21 agosto, 2026

Em pedra

por Maria Popova

(trad. PGCS)

Se você quer se tornar amigo do tempo — que é como se torna amigo da vida:

Transforme-se em pedra.

Suba uma montanha e ouça a conversa entre as eras, codificada em cada faixa da rocha.

Caminhe por uma praia e passe os dedos pela poeira dourada que um dia foi uma montanha.

Pegue um seixo oval perfeito e sinta a sua silenciosa certeza 

        de que o tempo pode desgastar até mesmo a pedra mais pesada 

        e suavizar sua mais afiada aresta.

20 agosto, 2026

Origem e futuro da Lua

Daqui a eras, o que acontecerá com a Lua? O destino do nosso satélite natural está intrinsecamente ligado à atração gravitacional da Terra.

Origem
Dezenas de milhões de anos após a formação do nosso planeta, ele foi atingido por um corpo do tamanho de um planeta (V. A colisão de Theia com a Terra). Os materiais ejetados dessa colisão entre a Terra e o planeta estranho coalesceram, formando a Lua. Quando a Lua se formou, ela girava rapidamente. Mas a força gravitacional da Terra era tão intensa na época que reduziu drasticamente a rotação lunar, de modo que o giro e o movimento orbital da Lua ficaram sincronizados. Parte da energia perdida com a redução da rotação da Lua foi transferida para seu movimento orbital, afastando-a da Terra. Inicialmente, esse afastamento foi bastante rápido, mas diminuiu à medida que a Lua se distanciava e a força das marés diminuía. Mesmo hoje, bilhões de anos após sua formação, a Lua se afasta da Terra a uma taxa de cerca de quatro centímetros por ano.
Logo após a formação da Lua, ela estava muito mais próxima da Terra: a cerca de 20.000 quilômetros de distância (atualmente, a distância média é de 380.000 km). A Lua teria sido muito maior em nosso céu, com cerca de 10 graus de diâmetro.
Futuro
Nos éons vindouros, a Lua continuará se afastando , cada vez mais lentamente, até que a rotação da Terra se iguale ao período orbital da Lua. Nesse ponto, a Terra sempre mostrará a mesma face para a Lua e, para um observador no planeta, a Lua nunca nascerá nem se porá, sempre aparecendo no mesmo lugar no céu. O processo levará bilhões de anos. Mas, até lá, outras coisas estarão acontecendo no sistema solar. Por exemplo, o Sol continuará a aquecer, brilhando com mais intensidade, o que, por sua vez, aquecerá a Terra. Em cerca de um bilhão de anos, mais ou menos, a Terra ficará tão quente que nossos oceanos literalmente evaporarão, deixando para trás um mundo seco e estéril. Sem oceanos, a atração gravitacional sobre a Lua diminuirá e, portanto, seu afastamento da Terra será mais lento. Se o Sol não engolir os restos ressecados da Terra e da Lua, ele poderá esfriar e se tornar uma anã branca, e sua própria atração gravitacional poderá arrancar a Lua de nós.
Os quatro éons da Terra:
De −4,6 a −4 bilhões de anos, marcado pela formação da Terra.
De 
4 a 2,5 bilhões de anos, aparição dos primeiros oceanos e da vida microbiana.
De 
2,5 bilhões de anos a 539 milhões de anos, desenvolvimento de uma atmosfera oxigenada e de complexos celulares.
De 
539 milhões de anos aos dias de hoje, caracterizado pelo legado da vida animal e vegetal visível.
Os grifos são nossos.

19 agosto, 2026

Camuflagem evolutiva

Esta imagem mostra como a visão humana difere da visão de outros mamíferos.

  • Visão humana (tricromata): humanos possuem três tipos de receptores de cor na retina, permitindo-nos distinguir facilmente o laranja vibrante do tigre contra o verde da vegetação.
  • Visão de presas (dicromata): animais como cervos e javalis possuem apenas dois tipos de receptores, o que os torna incapazes de distinguir o laranja do verde.
Camuflagem evolutiva: 
Para essas presas, o pelo laranja do tigre aparece em tons de verde ou marrom, ajudando o predador a ser confundido com o ambiente.

18 agosto, 2026

SafetyPIN

Apesar dos rumores amplamente divulgados a partir de uma corrente de e-mails, a história de que digitar sua senha ao contrário em um caixa eletrônico aciona um alerta na polícia não é verdadeira.
É que um empresário de Chicago, Ilinois, de nome Joseph Zingher, inventou em 1998 um sistema chamado ATM SafetyPIN, em que foi muito mal-sucedido. Todos os bancos para os quais ele apresentou a ideia a rejeitaram. Na verdade, eles se opuseram, com medo de que uma pessoa em pânico errasse a inversão da senha e piorasse o assalto. Além de que  tinha o problema dos palíndromos. Se, como exemplos, a senha fosse 2002 ou 7337 não havia como inverter. Então, não funcionava.

17 agosto, 2026

Hong Kong usa água do mar nas descargas sanitárias

Enquanto a maioria das grandes cidades utiliza água potável tratada para descargas sanitárias, Hong Kong adotou um caminho estruturalmente diferente. Desde o fim da década de 1950, o território opera uma rede exclusiva de água do mar para uso sanitário, criando um dos sistemas urbanos mais singulares do mundo em gestão hídrica.
Hoje, cerca de 85% da população é atendida por essa infraestrutura paralela, que fornece aproximadamente 320 milhões de metros cúbicos de água do mar por ano, reduzindo significativamente a pressão sobre os reservatórios de água doce. O modelo transformou uma limitação geográfica em estratégia permanente de segurança hídrica.
A água salgada é captada diretamente no litoral, passa por filtragem e desinfecção básica, e é bombeada para reservatórios próprios antes de seguir por uma malha independente de tubulações.
De acordo com dados oficiais do governo de Hong Kong, o uso de água do mar representa cerca de 20% do consumo total de água do território. Isso significa que um quinto da demanda hídrica urbana não depende de água doce tratada.
A adoção do sistema não foi inicialmente motivada por preocupação ambiental, mas por necessidade estratégica.
Na década de 1950, Hong Kong enfrentou severas crises de abastecimento, com períodos de racionamento que chegaram a limitar o fornecimento de água doce a poucas horas por dia.
O território possui:
  • Área geográfica limitada
  • Poucos reservatórios naturais
  • Crescimento populacional acelerado
  • Dependência parcial de água importada de um único rio
Diante desse cenário, o governo decidiu implementar uma solução permanente: utilizar o recurso abundante disponível, o mar. E a primeira rede de água salgada foi instalada em 1958, e o sistema foi expandido gradualmente conforme a cidade crescia.
Utilizar a água do mar em redes urbanas apresenta desafios técnicos complexos. O sal, que acelera os processos de corrosão e a degradação de materiais metálicos, é o principal deles. Por isso, o custo inicial da infraestrutura se mostra elevado. No entanto, a longevidade do sistema — que opera em Hong Kong há mais de seis décadas — comprova sua viabilidade quando planejado desde a base urbana.
Em um mundo onde a escassez de água doce se torna cada vez mais frequente, o sistema de Hong Kong permanece como um dos exemplos mais emblemáticos de adaptação urbana baseada em engenharia e planejamento de longo prazo.
Extraído de: https://clickpetroleoegas.com.br, por Valdemar Medeiros

16 agosto, 2026

Espanhóis reagem à obra de Chico Buarque

Vídeos de público estrangeiro, incluindo criadores de conteúdo e projetos culturais como o Brasiliando, mostram espanhóis ouvindo e reagindo à obra de Chico Buarque pela primeira vez. As reações destacam a admiração pela sofisticação melódica, a poesia das letras e a sensibilidade das harmonias da MPB.
Reações da Espanha à música brasileira:
Espanto com a poesia. Estrangeiros costumam se surpreender com a riqueza lírica, mesmo sem dominar todas as nuances do português. / Conexão com a latinidade. A proximidade linguística e cultural ajuda o público espanhol a captar o tom emotivo das composições. / Reconhecimento de clássicos. Canções com estruturas refinadas geram forte impacto e curiosidade imediata nos ouvintes de primeira viagem.

15 agosto, 2026

A farsa da surdez

Conta-se que Ana da Áustria disse um dia a Bautree — conselheiro de Estado, poeta e membro da Academia Francesa, mas famoso por seu humor espirituoso — que desejava ver sua esposa. Bautree prometeu apresentá-la. "Só que, madame", acrescentou ele, "ela tem problemas de audição."
— Não importa — respondeu a Rainha. Falarei em voz alta.
Bautree correu para casa e anunciou a notícia lisonjeira à esposa, mas ao mesmo tempo pediu-lhe que levantasse a voz, até mesmo a um tom de grito, pois Sua Majestade mal conseguia ouvir. Assim que a Rainha recebeu no palácio Madame Bautree, começou a falar o mais alto possível, e Madame Bautree a gritar de volta ainda com mais força.
As duas damas fizeram um barulho enorme entre si, e o Rei, a quem Bautree havia confiado a audaciosa farsa, se contorceu de tanto rir.

— "Farsas", The Strand Magazine, outubro de 1903

14 agosto, 2026

Por que Sócrates achou que devia um galo a Asclépio?


A frase "Críton, devemos um galo a Asclépio. Por favor, não esqueça de pagar essa dívida." foi a última frase de Sócrates, segundo o diálogo "Fédon" de Platão. Mais do que uma dívida mundana, a frase é interpretada como uma metáfora para a sua própria morte, que ele encarava como uma cura.
Asclépio (Esculápio para os romanos) era o deus grego da medicina e da cura. Na cultura grega, era comum que pessoas curadas de uma doença fizessem uma oferenda a ele em agradecimento, sendo o sacrifício de um galo uma prática comum. Ao fazer esse pedido ao amigo e discípulo Críton, Sócrates estava usando uma linguagem ritualística para comunicar uma ideia filosófica profunda.
Para Sócrates, a vida corporal era uma espécie de "doença" ou prisão para a alma. A filosofia, para ele, era um exercício de purificação e preparação para a morte, que libertaria a alma para o verdadeiro conhecimento.
Assim, ao pedir o sacrifício a Asclépio, Sócrates estava dando a entender que a morte era a cura final para a alma.
Portanto, longe de ser um pedido trivial, a frase sintetiza a coragem e a serenidade com que ele enfrentou a morte, vendo-a não como um fim trágico, mas como a conclusão de um processo de cura da alma.

13 agosto, 2026

Caminhão de Brinquedo

Em 1963, Robert W. Patch, de seis anos, recebeu uma patente nos EUA por um "Caminhão de Brinquedo" (nº 3.091.888). O brinquedo se separava em chassi, cabine do motorista, carroceria, rodas e quatro eixos, podendo ser remontado tanto na forma de furgão fechado quanto na de caminhão basculante. Quando os eixos das rodas eram encaixados, eles também prendiam a cabine e a carroceria ao chassi. A carroceria do caminhão podia ser virada de cabeça para baixo e de ponta a ponta para ser montada como furgão ou como caminhão basculante com a traseira articulada. Como caminhão basculante, a carroceria girava sobre os eixos das rodas para bascular a carga, e a parede traseira se abria em seus próprios pivôs na parte superior. Ele foi a pessoa mais jovem a receber uma patente nos EUA.
Como acontece com muitos projetos escolares, o pai pode ter dado uma pequena ajuda.

12 agosto, 2026

Biotônico Fontoura

"Bê a bá, bê é bé, bê i Bi… otônico Fontoura."
(jingle em 1978)
Tudo começou em 1910, no interior paulista. Um farmacêutico chamado Cândido Fontoura (1885 - 1974) resolveu inventar uma fórmula para ajudar sua mulher Elvira, que tinha queixas constantes de fraqueza. Ele desenvolveu um produto com fosfatos, sais de ferro e vinho espanhol. Aparentemente, deu certo.
(Além do Fontoura, também marcaram época produtos como o Elixir de Nogueira, que era feito à base de nogueira e outras plantas medicinais, a Emulsão Scott, feita a partir de óleo de fígado de bacalhau, a pomada Minâncora, que contém zinco e cânfora, entre outros.)
Ainda não havia rótulo nem nome para o preparado. Em 1916, Fontoura aproximou-se do escritor e fazendeiro Monteiro Lobato (1882-1948). O escritor teria se queixado ao farmacêutico de cansaço e fadiga. Este prontamente providenciou a ele o fortificante.
Fascinado com o resultado, Lobato passou a ser um entusiasta divulgador do produto. Teria sido dele a ideia do nome: Biotônico, o "tônico da vida", e Fontoura, sobrenome pelo qual o farmacêutico era conhecido.
Em uma das idas do farmacêutico a São Paulo, levou um frasco e o desenho original dos rótulos à Litografia Ipiranga, pioneira na impressão gráfica em cores na América do Sul. Um mês depois, chegavam a Bragança os rótulos verdes litografados que foram a cara da marca por quase um século: uma trama de floreios em estilo art nouveau enlaçando o nome do produto e, embaixo, em letras maiúsculas, a descrição de suas propriedades.
O Biotônico surgiu de uma necessidade real daquela época, em que verminoses e desnutrição eram muito comuns no Brasil. Cândido Fontoura desenvolveu também um vermicida, o "Ankilostomina Fountoura". Era o combo: este eliminava os ancilóstomos e o Biotônico, em seguida, atuava para restaurar o vigor e o apetite.
Foi quando ocorreu o casamento entre o medicamento de Fontoura e um personagem clássico da obra lobatiana: o Jeca Tatu, concebido em 1914 como um caipira preguiçoso. Ao mergulhar nas teses sanitaristas vigentes sobretudo nos anos 1920, Lobato passou a ver o que chamava de preguiça como na verdade o sinal de problemas de saúde. "O Jeca Tatu não é assim, ele está assim", passaria a afirmar o escritor.
E o Jeca Tatu não era "naturalmente apático". Estava, na verdade, doente.
Em 1924, Lobato criou uma nova versão do personagem, Jeca Tatuzinho. Era um caipira que se tratava, e ficava são. De quebra, ensinava noções de higiene e saneamento às crianças. Foi uma sacada genial a do Lobato.
Fontoura comprou os direitos do personagem e Jeca Tatuzinho passou a ser o garoto-propaganda do Biotônico. Na trama original, Jeca Tatuzinho é diagnosticado com ancilostomose por um médico e, claro, se recupera. Esta se tornaria uma das mais emblemáticas parcerias da publicidade brasileira.
Entre 1926 e 1973 foram publicadas 35 edições do folheto Jeca Tatuzinho, com tiragens médias de 1 milhão de exemplares. Jeca Tatu se tornou conhecido em todo o Brasil. O Biotônico teve sua marca difundida maciçamente.
Outro golpe certeiro de marketing da empresa foi a criação do "Almanaque do Biotônico Fontoura" — que acabou sendo chamado apenas de "Almanaque Fontoura". Era uma revistinha com edições anuais, distribuição gratuita nas farmácias e conteúdo que ia de pequenos artigos educativos referentes à saúde a curiosidades, horóscopo, piadas, calendário de pesca, histórias em quadrinhos e anedotas variadas. A publicação também foi idealizada por Monteiro Lobato e contava com o personagem Jeca Tatuzinho.
As tiragens eram gigantescas. No auge, em 1982, foram impressos 100 milhões de exemplares. Figuras muito conhecidas foram contratadas para publicidade do produto, seja em fotos de revistas, seja em reclames televisivos. Entre esses nomes, estão o futebolista Pelé (1940-2022), a apresentadora Xuxa e a dupla de cantores Sandy e Júnior.
Há 25 anos, com a retirada do álcool (9,5% em sua composição) por determinação da Anvisa, houve a primeira mudança na fórmula do Biotônico Fontoura. Outras se seguiram: como a inclusão de canela, mirra e barbosa e a troca do sulfato ferroso pelo bisglicitano ferroso, além do surgimento do produto  nas versoes sabor uva e sabor morango.
Extraído de: BBC News (Edison Veiga) e outras fontes

11 agosto, 2026

A vela inteligente






Dries Depoorter é um artista belga, palestrante e "criador de conceitos". Eu duvidaria que essa última função seja um trabalho de verdade, mas meu primeiro conhecimento sobre ele foi através desta "vela inteligente", que queima na mesma proporção do seu custo. A vela custa €30 e tem 30 linhas. Conforme você a usa, o dinheiro gasto nela vai se consumindo.

10 agosto, 2026

St. Louis, 1904

A maratona masculina nos Jogos Olímpicos de Verão de 1904 em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, ocorreu em 30 de agosto daquele ano.
Com 32 atletas vindos de sete nações para a competição, apenas 14 conseguiram completar a distância de 40 km da prova, que foi um evento bizarro devido à desorganização e à má arbitragem. Embora Frederick Lorz tenha sido saudado como o aparente vencedor, ele foi posteriormente desclassificado por ter pegado carona em um carro (cartoon) durante parte da corrida.


Quanto ao segundo da maratona, Thomas Hicks, foi considerado depois como o verdadeiro vencedor, embora ele estivesse, ao final da prova, à beira do colapso e alucinado pelo efeito colateral da administração de conhaque, ovos crus e estricnina por seus treinadores.

09 agosto, 2026

"Eu vou pro Crato"

Recentemente, a eritrulose (um tipo de açúcar formado com quatro átomos de carbono) ganhou grande destaque na astrofísica. Em um estudo histórico publicado na revista Nature Astronomy, astrônomos detectaram a molécula pela primeira vez no espaço interestelar, em uma nuvem de gás no centro da Via Láctea. Essa descoberta reforça a hipótese de que os ingredientes fundamentais para a vida podem se formar antes mesmo dos planetas e ter chegado à Terra primitiva através de cometas. Estas observações foram feitas com dois radiotelescópios na Espanha: o Observatório RT40m em Yebes e o Telescópio IRAM de 30m em Granada.
Mas os astrônonomos não precisavam prescrutar as moléculas de açúcar em local tão remoto. Aqui mesmo, no espaço caririense, nós temos o nosso "Cratinho de Açúcar". Termo, que remete à hospitalidade, à doçura do povo e à forte tradição de produtos derivados da cana-de-açúcar na região, e que foi eternizado na voz do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, na música "Eu vou pro Crato".


Autores: Luiz Gonzaga e José Jataí
Intérprete: Diassis Martins

08 agosto, 2026

O brasileiro nunca está satisfeito

Um francês com fortes dores nas costas entra em um bar e topa com Jesus. O francês diz:
- Ei, tome uma taça de vinho comigo. Jesus aceita e depois toca suas costas e... zás! A dor, milagrosamente desaparece.
No mesmo bar, um russo entra com uma forte dor no pé. Jesus ainda está por lá e o russo diz:
- Tome um copo de vodka comigo. Jesus aceita e depois toca o pé do russo e... pimba! Foi-se a dor.
Então, um brasileiro entra no mesmo bar com um braço engessado, Jesus observa o recém-chegado, que diz:
- Ei, tome uma caninha comigo. 
Jesus aceita e, depois de terminar a bebida, leva a mão ao braço engessado do brasileiro. Que dá um pulo, dizendo: 
 -Nem pense em me tocar! Você não vai tirar meus 30 dias de atestado médico!
O brasileiro nunca está satisfeito.

A piada ao contrário:
"Obrigado, Jesus, mas acho que você quebrou meu braço."

07 agosto, 2026

A faísca está viva

Elizabeth Blackburn (foto) é bióloga molecular e bioquímica. Ela é ex-presidente do Instituto Salk de Estudos Biológicos e professora emérita da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Em 2009, dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por desvendar a estrutura dos telômeros, as extremidades protetoras dos nossos cromossomos que ajudam a salvaguardar o DNA, e por contribuir para a descoberta da telomerase, a enzima que mantém essas extremidades intactas. Scientific American (SA) entrevistou-a sobre o estado da ciência nos Estados Unidos. Abaixo, um trecho desta entrevista.

SA: Como você descreveria o estado atual da ciência americana?
EB: Eu diria que está sitiada e sob ataque. O ataque vem de vários fatores, e um deles tem sido os ataques sistemáticos à ciência, ao seu financiamento e ao apoio que ela recebe, por parte da atual administração. Há também um ataque ao acesso de pessoas que historicamente têm sido sub-representadas, e isso está prejudicando muito os esforços para atrair mais talentos para carreiras na ciência. É como jogar fora algo que historicamente teve efeitos substanciais. Fico muito triste e chocada que estejamos desperdiçando tantas oportunidades. Outra coisa realmente triste é o ataque à verdade que vemos no discurso público. Isso é, na verdade, um ataque à ciência, porque, afinal, o que é a ciência? É buscar a verdade verificável.

SA: O que lhe dá otimismo neste momento?
EB: Vejo jovens, especialmente crianças, que vêm a lugares como o museu da Academia de Ciências da Califórnia em São Francisco, e você simplesmente vê como a curiosidade deles é grande e como eles se sentem inspirados. Então, tenho esperança. É uma esperança um tanto distante, porque são jovens, mas tenho esperança de que essa chama de interesse e curiosidade, que é o que impulsiona a ciência fundamental, esteja viva e forte. Essa chama não se apagou nas crianças.

SA: Como sua área de atuação mudou nos últimos anos?
EB: No meu caso, a bióloga molecular Carol Greider, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e eu descobrimos a telomerase há décadas, através de sua atividade enzimática. Agora, após muito trabalho bioquímico e grandes avanços em microscopia de imagem e criomicroscopia eletrônica, é possível visualizar a aparência da telomerase. Por outro lado, agora é possível analisar os seres humanos usando abordagens computacionais de grande escala, o big data. Isso é extremamente benéfico.

06 agosto, 2026

Como Benjamin Franklin mapeou a Corrente do Golfo (Gulf Stream)

Curiosidade
  • Como vice-diretor-geral dos Correios, Franklin se perguntava por que os navios britânicos de transporte de correspondência que chegavam à cidade de Nova Iorque eram muito mais lentos do que os navios americanos em rotas semelhantes.
  • Com seu primo, o capitão Timothy Folger, um baleeiro veterano, Franklin aprendeu que as expedições baleeiras americanas tinham conhecimento de uma corrente oculta de água quente que seguia para leste — uma corrente que as tripulações britânicas não sabiam que deviam evitar ao navegar para oeste.
  • Em 1769, dividindo o crédito com Folger, Franklin publicou um mapa dessa corrente oculta — "um rio no oceano". Seguindo o mapa de Franklin e Folger, os navios sabiam que deveriam navegar ao norte da corrente na viagem para oeste a partir da Europa, economizando duas semanas ou mais. Para algumas embarcações, isso representava quase metade da viagem. E o comércio e as comunicações transatlânticas aceleraram-se significativamente como resultado.

05 agosto, 2026

As matrioscas no divâ da psicanalista


Esta imagem é uma charge criada pelo Studio Stoutpoep que utiliza bonecas matrioscas para representar metaforicamente as várias camadas da psique humana em um contexto terapêutico. A piada central brinca com a sensação literal de ouvir vozes internas, ilustrada pelo fato de a paciente ser feita de bonecas menores dentro dela. A matrioshka (também grafada matriosca ou boneca russa) é um conjunto de bonecas de madeira de tamanhos decrescentes colocadas umas dentro das outras. Elas são o brinquedo e símbolo folclórico mais famoso da Rússia, representando a maternidade, a fertilidade e a conexão familiar.

04 agosto, 2026

Bodas de ouro

Um casal estava em casa celebrando o seu aniversário de 50 anos do casamento.
"Pense, querida", diz o marido, "nós estávamos aqui, exatamente nesta mesma mesa do café da manhã, mas estávamos nus, há 50 anos". "Bem...", disse a esposa, maliciosa, "o que você acha de ficarmos nus novamente?"
Os dois riram e lentamente começaram a se despir.
Já nus, sentaram de volta à mesa do café da manhã. E, então, a velhinha diz:
"Sabe, querido. Mesmo passados 50 anos ainda sinto os calores da juventude. Sinto um grande calor nos meus seios, como era antigamente!"
"Claro, querida", diz o marido, "um seio está sobre o seu café e o outro sobre as suas torradas."

(https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=7974)

03 agosto, 2026

No Zerão

O Estádio Milton Corrêa é apelidado de Zerão, que significa "Grande Zero", em referência à latitude zero - a linha do Equador.
No entanto, esta fama do estádio é prejudicada por um pequeno problema: ele não está localizado na linha do Equador, pelo menos conforme o padrão WGS 84.
O WGS 84 significa Sistema Geodésico Mundial, estabelecido em 1984. É um padrão internacionalmente aceito usado em cartografia, navegação e GPS.Mas, como a Terra é um elipsoide imperfeito, outros padrões são também utilizados para se obter representações mais precisas em outras áreas de cobertura.


Quando o gramado do Estádio Milton Corrêa (foto) foi construído no Macapá, os engenheiros utilizaram o Sistema Geodésico Brasileiro. Neste sistema, a linha do meio-campo segue exatamente a sua linha do Equador, que não corresponde à do Sistema Geodésico Mundial de 1984.
Portanto, se você estiver na linha do meio-campo e usar seu GPS, não obterá uma leitura zero. Você precisará caminhar para o sul até sair completamente do campo para que seu GPS encontre a linha do Equador. O estádio está localizado a 2 segundos de latitude norte no Sistema Geodésico Mundial 84, ou seja, inteiramente no hemisfério norte.
Mas não se deixem incomodar por pequenos detalhes técnicos. Independentemente do hemisfério em que o estádio se encontra, pode ter certeza de que se joga um futebol de alto nível no Zerão.
Referência: Amusing Planet

02 agosto, 2026

No Salão do Rei da Montanha

(em inglês: "In the Hall of the Mountain King")
É uma peça de música orquestral composta em 1875 pelo norueguês Edvard Grieg como música incidental para uma cena da peça teatral "Peer Gynt", de seu contemporâneo Henrik Ibsen. 
Seu tema facilmente reconhecível ajudou-a a alcançar status icônico na cultura popular.
(desenho animado)

01 agosto, 2026

O primeiro a respirar oxigênio puro

"A sensação (de oxigênio puro) em meus pulmões não foi sensivelmente diferente da do ar comum; mas imaginei que meu peito se sentiu particularmente leve e tranquilo por algum tempo depois. Quem pode dizer se, com o tempo, esse ar puro não se tornará um artigo de luxo da moda? Até agora, apenas dois ratos e eu tivemos o privilégio de respirá-lo."
~ Joseph Priestley.

A Medalha Priestley, a maior honra conferida pela American Chemical Society (ACS), é concedida a cientistas por serviços diferenciados no campo da química. Este prêmio leva o nome de Joseph Priestley, o descobridor do oxigênio em 1.º de agosto de 1774, que, nesse ano, deixou para sempre a Inglaterra e imigrou para os Estados Unidos.
No entanto, foi o francês Antoine Lavoisier quem demonstrou sua verdadeira natureza elementar e o nomeou formalmente como oxigênio.