As pessoas que conheceram Termen depois da guerra comentaram que ele mal movia os lábios enquanto falava, um hábito adquirido por viver sob constante vigilância.
No final da década de 60, Termen deixou o trabalho de espionagem e conseguiu um emprego em uma universidade, onde fazia pesquisa acústica. Certo dia, um jornalista ocidental em visita encontrou Termen e, infelizmente, noticiou no New York Times que ele ainda estava vivo.
Isso foi demais para o chefe de Termen, que levou todos os instrumentos musicais dele para fora e os destruiu com um machado. "Eletricidade só serve para fazer cadeiras elétricas", explicou. E assim terminou a carreira universitária de Termen.
É assim que a opressão muitas vezes se manifesta. Ninguém ligou de Moscou para dizer a esse cara para destruir a obra de Termen. Mas ele não quis se arriscar e adotou uma postura proativa.
O resto da vida de Termen foi gasto tentando encontrar um pequeno espaço para trabalhar. Ele recebeu um pequeno quarto individual em um apartamento compartilhado, que encheu de equipamentos e arquivos antigos. Ele nunca parou de dar aulas de theremin.
Ele passou seus últimos anos tentando despertar interesse em um dispositivo chamado microscópio do tempo. Havia minúsculos corpúsculos no sangue que podiam ser vistos com o equipamento fotográfico de alta velocidade adequado. Eles eram a chave para a imortalidade.
As pessoas que convidaram Termen para conferências musicais no final de sua vida fizeram grandes esforços para mantê-lo em silêncio sobre o microscópio temporal. Assim frustrado, ele morreu em novembro de 1993, aos 97 anos.
Apesar dos esforços de músicos como Clara Rockmore e de participações ocasionais em músicas populares, como "Good Vibrations", o theremin permaneceu um instrumento de nicho. Os poucos músicos de estúdio que sabiam tocá-lo ganhavam muito bem compondo trilhas sonoras para filmes. Mas o theremin tinha esse poder de cativar a imaginação. Inspirou uma geração de pessoas como Robert Moog, o grande pioneiro dos sintetizadores, que começou fabricando theremins e nunca perdeu a paixão por eles. Moog considera o reparo do theremin original de Clara Rockmore o ponto alto de sua carreira.
O que tornou o instrumento tão durável foi sua bela simplicidade. Não apenas como interface, mas como circuito. É um dos circuitos de rádio "reais" mais simples que você pode construir. O projeto original de Termen exigia apenas cinco válvulas eletrônicas. Por isso, sempre foi um elemento básico em projetos de eletrônica caseira e um ótimo ponto de partida para experimentos. Era "hackeável" no melhor sentido da palavra.
E, claro, o theremin, e Termen, têm outro legado, em todos os dispositivos com tela capacitiva (sensível ao toque). Esses celulares em nossos bolsos não são apenas dispositivos de vigilância, mas pequenos theremins, capazes de rastrear a posição dos seus dedos com a mesma magia elétrica que Termen usava para criar música. Acho maravilhoso que o legado desse homem se estenda até aí.
Gostaria de encerrar com minha anedota favorita sobre Termen, do final de sua vida. Termen passou anos tentando se filiar ao Partido Comunista, e eles sempre arranjavam desculpas para rejeitá-lo.
Quando ele tinha noventa anos, candidatou-se novamente, mas disseram-lhe que para ingressar teria de fazer um curso avançado de cinco anos em marxismo-leninismo. Então ele o fez. Frequentou a escola noturna e concluiu o curso.
Em 1991, literalmente semanas antes da queda da União Soviética, Termen recebeu seu distintivo do partido. O bolchevique de 95 anos foi, por um breve período, o comunista mais jovem do país. Naturalmente, as pessoas lhe perguntavam: "Lev Sergeyevich, por que diabos você se filiaria ao Partido Comunista agora, quando todos os outros estão saindo?" Ele lhes deu a resposta mais ousada que se possa imaginar: "Eu prometi a Lenin."
Prometi à Tasha e ao Mike que minha apresentação teria duração de trinta minutos. Muito obrigado a todos!
(Aplausos estrondosos e prolongados.)
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 10.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.











