30 outubro, 2020

Ilusão à toa

Esta imagem tem propriedades misteriosas.


Assim que você descobre que se trata da silhueta de um rapaz (um crossfiteiro de laje, para ser preciso), então a impressão de que estava vendo um dinossauro desaparece.

A esculhambação é coisa nossa

por Sergio Rodrigues, Sobre Palavras
A esculhambação é um artigo genuinamente nacional, sobre isso concordam todos os estudiosos. "Esculhambar", o verbo, é um regionalismo brasileiro surgido no século XX com dois sentidos básicos: "criticar ou repreender rudemente" e, na acepção mais usada, "bagunçar, avacalhar".
De onde veio a palavra é mais difícil dizer. Tudo indica que se desenvolveu por formação expressiva em torno de um tabuísmo, isto é, um palavrão, mas a partir desse ponto os filólogos se dividem em dois times aguerridos.
Peço licença aos leitores menos tolerantes com a língua cabeluda das ruas para citar abaixo, em nome do interesse científico, os termos chulos que estão por trás dessa divisão (não há um jeito educado de dizer essas coisas).
Silveira Bueno, que costuma ser criticado por sua falta de rigor, concorda com José Pedro Machado, lexicógrafo de grande prestígio, ao dizer que o sentido original de esculhambar era "arrebentar as nádegas, o cu, a pancadas".
No lado oposto, Antenor Nascentes e Antônio Geraldo da Cunha atribuem ao verbo o sentido primitivo de "ficar com os testículos (colhões) feridos de tanto andar a cavalo".
Minhas simpatias tendem para o segundo time.
(matéria sugerida por Jaime Nogueira)

29 outubro, 2020

O terrorismo estocástico

Em 2011, um escritor anônimo cunhou o termo "terrorismo estocástico" para se referir ao "uso da comunicação de massa para incitar atores aleatórios a realizar atos violentos ou terroristas que são estatisticamente previsíveis, mas individualmente imprevisíveis", ou, em outras palavras, "remotos" (assim como controlar o terror pelo lobo solitário).
🎲Em teoria probabilística, o padrão estocástico é aquele cujo estado é indeterminado, com origem em eventos aleatórios. Por exemplo, o lançar de dados resulta num processo estocástico, pois qualquer uma das 6 faces do dado tem iguais probabilidades de ficar para cima após o arremesso.
Estocástico, portanto, significa "ter uma distribuição de probabilidade aleatória ou padrão que pode ser analisado estatisticamente", mas que são difíceis de prever com precisão. Mensagens vitriólicas divulgadas por especialistas como Glenn Beck, Sean Hannity e Bill O'Reilly terão o mesmo efeito que as chamadas gravadas por Osama bin Laden à violência, alertou o escritor em 2011.
Alguém, em algum lugar, reagiria - é difícil prever quem e quando.
Trump foi frequentemente acusado de incitar a violência. Em agosto de 2016, como candidato à presidência, ele sugeriu que o "pessoal da segunda emenda" poderia fazer algo para impedir que sua adversária, Hillary Clinton, escolhesse juízes liberais, se ela vencesse a eleição daquele ano.
A implicação era clara: as pessoas que confiam no direito constitucional de portar armas (presumivelmente proprietários de armas) tinham um meio único de impedir seu rival democrata. Trump negou que ele estivesse incentivando para Clinton para ser baleada. Rolling Stone e outros apelidaram de um caso de terrorismo estocástico .
O termo foi rapidamente adotado pelo Pell Center for International Relations and Public Policy, entre outros, para descrever as declarações de campanha tingidas pela violência de Trump. Pell também lembrou um possível exemplo de terror estocástico dos anos 60: os jornais e panfletos de Dallas acusaram John F. Kennedy Jr. de ser um "traidor" e um "comunista" pouco antes de ele ser por lá assassinado.
Os motivos do assassino de Kennedy, Lee Harvey Oswald, nunca foram totalmente compreendidos. Mas alguns biógrafos acreditam que a atmosfera de "ódio, histeria e medo" em Dallas culminou em sua morte.
Durante anos, autoridades dos EUA vêm dizendo que o terrorismo doméstico está aumentando, particularmente à direita. Mas depois que Trump assumiu o cargo, o governo cortou o financiamento para o programa Combate ao Extremismo Violento (CVE) do Departamento de Segurança Interna - exceto para abordar o terrorismo de inspiração islâmica. Foi um erro perigoso, disseram ativistas anti-terrorismo na época .
"Temos centenas de milhares de cidadãos soberanos e milicianos locais ligados ao nacionalismo branco, treinando em campos paramilitares nos EUA e armados diante das mesquitas para intimidar os americanos marginalizados", advertiu Christian Picciolini, um ex-skinhead que foi co-fundador Life After Hate, para reabilitar extremistas, no ano passado. "A maior ameaça terrorista que enfrentamos como nação já está dentro de nossas fronteiras, mas nos recusamos a chamar de terrorismo quando isso acontece."
Sob Trump, o DHS se concentrou em restringir a imigração, apesar de o fato de que os imigrantes são menos propensos a cometer crimes violentos do que os residentes dos EUA. Enquanto a investigação continua sobre os dispositivos explosivos enviados recentemente a democratas proeminentes e críticos de Trump, o governo federal permanece relutante em publicamente chamá-lo de terrorismo.
"Independentemente de qual seja o motivo, este incidente deve servir como um grande alerta não apenas para esta administração, mas para autoridades eleitas em todo o país", disse Cohen. De uma "perspectiva de segurança pública", os políticos precisam parar de "demonizar as pessoas por suas opiniões políticas e enfatizar uma mentalidade de 'nós contra eles'", disse ele.

Dos pirilampos às lâmpadas LED

Um físico belga estudou o órgão luminoso que faz os pirilampos brilharem para tentar recriar a mesma estrutura com lâmpadas de LED.



Arquivo
O mistério da bioluminescência do vaga-lume (2015)
Luz, mais luz (2019) c/ comentário de um leitor sobre a hifenização da palavra "vagalume"

Lâmpadas LED ou lâmpadas de LED?

28 outubro, 2020

A uva e o vinho

Um homem dos vinhedos falou, em agonia,
junto ao ouvido de Marcela.
Antes de morrer revelou a ela o segredo:
— A uva – sussurrou – é feita de vinho.
Marcela Pérez-Silva me contou isto, e eu pensei:
se a uva é feita de vinho,
talvez a gente seja as palavras que contam o que a gente é.

— Eduardo Galeano, escritor uruguaio, em "O Livro dos Abraços". Via

in vino veritas

Sam o Inafundável

O apelido dado ao gato que sobreviveu a três naufrágios na Segunda Guerra Mundial
O gato malhado preto e branco era de propriedade de um tripulante desconhecido do navio de guerra alemão Bismarck. Ele estava a bordo do navio em 18 de maio de 1941, quando este partiu para a Operação Rheinübung, a primeira e única missão do Bismarck.
Nesta missão, o navio afundou e apenas 118 de uma tripulação de mais de 2.200 sobreviveram. Horas mais tarde, Sam foi encontrado boiando em uma prancha e recolhido da água pelo destróier britânico HMS Cossack. A equipe do novo navio não sabia o nome do gato e o nomeou Oscar.
O gato serviu a bordo de Cossack pelos próximos meses, enquanto o navio realizava escoltas no Mediterrâneo e no Atlântico Norte.
Por fim, o destróier foi gravemente danificado por um torpedo, e 139 membros de sua tripulação foram mortos. Em 27 de outubro de 1941, um dia após ter sido torpedeado, o Cossack afundou a oeste de Gibraltar, e Oscar foi encontrado agarrado a um pedaço de tábua e foi levado para um estabelecimento em terra, no Gibraltar.
Quando souberam o que aconteceu, oficiais britânicos mudaram seu nome para Sam o Inafundável - um nome adequado para um gato que sobreviveu ao naufrágio de dois navios de guerra.
Sam o Inafundável foi então adotado pela tripulação do HMS Ark Royal - ironicamente, um navio que foi fundamental para afundar o Bismarck. O Ark Royal sobreviveu a vários acidentes e ganhou a reputação de "navio da sorte".
Mas a sorte não durou e, ao retornar de Malta, em 14 de novembro de 1941, este navio também foi torpedeado, desta vez por um U-boat.
Sam foi encontrado agarrado a um pedaço de madeira flutuante e, quando resgatado, foi descrito como "bravo, mas completamente ileso".
Depois de sobreviver a três navios afundados, Sam se aposentou oficialmente.
A prova de que os gatos têm 7 ou 9 vidas? Sabemos que Sam o Inafundável definitivamente usou pelo menos três delas durante a guerra.

The legend of Unsinkable Sam, i iz cat

27 outubro, 2020

Zero grau (0º) vs. Ordinal de zero (0.º)

De fato, me parece que esse 0º aí é uma falha: o 0º é a representação de zero grau, não do ordinal de zero. ~ Quora
Explicação
0º = zero grau
0.º = zerésimo (ordinal de zero)
Neste processo de abreviação, o numeral ordinal é reduzido a um número seguido do ponto de abreviação e da terminação o ou a (consoante a palavra seja masculina ou feminina), após o ponto e em posição superior à linha.

Ainda sobre a abreviatura do numeral ordinal com ou sem o sobrescrito sublinhado.
http://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/ainda-sobre-a-abreviatura-do-numeral-ordinal-com-ou-sem-o-sobrescrito-sublinhado/2680

O egomaníaco Idi Amin



Seu título completo autoconcedido era:

Sua Excelência, Presidente da Vida, Marechal de Campo Al Hadji, Doutor Idi Amin Dada, VC, DSO, MC, Senhor de Todas as Bestas da Terra e Peixes dos Mares e Conquistador do Império Britânico na África em Geral e Uganda em Particular

Doutor (em Direito pela Universidade Makerere)
VC (Victoria Cross)
DSO (Distinguished Service Order)
MC (Military Cross)

Ao lado: uma caricatura de 1977 de Amin em traje presidencial-militar por Edmund S. Valtman (Wiki)

26 outubro, 2020

O rosto dos deuses

Fonte: Beards!
Um blogue de curta atualização dedicado à celebração dos pelos faciais (sua naturalidade e harmonia) do homem criado à imagem dos deuses.


Pensamento do dia
Uma pessoa com barba é apenas uma pessoa sem barba - com barba.

O alfabeto da barba
"Muitas barbas foram sacrificadas na execução deste projeto!"

Claudio e seu "edito" sobre a flatulência

Imperador romano por 13 anos, de 41 a 54 d.C., Cláudio (imagem) era um governante ambicioso - embora impopular - que ordenou a invasão da Grã-Bretanha, instigou a aplicação de inúmeros projetos de construção de estradas a aquedutos e supervisionou julgamentos públicos.
Ele também publicou até 20 editais por dia, incluindo um aparentemente preocupado com a flatulência, que ainda circula frequentemente na Internet, repetida como se fosse fato. CARECE DE CONFIRMAÇÃO
Nossa única fonte para esta bizarra proclamação é um dos mais proeminentes historiadores romanos Suetônio, que produziu um conjunto de biografias dos imperadores romanos chamado "De Vita Caesarum" (As Vidas dos Doze Césares).
Escrevendo quase 80 anos após o reinado de Cláudio, Suetônio comentou: "Dizem que ele até considerou aprovar um decreto, pelo qual daria licença para peidar no jantar, porque ouvira falar de um homem que quase se matara ao segurar essa necessidade por vergonha".
A descrição do falecimento de Cláudio, por exemplo, pode ser tomada pelo valor de face como "Cláudio começou a desistir do fantasma e não conseguiu resolver o problema", mas, lendo de forma diferente, também pode ser traduzido como "Cláudio começou a pressionar o vento, mas não conseguiu encontrar uma passagem".
O filósofo Lucius Annaeus Seneca, também conhecido como Sêneca, o Jovem, havia sido banido por Cláudio e, uma década após sua morte, produziu uma obra de sátira que zombava do falecido imperador.
Basicamente, quando ele estava morrendo, Sêneca, o Jovem, sugere que o último ato do imperador Cláudio foi uma tentativa desesperada de peidar.
Assim, embora o imperador Cláudio provavelmente não tenha aprovado nenhuma lei relativa à flatulência, ele provavelmente brincou a respeito e disse a todos que pretendia, e isso certamente se encaixava em sua imagem de um governante grosseiro, desleixado e vulgar.

Extraído de: Roman Emperor Claudius and his "Edict" About Public Flatulence, Vintage News

25 outubro, 2020

Crítica da irracionalidade dura

por Fernando Gurgel Filho
Meu amigo calhorda-humanista sempre repete sua frase favorita: "O mundo nos dá tudo, pena que não podemos usufruir livremente de quase nada". E explica: "Isto porque, alguém já se apropriou do que necessitamos para a simples sobrevivência do corpo e para a saúde da mente. E ai daquele que tentar ter o que não puder comprar. Como muitos não podem ter acesso ao que necessita, o sonho de todo ditador é o controle total do ser humano." Creio que ele está certo. Muitas utopias foram imaginadas onde o ser humano pudesse usufruir de quase tudo, desde que a felicidade suprema dele estivesse em mãos dos que pudessem controlar tudo.
Ao invés de sociedades onde os humanos possam ter acesso à educação, cultura, bens e diversão; uma sociedade onde possam sonhar, imaginar e deixar seus sentimentos voarem livremente; a "solução" proposta mais facilmente sempre passa pela repressão desses desejos humanos, dessas "doenças" que têm que ser curadas eliminado-se simplesmente os sonhos, a imaginação e os sentimentos.
Porém, como diria H. L. Mencken: "Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada." (in "The Divine Afflatus", in New York Evening Mail (16 November 1917)).
Para mim, mesmo nas sociedades descritas como utopias, desde "A República", de Platão, passando pela "Utopia", de Thomas Morus, e chegando às sociedades religiosas e aos grupamentos humanos onde a igualdade deveria estar presente, o que se vê são sociedades onde a solução encontrada passa primeiro pelo controle total do ser humano. Então, mesmo descritas como a sociedade do sonho de muitos pensadores, utopias, para mim, são apenas distopias disfarçadas de sociedades justas e perfeitas.
O livro "Nós", do escritor russo Yevgêny Zamyátin, talvez seja uma das primeiras distopias de que se tem conhecimento. Ali estão todos os ingredientes das outras obras distópicas que lhes seguiram: controle total do Estado; massificação dos cidadãos, colocando-os em verdadeiras linhas de produção; repressão da liberdade de pensamento; vigilância constante dos cidadãos; supressão dos sentimentos, sonhos e imaginação, através de operações no cérebro; etc. Tudo isso para que o ser humano alcance, enfim, a tão sonhada felicidade.
Felicidade de quem, cara pálida? Dos controladores?

Ilustração de Clifford Harper

Em "Nós", o narrador, D-503, é um cientista que se sente feliz e confortável com a sua vidinha totalmente controlada pelo Estado, dentro de um padrão racionalista que lhe permite deduções lógicas de todos os seus atos e sentimentos. Porém, ao se deparar com os sentimentos despertados por uma mulher, I-330, compara a irracionalidade de seus sentimentos com a tentativa de se extrair a raiz quadrada de -1 (menos um). E entra em verdadeiro parafuso tentando manter sua aeronave (seu cérebro) no ar enquanto lhe falta sustentação para continuar seu voo de cruzeiro, como acontecia antes de conhecê-la.
Ora, números são símbolos, ou seja, representações de medições e contagens do que observamos. Em suma, o símbolo numérico negativo é apenas uma convenção que representa as grandezas afastadas de zero, em sentido contrário aos números naturais. Como se fizessem parte de uma realidade virtual ou paralela. Apenas isto.
Sentimentos, porém, são representações do que nos afeta através de nossos sentidos, bem como de nossos sonhos e imaginação. Chamamos de negativos os sentimentos que estão em oposição aos que nos são mais confortáveis. E estes que nos são confortáveis denominamos de positivos. Apenas não existe um "zero" de referencial entre elas e, assim, não são anuláveis como se fossem somente símbolos matemáticos. Infelizmente para o narrador de "Nós" e para todos "Nós", moradores de algum "Estado Único".
Em suma, sentimentos não são símbolos matemáticos. Para a raiz quadrada de números negativos, os matemáticos já encontraram uma solução, talvez não muito simples, mas elegante e "Nós" não sabemos se está correta. Para os sentimentos, nem os maiores filósofos, livres pensadores, artistas, cientistas, conseguiram algum tipo de "solução". Neste caso, reprimir os atos de liberdade e eliminar os sentimentos para atingir a felicidade - como no "Estado Único", do livro "Nós" - além de não ser uma solução simples, pois o cérebro tem reações muito complexas, não é nada elegante e, segundo todos os que tratam do assunto, não é uma "solução" e, portanto, está completamente errada.
E NUNCA funciona, mesmo porque haverá sempre alguém com novas soluções. Felizmente para os habitantes do Estado Único, felizmente para todos "Nós", sempre haverá alguém que pule o "Muro", que acredita em seus sonhos, em sua imaginação de mundos mais justos e em seus melhores sentimentos humanos.
Como diria I-330: "E que revolução é essa que você defende como última? Não existe a última, as revoluções são infinitas.".

O lendário Paganini

Niccolò Paganini já foi interpretado por vários atores em produções de cinema e televisão.
Na minissérie soviética de 1982, o músico foi interpretado pelo ator armênio Vladimir Msryan. A série enfoca o relacionamento de Paganini com a Igreja Católica Romana. Outro ator soviético, Armen Dzhigarkhanyan , interpretou o arquirrival ficcional de Paganini, um insidioso jesuíta. As informações da série são geralmente falsas e também são reproduzidas em alguns mitos e lendas desenfreadas durante a vida do músico. Uma cena memorável mostra os adversários de Paganini sabotando seu violino antes de uma apresentação, fazendo com que todas as cordas, menos uma, se quebrassem durante o show. Um Paganini indeterminado continua a executar em três, dois e, finalmente, em uma única corda. Na verdade, o próprio Paganini ocasionalmente quebrava cordas durante suas apresentações de propósito, para que ele pudesse mostrar ainda mais seu virtuosismo.  Ele fazia isso criando nelas cuidadosamente entalhes para enfraquecê-las, a fim de que elas quebrassem durante a execução.

Bônus: Variations on one string (vídeo)



Na comédia satírica de Don Nigro (1995), o grande violinista Paganini procura em vão a salvação, alegando que, sem saber, vendeu sua alma ao diabo.. "Variação sobre variação", ele grita a certa altura, "mas qual variação leva à salvação e qual à condenação? A música é uma pergunta para a qual não há resposta". Paganini é retratado como matando três de suas amantes e afundando repetidamente na pobreza, prisão e bebida. Em cada vez, ele é "resgatado" pelo diabo, que aparece em diferentes formas, devolvendo o violino de Paganini para que ele possa continuar tocando. No final, a salvação de Paganini - administrada por um relojoeiro divino - acaba sendo aprisioná-lo em uma grande garrafa onde ele toca sua música para divertir o público por toda a eternidade. "Não tenha pena dele, minha querida", diz o Relojoeiro a Antonia, uma das esposas assassinadas de Paganini. "Ele está sozinho com a resposta para a qual não há dúvida. Os salvos e os condenados são os mesmos".

Wikipédia
O diabo violinista

24 outubro, 2020

Disney alerta sobre conteúdo inadequado em seus clássicos

Agora quem busca se adequar às novas normas sociais, sem descuidar de seus produtos, é a Disney. A firma incluiu novos avisos de conteúdo no início de seus filmes clássicos, como Dumbo (1941), Peter Pan (1953) ou The Jungle Book (1967), onde aponta as possíveis conotações discriminatórias que alguns filmes clássicos podem ter.
Atenção
"Este conteúdo inclui representações negativas ou um tratamento inadequado de pessoas ou culturas", é o novo aviso que permanece por 10 segundos antes de iniciar um filme dentro da plataforma Disney +.
Um aviso que não é novo. Anteriormente já o fazia, mas de forma mais discreta na descrição do filme, onde se lia: "Este programa é apresentado tal como foi originalmente criado, pode conter representações culturais obsoletas".
A conotação racista dos clássicos da Disney já havia sido apontada anteriormente. Por exemplo, no filme Dumbo, há uma cena em que um grupo de corvos, representados por estereótipos da comunidade afro-americana e de seu líder Jim Crow, que leva o nome de um termo depreciativo usado para denegrir os negros nos Estados Unidos.


"Esses estereótipos estavam errados na época e estão agora. Em vez de remover esse conteúdo, queremos reconhecer seu impacto prejudicial, aprender e incentivar as pessoas a falar sobre ele para criar um futuro mais inclusivo para todos nós", explica o novo rótulo que aparece no Disney +.
Ele também acrescenta que a Disney "está comprometida em criar histórias com temas inspiradores e motivadores que reflitam a grande diversidade da experiência humana em todo o mundo".

Disney alerta sobre contenido racista en sus clásicos, VIBE

O Incrível Randi (1928 - 2020)

O canadense James Randi, um mágico que dedicou seu formidável conhecimento à investigação das alegações paranormais, da cura pela fé, das aparições de OVNIs e das diversas variedades de engano, trapaça, chicana, farsa - enfim, do charlatanismo absoluto, como ele frequentemente achava por bem chamá-las, morreu nesta terça-feira (20) em sua casa em Plantation, Flórida. Ele tinha 92 anos.
Sua morte foi anunciada pela Fundação Educacional James Randi.
Ao mesmo tempo élfico e mefistofélico, com uma espessa barba branca e olhos penetrantes, o Sr. Randi - conhecido profissionalmente como o Incrível Randi - foi o pai do movimento cético moderno. Assim como o biólogo e autor Thomas Henry Huxley havia feito no final do século 19 (embora com muito mais entusiasmo), ele assumiu como missão levar o mundo do racionalismo científico aos leigos.
O que turvava seu sangue e era o ímpeto que impulsionava sua existência, dizia Randi com frequência, era a pseudociência, em toda a sua irracionalidade imoral.
"Pessoas que estão roubando dinheiro do público, enganando-os e desinformando-os - esse é o tipo de coisa que tenho lutado toda a minha vida", disse ele no documentário de 2014, "An Honest Liar", dirigido por Tyler Measom e Justin Weinstein. "Os mágicos são as pessoas mais honestas do mundo: eles dizem que vão enganá-lo e então o fazem."
O Sr. Randi começou sua carreira no final dos anos 1940 como um ilusionista e artista de fugas espetaculares. Em uma ocasião, ele se livrou de uma camisa de força enquanto balançava de cabeça para baixo sobre as Cataratas do Niágara; em outra, depois de permanecer quase uma hora dentro de um grande bloco de gelo ("uma coisa fácil", disse ele mais tarde); e, numa terceira ocasião, de outra camisa de força, suspensa na Broadway, na qual ele foi pendurado, como relatou o The New York Herald Tribune, como "um grande atum morto".
"Eu queria quebrar seus recordes",, disse Randi no filme, invocando o mestre, Houdini. "Eu queria ficar em um caixão de metal lacrado por mais tempo do que ele, sair de uma camisa de força mais rápido do que ele, sob correntes, ferros nas pernas e algemas."
Mas nos últimos anos, o Sr. Randi não era tanto um ilusionista quanto um "desilusionista". Usando uma combinação singular de razão, exibicionismo, rabugice constitucional e um profundo conhecimento das armas do arsenal do mágico moderno, ele viajou pelo país expondo videntes que não viam, curandeiros que não curaravam e muitos outros.
Seus métodos, ele costumava dizer, estavam disponíveis para qualquer estudante intermediário da magia - e deveriam ter sido transparentes para os investigadores anteriores, que às vezes eram enganados.
"Essas coisas costumam estar na parte de trás das caixas de cereais", disse Randi, com a voz em itálico de escárnio, certa vez ao entrevistador de televisão Larry King. "Mas, aparentemente, alguns cientistas não comem flocos de milho ou não leem o verso das caixas."
Recebedor de uma bolsa de "gênio" da MacArthur em 1986, o Sr. Randi fazia palestras em todo o mundo e aparecia com frequência na televisão; ele era um favorito particular de Johnny Carson e, mais recentemente, de Penn e Teller.
Escreveu diversos livros, entre eles "Flim Flam! The Truth About Unicorns, Parapsychology, and Other Delusions" (1980); "The Faith Healers" (1987); e "An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes of the Occult and Supernatural" (1995).
Em 1976, com o astrônomo Carl Sagan, o escritor Isaac Asimov e outros, o Sr. Randi fundou o que hoje é o Comitê de Investigação Cética. Com sede em Amherst, NY, uma organização que promove a investigação científica das alegações do paranormal e publica a revista Skeptical Inquirer.
Embora muitas vezes fosse chamado de desmistificador, o Sr. Randi preferia os termos "cético" ou "investigador". "Eu nunca quero ser referido como um desmistificador", disse ele ao The Orlando Sentinel em 1991, "porque isso implica ser alguém que diz: 'Não é assim, e vou provar isso.' Eu não entro com essa atitude. Eu sou um investigador. Só espero mostrar que algo não é provável'."
Através da James Randi Educational Foundation, o Sr. Randi patrocinou o Million Dollar Challenge, um concurso que oferece US $ 1 milhão para a pessoa que, seguindo rigorosos protocolos científicos, pudesse demonstrar evidências de um fenômeno paranormal, sobrenatural ou oculto. Embora o desafio tenha atraído mais de mil aspirantes, o prêmio não aconteceu até a aposentadoria do Sr. Randi na Fundação, em 2015.
O Sr. Randi era quase cético de nascença. Em suas aulas regulares, ele provou ser um aluno tão talentoso que o sistema escolar local logo desistiu e o deixou comparecer apenas para fazer os exames. Ele dominou a cidade e, aos 12 anos, depois de ver uma apresentação do grande mágico americano Harry Blackstone, ele encontrou sua vocação.
Aos 17 anos, entediado, abandonou a escola completamente. Ele se juntou a um grupo itinerante como mentalista, mas logo se tornou um artista de fugas. Depois que ele saiu de uma cela de prisão de Quebec, um jornal local o batizou de "L'Étonnant Randi" - The Amazing Randi (O Incrível Randi). O nome pegou.
Por um tempo, no início dos anos 1970, Randi viajou com a estrela do rock Alice Cooper, decapitando-o todas as noites com uma guilhotina. Ele continuou seus atos de fuga até os 50 anos. Mas um dia, enquanto ele ensaiava um programa de televisão para o qual havia sido lacrado e acorrentado em uma lata de leite enorme, algo deu errado. A tampa da lata emperrou, prendendo o Sr. Randi dentro. Havia pouco ar. Passando dos limites, ele ouviu duas de suas vértebras estalando. "Eu estava em apuros", lembrou ele no documentário. "Eu sabia que, se entrasse em pânico, estaria morto - isso é tudo."
Finalmente, ele ouviu as travas da lata sendo desfeitas e a tampa aberta. Ele decidiu que era hora de abandonar o escapismo. "Chega um ponto", disse Randi, "em que você simplesmente não quer ver um velhinho saindo de uma lata".
Aos 60, ele se aposentou inteiramente da magia do palco. Nessa época, ele havia construído uma carreira paralela investigando alegações do paranormal, assim como Houdini havia feito.
Ao longo dos anos, o Sr. Randi conseguiu antagonizar muitos, e não apenas os alvos de suas investigações. Ele lançou uma ampla rede condenatória, falando contra a medicina alternativa, a quiropraxia e a própria religião, que ele chamou de "o maior golpe de todos". Nos círculos científicos, ele permaneceu uma figura reverenciada até o fim. Entre suas muitas honrarias, ele teve um corpo celeste menor com o seu nome, o Asteroide 3163 Randi, descoberto em 1981.
O Sr. Randi residiu por muitos anos em Rumson, NJ, em uma casa equipada com escadas secretas, uma aldrava falante e relógios que funcionavam ao contrário. Ele morava na Flórida desde os anos 1980.
Embora tenha permanecido um racionalista obstinado até o fim, Randi tinha um plano de contingência para o além, como disse ao New York Times em 2009. "Quero ser cremado", disse ele. "E eu quero minhas cinzas sopradas nos olhos de Uri Geller."

Do obituário de James Randi no NY Times.

23 outubro, 2020

A lição de anatomia do Dr. Barroso

Uma paródia do chargista Renato Aroeira sobre o quadro "A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp", do pintor Rembrandt.


Amicus curiae ou amigo da corte ou também amigo do tribunal (amici curiae, no plural) é uma expressão em latim utilizada para designar uma instituição que tem por finalidade fornecer subsídios às decisões dos tribunais, oferecendo-lhes melhor base para questões relevantes e de grande impacto.
É importante destacar que o amicus curiae é amigo da corte e não das partes. Seu desenvolvimento teve início na Inglaterra pela English Common Law e, na atualidade, é frequentemente utilizado nos Estados Unidos. A função histórica do amicus curiae é chamar a atenção da corte para fatos ou circunstâncias que poderiam não ser notados. O amigo da corte se faz necessário em casos atípicos, levando informações relevantes à discussão do caso, ampliando a visão da corte de modo a beneficiar todos os envolvidos, pois pode tornar a decisão mais justa.
C* é o símbolo do elemento químico cobre (do latim cuprum). O ácido cuprídico reage com o hidróxido de índio formando o cupreto de índio.

Do nhenhenhém ao mimimi

Nhenhenhém é uma onomatopeia (palavra que procura imitar o som daquilo que se expressa) para traduzir conversa-fiada.
Quando reclamamos que alguém deveria "deixar de nhenhenhém", por impaciência ou simples desconhecimento do assunto, nem suspeitamos da influência do tupi nessa expressão. Do ponto de vista etimológico, a palavra "nhenhenhém" consiste em um aportuguesamento dos verbos tupis "nhe'eng" (que significa falar) e "nheéng nheéng" (que sugere a ação de "insistir" ou "teimar").
A palavra em questão, um substantivo masculino, está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em outros dicionários brasileiros.
Diz Rainer Sousa:
Ao entrarem em contato com os portugueses, os índios do litoral brasileiro não compreendiam uma só vírgula da língua utilizada pelos estrangeiros. Da mesma forma, os portugueses demoraram certo tempo para que pudessem compreender o universo de significados da língua dos nativos. Nesse meio tempo, é bem provável que alguns índios daquela época não ficavam muito interessados em perderem seu tempo com o “nheeng-nheeng-nheeng” (falar-falar-falar) dos colonizadores europeus.
De forma semelhante aos índios daquela época, ficamos irritados quando somos obrigados a aturar horas a fio uma conversa, discurso ou palestra pouco interessante. Como se ouvíssemos uma língua completamente desconhecida, transformamos aquela fala prolixa em um irritante amontoado de sons sem sentido. Portanto, clareza e objetividade se tornam essenciais para que o ato comunicativo não vire um enfadonho "nhenhenhém".
[http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/deixar-nhenhenhem.htm]
O mimimi é uma maneira de você desclassificar o argumento do outro sem realmente refutá-lo. Você chama de "mimimi", de choradeira. Basicamente é o mesmo que tapar os ouvidos e ficar gritando LALALALALALA, EU NÃO ESTOU OUVINDO NADA ou NEM ESCUTO A ZOADA DA MUTUCA (como acontece aqui no Ceará).

22 outubro, 2020

A velocidade do som


O que estamos acostumados a chamar de "velocidade do som" é, na verdade, a velocidade que as ondas sonoras atingem no ar, a uma temperatura de 20°C: aproximadamente 343 metros por segundo. Mas isso pode variar conforme a temperatura e o material. Por exemplo, a uma temperatura atmosférica de -10 °C, a velocidade cai para 325 m/s, enquanto no alumínio, sobe para 6.320 m/s.
Uma pesquisa feita na Queen Mary University of London, em parceria com a Universidade de Cambridge e o Instituto de Física de Alta Pressão, em Troitsk, na Rússia, encontrou a velocidade do som mais rápida possível: 36 mil metros por segundo.
Ondas sonoras, como qualquer onda, são fenômenos que movem a energia de um lugar para outro. A velocidade desse movimento depende do meio pela qual a onda está viajando. No caso do som, ele se move mais rápido através de sólidos do que por líquidos ou gases. Quanto mais rígido o meio, mais rápido o som viaja.
É por isso, por exemplo, que você pode ouvir um trem se aproximando muito mais rápido se você encostar o ouvido nos trilhos. Pelo mesmo motivo, baleias conseguem se comunicar através de longas distâncias no oceano, já que a água é mais compacta do que o ar. Até agora, a maior velocidade registrada para o som era de 12 mil metros por segundo, com a onda passando através de um diamante. O novo número, porém, é o triplo disso.
É impossível medir a velocidade do som em todos os materiais existentes, mas os cientistas conseguiram estabelecer seu limite teórico com base em duas constantes fundamentais do universo: a constante de estrutura fina e a razão de massa próton-elétron. os cálculos efetuados preveem que o som atinge sua velocidade máxima ao viajar através do hidrogênio atômico sólido.
O problema é que para que o elemento chegue a este ponto, é necessária uma pressão acima de um milhão de atmosferas – como no núcleo de gigantes gasosos como Júpiter. Nesse ambiente, o hidrogênio se torna um sólido metálico supercondutor. Partindo dessa premissa, os pesquisadores realizaram cálculos de mecânica quântica de última geração e descobriram que a velocidade do som no hidrogênio atômico sólido está perto do limite teórico fundamental.

Extraído de: http://www.sciencealert.com/we-finally-have-an-upper-limit-for-the-speed-of-sound, Science Alert

Guerras dos Ossos

Seguindo o fio: a humanidade continuava a não ter uma ideia clara do que eram os dinossauros até o trabalho de William Buckland sobre o Megalossauro, em 1824.
Quanto à palavra "dinossauro" em si, esta não seria cunhada até 1842, quando o cientista britânico Sir Richard Owen observou que os poucos fósseis de dinossauros estudados cientificamente naquele momento compartilhavam várias características. Para os curiosos, essas espécies eram o Megalossauro, o Hylaeosaurus e o Iguanodon. Ele concluiu ainda que os fósseis não poderiam ter vindo de nenhuma criatura que atualmente vagava pela Terra e, portanto, criou um novo nome- dinossauro, que significa "terríveis / poderosos / maravilhosos lagartos".
Naturalmente, deve-se notar que, apesar de ser um cavaleiro pelo trabalho de sua vida, em 1883, Owen era conhecido por roubar as idéias de outras pessoas e chamá-las de suas, em pelo menos um caso, mesmo depois de ter ridicularizado a pessoa de quem ele roubou as idéias. o paleontologista Gideon Mantell.
Por várias vezes, Owen tentaria levar o crédito por parte do trabalho pioneiro de Mantell sobre o Iguanodonte, enquanto minimizava as contribuições de Mantell no processo. Além disto, especula-se que Owen, muito mais distinguido, trabalhou ativamente para impedir que alguns dos trabalhos de Mantell fossem publicados.
Para ilustrar ainda mais o caráter e a rivalidade de Owen com Mantell, depois de quase uma ruína financeira em 1838, com sua esposa o deixando em 1839 e sua filha morrendo em 1840, Mantell ficaria aleijado após uma queda de uma carruagem em 11 de outubro de 1841. Anterior ao acidente, ele frequentemente sofria de dores nas pernas e nas costas, com a causa disso sendo atribuída às longas horas que dedicava ao trabalho e coisas do gênero.
O que isso tem a ver com Owen? Para acrescentar insulto à lesão, depois que Mantell morreu de uma overdose de ópio tomada para ajudar a aliviar sua dor constante e extrema, vários obituários foram publicados sobre Mantell, todos favoráveis - exceto um…
Este foi escrito anonimamente, embora as análises do estilo de escrita e do tom geral tenham deixado a comunidade científica local com pouca dúvida sobre quem o escreveu.
Nele, Owen começa a elogiar Mantell, afirmando: "Na noite de quarta-feira passada, com cerca de 63 ou 64 anos de idade, morreu o renomado geólogo Gideon Algernon Mantell ..." Continua a observar como as memórias de Mantell sobre o Iguanodonte o viam. recebedor da prestigiada medalha real. Obviamente, adiante em seu artigo, Owen alega que o trabalho de Mantell pelo qual ele ganhou a medalha foi realmente roubado de outros, incluindo dele próprio. E o artigo prossegue descrevendo as supostas falhas do Dr. Mantell como cientista.
Finalmente, conclui como começou - com um elogio: "Dr. Mantell, no entanto, fez muito depois para o avanço da geologia, e certamente mais do que qualquer homem para torná-la um atraente assunto popular".
Obviamente, se você roubar o trabalho de outras pessoas por tempo suficiente, eventualmente será pego, especialmente quando for um dos principais cientistas do mundo em seu campo. O passo em falso de Owen ocorreu quando ele recebeu a prestigiosa Medalha da Royal Society por sua descoberta e análise supostamente pioneiras dos belemnites, que ele chamou de Belemnites owenii, e não deu crédito a mais ninguém pelas idéias contidas no artigo. Acontece que, no entanto, quatro anos antes ele havia participado de uma reunião da Sociedade Geológica, na qual um cientista amador chamado Chaning Pearce deu uma palestra e publicou um artigo sobre a mesma criatura...
Embora Owen tenha recebido permissão para manter sua medalha, mesmo depois que foi revelado que ele havia roubado o trabalho de Pearce, os rumores de que ele "pegara emprestado" (sem crédito) outras idéias e a prova subsequente disso resultaram na perda de seu antigo prestígio acadêmico. As coisas não melhoraram nos anos seguintes, e Owen acabou recebendo a botinada da Royal Society em 1862, apesar de sua longa e bastante destacada carreira.
Embora ele nunca mais fizesse nenhum trabalho científico significativo, sua carreira pós-plágio provou ser um grande benefício para quem gosta de museus. Até então, os museus não eram lugares facilmente abertos ao público e, para obter acesso, você geralmente precisava ser um acadêmico. Eles eram lugares para pesquisa, não para plebeus aleatórios que gostam de observar as coisas.
Depois de perder o respeito de seus colegas, ele finalmente dedicou suas energias ao papel de superintendente do departamento de história natural do Museu Britânico. Entre outras coisas, como superintendente, ele pressionou e ajudou a desenvolver o agora famoso Museu de História Natural de Londres. Ele também instituiu uma série de mudanças como incentivar o público a visitar o museu, disponibilizando a maioria das peças, com rótulos e descrições adicionadas, para que não apenas os instruídos pudessem entender o que estavam vendo. Muitos dentre a comunidade científica lutaram contra essas mudanças, mas ele o fez de qualquer maneira, legando-nos a idéia moderna de um museu.
De qualquer forma, depois que o trabalho de Owen, Mantell e seus contemporâneos finalmente revelou o que eram essas criaturas extintas, o interesse pelos dinossauros explodiu, resultando no que ficou conhecido como "Guerras dos Ossos" entre paleontologistas rivais na década de 1890. Durante a qual o ambiente ficou tão aquecido que alguns paleontologistas literalmente recorreram à explosão de minas para derrotar seus rivais nas descobertas.

Extraído de: What did people first think when they found dinosaur bones?
Karl Smallwood, Today I Found It
04/09/2019

21 outubro, 2020

Entrevista de emprego (5)

Um sujeito está em um teste para emprego. O empregador dirige-se ao candidato e diz:
— Vou lhe aplicar o teste final para sua admissão.
— Perfeito, diz o candidato.
Aí o empregador pergunta:
— Você está em uma estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados vindo em sua direção. O que você acha que é?
— Um carro - diz o candidato.
— Um carro é muito vago. Que tipo de carro, uma BMW, um Audi, um Volkswagen?
— Não dá pra saber, né...
— Ihh, assim você vai mal, muito mal — diz o empregador, que continua.
— Vou lhe fazer uma outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol vindo em sua direção, o que é?
— Uma moto, diz o candidato.
— Sim, mas que tipo de moto, uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?
— Sei lá, numa estrada escura, não dá pra saber! — diz o homem já meio nervoso...
— Assim você não vai passar. Aqui vai a última pergunta: na mesma estrada escura você vê de novo só um farol, mas menor e você percebe que vem bem mais lento. O que é?
— Uma bicicleta.
— Sim, mas que tipo de bicicleta? Uma Caloi, uma Monark, uma Sundown?
— Não sei!
— Você está reprovado, diz o empregador.
O candidato então se levanta para sair, mas antes fala ao empregador:
— Interessante esse teste. Posso lhe fazer uma pergunta também?
— Claro que pode. Pergunte.
— O senhor está numa rua iluminada. Vê uma moça com maquiagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, girando uma bolsinha, o que é?
— Ah!, diz o empregador. — É uma prostituta!
— Sim, mas que tipo de prostituta? Sua irmã, sua mulher, sua mãe...?

http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=4834

Buscar emprego: 1, 2, 3 e 4

O comedor de ostras

"Quem primeiro comeu uma ostra era uma alma corajosa."

A coragem do primeiro comedor de ostras é reconhecida há pelo menos quatrocentos anos. As primeiras evidências publicadas foram escritas por Thomas Moffett, um influente médico inglês que morreu em 1604. Mas várias figuras fizeram observações semelhantes ao longo dos anos. John Ward, em 1661, ao incluir um comentário sobre as ostras em seu diário (creditando-o ao rei James I, que havia morrido em 1625); John Gay, em 1716, ao versejar "... que, na costa rochosa, / primeiro quebrou o casaco perolado da ostra"; e Jonathan Swift, em 1738, quando criou este diálogo para dois personagens:
Lady Smart: "Senhoras e senhores, vocês comerão ostras antes do jantar?"
Coronel Atwit: "Com todo o meu coração." [Toma uma ostra.]
Ele era um homem ousado, o primeiro a comer uma ostra.
Além dos supracitados autores, todos eles ingleses, o polígrafo americano Benjamin Franklin. Ele incluiu no "Poor Richard's Almanack", em 1753, uma versão ligeiramente alterada dos versos de John Gay. Em conclusão, todos eles, de Moffet a Ben, ajudaram a popularizar essa sabedoria proverbial.
http://quoteinvestigator.com/2020/01/11/oyster/#more-437287

O pintor e gravador belga James Ensor produziu paisagens, naturezas-mortas e retratos, além de cenas do gênero com sua irmã, mãe e tia. "La mangeuse d'huîtres" (O comedor de ostras), o ponto alto de seu trabalho na época, reúne esses diferentes gêneros pictóricos magnificamente. A imagem mostra sua irmã Mitche concentrada em comer ostras, com uma profusão de flores, pratos e toalhas de mesa diante dela, Mas esse quadro certamente era ousado demais para o ambiente altamente conservador da época e foi rejeitado no Salão de 1882, em Antuérpia.

As ostras não são os únicos moluscos que podem produzir pérolas: mexilhões e amêijoas também produzem pérolas, mas esta é uma ocorrência muito mais rara.
A esta relação dos moluscos formadores de pérolas devemos acrescentar também o sururu. A partir da experiência por que passou o genealogista e historiador Ormuz Simonetti ao se deliciar com um caldo de sururu.
Bem, deixemos que ele mesmo descreva como encontrou essa pérola:
"Estávamos em animada conversa quando foi servido o caldinho de sururu ao leite de coco. Logo na primeira porção que me foi servida, mastiguei algo estranho. A princípio pensei tratar-se de uma pedra e temi pela possibilidade de ter quebrado algum dente. Mas, ao colocar a mão na boca e retirar aquele corpo estranho, surgiu diante dos meus olhos algo bem diferente do que esperava ver. Fiquei observando na ponta de meu dedo indicador uma bela e minúscula pérola. A princípio não acreditei no que meus olhos viam, ao tempo que meu cérebro insistia no que me recusava a acreditar. Até aquela data nunca tinha ouvido falar que alguém tivesse encontrado uma pérola dentro de um marisco, mesmo porque não era de meu conhecimento que fosse possível encontrar pérolas dentro desses moluscos. Sempre ouvia falar que elas são encontradas dentro de ostras."
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/perola-de-sururu.html

20 outubro, 2020

O inseto preso em âmbar

No Jurassic Park (1993), o inseto preso em âmbar  não poderia conter DNA de dinossauro.

Explicação:
Eles precisavam de um mosquito muito grande para que parecesse "pré-histórico" e fosse também facilmente visto por todos. O mosquito-elefante (Toxorfinchitas) atende a esses requisitos, mas não suga sangue de animais grandes. Ele se alimenta de outros mosquitos.

27/09/2012 - Pequenas janelas coloridas para o passado
31/08/2013 - Um pesadelo dividido

Um evento no céu de Nuremberg


Ao nascer do sol, em 14 de abril de 1561, os cidadãos de Nuremberg (Alemanha) viram "um espetáculo muito assustador". O céu parecia se encher de objetos cilíndricos dos quais discos e globos vermelhos, pretos, laranjas, azuis e brancos emergiram. Cruzes e tubos parecidos com canos de canhão também apareceram quando os objetos prontamente "começaram a lutar uns contra os outros".
Este evento, uma das primeiras citações registradas de OVNIs, foi retratado nesta xilogravura do século XVI por Hans Glaser.

Sic erat scriptum.

19 outubro, 2020

Gato no relógio

"Quem sabe faz a hora / não espera acontecer."


Gato no relógio ≠ "Gato" no relógio da energia

Atuário

A origem do termo remonta à história antiga onde, entre os romanos, os actuarii (plural de actuarius) eram escribas que redigiam as atas do senado. Posteriormente, o termo passou a designar também os escrivães públicos que registravam nascimentos e óbitos.
No século XVII, passaram a ser conhecidos como atuários aqueles que organizavam modelos estatísticos-populacionais, como as Tábuas de Vida. Deste grupo de cientistas é que sairiam os primeiros atuários modernos.
Em 1842, foi fundada nos EUA a primeira companhia de seguros de vida. Como essas empresas precisavam de atuários, o fato logo representou uma boa fonte de empregos para indivíduos com conhecimentos de matemática.

O atuário tem como símbolo profissional a ampulheta. ⏳

18 outubro, 2020

Em compensação

por Fernando Gurgel

Às vezes a gente perde
Em outras, levam tudo da gente

Às vezes a gente apanha
Noutras, batem muito na gente

Às vezes a gente acha
Que não acham nada da gente

Às vezes a gente se acha
Mil vezes maior que toda a gente

E vamos levando a vida
Enquanto a morte leva a gente

Fernando,
A lei da compensação não funciona quando se trata de sobras no corpo e faltas na mente. Mas, pelo que vejo, essa lei é da gente, pela gente e para a gente.

Bons tempos, hein?!



Amigo é pra essas coisas
Silvio da Silva Júnior / Aldir Blanc
c/ Ruy Faria e Chico Buarque

- Salve!
- Como é que vai?
- Amigo, há quanto tempo!
- Um ano ou mais...
- Posso sentar um pouco?
- Faça o favor.
- A vida é um dilema
- Nem sempre vale a pena...
- Pô...
- O que é que há?
- Rosa acabou comigo.
- Meu Deus, por quê?
- Nem Deus sabe o motivo.
- Deus é bom.
- Mas não foi bom pra mim.
- Todo amor um dia chega ao fim.
- Triste...
- É sempre assim.
- Eu desejava um trago.
- Garçom, mais dois.
- Não sei como eu lhe pago.
- Se vê depois.
- Estou desempregado...
- Você está mais velho.
- É...
- Vida ruim.
- Você está bem disposto.
- Também sofri.
- Mas não se vê no rosto.
- Pode ser...
- Você foi mais feliz.
- Dei mais sorte com a Beatriz.
- Pois é..
- Vivo bem.
- Pra frente é que se anda.
- Você se lembra dela?
- Não.
- Lhe apresentei...
- Minha memória é fogo!
- E o l´argent?
- Defendo algum no jogo.
- E amanhã?
- Que bom se eu morresse!
- Pra quê, rapaz?
- Talvez Rosa sofresse.
- Vá atrás!
- Na morte a gente esquece.
- Mas no amor a gente fica em paz.
- Adeus
- Toma mais um.
- Já amolei bastante.
- De jeito algum!
- Muito obrigado, amigo.
- Não tem de quê.
- Por você ter me ouvido.
- Amigo é pra essas coisas.
- Tá...
- Tome um cabral.
- Tua amizade basta.
- Pode faltar.
- O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará
Amigo da onça
Sílvio da Silva Júnior / Aldir Blanc
c/ MPB4 (arr. Magro)

- Salve!
- Prazer rever você.
- É... já faz um tempão.
- Tamos aí.
- E aqui, no mesmo bar.
- Muita sorte ou azar.
- Que cara é essa?
- É aquele velho amor.
- O meu papo mudou.
- O meu também, tô firme na poupança.
- Dá pra ver pela pança.
- Mas senta.
- Pra dois sem colarinho.
- Você se agarra direitinho no passado.
- E o que há de errado?
- Eu me dei bem assim.
- À minha custa ou então de gente igual a mim.
- Tás me gozando, eu nunca te fiz mal.
- Pessoalmente, mas no todo é que eu encuco.
- Ficou maluco, precisa se internar.
- Sei que ando mal...
- Pra variar.
- Pois é, um pouco mais de humor.
- Com a fome que eu tou.
- Nem pense nisso, pede o de salaminho.
- Sem bancar o bonzinho.
- Mas, ora essa, tá me agredindo à beça.
- Eu não estou pra conversa.
- Então se manda, não temos que aturar.
- Vão querer me encarar?
- Cai fora ou vou chamar o guarda.
- Por mim tu chama até o raio que o parta.
- Ah, mas que falta.
- Eu tenho pressão alta.
- Mas quando assalta a quem é pobre, ela não sobe.
- Não admito meu nome, meu valor...
- Custa barato em qualquer casa de penhor.
- É bom lembrar com quem tu tá falando.
- Tô falando e andando.
- Já basta, não topo gente rude.
- Quem está incomodado...
- Que se mude, conheço meu lugar.
- Então vá passear.
- Que ingratidão, despeita um velho amigo.
- Esse papo é antigo.
- Não é possível, você não se comove.
- Vai tomar teu "Engov".
- Teu caso só bordoada cura.
- Tu é contra abertura.
- Eu?

17 outubro, 2020

Um "clip art" de Adam Hillman

Não é "o rosto de uma senhora vendo sua peruca voar para longe", como insinuou um "redditor" (colaborador do Reddit).

Dando um novo significado à palavra "clip-art", Adam Hillman criou esta paródia de "O Grito", icônico quadro do pintor norueguês Edvard Munch.

DO AGITO AO GRITO

Pé-rapado

Significado: pessoa de origem humilde, pobre.
Designava o pobretão, principalmente da zona rural, que andava descalço e, por isso, era obrigado a raspar (ou rapar) os pés para lhes tirar a lama.
Em seu livro "Locuções Tradicionais do Brasil", Câmara Cascudo escreveu que o termo é sinônimo de "descalço, de pés nus, pé no chão", uma metonímia para designar uma pessoa de origem humilde.
Mas você sabe como a expressão "pé-rapado" surgiu? Não se sabe ao certo quando, mas ela já aparece nos versos que Gregório de Matos dedicou a uma mulata baiana que lhe havia pedido um cruzado para consertar os sapatos, na segunda metade do século XVII:
"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."
Outra ocorrência da expressão foi registrada durante a Guerra dos Mascates, no início do século XVIII, em Pernambuco. A expressão "pés-rapados" foi usada de forma pejorativa para se referir ao exército de camponeses que andavam descalços e combatiam as tropas portuguesas que usavam botas e uniforme militar.
Como os mais ricos andavam a cavalo, eles não sujavam seus sapatos, mas os pobres acabavam pisando na lama e eram exatamente eles que acabavam tendo que "rapar os pés" nesses objetos:


Antigamente, era comum em São Paulo, do lado de fora das casas, um pedaço de ferro com duas pontas fincadas na calçada - detalhe da segunda foto -, para que os moradores e visitantes pudessem raspar os sapatos sujos de barro antes de entrar na moradia. À época, as ruas ainda não eram asfaltadas.


www.soportugues.com.br
http://pt.quora.com/O-que-significa-a-expressão-pé-rapado
http://www.saopauloantiga.com.br/vila-andrea-raucci/

16 outubro, 2020

Código do Bom-Tom

Com regras da civilidade e de bem viver no século XIX, pelo cônego português José  Ignácio Roquette (1801 - 1870). Publicado em Portugal em 1845, este guia de boas maneiras logo ganhou uma fiel legião de leitores na corte imperial brasileira.

Lilia Moritz Schwarcz (Org.)
Lançamento: 05/12/1997
ISBN: 9788571647343
Selo: Companhia das Letras


A partir de finais do século XVIII, mas sobretudo durante o século XIX, toma força um novo gênero literário consagrado às boas maneiras. Escritos de modo claro e didático, os guias de boa conduta dedicavam-se à "ciência da civilização" e introduziam seus leitores nas atividades que marcavam a vida de sociedade: bailes, reuniões, saraus e jantares.
No entanto, juntamente com a civilidade vinha o aumento do embaraço, que se traduzia, nesse casso, em regras de higiene. Os manuais aconselhavam a evacuação diária, banhos de quinze em quinze dias, além da troca de roupa-branca tão logo estivesse suja. A civilização leva sempre à restrição dos costumes, e a dificuldade está em evitar os gestos naturais. Reprimir o espirro, não coçar a cabeça e muito menos meter os dedos no nariz, não levar a mão à boca nem roer as unhas, nunca arrotar. Nesses manuais estão descritas atitudes e gestos que passam a ser obrigatórios.

VÍDEO imperdível.

Em LINHA DO TEMPO:
Recordo-me de que, na década de 1960, havia um exemplar do "Guia de Boas Maneiras" (imagem da capa) em minha casa.
Antônio Marcelino de Carvalho (São Paulo, 1905 – 1978), o autor do livro (e de outros do gênero), foi jornalista, escritor, cronista e um mestre de etiqueta na década de 1950, tendo seus livros permanecido clássicos nas décadas seguintes.
Era filho de Antonio Marcelino de Carvalho e Brasília Machado de Carvalho.
Criador da "Crônica Social" no Brasil.
Seu "Guia de boas maneiras" aborda "as boas e corretas normas de conduta na vida em sociedade". Dividido em capítulos que se subdividem em apresentação, saudação, convites, recepções e tudo o que se refere à mesa (etiqueta, maneira de convidar, arrumação da mesa, entre outros), passando pelo casamento, nascimento, primeira comunhão, presentes e conversas.

Solilóquio

EU SOU O MEU PATRÃO,

ENTÃO SE VOCÊ ME VIR

FALANDO SOZINHO - É PORQUE

EU ESTOU EM REUNIÃO.

(Bom Dia do Patrão. Uma data repleta de cacófatos a quem for da categoria.)

15 outubro, 2020

"Caravan"

Esta é "Caravan" (pensamos em Ravel), tocada por seu compositor, Juan Tizol, membro porto-riquenho da Duke Ellington Orchestra durante quinze anos.
O trombone de válvulas, o instrumento de Tizol, foi uma idéia de Duke.


Lei exemplar

15 de outubro e O Dia Estadual de Lavar as Mãos


O Ceará partiu na frente (2009) - - sem queimar a largada!

A diferença entre LEGO e PLAYMOBIL

14 outubro, 2020

O dia em que explodiram uma baleia morta

Em novembro de 1970, apareceu numa praia perto de Florence, estado de Oregon, a carcaça de uma enorme baleia. Ela media cerca de 14 metros e pesava 40 a 65 toneladas.
A população local passou a pensar numa maneira de se livrar daquilo.
Apareceram três soluções possíveis:
1. Deixar a baleia onde ela estava e esperar pela sua lenta decomposição; o mau cheiro iria durar semanas ou meses;
2. Enterrá-la em algum local das proximidades; a logística seria complicada para transportar o animal até o seu túmulo;
3. Explodir a porra da carcaça e mandar tudo pelos ares.
Em terra de cowboy, a 3.ª opção foi a vencedora, naturalmente.
Os especialistas colocaram quilos e mais quilos (cerca de 500 kg) de dinamite dentro da carcaça e apareceram mais de 100 pessoas para assistir ao espetáculo.
📺VÍDEO (dos arquivos ABC, a CNN ainda não existia).
Mas, surgiram alguns problemas imprevistos. Por exemplo, um pedaço pesando alguns quilos danificou um Oldsmobile que passava nas proximidades. Seu dono não acreditou no que viu. Além disso, milhares de pedaços da baleia espalharam-se por centenas de metros ao redor, levando o mau cheiro a dezenas de residências. Os mais incomodados passaram dias catando aqueles pedaços.
Apesar das dificuldades de logística, a 2.ª opção seria a mais sábia. Com uma motosserra, ela seria cortada em "n" pedaços e um trator com reboque levaria a dita-cuja até o cemitério improvisado.
Mas os americanos são tarados por uma explosão (cf. Hiroshima e Nagasaki).

(matéria enviada por Jaime Nogueira)

Pizza de ovo

Usuário do Twitter criou a receita de pizza de ovo. Ingredientes: ovo, sal e óleo.

@mixkkk
Comentários:
— É uma pizza para gastar pouco.
— Credo, frita esses ovos direito!
— Então você é um pizzaiovo?
— Por que a gema é rosa?
— É gema de ovo de galinha, se fosse de galo seria azul.
— Com um ovo dá pra fazer uma pizza brotinho? (PGCS)

13 outubro, 2020

Pipi na cerca


Que é putz?
É uma gíria brasileira utilizada para expressar espanto ou susto. "Putz" é uma forma socialmente aceita de pronunciar um palavrão ofensivo à mãe do interlocutor (PQP, em sua forma abreviada).

Ver também: Cão nervoso, ave inquieta

Lápis espaguete para o jantar

Título alternativo:
Como destruir seu material escolar em 3:56.



NÃO TENTE FAZER ISSO EM CASA.
(Este vídeo contem sons de mastigar, deglutir, arrotar etc. embora não sejam reais.)

Aqui havia uma entrada para SOU SEU RAPAZ DO LÁPIS N.º 2
(Um vídeo com menos besteira porque só dura 6 segundos.).

12 outubro, 2020

Cena admirável

COBRA DESTEMIDA SALVA PEIXE DO AFOGAMENTO

Por que Cristóvão Colombo teve dificuldades para conseguir patrocínio?

Porque Colombo estava errado, e o Rei de Portugal sabia disso.
Quando Colombo estimou a circunferência da Terra, ele a subestimou de uma maneira tal que colocava a Ásia muito mais perto do que realmente estava e, portanto, sua viagem parecia fadada ao fracasso.
Colombo teve sorte, porém, porque havia entre a Europa e a Ásia um continente inteiro (as Américas), que ele não conhecia. Considerando que seu objetivo era alcançar a Ásia do outro lado do Atlântico e esta era a sua proposta, o objetivo de Colombo era totalmente impossível.
A Rainha da Espanha também sabia disso e muitos supõem de fato que ela também acreditava que a viagem fracassaria, mas queria se livrar de centenas de soldados problemáticos que atormentavam o país desde o cerco a Granada; que solução melhor do que deixá-los partir numa viagem condenada?
O que ninguém esperava era que ele encontrasse isso:

Alex Parker. Why did Christopher Columbus have trouble getting funding? In: Quora
Luiz Carlos Lopez (tradutor)

12/10/10 - Descobrimento da América
12/10/11 - Doze de Outubro
12/08/13 - O Ovo de Colombo
12/10/16 - Colombo e o cristianismo: você sabia?
12/10/17 - Colombo em Cubanakan
27/01/18 - Foi Cristóvão Colombo um nobre português?
12/10/18 - Colombo e os russos

11 outubro, 2020

Qualidades da caneta


Esta caneta é incrível.

Ela escreve DEBAIXO D'ÁGUA.

E não é só isto.

Ela escreve outras palavras também.

(post não patrocinado)



Importante - Ela não existe na versão azul. Esta confusão foi gerada nas redes sociais por causa da maravilhosa letra de música — até me arrepia só de ler tanta poesia, gente! — do compositor Manoel Gomes: "caneta azul / azul caneta".

Como lidar com o leão

1938 E nenhum tigre a ofendeu jamais;
e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,
quando ela entrava nua pela jaula adentro,
chorava como um recém-nascido.
Jorge de Lima. In: "A túnica inconsútil"
http://blogdopg.blogspot.com/2018/11/poema-o-grande-circo-mistico.html

1977 A Eduardo Carvalho, o Dadi, baixista dos "Novos Baianos", Caetano dedicou sua canção "Leãozinho" (vídeo), de 1977. Quando ouviu-a pela primeira vez, Dadi não acreditou que fosse para ele. "Achava que era para o filho de Caetano porque parece um pouco música para criança', diz. O filhote de leão hoje é avô. E continua tocando, acompanhando a banda de Jorge Ben.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/01/1571679-dadi-e-luminoso-diz-caetano-sobre-o-musico-que-inspirou-o-leaozinho.shtml?cmpid=menupe



1989 Para iniciar suas observações após o jantar em uma reunião da Seção de Ohio do MAA, Gerald Alexanderson contou a seguinte história que ele ouviu de Polya, que ouviu de Lebesgue:
No coliseu de Roma, o imperador ordenou que um leão fosse trazido para a arena com um cristão. O cristão sussurrou algo no ouvido do leão, e o leão tornou-se manso e choramingou. Essa cena foi repetida com leões cada vez mais ferozes. Finalmente, o imperador disse ao cristão que ele poderia ser libertado se lhe dissesse o que estava cochichando ao leão. A resposta foi realmente assustadora: "Depois do jantar, você precisa fazer um discurso".
http://pballew.blogspot.com/2020/04/on-this-day-in-math-april-7.html#links

xxxx Na África, todas as manhãs, o antílope acorda sabendo que deverá correr mais do que o leão, se quiser se manter vivo. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais do que o antílope, se não quiser morrer de fome. Não faz diferença se você é antílope ou leão. Quando o sol nascer, você tem que começar a correr.
http://blogdopg.blogspot.com/2012/08/gestao-empresarial-dicas.html

10 outubro, 2020

Eu quero uma casa sem campo (paródia)

Perdão aos autores desta letra. Agora temos que cantar assim:

Eu quero uma casa sem campo
Onde eu possa compor mil besteiras rurais
E tenha somente incerteza
Sem amigos perfeitos e nada mais.

Eu quero uma casa sem campo
Onde eu possa ficar totalmente incapaz
E tenha somente incerteza
Dos chiliques do Face e nada mais.

Eu quero carneiros e cabras
Pastando bem longe do meu jardim
Eu quero as fofocas das línguas cansadas
Eu quero as queimadas de fósforos
E o fogo lá no Pantanal
Eu plantar?... nem colher com a mão
A cachaça e o sal.

Eu quero uma casa sem campo
Do tamanho normal, ir a pique e beber
Onde eu posso esconder um amigo,
Queimar uns alqueires, os pastos e nada mais.

Fernando Gurgel Filho

Novo vendedor - 1.º dia

Um jovem procura emprego em uma grande loja de departamentos.
O gerente pergunta: "Você tem alguma experiência em vendas?" O rapaz responde "muito pouco".
Bem, o chefe gostou dele e deu-lhe o trabalho. “Você começa amanhã. Eu vou descer depois que fecharmos e ver como você se saiu.
Seu primeiro dia no trabalho foi duro, mas ele passou por isso. Depois que a loja foi trancada, o chefe desceu. "Quantos clientes compraram algo de você hoje?"
O rapaz diz "um".
O chefe diz "apenas um? Nosso pessoal de vendas tem em média 20 a 30 clientes por dia. Quanto foi a venda?"
O rapaz diz "US $ 165.000".
O chefe diz "165.000? O que diabos você vendeu?"
O rapaz diz: "Primeiro, eu vendi ao cliente um anzol. Depois, vendi uma vara de pescar. Então, eu lhe perguntei onde ele pretendia pescar, e ele disse 'na costa'. Então, eu lhe disse que ele ia precisar de um barco, e fomos até o departamento de barcos, onde eu lhe vendi um Chris Craft. Por fim, quando ele disse que não achava que seu Honda Civic o puxaria, eu o levei até o departamento de carros e vendi a ele um Expedition 4 x 4."
O chefe disse: "Um cara veio aqui para comprar um anzol e você vendeu um BARCO e um CAMINHÃO?"
O rapaz disse: "Não, o cara entrou aqui para comprar Modess para a esposa, e eu disse: 'Cara, seu fim de semana não vai ser legal, é melhor você sair para pescar'."


Bits and Pieces

09 outubro, 2020

Minha Escola

Ascenso Ferreira

A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
Complicado como as Matemáticas;
Inacessível como Os Lusíadas de Camões!
À sua porta eu estacava sempre hesitante...
De um lado a vida...
– A minha adorável vida de criança:
Pinhões... Papagaios... Carreiras ao sol...
Voos de trapézio à sombra da mangueira!
Saltos da ingazeira pra dentro do rio...
Jogos de castanhas...
- O meu engenho de barro de fazer mel!
Do outro lado, aquela tortura:
"As armas e os barões assinalados!"
- Quantas orações?
- Qual é o maior rio da China?
- A 2 + 2 A B = quanto?
- Que é curvilíneo, convexo?
- Menino, venha dar sua lição de retórica!
- "Eu começo, atenienses, invocando
a proteção dos deuses do Olimpo
para os destinos da Grécia!"
- Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!
- Agora, a de francês:
- "Quand le christianisme avait apparu sur la terre..."
- Basta.
- Hoje temos sabatina...
- O argumento é a bolo!
- Qual é a distância da Terra ao Sol?
- ? !!
- Não sabe? Passe a mão à palmatória!
- Bem, amanhã quero isso de cor...
Felizmente, à boca da noite,
Eu tinha uma velha que me contava histórias...
Lindas histórias do reino da Mãe-d’Água...
E me ensinava a tomar a benção à lua nova.

No Preblog: OS CASTIGOS CORPORAIS NA ESCOLA ANTIGA

Dê uma chance ao palíndromo

ORO NO SONHO: JOHN, O SONORO




Nesta data em 1940,
nascia em Liverpool, no Reino Unido,
o cantor, compositor e ativista da paz
John Winston Lennon,
fundador e líder da famosa banda The Beatles.



08 outubro, 2020

Lições de tudo





"La libertad está en Occidente. La sabiduría está en el Este (Oriente).
Pero La Paz ... está en Bolivia."

A bandana de Anna

"Espero que você consiga trabalhar arduamente na ciência e, assim, banir lembranças dolorosas, na medida do possível", escreveu Charles Darwin, na primavera de 1864, a um jovem e obscuro correspondente alemão que acabara de lhe enviar dois fólios de sua autoria: estudos impressionantemente ilustrados de pequenos organismos marinhos unicelulares - uma obra-prima que encantou Darwin como uma das coisas mais majestosas que ele até então tinha visto.
Mas Ernst Haeckel (16 de fevereiro de 1834 - 9 de agosto de 1919), que adiante cunharia o termo ecologia e se tornaria um proeminente defensor da teoria da evolução, não poderia banir o inatingível: meses antes, em seu trigésimo aniversário, Anna Sethe, o amor de sua vida, havia sido arrancado dele por uma morte súbita, quando o casal, após um longo noivado, estava prestes a se casar.
Na esteira de seu luto insondável, o jovem biólogo marinho aplicou o método de Joan Didion para lidar com o luto por movimento e seguiu para a França. Andando pelas praias de Nice, sua mente em um lugar irrecuperável e seu coração com um vazio ameaçador, ele parou no meio do caminho - algo havia tomado sua atenção: flutuando perto da superfície do mar, em uma piscina de maré, deparou-se com uma água-viva - uma espécie de medusa que ele nunca tinha visto antes.
Ele havia caído sob o "feitiço da medusa" dez anos antes, aos vinte anos, enquanto acompanhava um orientador em uma expedição de pesca e pesquisa. Agora, uma década e uma devastação depois, Haeckel se rendeu a esse encantamento inicial para se firmar nos corrimãos paralelos da maravilha e da descoberta, do esplendor estético e do desafio científico.
Haeckel passou os quinze anos seguintes estudando e  desenhando essas criaturas estranhas e belas - evocativas de árvores e cogumelos, ovários e naves espaciais - e para nomear a mais bela das espécies que encontrou inspirou-se em sua amada perdida: Mitrocoma annae - "bandana de Anna" (na ilustração).

Extraído de: The Otherworldly Beauty of Jellyfish: How Ernst Haeckel Turned Personal Tragedy into Transcendent Art in the World’s First Encyclopedia of Medusae, by Maria Popova - Brain Pickings

Ernst Haeckel, 1879:
"Mitrocoma annae é uma das mais lindas e a mais pequena entre todas as medusas; ela foi observada pela primeira vez por mim, em abril de 1864, na baía de Villafranca perto de Nice. (...) Eu designei esta espécie, a princesa da Eucopiden, em lembrança da minha inesquecível esposa, Anna Sethe."
(do livro de R.J. Richard "O trágico sentido da Vida : Ernst Haeckel e a luta pelo pensamento evolutivo")

07 outubro, 2020

Dancing Queen

"Dancing Queen", do Abba (vídeo oficial), aqui sendo tocado como jazz dos anos 1920.
A performance é de um grupo musical chamado "Postmodern Jukebox", conhecido por recriar músicas populares em diferentes estilos de música vintage, como swing, jazz e soul.



Memória pictórica dos elefantes na Europa


Os romanos trouxeram elefantes para a Inglaterra durante suas invasões no primeiro século da era cristã, mas depois disso, mais de mil anos se passaram antes que outro elefante fosse realmente visto por pessoas na Grã-Bretanha - - ou na maior parte da Europa. Mas os viajantes trouxeram histórias que os artistas tentaram ilustrar. Para sua tese de mestrado na Universidade de Artes de Berlim, Uli Westphal criou uma árvore taxonômica dessas ilustrações chamada Elephas anthropogenus. Foi publicado mais tarde no Zoologischer Anzeiger - A Journal of Comparative Zoology.
"Como não havia um conhecimento real de como esses animais realmente pareciam, os ilustradores tiveram de confiar em descrições orais e escritas para reconstruir morfologicamente um elefante, reinventando a imagem de uma criatura com existência remota. Isso levou, na maioria dos casos, a ilustrações nas quais as principais características dos elefantes - como tromba e presas - ainda são visíveis, mas que no geral se desviam da aparência real desses animais. Nesse processo, o conhecimento zoológico sobre os elefantes foi substituído por seu significado cultural. Com base em uma coleção dessas imagens, reconstruí a evolução do 'Elephas anthropogenus', o homem feito elefante." ~ Uli Westphal
O gráfico interativo de Westphal está publicado aqui. Clique em um elefante para ver seu desenho ampliado.


06 outubro, 2020

À memória do mestre

Vincenzo Viviani (5 de abril de 1622 - 22 de setembro de 1703), matemático italiano.
Em 1639, aos 17 anos, tornou-se secretário e assistente de Galileo Galilei (então cego), em Arcetri, até a morte deste em 1642.
Fundou a Accademia del Cimento. Como uma das primeiras sociedades científicas importantes, essa organização veio antes da Royal Society, da Inglaterra.
De 1655 a 1656, Viviani editou pela primeira vez as obras coletadas de Galileu. Uma nota de Thony Christie informa que, após a morte de Galileu, seus documentos estavam sendo usados ​​pelo açougueiro local para embrulhar carne e salsichas (até Viviani resgatar o que restava deles).

Palácio dos Cartazes
O discípulo trabalhou incansavelmente para preservar a memória de seu mestre. Em Florença, Viviani escreveu a vida e as realizações de Galileu (em latim), na fachada de seu palácio, em enormes rolos de pedra.
Ao lado, foto do "Palazzo dei Cartelloni", um palácio em estilo barroco com placas e busto dedicados por Viviani a Galileu.

A última banana

Um experimento de pensamento em probabilidade de Leonardo Barichello:
Duas pessoas estão presas em uma ilha com apenas uma banana para comer. Para decidir quem vai comê-la, eles concordam em jogar. Cada um deles lançará um dado de 6 lados. Se o maior número rolado for 1, 2, 3 ou 4, o Jogador 1 ficará com a banana. Mas, se o maior número rolado for 5 ou 6, a banana ficará com o Jogador 2.
Qual jogador tem mais chance?

Mostrar resposta.

05 outubro, 2020

Zuza Homem de Mello (1933 - 2020)

José Eduardo Homem de Mello, mais conhecido como Zuza Homem de Mello, foi um musicólogo e jornalista brasileiro, especialista na história da Música Popular Brasileira.
Em 1957, frequentou a School of Jazz, em Tanglewood, EUA, onde teve aulas com Ray Brown e outros músicos. Em 1957-58, estudou musicologia na Juilliard School of Music, de Nova Iorque. A partir de 1958 passou a realizar palestras e cursos sobre Música Popular Brasileira e Jazz no Brasil e no exterior, tendo sido também jurado de alguns do mais importantes festivais de música no Brasil.
Dirigiu e produziu discos, shows, turnês, programas de rádio e televisão, assinou artigos em jornais e revistas. Foi jornalista convidado dos mais importantes festivais mundiais de música — Montreux, Edimburgo, Nova York, New Orleans, Barbados, Paris, Midem de Cannes, Tóquio, Montreal e Perugia.
Em 2018, foi eleito para ocupar a cadeira n.º 17 da Academia Paulista de Letras.
Zuza morreu aos 87 anos, em 4 de outubro de 2020, em seu apartamento no bairro paulistano de Pinheiros, vitimado por um infarto agudo do miocárdio enquanto dormia. Na semana anterior, ele havia concluído uma biografia do músico João Gilberto.
Livros publicados
  • Música popular brasileira cantada e contada (1976)
  • A canção no tempo (dois volumes, em coautoria com Jairo Severiano (Editora 34, 1997-98)
  • João Gilberto (Publifolha, Coleção Folha Explica, 2001)
  • A Era dos Festivais (Editora 34, 2003)
  • Música nas veias:memórias e ensaios (Editora 34, 2007)
  • Eis aqui os bossa nova (WMF Martins Fontes ,2008)
  • Música com Z (Editora 34, 2014)
  • Copacabana: a trajetória do samba-canção (Editora 34 e Edições Sesc, 2017)
Arquivo Z
        Uma nota pitoresca na apresentação de "Disparada" foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte de um sertão assolado pela seca. Zuza Homem de Mello recorda o sucesso da queixada. Era incrível como um instrumento sem ressonância (a "ressonância" ficava por conta dos dentes frouxos da queixada) pudesse fazer um som tão alto.
O sertão e a cidade
        Assim, nada havia de inédito quando, em agosto daquele ano, "Chega de saudade" era lançada pela terceira vez, agora no disco de estreia de João Gilberto – nome desconhecido do grande público mas já admirado em alguns círculos musicais do Rio de Janeiro. O single lançado pela EMI-Odeon trazia ainda, no lado B, "Bim bom", de autoria do próprio cantor.
Os motivos pelos quais esta gravação seria louvada mundo afora e marcaria o início da Bossa Nova é o que você confere nesta reportagem do Nocaute, que traz depoimentos de Rosa Passos, Zuza Homem de Mello e Luiz Tatit.