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23 outubro, 2020

A lição de anatomia do Dr. Barroso

Uma paródia do chargista Renato Aroeira sobre o quadro "A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp", do pintor Rembrandt.


Amicus curiae ou amigo da corte ou também amigo do tribunal (amici curiae, no plural) é uma expressão em latim utilizada para designar uma instituição que tem por finalidade fornecer subsídios às decisões dos tribunais, oferecendo-lhes melhor base para questões relevantes e de grande impacto.
É importante destacar que o amicus curiae é amigo da corte e não das partes. Seu desenvolvimento teve início na Inglaterra pela English Common Law e, na atualidade, é frequentemente utilizado nos Estados Unidos. A função histórica do amicus curiae é chamar a atenção da corte para fatos ou circunstâncias que poderiam não ser notados. O amigo da corte se faz necessário em casos atípicos, levando informações relevantes à discussão do caso, ampliando a visão da corte de modo a beneficiar todos os envolvidos, pois pode tornar a decisão mais justa.
C* é o símbolo do elemento químico cobre (do latim cuprum). O ácido cuprídico reage com o hidróxido de índio formando o cupreto de índio.

08 novembro, 2019

Gregório Duvivier: esse governo é um pré-sal da estupidez

O ator e humorista participou de audiência pública no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta 2ª feira (4.out.2019) sobre o Conselho Superior do Cinema.



[Trechos iniciais] Eu queria começar falando de São Lourenço, padroeiro dos humoristas. Pouca gente sabe que São Lourenço morreu na grelha por uma piadinha. São Lourenço fez uma gracinha. O imperador de Roma pediu que entregasse todas as riquezas da Igreja, e Lourenço foi ao imperador, com uma multidão de pobres, e disse: "eis a maior riqueza da igreja". E foi condenado à grelha. Na grelha, ardendo em chamas, deitado sobre a grelha, e já ardendo quase morto, ele ainda se vira para o carrasco e diz: "pode virar que este lado já está bom". Por essa, São Lourenço é o padroeiro dos humoristas e dos cozinheiros (e dos churrasqueiros também). Eu sou devoto de São Lourenço, apesar de ateu.
Eu aprendi com ele que o humorista não pode ter medo, que o humor não convive com o medo. Então, eu não tenho medo nem da morte, eu vou ter da censura? Ao contrário, eu quero agradecer aos censores, sim, porque não tem nada melhor para a classe dos humoristas do que a figura dos censores. Não há nada mais patético, mais risível, mais ridículo, mais propício a piadas do que essa contradição humana, que é o sujeito pudico que passa o dia à procura de sacanagem. É um beato que passa o dia inteiro à procura de um pinto. Ele acorda, ele se senta à sua mesa, ele põe os óculos e pega uma caneta e, até o final do dia, ele procurará mamilos, riscará petecas, sublinhará a bilaus. É isso que ele faz na vida.
Ele é um sujeito que se dedica a procurar a obscenidade. É um sujeito que, para escolher essa profissão, precisa ser no mínimo um pervertido. Ele quer a sacanagem só para ele e não deixa que ninguém mais veja. Pior, ele sugere arremedos que sempre pioram o objeto censurado. Tanto é que a história se encarrega de esquecê-los. Nelson Rodrigues, Chico Buarque, Caetano Veloso, Graciliano Ramos, Cassandra Rios, Érico Veríssimo - todos censurados! Alguém se lembra do nome dos censores? Ninguém. Não há sequer um beco em homenagem a eles. Ele está no último dos círculos do inferno de Dante.
Segundo o atual diretor de artes cênicas da Funarte, os artistas estão "deturpando os valores mais nobres da nossa civilização, propagando suas nefastas agendas progressistas, denegrindo nossa sagrada herança judaico-cristã". É graças a gente como ele que eu tenho um emprego garantido pelos próximos três anos, porque esse governo é um pré-sal da estupidez. Então, nesse processo de "damarisação" do Brasil, alguns choram, outros vendem lenço. Eu estou vendendo lenços, mas o mesmo não pode ser dito dos artistas que não vivem do ridículo alheio e que são muitos. Esses, sim, correm um sério risco, porque toda arte que presta (um dia) na história foi considerado nefasta. [. . .]

10 setembro, 2014

A gente vai Lewandowski - 2

Lewandowski: a sagração de um homem justo
por Luis Nassif
Daqui a pouco o Ministro Ricardo Lewandowski assumirá a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal). Para sua posse, estima-se um público recorde; e um respeito recorde pela sua pessoa. Os jornais o tem tratado com deferência surpreendente, entre seus pares há uma sucessão de elogios e um sentimento de alívio, pela volta da presidência do STF aos trilhos do bom senso e da fidalguia.
São dois tempos distintos: o da repercussão inédita do julgamento da AP 470 e os novos tempos, pós JB. Parece que tudo mudou. Ministros boquirrotos retornaram à discrição, o espírito alucinado de linchamento esgotou-se, aposentou-se o Torquemada do Supremo.
Apenas o discreto Lewandoski não mudou. É o mesmo agora e dos tempos de tempestade, quando se viu no meio de um turbilhão inédito, atacado por uma turba de linchadores alimentada pela mídia, uma atoarda tão selvagem que intimidou a todos.
De um lado a turba sendo insuflada por colunistas alucinados, com os jornais cooptando advogados oportunistas, oferecendo-lhes visibilidade, utilizando todas as armas, do desrespeito amplo aos Ministros que não se enquadravam às suas ordens, à lisonja mais abjeta àqueles que se curvavam à sua orientação, querendo submeter tudo ao seu poder avassalador. [...]
Quase todos vacilaram, cederam, calaram-se. Procuradores, desembargadores, Ministros, advogados assistiam à explosão da selvageria, ao atropelo dos princípios básicos da sua profissão, dos seus valores, e nada faziam. Alguns até se indignavam nos ambientes restritos, mas nenhum ousou insurgir-se contra o clamor dos bárbaros.
A Justiça ficou indefesa, sendo estuprada em público por vândalos de toda espécie.
Nesse vendaval de baixarias, sobressaiu a figura extraordinária de Lewandowski, não cedendo, não se rebaixando mesmo sendo ofendido em público, em aeroportos, nas ruas, sendo atacado por reportagens da infame revista Veja.[...]
Mas a opinião pública sabe que, na presidência do STF, agora, existe um Ministro que não se curva ao clamor das ruas e às capas das revistas.
Ler o artigo na íntegra – aqui.

A gente vai Lewandowski - 1 | "Domínio do fato", a violência para condenar Dirceu | Sem um fiapo de prova

O blogueiro Eduardo Guimarães, a convite do próprio Lewandowski, terá a honra de participar de sua cerimônia de posse na Presidência do STF. Na oportunidade, deverá entregar ao Ministro um calhamaço com as mensagens de congratulações de cerca de 600 leitores de seu Blog da Cidadania.

21 novembro, 2012

Os costumes por trás da história

por Urbano, LN Online
Fora da pauta de hoje mas dentro da pauta de ontem
Nosso Brasil tem uma intelectualidade muito peculiar:
Hoje em dia já ninguém se lembra do dia do aniversario do Imperador Pedro II (nos 47 anos de seu reinado era a festa mais comemorada por seus súditos). Em compensação no dia em que se comemora a Proclamação da Republica, retornam os muitos saudosistas da Monarquia. Algo mudou? Em vez de comemorar o alegre natalício do Sereníssimo Imperador, o que restou foi execrar o Marechal Deodoro que o mandou passear.
Apesar de sermos todos, mais ou menos personagens machadianos, não é irrelevante alguma dose de realismo nestas horas de saudades do bom pai. (Realismo de realidade e não de rei.)
O Imperador era o pináculo de nossa nobreza. E como se formou essa nobreza em país tão sem tradições guerreiras?
Alguns a trouxeram em suas tralhas quando vieram de Portugal mas a maioria se candidatou aqui mesmo. O candidato deveria provar, entre outras coisas, que:
1- Era limpo de sangue (Os espíritos mais sensíveis não se ofendam com os termos. São os mesmos usados nos documentos da época). Isso é: tinha de provar que não descendia de judeu, mouro, negro ou de alguma outra Nação Infecta.
2 - Deveria viver segundo as leis da nobreza. Isto é: não trabalhar com as mãos.(Ser trabalhador manual ou viver do comercio era quase fatal para as pretensões dos candidatos). Andar sempre a cavalo, ter espada, contar com pagens para todos os serviços e andar trajado adequadamente eram requisitos essenciais.
O Marquês de Pombal modernizou as condições e terminou com a distinção entre cristãos velhos e novos e decretou que viver do comércio não era um impedimento tão essencial. Desde que o comerciante fosse um atacadista e não vendesse em loja a retalho (viver com vara e metro, se dizia).
Mesmo assim nosso infeliz poeta Claudio Manuel da Costa esteve em apuros para ser aprovado porque se descobriu um avô ou bisavô que vendia azeite de porta em porta e isso quase lhe foi fatal nas pretensões para um "Hábito de Cristo".
Por via das dúvidas, o paulista Pedro Taques, cuidadosamente omitiu as atividades mercantis de seus maiores e preferiu louvar as "guerras" de preação de índios dos insignes paulistas.
Entrado o seculo XIX, com a independência, algo deveria mudar e mudou, mas bem pouco, porque a tradição pesa e impõe suas regras. Assim, apesar de não existirem mais as "Ordenanças" muitos fazendeiros continuaram a ostentar seus títulos de "Capitão Mor". ( Muitas vezes obtidos por seus pais e herdados pelos filhos - sabe-se lá baseado em que lei.)
Avançando o século, alguma coisa foi mudando e, ao final do inefável reinado de Pedro (o segundo), já poucos tinham a coragem de Bernardo Pereira de Vasconcelos que declarou solenemente na Câmara de Deputados: "A África civiliza o Brasil". Em poucas palavras: a África fornecia os negros para os trabalhos duros para permitir aos senhores brancos que se dedicassem às coisas do Espirito e às Letras. ( Já naquela época, como ainda hoje, a Civilização Brasileira dependia da educação.)
O ideal a ser imitado era a nobreza inglesa com seus pajens impecáveis e louros, Mas, por aqui, os nobres tinham que se contentar com os negros no serviço, vestidos mais ou menos decentemente, já que qualquer branco, só por ser branco, se considerava com fumos de nobreza e, portanto, inapto para trabalhos manuais e pesados.
Velhos fazendeiros enriquecidos gastavam parte substancial da fortuna acumulada para terminar a vida ostentando um titulo de nobreza. Nossa famosa "nobreza de pijama".
Outra modernidade do seculo XIX era que os títulos de nobreza brasileiros não eram herdados pelos filhos mas, como a tradição tinha suas exigências, a Baronesa de São João del Rei aparecia, na procissão de endoenças, com alguns negrinhos carregando copos de prata com água fresca para matar a sede dos fiéis compungidos com a encenação do sofrimento do Cristo.
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Dispensado o Imperador, por inútil, depois de consumada a Abolição da Escravatura, uma das primeiras medidas da jovem República dos Fazendeiros foi criar o STF, onde os filhos letrados poderiam seguir exercendo o seu poder de justiça e sem trabalharem muito mas muito mandando.
O STF já nasceu senil. Um agrupamento de fazendeiros assustados com a necessidade de ter que pagar salários a seus trabalhadores. Mas sempre, como ainda hoje, um bastião da tradição mandonista etc.