Hoje, cerca de 85% da população é atendida por essa infraestrutura paralela, que fornece aproximadamente 320 milhões de metros cúbicos de água do mar por ano, reduzindo significativamente a pressão sobre os reservatórios de água doce. O modelo transformou uma limitação geográfica em estratégia permanente de segurança hídrica.
A água salgada é captada diretamente no litoral, passa por filtragem e desinfecção básica, e é bombeada para reservatórios próprios antes de seguir por uma malha independente de tubulações.
De acordo com dados oficiais do governo de Hong Kong, o uso de água do mar representa cerca de 20% do consumo total de água do território. Isso significa que um quinto da demanda hídrica urbana não depende de água doce tratada.
A adoção do sistema não foi inicialmente motivada por preocupação ambiental, mas por necessidade estratégica.
Na década de 1950, Hong Kong enfrentou severas crises de abastecimento, com períodos de racionamento que chegaram a limitar o fornecimento de água doce a poucas horas por dia.
O território possui:
- Área geográfica limitada
- Poucos reservatórios naturais
- Crescimento populacional acelerado
- Dependência parcial de água importada de um único rio
Utilizar a água do mar em redes urbanas apresenta desafios técnicos complexos. O sal, que acelera os processos de corrosão e a degradação de materiais metálicos, é o principal deles. Por isso, o custo inicial da infraestrutura se mostra elevado. No entanto, a longevidade do sistema — que opera em Hong Kong há mais de seis décadas — comprova sua viabilidade quando planejado desde a base urbana.
Em um mundo onde a escassez de água doce se torna cada vez mais frequente, o sistema de Hong Kong permanece como um dos exemplos mais emblemáticos de adaptação urbana baseada em engenharia e planejamento de longo prazo.
Extraído de: https://clickpetroleoegas.com.br, por Valdemar Medeiros
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