Mostrando postagens com marcador personalidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador personalidade. Mostrar todas as postagens

22 abril, 2025

Fulleragens

Quando criança, Richard Buckminster Fuller (1895 - 1983) tentou inúmeras variações de seu nome. Finalmente, ele estilizou-o para R. Buckminster Fuller.
As moléculas de carbono conhecidas como fulerenos (imagem ao lado) foram assim nomeadas por sua semelhança estrutural e matemática com o domo geodésico que ele popularizou.
As palavras "para baixo" e "para cima", de acordo com Fuller, são estranhas, pois se referem a um conceito plano de direção, que é inconsistente com a experiência humana. Em vez disso, as palavras "para dentro" e "para fora" é que deveriam ser usadas, porque descrevem melhor a relação de um objeto com o centro gravitacional da Terra.
Fuller também ajudou a popularizar o conceito de Nave Espacial Terra. "O fato mais importante sobre a Nave Espacial Terra: um manual de instruções não veio com ela."

19 novembro, 2024

A fortuna de JK

A análise mais recente da revista Forbes (via Insider) estimou a fortuna de JK em torno de  US$ 650 milhões. Já o New York Times aponta para um patrimônio líquido de cerca de US$ 1,2 bilhão.
Você faz ideia de quanto é isso?
Olhe, JK Rowling tem tanto dinheiro, mas é tanto dinheiro que poderia doar a metade a cada ano e nem assim esse dinheiro iria acabar.
Chi, compliquei!


16 fevereiro, 2024

O quêfobo Itamar Espíndola

Itamar Santiago de Espíndola (1917 - 1992) foi um advogado e escritor cearense. Membro dos mais atuantes da Academia Cearense de Letras, era um estudioso da Língua Portuguesa e tinha uma marca: ser quêfobo. Itamar escrevia sobre os mais diversos assuntos (pois era um polígrafo) sem utilizar-se do monossílabo "que".
Conheci Itamar Espíndola no Centro Médico Cearense, em 1982. Ao partiparmos de uma mesa-redonda de uma campanha (da qual fui um dos organizadores) contra o tabagismo. Em sua elocução, a par dos conhecimentos jurídicos demonstrados, Itamar mostrou possuir também o dom de grande orador.
Tempos depois, digitei e divulguei no Blog EM o texto "Números brincões", de autoria dele, o qual havia sido originalmente publicado a 09/04/88, em sua coluna "Vinhetas", no caderno "Fame" do jornal "O Povo". Como era do estilo de Itamar, o texto não apresenta a palavra "que", partícula considerada por ele como afeadora da Língua Portuguesa.

Relacionadas
A escrita logogenética: http://blogdopg.blogspot.com/2020/07/a-escrita-logogenetica.html
Oulipo: http://blogdopg.blogspot.com/2015/08/prazeres-singulares.html
Twitter: http://blogdopg.blogspot.com/2014/06/o-que-eu-teria-escrito.html
O lipograma: http://blogdopg.blogspot.com/2017/11/o-lipograma.html

30 junho, 2023

Capitão Boycott

Charles Cunningham Boycott nasceu em Norfolk, Inglaterra, no ano de 1832. A partir de 1850, serviu ao Exército Britânico no 39º Regimento de Infantaria. 
Em 1872, vai à Irlanda trabalhar como Agente de Terras para Lorde Erne, um latifundiário local. Boycott também cultivava suas próprias terras.
Passando por dificuldades, os camponeses locais pediram a ele uma redução em seus aluguéis. Boycott não só recusou como deu início a processos de despejo.
A Liga Irlandesa da Terra então iniciou uma campanha para proteger os inquilinos da exploração, assegurando-lhes um aluguel justo.
Quando Boycott tentou se contrapor à campanha, a Liga lançou um movimento para isolá-lo na comunidade local:
  • Os vizinhos não lhe falariam. 
  • As lojas não lhe serviriam. 
  • Na igreja, não lhe falariam nem se sentariam perto dele.
Um regimento de 1.000 homens da organização policial "Royal Irish Constabulary" foi enviado para proteger suas plantações. E o episódio todo custou ao governo britânico cerca de 10.000 Libras, para proteger as 350 Libras que valeriam sua colheita de batatas, segundo a estimativa feita pelo próprio Boycott.
Em 1947 a história do capitão Boycott foi tema do filme "Captain Boycott".

Seu nome deu origem em inglês ao verbo "boycott", que significa colocar em ostracismo. Em português: "boicote".

11 novembro, 2022

Morre um pouco da alma brasileira

Rolando Boldrin (22 de outubro de 1936, São Joaquim da Barra/SP - 9 de novembro de 2022, São Paulo/SP), apresentador, ator, cantor e compositor brasileiro.
Boldrin debutou na música, em 1960, como participante do disco de sua futura esposa, que se tornou sua produtora na época, Lurdinha Pereira. Em 1974, lançou seu primeiro disco solo, pela Continental, "O Cantadô".
Boldrin gravou principalmente toadas, cateretês e músicas de viola. Um de seus maiores sucessos foi "Vide Vida Marvada", de 1981: "É que a viola fala alto no meu peito humano / E toda mágoa é um mistério fora desse plano". 
Como ator de televisão, entre as décadas de 1960 e 1980, Boldrin atuou em diversas novelas das TVs Record, Tupi e Bandeirantes (em aproximadamente 30 novelas). Ele atuou ao lado de Lima Duarte, Laura Cardoso e muitos outros nomes.
E foi pioneiro da apresentação televisiva da autêntica música popular. Esteve à frente dos programas Som Brasil (TV Globo, 1981-1984), Empório Brasileiro (TV Bandeirantes, 1984-1986), Empório Brasil (SBT, 1989-1990) Estação Brasil (TV Gazeta c/ Rede CNT, 1995-1996). Seu ultimo trabalho como apresentador foi no programa Sr. Brasil (2005-2022) pela TV Cultura de São Paulo.


Boldrin no "Som Brasil", com o compositor cearense Luiz Sérgio, autor de "Saúde de Ferro"

Em 2010, foi homenageado no carnaval de São Paulo pela "Pérola Negra", escola de samba de Vila Madalena, com o enredo "Vamos tirar o Brasil da gaveta".
Aproveitando o espaço que dispunha na televisão, foi um dos maiores divulgadores da música regional brasileira. Rolando Boldrin contava "causos", dançava e exibia peças teatrais e pequenos documentários. Mas o destaque eram as atrações musicais, cujo repertório incluía músicas de cantores e compositores que tinham como fonte a cultura popular brasileira.
Ele morreu ontem, aos 86 anos.

Arquivo
https://blogdopg.blogspot.com/2018/11/a-chegada-de-suassuna-ao-ceu.html
https://blogdopg.blogspot.com/2020/01/adeus-menino-passarinho.html

14 outubro, 2022

Espelhos mágicos - 1

1 de 3
John Dee (retrato) era um tipo histórico de Jekyll e Hyde - gigante intelectual ou charlatão sombrio, dependendo do seu ponto de vista. Nascido em 1527, quando a Inglaterra estava gostando desse florescimento da arte (a qual chamamos de Renascimento), ele treinou com a cientista e fabricante de instrumentos técnicos Gemma Frisius, em Lovaina, nos Países Baixos e passou a ser um distinguido matemático.
Conselheiro pessoal e escritor oficial de "documentos de posição" técnicos sobre assuntos de política de navegação e marítima para a Rainha Elizabeth I, sua opinião foi buscada pelo governo Tudor no investimento em novas tecnologias e projetos para farejar metais.
O prefácio de Dee para a primeira edição em língua inglesa dos "Elementos de Geometria", do matemático grego Euclides (1570), editado por Sir Henry Billingsley, é considerado uma referência histórica nas aplicações da matemática pura em ciência e tecnologia.
Por outro lado, Dee associou-se a "skryvers" de má reputação, ou médiuns espirituais, como William Backhouse e Edward Kelley, e era amplamente conhecido em sua vida como um "conjurador notório". (*) Ele lançou horóscopos, mergulhou na alquimia e participou de elaboradas tentativas de adquirir conhecimentos consultando espíritos convocados com auxílio de bolas de cristal, feitiços e encantamentos derivados de manuscritos misteriosos.
1580. John Dee tornou-se um dos poucos plebeus visitados pela rainha Elizabeth. Poucas horas depois da morte da segunda esposa de Dee, a rainha e todo o seu conselho privado apareceram à sua porta. Dee tentou entretê-la usando o "espelho mágico" que ele havia recebido de Sir William Pickering, que antes fora o pretendente de Elizabeth. O espelho, feito de obsidiana altamente polida (vidro vulcânico), foi um dos muitos objetos e tesouros mexicanos trazidos para a Europa após a conquista do México por Cortés, entre 1527 e 1530.
Dee se tornou um "mágico" de cultura popular. Ele faz uma aparição no filme "Jubilee" (Jubileu), de Derek Jarman, concedendo a Elizabeth I uma visão de como será Londres na década de 1970.

(*) O biógrafo Benjamin Woolley juntou as evidências muitas vezes contraditórias dos restos fragmentários sobre a vida de Dee com considerável circunspecção, para que o leitor possa decidir por si mesmo em qual Dr Dee eles preferem acreditar. "The Queen's Conjuror: The Science and Magic of Dr Dee", por Benjamin Woolley. 394p. HarperCollins

Extraído de: The science of spiritualism, por Lisa Jardine, The Guardian

(Seria de obsidiana o espelho utilizado pela madastra da Branca de Neve?)

29 agosto, 2021

Jogo do bicho

- Etelvina!
- O que é, Morengueira?
- Acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar.
(samba de breque "Acertei no milhar",de Wilson Batista e Geraldo Pereira, gravado por Moreira da Silva em 1958)



A origem do jogo do bicho remonta ao fim do Império e início do período republicano. Jornais da época contam que, para melhorar as finanças do jardim zoológico localizado no bairro da Vila Isabel, que estava em dificuldades financeiras, João Batista Vianna Drummond, um senhor de terras e escravos, criou uma loteria em que o apostador escolhia um entre os 25 bichos do zoológico.
Cada bicho era representado por quatro números consecutivos compreendidos entre 00 e 99. Havia 25 bichos numerados de 01 até 25 por ordem alfabética. Os números de 00 a 99 correspondiam aos 25 bichos conforme uma progressão aritmética, calculando o próximo múltiplo de quatro. Por exemplo, o camelo (8) é 29-32, e a vaca (25), 97-00 (hoje, o bicho correspondendo a um número entre 0000 e 9999 é indicado pelos dois dígitos finais.). Ao final do dia, os organizadores do jogo revelavam o nome do bicho vencedor e afixavam o resultado num poste, o que até os dias de hoje continua sendo feito.
O jogo do bicho tem algumas regras que estipulam limites nas apostas: um exemplo é a "descarga" de alguns números muito apostados, como o número do túmulo de Getúlio Vargas ou número do cavalo no dia de São Jorge. Para alguns organizadores, os números muito jogados são cotados a fim de evitar a "quebra da banca". 
 Apesar de sua popularidade e de ser tolerado por muitas autoridades, o jogo do bicho é uma contravenção no Brasil. Como forma de se legitimar perante a sociedade, os banqueiros de jogo do bicho procuram vincular-se às escolas de samba de suas áreas de atuação, o que também poderia ser usado, segundo alguns, como forma de lavagem do dinheiro da contravenção.Wiki

24 maio, 2021

De Lord Kelvin ao Google

"Quando você mede o que está falando e o expressa em números, você sabe algo sobre isso. Mas quando não pode expressá-lo em números, seu conhecimento é de um tipo escasso e insatisfatório."
William Thompson, Lord Kelvin *

O GOOGLE em números:


O gigante das buscas já usou 6006.13 (em dobro) para pagar uma recompensa.

* Lord Kelvin (26 de junho de 1824 - 17 de dezembro de 1907) - Nascido como William Thomson, tornou-se um influente físico, matemático e engenheiro que foi descrito como um Newton de sua época. Na Universidade de Glasgow, na Escócia, ele foi professor por mais de meio século. Suas atividades iam desde ser o cérebro por trás da colocação de um cabo telefônico transatlântico até a tentativa de calcular a idade da Terra a partir de sua taxa de resfriamento. Em 1892, quando foi nomeado Barão Kelvin de Largs, ele escolheu o nome do rio Kelvin, perto de Glasgow. E o nome que ele escolheu para si mesmo representa mais do que apenas uma escala de temperatura.

03 abril, 2021

Um estatístico acidental

George E. P. Box (18/10/1919, Kent, Inglaterra – 28/03/2013, Madison, Wisconsin), após ser longamente aplaudido de pé, por uma multidão de centenas de fãs, no JMP Discovery Summit, em 2009, onde fora discursar sobre suas relevantes contribuições na área da Estatística:
"Eu me sinto como o filho do sultão em seu 21º aniversário quando foi presenteado com 21 virgens. Eu sei o que fazer. Só não sei por onde começar!"
\o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o /

An Accidental Statistician
George Box, 2010
😃 Eu quero contar como eu virei um estatístico. Eu nasci, é claro, na Inglaterra, e em 1939 ... quando a guerra estourou em setembro daquele ano, embora eu estivesse perto de me formar em Química, abandonei o curso e entrei para o Exército. Eles me colocaram no Engineers (e quando vejo uma ponte, ainda me pego calculando onde colocaria as cargas para explodi-la).
Antes que eu pudesse realmente fazer qualquer coisa, fui transferido para uma estação experimental altamente secreta no sul da Inglaterra. Na época, eles bombardeavam Londres todas as noites, e nosso trabalho era ajudar a descobrir o que fazer se, uma noite, eles usassem gás venenoso.
Alguns dos melhores cientistas da Inglaterra estavam lá. Fiz muitos experimentos com pequenos animais, eu era um assistente de laboratório fazendo determinações bioquímicas, meu chefe era um professor de fisiologia fardado de coronel, e eu estava fardado de sargento.
Os resultados que estava obtendo eram muito variáveis e disse ao meu coronel que o que realmente precisávamos era de um estatístico.
Ele disse: "Não podemos conseguir um, o que você sabe sobre isso?" Eu respondi:"Nada, uma vez tentei ler um livro de alguém chamado Fisher, mas não entendi". Ele prosseguiu: "Você leu o livro, é melhor entendê-lo", então eu disse: "Sim, senhor". [...]

01 abril, 2021

Norman Abramson, o pioneiro das redes sem fio

Norman Abramson (nascido em 1.º de abril de 1932), cientista da computação estadunidense que criou o ALOHAnet, a primeira rede de dados moderna, que formou a base dos protocolos essenciais na Ethernet, agora em amplo uso.
O ALOHAnet, ou simplesmente ALOHA (Additive Links On-line Hawaii Area), tornou-se operacional em junho de 1971, fornecendo a primeira demonstração pública de uma rede de dados por pacotes sem fio.
Operando inicialmente a 9600 bits por segundo, o ALOHA utilizou o rádio para fornecer uma rede de dados comutada por pacotes sem fio entre várias ilhas do Havaí. Suas inovações incluíam os primeiros sensores de rádio por pacotes, os primeiros repetidores de rádio por pacotes, a primeira rede de pacotes por satélite e o primeiro acesso por rádio à Internet.

Biografia

N. do E.
Aloha é uma palavra da língua havaiana usada para cumprimentar ou se despedir de alguém. Esta palavra está imbuída de algumas características do povo havaiano como a amizade, a hospitalidade e a cordialidade.

Humor sem fio: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7

15 março, 2021

Lamartine Babo

"Quero o programa de calouros com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando, um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso."
Nonato Buzar - Chico Anysio, "Rio antigo"

Lamartine de Azeredo Babo (Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1963) foi um compositor popular brasileiro.
Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso".
Numa outra, o entrevistador pergunta qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um… Uns desejam ir ao céu… já que atuam no éter… Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter… Os pensamentos da classe são éter… ó… gênios…" - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".
E aconteceu também o caso dos correios:
Lalá foi enviar um telegrama, o telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega:
"Magro, feio e de voz fina".
Lalá tirou o seu lápis e bateu:
"Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista"

Caricatura: Evolução do estilo (década de 40), de Nássara

Arquivo:

27 fevereiro, 2021

O pai da segurança no trânsito

O homem que inventou o sinal de PARE e também a faixa de pedestres, a rua de mão única, as rotatórias, o ponto de táxi e muito mais - era um americano chamado William Phelps Eno, nascido em 1858. Ele viveria até dezembro de 1945 e, em seus 87 anos de vida, ele criou muitas inovações para o tráfego.
Eno afirmava que, para realizar algo que valesse a pena, três coisas eram necessárias:
1. Devemos ter regras concisas, simples e justas, de fácil compreensão, obedecidas e aplicadas sob promulgação legal.
2. Essas regras devem ser colocadas e divulgadas de maneira que não haja desculpa para não conhecê-las.
3. A polícia deve estar habilitada e ordenada para cumpri-los, e os homens devem ser treinados para esse fim.
Mas... uma coisa que ele não fez. William Phelps Eno nunca aprendeu a dirigir.
Oops!
Carteira de motorista honorário de William Phelps Eno, emitida por A. Bertillon, Préfecture de Police, Nancy, França, 1912.

+ revelações do EntreLeaks: Pilotagens e Treinamento avançado

08 fevereiro, 2021

Afinal de que país é Tim Maia?

"Babu é o Tim Maia brasileiro." ~ Latino, em "Altas Horas" (23/01/2021)

(TM, antes de Latino falar)
(TM, depois de Latino falar)

O ex-BBB Babu foi o ator principal da cinebiografia de Tim Maia. Tem como juntar uma mesinha com Jobim, Elis, Tim Maia e expulsar o Latino da sala?

Foto histórica: ases da música brasileira
Alcione-Tim Maia-Beth Carvalho-Martinho-João Nogueira

06 fevereiro, 2021

Arquivo Z

Z de Ziraldo, cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro.
Ziraldo Alves Pinto nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome de batismo vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, e de seu pai, Geraldo. Desde criança já mostrava talento para o desenho. Com seis anos, ele teve um de seus desenhos publicado no jornal "Folha de Minas".
Criador de A Turma do Pererê, que foi publicada primeiramente em cartuns em 1959, nas páginas da revista "O Cruzeiro". Depois, sob o nome de "Pererê", passou a ser publicada mensalmente a partir de outubro de 1960 até abril de 1964. "Pererê", que foi a primeira revista brasileira de histórias em quadrinhos totalmente colorida, conquistou rápido sucesso no Brasil. O que permitiu que fossem publicadas 43 edições em sua primeira série, com tiragens de 120 mil exemplares em média.
Em 1975, as histórias em quadrinhos com os personagens da Mata do Fundão voltaram a ser publicados, com o título de "A Turma do Pererê", pela Editora Abril. No entanto, esta segunda série foi cancelada em 1976, com apenas 10 edições. Desde então os quadrinhos do Pererê passaram a ser apenas republicados em almanaques nos anos seguintes, com poucas histórias ainda inéditas. Até que, em 1980, Ziraldo passou a dedicar-se às histórias do Menino Maluquinho.
Ziraldo Pinto foi também um dos fundadores do hebdomadário O Pasquim, (1969), um porta-voz da contracultura e da indignação intelectual com o regime militar, e do semanário Bundas (1999), uma sátira ao mundo das celebridades exposto em "Caras" ("Quem mostrou a bunda em Caras, não mostrará a cara em Bundas", segundo ele).


Principais personagens do Pererê
Saci 
Boneca de Piche http://blogdopg.blogspot.com/2009/01/alm-de-coice-queda.html
Tininim (indiozinho)
Tuiuiú (indiazinha) http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/a-fama-obriga.html
Moacir (jabuti) http://blogdopg.blogspot.com/2020/07/jabuti-em-foco.html
Galileu (onça)
Geraldinho (coelho)
Alan (macaco)
Pedro Vieira (tatu)

24 outubro, 2020

O Incrível Randi (1928 - 2020)

O canadense James Randi, um mágico que dedicou seu formidável conhecimento à investigação das alegações paranormais, da cura pela fé, das aparições de OVNIs e das diversas variedades de engano, trapaça, chicana, farsa - enfim, do charlatanismo absoluto, como ele frequentemente achava por bem chamá-las, morreu nesta terça-feira (20) em sua casa em Plantation, Flórida. Ele tinha 92 anos.
Sua morte foi anunciada pela Fundação Educacional James Randi.
Ao mesmo tempo élfico e mefistofélico, com uma espessa barba branca e olhos penetrantes, o Sr. Randi - conhecido profissionalmente como o Incrível Randi - foi o pai do movimento cético moderno. Assim como o biólogo e autor Thomas Henry Huxley havia feito no final do século 19 (embora com muito mais entusiasmo), ele assumiu como missão levar o mundo do racionalismo científico aos leigos.
O que turvava seu sangue e era o ímpeto que impulsionava sua existência, dizia Randi com frequência, era a pseudociência, em toda a sua irracionalidade imoral.
"Pessoas que estão roubando dinheiro do público, enganando-os e desinformando-os - esse é o tipo de coisa que tenho lutado toda a minha vida", disse ele no documentário de 2014, "An Honest Liar", dirigido por Tyler Measom e Justin Weinstein. "Os mágicos são as pessoas mais honestas do mundo: eles dizem que vão enganá-lo e então o fazem."
O Sr. Randi começou sua carreira no final dos anos 1940 como um ilusionista e artista de fugas espetaculares. Em uma ocasião, ele se livrou de uma camisa de força enquanto balançava de cabeça para baixo sobre as Cataratas do Niágara; em outra, depois de permanecer quase uma hora dentro de um grande bloco de gelo ("uma coisa fácil", disse ele mais tarde); e, numa terceira ocasião, de outra camisa de força, suspensa na Broadway, na qual ele foi pendurado, como relatou o The New York Herald Tribune, como "um grande atum morto".
"Eu queria quebrar seus recordes",, disse Randi no filme, invocando o mestre, Houdini. "Eu queria ficar em um caixão de metal lacrado por mais tempo do que ele, sair de uma camisa de força mais rápido do que ele, sob correntes, ferros nas pernas e algemas."
Mas nos últimos anos, o Sr. Randi não era tanto um ilusionista quanto um "desilusionista". Usando uma combinação singular de razão, exibicionismo, rabugice constitucional e um profundo conhecimento das armas do arsenal do mágico moderno, ele viajou pelo país expondo videntes que não viam, curandeiros que não curaravam e muitos outros.
Seus métodos, ele costumava dizer, estavam disponíveis para qualquer estudante intermediário da magia - e deveriam ter sido transparentes para os investigadores anteriores, que às vezes eram enganados.
"Essas coisas costumam estar na parte de trás das caixas de cereais", disse Randi, com a voz em itálico de escárnio, certa vez ao entrevistador de televisão Larry King. "Mas, aparentemente, alguns cientistas não comem flocos de milho ou não leem o verso das caixas."
Recebedor de uma bolsa de "gênio" da MacArthur em 1986, o Sr. Randi fazia palestras em todo o mundo e aparecia com frequência na televisão; ele era um favorito particular de Johnny Carson e, mais recentemente, de Penn e Teller.
Escreveu diversos livros, entre eles "Flim Flam! The Truth About Unicorns, Parapsychology, and Other Delusions" (1980); "The Faith Healers" (1987); e "An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes of the Occult and Supernatural" (1995).
Em 1976, com o astrônomo Carl Sagan, o escritor Isaac Asimov e outros, o Sr. Randi fundou o que hoje é o Comitê de Investigação Cética. Com sede em Amherst, NY, uma organização que promove a investigação científica das alegações do paranormal e publica a revista Skeptical Inquirer.
Embora muitas vezes fosse chamado de desmistificador, o Sr. Randi preferia os termos "cético" ou "investigador". "Eu nunca quero ser referido como um desmistificador", disse ele ao The Orlando Sentinel em 1991, "porque isso implica ser alguém que diz: 'Não é assim, e vou provar isso.' Eu não entro com essa atitude. Eu sou um investigador. Só espero mostrar que algo não é provável'."
Através da James Randi Educational Foundation, o Sr. Randi patrocinou o Million Dollar Challenge, um concurso que oferece US $ 1 milhão para a pessoa que, seguindo rigorosos protocolos científicos, pudesse demonstrar evidências de um fenômeno paranormal, sobrenatural ou oculto. Embora o desafio tenha atraído mais de mil aspirantes, o prêmio não aconteceu até a aposentadoria do Sr. Randi na Fundação, em 2015.
O Sr. Randi era quase cético de nascença. Em suas aulas regulares, ele provou ser um aluno tão talentoso que o sistema escolar local logo desistiu e o deixou comparecer apenas para fazer os exames. Ele dominou a cidade e, aos 12 anos, depois de ver uma apresentação do grande mágico americano Harry Blackstone, ele encontrou sua vocação.
Aos 17 anos, entediado, abandonou a escola completamente. Ele se juntou a um grupo itinerante como mentalista, mas logo se tornou um artista de fugas. Depois que ele saiu de uma cela de prisão de Quebec, um jornal local o batizou de "L'Étonnant Randi" - The Amazing Randi (O Incrível Randi). O nome pegou.
Por um tempo, no início dos anos 1970, Randi viajou com a estrela do rock Alice Cooper, decapitando-o todas as noites com uma guilhotina. Ele continuou seus atos de fuga até os 50 anos. Mas um dia, enquanto ele ensaiava um programa de televisão para o qual havia sido lacrado e acorrentado em uma lata de leite enorme, algo deu errado. A tampa da lata emperrou, prendendo o Sr. Randi dentro. Havia pouco ar. Passando dos limites, ele ouviu duas de suas vértebras estalando. "Eu estava em apuros", lembrou ele no documentário. "Eu sabia que, se entrasse em pânico, estaria morto - isso é tudo."
Finalmente, ele ouviu as travas da lata sendo desfeitas e a tampa aberta. Ele decidiu que era hora de abandonar o escapismo. "Chega um ponto", disse Randi, "em que você simplesmente não quer ver um velhinho saindo de uma lata".
Aos 60, ele se aposentou inteiramente da magia do palco. Nessa época, ele havia construído uma carreira paralela investigando alegações do paranormal, assim como Houdini havia feito.
Ao longo dos anos, o Sr. Randi conseguiu antagonizar muitos, e não apenas os alvos de suas investigações. Ele lançou uma ampla rede condenatória, falando contra a medicina alternativa, a quiropraxia e a própria religião, que ele chamou de "o maior golpe de todos". Nos círculos científicos, ele permaneceu uma figura reverenciada até o fim. Entre suas muitas honrarias, ele teve um corpo celeste menor com o seu nome, o Asteroide 3163 Randi, descoberto em 1981.
O Sr. Randi residiu por muitos anos em Rumson, NJ, em uma casa equipada com escadas secretas, uma aldrava falante e relógios que funcionavam ao contrário. Ele morava na Flórida desde os anos 1980.
Embora tenha permanecido um racionalista obstinado até o fim, Randi tinha um plano de contingência para o além, como disse ao New York Times em 2009. "Quero ser cremado", disse ele. "E eu quero minhas cinzas sopradas nos olhos de Uri Geller."

Do obituário de James Randi no NY Times.

22 agosto, 2020

Ascensão e queda de Keith

Keith Richards em 2018
"Keith é um homem de sorte. Para cada cigarro que você fuma Deus tira uma hora de sua vida. E dá a Keith Richards."

Keith Richards (nascido em 18 de dezembro de 1943) é um músico, cantor e compositor inglês. Ele é também conhecido como cofundador, guitarrista (o que criou o maior corpo de riffs do rock) e vocalista secundário dos Rolling Stones. Tem um longo histórico de consumo de drogas ilícitas e seu relacionamento com o colega de banda Mick Jagger é frequentemente descrito como de "amor / ódio".
Em 27 de abril de 2006, em Fiji, Keith escorregou do galho de uma árvore morta e sofreu um ferimento na cabeça. Subsequentemente, ele foi submetido a uma cirurgia craniana em um hospital da Nova Zelândia. O incidente atrasou por seis semanas a turnê européia de 2006 dos Rolling Stones e forçou a banda a reagendar vários shows. A programação revisada da turnê incluiu uma breve declaração de Keith pedindo desculpas por "cair do meu poleiro". Em uma mensagem de vídeo no final de 2013, como parte da turnê On Fire, Keith agradeceu aos cirurgiões da Nova Zelândia que o trataram, comentando: "Deixei metade do meu cérebro lá".
WIKI
15/01/2024 - Meme
"O problema em criar tartarugas é que a gente pode se apegar com elas, que não vivem por muito tempo." Keith Richards

20 agosto, 2020

Como Feynman se tornou o primeiro a ver uma explosão atômica sem óculos de proteção

Quando foi feito o primeiro teste de uma bomba atômica, mais conhecido como Teste da Trindade, em 16 de julho de 1945, muitos dos envolvidos no projeto viveram o referido momento no deserto de White Sands, no Novo México (EUA). O próprio Feynman conta seu momento no livro "Surely, you're joking, Mr. Feynman?" (Você está brincando, Sr. Feynman?).
Receberam todos "óculos de soldador", óculos escuros que protegem os olhos. Mas aqueles que os usavam não viam nada nem em plena luz do dia, muito menos na "distância segura" em que foram colocados, a cerca de 32 km.
Feynman meditou o que exatamente a explosão iria emitir e percebeu que a única coisa que poderia danificar a vista seria a radiação ultravioleta ("a luz em si não é prejudicial, por mais alto que seja o brilho") . Então ele decidiu tirar os óculos e ficar atrás do para-brisa de um caminhão. Como se sabe, esse tipo de vidro bloqueia a radiação ultravioleta (e, de fato, é por isso que ninguém fica moreno no carro, mesmo que seja um dia ensolarado).
Quando a explosão ocorreu, houve um clarão muito poderoso e todos desviaram o olhar; Feynman olhou para o chão do caminhão e começou a ver um pontinho roxo, mas percebeu que era um efeito visual  pós-imagem. Logo ele olhou novamente e viu a luz branca ficar na cor laranja, enquanto as nuvens desapareciam como resultado da onda de choque. Finalmente, a luz laranja começou a subir e subir e subir, transformada em uma bola, devido ao calor e ao fogo. Tempo total: cerca de 60 segundos. Foi o que a primeira pessoa que assistiu a uma explosão atômica, vendo-a com seus próprios olhos.

Richard Feynman não só foi um dos principais físicos teóricos do mundo, mas também uma personalidade incomum e brilhante cujas pesquisas sobre a reformulação da teoria quântica para calcular as interações entre radiação eletromagnética e partículas elementares lhe renderam o Prêmio Nobel de Física de 1965. Em sua biografia e em seu trabalho: curiosidade imparável, ceticismo inveterado, senso de humor, gosto por travessuras, a maior cultura e a engenhosidade mais difundida. Feynman é certamente a única pessoa no mundo que estourou os cofres mais seguros de Los Alamos durante a fabricação da bomba atômica e que tocou magistralmente a frigideira em um conjunto de samba brasileiro; que explicou a física a cérebros como Einstein, Von Neumann e Pauli e que tocou bongô em uma companhia de balé; que ele foi declarado deficiente mental pelo exército dos EUA e que ganhou o Prêmio Nobel da Academia Sueca.

Ler também: As brincadeiras de Feynman

30 maio, 2020

Tributo a Evaldo Gouveia (3)

Morreu nesta sexta-feira (29), em Fortaleza, vitimado pela covid-19, o compositor e cantor Evaldo Gouveia de Oliveira.
Natural de Orós (CE), Evaldo nasceu em 8 de agosto de 1928 e tinha a memória identificada com o município de Iguatu (CE), para onde a família do artista se mudou quando ele tinha apenas três meses de idade.
Com cerca de 700 canções gravadas, Evaldo é autor de "Deixe que ela se vá", "Alguém me disse", "Serenata da chuva", "Sentimental demais", "Conde" e "E a vida continua", entre outras.
Antes de emplacar na carreira solo, o cearense fez parte de formações como a do lendário Trio Nagô, ao lado de Mário Alves e Epaminondas Souza.
Nas décadas de 1950, 60 e 70, teve o sucesso impulsionado nas frequências radiofônicas pelas vozes de cantores como Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Alaíde Costa, Moacir Franco, Nora Ney e Maysa Monjardim.
Em 2011, ganhou um tributo à altura da beleza, da diversidade e da importância de sua obra musical com a produção do CD "O Trovador" pela Secretaria de Cultura de Fortaleza. Autor da marcha-rancho "Bloco da solidão", sucesso nos bailes de carnaval de 1971 e anos seguintes, e "O mundo melhor de Pixinguinha", samba-enredo da Portela em 1973, Evaldo foi também homenageado pelo "Carnaval da Saudade de 2019", do Clube Náutico Atlético Cearense, pela contribuição que deu ao carnaval brasileiro.
Seu parceiro mais frequente foi o espírito-santense Jair Amorim (1915 - 1993).

03 abril, 2020

As mãos suspensas de Keanu Reeves

As "hover hands" (algo como mãos suspensas) de Keanu Reeves estão dando o que falar. As pessoas noticiam nas mídias sociais que, ao tirar fotos com mulheres, o ator mantém suas mãos abertas e apenas próximas do corpo das mesmas, sem tocá-las.
Alguns dizem que isso é consequência do movimento #metoo, em que mulheres acusaram homens em posição de poder por assédio sexual. Outros dizem que é apenas uma questão de respeito, comentando inclusive que isso é costume em alguns países.
Há ainda quem diga que, qualquer que seja o motivo, é reconfortante ver um homem que respeita o espaço pessoal de uma mulher ao tirar fotos. Afinal, toda mulher é capaz de se lembrar de algum mão-boba (conhecido ou não) que se aproveitou do momento da foto para ser invasivo ou desrespeitoso.



Hover hands
É o termo dado ao gesto físico de alguém (geralmente um jovem do sexo masculino) que finge estar colocando os braços em volta do ombro ou do quadril de uma mulher. Urban Dictionary
Na tradução pelo Google, "hover hands" é "passar a mão sobre o mouse". A entender de onde surgiu essa correlação.

08 março, 2020

A dama da cristalografia

Dame Kathleen Lonsdale (née Yardley), pacifista  e cristalógrafa britânica que desenvolveu várias técnicas de raios X para o estudo dos arranjos dos átomos nas estruturas cristalinas.
Sua determinação experimental da estrutura do anel de benzeno por difração de raios X, em 1929, que mostrou que todas as ligações CC do anel eram do mesmo comprimento e todos os ângulos de ligação CCC internos eram de 120 graus, teve um enorme impacto na Química Orgânica.
Ela foi a primeira mulher a ser eleita (1945) para a Royal Society of London.
Lonsdale também escreveu várias obras sobre o pacifismo, e o alótropo de carbono Lonsdaleite, uma rara forma de diamante encontrada em meteoritos, foi assim denominado como homenagem a ela.

Avatar químico | Cobra e macacos em Química Orgânica | Folha com trama hexagonal