a literatura é indiferente à língua: ela é somente seu suporte: não importa em qual língua a virtualidade literária se configure: ela não marca essa virtualidade; a região também em nada afeta o nascimento ou florescimento de uma obra, podendo, quando muito, fazê-la definhar por enquadrá-la a um pequeno significado vivencial, a um comodismo provinciano; uma tradição também não pode servir de parâmetro literário, pois a literatura sempre se fez a um passo depois das tradições, apesar de servir-se delas como nossa fome de um suculento pedaço de carne; gênero também não interessa: a grande literatura não pertence a nenhum gênero específico: não existe literatura negra ou branca, heterossexual ou homossexual, macho ou fêmea, moral ou imoral, infantil ou adulta, desenvolvida ou subdesenvolvida, prosa ou verso: o que há é literatura ou não literatura (parece que ninguém mais sabe o que é literatura e qualquer um que escreve é chamado de escritor); a história da literatura também não pode contribuir: as obras nascem sempre antes das outras obras de uma história: a origem de uma verdadeira obra literária é sempre anterior as suas "influências"; a economia também não resolve a questão: as classes sociais, a riqueza, o capital, a exploração, a mais valia, o roubo, o poder, a miséria, a história, os partidos, a política, o governo: nada disso cria ou impede a criação de uma grande literatura ou de uma grande obra: o "valor literário" não é uma conseqüência, em última instância, das determinantes econômicas. Então como saber se uma obra tem valor literário ou não?
Todas as obras de real valor literário possuem algo em comum: todas elas partem, sempre com um espírito de negação, de uma filosofia (F), de uma estética (E) e de uma visão de mundo (V) e constituem, em seus labirintos, uma visão de mundo própria, uma outra filosofia e uma nova estética: mas esses elementos só servem naquele universo, naquelas obras específicas: dali não nascem mais obras, a não ser como pastiches, reproduções de segunda mão, como em quase todas as obras provincianas: são reproduções simplificadas dos esquemas, das visões, das facilidades visíveis de uma obra, daqueles elementos que o poder difunde como qualidade e valor. Daí a misteriosa e espantosa multiplicação dos bilaquinhos, dos anjinhos, dos montelinhos, das lygiazinhas e dos coelhinhos: o que vemos aos montes em todas as províncias do mundo são pobres pastiches de algo que já foi feito e não poderia mais gerar nada a não ser a exaustão ou o delírio das críticas literárias, que fazem a festa exatamente sobre as FEV geradas pelas obras.
Mas ainda mantemos o mesmo problema: como saber se um texto tem ou não "valor literário"? É um longo caminho. Toda obra realmente literária gera uma rede de galerias onde se formatam em movimento sua FEV: cria-se uma espécie de "virtualidade singular" e uma forma de "virtualidade social". Há um intrincado virtual que é preciso levar em conta antes das análises do leitor, da língua, do estilo, dos discursos, dos gêneros, das formas, das estruturas, das funções. Precisamos, enquanto hermeneutas da obra literária, pensar sobre a FEV que propõe. É a partir desses componentes (FEV) que poderemos estabelecer se uma obra, em seus fundamentos, é somente uma reprodução sem valor, porquê mil vezes dita e dita mil vezes melhor, de uma “escola” qualquer, de um “autor” qualquer.
Uma “obra limite” sem história, sem personagem, sem lugar, sem perspectiva, sem narrador, sem temporalidade pode estruturar uma FEV inigualável. Sua significância nascerá da importância não do estilo, não da gramática, não da tradição, não da língua, não do gênero mas da sua específica FEV. Esse é um começo porque nenhuma obra literária se resume a sua FEV. Mas é dela que retira toda a sua força, todo a multiplicidade que devora as outras obras e exige a multiplicação da leitura e da interpretação; é dela que nasce nossa admiração, nosso amor, nosso espanto, nossa busca, nosso desejo, nosso olhar, nossa leitura. Fazer literatura não é somente escrever, contar uma história, construir um estilo: é criar uma FEV, é constitui-la com toda a nossa singularidade, com toda a sinceridade, coragem e unicidade que nos for possível. Como essa FEV pôs ao seu serviço um estilo, uma gramática, uma tradição, um gênero, uma história, uma língua é a nossa grande questão. Uma virtualidade singular que, para existir, precisa de uma outra voz, uma outra forma, uma outra perspectiva.
Daí porque é impossível para o artista ser "normal" e escrever (ou pintar ou esculpir ou criar qualquer coisa realmente em arte). Gerar filhotes, obedecer à família, entender o governo, participar de um partido político, sentir-se honrado por estar trabalhando ou estudando, amar pai e mãe, amar uma mulher ou à mulher sobre todas as coisas, defender a pátria, chorar de emoção com a bandeira, respeitar alguma coisa, gostar daquilo que todo mundo gosta, assistir televisão, gostar de programas de auditório e novelas, ler os autores da moda, ler os autores respeitados pela "escola" e pela "academia", desejar aquilo que todo mundo deseja e tolices do gênero são sintomas de uma quase FEV massificada que está há muito estabelecida, servindo somente a um mundo ridículo e cada vez mais pobre e fascista. Um escritor é aquele que, antes de tudo e depois de tudo, cria uma FEV própria, singular, como maneira de ver, sentir, dialogar, desejar e sonhar, viver e morrer.
Aqui resolvemos a nossa questão? Não! Para desalinharmos um bom pedaço desses fios é realmente preciso muito caminho e muita tinta. Aqui é somente um dos mil começos de algo sem começo que tem seu fim exatamente em todos os possíveis começos.
(*) Pernambucano de Gravatá, onde nasceu em 1957. Publicou Canto Fundamental e Cacimbas. Colabora em jornais do Recife (Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Diário da Manhã) com artigos de critica literária e poesia. Fundador do grupo informal Poetas da Rua do Imperador. Cursou Historia e Arqueologia na UFPE. Ensaísta proustiano e poeta. 

05 novembro, 2018

Azul, a mais sinfônica das cores

Com o poético Pálido Ponto Azul [1] [2] [3] de Carl Sagan em mente, me vi ultimamente pensando na cor azul e na forma como o tom elementar do nosso planeta, a mais sinfônica das cores, aparece em toda a nossa literatura como algo maior do que um mero fenômeno cromático - um símbolo, um estado de ser, uma posição para as alturas mais líricas e transcendentes da imaginação.
Aqui está um ramalhete azul de alguns dos meus encontros favoritos com essa cor na literatura dos últimos dois séculos.
JOHANN WOLFGANG DE GOETHE (1810)
Em seu sexagésimo primeiro ano, Johann Wolfgang von Goethe (28 de agosto de 1749 - 22 de março de 1832), até então o intelecto reinante da Europa, publicou Theory of Colors [4] - seu esforço para descobrir a ligação psicológica entre a cor e a emoção. quase um século antes do alvorecer da psicologia como um campo formal de estudo, escrito um pouco antes de seu compatriota Abraham Gottlob Werner lançar sua nomenclatura científica seminal da cor, que Darwin mais tarde retomaria no Beagle .
"Adoramos contemplar o azul", escreveu Goethe, "não porque ele avança para nós, mas porque nos atrai". O tratado, composto como uma refutação de Newton, acabou por não ter validade científica. Mas seus aspectos conceituais fascinaram e inspiraram gerações de filósofos e cientistas que vão de Arthur Schopenhauer a Kurt Gödel.
Goethe escreve na seção dedicada ao azul:
Como o amarelo é sempre acompanhado de luz, pode-se dizer que o azul ainda traz consigo um princípio de escuridão.
Essa cor tem um efeito peculiar e quase indescritível no olho. Como tonalidade, é poderoso - mas está do lado negativo e, em sua mais alta pureza, é, por assim dizer, uma negação estimulante. Sua aparência, então, é uma espécie de contradição entre excitação e repouso.
Como o céu superior e as montanhas distantes parecem azuis, uma superfície azul parece se afastar de nós.
Mas, à medida que prontamente seguimos um objeto agradável que se distancia de nós, amamos contemplar o azul - não porque ele avança para nós, mas porque nos atrai.
O azul nos dá uma impressão de frio, e assim, novamente, nos lembra de sombra... As salas pintadas em azul puro parecem, em algum grau, maiores, mas ao mesmo tempo são vazias e frias.
A aparência de objetos vistos através de um vidro azul é sombria e melancólica.
Extraído de: Two Hundred Years of Blue, de Maria Popova, publicado em Brain Pickings.

Em seu "ramalhete azul", a escritora inclui Thoreau, Virgínia Woolf, Vladimir Nabokov, Rachel Carson, Toni Morrison e outros mestres da literatura.

N. do T. Os números com links de referências são nossos.

20 setembro, 2018

Literatura de Cordel - Patrimônio Cultural do Brasil

O gênero literário, que também é ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros, a Literatura de Cordel, foi reconhecido pelo Conselho Consultivo como Patrimônio Cultural Brasileiro. A decisão foi tomada por unanimidade nesta quarta-feira, 19 de setembro, pelo colegiado na reunião de ontem no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e folheteiros (como são conhecidos os vendedores de livros) já podem comemorar, pois agora a Literatura de Cordel é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, anuncia o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
O cordel foi inserido na cultura brasileira ao final do século 19. O gênero resultou da conexão entre as tradições orais e escritas presentes na formação social brasileira e carrega vínculos com as culturas africana, indígena e europeia e árabe. E tem ligação com as narrativas orais, como contos e histórias; com a poesia cantada e declamada; e com a adaptação para a poesia dos romances em prosa trazidos pelos colonizadores portugueses.
Tendo começado no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade nos Estados do Nordeste e no Pará, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar "esta expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados".
Originalmente, a expressão literatura de cordel não se refere em um sentido estrito a um gênero literário específico, mas ao modo como os livros eram expostos ao público, pendurados em barbantes, em uma especie de varal (foto).


31 agosto, 2018

Cacá Diegues: novo membro da ABL

O cineasta Carlos José Fontes Diegues, conhecido como Cacá Diegues, foi eleito ontem (30) para ocupar a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, que pertenceu ao também cineasta Nelson Pereira dos Santos, morto em abril deste ano.
Cacá Diegues venceu outros dez candidatos, recebendo 22 dos 35 votos que definiram a disputa.
Nascido em 19 de maio de 1940, em Maceió, ele é um dos fundadores do Cinema Novo. Esteve exilado na Itália e depois na França, após a promulgação do AI-5, em 1969, durante o regime militar. Foi casado com a cantora Nara Leão 1 2 3, da qual se separou em 1977, 12 anos antes de ela falecer. Com Nara, teve dois filhos: Isabel e Francisco. Desde 1981, é casado com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães, com quem teve a filha Flora.
Ao longo da carreira de cineasta, Cacá Diegues fez mais de 20 filmes de longa-metragem. Entre os mais premiados estão "Xica da Silva" (1976), "Bye Bye Brasil" (1980), "Veja esta canção" (1994) e "Tieta do Agreste" (1995).
Também são filmes dele: "Ganga Zumba" (1964), "Os herdeiros" (1969), "Joanna Francesa" (1973), "Chuvas de verão" (1978), "Quilombo" (1984), "Um trem para as estrelas" (1987), "Orfeu" (1999), "Deus é brasileiro" (2003), "O maior amor do mundo" (2005) e "O grande circo místico" (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima.
Além dos filmes, Cacá também se dedicou aos livros e publicou "Ideias e Imagens", em 1988; e "Vida de Cinema", com mais de 600 páginas sobre o Cinema Novo; e "Todo Domingo", uma coletânea de textos publicados por ele semanalmente no jornal O Globo, entre outras obras.