Digitalizar livros permite preservar os textos escritos ao longo da história humana, mas o objetivo principal (pelo menos no caso da companhia Anthropic) parece obedecer mais ao treinamento da inteligência artificial do que a um espírito de conservação.
A Anthropic, dona do assistente de IA Claude, entre 2024 e 2025 manteve uma operação interna batizada de "Projeto Panamá" para escanear destrutivamente livros físicos — cortando lombadas e triturando as respectivas folhas após a digitalização. Documento interno vazado à época definia o objetivo como "escanear destrutivamente todos os livros do mundo" e pedia sigilo: "não queremos que se saiba que estamos trabalhando nisso".Em agosto de 2025, a Anthropic aceitou pagar US$ 1,5 bilhão para encerrar uma ação de autores — mas por causa dos livros piratas, não dos comprados e destruídos, que a Justiça americana considerou uso legítimo.
Por que isso importa: a decisão judicial transformou "comprar e destruir livro raro" numa estratégia legalmente incentivada, que disparou um mercado global de compra em massa de assustar livreiros na Europa e na Oceania.
A lógica por trás da operação é o ponto mais revelador. Segundo os documentos, executivos da Anthropic buscavam livros anteriores à era digital porque queriam ensinar o Claude a "escrever bem", em vez de imitar o "texto de baixa qualidade" da internet. Havia ainda uma preocupação técnica concreta: o chamado colapso de modelo — a degradação que ocorre quando uma IA passa a treinar sobre conteúdo gerado por outras IAs, contaminando o próprio aprendizado. Livros oferecem o que a web cada vez menos garante: enormes volumes de texto escrito e editado por humanos, ainda não poluído por conteúdo sintético.
Fonte - Artigo no jornal britânico "The Telegraph" intitulado "Barbárie cultural: como as empresas de IA estão destruindo os livros no mundo".






