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31 maio, 2026

Zé do Norte

Alfredo Ricardo do Nascimento, conhecido como Zé do Norte (Cajazeiras (PB), 18 de dezembro de 1908 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1992), foi um músico brasileiro.
O menino Alfredo Ricardo, órfão de pai e de mãe, teve uma infância muito pobre. Trabalhou na enxada, apanhou algodão, conduziu tropas de burro. Gostava de cantar desde a infância, mas sem imaginar que isso pudesse ser um meio de vida.
Em 1921, foi para Fortaleza e alistou-se no Exército, indo servir no Rio de Janeiro. Convidado, atuou em programa de rádio, obtendo grande sucesso com uma embolada de sua autoria. Acabou sendo levado para a Rádio Tupi onde passou a cantar adotando o pseudônimo de Zé do Norte, em 1940.
Zé do Norte publicou o livro "Brasil Sertanejo" em 1948 e, cinco anos depois, indicado pela escritora cearense Raquel de Queiroz, atuou como consultor de linguajar nordestino e compositor no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto (1953). Sua música "Mulher Rendeira" (sobre motivo atribuído a Virgulino Ferreira, o Lampião) ficou mundialmente conhecida após ser incluída no referido filme.
O sucesso desta fita em Cannes elevou Zé do Norte ao Olimpo do cancioneiro popular nacional. Outras de suas canções de sucesso foram: "Sôdade, Meu Bem Sôdade", gravada por Nana Caymmi e Maria Bethânia, entre outros, e "Lua Bonita", gravada por Raul Seixas e Belchior (vídeo), entre outros.
Contudo, é provável que ele tenha feito modificações em canções que já fossem cantadas pelos sertões nordestinos. Ou, então, que ele tenha adotado como suas (hipótese José Neumanne Pinto) as canções que sua mãe cantava no sertão do Rio do Peixe.


"Lua Bonita" c/ Belchior e Dominguinhos

01 março, 2026

José Fernandes

José Fernandes de Mendonça
Nasceu em Arcos-MG, em 1925.
Foi jurado do programa "Um Instante, Maestro", comandado por Flávio Cavalcanti, na TV Excelsior, e do "Programa Sílvio Santos", na Rede Globo de Televisão. Sua notoriedade se deveu ao tipo especial que criou para si nos programas da televisão: carrancudo, mal-humorado e dando sempre notas baixas aos calouros.
Era pianista e maestro.
Em 1973, fui a um show de José Fernandes com sua Orquestra Típica, em uma casa de espetáculos no Rio de Janeiro.
Faleceu em 1979.
Discografia: LPs "Tangos nota 10 - José Fernandes e sua Orquestra Típica" (1976) e "Tangos nota 10, volume 2" (1977)

23 fevereiro, 2026

Quem foi Rouanet?

*Sergio Paulo Rouanet nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 23 de fevereiro de 1934, e morreu no dia 3 de julho de 2022, aos 88 anos.
Diplomata, filósofo, sociólogo, professor e escritor, Sergio Rouanet foi secretário de Cultura da Presidência da República - correspondente ao atual Ministério da Cultura - entre 1991 e 1992. Foi nessa época que idealizou o projeto que se tornou a Lei nº 8.313 do dia 23 de dezembro de 1991, estabelecendo as políticas públicas para o incentivo à cultura brasileira. Por isso, a lei (do mais logevo programa de incentivo à cultura no Brasil) foi apelidada com seu sobrenome.
Autor de cerca de 20 livros, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1992. Foi professor visitante na pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Rio Branco e professor visitante da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Economia pela Universidade George Washington, em Ciências Políticas pela Universidade Georgetown, e em Filosofia pela New York School for Social Research, as três nos Estados Unidos.
Na Universidade de São Paulo (USP), fez o doutorado em Ciência Política e foi o primeiro titular da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados (IEA). Também publicou artigos periódicos sobre cultura no Jornal do Brasil e no jornal Folha de S Paulo.
*Informações do Instituto Rouanet.

@EntreMentes
Comentário
As críticas sem sentido e sem conhecimento sobre a Lei Rouanet sem dúvida podem ser enquadradas aí. Eles insistem em afirmar e passar adiante que o premiadíssimo ‘O agente secreto’ teve grana da Rouanet, quando se sabe que filme de longa metragem não pode captar verba desta Lei. E, mesmo se pudesse, qual seria o problema? Porque em cada R$ 1 investido em projetos executados com recursos da Lei Rouanet, R$ 7,59 retornaram à economia brasileira.Como conclui Larissa Leão "reler Hélio Pelegrino hoje é aceitar o convite de não pactuar com a burrice organizada e a transformar em gesto de liberdade tudo aquilo que ainda querem nos fazer calar". (Ultrajano, no FB)

27 outubro, 2025

JAGUAR

Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe (Rio de Janeiro - RJ, 1932). Caricaturista, ilustrador, desenhista, jornalista, cronista. Sua obra provocadora, hedonista e libertária é um importante exemplo da irreverência e da crítica política e social na história do jornalismo brasileiro.
Inicia a carreira em 1953, colaborando com a revista "Manchete", ao mesmo tempo que trabalha como funcionário do Banco do Brasil. Na página de humor da revista, publica suas primeiras charges em 1957. Jaguar pertence ao grupo de cartunistas que se destacam na década de 1950, influenciados pelo cartunista americano Saul Steinberg e pelo desenhista francês André François.
Em épocas diferentes, contribui com as "Revista da Semana" e "Revista Civilização Brasileira", com o semanário de humor "Pif-Paf" e os jornais cariocas "Tribuna da Imprensa" e "Última Hora". Em 1968, lança sua primeira antologia de cartuns "Átila, você é um bárbaro". 
Depois de 17 anos como escriturário, em 1971 abandona o trabalho no Banco do Brasil. No banco, conhece o também funcionário e escritor Sérgio Porto, que publica, com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, vários textos ilustrados por Jaguar.
O ilustrador faz parte da geração de artistas que, a partir de 1964, se opõem à censura imposta pelo regime militar. É um dos fundadores da famosa "Banda de Ipanema", inaugurada no primeiro carnaval pós-golpe, em 1965. O bloco é responsável por ressuscitar os blocos de rua cariocas e congregar jornalistas, escritores, cineastas, atores, músicos, artistas plásticos e cartunistas.
Em 1969, ao lado de Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Henfil, Paulo Francis, Ziraldo, entre outros, funda "O Pasquim", publicação na qual trabalha como editor de humor, cartunista, entrevistador e administrador. Conta-se que o semanário, cujo nome significa "jornal sem repercussão, sem importância, ou mal redigido", foi batizado por Jaguar, o único da equipe original a permanecer até o seu fim da publicação, em 1991. De suas mãos nasce o mascote do jornal, o ratinho Sigmund, ou Sig, uma referência ao psicólogo austríaco Sigmund Freud. Como alter-ego do cartunista, o personagem atua como mestre de cerimônias da revista: aparece na capa e na abertura das matérias que são a novidade da semana. Também de Jaguar são a tira Chopnics, criada em parceria com Ivan Lessa, a Anta de Tênis e o personagem Gastão, o Vomitador, que fazem bastante sucesso nas páginas do hebdomadário.
Por causa de uma de suas montagens satíricas, a quase totalidade da equipe do "O Pasquim" é presa por dois meses pelo regime militar, no final de 1970. A obra que serviu de estopim para a detenção reproduz o quadro de Pedro Américo, "Independência ou Morte", no qual a figura de Dom Pedro I é acompanhada da frase "Eu quero é mocotó!", extraída da música de Jorge Ben.
Em 1999 participa, ao lado de Ziraldo e de outros remanescentes de "O Pasquim", da criação da revista de humor "Bundas", uma sátiria da publicação "Caras". E seu último livro, "Confesso que bebi", de 2001, é um misto de guia de bares e restaurantes e histórias vividas ao lado de amigos, com crônicas sobre incursões gastronômicas pela cidade do Rio de Janeiro.
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural

Em charge publicado na Folha de SP, Jaguar foi profético:

13 julho, 2025

Irmãos Cavalcanti

Flávio Cavalcanti (1923 — 1986) foi um jornalista, repórter, apresentador de rádio e televisão, crítico de música e compositor brasileiro. Um dos mais famosos e polêmicos comunicadores brasileiros, fez sucesso no comando de alguns programas de rádio e televisão nas décadas de 1960 e 1970, como o "Programa Flávio Cavalcanti", "Um Instante, Maestro!" e "A Grande Chance".

Seu estilo foi polêmico na televisão brasileira. Franco e direto em suas opiniões, Flávio Cavalcanti era conhecido por criticar duramente em seu programa artistas que considerasse ruins ou com músicas medíocres — com direito a quebrar ao vivo os discos deles. Como fez com os LPs do gaúcho Teixeirinha, quando este participou de "A Grande Chance". Teixeirinha era o autor de "Coração de Luto", apelidada de "Churrasquinho de Mãe", não obstante o estrondoso sucesso alcançado por esta canção na década de 1960.

Celso Cavalcanti, também compositor, é irmão de Flávio.


Celso e Flávio. Print screen do vídeo "Relatos Históricos" por @EntreMentes

Uma busca avançada no site Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) mostra que existem 53 fonogramas cujo autor é Celso Cavalcanti.

"Nossa Canção de Amor" (1949), por Mário de Azevedo, pela Continental, em 78 RPM.

"Mancha de Batom" (1952), gravada pelo grupo Os Cariocas, pela Sinter, em 78 RPM.

"Ninguém" (1953), gravada por Heleninha Costa, pela RCA Victor, em 78 RPM.

"O Amor Acontece" (1954), gravada por Dolores Duran, pela Copacabana, em 78 RPM.

"Manias" (1955), gravada por Ivon Curi, pela RCA Victor, em 78 RPM.

Os fonogramas contêm as 5 canções que Celso Cavalcanti compôs no período de 1949 a 1955, a primeira delas, com Fred Mello, e as 4 outras canções, com o irmão Flávio Cavalcanti. Delas, "Manias" foi a que obteve o maior sucesso, tendo sido gravada por Ivon Curi, Dolores Duran, Lucio Alves, Milton Banana Trio, Wilson Simonal, Turma da Pilantragem, Miltinho/Dóris Monteiro, Tito Madi, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Alcione e Claudette Soares, entre outros.


Vídeo c/ Carol Nogueira e banda

https://www.facebook.com/reel/579940844458296
https://immub.org/compositor/celso-cavalcanti
https://www.atribunarj.com.br/materia/os-100-anos-de-flavio-cavalcanti-um-dos-genios-da-tv
https://www.youtube.com/watch?v=edFFJPzYAXs

05 julho, 2025

PT Barnum

"Sem promoção algo terrível acontece... Nada!"
Phineas Taylor Barnum (5 de julho de 1810 - 7 de abril de 1891) foi um showman, empresário e político americano, lembrado por promover fraudes famosas e fundar circos, teatros e museus. Ele também foi autor, editor e filantropo, embora tenha dito sobre si mesmo: "Sou um showman de profissão ... e todo o douramento não fará nada mais de mim".
De acordo com os críticos de Barnum, seu objetivo pessoal era "colocar dinheiro em seus próprios cofres". O ditado "nasce um otário a cada minuto" tem sido frequentemente atribuído a ele, embora não haja evidências de que ele tenha cunhado a frase.
Barnum teve até 26 jornalistas em sua folha de pagamento e justificava suas farsas chamando-as de anúncios. Ele dizia: "Não acredito em enganar o público, mas acredito em primeiro atraí-lo e depois agradá-lo".
Necrológio autorizado
Ele pediu ao "Evening Sun" para imprimir seu obituário pouco antes de sua morte para que ele pudesse lê-lo. Em 7 de abril de 1891, Barnum perguntou sobre as receitas de bilheteria do dia e, algumas horas depois, morreu.
Elon x Barnum
A ironia é que Elon finge ser um inventor humanitário quando é um vigarista. PT Barnum fingiu ser um vigarista, quando secretamente era um humanitário.

27 abril, 2025

Cristina "Quantas Lágrimas" Buarque

Filha de Sérgio Buarque de Holanda, autor do clássico "Raízes do Brasil", e de Maria Amélia Alvim Buarque de Holanda, Cristina fez parte de uma das famílias mais influentes da cultura brasileira. Era irmã do cantor e compositor Chico Buarque, da cantora Miúcha e da ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda.
Ela iniciou a carreira musical em 1968, ao gravar a faixa "Sem Fantasia", de Chico Buarque, em dueto com o irmão. Em 1974, lançou seu primeiro disco solo, "Cristina". Este álbum, que trazia o sucesso "Quantas Lágrimas", do compositor Manacéia da Portela, ajudou a consolidar sua identidade artística marcada pela reverência aos sambistas tradicionais.


Cristina morreu no sábado (20), aos 74 anos.
Nos últimos anos, vivia na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, onde organizava rodas de samba e mantinha viva uma tradição que sempre cultivou com esmero.
"Seu modo de vida simples e sua dedicação à música fizeram dela uma referência cultuada por sambistas e estudiosos da cultura popular brasileira." (Carter Anderson, Jornal do Brasil)

02 março, 2025

Miche Fambro

Mick ("Miche") Fambro nasceu e foi criado em West Philly. Quando criança, ele se apaixonou por um violão pendurado na vitrine de uma loja de penhores e convenceu sua avó a comprá-lo para ele (bem - para seu irmão, na verdade - mas essa é outra história...). Poucos meses depois, ele se viu matriculado em um programa de música de verão. O professor entrou, olhou para o pequeno Mick e disse: "Bem, primeiro - você tem que virar essa coisa." Como canhoto, Mick tinha apenas virado o violão sem se preocupar em recolocar as cordas e aprendeu sozinho algumas músicas antes do início das aulas. Diante da insistência de que ele recomeçasse e aprendesse do jeito "certo", Mick foi embora e nunca mais teve outra aula. Isso se tornou o padrão de sua vida.

1 - "Summertime" (de George Gershwin)
2 - "Black Orpheus" (versão em inglês de "Manhã de Carnaval", composta pelos brasileiros Luiz Bonfá e Antonio Maria, uma das canções da trilha sonora de "Orfeu Negro", filme franco-brasileiro de 1959)

Canhotos do violão
O mais célebre deles no Brasil foi Américo Jacomino (1887-1928), o "Canhoto". Filho de imigrantes italianos, aprendeu música com Ernesto, o irmão mais velho, e foi um dos responsáveis pelo "enobrecimento" do violão no Brasil. É dele a valsa "Abismo de Rosas", peça obrigatória dos maiores violonistas brasileiros, de Dilermando Reis a Baden Powell.
Outro deles foi Francisco Soares de Araújo (1926-2008), o "Canhoto da Paraíba". Tocava o violão invertendo apenas o instrumento (sem inverter as cordas), pois precisava compartilhá-lo com outros irmãos que eram destros. Tive a inesquecível oportunidade de ouvi-lo tocar, durante horas, numa das mesas do Santiago Drinks, em Fortaleza.
O que um canhoto deve fazer ao iniciar-se no violão: inverter o instrumento ou o encordoamento? Há uma nota na internet, postada por ArtMaia Music, que discute as duas opções.

E sobre os canhotos da guitarra?
Jimi Hendrix, Paul MacCartney, Eric Clapton ...

07 junho, 2024

A satírica Dorothy Parker

Dorothy Parker (nascida Rothschild) foi uma escritora e jornalista americana radicada em Nova Iorque.
Ela era conhecida por sua inteligência, piadas e olhar para as fraquezas urbanas do século XX.
A famosa e sagaz Dorothy Parker tinha dificuldades em controlar o uso do álcool. Segundo a lenda, ao ter sido questionada sobre suas experiências em uma festa, ela respondeu:
"Mais uma bebida e eu estaria sob o comando do anfitrião!"
Dorothy também foi creditada por estes versos mais elaborado sobre o assunto. Aqui estão:
"Não posso beber martinis
Só um ou dois, no máximo
Depois das três, estou debaixo da mesa
Depois das quatro, estou sob o comando do meu anfitrião!"
Num jantar da alta sociedade, ela entrou na sala de jantar ao lado de uma bela e maliciosa dramaturga. A dramaturgo deu um passo para o lado. "A idade antes da beleza", ela disse docemente. "Pérolas aos porcos", respondeu Dorothy Parker, com a mesma doçura, e navegou para o jantar mais farto de sua vida.
Após sua cremação, as cinzas de Dorothy não foram reclamadas por muitos anos. Até que a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor reivindicou-as para o projeto de um jardim memorial.
A placa dizia:
"Aqui jazem as cinzas de Dorothy Parker (1893–1967), humorista, escritora e crítica. Defensor dos direitos humanos e civis. Como epitáfio, ela sugeriu: 'Desculpe minha poeira'. 28 de outubro de 1988."

02 abril, 2024

Kevin Mitnick (1963 – 2023)

"É o meu aniversário: neste dia, treze anos atrás, saí da prisão, em liberdade condicional por dez anos. Estou feliz que este pesadelo acabou (…) E como a história mudou! Agora sou pago para hackear e testar sistemas, em vez de fazer isso como hobby. Como se Pablo Escobar fosse pago para ser farmacêutico." :-)
– Kevin Mitnick
Faleceu aos 60 anos incompletos, vítima de câncer de pâncreas, o estadunidense Kevin David Mitnick, provavelmente o hacker mais conhecido da história. Ele pode não ter sido o mais experiente tecnicamente, mas há poucas dúvidas de que ele dominou a engenharia social como nenhum outro. Embora mais do que um hacker, sou da opinião que ele deveria ser classificado como cracker, pois não tinha muitos problemas morais em usar suas habilidades para obter benefícios econômicos.
Nos últimos anos, fundou a Mitnick Security Consulting LLC, uma empresa em que ele fazia consultoria de segurança e oferecia serviços de teste de penetração para empresas e agências, redimindo-se em parte de seu passado.

16 dezembro, 2023

Dos tempos heroicos da bossa nova

O cantor e compositor Carlos Eduardo Lyra Barbosa, ícone dos tempos heroicos da bossa nova (para citar uma expressão de Ruy Castro), morreu aos 90 anos, neste sábado, 16. Ele estava internado na UTI do Hospital Unimed Barra, no Rio de Janeiro, para o tratamento de uma septicemia.
Carioca do bairro de Botafogo, ele nasceu em 11 de maio de 1933. Ainda aluno do antigo segundo grau – o que hoje se chama de ensino médio – conheceu o compositor Roberto Menescal, com quem montou uma Academia de Violão, por onde passaram nomes como Marcos Valle, Edu Lobo e Nara Leão.
Ele entrou para o rol de ícones da bossa nova, ao lado de parceiros como Ronaldo Bôscoli, a dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes e o intérprete João Gilberto, todos representados no álbum "Chega de Saudade", lançado em 1959 e que consolidou o novo estilo musical para o porvir.
Carlos Lyra é autor de canções de sucesso, como "Você e Eu", "Coisa Mais Linda", "Influência do Jazz" (no vídeo abaixo de música instrumental, com ele ao violão e orquestra), "Maria Ninguém", "Minha Namorada", "Primavera", "Lobo Bobo", "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas", "Saudade Fez um Samba", "Se é Tarde me Perdoa", "Feio não é Bonito", "Samba do Carioca", entre outras.
Teve passagem também como diretor musical do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi um período em que entrou em contato com compositores populares como Zé Keti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e João do Vale. O hino da UNE é uma parceria de Lyra com Vinicius de Moraes.

(Ruy Castro, FOLHAPRESS) - Seja como for, esse corpo de canções, produzido em tão pouco tempo, foi suficiente para sustentar Carlos Lyra pelos 50 anos seguintes - período em que, por vários motivos, sua produção não se comparou à dos tempos heroicos da bossa nova. O que fez com que seu mais antigo parceiro (e cordial desafeto) Ronaldo Bôscoli assim o definisse: "Carlinhos Lyra é o contrário do vinho. Quanto mais moço, melhor".
Bôscoli sabia o que dizia. Os dois juntos, e mais uma plêiade de garotos por volta dos 20 anos, compunham uma turma que, naquela época, passava as noites no apartamento da quase adolescente Nara Leão, na avenida Atlântica, em Copacabana, para tocar violão, trocar acordes, cantar suas composições, rir muito e filar o uísque do dono da casa, pai de Nara. No futuro, dir-se-ia que a bossa nova nascera no apartamento de Nara. Mas Carlinhos, que vinha da pré-história do novo ritmo, sempre negou que tivesse sido assim. E acrescentava: "Nem a Nara nasceu no apartamento da Nara".

04 março, 2023

No céu de Sueli

Morreu hoje (4), aos 79 anos, no Rio de Janeiro, a compositora e cantora Sueli Costa.
Ela iniciou sua carreira profissional com o apoio de Nara Leão que, em 1967, gravou a canção "Por exemplo, você", feita em parceria com João Medeiros Filho. Como intérprete, Sueli teve uma carreira tímida, com apenas seis álbuns em mais de 50 anos de trajetória. Suas composições, no entanto, voaram alto e foram sucessos nas vozes de intérpretes como Elis Regina, Maria Bethânia, Ângela Ro Ro, Fafá de Belém, Beth Carvalho, Gal Costa, Fagner e Simone, entre muitos outros (Forum).
Veja abaixo a lista de alguns dos sucessos de Sueli Costa,com os respectivos parceiros e intérpretes:

  • Altos e Baixos – letra de Aldir Blanc, O Primeiro Jornal – letra de Abel Silva, 20 Anos Blues – letra de Victor Martins - Elis Regina
  • Coração Ateu – letra de João Medeiros - Maria Bethânia
  • Nenhum Lugar – letra de Tite de Lemos - Ângela Ro Ro
  • Dentro de mim mora um anjo – letra de Cacaso - Fafá de Belém
  • Rosa Vermelha – letra de Paulo César Pinheiro - Beth Carvalho
  • Vida de Artista – letra de Abel Silva - Gal Costa
  • A Canção Brasileira, Jura Secreta – ambas com letra de Abel Silva - Fagner
  • Jura Secreta, Face a Face, esta com letra de Cacaso - Simone (vídeo)

20 fevereiro, 2023

Mussum, sua "históris"

Nascido como Antônio Carlos Bernardes Gomes, em 7 de abril de 1941, foi como Mussum que ele se eternizou para o público brasileiro.
Ele cresceu no Morro da Cachoeirinha, no Rio de Janeiro. Filho de uma empregada doméstica, teve uma infância pobre, mas aprendeu com a mãe o valor do estudo. Analfabeta, sua mãe lhe dizia o quanto era importante aprender a ler. E ele, ainda menino, passou a ensinar a mãe a ler.
Trabalhou como ajustador mecânico, faxineiro, cozinheiro e serviu a Força Aérea Brasileira, porém foi na música que seu talento se destacou. Formou com amigos o grupo musical "Originais do Samba", que gravou 13 discos e fez muito sucesso nos anos 1970.
Em 1965, deu os seus primeiros passos no humor, participando do programa humorístico da Rede Globo, "Bairro Feliz". Nesse programa, ele recebeu o apelido com que ficou conhecido. Grande Otelo passou a chamá-lo de Mussum, em referência ao muçum ou mussum, (*) um peixe escorregadio e liso. Para o ator, Antônio Carlos parecia-se com esse peixe por ser capaz de se livrar das situações mais constrangedoras.
Em suas apresentações humorísticas, conheceu Dedé Santana. Logo depois, chamou a atenção de Renato Aragão por causa de seu talento para o improviso. Em 1972, formou um trio com Dedé e Didi. Dois anos depois, a entrada de Zacarias fez com que eles formassem um quarteto e, através do programa "Os Trapalhões", conquistaram um imenso público na TV brasileira.
Além de seu carisma e facilidade para contar causos, Mussum se destacou pelo jeito de falar, criando um dialeto próprio que até hoje é lembrado e repetido por muita gente. Enchendo a sua fala com palavras terminadas em "is": "Cacildis", "forévis", "biritis", "turmis", "todo mundo vê os porris que eu tomo, mas ninguém vê os tombis que eu levo!"
Em 1977, ele deixou o grupo "Os Originais do Samba" para se dedicar apenas ao humorístico "Os Trapalhões". A música, porém, nunca o abandonou. Fez diversas apresentações musicais no programa de humor e chegou a gravar três discos solos.
O problema cardíaco pôs fim à vida desse homem de coração imenso e sorriso largo. Sua alegria, seu talento em representar, o samba no pé, a habilidade no reco-reco, o dialeto pessoal, a irreverência e tantas outras qualidades o tornaram admirado e querido por muita gente.
Fonte: Iconografia da História

(*) Mussum pode ser peixe ou o ator. Muçum pode ser peixe ou um município gaúcho. E as duas opções dão palíndromos!

15 janeiro, 2023

Crioulo Doido e Nabucodonosor

Sérgio Marcus Rangel Porto (1923 - 1968), cronista, radialista e compositor.
Conhecido também pelo pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. É o autor do famoso FEBEAPÁ ou Festival de Besteiras que Assola o País.
Em 1953, escreveu a "Pequena história do jazz". Em 1954, atuou como colaborador da "Revista de Música Popular", fundada por seu tio Lúcio Rangel e por Pérsio de Moraes.
Ainda em 1956, destacou-se em São Paulo ao participar, por 16 semanas na TV Tupi, do programa "O céu é o limite", respondendo perguntas sobre a música popular brasileira, tendo faturado o maior prêmio pago até então pelo programa: 300 mil cruzeiros.
Era grande admirador e pesquisador de música popular, possuindo uma discoteca avaliada em cerca de 30 mil discos entre 78 rpm e LPs.
Em 1965, Sérgio Porto passou a dedicar-se ao teatro de revista, tendo escrito entre outras "Pussy pussy cats", revista produzida por Carlos Manga, na qual apareceu o seu famoso Samba do crioulo doido. Gravado pelo Quarteto em Cy, em 1968, o samba fez grande sucesso, sendo inclusive apresentado em show do mesmo nome, que correu quase todo o país com cerca de 100 apresentações, e do qual ele próprio participava ao lado do Quarteto em Cy.
Fonte: Dicionário de Cravo Albin
Em 1973 o Quarteto em Cy gravou a marcha-rancho Nabucodonosor, também de Sérgio Porto. Gravada cinco anos após a morte do criador da família Ponte Preta (Tia Zulmira, Primo Altamirando, Rosamundo, Bonifácio, o Patriota...), que havia falecido em 1968, Nabucodonosor foi registrada em compacto simples Odeon S7B-630-A e figurou também na coletânea "Só sucessos" – volume 11. O site "O Caixote" (fora do ar) trazia a informação de que Nabucodonosor foi composta em homenagem a Rogéria e que seu título original era Marcha da Bicha Louca, que foi censurado.
Fontes: Luciano Hortêncio e Samuel Machado Filho.

Samba do crioulo doido
Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casar
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
{Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar} bis
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
{E foi proclamada a escravidão} bis
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Dona Leopoldina virou trem
E Dom Pedro é uma estação também
{Ô, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou} bis
Nabucodonosor
Nunca mais quero sair fantasiado
Nunca mais quero brincar no carnaval
Nunca mais, ai, nunca mais serei vaiado
Naqueles bailes do Municipal

Foi no ano passado, eu me fantasiei, imaginem vocês
Fui pra lá carregado, todo enfeitado, com mil paetês
Com miçangas e vidrilhos, apliques, lantejoulas
Bordados eu tinha até mesmo nas minhas ceroulas

Quantas noites tive que ficar acordado
Quantas noites eu cheguei mesmo a passar mal
Quantas noites eu caprichei nos meus babados
Pra quase ir em cana no final

Começou o desfile, a fofoca comia em pleno salão
Sonho de Messalina, não sabe de quem, levou um bofetão
Esplendor Renascentista foi desclassificado
Aí deu um pulo pra cima e caiu desmaiado

Foi então que desisti de desfilar
Foi então que abandonei a passarela
Foi então que começaram a me estranhar
[E o povo já gritava prende ela] bis

Terminou o desfile eu só não chorei porque não sou mulher
E mesmo que fosse, eu nunca seria como uma qualquer
[Fui pra minha casa curtindo a minha dor
Rasgado e amassado de Nabucodonosor]
bis

08 janeiro, 2023

Aloysio de Oliveira (30/12/1914 - 20/02/1995)

Nasceu Aloysio de Oliveira no Rio de Janeiro, no bairro do Catete, a duas quadras do Palácio do Catete, sede na época do governo federal. Aos oito anos, ganhou do pai um rádio "de galena", onde passava longo tempo ouvindo maxixes, chorinhos e tanguinhos brasileiros, além de muita música americana.
Iniciou sua carreira profissional ainda adolescente, quando seu grupo musical foi convidado pelo Maestro J. Tomaz para gravar um teste na Parlophon. O disco não deu resultado. Em 1929 conheceu Carmen Miranda na casa do violonista Josué de Barros, situada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Nessa época, o seu bloco passou a se chamar Bando da Lua.
Em 1939, quando acompanhava Carmen Miranda no Cassino da Urca, surgiu a oportunidade de ir para os Estados Unidos, para realizar shows na Broadway. O empresário Lee Shubert viu Carmen Miranda em sua apresentação e resolveu oferecer-lhe um contrato para ir a Nova Iorque. A cantora impôs a ida dos rapazes do Bando da Lua.
Por intermédio de Gilberto Souto, um amigo brasileiro que já trabalhava nos estúdios de Disney, foi convidado para fazer parte da equipe de produção de filmes encomendados pelo governo americano por conta de sua então "política de boa vizinhança" com os países latino-americanos. Participou da produção de "Saludo, amigos", em que cantou "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e deu inúmeras sugestões a respeito do personagem Zé Carioca.
Em 1941, quando participava da produção de "The Three Caballeros" ("Você já foi à Bahia?"), estrelado por Aurora Miranda, sugeriu a troca do número "Carinhoso", de Pixinguinha, com letra de João de Barro, pelo samba "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso. A argumentação de que o choro de Pixinguinha não representava a Bahia selou definitivamente sua amizade com Walt Disney. Em 1943, Aloysio fez letra para o choro "Tico tico no fubá", de Zequinha de Abreu, interpretada no filme "Alô amigos".
No dia 5 de agosto de 1955, esteve na festa realizada na casa de Carmen Miranda, na madrugada anterior a sua morte. Ao receber a trágica notícia da boca da empregada colombiana de Carmen Miranda, pensou que a mãe da cantora, D. Maria, é que havia falecido. Em seu livro de memórias contou sua chegada à casa de Carmen Miranda:
"Estela abriu a porta e a primeira pessoa que vi foi Dona Maria, que se abraçou a mim chorando e anunciando, sem uma palavra, o fim da primeira metade da minha vida".
Em 1959, lançou pela Odeon o famoso LP de João Gilberto intitulado "Chega de saudade", considerado um marco da bossa nova. Também teve importante papel na apresentação de vários artistas brasileiros como Tom Jobim e João Gilberto, em 1962, no "Festival de Bossa Nova" realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque.
No ano seguinte, fundou o selo "Elenco", de importância marcante para a música brasileira na década de 1960, pela qual lançou uma série de novos talentos da MPB, tais como Edu Lobo, MPB-4, Quarteto em Cy e aglutinou os nomes ligados à bossa nova que saíram da Odeon. A Elenco durou até 1968, quando seus fonogramas foram vendidos à PolyGram, que remasterizou o material e reeditou 23 títulos com notas em inglês e português, e detalhes sobre o "making off" dos discos. 
Como produtor lançou vários outros artistas importantes da MPB como Elza Soares, Sérgio Ricardo, Sylvinha Telles e Alaíde Costa, entre outros. Sua presença na história da música popular brasileira é única, pois, além de ser protagonista de toda a trajetória de Carmen Miranda nos EUA, participou como peça-chave do nascimento da Bossa Nova e da difusão da música brasileira no exterior, principalmente nos EUA. 
Sua atuação deu-se em várias frentes, já que atuou como músico, cantor, produtor, diretor-artístico, narrador de filmes e empresário. Teve participação importante na bossa nova como letrista de clássicos do movimento como "Dindi", "Demais", "De você eu gosto", "Samba torto", "Só tinha de ser com você", "Inútil paisagem" e "Eu preciso de você" (vídeo), nos quais foi parceiro de Tom Jobim.
Extraído de: http://dicionariompb.com.br/artista/aloysio-de-oliveira/



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11 agosto, 2022

O legado ao cinema do empresário John DeLorean

John DeLorean foi o criador de uma empresa que leva seu sobrenome, a DeLorean Motor Company (DMC). A empresa não existe há décadas, mas ainda é conhecida por ter feito a máquina do tempo mais elegante da história: o DeLorean DMC-12, de "Back to the Future" (de Volta para o Futuro). O que agora chamamos simplesmente de "o DeLorean" (foto), com suas lendárias portas em forma de asa de gaivota, foi o resultado de um projeto de negócios caótico e desastroso com toda uma história curiosa por trás, infelizmente muito menos épica e romântica do que se poderia supor.


Para uns, ele era um visionário que iria revolucionar a indústria automobilística; para outros, era o maior vigarista do mundo. John DeLorean chegou à General Motors, em Detroit, nas divisões de "carros de luxo" que lidavam com o marketing dos Pontiacs e Chevrolets dos anos 1950 e 1960. Foi então, em 1973, que ele decidiu tentar a sorte por conta própria e fundou a DeLorean Motor Company, com a ideia de criar um carro esportivo de dois lugares "único, diferente e futurístico" e com seu distinto acabamento em aço inoxidável.
Como seria um projeto de luxo, confiou o design a Giorgetto Giugiaro, criador de grandes clássicos como o Lotus Esprit S1, e no qual se inspirou. Então, DeLorean começou a buscar dinheiro para a empresa: não era fácil nem barato produzir um carro de luxo. E, para reduzir os custos, mudou a fábrica para os subúrbios de Belfast, na Irlanda do Norte, mas sem levar em conta que se encontrava no pior e mais conflituoso momento da história daquele país.
O que se segue é a clássica história de um desastre empresarial passo a passo: dificuldades de financiamento com investidores, muitas promessas, poucas realidades. A isso se somaram os problemas de fabricação e, naturalmente, os longos atrasos de um carro não vendia bem até janeiro de 1981. Tudo isto enquanto DeLorean gastava o dinheiro em marketing, promoção e - a título pessoal - mantendo a vida do pai com um alto salário, compras de obras de arte e outros luxos, algo em nada de acordo com a situação. Até os contadores da empresa ficaram chocados.
Este naufrágio em câmera lenta significou que apenas cerca de 9.000 unidades do DMC-12 foram fabricadas. E embora parecesse que as concessionárias americanas iam tirá-los das mãos (havia até lista de espera), tudo eram problemas, principalmente por causa da mudança de posição do motor em relação ao desenho original e depois por causa da finalização. Os clientes tiveram problemas com as portas, com os pedais, com a suspensão, com a antena do rádio e até com o desgaste das rodas. Não havia manual de serviço técnico oficial e os revendedores estavam desesperados; era inaceitável para um carro que custava o equivalente a cerca de US $ 80.000 hoje. Apenas 3.000 unidades foram vendidas no primeiro ano e algumas centenas mais com grandes descontos no ano seguinte.
A única saída digna era declarar falência, algo que DeLorean resistia e deveria ter feito muito antes. Ele já havia perdido US $ 175 milhões com a empresa. E, no meio da desordem, o FBI o flagrou  comprando 25 quilos de cocaína em um quarto de hotel, provavelmente para revender por cerca de 24 milhões de dólares (o que pagaria a insolvência de cerca de 17 milhões em que ele estava imerso). Ao conversar com o vendedor - que era apenas um agente disfarçado - e fazer a compra com as próprias mãos, DeLorean foi preso. No subsequente julgamento em 1984, ele foi considerado "inocente" porque os policiais teriam ido além da linha de incitamento para cometer o crime, tentando-o fortemente com "dinheiro fácil".
A popularidade da série "De Volta ao Futuro" fez do DMC-12 um objeto de culto. Na verdade, ainda existem milhares de DeLoreans por aí e peças sobressalentes para eles, que são delicadamente restaurados, além de reuniões e convenções de proprietários sendo realizadas.
John DeLorean morreu em 2005 com 80 anos de idade, falido e com ideias um tanto delirantes para novas versões do DMC e outros  projetos de veículos, incluindo um sobre monotrilho.

Extraído de: John DeLorean, el empresario automovilístico cuya carrera acabó en desastre pero que dejó un legado de película

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04 agosto, 2022

A Bruxa do 71

Angelines Fernández, atriz espanhola naturalizada mexicana, conhecida por representar o papel de Dona Clotilde ("a Bruxa do 71"), no programa humorístico do Chaves.


Mas o que muitos não sabem: é que esta mulher participou da guerrilha que lutou contra o ditador espanhol Francisco Franco, depois que ele assumiu o poder após o fim da guerra civil espanhola.
Do passado como insurgente na Espanha ao exílio no México
Com o triunfo do golpe militar em 1939, iniciou-se na Espanha um regime repressivo que Franco conseguiu estender por quase 40 anos. Os anos iniciais do pós-guerra foram os mais difíceis. Por razões políticas e ideológicas, milhares de pessoas passaram a ser perseguidas pela ditadura franquista. Entre os insurgentes, estava Angelines Fernández.
Temendo a prisão, a tortura e a eliminação física, ela deixou a Espanha, emigrando para o México em 1947, quando tinha apenas 25 anos.
No país asteca, ela permaneceu pelo resto de sua vida, mesmo após a morte de Franco e a restauração da democracia em sua terra natal. E viria a se tornar uma atriz mundialmente conhecida. Depois de participar de várias produções, incluindo alguns filmes da Idade de Ouro do cinema mexicano, ao lado de Cantinflas e outros artistas renomados, Angelines decidiu se aposentar em 1991.
Três anos depois, a milhares de quilômetros de distância do país que a viu nascer, ela morreu de câncer pulmonar causado pelo tabagismo.

Relacionados:
Chaves, Seu Madruga, Professor Girafales, A Chiquinha, Quico, Seu Barriga e Nhonho (a publicar)

15 junho, 2022

Locusta da Gália

Alguns consideram Locusta a primeira serial killer do mundo, mas ela provavelmente foi apenas a primeira bem documentada. No entanto, ela não matava por emoção. Seus motivos eram claramente mercenários.
Nascida no interior da Gália (onde hoje é o sul da França), Locusta cresceu aprendendo sobre ervas e botânica, incluindo os benefícios e os perigos de certas plantas. Ao se mudar para Roma, ela percebeu que a maneira mais rápida de lucrar com esse conhecimento era fornecer venenos às pessoas. Em uma cidade onde a ganância e a ambição eram excessivas e todos tinham muitos inimigos, ela não se deparou com falta de clientes.


As vendas aceleradas não significavam que ela estivesse imune à lei. Locusta foi presa e até poderia ter morrido se a notícia de suas habilidades não tivesse chegado à Imperatriz Agripina. Em 54 dC, Agripina desejava assassinar seu marido Claudius, para melhor garantir que seu filho Nero herdasse o trono. E então, ela decidiu contratar Locusta.
Primeiro, Locusta forneceu um veneno com a intenção de agitar as entranhas do testador de alimentos de Claudius. Com ele fora do caminho, o veneno foi espalhado em um prato de cogumelos, a comida favorita de Claudius. Ele os comeu sem hesitar. No entanto, sendo um homem cauteloso, Claudius sempre tinha uma pena em mãos. Caso suspeitasse de veneno, ele poderia usar a pena para fazer cócegas no fundo da garganta e fazer-se vomitar. 
Seu plano falhou. Porque Locusta providenciou para que a pena também estivesse encharcada de veneno.
Agripina não foi o único membro da família a empregar as habilidades de Locusta. Nero aparentemente não sentia que as maquinações de sua mãe tinham sido suficientes para garantir que ele continuasse no trono. Ele recrutou Locusta para fornecer veneno para matar seu irmão adotivo (e competidor pelo trono) de nome Tiberius.
O assassinato de Tiberius (em que o vinho não estava envenenado e sim a água fria que foi adicionada ao vinho) exigiu uma habilidade significativa da Locusta. Enquanto Tiberius morria em frente a todos, sem fôlego, Nero dizia que seu irmão costumava sofrer de ataques epilépticos.
Nero é lembrado como um imperador verdadeiramente malvado e insano. Mas Locusta se saiu bem com ele. Ele a libertou da prisão, nomeou-a "Envenenadora Imperial" e concedeu-lhe grandes propriedades. E, o mais importante, ele também perdoou os muitos envenenamentos que ela cometeu. Ela passou, o que eu presumo, alguns anos felizes assassinando pessoas sob a orientação da família imperial e até abriu uma escola para ensinar outras pessoas a manipular venenos.
Nada mal para uma camponesa da Gália.
Mas seu contentamento foi breve. Os cidadãos se revoltaram contra Nero e o Senado o condenou. Isso era compreensível, já que ele estava sempre matando pessoas - incluindo sua mãe, Agripina. Nero cometeu suicídio em 68 dC. Infelizmente para ele, ele o fez sem a ajuda dos venenos de Locusta. O sucessor de Nero, o imperador Galba, muito rápida e sensatamente prendeu os comparsas de Nero e os sentenciou à morte.
Um mito duradouro sobre Locusta é que uma girafa especialmente treinada a estuprou até a morte. Dado o amor dos romanos por punições por intermédio de animais, isso não parece totalmente improvável. No entanto, é mais provável que ela tenha sido despachada de uma forma menos estranha. Cassius escreveu: "Locusta, a feiticeira e outros da escória que veio à tona nos dias de Nero, ele [Galba] ordenou que fossem conduzidos acorrentados por toda a cidade e depois executados".
Portanto, embora não seja correto dizer que “o crime não compensa” - vale, essa é de fato uma das principais razões pelas quais as pessoas cometem crimes - em alguns casos, como o de Locusta, só compensa brevemente. E que Deus ajude se as girafas descobrirem sobre seus crimes.

08 junho, 2022

O filósofo do futebol

Antônio Franco de Oliveira (1906 – 1976), mais conhecido por Neném Prancha, o apelido que nele puseram em razão de possuir mãos e pés enormes. 

Ele trabalhou como roupeiro, massagista, olheiro e técnico das divisões de base de seu time do coração, o Botafogo. Do jornalista Armando Nogueira, ganhou a alcunha de "O filósofo do futebol". E de Pedro Zamora (pseudônimo literário do escritor cearense Jocelyn Brasil) mereceu o livro chamado "Assim falou Neném Prancha". 

Neném Prancha tornou-se um mito do futebol brasileiro, principalmente por suas  frases de efeito.

"Jogador de futebol tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida."

"Chute a bola pra cima; enquanto ela estiver no alto, não há perigo de gol."

"O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas."

"Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma."

"O importante é o principal; o resto é secundário."

"Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava sempre empatado."

"Quem se desloca, recebe; quem pede, tem preferência."

"Futebol é muito simples: quem tem a bola, ataca; quem não tem, defende."

"Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades."

"Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama."

"O pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube."

15 maio, 2022

O visionário Manfredo Fest

Manfredo Irmin Fest nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e faleceu aos 63 anos em Tampa Bay, Flórida. Descendente de alemães, seu pai era um pianista de concerto da Alemanha que lecionava na Universidade de Porto Alegre.
Legalmente cego de nascença, o tecladista, compositor e maestro brasileiro Manfredo Fest aprendeu a ler música em Braille e começou a estudar música clássica ainda jovem. Aos 17 anos, ele se apaixonou pelo jazz (particularmente pela música do pianista cego George Shearing) antes de se envolver no emergente movimento da bossa nova no Rio nos anos sessenta. Mudando-se para os Estados Unidos em 1967, onde passaria a trabalhar com o conterrâneo Sergio Mendes, Fest gravou e lançou em 1976 o Brazilian Dorian Dream (stream completo do álbum com 39:26 de duração), contando com Thomas Kini (baixo), Alejo Poveda (bateria, percussão) e Roberta Davis (vocal).
Discografia: Bossa nova, nova bossa (1963), Alma brasileira (1966), Bossa Rio (1966), Bossa rock blues (1972), Brazilian Dorian Dream (1976), Brasileira (1987), Amazonas (1997), Só Jobim (1998), entre outros títulos.



Como um passeio de elevador intergaláctico turboalimentado, o Brazilian Dorian Dream baseia-se no princípio das escalas diatônicas modais do modo dórico, com influências de ritmos brasileiros, jazz e funk norte-americanos, e música da época barroca e romântica europeia. A união desses estilos intergeracionais e intercontinentais, juntamente com o uso visionário do Fender Rhodes, Clavinet, Arp e Moog (além de uma grande quantidade de unidades de efeitos), faz um álbum anos-luz à frente de seu tempo. Os vocais milagrosos sem palavras da cantora de jazz norte-americana Roberta Davis são pregados tão firmemente ao lado das teclas de Manfredo e dos sintetizadores alucinantes que soam quase estranhos.

13/05/2022 - Manfredo Fest é homenageado hoje com Doodle do Google.