"Bê a bá, bê é bé, bê i Bi… otônico Fontoura."
(jingle em 1978)
Tudo começou em 1910, no interior paulista. Um farmacêutico chamado Cândido Fontoura (1885 - 1974) resolveu inventar uma fórmula para ajudar sua mulher Elvira, que tinha queixas constantes de fraqueza. Ele desenvolveu um produto com fosfatos, sais de ferro e vinho espanhol. Aparentemente, deu certo.(Além do Fontoura, também marcaram época produtos como o Elixir de Nogueira, que era feito à base de nogueira e outras plantas medicinais, a Emulsão Scott, feita a partir de óleo de fígado de bacalhau, a pomada Minâncora, que contém zinco e cânfora, entre outros.)
Ainda não havia rótulo nem nome para o preparado. Em 1916, Fontoura aproximou-se do escritor e fazendeiro Monteiro Lobato (1882-1948). O escritor teria se queixado ao farmacêutico de cansaço e fadiga. Este prontamente providenciou a ele o fortificante.
Fascinado com o resultado, Lobato passou a ser um entusiasta divulgador do produto. Teria sido dele a ideia do nome: Biotônico, o "tônico da vida", e Fontoura, sobrenome pelo qual o farmacêutico era conhecido.
Em uma das idas do farmacêutico a São Paulo, levou um frasco e o desenho original dos rótulos à Litografia Ipiranga, pioneira na impressão gráfica em cores na América do Sul. Um mês depois, chegavam a Bragança os rótulos verdes litografados que foram a cara da marca por quase um século: uma trama de floreios em estilo art nouveau enlaçando o nome do produto e, embaixo, em letras maiúsculas, a descrição de suas propriedades.
O Biotônico surgiu de uma necessidade real daquela época, em que verminoses e desnutrição eram muito comuns no Brasil. Cândido Fontoura desenvolveu também um vermicida, o "Ankilostomina Fountoura". Era o combo: este eliminava os ancilóstomos e o Biotônico, em seguida, atuava para restaurar o vigor e o apetite.
Foi quando ocorreu o casamento entre o medicamento de Fontoura e um personagem clássico da obra lobatiana: o Jeca Tatu, concebido em 1914 como um caipira preguiçoso. Ao mergulhar nas teses sanitaristas vigentes sobretudo nos anos 1920, Lobato passou a ver o que chamava de preguiça como na verdade o sinal de problemas de saúde. "O Jeca Tatu não é assim, ele está assim", passaria a afirmar o escritor.
E o Jeca Tatu não era "naturalmente apático". Estava, na verdade, doente.
Em 1924, Lobato criou uma nova versão do personagem, Jeca Tatuzinho. Era um caipira que se tratava, e ficava são. De quebra, ensinava noções de higiene e saneamento às crianças. Foi uma sacada genial a do Lobato.
Fascinado com o resultado, Lobato passou a ser um entusiasta divulgador do produto. Teria sido dele a ideia do nome: Biotônico, o "tônico da vida", e Fontoura, sobrenome pelo qual o farmacêutico era conhecido.
Em uma das idas do farmacêutico a São Paulo, levou um frasco e o desenho original dos rótulos à Litografia Ipiranga, pioneira na impressão gráfica em cores na América do Sul. Um mês depois, chegavam a Bragança os rótulos verdes litografados que foram a cara da marca por quase um século: uma trama de floreios em estilo art nouveau enlaçando o nome do produto e, embaixo, em letras maiúsculas, a descrição de suas propriedades.
O Biotônico surgiu de uma necessidade real daquela época, em que verminoses e desnutrição eram muito comuns no Brasil. Cândido Fontoura desenvolveu também um vermicida, o "Ankilostomina Fountoura". Era o combo: este eliminava os ancilóstomos e o Biotônico, em seguida, atuava para restaurar o vigor e o apetite.
Foi quando ocorreu o casamento entre o medicamento de Fontoura e um personagem clássico da obra lobatiana: o Jeca Tatu, concebido em 1914 como um caipira preguiçoso. Ao mergulhar nas teses sanitaristas vigentes sobretudo nos anos 1920, Lobato passou a ver o que chamava de preguiça como na verdade o sinal de problemas de saúde. "O Jeca Tatu não é assim, ele está assim", passaria a afirmar o escritor.
E o Jeca Tatu não era "naturalmente apático". Estava, na verdade, doente.
Em 1924, Lobato criou uma nova versão do personagem, Jeca Tatuzinho. Era um caipira que se tratava, e ficava são. De quebra, ensinava noções de higiene e saneamento às crianças. Foi uma sacada genial a do Lobato.
Fontoura comprou os direitos do personagem e Jeca Tatuzinho passou a ser o garoto-propaganda do Biotônico. Na trama original, Jeca Tatuzinho é diagnosticado com ancilostomose por um médico e, claro, se recupera. Esta se tornaria uma das mais emblemáticas parcerias da publicidade brasileira.
Entre 1926 e 1973 foram publicadas 35 edições do folheto Jeca Tatuzinho, com tiragens médias de 1 milhão de exemplares. Jeca Tatu se tornou conhecido em todo o Brasil. O Biotônico teve sua marca difundida maciçamente.
Outro golpe certeiro de marketing da empresa foi a criação do "Almanaque do Biotônico Fontoura" — que acabou sendo chamado apenas de "Almanaque Fontoura". Era uma revistinha com edições anuais, distribuição gratuita nas farmácias e conteúdo que ia de pequenos artigos educativos referentes à saúde a curiosidades, horóscopo, piadas, calendário de pesca, histórias em quadrinhos e anedotas variadas. A publicação também foi idealizada por Monteiro Lobato e contava com o personagem Jeca Tatuzinho.
As tiragens eram gigantescas. No auge, em 1982, foram impressos 100 milhões de exemplares. Figuras muito conhecidas foram contratadas para publicidade do produto, seja em fotos de revistas, seja em reclames televisivos. Entre esses nomes, estão o futebolista Pelé (1940-2022), a apresentadora Xuxa e a dupla de cantores Sandy e Júnior.
Há 25 anos, com a retirada do álcool (9,5% em sua composição) por determinação da Anvisa, houve a primeira mudança na fórmula do Biotônico Fontoura. Outras se seguiram: como a inclusão de canela, mirra e barbosa e a troca do sulfato ferroso pelo bisglicitano ferroso, além do surgimento do produto nas versoes sabor uva e sabor morango.
Entre 1926 e 1973 foram publicadas 35 edições do folheto Jeca Tatuzinho, com tiragens médias de 1 milhão de exemplares. Jeca Tatu se tornou conhecido em todo o Brasil. O Biotônico teve sua marca difundida maciçamente.
Outro golpe certeiro de marketing da empresa foi a criação do "Almanaque do Biotônico Fontoura" — que acabou sendo chamado apenas de "Almanaque Fontoura". Era uma revistinha com edições anuais, distribuição gratuita nas farmácias e conteúdo que ia de pequenos artigos educativos referentes à saúde a curiosidades, horóscopo, piadas, calendário de pesca, histórias em quadrinhos e anedotas variadas. A publicação também foi idealizada por Monteiro Lobato e contava com o personagem Jeca Tatuzinho.
As tiragens eram gigantescas. No auge, em 1982, foram impressos 100 milhões de exemplares. Figuras muito conhecidas foram contratadas para publicidade do produto, seja em fotos de revistas, seja em reclames televisivos. Entre esses nomes, estão o futebolista Pelé (1940-2022), a apresentadora Xuxa e a dupla de cantores Sandy e Júnior.
Há 25 anos, com a retirada do álcool (9,5% em sua composição) por determinação da Anvisa, houve a primeira mudança na fórmula do Biotônico Fontoura. Outras se seguiram: como a inclusão de canela, mirra e barbosa e a troca do sulfato ferroso pelo bisglicitano ferroso, além do surgimento do produto nas versoes sabor uva e sabor morango.
Extraído de: BBC News (Edison Veiga) e outras fontes
