EntreMentes
O BLOG DO PAULO GURGEL
02 março, 2026
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Fonte: Blogger
As 7 línguas misteriosas ainda não decifradas
1. A linguista Bonmann está atualmente pesquisando o sistema de escrita epiolmeca, que foi usado na costa sul do Golfo do México na antiguidade. Inscrições e símbolos individuais da escrita olmeca apontam para um sistema antigo. No entanto, as evidências são tão escassas e o contexto tão incerto que decifrá-la é muito difícil.
2. Comparavelmente enigmática é a escrita do Vale do Indo, da civilização Harappa, no atual Paquistão e noroeste da Índia. Ela aparece em centenas de selos e fragmentos de cerâmica, mas quase sempre apenas em sequências extremamente curtas. Se essa escrita representa uma língua totalmente desenvolvida ou um sistema simbólico, ainda é um tema em debate.
3. A escrita rongorongo da Ilha de Páscoa também é altamente abstrata. Ela se assemelha a uma escrita pictográfica composta por pássaros, figuras humanas e formas ornamentais, e sobrevive apenas em algumas poucas tábuas de madeira, muitas vezes, danificadas.
4. A cultura minoica de Creta é mais familiar para nós. De seus três sistemas de escrita, apenas o linear B foi decifrado, por ser uma forma primitiva da língua grega. Os hieróglifos cretenses e o linear A, por outro lado, permanecem enigmáticos até hoje.
5. O famoso Disco de Festo, datado do segundo milênio a.C., também é originário de Creta. Trata-se de um objeto de argila único com símbolos estampados dispostos em espiral que, por ser um artefato isolado, é praticamente impossível decifrar de forma sistemática.
6. O etrusco, falado na Itália central na antiguidade, também permanece enigmático. Embora o alfabeto seja legível por ser derivado do grego, a própria língua quase não possui parentes reconhecíveis. Isso dificulta a compreensão do que está escrito nas inscrições.
7. A protoelamita foi a mais antiga tradição escrita e administrativa conhecida no antigo Elão, uma região no oeste e sudoeste do atual Irã. Os caracteres estão bem catalogados, mas as tabuletas são frequentemente fragmentárias. O conteúdo parece ser de anotações administrativas, e a língua subjacente não se encaixa em nenhuma família linguística conhecida.
Todas essas escritas compartilham um problema fundamental: a falta das chamadas Pedras de Roseta, inscrições bilíngues contendo o mesmo texto em um idioma conhecido e na escrita do enigma. Sem essas chaves, associar símbolos a sons, sílabas ou palavras continua sendo difícil. A inteligência artificial é frequentemente apontada como um potencial "decifrador de códigos". Essas tecnologias são capazes de verificar padrões em sequências de caracteres, distinguir variantes, preencher trechos danificados e contar frequências. No entanto, a IA rapidamente atinge seus limites quando há quantidades de texto muito pequenas.
01 março, 2026
José Fernandes
Era pianista e maestro.
Em 1973, fui a um show de José Fernandes com sua Orquestra Típica, em uma casa de espetáculos no Rio de Janeiro.
Discografia: LPs "Tangos nota 10 - José Fernandes e sua Orquestra Típica" (1976) e "Tangos nota 10, volume 2" (1977)
28 fevereiro, 2026
Desafio
O HIPÓPOTAMO NADA E CORRE MAIS RÁPIDO DO QUE O SER HUMANO.
O QUE ISSO SIGNIFICA?
QUE A BICICLETA É SUA ÚNICA CHANCE DE VENCÊ-LO NO TRIATLO.
27 fevereiro, 2026
A lição da tiririca
Seu amargor não é falha: é estratégia. Seu baixo valor nutritivo não é limitação: é proteção. Animais a evitam, e assim ela se preserva. No subterrâneo, trabalha com discrição, liberando substâncias que dificultam a vida das plantas vizinhas para garantir um espaço para si. Considera-se rainha. Não porque deseje destruir alguém, mas porque sobreviver, para ela, não é escolha - é destino.
E há um detalhe que a aproxima da sabedoria: a tiririca não se ofende.
Você a arranca com raiva, pisa, xinga, ameaça - e ela, se pudesse, sorriria. Não um sorriso qualquer, mas aquele sorriso desafiador que humilha pela calma. Não desperdiça força em cobranças, não se perde em ressentimentos, não se distrai com o que não serve ao seu propósito. Enquanto nós nos desgastamos com irritações inúteis, ela guarda energia para continuar viva - e numerosa.
A tiririca não faz discursos, não lamenta as perdas; trabalha por baixo da terra, simulando a humildade que não tem. Esperteza sim.
E, de lá, contempla no alto as flores em seu esplendor - e não as inveja. Elas, ingênuas, atrairão olhares e morrerão por isso.
Para a tiririca não há condições desfavoráveis: ela apenas aproveita as que existem.
E talvez por isso ensine tanto.
Mostra que a vida não se ergue com barulho, mas com constância; não recomeça com bravatas, mas com raízes firmes; não se sustenta no orgulho, mas na capacidade de seguir adiante depois de cada golpe.
Chamam-na praga. Talvez seja mesmo - para quem só vê o desperdício de combatê-la.
Mas, para quem observa com atenção, torna-se exemplo.
Mostra que perder tempo com pequenas contendas só enfraquece quem as sente; que vingar-se é gastar a energia que poderia ser usada para florescer; e que há uma forma simples - e profundamente digna - de enfrentar o mundo: crescer.
A tiririca não vence por ferir ninguém.
Vence porque se recusa a desistir.
Há, nisso uma grande lição para quem anda cansado, ressentido ou paralisado por bobagens:
a vida não exige perfeição.
Exige persistência - qualidade que essa planta miúda domina como quase nenhuma criatura no planeta.
Seja tiririca!
N. do E.
26 fevereiro, 2026
Corvos na limpeza urbana
Uma startup desenvolveu máquinas que trocam amendoins por bitucas (pontas de cigarro). Corvos selvagens descobriram esta oferta e aprenderam rapidamente – inclusive ensinando o truque uns aos outros.
Agora eles vasculham as ruas em busca de bitucas, ganham lanches e ajudam a prefeitura a economizar nos custos com a limpeza urbana.
25 fevereiro, 2026
Tuvalu
Mais da metade dos cidadãos de Tuvalu solicitaram o visto climático, uma autorização especial que lhes permitirá fazer parte da primeira migração em massa desencadeada pelas mudanças climáticas. Certamente não é uma conquista para comemorar.
A meio caminho entre a Austrália e o Havaí, Tuvalu é uma nação insular com cerca de 10.000 habitantes, considerada a quarta menor do mundo. Com uma altitude média de 2 metros acima do nível do mar e seu status de arquipélago, inundações regulares são compreensíveis.
Mas, até recentemente, as inundações não eram frequentes ou intensas o suficiente para devastar o país. Segundo a UNICEF, até 2100, 95 por cento do país poderá estar submerso. Isso, é claro, significa que o país se tornará inabitável.
Na realidade, as inundações em Tuvalu não são causadas pelas chuvas. Pelo menos, essa não é a única razão. O principal problema é a elevação do nível do mar causada pelas mudanças climáticas.
O derretimento de geleiras e calotas polares está causando o aumento do nível do mar, colocando nações como esta nação insular, cercada por água por todos os lados, em sério risco.
Essa previsão assusta boa parte dos cidadãos de Tuvalu, e é por isso que mais da metade deles solicitou um visto climático. Com ele, serão acolhidos pela Austrália, onde poderão viver, trabalhar ou estudar como cidadãos de pleno direito. O lado positivo é que também poderão retornar a Tuvalu quando quiserem.
Mas... se as mudanças climáticas continuarem a progredir nesse ritmo, infelizmente, eles poderão não ter para onde retornar.
Fonte: Hipertextual, por Azucena Martín
24 fevereiro, 2026
Encontros e despedidas
E o presidente:
- Não, meu candidato é o EURICO (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: EU FICO.
Boa viagem, INSIGNE PARTINTE!
E que Truman respondeu:
Obrigado, INSIGNE FICANTE!
23 fevereiro, 2026
Quem foi Rouanet?
Diplomata, filósofo, sociólogo, professor e escritor, Sergio Rouanet foi secretário de Cultura da Presidência da República - correspondente ao atual Ministério da Cultura - entre 1991 e 1992. Foi nessa época que idealizou o projeto que se tornou a Lei nº 8.313 do dia 23 de dezembro de 1991, estabelecendo as políticas públicas para o incentivo à cultura brasileira. Por isso, a lei (do mais logevo programa de incentivo à cultura no Brasil) foi apelidada com seu sobrenome.
Autor de cerca de 20 livros, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1992. Foi professor visitante na pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Rio Branco e professor visitante da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Economia pela Universidade George Washington, em Ciências Políticas pela Universidade Georgetown, e em Filosofia pela New York School for Social Research, as três nos Estados Unidos.
Na Universidade de São Paulo (USP), fez o doutorado em Ciência Política e foi o primeiro titular da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados (IEA). Também publicou artigos periódicos sobre cultura no Jornal do Brasil e no jornal Folha de S Paulo.
*Informações do Instituto Rouanet.
As críticas sem sentido e sem conhecimento sobre a Lei Rouanet sem dúvida podem ser enquadradas aí. Eles insistem em afirmar e passar adiante que o premiadíssimo ‘O agente secreto’ teve grana da Rouanet, quando se sabe que filme de longa metragem não pode captar verba desta Lei. E, mesmo se pudesse, qual seria o problema? Porque em cada R$ 1 investido em projetos executados com recursos da Lei Rouanet, R$ 7,59 retornaram à economia brasileira.Como conclui Larissa Leão "reler Hélio Pelegrino hoje é aceitar o convite de não pactuar com a burrice organizada e a transformar em gesto de liberdade tudo aquilo que ainda querem nos fazer calar". (Ultrajano, no FB)
22 fevereiro, 2026
Metamorfose ambulante
Seu verso mais emblemático é: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Que Raulzito colocou na letra "para questionar o problema das verdades absolutas".
Raul Seixas tocado por 1.000 músicos no Allianz Parque - São Paulo, 2022
21 fevereiro, 2026
O tangará, inteligência em um dedal
Ele usam fiapos de musgo e líquen, e funciona. Pesquisadores descobriram que tal estratégia reduz em 90% a pilhagem dos seus ninhos. O pássaro não sabe disso. Mas faz. E faz melhor do que muitos projetos conscientes.
Aqui reside o desconforto: chamamos isso de instinto, como se a palavra resolvesse o mistério. Não resolve. O instinto do tangará produz efeitos inteligentes, ajustados ao ambiente, eficientes e parcimoniosos. Não há desperdício cognitivo, nem exuberância inútil. Há inteligência brotando de um cérebro que cabe em um dedal.
Quando ampliamos o olhar, o espanto cresce. Corvos fabricam ferramentas, testam hipóteses, aprendem observando outros e transmitem soluções entre gerações. Papagaios reconhecem símbolos, quantidades e relações. Joões-de-barro erguem arquiteturas termicamente eficientes, orientadas ao sol, resistentes à chuva — sem engenheiro, sem cálculo formal, sem erro acumulado. Nenhuma dessas aves precisa de um cérebro grande. Precisa de um cérebro suficiente.
Essa constatação obriga a uma revisão incômoda de nossas certezas sobre nós mesmos. Há cérebros maiores do que o humano no mundo animal, e nem por isso há ciência, tecnologia ou história acumulada. O cérebro do homem primitivo não era menor nem menos complexo que o nosso; era, em essência, o mesmo cérebro, lançado em um mundo que ainda não havia aprendido a se lembrar de si. O salto humano não está no órgão, mas fora dele. Está na linguagem simbólica e em sua derivada decisiva: a escrita. Foi ela que criou algo radicalmente novo — memória fora do corpo, inteligência distribuída no tempo. Cada geração deixou de começar do zero e passou a herdar erros, acertos, técnicas e narrativas. O conhecimento deixou de morrer com quem o produziu. Somar tornou-se mais importante do que inventar. Sem isso, haveria inteligência, como há nas aves, mas não civilização.
A isso se somam as mãos. Não apenas como ferramentas anatômicas, mas como mediadoras entre símbolo e mundo. Ideias puderam virar gesto; gestos, artefatos; artefatos, tradição. Macacos têm mãos, mas não têm linguagem simbólica complexa. Papagaios vocalizam, mas não constroem cultura acumulada. O humano reuniu essas dimensões e, com isso, rompeu um limite que nenhuma outra espécie atravessou.
É nesse ponto que a comparação com a inteligência artificial se impõe. Para produzir resultados impressionantes, a IA depende de redes neurais gigantescas, consumo energético elevado, volumes colossais de dados e infraestrutura planetária. Ainda assim, o que ela faz é, em larga medida, imitação: recombina padrões já existentes. As aves, com alguns gramas de tecido neural, fazem algo mais radical — agem no mundo com economia, precisão e finalidade biológica. Um cérebro biológico tão pequeno faz, em termos proporcionais, muito mais do que nossas máquinas. Não porque seja “mais inteligente”, mas porque é inseparável da vida.
Ele não processa o mundo à distância; está imerso nele. Não calcula cenários abstratos; responde a pressões reais. Não simula consequências; sofre-as. Essa diferença ilumina algo essencial também sobre nós. Nos animais, a astúcia não se emancipa da natureza. Ela serve à sobrevivência, não ao poder.
O tangará não engana outros tangarás, não transforma sua habilidade em sistema, não cria narrativas para justificar desvios. Sua inteligência tem limite, e é justamente esse limite que a torna funcional. O humano, ao contrário, munido de linguagem, memória histórica e mãos capazes de transformar ideia em instrumento, passou a usar a astúcia não apenas para viver, mas para dominar, explorar, contornar responsabilidades. Quando a astúcia se separa da prudência, deixa de ser virtude e se torna risco sistêmico.
Nenhuma ave ameaça o ecossistema ao aprimorar sua técnica. Nós frequentemente o fazemos. Talvez, então, o espanto não devesse estar no quão inteligentes são os pássaros, mas no quão ineficientes nos tornamos ao confundir inteligência com volume — de dados, de neurônios, de discursos.
O tangará ensina, sem saber, que pensar não é acumular, mas ajustar. Não é impressionar, mas funcionar. A inteligência verdadeira não está no tamanho do cérebro nem na grandiosidade da máquina, mas na capacidade de agir sem destruir o chão que sustenta a ação.
Em um dedal de cérebro, o tangará constrói pontes invisíveis entre percepção e sobrevivência. Nós, com todo o nosso aparato simbólico e técnico, ainda insistimos em provar que sabemos mais — mesmo quando já esquecemos para quê.
20 fevereiro, 2026
Os Sete Samurais
Com seus 207 minutos de duração, cenas extensas de esgrima e sequências de ação grandiosas, foi tão inovador quanto épico, recebendo elogios da crítica, apresentando o cinema japonês a uma geração e mudando a cultura popular para sempre. Sua história, personagens, filmagem com múltiplas câmeras e coreografia de ação reorientaram o cinema americano por gerações. Mesmo quem não viu o filme original provavelmente já viu alguma versão, seja em um remake direto, como "Os Sete Magníficos" (1960), ou em inúmeras homenagens, da comédia "Três Amigos!", com Steve Martin, à "Vida de Inseto", da Pixar. Hoje, 71 anos após seu lançamento, a obra "Os Sete Samurais" ainda ressoa.
O enredo do filme certamente lhe será familiar: no interior do Japão do século XVI, um grupo de aldeões descobre que um bando de bandidos está se preparando para atacar, justamente quando a colheita de cevada da aldeia está para acontecer. Com pouca experiência militar e praticamente nenhuma arma à disposição, esses agricultores recrutam um grupo de guerreiros para defendê-los. Vemos os aldeões recrutando samurais sucessivamente, cada um com um tipo distinto. Há o veterano sábio Kambei (Takashi Shimura); o severo mestre espadachim Kyuzo (Seiji Miyaguchi); e o espirituoso e beberrão Kikuchiyo (Toshiro Mifune) — meio Puck, meio Falstaff, e na verdade nem um samurai de verdade. Uma vez reunido, o grupo heterogêneo treina os aldeões nos fundamentos da guerra. Então chegam os bandidos, e os samurais lideram os corajosos agricultores em uma longa e emocionante defesa de sua aldeia e de seus abundantes estoques de cevada.
A Conexão Kurosawa
19 fevereiro, 2026
Cascalho, cascalho, cascalho
O repasse do COB é feito a todos os atletas brasileiros que subirem ao pódio. A premiação é de R$ 310 mil para os medalhistas de ouro, de R$ 210 mil para os de prata e de R$ 140 mil para os de bronze.
Em caso de mais de uma medalha, os atletas recebem por cada prova.
Para as modalidades em grupo (dois a seis atletas) ou coletivas (sete atletas ou mais), os valores são maiores, porém divididos entre todos os atletas do grupo ou equipe.
Grupo: Ouro - R$ 700 mil; Prata - R$ 420 mil; Bronze - R$ 280 mil.
Coletiva: Ouro - R$ 1,05 milhão; Prata - R$ 630 mil; Bronze - R$ 420 mil
Fonte: Notícias ao Minuto
18 fevereiro, 2026
Os meninos na capa do "Clube da Esquina"
Em setembro de 2023, a justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação, alegando que o direito de ação, após 40 anos de ampla divulgação da obra, havia prescrito. Os advogados deles declararam que iriam recorrer.
(https://www.noticiasdechapada.com.br/noticia/206/meninos-da-capa-de-clube-da-esquina-processam-milton-nascimento-e-lo)
(https://bardomuseuclubedaesquina.com.br/os-meninos-da-capa-do-disco-clube-da-esquina/)
17 fevereiro, 2026
Onde Está Wally? (4)
O cartoon faz uma brincadeira com o conceito do livro "Onde Está Wally?", em que o objetivo é encontrar o referido personagem em meio a uma multidão.
A piada é que, com a tecnologia de geolocalização do Google, encontrar Wally seria fácil - o que tiraria a graça do jogo.
16 fevereiro, 2026
Omissão da Nova Zelândia nos mapas
Essa omissão recorrente se tornou um meme mundial. Há uma comunidade no Tumblr intitulada World Maps Without New Zealand e uma comunidade no Reddit, ou subreddit, conhecida como r/MapsWithoutNZ, ambas focadas nessa questão. No Reddit, há também comunidades semelhantes sobre a omissão da Flevolândia, nos Países Baixos; do Havaí, nos Estados Unidos; e da Tasmânia, na Austrália, nos mapas-múndi.
15 fevereiro, 2026
"Cidade Maravilhosa"
No dia 4 de setembro de 1934, André Filho e Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, entraram no estúdio da Odeon para gravar a música "Cidade Maravilhosa".
"E se um dia você se perguntou por que Carmen teria deixado "Cidade Maravilhosa" para a irmã — quando ela própria, Carmen, poderia tê-la gravado —, não perca seu tempo", explica o jornalista e escritor Ruy Castro no livro "Carmen – Uma Biografia" (2005). "O compositor André Filho ofereceu a marchinha Cidade Maravilhosa diretamente à Aurora. Ela já gravara outras músicas dele, os dois eram amigos, e Aurora era uma cantora em fulminante ascensão".
Um ano depois de gravá-la, André Filho resolveu inscrevê-la em um concurso promovido pela prefeitura do Rio e realizado no Teatro João Caetano. Para espanto do público, tirou o segundo lugar: perdeu a primeira colocação para "Coração Ingrato", interpretada por Sílvio Caldas. Segundo os jornais da época, o público vaiou a campeã e, por pouco, não depredou o teatro. André Filho, em compensação, foi aplaudido de pé. "A maior manifestação da minha vida", escreveu o compositor no recorte do jornal "A Noite", de 11 de fevereiro de 1935.
O compositor André Filho eternizou a expressão "Cidade Maravilhosa". Até hoje, sua marchinha é tocada e cantada em cerimônias oficiais, bailes de carnaval e desfiles de rua. Mas, quem criou o epíteto?
Em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o escritor e tradutor Ivo Korytowski a Jane Catulle. Em 1913, ela publicou um livro de poemas, "A Cidade Maravilhosa" (La Ville Merveilleuse, no original), depois de conhecer o Rio de Janeiro, dois anos antes. No primeiro dos 33 poemas, ao descrever a chegada do seu navio à Baía de Guanabara, ela exaltou: "Jamais tantos esplendores deslumbraram os olhos! Aqui é a terra de todas as luzes!".
De setembro a dezembro de 1911, a poetisa francesa Jane Catulle Mendès, viúva do escritor e poeta Catulle Mendès, visitou o Rio de Janeiro, encontrando uma cidade recém-emergida de um "banho de loja" que foi a reforma urbanística de Pereira Passos. Encantada com a cidade, sobretudo pelas belezas naturais, escreveu uma série de poemas de "amor ao Rio" publicados em Paris no livro de 2013.
Se imaginarmos quão bem ela foi recebida, e a época realmente gloriosa para a cidade em que isso se passou, fica claro o motivo do encantamento que a inspirou a escrever e publicar, em 1913, em Paris, o livro de poemas, "La Ville Merveilleuse, Rio de Janeiro, poèmes". Extasiada com a beleza da cidade, os poemas, muitos deles dedicados a ilustres figuras da época faziam a apologia em regra da cidade e, graças ao título do livro, nascia o seu epíteto plenamente consagrado.
É óbvio que em textos anteriores, especialmente na imprensa, tal expressão já fora usada, como bem pesquisou Ivo Korytowski, o que deve ter acontecido com todas as cidades notáveis do mundo. Parece-nos, portanto, que a hoje totalmente esquecida Jane Catulle Mendes foi, senão a criadora, a oficializadora do epíteto do Rio de Janeiro.
Fontes
http://www.dw.com/pt-br/por-que-o-rio-%C3%A9-chamado-de-cidade-maravilhosa/a-75327797
http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2003/03/qual-origem-da-expressao-cidade.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-fevereiro-e-marco.html
14 fevereiro, 2026
Um gigante no slalom gigante
Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom - as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.
Pela primeira vez, o Brasil (e toda a América do Sul) subiu ao pódio em uma edição olímpica de inverno. E a medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte.
No tempo das indelicadezas
Com a Orquestra Royal.
A propósito de uma agressão verbal a Chico Buarque que aconteceu no "Brasil dos Coxinhas".
"Não vai passar / Intolerante nem por um segundo / Cálice, filhinho de papai / Vai trabalhar, vagabundo."
13 fevereiro, 2026
Mudando o foco
17/01/2020 — Embora muita gente não acredite ser realmente possível colonizar Marte e usá-lo com uma "segunda Terra", assim como os incrédulos cientistas Neil deGrasse Tyson e Bill Nye, o visionário Elon Musk continua sendo o maior entusiasta dessa ideia — e mais: em uma série de tweets que postou, o CEO da SpaceX detalhou seus planos de "povoar o Planeta Vermelho com nada menos do que 1 milhão de terráqueos até 2050".
10/02/2026 — Elon Musk afirma que construirá uma "cidade autossustentável" na Lua nos próximos 10 anos. Segundo ele, a SpaceX "mudou o foco", passando da colonização de Marte para a fundação de uma cidade lunar, porque o alinhamento planetário permite que a viagem de seis meses a Marte seja lançada apenas uma vez a cada 26 meses, enquanto uma viagem de dois dias à Lua pode partir a cada 10 dias.
12 fevereiro, 2026
O distanciamento social no mundo das formigas
Um novo estudo publicado na revista Science revela que as formigas-pretas-de-jardim (Lasius niger) modificam a arquitetura de seus ninhos para retardar uma infestação – uma "versão inseto" de distanciamento social incorporada ao ambiente.
Expostas a esporos de fungos (Metarhizium brunneum), as formigas fizeram modificações significativas no layout do formigueiro. E as entradas acabaram ficando, em média, cerca de 6 mm mais distantes umas das outras. Com esse aumento no espaçamento entre as entradas, resultou em menos pontos de aglomeração na superfície. Elas também construíram câmaras com rotas mais longas e sinuosas em locais menos centrais. E chegaram a cavar múltiplos túneis, provavelmente rotas alternativas de circulação para evitar os contatos entre si.
A análise mostrou que os ninhos redesenhados reduziram com sucesso o risco de exposição dos indivíduos à infecção.
11 fevereiro, 2026
O sapoti, onze anos depois
Onde moro hoje, a planta ainda é pequena, promessa mais do que colheita. (1) O pé em produção ficou na casa de Monlevade, já adulto, já sabendo cumprir o seu destino.
O que me surpreendeu, agora, foi o preço no Ceará. Estive aí em julho de 2025 e ele continuava girando em torno de dez reais.Uma espécie de congelamento histórico. Suprema humilhação para uma fruta não conseguir acompanhar sequer a inflação.
Enquanto isso, o mundo girou, o dinheiro perdeu valor, o salário encolheu e o sapoti permaneceu parado no tempo, como se não tivesse direito à correção monetária nem à mínima dignidade econômica. Não bastasse isso, perdeu espaço simbólico: saiu de cena para dar lugar ao kiwi, (2) fruta estrangeira, sem memória afetiva, mas com marketing, pedigree importado e status de vitrine.
O sapoti não apenas ficou mais barato. Ficou mais invisível. Tornou-se um fruto resistente, mas socialmente derrotado. (3) Não por falta de sabor, nem por deficiência nutricional, mas por abandono cultural. É a fruta que não frequentou academia, não fez intercâmbio, não aprendeu inglês.
Defendê-lo, hoje, é quase um ato político. Um gesto de memória e de teimosia. O sapoti segue ali, doce, íntegro, fiel a si mesmo — enquanto o mundo, esse sim, parece ter azedado. (4)
10 fevereiro, 2026
Mensagem em frasco de loção
Fonte: https://lataco.com/captive-lotion-bottle-note
"Boa tarde. Meu nome é [informação omitida]. Minha esposa e eu estamos no Centro de Detenção de Otay Mesa (OMDC) desde 15 de abril de 2025", dizia um bilhete escrito à mão, enrolado em um frasco de loção que foi jogado por um homem mantido em cativeiro dentro do OMDC.
"Aqui faz frio o tempo todo e a comida é ruim", continua a carta. "Há 280 dias não comemos uma única fruta. Estamos todos em um grande cômodo sem portas nem janelas. Não conseguimos ver grama nem árvores. Estamos todos constantemente doentes."
A garrafa precisou ser arremessada com força suficiente para atravessar um muro de concreto, duas cercas de arame farpado, cada uma com cerca de quatro metros de altura e separadas por aproximadamente um metro e meio de cascalho, e mais três metros de estrada. Tudo isso para chegar às mãos dos participantes de uma vigília realizada em frente ao OMDC.
09 fevereiro, 2026
Localidades europeias com nomes de uma só letra
Os Países Nórdicos são uma região no norte da Europa e no Atlântico Norte, incluindo:
- Dinamarca, com seus territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé.
- Finlândia, com seu território autônomo de Aland.
- Islândia.
- Noruega.
- Suécia.
Explicações
"Å não recebeu esse nome tão breve como um golpe publicitário; seu nome é uma palavra em nórdico antigo para " rio pequeno ".
Como resultado, há algumas vilas na Noruega , Suécia e Dinamarca chamadas Å, embora a das ilhas Lofoten seja a mais popular entre os turistas. A placa de trânsito "Å"” foi roubada com tanta frequência que a cidade a substituiu por uma que dizia "Å i Lofoten" mas após reclamações locais, a placa original de uma letra foi substituída.
Ö está localizada na Suécia, tem cerca de 90 habitantes e significa "ilha" em sueco.
Y recebeu seu nome abreviado devido ao traçado da rua principal, que é basicamente três ruas com o formato da letra "Y". Os habitantes se autodenominam Ypsilonien(ne)s."
«GPS, quero ir de Å para Å. Como devo proceder?»
«Para o carro, que eu quero descer».
08 fevereiro, 2026
O último violão Stradivarius do mundo
Neste vídeo, o músico norueguês Rolf Lislevand extrai a perfeição musical deste instrumento perfeito. Como especialista em instrumentos barrocos, ele é excepcionalmente qualificado para tocar o Sabionari. Aqui ele interpreta uma peça de Santiago de Múrcia (1673-1739), um compositor espanhol.
07 fevereiro, 2026
O Agente Secreto
Kleber Mendonça Filho comemora a marca de 2 milhões de ingressos vendidos por "O Agente Secreto" no Brasil.
O filme segue a história de Marcelo, um fugitivo da ditadura militar brasileira, que foge para Recife em busca de paz, mas percebe que a cidade está longe da paz que deseja.
Lista de prêmios, honrarias, indicações e pendências de "O Agente Secreto"
Honrarias: 3
Indicações: 70
Pendências: 43
Que coincidência!
A mulher disse: "Que estranho, eu também acabei de pedir uma taça de champanhe."
"Que coincidência", disse o homem, que acrescentou: "É um dia especial para mim. Estou comemorando."
"É um dia especial para mim também, eu também estou comemorando!", disse a mulher.
"Que coincidência!", disse o criador.
Enquanto brindavam, ele perguntou: "O que você está comemorando?"
"Meu marido e eu estamos há anos tentando ter um filho e, se você não sabe, minha champanhe é sem álcool - descobri hoje que estou grávida!", disse a mulher, cheia de alegria em seu rosto.
"Que coincidência", disse o homem. "Eu sou um criador de galinhas e há anos que todas as minhas galinhas são inférteis, mas agora elas estão todas botando ovos fertilizados."
"Isso é incrível!", disse a mulher. "O que você fez para as suas galinhas ficarem férteis?"
"Eu usei um galo diferente", disse ele.
A mulher sorriu e disse: "Que coincidência!"
(https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=8965 - c/ ilustração)
06 fevereiro, 2026
O burro no poço
Por fim, o fazendeiro decidiu que o burro estava muito velho e que o poço estava seco há muito tempo, então não valia a pena tirar o burro do poço.
Ele chamou seus vizinhos, e cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra no poço.
O burro, percebendo o que estava acontecendo, começou a zurrar ainda mais alto.
Em certo momento, para surpresa de todos, o burro parou de reclamar depois de alguns arremessos de terra.
O fazendeiro olhou para dentro do poço e ficou surpreso com o que viu:
A cada lançamento de terra, o burro batia no chão com os cascos e dava um passo acima do solo.
E todos viram o burro chegar à boca do poço, pular a borda e sair trotando.
05 fevereiro, 2026
A etiqueta dos fótons
As ondas eletromagnéticas seguem o princípio da superposição, ou seja, uma espécie de encontro entre ondas bem civilizadas. Quando dois feixes de luz se encontram, eles não brigam nem tentam se empurrar para aparecer mais. Em vez disso, suas "vozes" (amplitudes) se misturam por um instante no ponto de encontro, criando um som único (o padrão de interferência). Depois dessa conversa rápida, cada feixe segue o seu caminho, sem guardar mágoas ou levar nada do outro.
Diferente de partículas com carga elétrica que interagem entre si, a luz não carrega carga elétrica, logo, os feixes não exercem forças diretamente um sobre o outro. Essa ausência de interação direta contribui para que os feixes atravessem sem interferência.
Peter Z. In Quora
04 fevereiro, 2026
O biquíni de lacinho
Na década de 1980, os modelos asa-delta e fio dental apareceram nas areias brasileiras. Mas o fio dental só vingou no Brasil.
Quanto ao biquíni de lacinho, é também uma invenção brasileira. Do paraense David Azulay, o dono da Blue Man que sempre acreditou que a moda praia seria um dos meios mais importantes de identificação e divulgação da cultura brasileira.
Deixemos que a filha de David Azulay conte como foi a história desse "erro" que virou história.
03 fevereiro, 2026
Ratos na mala e outros afetos
Numa dessas viagens, meu pai foi conosco.
Francisco era sisudo por obrigação da farda. Em casa, porém, o uniforme ficava no cabide. Ele se desarmava. Tornava-se brincalhão, emotivo, um homem dado a afetos. Lembro-me de quando assistimos à Annie, na Broadway. Sentado ao seu lado, eu traduzia a história da menina órfã quando, de repente, vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Aquele era o meu pai: um manteigão.
Herdei dele o gosto pela música e pela dança. Anos depois, em Nova Iorque, Annie voltou aos palcos. Não fui vê-lo. Por pura covardia. Temia reencontrar aquela lágrima - e a ausência dele, já morto. Preferi outros espetáculos. O melhor deles foi Jersey Boys.
O musical conta a história de uma banda de rapazes de New Jersey que, nos anos sessenta, rivalizou em popularidade com os Beatles. Os americanos sabem fazer esse tipo de espetáculo. Nada sobra, nada falta: som, luz, coreografia. Tudo funciona. E quem, na minha geração, nunca dançou colado ao som de Can’t Take My Eyes Off You?
No final, quando o próprio Frankie Valli surgiu em cena, a plateia explodiu. Aplaudimos de pé.
Lamento não ter assistido também a The Book of Mormon. Em seu lugar, tentamos ouvir jazz com a banda The Hot Sardines, no bar do hotel The Standard. Mas o porteiro barrou um amigo por causa da mochila e dos tênis. Ainda há lugares em que a roupa pesa mais do que a companhia.
Para não deixá-lo sozinho, desistimos. Fomos comer hambúrguer com feijão no Greenwich Village. Perdemos os espetáculos, mas ganhamos a noite: conversa solta, roupa confortável, amizade sem cerimônia.
No fim das contas, foi assim também com meu pai. Perdemos o musical que não vimos juntos, mas ficou a memória da lágrima, intacta, guardada como quem protege algo frágil na mala. Nova Iorque tem ratos, porteiros exigentes e palcos grandiosos. Mas o que realmente levamos - e o que nos acompanha de volta - são esses pequenos afetos: imperfeitos, clandestinos, e absolutamente nossos.
02 fevereiro, 2026
Bailes radiofônicos
Húngaro de nascimento, Arnold Gluckmann era maestro, arranjador e compositor. Em 1929, já o encontramos à frente de uma orquestra sinfônica no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, num concerto em que Radamés Gnatalli, então com 23 anos, brilhou como solista. Em 1934, assumiu a direção da Rádio Club do Brasil, tornando-se responsável pela entrada de diversos artistas para o broadcasting da emissora.
Nasceu aí o contato artístico de Gluckmann com o compositor Noel Rosa. O método e o formalismo musical de um, o autodidatismo e a bossa de outro. O ar sisudo e grave do maestro, em confronto com o espírito gozador e a malícia de Noel. E a opereta "A Noiva do Trocador" é fruto deste encontro de culturas.
Num tempo em que as programações das estações de rádio eram bem diferentes - aos sábados à noite, por exemplo, a Radio Club (PRA 3) transmitia a Noite de Baile Cafiaspirina, no qual uma orquestra tocava para os ouvintes dançarem em casa. E a ilustração abaixo é uma peça publicitária da Bayer, publicada em 1934 na revista Fon Fon.
01 fevereiro, 2026
A cajuína
Seu consumo é um ato de degustação, geralmente acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou densidade, qualidades que derivam tanto dos cajus escolhidos, quanto das técnicas de cada produtor. Essas referências revelam o sentimento de pertencimento do grupo ou família produtora e reforçam os laços entre os membros das redes familiares por onde a cajuína circula.
Atribui-se a invenção da cajuína (de acordo com Rachel de Queiroz) a Rodolfo Teófilo, um farmacêutico, escritor e pesquisador cearense (nascido na Bahia) que viveu entre 1853 e 1932. Em 2014, esta bebida típica do Piauí e do Ceará foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Nasceu de uma experiência pessoal (de luto) de Caetano Veloso, após a morte em 1972 do amigo e poeta Torquato Neto, importante figura da Tropicália. Ao visitar a família de Torquato em Teresina, Caetano foi acolhido pelo pai do poeta, Seu Eli, que lhe serviu cajuína e lhe presenteou com uma rosa. Essa experiência do acolhimento em Teresina, com a cajuína cristalina da cidade, inspiraram a composição desta música, que explora questões sobre a vida e a morte.
31 janeiro, 2026
Momentos em que os ponteiros do relógio se sobrepõem
Às 12:00, os ponteiros se sobrepõem por definição. Às 13:00, o ponteiro dos minutos retornou à posição de 12 horas, mas o ponteiro das horas já está na posição 1. Portanto, o ponteiro dos minutos precisa percorrer esse curto trecho de "cinco minutos"... Mas isso fará com que o ponteiro das horas se mova um pouco durante esses cinco minutos, então...
Após uma primeira reflexão, fica claro que a solução pode não ser tão óbvia quanto parece; após uma segunda reflexão, parece que o problema é como o paradoxo de Aquiles e a tartaruga, que filósofos, lógicos e matemáticos ponderaram tantas vezes desde Zenão de Eleia até os dias atuais.
Solução:
Em uma revolução completa de 12 horas, basta contar que os ponteiros das horas e dos minutos se cruzam exatamente onze vezes e levam sempre o mesmo tempo. Portanto, eles se cruzam a cada 12/11 horas = 65,45… minutos = 1 hora, 5 minutos e 27,2727… segundos.
30 janeiro, 2026
Azul e Cinzas
Naquela vez, tive sorte. O passageiro era um piloto em férias. Milhares de horas de voo e histórias. Contou-me esta.
O pedido veio em tom de súplica, quando a fila de embarque ainda serpenteava pelo saguão. Uma mulher de olhos aflitos destacou-se do grupo e aproximou-se de Greta, comissária alemã da KLM, com duas décadas de profissão nos ombros.
— Por favor — disse a passageira, a voz carregada de emoção.— É o sonho dela.
Uma vida inteira sonhando em viajar na primeira classe. A senhora poderia fazer essa gentileza para a minha adorável mãe?
Greta sentiu o conhecido nó de impotência. O regulamento era inflexível: não havia upgrade gratuito. Mas aquele olhar não pedia um favor; pedia um milagre.
— Não posso mudar a classe — respondeu, suavizando a negativa com um sorriso profissional. — Mas diga-me o assento dela. Prometo que será tratada como uma passageira da primeira classe.
A gratidão inundou o rosto da mulher.
— 34B, corredor. Obrigada. Muito obrigada.
Horas depois, com o Airbus estabilizado sobre os céus da America, Greta preparou seu pequeno ato de rebeldia contra as regras inflexíveis da companhia. No carrinho, dispôs uma taça de espumante italiano, um pequeno pote de caviar com torradas, uma rosa vermelha e um cobertor branco de cashmere. Era tudo o que a burocracia lhe permitia.
Caminhou até o assento 34B. A passageira estava sentada sozinha, com a mão pousada sobre uma mochila no colo.
— Onde está sua mãe, senhora? — perguntou Greta, estranhando o assento vazio ao lado.
A mulher sorriu. Um sorriso doce e melancólico. Sem pressa, abriu a mochila e retirou um elegante vaso de cerâmica azul.
— Aqui — disse, com serenidade. — São suas cinzas. Estou levando-a ao Rio Hudson em Nova York, seu lugar favorito no mundo. O sonho dela era vê-lo uma última vez… de primeira classe.
Greta não hesitou. A vida inteira em grandes altitudes lhe ensinara que o extraordinário mora nos detalhes. Tomou o vaso com o cuidado de quem segura um recém-nascido.
— Com sua permissão — disse apenas.
Caminhou até a primeira classe, silenciosa e quase vazia àquela hora. Escolheu o melhor assento: 1A, junto à janela. Acomodou o vaso, ajustou o cinto de segurança ao redor da cerâmica, cobriu-o com o cobertor de cashmere e dispôs a taça e o caviar na bandeja. A rosa ficou ao lado, junto à janela, onde o entardecer começava a dourar as nuvens.
Pela primeira vez em trinta anos, Greta violava uma regra fundamental. Mas, diante daquele assento ocupado por uma última viagem, teve a certeza de estar obedecendo a uma lei mais antiga: a de honrar um desejo, por mais impossível que pareça.
E quando a luz do pôr do sol incendiou a cabine, pareceu-lhe que, para a passageira do assento 1A, a vista era, de fato, simplesmente espetacular. O Rio Hudson, lá embaixo, em todo seu esplendor.










