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16 março, 2026

Estátua equestre de Marco Aurélio em Roma

A estátua do imperador romano Marco Aurélio (121 a 180 d.C.), montado em seu cavalo, confeccionada em bronze dourado e em tamanho maior que o natural, é a única estátua de bronze completa desse tipo a sobreviver à Antiguidade e uma das poucas a permanecer exposta ao público durante toda a Idade Média.
A maior parte de estátuas como essa foi derretida e tranformada em moedas, decorações em alto relevo, ou bustos depois que Roma se converteu ao cristianismo, porque pareciam cultivar a idolatria aos mortais comuns.
A estátua de Marco Aurélio escapou porque se pensava que a pessoa representada montada ao cavalo fosse o primeiro imperador cristão,Constantino (272 a 337 d.C.). Somente na Idade Média quando a cabeça da estátua foi comparada com retratos de Marco Aurélio, é que a identificação correta foi feita.
A original está abrigada nos Museus Capitolinos e a versão atual, instalada ao ar livre na Piazza del Campidoglio, é uma réplica feita em 1981, quando a original foi removida para restauro. A obra é de autor desconhecido.

Data da fotografia: 11/10/2024

Quem foi Marco Aurélio
Marco Aurélio Antonino (em latim Marcus Aurelius Antoninus; 26 de abril de 121 — 17 de março de 180), foi imperador romano de 161 até sua morte. Ele era conhecido pela preocupação com o bem-estar público e por seus esforços para humanizar as leis penais. Foi o último dos cinco bons imperadores, e é lembrado como um governante bem-sucedido e culto; dedicou-se à filosofia, especialmente à corrente filosófica do estoicismo, e escreveu uma obra que até hoje é lida, "Meditações". (fonte: Wikipedia)

10 agosto, 2024

Mana, Maninha

Mana (domínio público)
c/ Gilberto Gil, disco "O Sol de Oslo", 3:51 "Teus cabelos"
Mana, seus cabelos, mana / São os arvoredos / Toca fogo neles, mana / De manhã bem cedo.
http://youtu.be/UzHW8dBsc8Q?si=NZLRbAp1PY-H66pW

Mana que emana (Bruno Barreto e Tiago da Serrinha)
c/ Samba da Gávea
A mana caiu no "semba" / a mana quer "sembar".
http://youtu.be/TK6MzEoaObs?si=T4UsLbMstwgZK7ft

Cantiga do Caicó (domínio público)
Inspirou Villa-Lobos para a composição de uma de suas bachianas.
c/ Ricardo Bacelar
Ô, mana, deixa eu ir / Ô, mana, eu vou só / Ô, mana, deixa eu ir / Pro sertão do Caicó.
http://youtu.be/4VTO9j13brg?si=mWsOabe1UzymIJML

Vamos, Maninha
Cirandinha n.º3 de Villa-Lobos
Vamos, Maninha / Vamos à praia passear / Vamos ver a barca nova / Que do céu caiu no mar.
http://youtu.be/P8Z9psfpaNk?si=NyGQLREAmvu9m2RF

Pequeno mapa do tempo (Belchior)
c/ Belchior
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim? / Manda buscar outro, maninha, no Piauí
http://youtu.be/aUjne9Bb9KI?si=hz_ai72UcNRWaRqu

Maninha (Chico Buarque)
c/ Chico Buarque e Maninha
Se lembra quando toda modinha / falava de amor? / Pois nunca mais cantei, oh maninha / depois que ele chegou.
Vídeo

Sobre Villa Borghese
Em setembro de 2023, tive a oportunidade de conhecer a Villa Borghese (que Chico relembra em seu depoimento nesse vídeo), onde fica um dos parques mais importantes de Roma. Nos jardins desse parque, os visitantes veem construções, esculturas, monumentos e fontes de famosos artistas de diferentes épocas. Um de seus pontos interessantes é o Relógio de Água de Pincio, um exemplo de engenharia do século XIX e que ainda funciona. Localizado no Norte de Roma, o parque tem entrada gratuita.

18 abril, 2024

MMMCMXCIX razões para usar os algarismos romanos

Em aula anterior demonstramos as XII razões para usar os algarismos romanos.

Para cifras elevadas, utiliza-se um travessão por cima da letra, que representa sua multiplicação por 1000. Assim, C corresponde ao valor 100 000 (100 x 1 000) e M corresponde ao valor 1 000 000 (1 000 x 1 000). Desta forma, o maior número que podemos escrever é 3 999 000, que em algarismos romanos corresponde a:

MMMCMXCIX
.

Vale lembrar que esse sistema não permite escrever números superiores a 3 999 que não terminem em 000.

Atenção, Blogger. Não conseguimos colocar os travessões em MMMCMXCIX no título da postagem. Nem copiando e colando.

01 abril, 2024

XII razões para usar os algarismos romanos


E aí, patrícios? Temos colossais XII razões pelas quais deveríamos ignorar esses algarismos arábicos modernos e continuarmos usando o I, I, III de nossos antepassados. Então, sem mais delongas, vamos mergulhar neste assunto. [Tempo de leitura: IV minutos]
I. O que são algarismos arábicos?
2? 3? 54? O que são esses símbolos estúpidos? Tudo bastante confuso. I, V, X e L, por outro lado, são familiares. Muito legal.
II. Adição é uma coisa fácil.
Para aqueles que argumentam que adicionar algarismos romanos é difícil: você são uns tolos. Querem  combinar X e V? Apenas junte-os. Quão difícil foi isso? Quanto a números mais longos, como o XLV, também é fácil. Basta proceder de acordo com as tabelas fornecidas pelo procônsul local.
III. Multiplicação e divisão longas.
Multiplicar o quê? Dividir o quê? Quem precisa dessas fórmulas sofisticadas, afinal? Talvez vocês, perdedores, devessem gastar menos tempo brincando com números e mais tempo debulhando grãos e/ou esculpindo mármore.
V. Elegância na escrita.
"Nossos ganhos trimestrais de linho aumentaram em LXVI por cento, caindo em XIV em relação a MDXXVII." Limpo, claro, profissional.
VI. Quanto maior o número, mais longo ele é.
4.708 soa pequeno. Fraco, mesmo. Mas MMMCMXCIX? Isso me mostra o quão grande é esse número. Talvez o maior?
VII. Sem decimais irritantes.
Decimais são para escribas que não têm nada melhor para fazer do que inventar coisas como 7,5 aquedutos ou 3,25 guerras. Mas, se você é um general, senador ou magistrado, como a maioria de nós, isso é exagerar um pouco.
VIII. A ordem informa se você deve adicionar ou subtrair.
VI é V+I enquanto IV é V-I. Agora tente isso numa matemática estúpida. 21 é... 2+1? Não! 12 é 1-2? Falso! Veja, simplesmente não funciona. 
IX. Zero é facilmente a coisa mais estúpida de que já ouvi falar.
“Ei, pessoal, vocês sabem o que estamos perdendo? Um número que representa a ausência de números. Absolutamente nada.
X. Sete letras.  
I, V, X, L, C, D, M. Vê? Isso é tudo que você precisa para criar todos os números sob o sol (até MMMMDCCVIII).
XI. O fator plágio.
As pessoas pensam que esses dígitos rabiscados são originais. Mas dê uma olhada mais de perto e você verá a boa e velha engenhosidade romana em ação. 1? Claramente uma cópia de I. 3? O "E" ao contrário. 5? Sim, isso é um "S" tentando cobrir seus rastros. Eles até enganam! Vire um 6 de cabeça para baixo e você terá todas as evidências de que precisa.
XII. Números são letras e letras são números. Fim da história.
Já temos o alfabeto. Dá-nos tudo o que precisamos. Mas não - não é bom o suficiente para esses matemáticos extravagantes que precisam de seu próprio conjunto de caracteres apenas para se sentirem especiais. O que vem a seguir, o sinal = que significa "igual a"?
Conclusão:
Abandone a moda, pessoal. Roma sempre vence. (Eli Burnstein)

09 setembro, 2022

O quadrado SATOR

É um quadrado contendo um palíndromo latino com as palavras SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS. Escritas no quadrado, estas palavras podem ser lidas: de cima para baixo e de baixo para cima no sentido contrário; da esquerda para a direita e da direita para a esquerda no sentido contrário. Observar que este quadrado de palavras é também um caso especial de acróstico.

Em vez de um quadrado mágico matemático, Sator é uma espécie de ancestral das palavras cruzadas. Sua reaparição se deu nas ruínas de Herculano, uma cidade que foi enterrada pelas cinzas do Monte Vesúvio, em 79 D.C.
O quadrado Sator também forma uma frase, embora seu significado seja obscuro. As traduções possíveis da frase são: "O semeador Arepo segura as rodas com esforço" ou "O semeador Arepo conduz com a mão (trabalha) o arado (rodas)" e "O Grande Semeador tem em suas mãos todas as obras" ou "Todas as obras que o Grande Semeador tem em suas mãos". Já a palavra Arepo é enigmática, não aparecendo em nenhum outro lugar da literatura latina. A maioria dos que estudaram o quadrado Sator concorda que é um nome próprio, seja uma adaptação de uma palavra não latina ou, muito provavelmente, um nome inventado especificamente para esta frase.
Em Roma, este quadrado foi inscrito em uma variedade de objetos comuns do dia a dia, como utensílios e recipientes para bebidas. Também era colocado acima das portas por que muitos acreditavam que tivesse propriedades mágicas para afastar os maus espíritos. Carregado pelas legiões romanas, ele  tornou-se uma figura presente em todo o Império Romano. Também foi encontrado no Egito, datado do quarto ou quinto século, onde foi escrito em papiros ou pergaminhos e utilizado como amuleto. Mais tarde, no século IX, reapareceu em pinturas rupestres descobertas na Capadócia.
http://www.taliscope.com/Sator_en.html

15 junho, 2022

Locusta da Gália

Alguns consideram Locusta a primeira serial killer do mundo, mas ela provavelmente foi apenas a primeira bem documentada. No entanto, ela não matava por emoção. Seus motivos eram claramente mercenários.
Nascida no interior da Gália (onde hoje é o sul da França), Locusta cresceu aprendendo sobre ervas e botânica, incluindo os benefícios e os perigos de certas plantas. Ao se mudar para Roma, ela percebeu que a maneira mais rápida de lucrar com esse conhecimento era fornecer venenos às pessoas. Em uma cidade onde a ganância e a ambição eram excessivas e todos tinham muitos inimigos, ela não se deparou com falta de clientes.


As vendas aceleradas não significavam que ela estivesse imune à lei. Locusta foi presa e até poderia ter morrido se a notícia de suas habilidades não tivesse chegado à Imperatriz Agripina. Em 54 dC, Agripina desejava assassinar seu marido Claudius, para melhor garantir que seu filho Nero herdasse o trono. E então, ela decidiu contratar Locusta.
Primeiro, Locusta forneceu um veneno com a intenção de agitar as entranhas do testador de alimentos de Claudius. Com ele fora do caminho, o veneno foi espalhado em um prato de cogumelos, a comida favorita de Claudius. Ele os comeu sem hesitar. No entanto, sendo um homem cauteloso, Claudius sempre tinha uma pena em mãos. Caso suspeitasse de veneno, ele poderia usar a pena para fazer cócegas no fundo da garganta e fazer-se vomitar. 
Seu plano falhou. Porque Locusta providenciou para que a pena também estivesse encharcada de veneno.
Agripina não foi o único membro da família a empregar as habilidades de Locusta. Nero aparentemente não sentia que as maquinações de sua mãe tinham sido suficientes para garantir que ele continuasse no trono. Ele recrutou Locusta para fornecer veneno para matar seu irmão adotivo (e competidor pelo trono) de nome Tiberius.
O assassinato de Tiberius (em que o vinho não estava envenenado e sim a água fria que foi adicionada ao vinho) exigiu uma habilidade significativa da Locusta. Enquanto Tiberius morria em frente a todos, sem fôlego, Nero dizia que seu irmão costumava sofrer de ataques epilépticos.
Nero é lembrado como um imperador verdadeiramente malvado e insano. Mas Locusta se saiu bem com ele. Ele a libertou da prisão, nomeou-a "Envenenadora Imperial" e concedeu-lhe grandes propriedades. E, o mais importante, ele também perdoou os muitos envenenamentos que ela cometeu. Ela passou, o que eu presumo, alguns anos felizes assassinando pessoas sob a orientação da família imperial e até abriu uma escola para ensinar outras pessoas a manipular venenos.
Nada mal para uma camponesa da Gália.
Mas seu contentamento foi breve. Os cidadãos se revoltaram contra Nero e o Senado o condenou. Isso era compreensível, já que ele estava sempre matando pessoas - incluindo sua mãe, Agripina. Nero cometeu suicídio em 68 dC. Infelizmente para ele, ele o fez sem a ajuda dos venenos de Locusta. O sucessor de Nero, o imperador Galba, muito rápida e sensatamente prendeu os comparsas de Nero e os sentenciou à morte.
Um mito duradouro sobre Locusta é que uma girafa especialmente treinada a estuprou até a morte. Dado o amor dos romanos por punições por intermédio de animais, isso não parece totalmente improvável. No entanto, é mais provável que ela tenha sido despachada de uma forma menos estranha. Cassius escreveu: "Locusta, a feiticeira e outros da escória que veio à tona nos dias de Nero, ele [Galba] ordenou que fossem conduzidos acorrentados por toda a cidade e depois executados".
Portanto, embora não seja correto dizer que “o crime não compensa” - vale, essa é de fato uma das principais razões pelas quais as pessoas cometem crimes - em alguns casos, como o de Locusta, só compensa brevemente. E que Deus ajude se as girafas descobrirem sobre seus crimes.

04 maio, 2022

A Taça de Licurgo

O objeto da Roma Antiga conhecido como a "Taça de Licurgo", que está atualmente no Museu Britânico e tem mais de 1.600 anos de história, é conhecida por uma peculiaridade: quando é iluminada pela frente, tem a cor verde jade. Quando iluminada por trás, parece ser vermelho-sangue. A história sobre a revelação da "mágica" deste cálice que muda de cor foi publicada na edição de setembro de 2013 da revista "Smithsonian".

O mistério só foi revelado em 1990, quando pesquisadores analisaram em microscópio pequenos fragmentos quebrados do vidro. Eles descobriram que o vidro continha partículas de prata e de ouro tão pequenas que seria preciso mil delas para alcançar o diâmetro de um grão de sal refinado. As partículas tinham, mais precisamente, 50 nanômetros de diâmetro, o que faz dos antigos romanos os pioneiros da nanotecnologia.

A taça, que foi adquirido pelo Museu Britânico na década de 1950, tem esse nome porque retrata uma cena da suposta vida do rei Licurgo da Trácia.

16 agosto, 2021

Calígula e o bajulador

Quando Calígula adoeceu, no início de seu reinado (37 d.C.) em Roma, um súdito prometeu dar a própria vida em troca da recuperação do imperador.
O sujeito falou isso publicamente, esperando obter uma generosa recompensa por sua declaração de lealdade.
Calígula se recuperou, finalmente. O homem esperava colher os favores, mas se deu mal: sua execução foi imediatamente ordenada.
Morto por bajulação
– Kiko Nogueira

Ler também:
Incitatus, o cavalo de Calígula

08 agosto, 2021

O pacote turístico Roma - Papa

Uma mulher estava no cabeleireiro arrumando o cabelo para uma viagem a Roma com o marido. Ela mencionou essa viagem ao cabeleireiro, que comentou:
"Roma? Por que alguém quer ir para lá? Está lotada e suja. Você está louca em ir para Roma. Como você vai para lá?"
"Vamos pela British Airways”, foi a resposta. "Conseguimos uma tarifa ótima!"
"British Airways?", exclamou o cabeleireiro. "É uma companhia aérea terrível. Seus aviões são velhos, seus comissários de bordo são feios e estão sempre atrasados. Então, onde você vai se hospedar em Roma?"
"Num pequeno lugar exclusivo próximo ao rio Tibre chamado Tesse."
"Não vá tão longe. Eu conheço esse lugar. Todo mundo pensa que vai ser algo especial e exclusivo, mas é realmente um lixo."
"Vamos ver o Vaticano e, talvez, o Papa."
"Isso é ótimo", riu o cabeleireiro. Você e um milhão de outras pessoas tentando vê-lo. Ele aparecerá... do tamanho de uma formiga! Boa sorte nessa sua viagem horrível. Você vai precisar."
Um mês depois, a mulher voltou ao cabeleireiro. O cabeleireiro perguntou a ela sobre sua viagem a Roma.
"Foi maravilhosa", explicou a mulher, "não apenas chegamos em tempo em um dos novos aviões da British, que estava lotado mas eles nos colocaram na primeira classe. A comida e o vinho eram maravilhosos, e eu tinha um belo comissário de 28 anos que me atendia de pés e mãos. E o hotel era ótimo! Eles tinham acabado de concluir uma reforma de US $ 5 milhões. E agora é uma joia. O melhor hotel da cidade. Eles também estavam lotados, então se desculparam e nos deram a suíte do proprietário sem nenhum custo extra!"
"Bem", murmurou o cabeleireiro, "esteve tudo muito bem, mas aposto que você não conseguiu ver o Papa."
"Na verdade, tivemos muita sorte, porque enquanto caminhávamos pelo Vaticano, um guarda suíço me deu um tapinha no ombro e explicou que o Papa gosta de se encontrar com alguns dos visitantes, e se eu fizesse a gentileza de entrar em seu quarto e esperar um pouco, o Papa me cumprimentaria pessoalmente. Com certeza, cinco minutos depois, o Papa entrou no aposento e veio em minha direção. Peguei-lhe a mão, e ele falou algumas palavras comigo." 
"Oh, sério! O que ele disse?" 
Ele disse: "Quem, diabos, fez o seu cabelo?"

10 maio, 2021

De Rômulo a Rômulo

Abandonados quando crianças, os irmãos Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba.

Loba capitolina

Diz a lenda (*) que a cidade de Roma foi fundada por eles. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la no Palatino, enquanto Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino. Como forma de decidir foi estabelecido que se deveria indicar, através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Tendo surgido uma discordância sobre quem se tornaria o governante da cidade que eles fundaram, Rômulo acabou matando seu irmão Remo e se tornou o primeiro rei de Roma. Coincidentemente, o último imperador do Império Romano também se chamava Rômulo, formalmente Rômulo Augusto. Ele era conhecido pelo apelido de Pequeno Augusto (Augustulo) e governou por apenas 10 meses. No ano 476, Rômulo cedeu seu trono a um soldado bárbaro chamado Odoacro, que se tornou o primeiro rei da Itália e, com esse evento, a história deu uma volta completa.
Sua deposição por Odoacro tradicionalmente marca o fim do Império Romano no Ocidente, o fim da Roma Antiga, e o começo da Idade Média na Europa Ocidental.

(*) A maioria das histórias foram cridas sem exame, e essa crença é um preconceito. Fábio Pictor relata que, muitos séculos antes dele, uma vestal da cidade de Alba, indo buscar água com o seu cântaro, foi violada e deu à luz a Rômulo e Remo, que eles foram nutridos por uma loba etc. O povo romano acreditou nessa fábula; não perdeu tempo em examinar se naqueles tempos existiam vestais no Lácio, se era possível que a filha de um rei saísse de seu convento com seu cântaro, se era provável que uma loba amamentasse dois meninos em vez de os comer como fazem todos os lobos. Estabelece-se assim o preconceito.
Voltaire, Preconceitos históricos. "Dicionário Filosófico"

04 maio, 2021

O primeiro jornal do mundo

O primeiro protojornal apareceu em torno de 131 a.C. Conhecida como Acta Diurna, mantinha os cidadãos romanos informados sobre os acontecimentos políticos e sociais da Antiga Roma.
Notícias de eventos como vitórias militares, lutas de gladiadores e outros jogos, nascimentos e mortes e alguns outros assuntos constavam da pauta da Acta Diurna. Eram gravadas em metal ou pedra e publicadas em áreas com tráfego intenso de pedestres, como o Fórum Romano, onde cidadãos livres se reuniam para discutir ideias, filosofia e política.
Depois de alguns dias, essas notas eram retiradas, arquivadas e substituídas por outras. Infelizmente, nenhuma cópia intacta da Acta Diurna sobreviveu até os dias atuais.

26 outubro, 2020

Claudio e seu "edito" sobre a flatulência

Imperador romano por 13 anos, de 41 a 54 d.C., Cláudio (imagem) era um governante ambicioso - embora impopular - que ordenou a invasão da Grã-Bretanha, instigou a aplicação de inúmeros projetos de construção de estradas a aquedutos e supervisionou julgamentos públicos.
Ele também publicou até 20 editais por dia, incluindo um aparentemente preocupado com a flatulência, que ainda circula frequentemente na Internet, repetida como se fosse fato. CARECE DE CONFIRMAÇÃO
Nossa única fonte para esta bizarra proclamação é um dos mais proeminentes historiadores romanos Suetônio, que produziu um conjunto de biografias dos imperadores romanos chamado "De Vita Caesarum" (As Vidas dos Doze Césares).
Escrevendo quase 80 anos após o reinado de Cláudio, Suetônio comentou: "Dizem que ele até considerou aprovar um decreto, pelo qual daria licença para peidar no jantar, porque ouvira falar de um homem que quase se matara ao segurar essa necessidade por vergonha".
A descrição do falecimento de Cláudio, por exemplo, pode ser tomada pelo valor de face como "Cláudio começou a desistir do fantasma e não conseguiu resolver o problema", mas, lendo de forma diferente, também pode ser traduzido como "Cláudio começou a pressionar o vento, mas não conseguiu encontrar uma passagem".
O filósofo Lucius Annaeus Seneca, também conhecido como Sêneca, o Jovem, havia sido banido por Cláudio e, uma década após sua morte, produziu uma obra de sátira que zombava do falecido imperador.
Basicamente, quando ele estava morrendo, Sêneca, o Jovem, sugere que o último ato do imperador Cláudio foi uma tentativa desesperada de peidar.
Assim, embora o imperador Cláudio provavelmente não tenha aprovado nenhuma lei relativa à flatulência, ele provavelmente brincou a respeito e disse a todos que pretendia, e isso certamente se encaixava em sua imagem de um governante grosseiro, desleixado e vulgar.

Extraído de: Roman Emperor Claudius and his "Edict" About Public Flatulence, Vintage News

27 junho, 2020

"Todos os caminhos levam a Roma"

I
A origem da expressão remonta ao século 1, quando o Império Romano era o umbigo do mundo, indo da Bretanha (atual Inglaterra) à Pérsia (atual Irã), e chegou a ter 80 mil quilômetros de estradas. Elas não eram como as que existem hoje e constituíam mais um meio de comunicação do que de transporte, por onde mensageiros levavam ordens de um lado a outro do Império.
Tabula Peutingeriana, o mapa viário do Império Romano. (Fonte: Wikicommons)
II
Avançadas para a época, essas vias, traçadas sempre em linha reta, eram feitas de pedras cortadas e polidas e cimento, mas não resistiram às invasões bárbaras a partir do século 3. Tempos depois da queda definitiva do Império Romano do Ocidente, em 476, as pedras foram utilizadas para erguer os castelos medievais.
Via Appia, na Itália, a principal ruína das estradas romanas. (Fonte: Wikicommons)
III
Roman Roads, as estradas do Império Romano visualizadas no estilo dos mapas de metrô. (Fonte: Sasha Trubetskoy)

20 maio, 2020

"Navegar é preciso, viver ..."

No século I a.C., o general romano Pompeu encorajou a receosa tripulação de um navio com esta frase: "Navigare necesse, vivere non est necesse".
Quinze séculos após, substituindo "necessário" por "preciso", o poeta italiano Petrarca transformou a frase de Pompeu em "Navegar é preciso, viver não é preciso".
"Quero para mim o espírito dessa frase", escreveu depois Fernando Pessoa, confinando o seu sentido de vida à criação.
E, cantando a coragem navegante, Caetano Veloso compôs "Os Argonautas". Um fado brasileiro cujo final inacabado ("Navegar é preciso, viver …") lançou uma interrogação.
Navegar é preciso?
http://blogdopg.blogspot.com/2008/11/navegar-preciso-viver-no.html



Sim! Navegar é uma viagem exata. Fazia-se com bússolas e astrolábios. Hoje, faz-se com satélites, GPS e www’s.
Viver não é preciso?
Não! É uma viagem feita de opções, medos, forças, inseguranças, persistências, constâncias e transições…
Mais de 2000 mil anos depois, interrogamo-nos:
Viver não é preciso?
Não, quando navegar é sonhar, ousar, planejar, arriscar, empreender, realizar…
Porque aí, navegar é viver!
Bem-vindo navegador!
A Universidade de Coimbra será sua companheira de navegação.
Neste momento de embarque, apresentamos-lhe uma página que o vai guiar numa viagem segura e aliciante. Parta à descoberta de uma experiência acadêmica sem igual... Porque viver é acima de tudo im[preciso].
http://www.uc.pt/navegar/ UNIVERSIDADE DE COIMBRA © 2018

21 janeiro, 2019

"La Vita Amara"

Esta foi outra das ocasiões em que o turismo de massa me fez perder a fé na humanidade:
EL PAÍS — Aconteceu na Fontana di Trevi, um dos monumentos mais visitados de Roma(*). Duas turistas, uma holandesa e uma ítalo-americana, tentavam tirar a "selfie perfeita" em frente à fonte. Por disputar o mesmo espaço, acabaram brigando diante de uma multidão atônita — outras pessoas das famílias das duas mulheres também participaram do "barraco" —, até que a polícia interveio.
Um turista espanhol gravou um vídeo em que você pode acompanhar a confusão.
N. do E.
(*) Foi cenário de "La Dolce Vita" (filme franco-italiano de 1964), do cineasta Federico Fellini, em que Anita Ekberg entra na água e convida Marcello Mastroianni a fazer o mesmo.
Ver: Moedas na Fonte

04 junho, 2018

A origem da palavra Abracadabra

Hoje esta palavra costuma ser usada como encantamento por mágicos de palco e, principalmente, por ilusionistas. Antigamente, porém, acreditava-se no poder de Abracadabra para a cura de febres e inflamações.
A primeira menção conhecida a Abracadabra foi feita no século II d.C. pelo médico e polímata Quintus Serenus, num poema chamado "De Medicina Praecepta" (em um tratado médico escrito em versos). Ao imperador romano Caracala, o médico prescreveu que o imperador usasse-a num amuleto para curar sua doença.
Ele usou como talismã um pedaço de papel, com a palavra ABRACADABRA escrita sobre ele, a qual se repetia com uma letra a menos na linha seguinte, até restar apenas o A.
Assim:

ABRACADABRA
ABRACADABR
ABRACADAB
ABRACADA
ABRACAD
ABRACA
ABRAC
ABRA
ABR
AB
A

A palavra em si já era considerada mágica, e no formato triangular, o amuleto teria muito mais poder. O triângulo era considerado a forma geométrica mais perfeita.
Na Roma antiga, era um método para combater a malária que, à época, não estava associada à picada de mosquitos, mas a demônios ou espíritos malignos. E a malária, que tem registros já no ano 450, teve sua própria deusa protetora: a deusa Febris .
A coisa não terminava aí: o médico recomendava enrolar o papel, envolvê-lo em um pano e pendurá-lo no pescoço por nove dias, após o que o enfermo teria que jogar o talismã sobre o ombro em um rio cuja corrente se movia para o leste.
A proteção era contra a malária e as febres pantanosas em geral. Mas se não funcionasse, o médico também tinha outra recomendação: ungir todo o corpo com gordura de leão. Embora não explicasse se o próprio enfermo tinha que matar o leão.
O que é certo é que, já no século XVII, não só protegia da malária, mas também de outras doenças . Daniel Defoe, autor de "Robinson Crusoé", conta em seu livro "The Year of the Plague" como os londrinos tentavam evitar a peste escrevendo a palavra Abracadabra nos linteis de suas portas a fim de que ela permanecesse fora de suas casas.
Há outras teorias sobre a origem desta palavra que um dia entrou no universo dos mágicos.
Abracadabra ganhou o sentido mais comum, ordinário, a partir do início do século 19 com os primeiros shows de ilusionismo que se tornaram bastante populares na França e na Inglaterra. Foi desta forma que ela ganhou a conotação que atualmente conhecemos.

https://www.grandesmedios.com/origen-abracadabra/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abracadabra

08 fevereiro, 2017

O celeiro do Império Romano

A origem do nome "África" ​​não é totalmente clara. Os antigos romanos usavam o termo "Afri" para se referir aos habitantes de Cartago e, mais especificamente, a uma tribo da Líbia. Há evidências de que a palavra se originou de uma das línguas nativas da região, talvez do berbere.
Depois de conquistar Cartago (Tunísia moderna), no final da Terceira Guerra Púnica em 146 a.C., Roma estabeleceu a "província romana da África" ao redor da cidade destruída. A província cresceu para abranger as zonas costeiras do nordeste da Argélia e Líbia ocidental.
No entanto, as terras romanas no norte da África não foram limitadas à província romana da África. A ponta da Líbia, juntamente com a ilha de Creta, o Egito, assim como a Mauritânia  e porções do Norte da Argélia e Marrocos foram também conquistadas por Roma.
A fim de facilitar o comércio, especialmente de produtos agrícolas, vários imperadores romanos sucessivamente semearam, ao longo dos tempos, colônias no continente africano.
Roma tinha o povo, mas as pessoas precisavam de pão. E a África, rica em solo fértil, tornou-se  o "celeiro do Império."


http://madefrom.com/history/antiquity/marvel-north-africa-roman-times/

29 junho, 2016

O tersorium

Ao longo dos tempos, os seres humanos utilizaram-se de uma ampla gama de objetos para a tarefa de limpar-se após a defecação. Relva, peles, conchas, pedras, espigas de milho e outras "ferramentas", inclusive as próprias mãos nuas, foram recursos já usados em seus esforços para realizar a higiene íntima,
Às vezes, as escolhas feitas por nossos ancestrais foram de estremecer. Como o uso dos cacos de cerâmica pelos antigos romanos em sua higiene íntima. As análises microscópicas das bordas desses objetos já encontraram "fezes solidificadas e parcialmente mineralizadas". ►
Uma forma mais suave de alívio sanitário era encontrada no tersorium, uma vara comum, com uma esponja embebida em vinagre. A única referência literária a este objeto provém dos escritos do filósofo romano Sêneca, que descreveu a morte de um gladiador pelo tersorium.
Esse gladiador aguardava lutar no dia seguinte. Em certo momento, ele se retirou a fim de aliviar-se – a única coisa que ele podia fazer sem a presença de um guarda. Aproveitando a situação, ele enfiou a vara com a esponja em sua traqueia e matou-se por asfixia.
Fontes
www.thehistoryblog.com
www.atlasobscura.com

01 outubro, 2015

O cavalo de Calígula

Incitatus (Impetuoso, em latim) era o cavalo preferido do Imperador Calígula, que reinou Roma de 37 a 41 d.C. Tratava-se de um cavalo de corrida trazido da Hispânia, de onde, na época, Roma importava cerca de dez mil cavalos por ano.
De acordo com Suetônio, em sua biografia de Calígula, Incitatus tinha dezoito criados, No estábulo feito de mármore, o cavalo era alimentado com aveia misturada a flocos de ouro. Como adorno usava um colar de pedras preciosas e dormia no meio de mantas de cor púrpura (uma cor exclusiva dos trajes imperiais). Foi-lhe também dedicada uma estátua de mármore, em tamanho real, sobre um pedestal de marfim.
Conta-se que Calígula chegou a incluir Incitatus no rol dos senadores de Roma. Outras fontes, porém, dizem que houve apenas uma tentativa de fazê-lo cônsul.


Entre outras insanidades de Calígula ainda constam estas: desenterrar o corpo de Alexandre, o Grande, para roubar seu peitoral, emascular o gladiador Longinus, porque ele tinha um pênis mais longo do que o dele, e destruir os rins do nobre Valerius Catullus durante uma sessão erótica prolongada (nenhuma pergunta, por favor).

10 Honored Animals, Mental Floss | 8 Animals That Ran for Government, Business Pundit

06 fevereiro, 2015

Sem duelos

Caio Mário (157 a.C. – 86 a.C.) foi general e cônsul da República Romana.
Um chefe bárbaro mandou desafiar Mário para um duelo. Sem ligar para o que os outros achariam de sua resposta, e muito menos para o que o próprio bárbaro pensaria, Mário mandou o seguinte recado:
“Se você está entediado com a vida, que se enforque”. (*)
(*) Ou teria Caio dito "nessa eu não caio"?

Em 1842, Abraham Lincoln, então advogado em Illinois, publicou uma carta em um jornal de Springfield criticando o desempenho do auditor do estado, James Shields. Furioso, Shields desafiou Lincoln para um duelo, e os dois se encontraram em uma ilha no Rio Mississipi.
Como parte desafiada, coube a Lincoln escolher o tipo de arma para o duelo, e ele pediu espadas de cavalaria longas. Por ser 18 centímetros mais alto que Shields, isto daria a Lincoln uma enorme vantagem, que ele fez questão de demonstrar cortando um galho de salgueiro acima da cabeça de Shields.
Versões diferem quanto à forma como o auditor reagiu - se ele riu ou se ele fraquejou - mas os dois concordaram em não lutar. (*) Lincoln parece ter ficado constrangido com o assunto, pois se recusou a comentá-lo nos anos seguintes. www.lib.niu.edu
(*) Quanto disso foi por interferência da turma do deixa-disso?

Entre os duelos meio sérios e meio cômicos, não devo deixar de relatar o do famoso crítico Sainte-Beuve contra M. Dubois, do jornal "Globe". Quando os adversários chegaram ao local do duelo estava chovendo muito. Sainte-Beuve trazia um guarda-chuva (*) e pistolas do século XVI. Quando o sinal de fogo estava prestes a ser dado, Sainte-Beuve ainda mantinha seu guarda-chuva aberto. Os segundos protestaram, mas Sainte-Beuve resistiu, dizendo: "Estou pronto para ser morto, mas eu não gostaria de pegar um resfriado".
Theodore Child, "Duelling in Paris", Harper’s New Monthly Magazine, março de 1887
(*) Quer ver a gravura de um duelo de ciclistas com guarda-chuvas? Aqui.

Imagem: Futility Closet

O duelo