Séculos depois, os vampiros apareceram no folclore eslavo e dos Bálcãs, já com algumas das características que hoje associamos à sua figura contemporânea: cadáveres reanimados que não suportavam a luz do sol, a aproximação de um crucifixo e, claro, o alho.
A primeira figura do tipo a surgir na literatura inglesa apareceu em 1819, na pele do aristocrata Lord Ruthven, personagem do conto "O Vampiro", de John Polidori. Na sequência: "Varney, o Vampiro" (1847), de James Malcolm Rymer, e a novela "Carmilla", de Joseph Sheridan Le Fanu, na qual a personagem principal é uma vampira.
O personagem que inspirou o romance do irlandês Bram Stoker foi o Príncipe Vlad 3º (ca. 1428-1477), que reinou com crueldade extrema na Valáquia, atual Romênia: a ele se atribuem mais de 80 mil mortes. Como ostentava a Ordem do Dragão (em romeno, Dracul), Vlad foi apelidado Drăculea (Filho do Dragão).
Cerca de 550 anos atrás, ele mandou empalar milhares de presos otomanos, também crianças. Esse suplício consistia em introduzir uma estaca ou lança pelo ânus da vítima e deixá-la morrer lenta e dolorosamente por hemorragia.
A "vampiromania" atingiu um outro patamar com a invenção do cinema. Conde Drácula, por exemplo, já estrelou centenas de filmes, tornando-se, segundo levantamentos, o personagem literário mais retratado no cinema depois de Sherlock Holmes.
A partir de 1931, Bela Lugosi passou a incorporar o sinistro e cruel "Drácula, o Príncipe das Trevas". A tal ponto que, com o decorrer dos anos, o ator hollywoodiano de origem húngara passou a se considerar, cada vez mais, um verdadeiro vampiro. Desde Lugosi, os vampiros da tela são cultos e cavalheirescos, marcados por uma boa dose de charme e carisma.
Quando a série "Crepúsculo" (Twilight) mais uma vez transformou em entretenimento – e bilheteria milionária – o mito dos mortos-vivos sugadores de sangue. Com filmes, baseados nos best-sellers da norte-americana Stephenie Meyer, que injetam um forte componente de erotismo adolescente na narrativa. E, assim, a pálida e confusa saga cinematográfica é a versão contemporânea de uma lenda com longa tradição.









