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12 dezembro, 2025

Cordel e cordelistas

 A Literatura de Cordel é um gênero literário popular no Brasil, especialmente no Nordeste, caracterizado por sua forma rimada e sua apresentação em folhetos de papel.

Os poemas, escritos em versos, geralmente narram histórias, lendas, fatos históricos e acontecimentos do cotidiano.

Essas histórias são impressas em pequenos folhetos com xilogravuras, que eram tradicionalmente pendurados em cordas ou barbantes, daí o nome "cordel".

As ilustrações não apenas embelezam os folhetos, mas também ajudam a contar a história, sendo parte integral da experiência do cordel.

A origem da Literatura de Cordel remonta à tradição oral dos trovadores medievais na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha.

Esses trovadores recitavam suas poesias em feiras e mercados, transmitindo histórias e notícias. Com a colonização essa tradição foi trazida para o Brasil, onde se adaptou e evoluiu.

O cordelistas, como são chamados os autores de cordel, eram frequentemente viajantes que levavam seus folhetos para vender em feiras, festas e outros eventos, disseminando assim suas histórias por todo o país.

Eles, muitas vezes, são também repentistas, capazes de criar e recitar versos improvisados.

A métrica mais comum usada nos cordéis é a sextilha, que consiste em estrofes de seis versos, geralmente com sete sílabas em cada verso, e rimas alternadas. 

Ao registrar histórias e lendas transmitidas de geração em geração, o cordel contribui para a preservação da memória cultural de um povo.

Ao utilizar uma linguagem simples e temas acessíveis, o cordel estimula a leitura e a escrita, especialmente entre as camadas humildes da população.

As obras de cordel podem abordar uma grande variedade de temas, desde histórias de reis e rainhas até aventuras de cangaceiros, romances e críticas sociais.

Existem inúmeros cordelistas famosos, como o paraibano Leandro Gomes de Barros, considerado o "pai do cordel", e Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros.

Ao longo do tempo, a Literatura de Cordel ganhou reconhecimento e valorização, sendo estudada em universidades e apreciada por um público mais amplo.

(Extraído de um material de divulgação da Secretaria de Cultura do Ceará)

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido por Patativa do Assaré (1909 - 2002). Nasceu no município de Assaré, no Estado do Ceará. Ele começou a compor e a  recitar poesias ainda jovem, inspirado pelas histórias e cantorias tradicionais do sertão nordestino. Seus versos frequentemente abordavam temas como a vida no sertão, as dificuldades enfrentadas pelos agricultores, as injustiças sociais e a luta por melhores condições de vida. Dentre suas obras mais conhecidas estão: "Triste Partida", que foi musicada por Luiz Gonzaga e se tornou um clássico da canção nordestina, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", que Patativa apresentou em show no Theatro José de Alencar, em 1980, e que Fagner editou em LP pela CBS. https://youtu.be/mdYqWeR6ZuI?si=Q1u7suKWOaQq_03o

02 dezembro, 2025

O tocador de triângulo

Por algum motivo não existe a função de tocador de triângulo na Orquestra Sinfônica das Bermudas.

Já no Nordeste brasileiro...

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12 outubro, 2025

Por trás da letra: Bicho de 7 Cabeças

História curiosa cerca uma das canções de Geraldo Azevedo - "Bicho de Sete Cabeças". O compositor paraibano Zé Ramalho, parceiro desta canção, tem verdadeira birra com a versão letrada do Bicho.
Quem revela a história da implicância de Zé Ramalho com os versos de "Bicho de Sete Cabeças" é o próprio Geraldo, que confessa:
"Compusemos a melodia desta música no começo dos anos 70. Trabalhamos suas sonoridades com um quê de barroco, misturando choro, música clássica e música moura. E a batizamos de 'Dezesseis Cordas' (pois foi composta com dois violões, um de 10 e o outro de seis cordas). Caprichamos tanto que Zé Ramalho tomou-se de grande amor por ela."
Algum tempo depois, Geraldo entregou a melodia ao carioca Renato Rocha, para que nela colocasse letra. Os versos - "Não dá pé/ Não tem pé, nem cabeça/ Não tem ninguém que mereça/ Não tem coração que esqueça/ Não tem jeito mesmo/Não tem dó do peito/ Não tem nem talvez/ Ter feito o que você me fez/ Desapareça/ Cresça e desapareça/ Não foi nada/ Eu não fiz nada disso/ E você fez um bicho de sete cabeças" - foram registrados em disco pelo próprio Geraldo e alcançaram enorme sucesso, a ponto de tornar-se um dos hinos da geração bicho-grilo.
Quando Zé Ramalho ouviu a melodia acompanhada da letra de Renato Rocha - relembra Geraldo, bem-humorado - "implicou, não gostou de jeito nenhum". E o paraibano então comentou com o pernambucano: "é, realmente, não tem pé, não tem cabeça!"
Fonte: Face de Geraldo Azevedo


Geraldo Azevedo e Elba Ramalho (ao vivo)

09 fevereiro, 2025

Ai, que saudade d'ocê

O cantor e compositor paraibano Vital Farias morreu, nesta quinta-feira (6), aos 82 anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa. O artista se mudou na década de 1970 para o Rio de Janeiro, onde se formou em Música.
Natural de Taperoá-PB, Vital Farias é compositor de inúmeros sucessos da MPB, gravados e regravados por renomados artistas brasileiros (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Fagner, Zeca Baleiro e Lucy Alves). Entre suas canções autorais mais conhecidas estão:
  • Canção em dois tempos (Era casa, era jardim)
  • Veja (Margarida)
  • Sete cantigas para voar
  • Caso você case
  • Ai, que saudade d'ocê (vídeo)

16 agosto, 2024

Vento encanado

Forma coloquial falada no Nordeste para referir-se a uma lufada de vento ou um fluxo de vento direcionado. Exemplo - Ontem peguei um resfriado devido a um vento encanado!
Os ventos, para o homem do povo, são perigosíssimos. O chamado "vento encanado" produz sabidas paralisias. A propósito, Mestre Nilo Pereira contou-nos que ao visitar um amigo, no Recife, encontrou-o de pescoço duro, não podendo mover a cabeça. Ao indagar o que acontecera, ouviu do seu amigo esta explicação: "Fiquei de pescoço duro porque apanhei um desses ventos". Ao que Nilo, sempre bem humorado, adiantou: "Se você algum dia desejar se mudar desta casa, avise-me que eu tenho necessidade de endurecer também alguma coisa..." (Veríssimo de Melo, in "Medicina popular num mundo em transformação")

https://youtu.be/IdNO0f7WqSQ?si=FIdkmNJrSaxJTR4P

21 janeiro, 2023

Uma versão brasileira da pitaia

Você já experimentou a fruta do mandacaru, que floresce nos sertões e praias do Nordeste?


(https://twitter.com/bhevandron/status/1526250402643169284)

A fruta desse cacto (Cereus jamacaru), uma versão brasileira da pitaia, tem uma cor violeta muito forte. Sua polpa é branca, com minúsculas sementes pretas, e dizem que é saborosa. Aves que sabem das coisas se alimentam dela.

Curiosidade - O mandacaru é também destaque na bandeira de Petrolina-PE.

20 fevereiro, 2022

Capoeira do Arnaldo

De Paulo Vanzolini (cuja primeira gravação foi provavelmente em 1967, no disco "Onze sambas e uma capoeira")
Por Zé Renato e Renato Braz

[...]
Quando eu vim da minha terra
Num sabia o que é sobrosso
Sabença de burro velho
Coragem de tigre moço
Oração de fechar corpo
Pendurada no pescoço
Rifle do papo-amarelo
Peixeira de cabo de osso
Medalha de Padre Ciço
E rosário de caroço
Pra me alisar pelo fino
E arrepiar pelo grosso
[...]



sobrosso, como diacronismo antigo, é «sensação de ameaça, intranqüilidade; temor, medo, receio» ou, como diacronismo obsoleto, «aquilo que obsta, estorva, contraria; empecilho, embaraço, dificuldade». Etimologicamente, é, segundo Nascentes, forma sincopada de sobreosso, propriamente «ferida sobre o osso (nas bestas)», em sentido figurado, «coisa que molesta». É uma palavra que sobrevive no Nordeste do Brasil.
In Ciberdúvidas da Língua Portuguesa [consultado em 30-05-2021]

08 dezembro, 2021

Transformando o fértil Nordeste em deserto, em câmera lenta

Deu no NYT:
CARNAÚBA DOS DANTAS, Brasil - A terra sustenta a família Dantas há mais de 150 anos, produzindo algodão, pés de feijão até a cintura de um homem adulto e, quando chovia bastante, existia um rio que desembocava em uma cachoeira. Mas, em um dia recente, com temperaturas próximas de 40 graus, o rio secou, as plantações não cresciam e os trinta bois restantes da família estavam consumindo rapidamente a última poça de água.
"Daqui a cinquenta anos, não haverá gente morando aqui", disse Inácio Batista Dantas, 80 anos, equilibrando-se em uma rede puída. "Digo aos meus netos que as coisas vão ficar muito difíceis". Sua neta, Hellena, 16, ouviu - e recuou. Ela cresceu aqui. "Pretendo trabalhar nesta terra", disse ela.
Os cientistas concordam com seu avô. Grande parte do vasto nordeste do Brasil está, de fato, se transformando em um deserto - um processo chamado desertificação que está piorando em todo o planeta. A mudança climática é uma das culpadas. Mas os residentes locais, enfrentando duras realidades econômicas, também tomaram decisões de curto prazo para sobreviver - como derrubar árvores para o gado e extrair argila para a indústria de azulejos da região - que tiveram consequências de longo prazo.
A desertificação é um desastre natural que ocorre em câmera lenta em áreas que abrigam meio bilhão de pessoas, desde o norte da China e o norte da África até a remota Rússia e o sudoeste americano. O processo geralmente não leva a dunas de areia onduladas que evocam o Saara. Em vez disso, temperaturas mais altas e menos chuva combinam-se com o desmatamento e a agricultura excessiva para deixar o solo ressecado, sem vida e quase desprovido de nutrientes, incapaz de sustentar plantações ou mesmo grama para alimentar o gado. Isso o tornou uma das principais ameaças à capacidade da civilização de se alimentar. Por JACK NICAS (03/12/2021)
 
Ilustração - A região do Seridó, no Brasil, é um pólo nacional de produção de telhas, atividade que contribui para a degradação do solo.

(matéria enviada por Jaime Nogueira)

05 novembro, 2021

De "víbora" a "briba"

O dicionário Houaiss (Lisboa, 2003) diz que briba é provavelmente uma modificação popular de víbora e Mário Marroquim, em "A Língua do Nordeste", (1934) assegura que foi isso mesmo que aconteceu. Ou melhor, foi provavelmente modificação popular de bíbora ou bíbera, que eram formas correntes e cultas nos séculos XV e XVI. Dou pormenores mais abaixo. Mas primeiro, víbora designa em seu sentido primário, como todos sabem, várias espécies de cobras; mas designa também, segundo o Houaiss, várias espécies de lagartos do Nordeste do Brasil, sendo neste sentido o mesmo que briba. Transcrevo do Houaiss:
briba s. f. (1913 cf. CF2) 1 HERP design. comum às lagartixas do gen. Briba, representadas no Brasil por uma única sp. (Briba brasiliana), que ocorre do Piauí a Minas Gerais 2 HERP design. comum a algumas spp. de lagartos da fam. dos cincídeos, e dos anguídeos, que ocorrem no Nordeste do Brasil, de corpo alongado e membros reduzidos; víbora 3 B infrm aguardente de cana; cachaça ʘ ETIM lat. cien. gen. Briba, prov. corruptela de víbora.
Briba passou a latim científico em 1935, quando o herpetólogo brasileiro Alfrânio Amaral descobriu um nova espécie de lagarto e a batizou de Briba brasiliana (Wikipédia). A palavra briba já então existia, e Mário Marroquim diz explicitamente que bibra é uma modificação popular nordestina de víbora. Mais: ele identificou, entre os muitos fenómenos linguísticos do Nordeste, a troca do "v" inicial por "b" em três outras palavras: vesica > bexiga, vagina > bainha, votum > bodo.
 A mudança, portanto, vem do processo de formação da lingua. Incorrendo em um fenômeno linguístico chamado betacismo, dizem os matutos: barrer, bassoura, béspa, berruga e briba, por varrer, vassoura, véspera, verruga e vibora. E briba não tem qualquer relação com o espanhol briba (mal intenção / vagabundagem) nem com o inglês bribe (suborno).

http://portuguese.stackexchange.com/questions/4501/etimologia-de-briba

13 dezembro, 2020

O primeiro encontro de Dominguinhos com Luiz Gonzaga

01:31 - 02:21
Desde menino José Domingos de Morais já se interessava por música, por influência do pai que lhe deu de presente uma sanfona de oito baixos. Aos seis anos de idade aprendeu a tocar o instrumento e começou a se apresentar em feiras livres e portas de hotéis para ganhar algum dinheiro, junto com dois de seus irmãos, Morais e Valdomiro, formando o trio "Os Três Pinguins". No início da formação, tocava triângulo e pandeiro, passando depois a tocar sanfona. Praticava o instrumento por horas a fio e tornou-se um exímio sanfoneiro, quando passou a ser conhecido em Garanhuns como Neném do Acordeon. O nome artístico só lhe seria dado por Luís Fernando em 1957, já no Rio de Janeiro.

03:06 - 03: 41
Conheceu Luiz Gonzaga quando tocava no hotel em que o Rei do Baião estava hospedado em Garanhuns. O nome do hotel era Tavares Correia, e o trio que sempre tocava na porta foi convidado naquele dia a tocar dentro do hotel para Gonzaga e seus acompanhantes. Gonzaga se impressionou com a desenvoltura do menino e o convidou a ir para o Rio de Janeiro onde morava. Essa viagem aconteceria anos mais tarde pois, algum tempo depois deste encontro em 1948, Neném do Acordeon foi para Recife estudar.
Ulysses Gaspar. Transcrição: PGCS



Que dia é hoje?

27 setembro, 2020

Saudade é um parafuso

saudade é um parafuso
que na rosca quando cai
só entra se for torcendo
porque batendo não vai
e quando enferruja dentro
pode quebrar mas não sai
quem quiser plantar saudade
primeiro escalde a semente
e depois plante em lugar seco
onde bata o sol mais quente
pois se plantar no molhado
quando nascer mata a gente
(antonio pereira)



Antônio Pereira de Moraes – O Poeta da Saudade
Conhecido como o poeta da saudade, Antônio Pereira nasceu a 13 de novembro de 1891, no sítio Jatobá, hoje município de Itapetim-PE, (*) onde viveu até a morte, a 7 de novembro de 1982. Violeiro e poeta popular, ele mal assinava o nome e nunca fez da arte a sua profissão, tendo sobrevivido como modesto agricultor. Antônio Pereira participava de jornadas de improviso com os amigos e seus versos repassados verbalmente por seus admiradores sobreviveram ao tempo. Em 1980, com a ajuda de amigos, publicou seu único folheto, "Minhas Saudades", uma coletânea de sua poesia.
http://forrobodologia.wordpress.com/2008/02/26/antonio-pereira-de-moraes-%e2%80%93-o-poeta-da-saudade/
(*) Itapetim é o berço de outros poetas como: Otacílio Batista, que compôs "Mulher nova, bonita e carinhosa" (c/ Zé Ramalho), e o jornalista Rogaciano Leite, autor de "Cabelos Cor de Prata" (c/ Silvio Caldas). Para Maria Sônia Leite, Antônio Pereira de Moraes nasceu no sitio Barra do Mineiro, em Livramento, no Cariri paraibano, também terra de grandes poetas.

Luiz Vieira no blog EM (arquivo)
http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/adeus-menino-passarinho.html
http://blogdopg.blogspot.com/2020/02/seu-delegado.html

03 setembro, 2020

Pavão Mysteriozo

"Eles são muitos mas não podem voar."
Ednardo

Inspirada em um folheto de cordel da década de 1920, esta canção composta por Ednardo é a faixa-título do seu álbum "O Romance do Pavão Mysteriozo", de 1974. Trata-se de uma página do nosso cancioneiro em que tudo converge para ser a obra-prima que é: a melodia e a harmonia igualmente primorosas, a marcação rítmica de um maracatu cearense e a contação de uma aventura fantástica envolvendo uma ave mecânica.


O folheto de origem desta história tornou-se um dos maiores sucessos da literatura de cordel, tendo sido reeditado inúmeras vezes. Calcula-se que tenha vendido mais de 20 milhões de exemplares. Além da canção de Ednardo, o folheto inspirou também novelas de televisão e peça de teatro. E teve a história transposta para álbuns de histórias em quadrinhos (HQ), filmes e um audiovisual acessível.
Simbologia
"Qualificado como misterioso, o pavão é uma figura de significados mágicos. Sua presença na titulação não só registra sua participação na aventura, mas adverte quanto aos sentidos míticos do que se narra. O pavão insere-se numa complexa simbologia. Signo solar, do fogo, da beleza, do poder de transmutação, pela vistosidade de sua plumagem, é também conhecido, mitologicamente, como destruidor de serpentes (seres da obscuridade). Símbolo da paz, da prosperidade, da fertilização, sua morte tem o poder de trazer a chuva. Aparece como montaria em algumas mitologias e na tradição cristã é sinal de imortalidade. Como representação da dualidade psíquica do homem, o pavão conota as forças positivas, por todos os conteúdos que lhe são atribuídos."
Cronologia
1923 - Publicação do folheto de cordel por Melchíades Ferreira da Silva (provável autor: José Camelo de Melo Rezende)
1960 - Publicação do álbum (HQ) pela Editora Prelúdio
1974 - Lançamento do LP "O Romance do Pavão Mysteriozo" por Ednardo
1976 - Tema musical de abertura da novela "Saramandaia" da Rede Globo
1986 - Estreia como peça de teatro
2001 - Remasterização do LP de Ednardo para o formato CD
2006 - Curta-metragem "O Pavão Misterioso" pelo Núcleo de Animação de São Bernardo
2013 - Remake da novela "Saramandaia"
2014 - Longa-metragem "O Resgate do Pavão Misterioso" dirigido por Sílvio Toledo
2016 - Lançamento de "Romance do Pavão Misterioso" no formato de um audiovisual acessível.

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Ednardo:
"Na recente manifestação em desapreço à democracia brasileira, foram às raias da insanidade, gritando pelo fechamento do congresso, volta de regime militar, prisões no STF e outras demonstrações de ódio extremista, e subserviência de nosso país a outros governos. Seria de se esperar em evento deste tipo. Mas então colocaram a música Pavão Mysteriozo, gravada de meu disco e com minha voz, em um dos caminhões de som para o público cantar, como se eu tivesse dando um aval."

09 maio, 2020

Só quer ser as pregas

É uma expressão da Língua Portuguesa, mais característica do Nordeste do Brasil, que equivale a dizer que alquém quer ser, ou se passa por importante, especial.
Exemplo: "Fulano só quer ser as pregas."
- - - Completo (na Paraíba): "Só quer ser as pregas de quelé."
Sinônimo: "Achando-se..."
- - - Completo: "Achando-se o rei da cocada preta."
- - - Var.: o rei da coca da preta
Arcaísmo: umbigo
Neologismo: c*
Analogia: com o governo Bozo, quando se diz que continua sendo o c* (por sua fixação na segunda fase do desenvolvimento psicossexual segundo Freud).


Bom para o Dicionário Brasileiro de Frases.

28 março, 2020

A deslumbrante libélula

São insetos alados da ordem Odonata, subordem Anisoptera, a qual abrange diversas espécies de libélulas.
Como características distintivas, contam-se:
O corpo fusiforme, com o abdômen muito alongado, olhos compostos e dois pares de asas semitransparentes.
Mesmo possuindo seis pernas, praticamente não conseguem andar com elas.
Você deve ter observado que as líbelulas, enquanto voam, ficam tocando na superfície da água. Elas fazem isso durante o voo nupcial e para realizarem a postura dos ovos.
Preferem sempre voar sobre águas límpidas e, por isso, são consideradas bioindicadores da qualidade dos corpos de água naturais como lagos, lagoas, riachos, poças de chuva.
São predadoras e alimentam-se de outros insetos, inclusive do Aedes aegypti. Caçam à base do sentido da visão, que é muito apurado, e da velocidade de voo que pode alcançar 85 km/h.
São bastante úteis no controle das populações de mosquitos (uma libélula pode consumir 600 insetos em 24 horas), prestando assim um serviço importante ao Homem.
No Nordeste brasileiro, devido a esse hábito de adejar sobre as poças d'água, a líbelula é popularmente chamada de... lava-bunda.

Imagem: artesanato de escritório (com clipes)

31 agosto, 2019

Centenário de nascimento de Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (Alagoa Grande - PB, 31 de agosto de 1919 – Brasília - DF, 10 de julho de 1982), foi um cantor e compositor de forró e samba brasileiro, assim como de seus diversos subgêneros: baião, xote, xaxado, coco, arrasta pé, quadrilha, marcha, dentre outros.
Rei do Ritmo
Não apenas porque Jackson tocava – e muitíssimo bem – o pandeiro, mas também – aí o seu maior segredo – por empregar a voz com tal maestria, que ela também era um instrumento, ritmo e bossa. Tinha uma inigualável maneira de dividir a música, e diz-se que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com ele. Muitos o consideram o maior ritmista da história da Música Popular Brasileira.
Nordestinidade
Ao lado de Luiz Gonzaga, Jackson foi um dos responsáveis pela nacionalização de canções nascidas no seio do povo nordestino. Gilberto Gil, João Bosco e Alceu Valença, entre outros, são seus herdeiros artísticos. É de Alceu Valença esta declaração: "Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha."
Discografia e sucessos
Sua discografia compreende mais de 30 álbuns lançados no formato LP. Desde sua primeira gravação, "Forró em Limoeiro", de 1953, até o último álbum, "Isso é que é Forró!", de 1981, foram 29 anos de carreira artística. Seus principais êxitos, "Um a um", "Sebastiana", Cantiga do sapo", "Forró em Limoeiro", "Mulher do Aníbal", "Chiclete com banana" e "O canto da ema" revezavam-se por meses a fio no hit parade da época.


"Sebastiana" ★ "Um a um"

Em seu "Dicionário da MPB", relata Ricardo Cravo Albin:
"Certa vez, Jackson me visitou no Museu da Imagem e do Som. E ali eu testemunhei uma cena rara. Jacob do Bandolim, que estava comigo na sala, ao vê-lo entrar, levantou-se, impertigou-se solenemente e beijou a mão do Jackson, dizendo-lhe: 'Quero reverenciar o cantor que canta com maior sentido rítmico no Brasil'. Jackson resplandeceu. Não disse uma palavra, tirou duma sacola de pano o pandeiro e cantou durante quase meia hora para nós dois, que, embevecidos, degustávamos o raro e inesperado recital privado."
Arquivo
O nosso Jackson
A lei da compensação
Brasília, a musa de muitos artistas

07 maio, 2019

Filosofia Nordestina, por Mírian Monte

Perdoem-me a intromissão,
Mas tem razão o Ministério da Educação.
Se o nordestino continuar filosofando,
Será um disparate, será desumano!
Imagine se surgisse outro Graciliano,
Uma nova Raquel de Queiroz...
O que seria de nós?!
O Brasil perderia as estribeiras!
Já pensou se resgatarem a Nise da Silveira?
Ah, meu pai amado, meu Jorge Amado!
Nem cravo e canela resolvem a querela!
“Parem o mundo que quero descer”,
Quero consignar essa queixa,
Parafraseando Raul Seixas.
E se os estudantes falarem versos
Contarem prosas,
Ou citarem Rui Barbosa?
Ariano Suassuna que assuma essa ciranda,
Porque nem Pontes de Miranda
Conseguiria solucionar!
E nem se fale em José de Alencar:
Imagine se “O Guarani” fosse uma trilogia!
Teríamos versos em tupi, na poesia!
Vou encerrar com Tobias Barreto,
Eu prometo!
Ou melhor seria com Castro Alves?
Que os anjos nos salvem!
Esse povo do Nordeste
É povo de muita sabedoria...
Imagina se nas escolas
Ensinarem filosofia?
(repassado por Jaime Nogueira)





Memória
Revista "O Caboré", edição de março de 1968. Brochura, 77 páginas. Editado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Ceará.
(pesquisado por blog EM)

19 fevereiro, 2019

NOTA DO CORECON-CE EM DEFESA DO BANCO DO NORDESTE

As últimas notícias veiculadas nos periódicos regionais, deixam senões acerca do futuro de um dos maiores bancos de desenvolvimento da América Latina, o BANCO DO NORDESTE DO BRASIL (BNB).
O BNB foi criado pela Lei nº1.640 DE 19.07.1952, sediado em Fortaleza, com missão diferenciada das demais instituições financeiras que desde sua fundação a cumpre - "Atuar como Banco de Desenvolvimento da Região Nordeste".
Para efetivar seu papel de agente indutor do desenvolvimento regional conta com a capilaridade de 280 Agências, localizadas nas cidades nordestinas, norte de Minas e parte do Espírito Santo, das quais algumas situadas nos mais distantes rincões do semi-árido nordestino. O Banco conta ainda em sua estrutura com o ETENE cuja missão é “ Elaborar, promover e difundir estudos, pesquisas e informações socioeconômicas e avaliar políticas e programas do Banco do Nordeste, subsidiando a ação do BNB e da sociedade na busca do desenvolvimento regional sustentável.
Concordamos com posição espelhada em artigo publicado em janeiro de 2019 pela AFBNB-Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste, "O BNB exerce um protagonismo econômico junto a diferentes setores da economia – agricultura, indústria, comércio, serviços, turismo, infraestrutura etc. – sendo o principal braço do Estado, enquanto instituição de fomento na região em que atua. Sua expertise, de quase 67 anos, promovendo o desenvolvimento regional o credencia, enquanto empresa séria que, ao contrário de ser ignorada deve ser reconhecida.
Os resultados positivos apresentados pelo Banco ao longo dos anos, seriam ainda mais eficazes se houvesse uma política macroeconômica de desenvolvimento nacional, com o suporte de um arcabouço institucional pensado para de fato superar as desigualdades entre as regiões e estimular as potencialidades locais. Não custa lembrar que órgãos que poderiam construir essa rede foram sucateados e/ou esvaziados de sua missão ao longo do tempo, a exemplo da Sudene, do DNOCs e da Codevasf."
Ainda segundo artigo da AFBNB, "os números mostram a força do BNB e a sua relevância para a política de desenvolvimento do País. Isto confirma ser a Instituição uma das mais relevantes para a superação das desigualdades regionais, devendo, portanto, ser fortalecida e reconhecida como tal, desconstruindo qualquer equívoco de privatização, incorporação, fusão ou qualquer outra medida que implique em seu desmonte."
Vale registrar que o BNB em 2018 atingiu a marca histórica de R$ 41,4 bilhões emprestados com recursos do FNE – sendo R$ 30 bilhões do próprio FNE e o restante do CrediAmigo e AgroAmigo – microcrédito urbano e rural, respectivamente.
O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste-FNE, foi criado em 1988 (artigo 159, inciso I, alínea "c" da Constituição da República Federativa do Brasil e artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) e regulamentado em 1989 (Lei nº 7.827, de 27/09/1989). O FNE é um instrumento de políticas públicas no âmbito federal viabilizado pelos diversos programas de financiamento aos setores produtivos, cujos recursos não são contingenciados em orçamento da União,
Os que representam o CORECON-CE entendem que todos os segmentos da sociedade precisam se imbuir de uma causa comum, “Defender a Valorização e Manutenção do BNB”, enquanto braço do Governo Federal na efetivação, dentre outras missões, a constitucional, via operacionalização dos recursos do FNE. FNE.

02 dezembro, 2018

Morreu Maria Preá

A expressão acima, muito usada em boa parte da região nordestina, mas pouco conhecida no restante do país, especialmente nas grandes cidades, é empregada quando qualquer situação chega a seu ponto final, irreversível, definitivo e que, por isso, não tem mais jeito e não pode ser modificada.
= Vamos esquecer o assunto.
(Grato ao jornalista e escritor JB Serra e Gurgel por ter feito o contrário, isto é, me lembrado o assunto.)
Se o assunto é decidido ... quando não há mais questão ... se não cabe discussão ... e o martelo foi batido ... se não restar mais moído ... e acabou-se o bafafá ... se o que fazer já não há ... e recorrer não se pode ... emende o fio do bigode ... morreu Maria Preá ...

De onde surgiu esta expressão, apud Larissa Brandão:
Conta-se, no caso, que o vigário de determinado lugarejo interiorano foi apanhado em flagrante por seu sacristão quando transava com Maria Preá, uma paroquiana com atrativos físicos que atraíam a atenção de qualquer filho de Deus que tivesse os hormônios certos funcionando nas horas certas. Pouco importa saber como esse romance incomum começou, e mais ainda, de que forma chegou ao rola-rola, e ainda por cima na casa paroquial. O fato é que desse dia em diante o sacristão passou a fazer chantagem com o vigário, conseguindo dele tudo o que desejava. Bastava dizer em sussurro "Olha a Maria Preá!", para que o religioso se rendesse às suas exigências, embora o fizesse muito a contragosto. Mas fazer o quê numa situação dessas? Como explicar aquela aventura amorosa aos paroquianos?
Até que certo dia o vigário voltou mais cedo de uma tarefa que tinha ido realizar em sua missão pastoral. A porta da casa onde morava estava aberta, como de costume, e por isso ele entrou sem fazer alarde, como também era seu hábito. Ao passar pela porta entreaberta de um dos quartos, rumo à cozinha, e surpreender, num relance de olhar, o sacristão com o tronco curvado para frente, servindo passivamente de mulher para um garotão das redondezas, sua surpresa foi tamanha que ele não conseguiu dizer uma única palavra: só ficou ali parado, de boca aberta, olhando a cena patética. Mas logo foi percebido pelo sacristão, que "desarrolhando-se" do seu jovem parceiro tratou de ajeitar a roupa, aproximar-se do padre que ainda o observava de queixo caído, e murmurar em voz aflita: "Seu Vigário, não conte nada pra ninguém. O senhor não viu nada, está bem? E olhe: de hoje em diante, morreu a Maria Preá!".
E foi por causa disso que a frase nasceu. Não faz muito tempo, Itanildo Medeiros, natural de Angicos, no Rio Grande do Norte, compositor, empresário de bandas de forró e secretário de Cultura em sua cidade natal, pesquisou essa mesma história, descobriu sua origem, e como o que nela se diz ter acontecido integra o riquíssimo acervo folclórico nordestino, ele não se contentou em divulgá-la, apenas, mas valeu-se de seus dotes poéticos para escrever um poema de literatura de cordel sobre o tema, cujos últimos versos estão transcritos aí abaixo:
Assistindo aquela cena / mas lembrando do passado, / o padre ficou com pena / e também aliviado. / Mas, mesmo com a vergonha / daquela cena medonha, / o padre gritou de lá: / Sacristão, se oriente / pois, pra nós, daqui pra frente, / morreu Maria Preá.
Fonte: https://groups.google.com/forum/#!topic/projetobios/FzYx79FaY5w

O poema de Itanildo Medeiros na íntegra, dito por outro destaque da literatura de cordel, o Braulio Bessa:


Verbete futuro para o Dicionário Brasileiro de Frases (DBF): Agora é tarde, Inês é Morta

20 setembro, 2018

Literatura de Cordel - Patrimônio Cultural do Brasil

O gênero literário, que também é ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros, a Literatura de Cordel, foi reconhecido pelo Conselho Consultivo como Patrimônio Cultural Brasileiro. A decisão foi tomada por unanimidade nesta quarta-feira, 19 de setembro, pelo colegiado na reunião de ontem no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e folheteiros (como são conhecidos os vendedores de livros) já podem comemorar, pois agora a Literatura de Cordel é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, anuncia o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
O cordel foi inserido na cultura brasileira ao final do século 19. O gênero resultou da conexão entre as tradições orais e escritas presentes na formação social brasileira e carrega vínculos com as culturas africana, indígena e europeia e árabe. E tem ligação com as narrativas orais, como contos e histórias; com a poesia cantada e declamada; e com a adaptação para a poesia dos romances em prosa trazidos pelos colonizadores portugueses.
Tendo começado no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade nos Estados do Nordeste e no Pará, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar "esta expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados".
Originalmente, a expressão literatura de cordel não se refere em um sentido estrito a um gênero literário específico, mas ao modo como os livros eram expostos ao público, pendurados em barbantes, em uma especie de varal (foto).


20 maio, 2018

O sertão vai virar mar

1963 - A convite de Glauber Rocha, Sérgio Ricardo compõe e faz arranjos para a trilha sonora do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol". O tema musicado é o mote messiânico dos rebeldes de Canudos, cuja história foi contada por Euclides da Cunha, em "Os Sertões". Sérgio Ricardo, antes muito identificado com o estilo da bossa-nova, aqui interpreta a canção com a voz rascante de um cantador de feira nordestino.
O Sertão vai virar mar,
E o mar virar sertão!
Tá contada a minha estória,
Verdade, imaginação.
Espero que o sinhô tenha tirado uma lição:
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem,
Não é de Deus nem do Diabo!



1977 - Guarabyra e Luiz Carlos Sá gravam no LP "Pirão de peixe com pimenta" (Som Livre) a sua composição "Sobradinho"
E passo a passo vai cumprindo a profecia
do beato que dizia
que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar...
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão.



Além de Sá, Rodrix e Guarabyra, gravaram esta canção: Trio Nordestino, Biquíni Cavadão e o Coral Ases MG.

2002 - O médico e escritor Moacir Scliar publica o livro "O sertão vai virar mar".
Gui e seus amigos estão lendo "Os sertões" e se impressionam com a Guerra de Canudos. O que não esperavam é que, quase um século depois, a situação se repetisse na cidade onde moram, e surgisse um beato atraindo fanáticos contra os poderosos.

2003 - Em abril de 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Buíque, cidade de 55 mil habitantes, a 258 quilômetros da capital pernambucana, para falar sobre o lançamento do programa Fome Zero. Mas um dos assuntos mais abordados durante seu discurso foi outra medida para ajudar a melhorar as condições de vida no sertão nordestino: a transposição do Rio São Francisco. "O projeto existe desde 1847. Se houver transposição neste país será no meu governo, pois eu sei o que é a seca", disse. Nascido a menos de 100 quilômetros dali, Lula estava certo – pelo menos em parte. Após muita discussão sobre os riscos, a viabilidade e a importância do projeto, a construção teve início em junho de 2007 em Cabrobó, também em Pernambuco. Orçada à época em quase R$ 4 bilhões, a obra engloba nove estações de bombeamento, 477 quilômetros de canais, aquedutos e reservatórios que levarão água para flagelados em quatro estados. Algumas das valas serão ligadas por túneis, como o Cuncas 2, em Mauriti, no Ceará.

Referências
"Da bossa nova à tropicália", de Santuza Cabral Naves
História da música Sobradinho https://youtu.be/s_pmGhMJiIg
https://resumando.wordpress.com/resumo-o-sertao-vai-virar-mar/ (resenha)
http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/04/o-sertao-vai-virar-mar.html