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26 novembro, 2025

Quem é você na fila do pão?

A imagem da fila do pão (ou qualquer outra fila) é a de uma ordem, onde todos esperam a sua vez. Se alguém tenta passar à frente, significa que está ignorando essa ordem e os direitos dos outros.
Em alguns contextos, a pergunta pode ser usada para questionar se alguém realmente "merece" estar na posição em que está. Afinal, está comprando pão como todo mundo. Em outros contextos (de desigualdade social, econômica ou política), a pergunta pode também ser usada para criticar a forma como algumas pessoas se beneficiam de privilégios e oportunidades, enquanto outras são negligenciadas.


"Quem é você na fila do pão?" faz par com o emblemático "Você sabe com quem está falando?".

14 julho, 2025

"Post scriptum" e "Nota bene"

Post scriptum (abreviado como P.S.) Todos que recebem e-mails e cartas estão familiarizados com o P.S., ou seja, aquela pequena nota no final que foi acrescentada como uma reflexão tardia. Mas você já se perguntou o que essas letras "P" e "S" significam? É uma abreviação da expressão latina Post scriptum, que pode ser traduzida para o português como "escrito depois". E você também ficaria surpreso ao descobrir que o humilde P.S. tem uma longa história na língua portuguesa - estudiosos descobriram-no em cartas que datam de 1550.
Nota bene (N.b.) Às vezes, você pode encontrar N.b. como uma nota de rodapé, da mesma forma que acontece com P.S. Mas as duas abreviações diferem bastante em uso e significado. N.b. não é uma reflexão tardia como P.S. Na verdade, é o oposto. A informação escrita após N.b. (abreviação de Nota bene, que pode ser traduzida como "note bem" ou "preste atenção") é muito importante em um texto ou mensagem. E é exatamente isso que é mencionada separadamente.

(https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=1634

05 outubro, 2024

Na bucha

bucha, sf: 1. pequena peça de madeira ou de plástico que se coloca no orifício de uma parede para prender ou pendurar algo pesado por meio de prego, parafuso etc. 2. (vegetal) espécies do gênero Luffa da família Cucurbitaceae, provavelmente originária da Índia.


Sua principal utilização é como esponja de banho e de limpeza doméstica. Destaca-se por representar uma alternativa para substituir como esfoliativo as esponjas sintéticas derivadas do petróleo, por ser a bucha um produto natural e biodegradável.
Expressão "na bucha" (momento cultural):
No momento exato em que algo acontece; imediatamente. Exemplo: responder na bucha.
É o contrário de só ter uma boa resposta para dar algum tempo depois. L'esprit de l'escalier como dizem os franceses. 

14 junho, 2024

Neca de pitibiriba

Muitas pessoas já devem ter ouvido essa expressão. Mas o que é neca de pitibiriba (ou necas de pitibiribas)? Quando pesquisamos em algum dicionário online ou em qualquer outra fonte de origem duvidosa vemos que (neca + de + pitibiriba) simplesmente significa nada, nadica de nada. Neca de pitibiriba é uma maneira carinhosa popular latino-brasileira de apelidar o nada. A palavra neca vem do latim "nec", que quer dizer (adivinha?) nada. 
É um termo brasileiro inventado por não se sabe quem e nem onde também e que tem o significado de nada. 
Há relatos de que tenha sido usado por Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, ao se referir a um amigo chamado Neca, morador da cidade de Pitibiriba. Após a morte de Tiradentes, passaram a procurar exaustivamente o tal Neca e a tal Pitibiriba. E chegaram à conclusão de que nunca existiram.
Outra possibilidade é que tenha origem em Pirituba (SP), onde vivia um sujeito de apelido Neca que trabalhava num cartório. Dizia sempre não, a quem ia ao cartório atrás de documentos (sem ao menos procurá-los). E todos se referiam a ele como o "Neca de Pirituba", que virou de Pitibiriba, como variante, para designar o nada absoluto, mesclando o falso topônimo com o "neca", do latim "nec", que já é uma negativa.
Quando consignam esses termos populares os dicionários brasileiros costumam recorrer ao jeitinho da "formação expressiva", um modo elegante de reconhecer que, sobre eles, não sabem… necas de pitibiribas. A formação expressiva, quase sempre puxada para o cômico, é aquela em que o som pula na frente do sentido e o leva de arrasto. Uma palavra assim formada não tem, portanto, raízes etimológicas que possam ser pesquisadas.
Neca Setúbal
Neca, de Maria Alice Setúbal, vem do apelido "Boneca", a única menina entre sete herdeiros do Itaú. Sendo filha do prefeito de SP Olavo Setúbal, neta do deputado e acadêmico da ABL Paulo Setúbal, tetraneta da viscondessa de Campinas, do visconde de Indaiatuba e do barão de Sousa Queirós, sobrinha-trineta do marquês de Três Rios, da baronesa de Itapura e da baronesa de Anhumas, sobrinha-tetraneta do visconde de Vergueiro, do barão de Limeira e da marquesa de Valença, e pentaneta do senador Vergueiro, um dos mais influentes políticos do Império do Brasil, a Neca não se aplica o neca de pitibiriba.

Bom para o DBF, o Dicionário Brasileiro de Frases.

30 maio, 2024

Expressões idiomáticas com a palavra "chorar"

“Chorar”: protestar ou reclamar de algo que é injusto.
“Chorar como um bebê”: chorar incontrolavelmente como uma criança pequena.
“Chorar por dentro”: manter as emoções e sentimentos dentro de si enquanto os esconde dos outros.
“Chorar sob comando”: Ser capaz de chorar à vontade ou sob demanda, normalmente para atuação ou performance.
“Chorar lágrimas de crocodilo”: choro falso ou insincero, normalmente para enganar ou manipular outras pessoas.
“Chorar pelo leite derramado”: lamentar ou ficar chateado por algo que não pode ser mudado ou desfeito.
“Chorar no ombro de alguém”: buscar conforto ou consolo de alguém durante um momento de turbulência emocional.
“Chorar rios de lágrimas”: chorar exageradamente (em inglês, “Cry rivers of tears”). “Cry me a river”: uma expressão de descrença ou ceticismo em relação às lágrimas ou demonstração emocional de alguém. 
“Chorar cortando cebola”: fingir que está emocionado para manipular a situação, fingir que está chorando.
“Chorar como um porco preso”: Gritar alto ou guinchar, também pode se referir a alguém chorando alto e inconsolável.
“Chorar de todo coração”: expressar emoções profundas em um choro intenso ou ficar profundamente magoado emocionalmente.
Concluindo:
As expressões idiomáticas para chorar fornecem uma maneira rica e matizada de expressar as emoções complexas associadas ao choro. Desde “lágrimas de crocodilo” até “chorar pelo leite derramado”, cada expressão retrata uma imagem única do que significa chorar e do contexto em que isso ocorre.
O choro é uma emoção humana natural e universal, e essas expressões fornecem uma forma de dar-lhe significado, profundidade e compreender como os outros podem se sentir. E lembre-se, não importa como você escolha se expressar, é importante permitir-se chorar quando necessário e buscar apoio quando se sentir sobrecarregado.
Esperamos que esta postagem do blog tenha-lhe proporcionado uma compreensão mais profunda das expressões idiomáticas para chorar e que você possa usá-las em suas conversas diárias para se expressar melhor.
(https://phrasedictionary.org/idioms-for-crying/)

08 setembro, 2023

Brasa e sardinha


Puxar a brasa à sardinha (ou: puxar a sardinha à brasa), essas expressões remetem ao tempo em que os moradores de cortiços assavam sardinhas no fogo que iluminava o ambiente e, de tanto quererem que as brasas assassem logo seus próprios peixes, eles acabavam apagando o fogo, o que deixava todo mundo na escuridão. Como resultado, as sardinhas acabaram sendo proibidas de serem assadas no fogo coletivo dos cortiços, e a expressão "puxar a brasa à sua sardinha" passou a se referir a uma pessoa egoísta, que busca somente seus próprios interesses.

Bom para o DBF.

22 agosto, 2022

Hic - significados

aqui (em latim). Por exemplo, na expressão "hic et nunc", aqui e agora

(com letras maiúsculas) hipertensão intracraniana, no jargão da neurologia

a principal dificuldade (de um assunto ou negócio)

onomatopeia para soluço (hiccup, em inglês)

(com ponto de exclamação), representando estado de embriaguez. "Esta pinga - hic! - parece boa".
Ver esta aplicação em O bêbado culto.

"Hic Rhodus, hic saltus": Do latim, comumente traduzido como: "Rodes é aqui, é aqui que você salta!"
A máxima bem conhecida, mas pouco compreendida, origina-se da tradução latina tradicional da moral da fábula de Esopo, O Fanfarrão, que tem sido objeto de traduções incorretas. Na fábula um atleta se gaba de que, em Rodes, realizara um salto estupendo e que havia testemunhas que poderiam comprovar sua história. Um espectador então comenta: "Tudo bem! Digamos que aqui seja Rodes, demonstre o salto aqui e agora". A fábula ensina que as pessoas devem ser reconhecidas por seus atos, não por suas próprias reivindicações.

21 junho, 2022

Memento vivere

A expressão latina memento vivere significa "lembre-se de que deve viver". 
De acordo com o Oxford English Dictionary, é de safra mais recente do que o seu imperativo oposto, memento mori, que significa "lembre-se de que vai morrer".

Boa ideia para uma tatuagem:  


Unifica as duas expressões anteriores com uma terceira expressão (que é de Horácio), carpe diem, aproveite o dia, e com uma quarta, tempus fugit, o tempo voa.

Vivere hodie, eu estou vivo hoje.

A propósito, como vai seu latim?

11 junho, 2022

Hocus Pocus

Hocus Pocus (pseudolatim) é um encantamento utilizado por mágicos do século XVI com a função de criar um ar de mistério em suas performances.
A origem do termo permanece obscura. Alguns acreditam que deriva da forma latina empregada na eucaristia católica romana, quando o sacerdote diz "hoc est corpus" (este é o corpo). Esta tese não é muito aceita, pois os mágicos não ousariam ofender a Igreja Católica (cuja autoridade moral era respeitada na época) usando o momento mais sagrado de sua celebração religiosa numa forma vulgar como truques de mágica. Esta visão, porém, reflete uma perspectiva exclusivamente católica, pois justamente no século XVII ocorreu o movimento da reforma religiosa cristã, em que os protestantes contestavam que a missa fosse conduzida em latim, dando preferência ao uso das línguas locais, para que os fiéis pudessem entender os ensinamentos da Bíblia. Não é a toa que uma variação a esta frase, usada nos países protestantes, notadamente na Países Baixos, soasse "Hocus pocus pilatus pas", em que o nome 'pilatus' também constitui uma óbvia referência a Pôncio Pilatos, personagem do Novo Testamento.
O "Hocus Pocus" deixou seus vestígios na língua inglesa e, talvez, seja a raiz de uma outra palavra, "hoax", que significa "farsa".

Expressões mágicas em ordem escalafobética:
Abracadabra
Abre-te, Sésamo
Hocus Pocus
Pirlimpimpim

09 fevereiro, 2021

Rei da cocada preta

A cocada preta é um doce típico da culinária brasileira. Em Salvador ele é vendido nos tabuleiros das baianas, entre acarajés, abarás e vatapás.


Dizem que, quando a família real veio ao Brasil, esse quitute era disputado na Corte, onde o rei era o primeiro a se servir da iguaria. Daí a expressão "rei da cocada preta", que a irreverência carioca criou e hoje é usada, como deboche, para identificar uma pessoa convencida.
Fonte: Blog Cocada Preta

Expressões relacionadas: "se achar"; "querer ser as pregas" etc.

O uso bilíngue desta expressão por Millôr Fernandes:
"E, sempre que aproxima mais o país do abismo no qual, segundo a retórica política, o Brasil vive, esse FhC (superlativo de PhD) corre à televisão e deita a fala do trono, com a convicção de que, mais do que nunca, foi ele, the king of the black sweetmeat made of coconuts (o rei da cocada preta), quem conduziu o Brasil à salvação definitiva e à glória eterna."
O pensamento de FH analisado por MF. Conclusão

Bom para o DBF.

05 fevereiro, 2021

Verbos auxiliares de si próprios

Em expressões como "vai indo", "vem vindo", há indiscutível cunho pleonástico; são, porém, ambas formas corretas, e podem ser empregadas normalmente no vernáculo. Veja-se, nessa esteira, o exemplo de Camilo Castelo Branco: "Parece-me que são horas de vir vindo o jantar". 
Em realidade, trata-se de caso em que o verbo vir acaba sendo auxiliar de si próprio, em construção perfeita e correta, como também demonstra o seguinte exemplo de Machado de Assis: "Vieram vindo depois os bravos, os apoiados, os não-apoiados, uma bonita agitação".
De maneira geral, as locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + verbo principal. O verbo auxiliar aparece flexionado, remetendo ao tempo, modo, número e à pessoa da ação verbal. O verbo principal aparece em formas nominais, quais sejam: gerúndio, infinitivo ou particípio.
Fiz uma compilação de outros exemplos em que os verbos "ir" e "vir" aparecem como auxiliares de si próprios:
"Eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro." Paulinho da Viola, "Sinal fechado".
"Podem preparar / Milhões de festas ao luar / Que eu não vou ir / Melhor não pedir / Eu não vou ir, não quero ir." Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, "Você e eu".
"Ao chegar bem perto fez um sinal com o braço. Respondi com um gesto aflito de quem pede socorro. Ele deve ter entendido: fez uma volta e veio vindo por detrás, para passar bem em cima de mim." Fernando Sabino, "O menino no espelho".
"Pois vejo vir vindo no vento / O cheiro da nova estação." Belchior, "Como os nossos pais".
"Por meios e modos, sortimos arranjados animais de montada, arranchamos dias numa fazenda hospitaleira, e viemos vindo atravessando o Pardo e o Acari, em toda a parte a gente era bem recebida. Guimarães Rosa, "Grande sertão: veredas".

22 janeiro, 2021

Nem que a vaca tussa

O que significa a expressão "nem que a vaca tussa"?
Significa: de jeito nenhum, não, nunca, jamais, impossível, de forma alguma. Confere a ideia de que algo não acontecerá nem que o Sr. Sobrenatural de Almeida desça no terreiro para mudar o rumo dos acontecimentos.
É uma das muitas expressões de improbabilidade da língua portuguesa. Neste rol também estão:
No dia de São Nunca.
Quando a galinha criar dentes.
Nem que chova canivete.
Pagando para ver.
No tempo que Adão era cadete.
Um dia sim, oito não.
Nas calendas gregas (Ad kalendas graecas).
Em zero de onzembro.
Nem a pau, Nicolau!
Em sua frase original e completa, a expressão já foi "nem que a vaca tussa e o boi espirre". Sem querer enveredar pela discussão de se os bovinos, de fato, podem tossir ou espirrar, podemos traduzir "nem que a vaca tussa" para o inglês. Palavra por palavra, fica "not even if the cow coughs". Os gringos vão entender?
Bem, somos responsáveis pelo que falamos mas não pelo que eles entendem.
Três vacas leiteiras bolam um plano para salvar a fazenda e suas vidas depois que um novo dono chega para vendê-las para o abate. Título do filme?
"Nem Que a Vaca Tussa", e nós entendemos a Disney.
Nós também entendemos quando Leonam Quirino eruditizou a expressão para "nem sequer considerar a possibilidade de que a fêmea bovina expire com fortes contrações laringo-bucais".
Por fim, é importante salientar que existem inúmeras expressões na língua portuguesa do Brasil contendo nomes de animais. A expressão em questão devido á presença da palavra "vaca" talvez cause um estranhamento ou uma repulsa em falantes estrangeiros. Ora, que vão eles para o brejo!
A força desta expressão, de provável origem rural, está no elemento NEM. Recomendo a leitura da monografia de Vítor Marconi de Souza sobre A multifuncionalidade do elemento nem aplicada ao ensino do PL2E (Português como Segunda Língua para Estrangeiros).

Neovérbio. Não se faz uma vaquinha entre mãos de vaca. PGCS

Bom para o DBF, o Dicionário Brasileiro de Frases

23 outubro, 2020

Do nhenhenhém ao mimimi

Nhenhenhém é uma onomatopeia (palavra que procura imitar o som daquilo que se expressa) para traduzir conversa-fiada.
Quando reclamamos que alguém deveria "deixar de nhenhenhém", por impaciência ou simples desconhecimento do assunto, nem suspeitamos da influência do tupi nessa expressão. Do ponto de vista etimológico, a palavra "nhenhenhém" consiste em um aportuguesamento dos verbos tupis "nhe'eng" (que significa falar) e "nheéng nheéng" (que sugere a ação de "insistir" ou "teimar").
A palavra em questão, um substantivo masculino, está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em outros dicionários brasileiros.
Diz Rainer Sousa:
Ao entrarem em contato com os portugueses, os índios do litoral brasileiro não compreendiam uma só vírgula da língua utilizada pelos estrangeiros. Da mesma forma, os portugueses demoraram certo tempo para que pudessem compreender o universo de significados da língua dos nativos. Nesse meio tempo, é bem provável que alguns índios daquela época não ficavam muito interessados em perderem seu tempo com o “nheeng-nheeng-nheeng” (falar-falar-falar) dos colonizadores europeus.
De forma semelhante aos índios daquela época, ficamos irritados quando somos obrigados a aturar horas a fio uma conversa, discurso ou palestra pouco interessante. Como se ouvíssemos uma língua completamente desconhecida, transformamos aquela fala prolixa em um irritante amontoado de sons sem sentido. Portanto, clareza e objetividade se tornam essenciais para que o ato comunicativo não vire um enfadonho "nhenhenhém".
[http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/deixar-nhenhenhem.htm]
O mimimi é uma maneira de você desclassificar o argumento do outro sem realmente refutá-lo. Você chama de "mimimi", de choradeira. Basicamente é o mesmo que tapar os ouvidos e ficar gritando LALALALALALA, EU NÃO ESTOU OUVINDO NADA ou NEM ESCUTO A ZOADA DA MUTUCA (como acontece aqui no Ceará).

05 outubro, 2020

Ouvido de tuberculoso


"Fulano tem ouvido de tuberculoso."
Ter ouvido de tuberculoso é um ditado popular muito comum no Brasil, (1) usado para se referir a alguém que escuta muito bem, ou seja, que tem uma audição bastante apurada.
Ao contrário do que muitos pensam, a tuberculose não aumenta a audição dos doentes, mas pode fazer o contrário. Em alguns casos, como a meningite tuberculosa, a pessoa corre o risco de perder a capacidade de ouvir. (2)
Origem da expressão "ouvido de tuberculoso"
Existem duas prováveis origens para a expressão ouvido de tuberculoso, sendo que ambas datam da primeira metade do século XX (por volta da década de 1940).
Pelo fato de a tuberculose ser uma doença letal e muito contagiosa, por vários anos os seus portadores buscavam o sigilo absoluto sobre o assunto. (3) Por receio de ouvir comentários suspeitos de pessoas próximas, criou-se a ideia de que os tuberculosos estão sempre atentos aos cochichos e conversas alheias.
Por este motivo é comum falar que os fofoqueiros - pessoas intrometidas e que ficam constantemente atentas às conversas das outras pessoas - têm ouvido de tuberculoso.
Outra explicação para a origem desta expressão popular é que antigamente, devido a pouca eficácia dos tratamentos para a doença, os tuberculosos eram isolados, seja em casa ou nos sanatórios. Por este motivo, acabavam por estar em locais mais silenciosos e sossegados, ou seja, sem muito barulho. Assim, estavam sempre atentos aos mais ínfimos ruídos.
N. do E.
(1) Estranho. Atuando como tisiopneumologista há 48 anos eu nunca testemunhei alguém utilizar-se desta expressão ou ditado.
(2) Além de ser uma das sequelas da meningite tuberculosa, a perda ou diminuição da audição poderia ser causada pelo uso prolongado da estreptomicina. Injeções diárias deste antibiótico (que pode ocasionar a surdez por seus efeitos ototóxicos) eram aplicadas por três meses em pacientes tuberculosos que seguiam o esquema SM+INH+PAS.
(3) A propósito, ler: O CHIQUINHO DA CADEIA NA VIDA DO COMPOSITOR LAURO MAIA.
Bom para o DBF.

01 junho, 2020

"Cuspido e escarrado": o significado

Cuspido e escarrado é uma expressão popular da língua portuguesa, usada para descrever duas pessoas idênticas ou muito parecidas fisicamente.
No entanto, há um fato que indica que a expressão "cuspido e escarrado" não veio de "esculpido e encarnado" e nem de "esculpido em Carrara" (o famoso mármore de Carrara, região da Itália), e sim do verbo cuspir mesmo, reforçado pelo sinônimo escarrar.
A origem remota da expressão está então na simbologia do cuspe. Isto porque em outras línguas europeias, há expressões equivalentes que estão relacionadas com o cuspe:
  • "spitting image" (imagem cuspida), em inglês;
  • "tout craché" ou "portrait craché" (todo cuspido ou retrato cuspido)
  • "sputato" (cuspido).
O que aconteceu no caso da língua portuguesa foi o acréscimo de "escarrado" à expressão "cuspido", um reforço que não se verificou em outros idiomas.

imagem: veio daqui

No popular: "cara de um, focinho do outro".

09 maio, 2020

Só quer ser as pregas

É uma expressão da Língua Portuguesa, mais característica do Nordeste do Brasil, que equivale a dizer que alquém quer ser, ou se passa por importante, especial.
Exemplo: "Fulano só quer ser as pregas."
- - - Completo (na Paraíba): "Só quer ser as pregas de quelé."
Sinônimo: "Achando-se..."
- - - Completo: "Achando-se o rei da cocada preta."
- - - Var.: o rei da coca da preta
Arcaísmo: umbigo
Neologismo: c*
Analogia: com o governo Bozo, quando se diz que continua sendo o c* (por sua fixação na segunda fase do desenvolvimento psicossexual segundo Freud).


Bom para o Dicionário Brasileiro de Frases.

09 janeiro, 2020

Ratos que fogem de casas, navios etc.

Esta expressão idiomática - como ratos fugindo de um navio afundando (like rats fleeing a sinking ship), remonta a séculos na língua inglesa. Usada em referência a pessoas que abandonam um empreendimento, uma vez que parece provável que o mesmo vai fracassar, demonstrou grande tenacidade linguística, tendo estado em uso regular por mais de quatrocentos anos.
No entanto, a forma e a formulação desta expressão mudaram um pouco ao longo dos séculos.
O cenário original para os ratos fugitivos era uma casa decrépita, que estava prestes a cair (like rats that quit the house before it falls). Tanto ratos quanto camundongos teriam essa capacidade de saber quando uma estrutura estava à beira do colapso e, consequentemente, de quando deveriam abandoná-la antes do seu desmoronamento.
A substituição desta metáfora para "como ratos fugindo de um navio afundando", com suas variantes ("deixando", "abandonando", "desertando" etc.), parece ter começado em meados do século 19. Embora haja considerável variação do verbo empregado para descrever o que os ratos estão fazendo, há menos variação das situações às quais as expressões tem sido aplicadas.
Quase todos os novos usos são referentes a escândalos políticos.
Dado que a ocorrência de ratos e políticas fracassadas tendem a continuar, existe uma forte probabilidade de que essa expressão continue a habitar a nossa língua pelos séculos vindouros.

Fonte: Merriam-Webster

25 novembro, 2019

Expressões inspiradas no chá

Carolina Gasparini, em seu Mexido de Ideias (com sabor de café), relaciona algumas expressões famosas inspiradas no chá e nos utensílios que são utilizados no preparo e consumo desta bebida.

Chá de cadeira: A expressão remonta a época dos fidalgos, quando os súditos aguardavam sentados por horas por uma audiência. Para acalmá-los, servia-se chá. Por isso a expressão que traz a ideia de esperar muito.

Dar uma colher de chá: Há tempos costuma-se acreditar que determinados chás fazem bem aos doentes. Dessa forma, a expressão significa ajudar alguém, assim como se fazia dando a bebida aos enfermos.

Pegar no bico da chaleira: Significa adular, bajular. Surgiu no Rio de Janeiro com pessoas que seguravam a chaleira de um general para encher-lhe a cuia de chimarrão e conseguir favores. Na ânsia de servir, alguns aduladores pegavam a chaleira pelo bico, chegando até a queimar os dedos.

Mais por fora do que asa de xícara: Não se sabe a origem, mas significa estar por fora, desconhecer um assunto específico.

Ela também relaciona curiosas expressões envolvendo o chá em outros idiomas (inglês e alemão). São palavras de Carolina Gasparini:

"Se você conhece mais alguma, em qualquer idioma, nos conte nos comentários."

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'xa comigo!

Tomar chá de sumiço: Significa desaparecer, sumir, deixa de mandar sinal de vida etc.
CHÁ DE SUMIÇO E OUTROS POEMAS ASSOMBRADOS, um livro infantil para quem gosta de espanto. Reúne divertidos poemas de André Ricardo Aguiar em que situações de terror são transformadas em jogos de linguagem. O livro é composto com imagens engraçadas e coloridas de Luyse Costa; o selo editorial é da Autêntica." ~ Penélope Martins, no Toda Hora Tem História (10/12/2015)


Mais fraco do que chá de bila: "Tem um ditado popular que rotula uma pessoa vacilante, sem liderança e sem predicados como sendo 'mais fraco do que caldo ou chá de bila'. Não tenho dúvida de que todos conhecem inúmeras pessoas que merecem esse título. Entretanto, atualmente, considero como hors concurs o nosso atual ocupante do Palácio do Planalto (Michel Temer). Refém de atos errôneos durante toda a sua vida, é hoje um prisioneiro dos acontecimentos." ~ Arruda Bastos, no Portal Vermelho (08/12/2016)

Bom para o Dicionário Brasileiro de Frases

15 setembro, 2019

De fininho

Fernando Gurgel Filho
Aqui no Patropi, adotamos a expressão "sair à francesa" quando queremos sair de um evento sem longas despedidas. Normalmente, em eventos com muita gente conhecida — para não atrapalhar —, como em aniversários, batizados, casamentos etc.
Na realidade, segundo os entendidos, a expressão surgiu na França quando os franceses adotaram o hábito inglês de sair das festas sem se despedir de ninguém. Apesar de ficarem horrorizados com aquele costume inglês — mau costume, diziam —, sempre que queriam sair sem serem notados, diziam
eles lá que iam "sair à inglesa".
Mas o tempo passa e as expressões mudam quando um evento muito marcante acontece. Principalmente um evento traumático, acontecido com gente importante em cidade muito importante. Muito importante pra gente do lugar, claro. Foi o que aconteceu em uma bela cidade do interior aqui de Goiás, próxima ao Distrito Federal.
O Bio, nascido Severino em Pernambuco e ninguém sabe como foi parar lá naquela cidade, era um dos mais conhecidos frequentadores das casas das luzes vermelhas. Daquelas casas mais frequentadas pelos honrados pais de família da cidade.
👫 De repente, quase sumiu da boemia, dos bares e das casas das "primas". Saía de casa muito raramente. Tinha encontrado a mulher de sua vida. Assim, meio por acaso. Madrugava quando ia voltando pra casa e se deparou com uma bela morena descendo de um caminhão, com uma trouxa pesada nas mãos. Ofereceu ajuda. Papo vai, papo vem, a morena chamada Tereza disse que estava ali pra trabalhar e procurava um lugar onde ficar, mas acabou tomando umas saideiras com o Bio e aceitou o convite de dormir na casa dele. Nunca mais saiu dali e viveram felizes para sempre.
Até que um dia, como dizia o poeta, o "pra sempre sempre acaba" e Tereza simplesmente sumiu. Dizem as más línguas que fugiu, de madrugada, em um caminhão. Acabrunhado, Bio voltou a frequentar a boemia assiduamente e, claro, todos os amigos perguntavam o que tinha acontecido. E chegavam à pergunta fatal:
— E aí, cumpadre, cadê Tereza?
O Bio, os olhos cheios d'água, voz embargada, baixava a cabeça e sempre respondia:
— Tereza foi embora, não deixou nem um adeus!
Daí em diante, naquela próspera cidade goiana, quando alguém quer sair de uma festa sem se despedir, diz apenas:
— Olha, não repara, não. Vou sair igual Tereza.

Bônus: A beleza em Tereza
"Todo mundo se admira / da mancada que a Terezinha deu / que deu no pira / e ficou sem nada ter de seu. / Ela não quis levar fé / Na virada da maré." ~ Baden Powell e Paulo César Pinheiro

19 janeiro, 2018

Passar cerol. Aparar pela rabiola

Passar cerol é se preparar para o sexo. Como se faz isto? Alguns moleques que não possuem experiência sexual sentem a necessidade de "bater uma" antes da transar (para que o ato sexual dure um pouco mais). E, como o movimento que fazem na masturbação imita o de passar o cerol na linha de uma pipa (conhecida por arraia, no Nordeste), surgiu daí a expressão.
Já a frase "passar cerol na mão" é para dar ênfase que a menina não vai ter escapatória, que o moleque vai pegar sem dó mesmo ("cortar você na mão"), que não vai dar moleza (mostrar que é tigrão), essas coisas próprias de gente que não tem nenhum bom gosto para a música.
In: "Cerol na mão" - c/ Bonde do Tigrão, www.letras.mus.br
br.answers.yahoo.com
emilinson @neocormier
Aparar pela rabiola, considerando a situação da rabiola com relação ao corpo da pipa, é provavelmente um convite amigável do "tigrão" para a "funkeira" praticar o sexo nasal.
A ilustração escolhida para este verbete do Dicionário Brasileiro de Frases (DBF) tem uma bela história:
  1. O tiozinho tatuou no ombro o nome da namorada Fabíola.
  2. O namoro michou.
  3. Ele teve que cobrir depois o nome dela com um pequeno trecho da letra do Bonde do Tigrão.
Histórico do DBF
05/10/2007 - "Bebel que a cidade comeu" e "Deite-se na cama e crie fama" AQUI
13/03/2014 - "Imagine se pega no olho?" AQUI
18/02/2015 - "Impitimam é meuzovo" AQUI
02/02/2016 - "Vá correndo fazendo vento" AQUI
09/07/2016 - "Boas cercas,bons vizinhos" AQUI
08/11/2016 - "Besta elevada ao quadrado" AQUI
25/01/2017 - "Não sou má, é que me desenharam assim" AQUI
16/03/2017 - "Chore um rio por mim" AQUI
18/06/2017 - "Vá direto ao assunto" AQUI
15/12/2017 - "Botar suspensório em cobra" AQUI


25/07/2018 - Atualizando ...
Masturbar-se uma hora ou duas antes do "evento principal", também pode fazer o homem durar mais na relação sexual. Essa técnica foi explorada no filme de comédia "Quem Vai Ficar Com Mary?", embora o experimento de Ben Stiller tenha terminado com resultados cômicos.