31 agosto, 2011

S de sigla










Pensei que UFC era a sigla da Universidade Federal do Ceará. Antigamente, era. Né mais não. Agora, parece que é sigla de marmanjos se agarrando e se esmurrando.
Aí, dá no que dá.
Antigamente, casa de tolerância era onde os homens se divertiam e as mulheres ganhavam dinheiro, DST e filhos. Agora, a casa de tolerância maior é onde se apaga toda a vida pregressa do meliante. Ou seja, ao invés de pagar pelo crime na cadeia, paga-se no Congresso. Talvez seja a máxima levada ao máximo de cara de pau: “Lavou, tá novo!”.
Ou nova, sei lá.
Mas não se assustem, não. Não há nada de tão ruim que não possa piorar. Basta ter um pouco de paciência. Ou tolerância.
Fernando Gurgel, de Brasília

Ripostando
A antiga UFC, apesar de seu lema Virtus Unita Fortior (a virtude unida é mais forte), perdeu o cinturão midiático para o Ultimate Fighting Championship. Por acomodação, talvez. De tanto só disputar o título com as pouco visíveis Unidades Formadoras de Colônias. Mas ainda pode pedir revanche, Fernando.
Quanto ao LTN, vulgo "Lavou, tá novo!", este aí ganha todas das Letras do Tesouro Nacional. É nocaute garantido.
PGCS

Autor x Autor

Vladimir Nabokov
30. Gustave Flaubert (Madame Bovary) sobre George Sand (Mattéa)
“Uma grande vaca recheada de nanquim”
29. Robert Louis Stevenson (O Médico e o Monstro) sobre Walt Whitman (Leaves of Grass)
“Ele escreve como um cachorro grande e desengonçado que escapou da coleira e vaga pelas praias do mundo latindo para a lua”
28. Friedrich Nietzsche (Assim Falou Zaratustra) sobre Dante Alighieri (A Divina Comédia)
“Uma hiena que escreveu sua poesia em tumbas”
27. Harold Bloom (A Invenção do Humano) sobre J.K. Rowling (Harry Potter)
"Como ler 'Harry Potter e a Pedra Filosofal'? Rapidamente, para começar, e talvez também para acabar logo. Por que ler esse livro? Presumivelmente, se você não pode ser convencido a ler nenhuma outra obra, Rowling vai ter que servir."
26. Vladimir Nabokov (Lolita) sobre Fyodor Dostoievsky (Crime e Castigo)
"A falta de bom gosto do Dostoievsky, seus relatos monótonos sobre pessoas sofrendo com complexos pré-freudianos, a forma que ele tem de chafurdar nas trágicas desventuras da dignidade humana - tudo isso é muito difícil de admirar"
25. Gertrude Stein (The Making of Americans) sobre Ezra Pound (Lustra)
“Um guia turístico de vila. Excelente se você fosse a vila. Mas se você não é, então não é."
24. Virginia Woolf (Passeio ao Farol) sobre Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo)
"É tudo um protesto cru e mal cozido"
23. H. G. Wells (Guerra dos Mundos) sobre George Bernard Shaw (Pygmalion)
“Uma criança idiota gritando em um hospital"
22. Joseph Conrad (Coração das Trevas) sobre D.H. Lawrence (Filhos e amantes)
“Sujeira. Nada além de obscenidades.”
21. Lord Byron (Don Juan) sobre John Keats (To Autumn)
“Aqui temos a poesia 'mija-na-cama' do Johnny Keats e mais três romances de sei lá eu quem. Chega de Keats, eu peço. Queimem-no vivo! Se algum de vocês não o fizer, eu devo arrancar a pele dele com minhas próprias mãos.”
20. Vladimir Nabokov sobre Joseph Conrad
“Eu não consigo tolerar o estilo loja de presentes de Conrad e os navios engarrafados e colares de concha de seus clichês românticos.”
19. Dylan Thomas (25 Poemas) sobre Rudyard Kipling (The Jungle Book)
“O senhor Kipling representa tudo o que há nesse mundo cancroso que eu gostaria de que fosse diferente”
18. Ralph Waldo Emerson (Concord Hymn) sobre Jane Austen (Orgulho e Preconceito)
“Os romances da senhorita Austen me parecem vulgares no tom, estéreis em inventividade artística, presos nas apertadas convenções da sociedade inglesa, sem genialidade, sem perspicácia ou conhecimento de mundo. Nunca a vida foi tão embaraçosa e estreita."
17. Martin Amis (Experiência) sobre Miguel Cervantes (Dom Quixote)
“Ler 'Don Quixote' pode ser comparavel a uma visita sem data para acabar de seu parente velho mais impossível, com todas as suas brincadeiras, hábitos sujos, reminiscências imparaveis e sua intimidade terrível. Quando a experiência acaba (na página 846 com a prosa apertada, estreita e sem pausa para diálogos), você vai derramar lágrimas, isso é verdade. Mas não de alívio ou de arrependimento e sim lágrimas de orgulho. Você conseguiu!"
16. Charles Baudelaire (Paraísos Artificiais) sobre Voltaire (Cândido)
"Eu cresci entediado na França. E o maior motivo para isso é que todo mundo aqui me lembra o Voltaire... o rei dos idiotas, o príncipe da superficialidade, o antiartista, o porta-voz das serventes, o papai Gigone dos editores da revista Siecle"
15. William Faulkner (A Cidade) sobre Ernest Hemingway (Por Quem os Sinos Dobram)
"Ele nunca sequer pensou em usar uma palavra que pudesse mandar o leitor para um dicionário."
14. Ernest Hemingway sobre William Faulkner
"Pobre Faulkner. Ele realmente pensa que grandes emoções vem de grandes palavras?"
13. Gore Vidal (O Julgamento de Paris) sobre Truman Capote (A Sangue Frio)
“Ele é uma dona de casa totalmente empenada do Kansas, com todos os seus preconceitos.”
12. Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Grey) sobre Alexander Pope (Ensaio sobre a crítica)
“Existem duas formas de se odiar poesia: uma delas é não gostar, a outra é ler Pope."
11. Vladimir Nabokov sobre Ernest Hemingway
"Quanto ao Hemingway, eu li um livro dele pela primeira vez nos anos 40, algo sobre sinos, bolas e bois, e eu odiei."
10. Henry James (Calafrio) sobre Edgar Allan Poe (Os Crimes da Rua Morgue)
"Se entusiasmar com o Poe é a marca de um estágio decididamente primitivo da reflexão."
9. Truman Capote sobre Jack Kerouac (On The Road)
“Isso não é escrever. Isso é só datilografar.”
8. Elizabeth Bishop (Norte e Sul) sobre J.D. Salinger (Apanhador no Campo de Centeio)
“Eu odiei o 'Apanhador no Campo de Centeio'. Demorei dias para começar a avançar, timidamente, uma página de cada vez e corando de vergonha por ele a cada sentença ridícula pelo caminho. Como deixaram ele fazer isso?"
7. D.H. Lawrence sobre Herman Melville (Moby Dick)
“Ninguém pode ser mais palhaço, mais desajeitado e sintaticamente de mau gosto como Herman, mesmo em um grande livro como 'Moby Dick'. Tem algo falso sobre sua seriedade, esse é o Melville."
6. W. H. Auden (Funeral Blues) sobre Robert Browning (Flautista de Hamelin)
"Eu não acho que Robert Browning era nada bom de cama. Sua mulher também provavelmente não ligava muito pra ele. Ele roncava e devia ter fantasias sobre garotas de 12 anos."
5. Evelyn Waugh (Memórias de Brideshead) sobre Marcel Proust (Em Busca do Tempo Perdido)
“Estou lendo Proust pela primeira vez. É uma coisa muito pobre. Eu acho que ele tinha algum problema mental."
4. Mark Twain (As Aventuras de Huckleberry Finn) sobre Jane Austen
"Eu não tenho o direito de criticar nenhum livro e eu nunca faço isso, a não ser quando eu odeio um. Eu sempre quero criticar a Jane Austen, mas seus livros me deixam tão bravo que eu não consigo separar minha raiva do leitor, portanto eu tenho que parar a cada vez que eu começo. Cada vez eu eu tento ler 'Orgulho e Preconceito' eu quero exumar seu cadáver e acertá-la na cabeça com seu osso do queixo."
3. Virginia Woolf sobre James Joyce (Ulisses)
"Ulisses é o trabalho de um estudante universitário enjoado coçando as suas espinhas"
2. William Faulkner sobre Mark Twain
"Um escritor mercenário que não conseguia nem ser considerado da quarta divisão na Europa e que enganou alguns esqueletos literários de tiro-certo com cores suficientemente locais para intrigar os superficiais e preguiçosos."
1. D.H. Lawrence sobre James Joyce
“Meu Deus, que idiota desastrado esse James Joyce é. Não é nada além de velhos trabalhos e tocos de repolho de citações bíblicas com um resto cozido em suco de um jornalismo deliberadamente sujo."

www.flavowire.com, via revistatrip.uol.com.br (indicação: Fernando Gurgel Filho)

A Morte

Desculpe-me interromper o seu sadio entretenimento. Porém, parece-me oportuno aproveitar esta ocasião para lhe lembrar que temos dívidas pendentes.

30 agosto, 2011

Homens descansando

Poucas empresas dão condições a que, entre os turnos de trabalho, os empregados possam de fato aproveitar o intervalo relaxando e descansando. Apesar de ser um direito assegurado em lei, não é mesmo?
Nesta empresa, por exemplo, muito conhecida pelos colchões ortopédicos que ela produz, os funcionários do escritório logo aprenderam que...

Imagem: Bits and Pieces

... se querem descansar um pouco, durante o tal intervalo, só podem contar com eles mesmos, isto é, com seus próprios corpos.

Post relacionado: Com sombra.

Tudo se transforma

O artista estoniano Mati Karmin criou este para lá de estranho móvel para escritório. Passando adiante umas minas navais soviéticas que boiavam meio enferrujadas.

29 agosto, 2011

Honestidade



É assim: eu acho mil reais. Aí eu devolvo ao dono quinhentos reais e fico com os outros quinhentos para pagar minha honestidade.

Do Dicionário de Humor Infantil, de Pedro Bloch

O mapa [dos McDonald's] dos EUA

Esta é uma imagem interessante: cada ponto luminoso representa uma unidade do McDonald's em território norte-americano. A costa leste é a parte mais iluminada do mapa pela presença maciça da rede de fast food. E no estado de Nevada, mais para o oeste, fica o ponto onde se está mais distante de uma dessas lojas de refrigerantes, batata fritas e hambúrgueres.


Neatorama, via Blue Bus

28 agosto, 2011

27 agosto, 2011

O pênis na coleira

A polícia francesa deteve uma mulher de 63 anos, que estava levando seu companheiro de 40, ao longo de uma rua comercial movimentada, por uma coleira amarrada em seu pênis exposto.
Eles compareceram ao tribunal da cidade de Carcassone, no mês de abril, sob acusações de indecência pública.
Como defesa disseram ser viciados em sexo e que estavam no meio de um "jogo" quando foram presos.

Uma estratégia contra a execução

ANTES DE MORRER TENTE DIZER ALGO 
QUE INTERESSE À HUMANIDADE.

26 agosto, 2011

Cuidado: HIV bravo

A médica Miriam Tomkowski Walton fixou 31 seringas na grade externa de sua casa. A seguir colou na grade este aviso:
MURO COM SANGUE HIV POSITIVO. NÃO PULE


Miriam andava aborrecida com os furtos que estavam acontecendo em sua residência, situada num condomínio fechado em Sobradinho, Distrito Federal.
Mas, porém, contudo, todavia...
Fontes: 123...

Confúcio, Darwin, Bowen e eu

Procurar em um quarto escuro por um gato preto que não está lá.

Ilustração: Carbono de Estrelas

Confúcio disse apenas que era difícil.
Charles Darwin acrescentou que, se além de tudo, a pessoa for cega é porque seria um matemático profissional.
Já Lord Bowen, mantidas as outras condições, optou por procurar um chapéu preto.
Quanto a mim... bem, acho que um gato branco e de verdade facilitaria ser encontrado, ainda que o quarto estivesse um breu. PG

25 agosto, 2011

A cara de cearense e as outras caras

Eu tenho cara de caririense do Crato, cara de cearense, cara de nordestino, cara de gente diferenciada e, segundo o norueguês da recente tragédia, cara de brasileiro disfuncional.
Tenho cara de judeu (como insinuaram em um bar de Beirute, Líbano) e cara de egípcio lóki -quando eu era mais bonitinho, me confundiram em uma taverna da Calle de la Cruz, em Madrid, com um egípcio, repare só, um design egípcio, o Karim Rashid.
Você tem cara de quê? A solene indagação vem a propósito da polêmica provocada pela legítima esposa do diretor global Marcos Paulo, a Antônia Fontenelle.
No Twitter, a atriz, na maior cara de pau, respondeu a um texto do crítico Pablo Villaça, do site “Cinema em cena”, com o que ela imagina ser uma ofensa: o rapaz teria cara de cearense.
A crítica foi sobre o filme do maridão, que dirigiu "Assalto ao Banco Centra", baseado em fatos reais ocorridos, por coincidência, no Ceará.
Pablo Villaça é mineiro, mas poderia ser cearense, com muito orgulho, segundo o próprio.
Poderia ser cearense como a cantora Bjork é cearense, como o escritor John Updike é cearense, como o craque Iniesta (Barcelona) é o maior dos cearenses.
Como o Truman Capote é cearense desde pequenininho, a cara e a voz de cearense de Tracey Thorn, o Nicholas Cage tem muitas poses de cearense e até a Bette Davis (foto), nas suas horas de bondade ou de maldade, foi mega cearense.
Duvidam? Então confiram aqui e agora no blog dos amigos Cearenses Internacionais.
E você, amigo(a), repito, tem cara de quê?

Xico Sá, Blogs da Folha
(matéria enviada por Fernando Gurgel)

O primeiro edifício "verde" de NY

A Heast Tower, em Nova Iorque, é um exemplo de inovação em design e tecnologia. Foi o primeiro edifício de Manhattan a receber a medalha de ouro do programa Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), do US Green Building Council, em 2006.
A Hearst Tower definitivamente não é um prédio convencional. Sua estrutura é composta por um sistema denominado diagrid, palavra da língua inglesa composta pela junção de duas outras: grade e diagonal. Esse sistema estrutural é uma malha diagonal de alta eficiência em termos de peso, pois necessita de cerca de 20 por cento menos de aço do que uma armação estrutural convencional. Tal permitiu uma economia de aproximadamente 2.000 toneladas do material.
A torre de 42 andares foi projetada para consumir 25 por cento menos de energia do que os prédios situados nas redondezas. As fachadas de vidro permitem a entrada de luz natural em todos os andares. Painéis de vidro em seus espaços internos geram uma leveza visual, dando a impressão de que o edifício flutua. A automação da luz foi minuciosamente estudada. No interior dos escritórios existem sensores que controlam a quantidade de luz artificial necessária em cada momento do dia. A economia de energia a cada ano equivale a uma retirada de 174 carros das ruas.
Seu telhado possui um sistema de coleta de água das chuvas. Essa água é armazenada no subsolo e reutilizada no próprio edifício. Um dos pontos de reutilização está no lobby do edifício, onde fica uma queda d’água projetada com a função de umidificar o ambiente e amenizar a temperatura interna. O sistema de aproveitamento da água pluvial reduz a emissão de água para os esgotos da cidade em 25 por cento.
Com o novo edifício, o império Hearst reuniu pela primeira vez sob o mesmo teto publicações de sucesso como Cosmopolitan, Esquire, Marie Claire e Harper's Bazaar, entre outras.

Ler este artigo (completo) de Izabela Americano, em Obvious.

24 agosto, 2011

O tipógrafo

Depois de um dia de trabalho o tipógrafo volta para casa.


- Meu Deus, eu estou outra vez nas mãos de um GIF animado para que um post faça sentido!

A Praça e o Vento

Houve um tempo na mui leal e heróica cidade de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção em que os rapazes ficavam na Praça do Ferreira à espera do vento que levantava as saias das moças.

23 agosto, 2011

Foi infinita enquanto durou

Esta nota - A Pimenta Infinita - foi publicada em 18 de agosto. Mas tinha sido escrita há alguns meses.
Enquanto isso, a Pimenta Infinita (1.257.468) perdeu o seu título para a Niger Viper (1.382.118) e as duas, em seguida, foram ultrapassadas pela Trinidad Scorpion Butch T (1.463.700).
Esses números pertencem à escala Scoville, que mede a ardência dos picantes. Quanto maior é ele, mais ardida é a pimenta.
A fila andou, portanto. O que também prova que, no mundo das pimentas, nenhuma delas esquenta o trono.
Apesar dos pesares, a Pimenta Infinita foi infinita enquanto durou.
E, para evitar novas decepções, só resta apelar para a capsaicina pura (15.000.000). Por ser exatamente o limite superior da escala Scoville, ela jamais será tratada como refresco.

As garotas Jarmilla Elders e Linda Sartoris na colheita da Trinidad Scorpion.
 Blog Carcará

Googlemania

A melhor forma de começar o dia continua sendo pelo Google.

Itapiúna - CE

22 agosto, 2011

Fardado artístico

Star Wars como se fosse uma pintura em vaso grego antigo.
Sobre esta imagem, Jeremy Barker escreveu:
"É como se eu estivesse em minhas aulas de Clássicos com uma diferença fundamental: ninguém está nu. Por isso, eu fico eternamente grato."
Via Neatorama

Para beber com os olhos

Piña Colada
Uma ideia posta em prática pelo cientista/artista Michael Davidson, da Flórida. Estas imagens microscópicas de cores psicodélicas, obtidas a partir de bebidas alcoólicas, que podem ser usadas como elementos de decoração de uma sala de estar, por exemplo. Elas são comercializadas pela BevShots, que já vendeu mais de 20 mil dessas fotografias, ao preço médio de 40 dólares cada peça.
O site Obvious, onde encontrei a notícia, traz um resumo da técnica criada por Davidson:
"Para se chegar ao resultado destas fotografias, é necessário primeiro cristalizar a bebida numa lâmina do microscópio, colhendo algumas gotas. Depois, espera-se que elas sequem e, usando uma máquina fotográfica incorporada a um microscópio, que a luz passe pelo cristal da lâmina, criando as cores que podemos ver nas imagens. Um trabalho que requer alguma técnica e paciência, já que só a secagem pode demorar até quatro semanas e o processo completo até três meses."

Ver também: Para comer com os olhos.

21 agosto, 2011

O berço do forró

"De onde é que vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão.
De onde é que vêm o xote e o xaxado?
Vêm debaixo do barro do chão."

Recomendo a leitura de um interessante artigo de Daniel Aderaldo, publicado ontem (20/08) no Último Segundo/Ig, que trata de uma polêmica existente entre pesquisadores do Pernambuco e do Ceará a respeito de qual estado foi o berço do forró.
Os cearenses tentam emplacar como primeiro registro fonográfico o "Forró na roça", gravado por Xerêm e Tapuya, em outubro de 1937, pela RCA Victor. Esse disco de cera (há um exemplar no Arquivo do Nirez) seria a prova documental de que, doze anos antes de o pernambucano Luiz Gonzaga entrar em estúdio para gravar o "Forró de Mané Vito", os cearenses já haviam criado o forró.
Mas Xerêm, o autor da música, não era um legítimo forrozeiro. Cedo, ele foi morar em Minas Gerais onde adquiriu novas referências musicais. Virou cantor de moda de viola e formou por lá dupla caipira. O seu "Forró na roça" tem forró apenas no título.
Já Luiz "Lua" Gonzaga criou o baião e, com o seu jeito diferente de tocar sanfona, popularizou o forró em todo o Brasil. E o Ceará tem uma parte dessa glória já que um de seus principais parceiros foi o "doutor do baião" Humberto Teixeira, cearense do Iguatu.
Juntos, eles compuseram: "Asa branca", "Assum preto", "Baião", "Baião de dois", "Estrada de Canindé", "Juazeiro", "Légua tirana", "Lorota boa", "Mangaratiba", "No meu pé de serra", "Paraíba", "Qui nem jiló", "Respeita Januário", "Xanduzinha", entre outras canções. PGCS

Nessa luta do rochedo com o mar...

... acredito serem os mais valentes os "percebeiros" da Galícia.

Germano Gurgel enviou esta matéria:
Na Galícia, norte da Espanha, os catadores de um raro e cobiçado marisco denominado "percebe" conseguem ganhar cerca de 800 Euros (R$ 2.200,00) em somente duas horas de trabalho.
Apenas com o "pequeno" risco de nunca saberem se sairão vivos da empreitada.
Uma média de 5 catadores de percebes ("percebeiros") morrem a cada ano e muitos outros se machucam gravemente entre o mar e os rochedos...


... e ninguém percebe!

20 agosto, 2011

A vida como um labirinto

LEVE O MAIOR TEMPO POSSÍVEL...


... PARA ENCONTRAR A SAÍDA.

Lar doce lar

Esta frase é uma tradução literal da expressão inglesa home sweet home.
Foi extraída da letra de uma canção da peça teatral que estreou em Londres, em 1823, a ópera Clari, Maid of Milan. O autor da peça e da letra da canção foi John Howard Payne, um dramaturgo e ator estadunidense.
E a letra logo prendeu os corações ingleses. Pois aparecia numa época em que as conquistas do Império Britânico obrigavam a muitos deixar sua pátria para viver nas colônias.
A frase também pode ser empregada com sentido irônico.
Em espanhol é hogar dulce hogar.

Definición
"Hogar es donde la WiFi se conecta automáticamente."

19 agosto, 2011

Elogie do jeito certo

por Marcos Meier(*)

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

(*) Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante. Seus textos encontram-se no site www.marcosmeier.com.br (Fernando Gurgel Filho).

Boatos

Os boatos são vistos como crimes cometidos por terceiros. São crimes perfeitos, não deixam o menor vestígio e não precisam de qualquer tipo de arma - a defesa fica sem pernas para andar. Jean-Noël Kapferer

Em Paris (59, rue des Petits Champs) existe uma instituição única no mundo: a Fundação para o Estudo e a Informação sobre os Boatos. Criada pelo psicólogo Jean-Noël Kapferer, essa fundação se dedica a estudar o mecanismo de formação dos boatos bem como o incrível poder de comunicação que eles apresentam.
Nos telefones da Fundação, as secretárias eletrônicas registram os boatos que são transmitidos pelo público. A partir dessa coleta de dados, cada boato é dissecado. Para receber o foro de boato é preciso que haja de 100 a 150 chamadas sobre o assunto.
Os franceses se ligam principalmente nos boatos da área da saúde pública, enquanto os norte-americanos têm uma especial predileção por boatos que falem de sexo.
[...]
Dizem que um incorrigível boateiro foi preso. Para assustá-lo, colocaram-no diante de um pelotão de fuzilamento. Mas era só uma simulação e o homem a seguir foi solto. De volta à prática, a sua primeira ação foi anunciar:
- Não espalhem, mas o exército está sem munição.
Há boatos quando há segredos. Há boatos porque as pessoas precisam fantasiar a realidade. E há pessoas que são propensas a certos boatos porque estes vão ao encontro de seus interesses. Os boatos são encontrados sempre que as circunstâncias são ambíguas, as questões são importantes e a capacidade crítica é baixa.
E como neutralizar um boato quando se sabe que o ato de desmenti-lo pode reforçá-lo?
Não passem adiante, mas há uma falação de que a fundação de Kapferer está para fechar as portas...
PGCS
O artigo completo está no Preblog.

18 agosto, 2011

A Pimenta Infinita

Medindo 1,17 milhão na escala Scoville (que mede o grau picante de uma pimenta), esta é agora a mais "quente" das pimentas do mundo. Ela foi cultivada por acidente em Lincolnshire, na Inglaterra.
Apelidada de Infinity Chilli, é consideravelmente mais "quente" que a detentora anteriora do título, a Bhut Jolokia, da Índia.
Nick Woods, proprietário da empresa Fire Foods, um dia percebeu a ocorrência de uma nova pimenta mestiça em sua estufa. Intrigado com ela, Nick decidiu prová-la, o que foi uma experiência deveras lamentável. Uma experiência descrita como uma sensação insuportável de queimação que lhe atingiu a garganta, deixando-o por alguns momentos sem condições de falar.
A destronada Bhut Jolokia já foi assunto do blog, em 10/01/10. Clique aqui.
The Presurfer
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Comentário
Com o título mudado para Pimenta que derruba até baiano a nota acima foi publicada no Luis Nassif Online, no qual recebeu, até o momento, 15 comentários. Dentre eles, destaco o que foi enviado pelo leitor de nome Alfeu.
Transcrevo-o a seguir:
"Meu pai era um grande adorador de pimentas. Pernambucano, gostava de desafios. Havia em casa uma coleção delas. Vários tipos, uma para cada tipo de prato, ou uma para cada dia de desafio. Convivia com uma gastrite e já tinha sofrido de úlcera. Quando sucumbia por uma crise estomacal, me pedia para eu ir na Granado, e aviava uma receita para o seu bombardeado estômago. Depois de alguns dias de "tratamento" o seu estômago estava zero, pelo menos era assim que ele dizia, e isso era a senha para regar os seus pratos com a sua coleção de pimentas. Nada mais óbvio que o ciclo recomeçava. Se alguma visita experimentava uma pimenta por ele oferecida, e mostrasse a sua resistencia, um novo tipo mais explosivo era apresentado. Como é de se esperar, uma pessoa, no caso eu, vendo tudo isso, não vai ter a pimenta como uma iguaria dentre os seus favoritos.
Mas isso não impede de ser vítima de armadilhas pelo mundo afora. Quando, num período dos anos 80, morei no Japão, em pleno verão entrei numa casa que era especialista em lamen (longe do sabor e da qualidade dos chamados "miojo", aqui no Brasil). Um wakame lamen (wakame é um tipo de alga vermelha - Undaria sp;Rodophyta) que era imersa, na minha opinião, em pimenta malagueta; mas eles usam o togarashi que é uma pimenta, e que detalhes e sutilezas não me importam, pois queimam a língua, a garganta e principalmente a paciência. Mas uma coisa me chamou a atenção, ao sair do restaurante, o ambiente não me pareceu tão quente quanto antes de entrar. É essa a filosofia da pimenta.
Duas coisas para terminar: caso meu pai estivesse vivo e lesse esse post iria na caça destas variedades de pimenta; outro é que no Japão quando tinha essas "agradáveis" experiências com a pimenta, inclusive no inverno, ficava pensando na culinária baiana - pois diversas vezes fui para a Bahia - e achava o baiano um povo com estômago de aço (ou de adamantium, igual às garras do Wolverine); pois, para mim, é impossível se gostar de tanta pimenta."
Alfeu

Plantas que se comunicam

"Avisam umas às outras do perigo iminente, mas não sei como."

O químico e biólogo norte-americano Davey Rhoades infectou com lagartas um grupo de salgueiros (plantas do gênero Salix que vivem principalmente à beira dos rios). Estas árvores se protegeram da praga das lagartas mudando a composição química de suas folhas. Como? Elevando o nível de ácido clorogênico nelas, de modo a torná-las tóxicas para as lagartas (que morreram). Até aí, nada inexplicável. O estranho aconteceu depois, quando Rhoades descobriu que outro grupo de salgueiros, que existia nas proximidades, e que ele não tinha infectado pelas lagartas, também elevara o nível de ácido clorogênico em suas folhas, como se estivesse se preparando para uma agressão iminente. Permanece obscura, para o cientista, a forma de comunicação que existiu entre os dois grupos de árvores.
Usaram assim uma linguagem silenciosa para o ouvido humano.

Árboles parlantes, por Pepe Cervera

Salgueiro branco (Salix alba)
Curiosidade
Hipócrates, o pai da medicina, já conhecia as propriedades analgésicas e antipiréticas do pó da casca do salgueiro. Em 1828, o farmacêutico francês Henri Leroux e o químico italiano Raffaele Piria isolaram o princípio ativo da casca, o ácido salicílico (derivado de Salix, o nome latino do gênero a que pertence o salgueiro). Em 1897, o laboratório farmacêutico alemão Bayer conjugou quimicamente o ácido salicílico com acetato, criando o ácido acetilsalicílico (Aspirina), que descobriram ser menos tóxico do que o ácido original. Foi o ácido acetilsalicílico o primeiro fármaco a ser produzido pela indústria farmacêutica e não apenas recolhido já em sua forma final da natureza.

12/05/2013 - Atualizando...
Se você continua achando estranho que as plantas possam "falar" entre si, aqui está algo ainda mais estranho: uma maneira de se comunicarem, umas com as outras, através de uma rede subterrânea de fungos!
Plants Talk to Each Other Using Underground Fungus Network, Neatorama

17 agosto, 2011

Valsinha



"E ali dançaram tanta dança 
que a vizinhança toda despertou
e foi tanta felicidade 
que toda cidade se iluminou."


Vinicius - Chico Buarque

Tributo a Charles Darwin

As apreciações originais que Darwin desenvolveu em sua célebre obra "A Origem das Espécies", de 1859, e em diversas outras, a respeito da variabilidade das espécies, formam o corpo de sua doutrina transformista.


Poderá gostar de ver: Uma fusão de modelos e Ensinem a Controvérsia.

16 agosto, 2011

Tumultos em Londres

O doodle que o Google não fez:


Confira os doodles (rabiscos, em inglês) do Google nos últimos meses. Aqui.

Dois enigmas

Um condenado à morte tem de fazer uma afirmação que pode decidir sua sorte. Se o que disser for mentira será enforcado na árvore da mentira e se o que disser for verdade será enforcado na árvore da verdade. Que deve dizer para se salvar?
Duas mulheres, ao verem dois homens que se aproximam, dizem: aí vêm nossos pais, os pais de nossos filhos e nossos próprios maridos. Que parentesco apresentam entre elas?
Abaixo estão as soluções dos enigmas com tinta invisível:
(para revelá-las posicione o cursor após as reticências, clique o botão esquerdo do mouse e, sem soltá-lo, arraste o cursor até o final do texto)
Do primeiro... Que vão enforcá-lo na árvore da mentira. Se o enforcam nela, por ter dito uma verdade, então teria de ser enforcado na árvore da verdade. Mas se o enforcam na árvore da verdade, por ter dito uma mentira, então teria de ser enforcado na árvore da mentira. E... (o argumento se repete indefinidamente e… assim nunca o enforcam).
Do segundo... As duas são órfãs de mãe e estão casadas cada uma com o pai da outra.

15 agosto, 2011

Nada a fazer

Um vereador de Fortaleza apresentou um projeto de lei para a instituição do Dia do Orgulho Heterossexual na capital cearense. A proposta foi citada durante a sessão ordinária de 10 de agosto na Câmara Municipal de Fortaleza. “Esse dia é para dizer que nós estamos aqui. Ainda somos a maioria. Eu tenho orgulho de ser homem”, justificou o edil.
Tudo a ver

O cabo de guerra

Um jogo de cabo de guerra pode ser mais perigoso do que parece. Disputando uma partida do jogo, Jim Thurber, um canadense de 59  anos, teve quatro de seus dedos arrancados.
Os dedos amputados foram conservados em gelo e os cirurgiões de um hospital em Halifax conseguiram, a seguir, reimplantá-los.

14 agosto, 2011

Corrida ecológica

Fernando Gurgel Filho

Apesar de andar meio parado... Sejamos sinceros, apesar de totalmente sedentário, sempre fui um esportista nato. Não por qualquer vontade de ser campeão de alguma coisa, mas porque sempre gostei de esportes.
Hoje, até tai-chi-chuan me dá cãibras.
Nem por isso deixo de assistir aos eventos esportivos.
Como minha mulher gosta de correr, de vez em quando me vejo obrigado a assistir a algumas corridas. Repito, não que eu seja averso a corridas, muito pelo contrário, o problema é o horário e as condições em que os simples mortais são colocados para assistir às corridas.
Na última que fomos, no Parque da Cidade, tivermos que acordar à seis horas da manhã. A corrida seria às oito horas. Acordar com os passarinhos em pleno domingão não faz parte das minhas preferências de vida, mas a gente faz um sacrifício.
Então, acordamos ainda com um friozinho da manhã e nos dirigimos ao Parque da Cidade.
Os atletas se preparam para correr em meio a um som bem alto e sob a voz de um locutor – que quer ser animador – que grita mais do que transmite qualquer coisa de importante. Com algum atraso é dada a largada.
Quase quinze minutos depois ainda tem gente largando. Uns porque chegaram atrasado, outros porque não conseguem acompanhar os corredores. Dão uns passos que parecem de corrida, mas andam apenas. Dizem as más línguas que alguns não fazem nem mais check up médico. Fazem check in – os que acreditam em outra vida -, ou check out – os que esperam ir para sempre. Pura maldade, mesmo.
O locutor grita a todo instante que aquela corrida é uma corrida ecológica e que os saudáveis corredores são uma das formas mais visíveis de autossustentabilidade (!!!????).
Não sei como uma corrida ecológica espalha tanto lixo pelo Parque. Os corredores e seus familiares não dão a mínima importância em jogar copos e garrafas de plástico pelos gramados. Um outro, de manhã bem cedo, antes da corrida acendeu um cigarro e depois jogou a guimba na grama seca. Não sei como a grama não pegou fogo.
E como é que se pode dizer que um ser humano é autossustentável? Aliás, essa palavrinha é muito bonitinha, os ecologistas adoram, mas, para mim, ela não quer dizer absolutamente nada. E quem conhecer um ser vivo autossustentável que me mostre! Eu não conheço nenhum na face do planeta. Ora, na minha profunda ignorância dos assunto, um ambiente ou organismo somente seria autossustentável se produzisse seu próprio alimento e sua energia, sem tirar nada do ambiente onde está inserido, e produzisse também sua própria água e o ar que respira.
E o locutor grita e reforça o caráter ecológico e autossustentável daquela corrida. E parabeniza o público presente – apenas os familiares dos corredores – e finaliza parabenizando os corredores, frisando que o importante não é vencer, é participar.
Nesse ponto, concordo plenamente com ele, pois se não fossem as inscrições dos que estão ali pelo prazer de correr, não haveria premiação para os dois ou três que são chegam na frente.
A corrida acaba. Nós, os simples espectadores já estamos torrando sob o sol que resolveu esquentar a manhã e metade do domingo já se foi. Ainda bem que a coisa acaba sendo bastante divertida.

Quando é o Dia dos Pais?

É hoje, filho distraído.
Há relato de que o Dia dos Pais surgiu na Babilônia, há mais de 4 mil anos, quando um jovem chamado Elmesu fez um cartão de argila para seu pai, desejando-lhe sorte, saúde e longa vida. Não acreditem nessa conversa babilônica. É mais provável que a ideia de comemorar o Dia dos Pais tenha sido uma iniciativa da Nerf Gun, sendo a seguir adotada pelas crianças do mundo inteiro.
A NERF é uma linha de brinquedos, que inclui principalmente armas e munição de fantasia, que podem ser jogados em ambientes fechados, com pouco risco de causar acidentes.


Para que você nunca mais esqueça da efeméride em questão, EntreMentes desenvolveu um processo mnemônico que é tiro e queda:
SEGUNDO (porque lembra que "entre homem e dinheiro, o segundo é o primeiro")
DOMINGO (pede cachimbo)
de AGOSTO (mês do desgosto).
Não tente empregar essa fórmula fora do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, a data cai no terceiro domingo de junho.

13 agosto, 2011

Uma etiqueta sem etiqueta

Paulo,
Fui presenteado por uma camisa que minha filha trouxe de Modena-Italia, terra da Ferrari. Claro que é uma linda camisa com o conhecido cavalinho.


Ao examiná-la detidamente, descobri que a camisa, na verdade, é portuguesa. Leia o que está escrito no verso da etiqueta:

“Wash This When Dirty” :
Ou seja:
“Lave a camisa quando estiver suja”

Sem essa providencial advertência, possivelmente atiraria a camisa no lixo quando ficasse suja.
Nelson Cunha
Ripostando
Camisa portuguesa, vendida na Itália, com instrução em inglês... vem com vício de etiqueta. Como o de querer subestimar a inteligência do brasileiro.
A propósito, releiam os leitores: A importância do manual de instruçãoPGCS

A ajuda

Um homem rico passeia em seu carro quando, à beira da estrada, vê um homem pobre a comer punhados de grama.
Ordena a seu motorista para encostar o carro e grita: "O que você está fazendo aí?"
O pobre diz: "Estou falido e com fome e isso é o melhor que pude encontrar."
O rico diz: "Venha comigo que eu posso ajudá-lo!"
O pobre diz: "Não posso ir sem a minha mulher?"
O rico diz: "Ela pode vir."
O pobre diz: "E os meus filhos que estão ali adiante?"
O rico diz: "Eles podem vir também."
O pobre diz: "E os meus irmãos e sobrinhos?"
E o rico diz: "Ah, você não faz ideia de como é enorme o meu gramado!"

Traduzido de A helping hand, Bits & Pieces

12 agosto, 2011

U de Universo



O Universo é regido por três elementos:
energia,
matéria
e interesses pessoais escusos.

Atenção integral à saúde do homem. Lançamento de livro

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), tem a honra de convidar para o lançamento do livro "Promovendo a política estadual de atenção integral à saúde do homem: situação de saúde e experiências municipais na atenção à saúde do homem", coordenado pelo médico Francisco Monteiro (Chico Passeata), responsável pela implantação da política de saúde do homem na Sesa.
Data: 12 de agosto de 2011
Horário: 19 horas
Local: Hotel Vila Galé (Av. Dioguinho, 4189, Praia do Futuro, Fortaleza-CE

Trata-se de um estudo descritivo que aborda, de forma sumária, os indicadores epidemiológicos referentes à saúde do homem nas Américas, no Brasil e no Ceará. “Inaugura a sistematização de informações, com recorte na população masculina, compondo a situação de saúde do homem para subsidiar a tomada de decisões na gestão estadual e nos municípios”, conforme assinala o secretário da saúde do Estado, Arruda Bastos, na apresentação do livro.
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POST SCRIPTUM
"A sociedade cearense e a medicina, em particular, emudecem hoje (12/08/11), diante da perda do seu valoroso varão, o cidadão Francisco das Chagas Dias Monteiro, mais conhecido por “Chico Passeata”, alcunha oriunda de sua combativa militância estudantil, quando pôs sua integridade física sob risco, para dar combate ingente às forças repressivas, vigentes no Brasil pós-64, insurgindo-se ele, com palavras e ações cívicas, contra o estado de exceção então imposto. [...]
Nota: O corpo do Dr. Chico Monteiro está sendo velado na Funerária Eternus. A missa de corpo presente será oficiada às 15 horas e o sepultamento ocorrerá às 17 horas no Parque da Paz.
Descanse em paz, colega e amigo Chico. PGCS

11 agosto, 2011

Sinal verde para a maconha?

Muita gente boa defende a descriminalização da maconha. Mas daí a danificar o patrimônio público há uma boa distância.
O que vem acontecendo, por exemplo, a alguns semáforos em Fortaleza, onde vândalos têm desenhado imagens com o formato da folha de maconha, não é justificável.
Link para o vídeo da reportagem do CETV, 2ª edição, que mostrou ontem (10/08) o fato.
Pô, rapaziada, logo no sinal verde, que é o maior amigo do homem. Principalmente do homem apressado.
Se identificados os responsáveis pela pichação, vão estar sujeitos a penas de 6 meses a 3 anos de prisão, além de multas.
Dura lex sed lex, ainda que minhas restrições à Cannabis sativa estejam essencialmente no plano da saúde.
A propósito: 287 - Como a maconha deixa os pulmões, Acta Pulmonale

Alguns números sobre o cérebro

Estudos realizados em tecidos cerebrais removidos cirurgicamente dão uma ideia de como é complexo o cérebro humano:
sinapse
(representação visual)
  • O órgão apresenta cerca de 100 bilhões de neurônios.
  • Cada neurônio se conecta em média a mil outros neurônios, o que contabiliza 100 trilhões dessas conexões (sinapses).
  • Para processar as informações sinápticas estão envolvidas 1.461 proteínas.
  • E estas, por sua vez, são produzidas a partir de 1.461 genes, os quais representam 7 por cento dos 20 mil genes codificadores de proteínas que existem no genoma humano.
In Map of Brain Junction, Avenues to Answers, The New York Times - Science

Vídeo
Ode ao Cérebro: da série musical Sinfonia da Ciência, de John Boswell. Pelas palavras poderosas dos cientistas Carl Sagan, Robert Winston, Vilayanur Ramachandran, Jill Bolte Taylor, Bill Nye e Oliver Sacks.



10 agosto, 2011

Aula de fotografia - 4

Imagem: Neatorama

  1. Utilize a iluminação ambiente.
  2. Desenhe um disco voador na parede.
  3. Coloque o seu filho em cena.
  4. Espere até ele ser abduzido.

Planking: a nova moda

Você sabe o que é planking?
O termo surgiu na Austrália para designar uma brincadeira em que a pessoa se deita com o corpo esticado e os braços colados ao corpo, como se estivesse em cima de uma prancha ou tábua (plank, em inglês). Mas a brincadeira só tem graça se for feita em lugares inusitados: uma moto, uma cabine telefônica, uma cesta de vôlei, um poste de iluminação ou até mesmo a bancada de um telejornal.


Reunir uma boa assistência local e ter pelo menos uma fotografia tomada e publicada na internet são partes integrantes do jogo.
Pense como a vida hoje em dia seria desinteressante se não existisse o planking.
Slideshow



09 agosto, 2011

Se for beber não faça sombra

Nelson Cunha me enviou esta foto:


Com os seguintes dizeres: NÃO É NEM A SOMBRA DO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO.

Raio e arco-íris

Aconteceu em Hollywood mas o fato não tem a ver com cinema.
São dois fenômenos naturais - raio e arco-íris - que ali "resolvem" dividir a mesma cena.

Posts relacionados: O engarrafador de raios, Esta eu deixo com o Aleixo, Os raios no Brasil, Trovoada, Descargas Atmosféricas, No fim do arco-íris e O homem do duplo arco-íris.

Itapiúna - CE

08 agosto, 2011

O dia em que a ditadura matou Mané Garrincha

por Roberto Vieira, Blog do Roberto

20 de junho de 1964.
Garrincha e Elza Soares dormem na Ilha do Governador.
O casal mais odiado do país.
Castelo Branco se define como homem de centro-esquerda.
Os cariocas apoiam Castelo.
O São Paulo é campeão em Florença.
O Flamengo é campeão do Torneio Naranja com Paulo Choco.
Mas Elza estava com Jango no Comício da Central.
Elza estava com Jango na sede do Automóvel Clube.
Garrincha estava com Elza pro que desse e viesse.
Garrincha por Loredano
A ditadura chega de madrugada.
Os homens acordam todo mundo na casa.
Garrincha, Elza, a mãe e os três filhos da cantora.
Armas em punho.
Todo mundo nu virado pra parede da sala.
Paredão.
Garrincha pede que poupem as mulheres.
Os militares vasculham a casa.
Destroem os móveis.
Semeiam o terror.
Garrincha está só diante do time adversário.
Garrincha bicampeão mundial.
Garrincha das pernas tortas.
A ditadura vence o jogo.
Mas antes de sair, deixa uma lembrança.
Um dos carabineiros abre a gaiola do mainá.
Pássaro indiano.
Xodó de Mané Garrincha.
Curiosamente presente de Carlos Lacerda.
Lacerda que amava os tanques.
Lacerda que também teria seu dia de mainá.
O pássaro desaparece nas mãos do futuro torturador.
O mainá tem seu pescoço torcido.
Garrincha observa o gesto e chora.
O último a sair agarra Mané e afirma:
“Se abrir o bico vai ficar que nem esse passarinho!”
Os jornais publicam a notícia.
Subtraindo a verdade.
O Brasil do mulato inzoneiro.
O Brasil do homem cordial.
Mostra sua face brutal.
Longe das arquibancadas.
Longe dos campos de futebol.
20 de junho de 1964.
O dia em que a ditadura matou Mané Garrincha...

(matéria repassada por Fernando Gurgel)

Numa boa...

Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, segundo a lenda, costumava internar-se sozinho na floresta de Arícia, no Lácio, onde ficava em meditação, durante longas horas, a fim de poder decretar leis capazes de fazer a felicidade de seu povo. Encontrar-se-ia, na floresta, com a ninfa Egéria, que lhe dava conselhos sobre a maneira de bem conduzir os negócios do Estado. Interpretações realistas acham, no entanto, que o rei ia se encontrar na floresta com uma amante plebeia, para gozar alguns momentos amorosos, em pleno bucolismo.
Sábia Egéria. Durante o reinado de Numa Pompílio, Roma não conheceu guerras.

07 agosto, 2011

O jacaré impenetrável

Três policiais confundiram um jacaré de concreto com um réptil de verdade e dispararam contra a suposta criatura em Independence, no estado do Missouri (EUA).
Rick Sheridan, que assistiu à insólita caçada, viu logo que aquele réptil não podia ser de verdade.
As balas batiam nele e... ricocheteavam.

Assunto relacionado: Um cisne preto em noite sem lua.

MechaniCards

São uma espécie de cartões postais com estruturas que se movimentam ao ser girada uma pequena manivela. Criados por Bradley N. Litwin, que publicou o vídeo abaixo para divulgá-los, os MechaniCards são vendidos em edições limitadas.

06 agosto, 2011

Fail Whale no Japão





Imagino que a Fail Whale, a baleia do Twitter, deva ser assim no Japão.







Se o motivo da escolha desta imagem tiver ficado obscuro, então leia: Fail Whale e, principalmente, Troféu Hipocrisia.

Só a verdade

= William Phelps, Aventuras e Confissões =
Via Navios e Navegadores
O capitão de um navio escreveu certa vez em seu diário de bordo:
“O imediato hoje apareceu bêbado.”
Passada a bebedeira, o imediato sentiu-se profundamente contrariado e desgostoso, tendo suplicado ao capitão que não mantivesse aquela nota desairosa no diário, declarando que nunca havia bebido antes e que jamais tornaria a beber.
O capitão, contudo, foi irredutível e salientou:
“Neste diário”, disse ele, “só escrevemos a verdade.”
Na semana seguinte, chegou a vez do imediato fazer os respectivos registos no diário de bordo, tendo em dado momento consignado:
“O capitão hoje não estava bêbado.”

05 agosto, 2011

Beliscando...



Nos raros momentos disponíveis, entre o ócio e o dolce far niente, o Príncipe Charles tem-se dedicado a estudar Música. Aqui, ele aparece com o instrumento que ele já domina como poucos. Há inclusive quem o aponte como o maior do mundo na categoria.
O mordomo do Palácio de Buchingham, por exemplo.
E o instrumento é o ukulele ou ukelele, que tem quatro cordas, originário da Ilha da Madeira (Portugal) com passagem pelo Havaí, e que é tocado de uma forma "beliscada".
O ukulele do Príncipe Charles foi feito com um pote vazio de gordura hidrogenada (margarina), mas isso não vem ao caso. Está à altura do régio instrumentista. PGCS


Awesome!
Sophie Madeleine com seu "uke" em "Pure Imagination".

Línguas faladas no mundo

Na atualidade há 6.910 línguas faladas no mundo. Deste número, 240 são faladas por 97 por cento da população mundial. Lidera o ranking de falantes o mandarim, na China, que é utilizado por 1 bilhão de pessoas. A seguir estão: o inglês, o hindi, o espanhol, o russo, o árabe, o bengali, o português, o indonésio e o francês. Nenhuma destas grandes línguas corre algum risco de desaparecer.
Do outro lado do ranking, encontram-se as línguas tendentes à extinção. Estima-se que cerca de 3 mil delas desaparecerão até o fim deste século. E uma língua que desaparece, desaparece para sempre, o que é uma pena.

04 agosto, 2011

Gatos em queda

Têm os gatos a extraordinária capacidade de sobreviver a quedas de grande altura?
Há um estudo já meio antigo (é de 1987), realizado por dois veterinários, Drs. Wayne Whitney e Cheryl Mehlhaff, da Faculdade de Medicina Animal de Manhattan, que parece confirmar a existência desse "superpoder felino".
Eis o resumo dos resultados desse estudo:
De 115 gatos que foram trazidos para o centro médico veterinário, após terem sofrido uma queda do 2º ao 32º andar de um prédio, a grande maioria conseguiu sobreviver.
Dos gatos que caíram do 2º ao 6º andar, 10 por cento morreram.
Apenas 5% dos gatos que caíram do 7º ao 32º andar morreram.
A lesão mais comum após a queda foi o sangramento nasal.
A duplicação da taxa de sobrevivência com o aumento da altura de onde os animais caíram foi explicada pelos efeitos da "velocidade terminal". Quando é alcançada essa velocidade (em que a resistência do ar contrabalança o aumento da velocidade de queda pela ação da gravidade), a sensação de queda diminui para o animal. E este, relaxado (em termos gerais), pode se preparar para o impacto contra o solo escolhendo uma melhor posição.


Poderá também gostar de ler: Gato de asas, Física aplicada, O Império contra-ataca e  Que é o escapa-gato?

Dólar quase falso

Nelson José Cunha
Quem não passou seus apertos na vida? Momentos dramáticos que o tempo vai maquiando até tomarem feições divertidas. Meto-me em enrascadas que depois viram pratos apetitosos para serem servidos aos amigos ao redor de uma cerveja. Destas, vou contar-lhes uma, que preferia não tê-la vivido. Estudava em Barcelona e aproveitei uns dias de folga para ir à Paris assistir a um Congresso Mundial de Oftalmologia.
Éramos quatro brasileiros com o mesmo objetivo: banhar-se no brilho dos grandes mestres da oftalmologia mundial em plena Cidade Luz. Trocamos nossas poucas pesetas por dólares e embarcamos num comboio espanhol de acomodações franciscanas. Coube-nos um assento à altura do bilhete barato que escolhemos. Duro como o bolso dos seus ocupantes.
O caminho entre Barcelona e Paris inicia-se pela Costa Brava espanhola, segue-lhe os Montes Pirineus, que ao abrirem passagem junto ao mar deixam o caminho livre para o trem chegar à França sem ladeiras para subir e cansar. A paisagem é deslumbrante, pois o trem se esgueira entre o rochedo e o mar Mediterrâneo. Briga de azuis. Mar e céu disputando a atenção do viajante.
Em Paris, buscamos no Quartier Latin um hotelzinho charmoso e barato de onde fazíamos nossas incursões. Começávamos o dia no Congresso e terminávamos sentados nas calçadas dos Cafés vendo a vida parisiense passar. Bebíamos vinho de tonel ao som de realejo.
A mulher francesa é a mais linda e elegante do mundo, difícil vê-la sem discreta maquiagem: as argentinas, ao contrário, embora adeptas de um pó de arroz, usam-no aos quilos, como máscara, sem a medida do discreto. As brasileiras batem-nas num quesito: o jeito de andar. As mademoiselles francesas andam sem balanço, com pressa, batendo o calcanhar no chão como soldados em parada militar.
Os dias foram consumindo os francos que eu levara. Dei uma escapadinha do Congresso para trocar uns dólares numa casa de câmbio ao largo dos Campos Elísios. Entrei, apresentei as notas verdinhas junto ao passaporte e esperei o câmbio em francos.
O funcionário, por zelo ou chatice mesmo, passou a maquininha nas notas, sentiu-lhes a textura, olhou-as contra a luz e virando-se para mim sem dizer palavra, contornou o balcão e veio fechar com chave a porta do estabelecimento. Pensei:
-Iiiii... Pintou sujeira!
Rapidamente, comecei a reunir o meu repertório de desculpas, antecipando o interrogatório que seria certo. Eu teria de parecer o mais convincente possível. Os dólares foram comprados na Espanha, dentro do próprio Instituto onde eu trabalhava. Era um hospital de renome mundial que recebia enfermos forrados de dólares, que eram despejados na tesouraria. Todos dólares de boa cepa.
O funcionário desandou a falar baixinho ao telefone enquanto me olhava dos pés à cabeça. Fiquei imaginando a polícia chegar com todo aquele aparato de sirenes, algemas e outros adereços para levar o pobre brasileiro de Brasília para conhecer Bastilha.
Estava nestas divagações quando, de outra porta interna, chegou mais um funcionário que pela idade e carranca parecia ser o chefe.
Examinaram as notas, deram mais uns telefonemas e finalmente o mais velho deles aproximou-se e perguntou:
- Onde estás hospedado?
- O que fazes em Paris?
- Qual a tua profissão?
Respondi ao interrogatório como um seminarista responde ao bispo: com cara de santo. Não fizeram menção aos dólares, entreolharam-se em código de amigos, entregaram-me um maço de francos, meti-os no bolso do abrigo e pedi que destrancassem a porta. Saí sem conferir o dinheiro, ou ao menos olhar para trás. Entrei no primeiro bistrô que encontrei para tomar uma talagada de conhaque. Desceu como água "Perrier" suave e escorrido. É isto que dá carregar notas de cem dólares, as mais queridas dos falsários. Conselho aos viajantes:
Nota de cem dólares? Jamé!... Jamé!

03 agosto, 2011

Que dia é hoje?

A história de um pequeno povoado onde todos ficaram "ariados" devido ao sumiço de um calendário de folhinha conforme o relato do escritor Fernando Gurgel Filho.
O tempo, representado pelo ir e vir do sol e da lua, bem como pelas mudanças de humor do clima - frio, quente, seco, chuvoso etc - sempre definiu o dia a dia da humanidade. E, com o tempo, a humanidade aprendeu a esperar o tempo certo para dormir, acordar, plantar, colher, sofrer e festejar.
O raiar do dia, anunciado pelo canto do galo, avisando que o sol está chegando para homenageá-lo, e pelo alarido dos pássaros em festa pelos bichinhos sonolentos que vão adoçar seus bicos, devem ter sido os primeiros despertadores do ser humano nos campos e florestas. Não havia mais que isso para marcar o tempo e este transcorria dia após dia. Não havia semanas, meses e anos.
Depois o homem aprisionou o tempo em artefatos, como ampulhetas, relógios e calendários, e o tempo aprisionou o homem para sempre.
Hoje não se concebe como um ser humano pode abdicar do tempo medido, cortado em fatias e apresentado como pedaços de bolo em festa.
Às vezes, podemos até esquecer o dia da semana ou o dia do mês, mas basta olhar para qualquer lado - celular, microondas, aparelho de cd/dvd, computador, letreiros eletrônicos nas cidade etc - e temos como obter essa informação de forma rápida e segura.
Agora, em uma cidade sem luz elétrica, água encanada, telefone, relógio, rádio ou qualquer outra coisa que a ligue ao mundo exterior, exceto jumentos e cavalos, a marcação do tempo somente pode ser feita à mão no calendário.
Segundo vejo na tv alguém contar, em um pequeníssimo povoado, um belo dia a dona Bia acordou e perguntou pro Seu Ariostatino:
- Que dia é hoje? Dia 10 tenho que ir à cidade, vou ao dotô.
Ariostatino - Ari pros familiares, Jeguinho para os colegas na roça - levantou e foi consultar o calendário, ou seja, a famosa folhinha de parede, onde, todos os santos dias, ao acordar, marcava o dia que estava iniciando.
Mas, cadê o calendário?
Alguém arrancara o calendário do seu lugar sagrado na parede da cozinha!
- Ariosvaldo, Arienrique, Arilhermina, cadê a folhinha?, gritou Seu Ari.
Em resposta, os dois meninos e a menina gritaram quase ao mesmo tempo:
- Vi não, pai!
E correram para a cozinha, assustados com o desaparecimento de coisa tão preciosa.
- Como não viram? Folhinha num sai da parede sozinha! Eu quero ela aqui e agora!!!, esbravejou.
E ficou apenas nisso, pois as crianças insistiam em dizer que não sabiam do paradeiro do calendário e dona Bia muito menos.
O jeito foi consultar a vizinhança:
- Dona Aristatina, a senhora pode ver na sua folhinha que dia é hoje? Sumiram cum a minha...
- Puxa vida, Seu Ari, faz um tempão que o Aridelvino num atualiza. Lembra que ele ficou um tempão fora? - - Pois é, ele disse inté que ia pedir pro sinhô atualizá a dele.
Assim foi em todo o povoado. Uma meia dúzia de casas. Por uma dessas coincidências do tempo que escorre no dia a dia, o tempo no povoado deixara de ser marcado em todos calendários - uns três ou quatro - existentes ali.
Em todas as casas, a pergunta:
- Que dia é hoje?
Ninguém sabia ao certo.
Que fazer, então?
Só havia um jeito, pegar a carroça e ir com a mulher para a cidade. Foram, a consulta era dois dias depois. Ari aproveitou, foi nas lojas e farmácias, pediu um tanto de calendário de parede para marcar os dias e a vida no povoado voltou ao normal. Agora, com calendário de sobra.
Quanto ao antigo calendário do Ari, Dona Bia depois lembrou que alguém pedira emprestado, mas não lembrava quem foi. Para ela e para o povoado, medição do tempo parecia não ter tanta importância assim. Até o dia em que teve que se submeter ao tempo dos outros.