EntreMentes
O BLOG DO PAULO GURGEL
05 abril, 2026
Vou-me embora pro Passado
Desta vez, apresentando uma paródia construída "na casca" (como ele diz) do famoso poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira.
Na Bodega do Quirinal
Vida de candidato
Comício de beco estreito
04 abril, 2026
Toaletes no Espaço
Estação Espacial Internacional (ISS): 4
Crew Dragon acoplada à ISS: 1
Soyuz acoplada à ISS: 1
Estação Espacial Tiangong (TSS): 2
Shenzhou atracada na TSS: 1
Artemis II em órbita ao redor da Lua: 1
Esta será a primeira vez que um vaso sanitário sairá da órbita terrestre baixa!
Fonte: CosmoQuest
O vaso sanitário de US$ 30 milhões da cápsula Orion recentemente foi notícia por apresentar uma breve falha. Este vaso sanitário é notável por ser o de tecnologia mais avançada para as situações de microgravidade. A Scientific American explica que os astronautas da Apollo não tinham um vaso sanitário de sucção de alta tecnologia. Eles tiveram que se virar com uma variedade de tubos e bolsas que não funcionavam bem no Espaço. Os astronautas detestavam isso, pois a matéria fecal ocasionalmente escapava e flutuava pela cápsula.
Enquanto o Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos da nave Artemis II continuar funcionando, seus astronautas certamente terão uma boa permanência fora da Terra.
03 abril, 2026
O presente maior
Abre a caixa com o cuidado de quem já aprendeu a não esperar demais da vida. Lá dentro, o tão sonhado iPad.
Mas não é o presente que a desarma.
É a frase acesa na tela.
Ela lê. Hesita. E pergunta, com a voz ainda incrédula:
"Vou ser adotada?"
Naquele instante, o objeto perde o valor.
Porque não há presente maior para uma criança do que deixar de ser só no mundo.
Nascer em uma família bem constituída é uma fortuna silenciosa - dessas que só percebemos quando falta.
Esta é a importância das coisas corriqueiras: exatamente por serem comuns, deixam de ser vistas.
Quem procura alegria e felicidade e não encontra, muitas vezes está sentado sobre elas - distraído, à procura do que já possui.
02 abril, 2026
Vamos falar sobre o violão de sete cordas?
Transcrito de um depoimento (reel) do violonista Yamandu Costa:
"Um grupo de músicos do Pixinguinha encontrou no Largo da Carioca, no centro do Rio, um grupo de músicos ciganos russos tocando na rua, atrás de alguma graninha e tal. E um dos músicos reparou que um dos violões tinha uma corda a mais. O contraponto, como a gente chama no Sul, é o floreio que você pode dar à música. E isso é uma coisa que ficou muito característica dentro do violão de sete cordas. Você pega, por exemplo, um choro (executa trecho). Enfim, é uma maneira de tocar improvisado. E tem mestres que fizeram isso com perfeição. Eu sei que é um instrumento que vai se aculturando, ele não para. Ele vai caminhando e gostando de lugares novos e vai entrando em diversos tipos de músicas diferentes. E vai se aculturandode uma maneira natural. E isso é muito bom, muito interessante."
01 abril, 2026
A sinceridade não é o que se diz
A palavra "sincero" veio de "sine cera" (sem cera). Essa junção de palavras latinas também deu origem a "sincero" (em espanhol), "sincero" (em italiano), "sincère" (em francês), "sincere" (em inglês) e "sincer" (em romeno).
Cícero, em seu tratado "De Amicitia" (Sobre a amizade), a usou com o mesmo significado
A versão mais comum para a origem dessa palavra é que, em Roma, os escultores desonestos, quando esculpiam uma estátua de mármore com pequenos defeitos – trincas ou pequenas imperfeições no material ou na confecção – usavam uma cera especial para ocultar e esconder essas imperfeições nas estátuas e de um modo que o comprador não percebesse.
Com o tempo, as pessoas que compravam essas estátuas descobriam as imperfeições, ou seja, descobriam que era uma escultura "cum cera". Os escultores honestos faziam questão de dizer que suas estátuas eram "sine cera", ou seja, perfeitas, sem defeitos escondidos.
Há ainda outra versão para a origem da palavra. Segundo esta versão, os artesãos romanos fabricavam vasos de cera. Se a cera era de excelente qualidade – pura –, o vaso tinha uma transparência que permitia ver os objetos colocados dentro dele. Os romanos apreciavam muito um vaso assim e diziam que era um vaso que parecia não ter cera, límpido, que deixava ver o que estava dentro dele.
Não importa a versão, com o tempo, a palavra "sincera" passou a ser usada no sentido que é utilizada atualmente e que tem tudo a ver com a história subjacente a seu significado original.
http://www.epochtimes.com.br/conheca-origem-palavra-sincero/
Com toda a sinceridade, nunca encontrei um etimologista de verdade que desse crédito a essa história. A origem do adjetivo latino "sincerus", matriz do nosso, está provavelmente na junção de "sin" (um só) com "cerus" (que cresce, que se desenvolve), resultando na ideia de algo que é sempre igual a si mesmo, sem qualquer impureza, ambiguidade, surpresa. Sua primeira acepção no latim clássico era "puro, que não tem mistura (…), de boa qualidade" (Saraiva).
Sérgio Rodrigues, http://veja.abril.com.br/blog
Verdadera etimología de «sincero»
El adjetivo procede directamente del latín sincēru, y ya al menos Cicerón (siglo i a. C.) lo usó con el mismo significado que se le suele dar hoy en día (DLE: «modo de expresarse o de comportarse libre de fingimiento»), por ejemplo en su tratado De amicitia (Sobre la amistad):
omnia fucata et simulata a sinceris atque veris todo lo fingido y falso puede distinguirse de lo sincero y verdadero.
http://www.delcastellano.com/etimologia-sincero/
Nos dicionários Houaiss e Aurélio não aparecem essas supostas etimologias.
31 março, 2026
O calendário gregoriano
O calendário antigo deve ser o correto, pois os animais ainda o usam. A cegonha voa de acordo com ele, o urso sai da toca no Dia da Candelária (celebrado em 2 de fevereiro, marcando 40 dias após o Natal e o fim do ciclo natalino) do calendário antigo e não do calendário do Papa, e o gado se levanta nos estábulos para honrar o nascimento do Senhor na noite de Natal do calendário antigo e não do novo. Eles também reconhecem nesta obra uma maldade diabólica. O Papa temia que o último dia chegasse muito depressa. Ele criou seu novo calendário para que Cristo se confunda e não saiba quando virá para o Juízo Final, e o Papa possa continuar com suas artimanhas por mais tempo. Que Deus o castigue.
30 março, 2026
Mar de Aral
29 março, 2026
Pandeiro e tamborim
"Viva Meu Samba"
Compositor: Billy Blanco
Violão, pandeiro
O mestre João da Baiana foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba, além de ter sido parceiro de Pixinguinha e Donga - "Pelo Telefone", com os quais formou o Grupo da Guarda Velha.
Nascido no Rio de Janeiro no dia 17 de maio de 1887, João da Baiana protagonizou um dos mais pitorescos episódios de nossa história musical.
Na Festa da Penha de 1908, teve seu pandeiro apreendido pela polícia - o senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o motivo da falta.
Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido pelos policiais, resolveu presenteá-lo com um novo pandeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao João da Baiana - Pinheiro Machado".
Com essa dedicatória ("salvo-conduto") do senador, passou a tocar seu pandeiro, sem que a polícia fosse atormentá-lo!
(extraído de O Som do Animal, no Facebook)
28 março, 2026
Existe sinônimo para a palavra "sinônimo"?
- "semelhante": indica que duas coisas compartilham características parecidas;
- "similar": sugere uma grande semelhança, sem serem idênticas;
- "equivalente": aponta que algo tem o mesmo valor, importância ou significado que outra coisa.
27 março, 2026
O testamento de um médico
O Lancet registra que "os cavalheiros mencionados — eminentes em sua época — renunciaram corretamente aos legados que lhes foram deixados, e nunca pareceu que eles fossem, como São Dunstano e outros santos medievais, atormentados por visitas do outro mundo"."Deixo meu coração ao Sr. W., anatomista; meus pulmões ao Sr. R.; e meu cérebro ao Sr. F., para que os preservem da decomposição; e declaro que, se esses senhores não cumprirem fielmente meus últimos desejos a esse respeito, irei — se for possível por todos os meios — e os atormentarei até que o façam".
26 março, 2026
Ligações telefônicas para clonagem de voz
Uma das táticas utilizadas começa com ligações silenciosas ou muito rápidas. Nessas chamadas, os golpistas conseguem captar trechos da voz de quem atende. Posteriormente, esses áudios são inseridos em softwares capazes de reproduzir a fala da vítima com grande semelhança.
Após criar falsa identidade, os criminosos costumam entrar em contato com pessoas próximas da vítima, relatando emergências financeiras para pressioná-las pelo envio imediato de valores (via Pix, QR Code ou depósitos bancários).
Para se proteger, a recomendação é desconfiar de contatos desconhecidos e não interagir com ligações em que ninguém fala nada do outro lado, evitar compartilhar dados sensíveis e buscar confirmar a identidade por outros meios, como videochamadas.
25 março, 2026
24 março, 2026
Oração do Post Nosso
Acessado seja o vosso conteúdo
Vá a todos o vosso permalink
Assim no Google como no Bing.
O "evergreen content" de cada dia
Perdoai as nossas "trolagens"
Assim como nós perdoamos
E não nos deixeis cair no ranking.
Mas livrai-nos do Malware.
Amém.
23 março, 2026
"Temos uma bruxa!"
"Ela é uma bruxa! Ela é uma bruxa!" - A multidão.
"E por que vocês dizem que ela é uma bruxa?" - Sir Bederberth.
"Porque ela me transformou em um grilo." - Um camponês comum, alvo, aos olhares de todos.
"Mas temos que queimá-la!"
"Sim, queimem-na!"
"Silêncio!... Existem várias maneiras de saber se ela é uma bruxa."
"Ah, é mesmo? Conte-nos!"
"Sim! Conte-nos!"
"E me diga, o que vocês fazem com bruxas?"
"Queimem-nas! Na fogueira!"
"Sim, na fogueira!"
"Espere um minuto, espere um minuto. O que mais queima além de bruxas?"
"Mais bruxas! Madeira!"
"Muito bem. E por que as bruxas queimam?"
"Hum... bem... Porque são feitas de madeira?"
"Exatamente. E como você sabe se é feita de madeira?"
"Queimando?"
"Não, não, não..."
"Fazendo uma ponte com ela?"
"Ah, mas vocês também não fazem pontes de pedra?..."
"E a madeira afunda na água?"
"Não! Ela flutua!"
"Vamos jogá-la no lago!"
"Espera, espera, espera, o que mais flutua na água?"
"Pão! Maçãs! Pedrinhas! Uma faca! Um grilo! Molho verde!"
"Não, não, não... Um ganso!" - Arthur de Pendragon, Rei dos Bretões.
"Exatamente!"
"Então... Se pesa o mesmo que um ganso... hum... é feita de madeira... E, portanto... É uma bruxa!"
"Uma bruxa!"
"Muito bem, vamos usar minha balança."
22 março, 2026
21 março, 2026
Hemisférios
O Hemisfério Norte é o lar de aproximadamente 6,40 bilhões de pessoas, o que representa cerca de 87,0% da população humana total da Terra (de 7,36 bilhões de pessoas). Sua superfície é 60,7% de água, em comparação com 80,9% de água no caso do Hemisfério Sul, e contém 67,3% do território terrestre. Fonte: Wiki
Hemisfério Norte sombreado em azul. Os hemisférios parecem desiguais aqui porque a Antártica não é mostrada.
20 março, 2026
As quatro estações segundo Ver!ssimo
19 março, 2026
Doutor Sabugosa
A viagem começou com um susto. Um DC-3 sobrevivente da guerra, com hélices cansadas. Parecia atravessar décadas. Em Belém, o trem de pouso travou. Um sargento surgiu, voz firme:
· Vamos queimar combustível para evitar incêndio no pouso de barriga!
O avião pousou. As rodas finalmente tocaram o chão.
Baião ficava um dia inteiro rio Tocantins acima. Subimos em lancha da Marinha. À noite, os carapanãs zumbiam alto. O ar estava pesado de umidade. O sono vinha em redes penduradas entre mastros.
Chegamos pelo trapiche, um ancoradouro de madeira. Hospedagem no colégio das irmãs. Dieta de peixe, farinha e mais nada.
Na primeira manhã, após o café com beijú, distribuímos tarefas. Nosso agrônomo falava do milho híbrido. Folhetos, gráficos, slides — o futuro em papel. No Sindicato Rural, formamos a claque. Ele falava de resistência, espigas fartas, colheita dobrada. Seus olhos brilhavam. Desde Fortaleza só falava nisso. Levou o apelido de Doutor Sabugosa.
Encerrada a palestra, o prefeito abriu a palavra. De uma janela, um caboclo se levantou, tímido, chapéu nas mãos:
· Qui mi discupe, vossemecê… mais nóis já provemo desse mio aqui… mais as galinha injetaro ele. Elas num gosta de caroço grande.
Naquele instante, ficou claro que precisávamos aprender a escutar as galinhas.
Coube-me o ofício das consultas. Quinto ano concluído. Gripes, verminoses, pequenas suturas — medicina possível num estojo de remédios. Eu andava com os bolsos cheios de castanhas-do-pará. Sobrevivíamos àquela dieta monótona.
· Doutor, tem um cabeça de siri aí fora querendo se consultar. Já disse que só amanhã, mas ele é um orelha de pau e não entende.
· Qual a queixa dele?
· Fígado zangado com dor de dentro, teve um esquentamento por causa do chicote de chuva da semana passada.
Assim eram os dias tentando adivinhar expressões amazônicas. Entre uma consulta e outra, ajudávamos na roça, aprendíamos a fazer farinha e disputávamos partidas de futebol no campo de terra batida. Os moradores nos ensinavam a tirar leite de castanha e a reconhecer o cantar dos pássaros.
Nem só de verminoses e gripes viviam as consultas. Numa manhã, um rapaz de traços indígenas pediu ajuda para um parto complicado. Descemos o rio numa voadeira. A casa era uma palafita no igarapé. Madeira, folhas de palmeira, chão rangendo. A menina de dezessete anos estava magra, o feto não se movia. O estetoscópio confirmou: o coração não batia. Estava sentado, pélvico. A parteira aguardava. Lembrei dos meus plantões na maternidade, estavam valendo na selva, segui puxando o bebê devagar, para não ferir além do inevitável. Primeiro as pernas, depois o tronco, por fim a cabeça. O choro não veio. A menina chorou baixo. O rapaz recebeu o pequeno corpo embrulhado em pano e permaneceu imóvel. Controlamos o sangramento. Dei instruções de higiene. Pedi que arrancassem uma folha da parede para entrar ar.
O Tocantins parecia mais largo na volta.
As redes balançaram por mais trinta dias. Consultas, carapanãs, futebol com moradores e conversas com o padre local – um holandês magro, de óculos, que trocara Amsterdã pela margem do rio. Falávamos de queijos, de canais e da proverbial mesquinhez dos patrícios. Ele se espantava com nossa falta de pressa e ria da nossa dificuldade em entender o sotaque dos caboclos. Certa tarde, trouxe um queijo amarelo, lembrança da terra, e o partilhamos com os moradores, que estranharam o gosto forte.
A floresta nos ensinou o Brasil, e nós aprendemos que há saberes que os livros ainda não alcançam.
Projeto de mariposa
18 março, 2026
A jornada cósmica do Sol
A mais de 800 mil quilômetros por hora, o Sol está em uma jornada cósmica pela Via Láctea. Mesmo a essa velocidade estonteante, ele leva 225 milhões de anos para completar uma única órbita ao redor da galáxia.
E aqui está a parte mais incrível: ele já fez cada órbita completa 20 vezes, desde que surgiu. Isso significa que, quando os dinossauros dominavam a Terra, o Sol estava em uma região completamente diferente da galáxia.
Agora, faltam cerca de 22 voltas galácticas até ficar sem combustível, expandindo-se em uma gigante vermelha massiva, provavelmente consumindo Mercúrio, Vênus e talvez até a Terra.
17 março, 2026
Redistribuição dos fusos horários no BR
Ilustração por Luciano Amorim no X:
16 março, 2026
Estátua equestre de Marco Aurélio em Roma
A maior parte de estátuas como essa foi derretida e tranformada em moedas, decorações em alto relevo, ou bustos depois que Roma se converteu ao cristianismo, porque pareciam cultivar a idolatria aos mortais comuns.
A estátua de Marco Aurélio escapou porque se pensava que a pessoa representada montada ao cavalo fosse o primeiro imperador cristão,Constantino (272 a 337 d.C.). Somente na Idade Média quando a cabeça da estátua foi comparada com retratos de Marco Aurélio, é que a identificação correta foi feita.
A original está abrigada nos Museus Capitolinos e a versão atual, instalada ao ar livre na Piazza del Campidoglio, é uma réplica feita em 1981, quando a original foi removida para restauro. A obra é de autor desconhecido.
Marco Aurélio Antonino (em latim Marcus Aurelius Antoninus; 26 de abril de 121 — 17 de março de 180), foi imperador romano de 161 até sua morte. Ele era conhecido pela preocupação com o bem-estar público e por seus esforços para humanizar as leis penais. Foi o último dos cinco bons imperadores, e é lembrado como um governante bem-sucedido e culto; dedicou-se à filosofia, especialmente à corrente filosófica do estoicismo, e escreveu uma obra que até hoje é lida, "Meditações". (fonte: Wikipedia)
15 março, 2026
O Bolero de 8 bits de Ravel
Após mais de 1/2 ano para concluir o projeto, foram ainda necessários 9 horas e 42 minutos de gravação de vídeo, 52 canais para as mixagens e 13 "gravatas" diferentes.
Tenho certeza de que, se Ravel ressuscitasse dos mortos, ele acenaria com orgulho para esta tecnológica versão de Akesson para sua criação.
http://wtf.microsiervos.com/eltubo/bolero-8-bits-ravel.html
14 março, 2026
Stølum e os rios
"Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois, na segunda vez, o rio já não é o mesmo, tampouco o homem." Heráclito de Éfeso.
"Os rios atravessam nossas civilizações como fios em um colar de pérolas”, escreveu Olivia Laing. "Há um mistério nos rios que nos atrai, pois eles nascem de lugares escondidos e percorrem as rotas que nem sempre serão as mesmas."
"O tempo é um rio que me arrasta, mas eu sou o rio." JL Borges
"Os rios que atravessam uma cidade também atravessam a infância de quem cresce nela." Renata Rossi
"Conheci rios tão antigos quanto o mundo e mais antigos que o fluxo do sangue nas veias humanas. Minha alma se aprofundou como os rios." Langston Hughes
"Rio, caminho que anda e vai resmungando talvez uma dor." Luís Antônio, em "Eu e o rio"
Em 1996, o geólogo da Universidade de Cambridge, Hans-Henrik Stølum, publicou um artigo anunciando sua descoberta surpreendente de que pi também impulsiona, sempre impulsiona, os caminhos sinuosos dos rios do mundo a continuarem seus meandros aparentemente caóticos — em um padrão matematicamente previsível. Sua simulação, usando dados empíricos e modelagem de dinâmica de fluidos, descobriu que os caminhos oscilantes dos rios — sua sinuosidade, calculada dividindo-se o comprimento real dos meandros do rio pelo comprimento da linha reta traçada da nascente ao mar — têm uma média de 3,14.
13 março, 2026
Um título: duas canções
1 - de Chiquinha Gonzaga (1899)
Um marco na obra de Chiquinha Gonzaga, a marcha Ó abre alas foi composta em 1899, despretensiosamente, para um cordão carnavalesco que ensaiava próximo a sua casa. Sua biografia revela também que foi a primeira música feita especialmente para o carnaval.
2 - de J. Piedade e Jorge Faraj
http://chiquinhagonzaga.com/wp/o-abre-alas-mesmo-titulo-dois-compositores/
Nova ilusão
1 - de Pedro Caetano e Claudionor Cruz
intérpretes: Paulinho da Viola, Zélia Duncan
2 - de Zé Menezes e Luiz Bittencourt
intérpretes: João Gilberto, Os Cariocas
http://blogdopg.blogspot.com/2023/03/novas-ilusoes.html
O que será?
1 - de Chico Buarque
("À flor da terra", no álbum "Meus caros amigos")
Wikipédia
Meu vício é você
1 - de Adelino Moreira
intérprete: Nelson Gonçalves
2 - de Chico Roque e Carlos Colla
intérprete: Alcione
12 março, 2026
Não se pode explodir o Sol
Não se trata apenas de emissões de carbono ou metas climáticas. Trata-se de resiliência, segurança e sobrevivência.
Eis por que uma transição descentralizada, liderada por energias renováveis, é um caminho para a proteção vital e a segurança econômica:
- Fortalecendo a rede: Não se pode "explodir" o Sol. É incrivelmente difícil desativar uma rede descentralizada de milhões de painéis solares em telhados. A energia distribuída é inerentemente mais resistente à sabotagem do que um punhado de usinas térmicas enormes e vulneráveis.
- Acabar com a dependência energética: Conflitos geram bloqueios e colapsos nas cadeias de suprimentos. Um país que produz sua própria energia a partir do sol e do vento não pode ficar refém de rotas marítimas interrompidas ou da volatilidade do mercado de petróleo.
- Soberania econômica: Com a disparada dos preços, as nações que dependem de combustíveis importados enfrentam uma inflação devastadora. A transição para energias renováveis locais funciona como uma proteção contra os impactos de guerras, mantendo os custos previsíveis para as famílias em seus momentos de maior vulnerabilidade.
- Descentralização como defesa: ao eliminar os "pontos únicos de falha", garantimos que hospitais, escolas e residências possam manter o fornecimento de energia mesmo que a rede elétrica nacional esteja comprometida.
11 março, 2026
Ataques crocodilianos
Não dá para dizer que a internet não tem algo para todos.
Parafraseando Blackadder (apud Marca, professora aposentada em Melbourne) quando lhe perguntaram o que fazer, depois de pisar numa mina terrestre:
Se um crocodilo atacá-lo e você não puder correr como se não houvesse amanhã, o protocolo padrão consiste em duas etapas:
- Ser atacado
- Ser comido
10 março, 2026
Asya, a gata
09 março, 2026
Cobogós, brises e muxarabis
Essa peça, que surgiu na indústria da construção pernambucana, acabou fazendo parte de estratégias usadas pelos arquitetos modernistas do século 20 para amenizar o calor em épocas em que o ar-condicionado não havia se popularizado ou sequer sido introduzido no Brasil.
Todos os outros tipos de elementos vazados que vieram depois, com diversos desenhos e formatos, teoricamente não seriam um cobogó.
É um caso de chamar o todo pela parte", explica Borba, doutor em Desenvolvimento Urbano pela UFPE. Algo que acontece ao chamarmos curativos de "band-aid" ou lâminas de barbear de "gilette", por exemplo.
Em suas pesquisas para o livro "Cobogó de Pernambuco", o arquiteto Cristiano Borba encontrou a patente de peça construtiva, datada de 1929.
Apesar de não existir uma explicação registrada sobre a escolha do nome, a história que se conta passa bem longe de uma origem africana ou indígena - como a sonoridade da palavra pode indicar.
O Dicionário Aurélio sacramentou "co-bo-gó", como unindo as iniciais dos três engenheiros residentes em Recife por trás da criação.
- Coimbra (do português Amadeu Oliveira Coimbra).
- Boeckmann (do alemão Ernest August Boeckmann).
- Góis (do pernambucano Antônio de Góis).
Quanto ao brise-soleil (um termo francês que significa "quebra-sol"), ou simplesmente brise, trata-se de um elemento arquitetônico de fachada, projetado para reduzir a incidência direta de luz solar, garantindo conforto térmico, controle de iluminação e privacidade. Composto por lâminas horizontais ou verticais (fixas ou móveis) de metal (alumínio ou aço), de madeira ou concreto, ele é muito utilizado na arquitetura moderna para sombrear e ventilar, além de fazer divisória de ambientes e dar sofisticação estética a edifícios.
Já o muxarabi é uma treliça vazada de madeira, de origem árabe, usada principalmente em janelas, varandas ou fachadas na arquitetura islâmica. (*)
Os muxarabis permitem justamente a entrada de luz e ventilação nas casas.
Para o arquiteto Cristiano Borba, o elemento vazado com essa função sempre esteve presente na história em locais de clima quente, sendo impossível definir quem o criou.
"Isso vai sempre aparecer na Ásia, no Oriente Médio e até na arquitetura indígena", explica.
As principais diferenças entre esses elementos arquitetônicos são o material utilizado e a estética: cobogó é bloco industrializado (de concreto, cerâmica ou vidro), brise é de metal metal ou madeira e muxarabi é madeira trabalhada.
Depois de cair em certo esquecimento, estes dois elementos vazados foram redescobertos por arquitetos nos últimos anos. E são apreciados pelo potencial de refrescar ambientes em tempos de calor extremo.
Fonte: https://www.bbc.com e outras
08 março, 2026
Robôs que realizam demonstração de kung fu artístico
Este vídeo da China Global Television Network (CGTN), em circulação nas redes sociais e que está agora no YouTube, foi um dos destaques do Festival de Gala da Primavera de 2026, transmitido pelo China Media Group. Nele, um grupo de robôs humanoides realiza - sem truques nem artifícios* - uma demonstração de rotinas sincronizadas de artes marciais, ao lado de crianças praticantes de kung fu.
07 março, 2026
O Mata-sete
— É você, Ribamar? Já voltou tão cedo?
Ele nem responde. Entra atropelando tudo, direto para o banheiro, deixando um rastro de odor fétido e humilhação. Lá de dentro, entre gemidos de alívio e vergonha, vem o desabafo:
— Fiz nas calças, mulher! O maior vexame da minha vida! Recusei duas corridas no caminho porque não podia parar o táxi. Estava todo cagado...
Naquele dia, levantou cedo para a feira em Floriano. Na estrada, viu um carro enguiçado e três homens acenando. Parou, crente de que a sorte o visitava. Um com maleta e dois com sacolas subiram no carro.
O mais falante, que parecia o chefe, sentou-se à frente. Mal o Fusca arrancou, ele resmungou:
— Mata-sete, mostra a escopeta pro motorista. Ele quer ver a grossura do cano.
Ribamar gelou. Olhou pelo retrovisor: roupas amarrotadas, malas suspeitas. O coração começou a tamborilar.
— Não, senhor! Não quero ver! — gaguejou, tremendo tanto que o volante parecia vivo.
O bandido deu uma risada intimidadora:
— Vamos aproveitar o táxi e fazer mais um serviço em Guadalupe. Você passa a escopeta para o motorista, ele dá cobertura. Em seguida, escondemos o dinheiro na casa dele.
O da maleta, o tal Mata-sete, alertou:
— Rubens... cuidado.
— Cuidado o quê? Com quatro assaltantes fica mais fácil!
Humberto, o terceiro, completou:
— Precisamos esconder o dinheiro e as armas em sua casa, sim, senhor.
Ribamar sentiu o mundo girar. Pensou no filho que ia nascer, na mãe velha, na própria vida por um fio. Invejava o burrinho magro à beira da estrada. Queria ser qualquer coisa — preá, sabiá, pedra — menos refém daquelas feras.
Agarrava o amuleto com tanta força que rasgou a camisa.
— Muyrakitan katu!
— Muyrakitan katu!
Repetia sem parar.
O Fusca trepidava nas costelas do chão de terra. O sol piauiense já transformava o carro numa fornalha. Foi então que o corpo de Ribamar cedeu. O inevitável aconteceu: o medo tomou conta, e o que devia ficar firme se soltou.
— Que cheiro de merda é esse? — berrou o chefe, quase cambaleando. — Está fazendo carreto de esterco, motorista?
— Não, senhor - respondeu Ribamar com calma súbita, a calma dos derrotados. — É bosta própria. Me distraí com a elevada palestra de Vossa Excelência e afrouxei... "os ânus". Coragem para assalto eu ainda não tenho muita. E não posso ir ao banco de Guadalupe, não. Recebi carta de cobrança. Estou com três prestações do carro atrasadas!
A fedentina se espalhou rapidamente, insuportável no calor fechado. Os bandidos tossiram, xingaram, abriram as janelas, lutando por oxigênio. Não aguentaram. Mandaram parar e desceram em debandada, sumindo pelo mato, fugindo do cheiro da morte - que, afinal, era apenas o cheiro da vida em pânico.
Ribamar, aliviado em todos os sentidos, fez o caminho de volta... cagado, mas finalmente em paz.
06 março, 2026
É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?
Mas eu não deveria precisar da palavra dele, nem do lema corporativo do Google, nem da Magna Carta, nem do Tratado de Waitangi para me proteger do meu termostato. Meu termostato antigo não era tão assustador assim! Era burro demais para dedurar. E ninguém conseguia ouvi-lo gritar.
Este novo termostato, por outro lado, tem advogados, assessores de imprensa, uma política de privacidade, está por aí escrevendo posts para o blog e possivelmente comendo a minha pizza que sobrou. Parece mais um colega de quarto suspeito do que um termostato.
Deixe-me esclarecer o que me preocupa aqui. Não tenho medo dos meus eletrodomésticos. Não tenho medo de que o Google me mande para o Googlag para minerar bitcoins.
Nem temo uma Nova Zelândia maior, embriagada pela vigilância eletrônica, expandindo-se agressivamente para controlar a região do Pacífico. Isso sim seria uma mudança bem-vinda! Se acontecer, estarei esperando nos cais de São Francisco, com uma cesta de abacates, pronto para receber nossos senhores neozelandeses.
O que me assusta é a sociedade em que já vivemos. Onde pessoas como você e eu, se permanecermos dentro das regras, podemos desfrutar de vidas confortáveis e relativamente fáceis, mas que Deus ajude quem for considerado fora dos limites. Essas pessoas sentirão todo o poder do Estado moderno e altamente tecnológico.
Considere seus vizinhos do outro lado do Mar da Tasmânia, administradores de um continente vazio, que estabeleceram campos de internação nas partes mais remotas do Pacífico por medo de que alguns milhares de indigentes chegassem de barco, aceitassem empregos de baixa remuneração e, assim, destruíssem sua sociedade.
Ou o país em que vivo, onde temos um consenso bipartidário de que a única maneira de preservar nossa liberdade é pilotar aviões controlados remotamente que ocasionalmente lançam bombas sobre crianças . É coisa de Dostoiévski.
Só que Dostoiévski precisou de um calhamaço para abordar a questão: "É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?" E os americanos, um povo mais prático, responderam a isso em duas palavras: "Claro que sim!"
Em sua palestra de ontem, Erika Hall questionou o que Mao ou Stalin poderiam ter feito com os recursos da internet moderna. É uma boa pergunta. Se analisarmos a história da KGB ou da Stasi, veremos que elas consumiam recursos enormes apenas para manter e cruzar informações de suas montanhas de papelada. Há uma passagem em Admirável Mundo Novo, de Huxley, onde ele menciona "800 metros cúbicos de fichários" na fábrica de bebês eugênicos. Imagine o que Stalin poderia ter feito com um servidor MySQL decente.
Ainda não vimos do que um governo verdadeiramente ruim é capaz com a tecnologia da informação moderna. O que os governos bons conseguem fazer já é suficientemente assustador.
Não estou dizendo que não podemos ter a internet divertida da próxima geração, onde todo mundo usa óculos de realidade virtual e tem conversas profundas com a geladeira. Só estou dizendo que não podemos improvisar como temos feito até agora e esperar que tudo se resolva sozinho.
A boa notícia é que se trata de um problema de design! Vocês são todos designers aqui — podemos tornar isso divertido! Podemos construir uma internet distribuída, resiliente, irritante para governos do mundo todo e livre no melhor sentido da palavra, como sonhávamos nos anos 90. Mas isso exigirá esforço e determinação. Significará abandonar a vigilância em massa permanente como modelo de negócio, o que será doloroso. Significará aprovar leis em um sistema jurídico esclerosado. Será preciso muita insistência.
Mas se não projetarmos essa internet, se simplesmente continuarmos a construí-la, eventualmente ela atrairá pessoas notáveis e visionárias. E não gostaremos delas, e isso não fará diferença.
Precisei me estender nesse desabafo porque não sabemos muito sobre a segunda metade da vida de Termen. Ele não gostava de falar sobre isso.
A Segunda Guerra Mundial salvou sua vida. Ele foi designado para trabalhar em uma instituição que só a União Soviética poderia ter inventado, uma prisão repleta dos maiores engenheiros e especialistas em aerodinâmica do país.
Após a guerra, ficou claro que ele trabalhou em muitos dispositivos de escuta. Além de "The Thing", ele desenvolveu um sistema ainda mais inovador chamado Buran, que captava as vibrações em um vidro de janela refletindo um feixe de luz nele. Isso ainda é tecnologia de ponta hoje em dia. Termen construiu um microfone a laser antes mesmo de existirem lasers ou correção digital de ruído. Isso lhe rendeu o Prêmio Stalin e sua liberdade.
Stalin não sabia que Buran estava sendo usado contra ele, pelo seu próprio chefe de segurança. Esses bolcheviques malucos!
Termen estava agora livre, mas aquela mancha em sua ficha criminal o tornava inelegível para emprego. Então, ele voltou a trabalhar na KGB.
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 9.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.
05 março, 2026
Parélio
04 março, 2026
Dicas antiéticas
- Derrame a bebida no assento à sua frente no cinema para evitar que as pessoas bloqueiem sua visão.
- Se você estiver preso em uma ligação chata, coloque o telefone no modo avião em vez de apenas desligar. A outra pessoa verá "chamada falha" em vez de "chamada encerrada".
- Se a pessoa sentada à sua frente em um vôo reclinar o assento totalmente para trás e deixá-lo sem espaço, ligue o ar-condicionado acima de você no máximo e aponte-o para o topo da cabeça dela.
- Guarde os cartões de visita das pessoas de quem você não gosta. Se você alguma vez acidentalmente bater num carro estacionado, basta escrever "desculpe" na parte de trás e deixá-lo no para-brisa.
- Furte um cone de tráfego e carregue-o no porta-malas, caso precise reservar uma vaga de estacionamento realmente privilegiada.
- Se você for pego dormindo em sua mesa no trabalho, diga: "Eles me disseram no banco de sangue que isso ia acontecer!" quando perguntado por um motivo.
- Despeje vinho barato em garrafas caras para servir a seus convidados, a fim de fazê-los pensar que você está servindo coisas "premium". Eles não saberão a diferença.
- Quando você der um cartão-presente de presente a alguém, anote o número e o código do cartão. Depois de um ou dois anos, verifique o saldo e, se ainda não o tiver feito, use você mesmo. Eles obviamente não saberão ou se importarão.
- Em seu último ano de faculdade, "perca" sua carteira de estudante e obtenha uma nova. A data de vencimento será redefinida e você poderá obter mais 4 anos de descontos.
- Doe para abrigos de sem-teto na próxima cidade. A maioria dos desabrigados tende a ir onde há serviços disponíveis, e isso reduzirá o número de desabrigados em sua cidade.
- Ao esmagar um travesseiro de espuma viscoelástica, solte um pum enquanto ele se expande: ele sugará o flato por cerca de 5 minutos; então, quando a próxima pessoa colocar a cabeça no travesseiro, os odores dos gases serão liberadas ao redor da cabeça dessa pessoa.
- O melhor lugar para mascarar os flatos é na enfermaria da Gastrenterologia. Todo mundo pensará que são os pacientes. (Unethical Life Hacks)
03 março, 2026
Viaji pru nor-di-Minas
Bate e volta.
Vá sem pressa, parando e comendo.
Na volta, comendo e parando.
Pegue o desvio para Cordisburgo e compre lá as famosas fatias.
Guimarães Rosa ficou inteligente por causa delas.
Compre umas dez de uma vez.
Dê só a seus inimigos. Ficarão seus amigos.
Ô diabo de fatia boa!
Depois, de Curvelo para BH pare na Fazenda Jasdan, do Onofre Ribeiro, o maior criador de gado indiano do mundo.
Compre o creme de milho da Cida.







