EntreMentes
O BLOG DO PAULO GURGEL
14 fevereiro, 2026
Gigante no slalom gigante
Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom - as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.
Pela primeira vez, o Brasil (e toda a América do Sul) subiu ao pódio em uma edição olímpica de inverno. E a medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte.
No tempo das indelicadezas
Com a Orquestra Royal.
A propósito de uma agressão verbal a Chico Buarque que aconteceu no "Brasil dos Coxinhas".
"Não vai passar / Intolerante nem por um segundo / Cálice, filhinho de papai / Vai trabalhar, vagabundo."
13 fevereiro, 2026
Mudando o foco
17/01/2020 — Embora muita gente não acredite ser realmente possível colonizar Marte e usá-lo com uma "segunda Terra", assim como os incrédulos cientistas Neil deGrasse Tyson e Bill Nye, o visionário Elon Musk continua sendo o maior entusiasta dessa ideia — e mais: em uma série de tweets que postou, o CEO da SpaceX detalhou seus planos de "povoar o Planeta Vermelho com nada menos do que 1 milhão de terráqueos até 2050".
10/02/2026 — Elon Musk afirma que construirá uma "cidade autossustentável" na Lua nos próximos 10 anos. Segundo ele, a SpaceX "mudou o foco", passando da colonização de Marte para a fundação de uma cidade lunar, porque o alinhamento planetário permite que a viagem de seis meses a Marte seja lançada apenas uma vez a cada 26 meses, enquanto uma viagem de dois dias à Lua pode partir a cada 10 dias.
12 fevereiro, 2026
O distanciamento social no mundo das formigas
Um novo estudo publicado na revista Science revela que as formigas-pretas-de-jardim (Lasius niger) modificam a arquitetura de seus ninhos para retardar uma infestação – uma "versão inseto" de distanciamento social incorporada ao ambiente.
Expostas a esporos de fungos (Metarhizium brunneum), as formigas fizeram modificações significativas no layout do formigueiro. E as entradas acabaram ficando, em média, cerca de 6 mm mais distantes umas das outras. Com esse aumento no espaçamento entre as entradas, resultou em menos pontos de aglomeração na superfície. Elas também construíram câmaras com rotas mais longas e sinuosas em locais menos centrais. E chegaram a cavar múltiplos túneis, provavelmente rotas alternativas de circulação para evitar os contatos entre si.
A análise mostrou que os ninhos redesenhados reduziram com sucesso o risco de exposição dos indivíduos à infecção.
11 fevereiro, 2026
O sapoti, onze anos depois
Onde moro hoje, a planta ainda é pequena, promessa mais do que colheita. (1) O pé em produção ficou na casa de Monlevade, já adulto, já sabendo cumprir o seu destino.
O que me surpreendeu, agora, foi o preço no Ceará. Estive aí em julho de 2025 e ele continuava girando em torno de dez reais.Uma espécie de congelamento histórico. Suprema humilhação para uma fruta não conseguir acompanhar sequer a inflação.
Enquanto isso, o mundo girou, o dinheiro perdeu valor, o salário encolheu e o sapoti permaneceu parado no tempo, como se não tivesse direito à correção monetária nem à mínima dignidade econômica. Não bastasse isso, perdeu espaço simbólico: saiu de cena para dar lugar ao kiwi, (2) fruta estrangeira, sem memória afetiva, mas com marketing, pedigree importado e status de vitrine.
O sapoti não apenas ficou mais barato. Ficou mais invisível. Tornou-se um fruto resistente, mas socialmente derrotado. (3) Não por falta de sabor, nem por deficiência nutricional, mas por abandono cultural. É a fruta que não frequentou academia, não fez intercâmbio, não aprendeu inglês.
Defendê-lo, hoje, é quase um ato político. Um gesto de memória e de teimosia. O sapoti segue ali, doce, íntegro, fiel a si mesmo — enquanto o mundo, esse sim, parece ter azedado. (4)
10 fevereiro, 2026
Mensagem em frasco de loção
Fonte: https://lataco.com/captive-lotion-bottle-note
"Boa tarde. Meu nome é [informação omitida]. Minha esposa e eu estamos no Centro de Detenção de Otay Mesa (OMDC) desde 15 de abril de 2025", dizia um bilhete escrito à mão, enrolado em um frasco de loção que foi jogado por um homem mantido em cativeiro dentro do OMDC.
"Aqui faz frio o tempo todo e a comida é ruim", continua a carta. "Há 280 dias não comemos uma única fruta. Estamos todos em um grande cômodo sem portas nem janelas. Não conseguimos ver grama nem árvores. Estamos todos constantemente doentes."
A garrafa precisou ser arremessada com força suficiente para atravessar um muro de concreto, duas cercas de arame farpado, cada uma com cerca de quatro metros de altura e separadas por aproximadamente um metro e meio de cascalho, e mais três metros de estrada. Tudo isso para chegar às mãos dos participantes de uma vigília realizada em frente ao OMDC.
09 fevereiro, 2026
Localidades europeias com nomes de uma só letra
Os Países Nórdicos são uma região no norte da Europa e no Atlântico Norte, incluindo:
- Dinamarca, com seus territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé.
- Finlândia, com seu território autônomo de Aland.
- Islândia.
- Noruega.
- Suécia.
Explicações
"Å não recebeu esse nome tão breve como um golpe publicitário; seu nome é uma palavra em nórdico antigo para " rio pequeno ".
Como resultado, há algumas vilas na Noruega , Suécia e Dinamarca chamadas Å, embora a das ilhas Lofoten seja a mais popular entre os turistas. A placa de trânsito "Å"” foi roubada com tanta frequência que a cidade a substituiu por uma que dizia "Å i Lofoten" mas após reclamações locais, a placa original de uma letra foi substituída.
Ö está localizada na Suécia, tem cerca de 90 habitantes e significa "ilha" em sueco.
Y recebeu seu nome abreviado devido ao traçado da rua principal, que é basicamente três ruas com o formato da letra "Y". Os habitantes se autodenominam Ypsilonien(ne)s."
«GPS, quero ir de Å para Å. Como devo proceder?»
«Para o carro, que eu quero descer».
08 fevereiro, 2026
O último violão Stradivarius do mundo
Neste vídeo, o músico norueguês Rolf Lislevand extrai a perfeição musical deste instrumento perfeito. Como especialista em instrumentos barrocos, ele é excepcionalmente qualificado para tocar o Sabionari. Aqui ele interpreta uma peça de Santiago de Múrcia (1673-1739), um compositor espanhol.
07 fevereiro, 2026
O Agente Secreto
Kleber Mendonça Filho comemora a marca de 2 milhões de ingressos vendidos por "O Agente Secreto" no Brasil.
O filme segue a história de Marcelo, um fugitivo da ditadura militar brasileira, que foge para Recife em busca de paz, mas percebe que a cidade está longe da paz que deseja.
Lista de prêmios, honrarias, indicações e pendências de "O Agente Secreto"
Honrarias: 3
Indicações: 70
Pendências: 43
Que coincidência!
A mulher disse: "Que estranho, eu também acabei de pedir uma taça de champanhe."
"Que coincidência", disse o homem, que acrescentou: "É um dia especial para mim. Estou comemorando."
"É um dia especial para mim também, eu também estou comemorando!", disse a mulher.
"Que coincidência!", disse o criador.
Enquanto brindavam, ele perguntou: "O que você está comemorando?"
"Meu marido e eu estamos há anos tentando ter um filho e, se você não sabe, minha champanhe é sem álcool - descobri hoje que estou grávida!", disse a mulher, cheia de alegria em seu rosto.
"Que coincidência", disse o homem. "Eu sou um criador de galinhas e há anos que todas as minhas galinhas são inférteis, mas agora elas estão todas botando ovos fertilizados."
"Isso é incrível!", disse a mulher. "O que você fez para as suas galinhas ficarem férteis?"
"Eu usei um galo diferente", disse ele.
A mulher sorriu e disse: "Que coincidência!"
(https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=8965 - c/ ilustração)
06 fevereiro, 2026
O burro no poço
Por fim, o fazendeiro decidiu que o burro estava muito velho e que o poço estava seco há muito tempo, então não valia a pena tirar o burro do poço.
Ele chamou seus vizinhos, e cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra no poço.
O burro, percebendo o que estava acontecendo, começou a zurrar ainda mais alto.
Em certo momento, para surpresa de todos, o burro parou de reclamar depois de alguns arremessos de terra.
O fazendeiro olhou para dentro do poço e ficou surpreso com o que viu:
A cada lançamento de terra, o burro batia no chão com os cascos e dava um passo acima do solo.
E todos viram o burro chegar à boca do poço, pular a borda e sair trotando.
05 fevereiro, 2026
A etiqueta dos fótons
As ondas eletromagnéticas seguem o princípio da superposição, ou seja, uma espécie de encontro entre ondas bem civilizadas. Quando dois feixes de luz se encontram, eles não brigam nem tentam se empurrar para aparecer mais. Em vez disso, suas "vozes" (amplitudes) se misturam por um instante no ponto de encontro, criando um som único (o padrão de interferência). Depois dessa conversa rápida, cada feixe segue o seu caminho, sem guardar mágoas ou levar nada do outro.
Diferente de partículas com carga elétrica que interagem entre si, a luz não carrega carga elétrica, logo, os feixes não exercem forças diretamente um sobre o outro. Essa ausência de interação direta contribui para que os feixes atravessem sem interferência.
Peter Z. In Quora
04 fevereiro, 2026
O biquíni de lacinho
Na década de 1980, os modelos asa-delta e fio dental apareceram nas areias brasileiras. Mas o fio dental só vingou no Brasil.
Quanto ao biquíni de lacinho, é também uma invenção brasileira. Do paraense David Azulay, o dono da Blue Man que sempre acreditou que a moda praia seria um dos meios mais importantes de identificação e divulgação da cultura brasileira.
Deixemos que a filha de David Azulay conte como foi a história desse "erro" que virou história.
03 fevereiro, 2026
Ratos na mala e outros afetos
Numa dessas viagens, meu pai foi conosco.
Francisco era sisudo por obrigação da farda. Em casa, porém, o uniforme ficava no cabide. Ele se desarmava. Tornava-se brincalhão, emotivo, um homem dado a afetos. Lembro-me de quando assistimos à Annie, na Broadway. Sentado ao seu lado, eu traduzia a história da menina órfã quando, de repente, vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Aquele era o meu pai: um manteigão.
Herdei dele o gosto pela música e pela dança. Anos depois, em Nova Iorque, Annie voltou aos palcos. Não fui vê-lo. Por pura covardia. Temia reencontrar aquela lágrima - e a ausência dele, já morto. Preferi outros espetáculos. O melhor deles foi Jersey Boys.
O musical conta a história de uma banda de rapazes de New Jersey que, nos anos sessenta, rivalizou em popularidade com os Beatles. Os americanos sabem fazer esse tipo de espetáculo. Nada sobra, nada falta: som, luz, coreografia. Tudo funciona. E quem, na minha geração, nunca dançou colado ao som de Can’t Take My Eyes Off You?
No final, quando o próprio Frankie Valli surgiu em cena, a plateia explodiu. Aplaudimos de pé.
Lamento não ter assistido também a The Book of Mormon. Em seu lugar, tentamos ouvir jazz com a banda The Hot Sardines, no bar do hotel The Standard. Mas o porteiro barrou um amigo por causa da mochila e dos tênis. Ainda há lugares em que a roupa pesa mais do que a companhia.
Para não deixá-lo sozinho, desistimos. Fomos comer hambúrguer com feijão no Greenwich Village. Perdemos os espetáculos, mas ganhamos a noite: conversa solta, roupa confortável, amizade sem cerimônia.
No fim das contas, foi assim também com meu pai. Perdemos o musical que não vimos juntos, mas ficou a memória da lágrima, intacta, guardada como quem protege algo frágil na mala. Nova Iorque tem ratos, porteiros exigentes e palcos grandiosos. Mas o que realmente levamos - e o que nos acompanha de volta - são esses pequenos afetos: imperfeitos, clandestinos, e absolutamente nossos.
02 fevereiro, 2026
Bailes radiofônicos
Húngaro de nascimento, Arnold Gluckmann era maestro, arranjador e compositor. Em 1929, já o encontramos à frente de uma orquestra sinfônica no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, num concerto em que Radamés Gnatalli, então com 23 anos, brilhou como solista. Em 1934, assumiu a direção da Rádio Club do Brasil, tornando-se responsável pela entrada de diversos artistas para o broadcasting da emissora.
Nasceu aí o contato artístico de Gluckmann com o compositor Noel Rosa. O método e o formalismo musical de um, o autodidatismo e a bossa de outro. O ar sisudo e grave do maestro, em confronto com o espírito gozador e a malícia de Noel. E a opereta "A Noiva do Trocador" é fruto deste encontro de culturas.
Num tempo em que as programações das estações de rádio eram bem diferentes - aos sábados à noite, por exemplo, a Radio Club (PRA 3) transmitia a Noite de Baile Cafiaspirina, no qual uma orquestra tocava para os ouvintes dançarem em casa. E a ilustração abaixo é uma peça publicitária da Bayer, publicada em 1934 na revista Fon Fon.
01 fevereiro, 2026
A cajuína
Seu consumo é um ato de degustação, geralmente acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou densidade, qualidades que derivam tanto dos cajus escolhidos, quanto das técnicas de cada produtor. Essas referências revelam o sentimento de pertencimento do grupo ou família produtora e reforçam os laços entre os membros das redes familiares por onde a cajuína circula.
Atribui-se a invenção da cajuína (de acordo com Rachel de Queiroz) a Rodolfo Teófilo, um farmacêutico, escritor e pesquisador cearense (nascido na Bahia) que viveu entre 1853 e 1932. Em 2014, esta bebida típica do Piauí e do Ceará foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Nasceu de uma experiência pessoal (de luto) de Caetano Veloso, após a morte em 1972 do amigo e poeta Torquato Neto, importante figura da Tropicália. Ao visitar a família de Torquato em Teresina, Caetano foi acolhido pelo pai do poeta, Seu Eli, que lhe serviu cajuína e lhe presenteou com uma rosa. Essa experiência do acolhimento em Teresina, com a cajuína cristalina da cidade, inspiraram a composição desta música, que explora questões sobre a vida e a morte.
31 janeiro, 2026
Momentos em que os ponteiros do relógio se sobrepõem
Às 12:00, os ponteiros se sobrepõem por definição. Às 13:00, o ponteiro dos minutos retornou à posição de 12 horas, mas o ponteiro das horas já está na posição 1. Portanto, o ponteiro dos minutos precisa percorrer esse curto trecho de "cinco minutos"... Mas isso fará com que o ponteiro das horas se mova um pouco durante esses cinco minutos, então...
Após uma primeira reflexão, fica claro que a solução pode não ser tão óbvia quanto parece; após uma segunda reflexão, parece que o problema é como o paradoxo de Aquiles e a tartaruga, que filósofos, lógicos e matemáticos ponderaram tantas vezes desde Zenão de Eleia até os dias atuais.
Solução:
Em uma revolução completa de 12 horas, basta contar que os ponteiros das horas e dos minutos se cruzam exatamente onze vezes e levam sempre o mesmo tempo. Portanto, eles se cruzam a cada 12/11 horas = 65,45… minutos = 1 hora, 5 minutos e 27,2727… segundos.
30 janeiro, 2026
Azul e Cinzas
Naquela vez, tive sorte. O passageiro era um piloto em férias. Milhares de horas de voo e histórias. Contou-me esta.
O pedido veio em tom de súplica, quando a fila de embarque ainda serpenteava pelo saguão. Uma mulher de olhos aflitos destacou-se do grupo e aproximou-se de Greta, comissária alemã da KLM, com duas décadas de profissão nos ombros.
— Por favor — disse a passageira, a voz carregada de emoção.— É o sonho dela.
Uma vida inteira sonhando em viajar na primeira classe. A senhora poderia fazer essa gentileza para a minha adorável mãe?
Greta sentiu o conhecido nó de impotência. O regulamento era inflexível: não havia upgrade gratuito. Mas aquele olhar não pedia um favor; pedia um milagre.
— Não posso mudar a classe — respondeu, suavizando a negativa com um sorriso profissional. — Mas diga-me o assento dela. Prometo que será tratada como uma passageira da primeira classe.
A gratidão inundou o rosto da mulher.
— 34B, corredor. Obrigada. Muito obrigada.
Horas depois, com o Airbus estabilizado sobre os céus da America, Greta preparou seu pequeno ato de rebeldia contra as regras inflexíveis da companhia. No carrinho, dispôs uma taça de espumante italiano, um pequeno pote de caviar com torradas, uma rosa vermelha e um cobertor branco de cashmere. Era tudo o que a burocracia lhe permitia.
Caminhou até o assento 34B. A passageira estava sentada sozinha, com a mão pousada sobre uma mochila no colo.
— Onde está sua mãe, senhora? — perguntou Greta, estranhando o assento vazio ao lado.
A mulher sorriu. Um sorriso doce e melancólico. Sem pressa, abriu a mochila e retirou um elegante vaso de cerâmica azul.
— Aqui — disse, com serenidade. — São suas cinzas. Estou levando-a ao Rio Hudson em Nova York, seu lugar favorito no mundo. O sonho dela era vê-lo uma última vez… de primeira classe.
Greta não hesitou. A vida inteira em grandes altitudes lhe ensinara que o extraordinário mora nos detalhes. Tomou o vaso com o cuidado de quem segura um recém-nascido.
— Com sua permissão — disse apenas.
Caminhou até a primeira classe, silenciosa e quase vazia àquela hora. Escolheu o melhor assento: 1A, junto à janela. Acomodou o vaso, ajustou o cinto de segurança ao redor da cerâmica, cobriu-o com o cobertor de cashmere e dispôs a taça e o caviar na bandeja. A rosa ficou ao lado, junto à janela, onde o entardecer começava a dourar as nuvens.
Pela primeira vez em trinta anos, Greta violava uma regra fundamental. Mas, diante daquele assento ocupado por uma última viagem, teve a certeza de estar obedecendo a uma lei mais antiga: a de honrar um desejo, por mais impossível que pareça.
E quando a luz do pôr do sol incendiou a cabine, pareceu-lhe que, para a passageira do assento 1A, a vista era, de fato, simplesmente espetacular. O Rio Hudson, lá embaixo, em todo seu esplendor.
29 janeiro, 2026
O besouro e o sapo
Como se eles simplesmente dissessem "não, obrigado", e fossem embora. Isso parece uma das adaptações mais insanamente poderosas que se pode imaginar que uma criatura tenha.
Tipo: "não, não consigo fazer nada para impedir que esse predador voraz do meu bioma me consuma. Mas não significa que eu vá desistir".
28 janeiro, 2026
O detetive Columbo (2)
Esses projetos incluíam este jogo de tabuleiro publicado em 1973.
Observe que Columbo está de costas para os jogadores. Boatos na internet dizem que essa posição se deve ao fato de os designers não terem permissão para usar a imagem de Peter Falk.
27 janeiro, 2026
Caiu a ficha
Quando a arquiteta Chu Ming Silveira projetou, em 1971, um novo tipo de telefone público que fosse adequado a um país dos trópicos. Durável, porém leve e barato de fabricar, instalar e manter, o qual logo foi apelidado de orelhão (em alusão a ter a forma de uma grande orelha).
No auge de sua utilização, havia 1,5 milhão desses aparelhos nas ruas e praças do Brasil.
E fizeram muito sucesso em quadros de humor da televisão brasileira.
Na década de 1980, com o "Zé da Galera" e o "Paquera da Jupira", personagens de Jô Soares no programa humorístico "Viva o Gordo"; e também, com o comediante Aloísio Ferreira Gomes, o "Canarinho", destaque do programa "A Praça É Nossa", que usava o telefone público próximo de outras pessoas, falando alto e provocando grandes confusões.
No cinema nacional, os orelhões foram também utilizados como peças do "mobiliário urbano". Como em "O Agente Secreto" (de 2025), em que foi preciso recriar uma Recife dos anos 1970s para as locações do filme.
Este mês de janeiro marca o início da despedida de nossos confidentes de fibra de vidro. Em povoados onde a cobertura da internet é insatisfatória, apenas 9 mil desses orelhões sobreviverão até 2028.
26 janeiro, 2026
A Biblioteca Humana
É desta maneira que a Biblioteca Humana se apresenta em seu site oficial. Fundada em Copenhagen, na Dinamarca, a primeira unidade da Biblioteca Humana completou 25 anos em junho. O projeto se espalhou mundo afora com o intuito de levar o aprendizado por meio de livros que são para lá de interativos: as próprias pessoas.
É um lugar onde pessoas reais são emprestadas aos leitores. E onde perguntas difíceis são esperadas, apreciadas e respondidas.
O acervo da biblioteca conta com assuntos relacionados à experiências humanas e podem ser acessados por meio da contação destas histórias pelas próprias pessoas que a vivenciaram. A instituição trabalha, principalmente, com grupos de voluntários que geralmente são estereotipados pela sociedade, como minorias sexuais, religiosas ou raciais.
Entre as histórias da sede dinamarquesa, destacam-se depoimentos como o “Rapaz do Orfanato”, “Crianças sobreviventes do Holocausto” e “A história de um cigano”.
25 janeiro, 2026
Singer Sound System
"Meu instrumento é uma sanfona eletroacústica. Acabei de remover a manivela e uso uma máquina Singer para acioná-la :-) Ela é equipada com quatro microfones integrados que me permitem processar o som ao vivo, especialmente no Ableton Live."Aqui ele aparece tocando o riff de um clássico do Guns 'N' Roses, "Sweet Child O' Mine".
24 janeiro, 2026
Blogs e redes sociais
Um blog é como a sua própria casa. Você é o dono, dita as regras, decora como quer e recebe visitas. Uma rede social (Facebook, Instagram, X, Tik Tok, Mastodon, Bluesky) é como uma grande praça pública. Onde você encontra as pessoas, mas precisa seguir as regras do lugar, que podem mudar a qualquer momento.
Com relação ao blog, a diferença central está na propriedade, no controle, no formato e no propósito.
Propriedade e controle. Você hospeda em seu próprio domínio ou plataforma (Blogger, Wordpress). Escolhe o design e controla os conteúdos.
Formato de conteúdo. É baseado em texto (artigos), podendo incluir imagens, vídeos e áudios. Os posts são organizados em datas, categorias e arquivos.
Propósito principal. Criar autoridade, aprofundar temas e gerar base de conteúdo. É um ativo seu, um portfólio de ideias.
Alcance e descoberta. As pessoas encontram seu conteúdo nos sites de buscas (Google, Bing).
Interação. Menos imediata, mas mais profunda. Os comentários são geralmente mais elaborados e focados no post.
Personalização. Você pode alterar o layout, as cores, a estrutura e as funcionalidades.
Duração do conteúdo. Perene. Um post de blog de 20 anos atrás ainda pode ser relevante e receber visitas do Google.
Contudo, blogs e redes sociais são ferramentas complementares. A estratégia mais eficaz hoje em dia é usar ambos:- Você cria um conteúdo profundo e permanente em seu blog (o "conteúdo principal").
- Você usa as redes sociais para divulgar esse post, puxar tráfego para o seu blog, interagir com o público e criar uma comunidade.
- As redes sociais são ideais para ouvir o que sua audiência quer saber, e isso vira ideia para um novo post no blog.
23 janeiro, 2026
Um conto circular
"Se Você Der uma Panqueca a um Porco" (1998)
"Se Você Der uma Festa a um Porco" (2005)
"Se Você Der um Cupcake a um Gato"
(e muitos outros...)
22 janeiro, 2026
A Minhoca Amorosa
Esta é a história de uma minhoca que pensa demais.
Ela ama, organiza, protege e decide por outras.
Pode ser lida como uma fábula sobre a vida debaixo da terra ou como uma história sobre o que acontece quando alguém acredita saber o que é melhor para todos.
Leia sem pressa. O resto o chão conta.
Nascer diferente no minhocário foi erro na curva molhada. Vim com cabeça, e ela pensa. No resto, sou igual às minhas irmãs: sem olhos, sem ouvidos, cinco corações latejando em fila. Talvez por isso transbordo amor e muco.
Aqui falamos com o corpo. Abraços longos, toques rápidos, vibrações que viajam pelo húmus levando mensagens. Não temos banheiros separados; carregamos no corpo ambos os sexos. Os humanos chamam-nos hermafroditas. Nós nos chamamos simplesmente minhocas - ou Lumbricus, diziam os romanos.
Escavamos túneis para arejar raízes. Nosso excremento é o pão das nossas vizinhas, as árvores, ou tudo o que se sustenta por raízes. Silenciosas, úmidas e, por que não, orgulhosas.
Mas a minha cabeça me impedia de entrar nos túneis mais estreitos. Em compensação, aprendi a planejar, escrever poesias no barro com a ponta do corpo.
Tornei-me empresária do subsolo: distribuía húmus, traçava rotas conforme o murmúrio das raízes. Ganhei respeito e admiração,mas tambem inveja, ciúmes e uma paixão que não pedi.
Ela surgiu um dia - ágil, delicada, deslizando em curvas que eram versos inteiros. Aproximou-se com toques que não pediam licença. Apaixonamo-nos sem palavras. Cada encontro era uma mensagem cifrada na pele. Cada curva, uma estrofe. Nosso amor vibrou no escuro e, encostadas languidamente em raízes, sonhamos em crias.
Viagem à Superfície
Subi pela primeira vez num impulso de curiosidade e temor. A capa de muco e folhas colava-me ao chão como uma segunda pele. Avançava tateando: grama áspera, pedrinhas rolando sob o corpo, orvalho frio escorrendo como lágrimas. O Sol queimava - lâmina quente cravada nas costas.
Tudo era estranho e irresistivelmente belo. Senti lufadas de vento, seres curiosos que me tocavam e feriam. Outros se aproximavam e fugiam. Ao final voltei.
A Conquista do Poder
O minhocário já não era o mesmo. Túneis sabotados. Raízes secas. Toques hostis onde antes havia toques mansos. Percebi as alianças tramadas na lama. As traições. Diferente delas, eu penso.
Adotei uma estratégia fria. Pactos com as minhocas-líderes ,- que sempre querem algo em troca. E tiveram. É a política.
Toques combinados. Vibrações que prometiam os melhores túneis - ou anunciavam o frio lento da exclusão. Antecipar desejos e medos virou segunda natureza.
Às vezes, no escuro, sentia um dos cinco corações bater fora do compasso. Não sei se é culpa. O poder é uma arte de tocar e afastar.
O Pescador
Enxada. Terra rasgada com violência e fúria. Pânico. Corpos se retorcendo em fuga. Algumas irmãs colhidas pelo ferro - cheiro metálico de morte misturado ao húmus. Num estalo, lembrei do velho sapato. Nosso estorvo habitual.
- Para o sapato! - vibrei com toda a força.
Corremos todas. Aglomeramo-nos no couro roto, mas a lâmina atingiu o alvo. O sapato voou, arremessado com raiva pelo pescador que nunca soube de nós.
Ficamos imóveis. Terra tremendo. Terra acalmando. Quando o silêncio voltou, o respeito também voltou. Mas agora carregava um gosto diferente - medo disfarçado de gratidão. Política!
O Nascimento de um Mundo Novo
Depois da enxada, vieram crias com cabeça. Túneis precisaram ser alargados. Caminhos, repensados. A inteligência, antes rara, agora brotava em vários corpos. Irrigava tudo.
Percebi que podia salvar. Percebi que podia desequilibrar. Ensinei colaboração. Ensinei vigilância. Às vezes, no meio da noite úmida, sentia vibrações de descontentamento - irmãs que sonhavam com os túneis estreitos de antigamente. Pensar é bom, mas custa. Vidas mais simples custam menos.
Eu as calava com toques suaves que prometiam proteção. Proteção ou prisão? A diferença é fina como uma raiz capilar. A superfície ficou lá em cima, com seu Sol cegante e seus perigos. Nossa revolução foi silenciosa, tátil, lenta.
Epílogo
Hoje o minhocário é planejado. Equilibrado. Nutrimos raízes com precisão. Escutamos o solo. A paz reina. Mas a vigilância nunca dorme - é o preço.
Entre amor, estratégia e lama, aprendi que a força bruta é um sopro passageiro. A inteligência, aplicada com cuidado, constrói mundos. Aplicada sem cuidado, também os destrói.
No silêncio úmido, sob o emaranhado das raízes que sustentamos, permito-me uma contração lenta - algo entre sorriso e tremor. Uma vibração longínqua atravessa o solo. Não sei se é ameaça. Não sei se é convite.
Apenas escuto, com os cinco corações fora de compasso, e continuo escavando. É o futuro chegando.
21 janeiro, 2026
Lâmpadas que parecem canetas esferográficas
20 janeiro, 2026
Matemáticos no bar
O primeiro pede 1 cerveja.
O segundo pede 1/2.
O terceiro pede 1/4.
Mas, antes que o quarto matemático faça seu pedido, o garçom chega com duas cervejas enquanto explica:
"Isso deve dar para vocês todos."
19 janeiro, 2026
Shovelware
Eu queria que o sonho da programação com IA fosse realidade. Eu queria poder transformar em realidade todas as ideias bobas de programação que já tive. Eu queria poder criar um aplicativo de aprendizado de braço de guitarra na segunda-feira, um simulador de coreano na quarta-feira e um videogame no sábado. Eu lançaria todos eles. Eu inundaria o mundo com uma enxurrada de shovelware como o mundo nunca viu. Bem, eu faria — se funcionasse. Acontece, porém, e eu coletei muitos dados sobre isso, que: não funciona só para mim; não funciona para ninguém. [Luv Mehta]
Shovelware é um termo pejorativo usado para descrever pacotes de software ou jogos de baixa qualidade, que priorizam a quantidade em vez da qualidade, utilidade ou originalidade do conteúdo. A metáfora vem da ideia de "amontoar" conteúdo indiscriminadamente, como se estivesse sendo empurrado com uma pá, sem cuidado na seleção. Este conceito se aplica a compilações de jogos, aplicativos e até mesmo software pré-instalado em dispositivos, que muitas vezes se aproveitam do sucesso de outros títulos ou de recursos de IA para criar conteúdo de baixo custo e rápido.
18 janeiro, 2026
Nos quatro cantos da Terra
É Kiribati, que fica no centro do Oceano Pacífico, bem na linha do Equador.
Este país é composto por 33 ilhas de recifes e atóis coralinos, todas espalhadas pelos hemisférios Norte, Sul, Leste e Oeste. É isso que torna possível sua presença nos quatro cantos do mundo.
Consideravelmente isolado, Kiribati não tem fronteiras terrestres em sua pequena extensão de cerca de 811 quilômetros quadrados. E sua população é formada por cerca de 100 mil habitantes, que ocupam 20 de suas 33 ilhas.
Mesmo estando nos quatro cantos da Terra, as ilhas do arquipélago de Kiribati correm o risco de desaparecer. Isso pode acontecer devido ao aumento do nível do mar, associado às mudanças climáticas. E a expectativa é de que suas ilhas sejam engolidas pelo oceano em 10 ou 15 anos, o que pode deixar sem lar seus mais de 100 mil habitantes.
Além de Kiribati, outras nações insulares, como as Maldivas, Tuvalu, Nauru e as Ilhas Marshall, correm o risco de se tornarem inabitáveis até 2100, justamente por acabarem debaixo d’água. Isso pode afetar até 600 mil pessoas.
Em 2022, o Ministro da Justiça de Tuvalu, Simon Kofe, gravou um discurso para um vídeo que foi exibido na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) usando terno e gravata, mas dentro do mar, com água até os joelhos.
"Estamos afundando."
17 janeiro, 2026
A astrometeorologia
Fonte: The Guardian * *
16 janeiro, 2026
Princípio de Dilbert
"Os funcionários menos eficientes são sistematicamente transferidos para onde podem causar o mínimo de danos: a gestão da empresa."Scott Adams morreu na última terça-feira, 13, de câncer.
15 janeiro, 2026
Robô para a colheita do açaí
O equipamento é voltado exclusivamente para a agricultura familiar e pode ser adquirido por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf B). O financiamento está disponível em instituições como Banco da Amazônia (Basa), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste, permitindo a aquisição do robô em condições facilitadas com longos prazos de pagamento e juros de 0,5% ao ano.
Tecnologia
Fabricado em Belém, o Açaíbot tem o objetivo de triplicar a produtividade, com sua capacidade de colher 1 tonelada de açaí por dia, aumentando a renda das famílias extrativistas, além de eliminar o risco humano durante a colheita.
O equipamento é prático e de fácil transporte, podendo ser carregado em uma mochila. No Instagram da fabricante, a Açaí Kaa, um colaborador demonstra o funcionamento do Açaíbot. Operado por controle remoto, o peconheiro aciona o movimento de atracação do robô, que se ajusta ao tronco do açaizeiro. Em seguida, ativa a mola de segurança e utiliza um cinto de proteção. Pelo próprio controle remoto, é possível operar o coletor e uma serra elétrica acoplada, responsáveis por cortar e recolher os cachos de açaí no topo da árvore.
Fonte: Revista Cenarium
14 janeiro, 2026
Fevereiro FAKE
É #FAKE.
"O mês de fevereiro tem 28 dias, a não ser que seja bissexto como foi no ano de 2024. Assim, todos os meses de fevereiro de anos não bissextos têm 4 domingos, 4 segundas, 4 terças...", diz o professor Roberto Dell'Aglio, do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo.
Fevereiro tem 28 dias. Cada semana tem sete dias. Isso quer dizer o quê? Isso quer dizer que em fevereiro cada dia da semana vai se repetir quatro vezes. Essa primeira informação que está lá, que vão ser quatro segundas-feiras, quatro terças, isso não tem nada a ver , sempre acontece isso", diz.









