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29 junho, 2026

Labatut (CE/RN)

“Escuta…ele vem na ventania que já se aproxima rugindo! O vento geme longe… ele vem…Ao sair da lua entrará na cidade como um cão danado, devorando tudo que encontrar: homens, mulheres e meninos! Ai do que cair em suas mãos, porque jamais verá os seus queridos entes: irá dormir eternamente em suas entranhas insaciáveis, cheias de fogo!”, escreveu o poeta potiguar José Martins de Vasconcelos.
A criatura medonha a que se refere, segundo contam, vive no fim do mundo, que ninguém sabe bem onde é, mas costuma aparecer é nos sertões de Ceará e do Rio Grande do Norte. É o Labatut, um monstro gigante de patas redondas, cabelos revoltos, mãos compridas e pelos ásperos por todo o copo. No rosto, destacam-se as presas sobressalentes, que ficam para fora da boca, e o olho único no meio da testa. O bicho, como todos os outros, tem hábitos noturnos.
Essa entidade folclórica nasceu das memórias que os nativos tinham do General Pierre Labatut (também conhecido por Pedro Labatut), mercenário francês famoso pela violência contra os revoltosos no Nordeste, durante a Guerra da Independência do Brasil (1822 – 1824). Sua forma monstruosa foi adicionada pela imaginação nativa, que era fértil na composição de monstros animalísticos.
Busto do General Labatut, em Salvador – BA
Percorre as cidades em busca de comida quando a lua está no céu, por isso, como escreveu Martins de Vasconcelos, é preciso cuidar do silêncio: “O sair da lua, ele, que anda ligeiro, entrará pelas ruas num trote estugado, pairando às portas para ouvir quem fala, quem canta, quem assobia e quem ressonar alto e zás! Devorar!”

27 abril, 2026

O Cão da Itaoca

Você já ouviu falar do Cão da Itaoca?
Pois bem. No início da década de 1940, quando a noite caía na Rua Romeu Martins, era melhor ficar dentro de casa porque ele aparecia. Era um capeta cheio de atitudes e com olhos de fogo, que se instalou na casa de um oficial da Força Pública.
Os jornais relataram que, na residência do tenente João Lima,  foram registradas "cenas impressionantes, cuja significação exterior recorda a atividade de entes invisíveis".  Na casa, um santuário foi lançado à distância, espatifando-se; houve uma "queda teatral do fogão da cozinha"; uma "dança dos talheres", pois os utensílios da cozinha voaram pelos ares; os pratos tiniam; panelas desciam do fogão e rolavam pelo chão; um vaso se ergueu e foi-se alojar no quintal; e uma toalha passou a voar "como um tapete mágico". 
Entre 20 e 22 de março de 1941, o caso foi noticiado nos principais jornais da cidade: Gazeta de Notícias, O Povo, O Nordeste, Unitário e Correio do Ceará, além da Ceará Rádio Clube (PRE-9), a primeira e então única rádio de Fortaleza. Devido à repercussão dos fenômenos na capital cearense, a casa de João Lima foi visitada pela Federação Espírita e mobilizou a Delegacia de Investigações e Capturas, na tentativa de solucionar o caso.
Um dia, seja lá quem estivesse por trás dos fenômenos de poltergeist, o cujo parou de praticá-los. E a inércia voltou aos objetos da casa da Romeu Martins.
Entre um café coado e um sinal da cruz, as pessoas ficaram a se perguntar sobre o que aconteceu com o Cão da Itaoca para ele encerrar a sua atuação local. 
Aplacado pelo tempo? Incomodado pelas rezas (que não foram poucas) das beatas? Ou por que  tinha concluído o grande propósito de sua reinação, que era colocar Itaoca no mapa da cidade?
Más-línguas, porém, garantiram que ele se mandou foi mesmo por medo. Dos catimbozeiros do lugar.

12 abril, 2026

O Monstro da Água Verde

É uma lenda surgida na década de 1960 em Palmácia, o município cearense em que os moradores relataram a aparição de uma criatura aquática no açude Botija, da Fazenda Água Verde.
Testemunhas oculares descreveram-na como tendo a forma de uma tartaruga com chifres, de um lagarto encantado e, ainda, de um boi com um olho só.
PrtSc Web
A comoção foi tamanha que mergulhos e pescas no açude foram à época proibidos. Centenas de visitantes acorreram ao local, atraindo também policiais e caçadores que chegaram a atirar a esmo no suposto monstro.
O caso teve repercussão nacional, mobilizando até uma força especial do DNOCS, armada e treinada para capturar a criatura.
No entanto, contrastando com os relatos lendários, apenas um jacaretinga de tamanho comum (com 1,6 metro e 32 quilos) foi encontrado. E as buscas foram oficialmente encerradas.
A história deste monstro inspirou reportagens publicadas no jornal "O Povo" e na revista "O Cruzeiro". Até uma cachaça foi à época batizada com o nome de “Bicho da Água Verde”. E, consolidando a fama que alcançou, empalharam-no (antes de virar um "caro data vermibus", digamos assim) a fim de que todos pudessem vê-lo no museu da cidade.
Tempos depois, um forró foi composto em homenagem a ele por Antônio Lincoln Coelho Reginaldo (álbum "Palmácia, Minha Paixão").  P.S. Equívocos ainda são cometidos por aqueles que, para efeitos de direito, apontam o distrito de Água Verde, em Guaiúba, como tendo sido o domicílio do monstro. Quando ele viveu e morreu de desamor em Palmácia.
http://www.blitzliteraria.com.br/2026/01/o-monstro-do-acude-botija-da-fazenda.html

28 agosto, 2024

"El Ojo"


O delta do rio Paraná, na pantanosa região de Campana, na Argentina, contém um olho giratório.
"El Ojo", uma ilha circular flutuante de 118 metros de largura que gira dentro de um lago circular um pouco maior. Está lá, girando silenciosamente, há pelo menos 20 anos – o Google Earth confirma sua presença em 2003.
Já surgiram especulações relacionando sua formação com bases alienígenas, portais para outras dimensões, projetos conspiratórios, entre outras teorias.
No entanto, é possível explicá-lo apenas por fenômenos naturais. O vídeo inserido abaixo mostra do que se trata.


Relacionada:
Neatorama também publica uma carta de JM Bates para a Scientific American, de 9 de fevereiro de 1895, em que ele descreve "um bolo de gelo giratório".

25 outubro, 2020

O lendário Paganini

Niccolò Paganini já foi interpretado por vários atores em produções de cinema e televisão.
Na minissérie soviética de 1982, o músico foi interpretado pelo ator armênio Vladimir Msryan. A série enfoca o relacionamento de Paganini com a Igreja Católica Romana. Outro ator soviético, Armen Dzhigarkhanyan , interpretou o arquirrival ficcional de Paganini, um insidioso jesuíta. As informações da série são geralmente falsas e também são reproduzidas em alguns mitos e lendas desenfreadas durante a vida do músico. Uma cena memorável mostra os adversários de Paganini sabotando seu violino antes de uma apresentação, fazendo com que todas as cordas, menos uma, se quebrassem durante o show. Um Paganini indeterminado continua a executar em três, dois e, finalmente, em uma única corda. Na verdade, o próprio Paganini ocasionalmente quebrava cordas durante suas apresentações de propósito, para que ele pudesse mostrar ainda mais seu virtuosismo.  Ele fazia isso criando nelas cuidadosamente entalhes para enfraquecê-las, a fim de que elas quebrassem durante a execução.

Bônus: Variations on one string (vídeo)



Na comédia satírica de Don Nigro (1995), o grande violinista Paganini procura em vão a salvação, alegando que, sem saber, vendeu sua alma ao diabo.. "Variação sobre variação", ele grita a certa altura, "mas qual variação leva à salvação e qual à condenação? A música é uma pergunta para a qual não há resposta". Paganini é retratado como matando três de suas amantes e afundando repetidamente na pobreza, prisão e bebida. Em cada vez, ele é "resgatado" pelo diabo, que aparece em diferentes formas, devolvendo o violino de Paganini para que ele possa continuar tocando. No final, a salvação de Paganini - administrada por um relojoeiro divino - acaba sendo aprisioná-lo em uma grande garrafa onde ele toca sua música para divertir o público por toda a eternidade. "Não tenha pena dele, minha querida", diz o Relojoeiro a Antonia, uma das esposas assassinadas de Paganini. "Ele está sozinho com a resposta para a qual não há dúvida. Os salvos e os condenados são os mesmos".

Wikipédia
O diabo violinista

05 junho, 2018

Criaturas escatológicas


Plínio, o Velho, escreveu sobre uma alarmante criatura da lenda antiga:
Há relatos sobre a existência de um animal selvagem em Paeonia chamado bonasus, que tem a crina de um cavalo, mas em todos os outros aspectos se parece com um touro. Seus chifres são curvados para trás, de forma a não ser útil para a luta, e é dito que, por isso, ele se salva fugindo. Entretanto, ao fugir, emite um rastro de esterco que, às vezes, cobre uma distância de até três "furlongs" (603 metros). No contato com os caçadores que o perseguem é como uma espécie de fogo.
Na Idade Média, essa criatura evoluiu (com alguma coisa piorando) para o bonnacon, do Bestiário de Cambridge do século XII:
Ainda que sua frente não defenda este monstro, a sua barriga é totalmente suficiente. Ao se virar para fugir, ele emite um peido, com o conteúdo do seu intestino grosso cobrindo três hectares. E qualquer árvore que venha a ser atingida pega fogo. Assim, por meio de seus excrementos nocivos, ele expulsa seus perseguidores.
Parece vagamente ter vivido no sul da Ásia. Espero que permaneça por lá.
https://www.futilitycloset.com/2017/07/30/rude-weapons/

Escatologia
É uma teoria relativa aos acontecimentos do fim do mundo e da humanidade, ou seja, as últimas coisas que devem acontecer antes e depois da extinção da vida na Terra.
Na língua portuguesa, a palavra escatologia, também pode significar o ato de analisar excrementos (fezes), sendo um sinônimo de cropologia, nome dado ao ramo da medicina/biologia que estuda os dejetos humanos/animais.
Assumindo um sentido figurado, este termo ainda pode estar relacionado ao gosto de certos indivíduos por conteúdos obscenos ou sórdidos.
A explicação para a enorme distinção entre os significados de ambos os termos pode ser encontrada nas raízes etimológicas das palavras.
Escatologia, no sentido de "teoria acerca das últimas coisas que vão acontecer no fim da humanidade", surgiu a partir do grego éskhatos, que significa "extremo" ou "último", que agregado ao sufixo "logia" (estudo), forma o significado literal de "estudo das últimas coisas".
Porém, a palavra escatologia, no sentido de "afinidade por excrementos", se originou do termo grego skatós​, que quer dizer "excremento".
https://www.significados.com.br/escatologia/