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03 dezembro, 2020

Discutindo as formas

É um mapeamento não arbitrário entre os sons da fala e a forma visual dos objetos.
Este efeito foi observado, pela primeira vez, pelo psicólogo alemão-americano Wolfgang Köhler, em 1929. Em um experimento psicológico, conduzido pela primeira vez na ilha de Tenerife (onde o idioma principal é o espanhol ), Köhler, após haver mostrado as formas abaixo, perguntou aos participantes "Qual dessas formas é baluba e qual é takete?". Ao final dessa pesquisa, Köhler concluiu que havia uma forte preferência em emparelhar a forma ponteaguda com takete e a forma arredondada com baluba.


Em 2001, Vilayanur S. Ramachandran e Edward Hubbard repetiram o experimento de Köhler usando as palavras kiki e bouba e perguntaram aos universitários americanos e aos falantes de tâmil na Índia "Qual dessas formas é bouba e qual é kiki?". Nos dois grupos, 95% a 98% selecionaram a primeira forma como kiki e a segunda como bouba, sugerindo que o cérebro humano de alguma forma atribui significados abstratos aos sons e formas de uma maneira consistente.

Pesquisa do blog EM: Você chamaria esta forma de Wiki?

10 fevereiro, 2020

O mestrado do Mestre

Após concluir o mestrado em Psicologia Clínica, Mestre (Doc) cuidou de revisar os diagnósticos dos transtornos apresentados pelos companheiros:

Feliz (Happy) - - - Eufórico
Zangado (Grumpy) - - - Deprimido
Soneca (Sleepy) - - - Narcoléptico
Atchim (Sneezy) - - Alérgico
Dunga (Dopey) - - - Deficiente Intelectual
Dengoso (Bashful)  - - - Sociofóbico


Por ser o mais experiente, Mestre é o líder dos anões. Sua experiência é vista nos cabelos brancos e nas palavras atrapalhadas quando ele pensa mais rápido do que consegue se expressar.

Slideshow: TRANSTORNOS MENTAIS DE POOH (URSINHO PUFF) E AMIGOS

17 janeiro, 2020

Efeito Dunning-Kruger (2)

O efeito Dunning-Kruger nos ensina que as pessoas com menos habilidades e conhecimento tendem a superestimar as capacidades que realmente possuem, e vice-versa.
Em meados da década de 1990, um habitante de 44 anos de Pittsburgh roubou dois bancos em sua cidade em plena luz do dia, sem nenhum traje ou máscara para cobrir seu rosto. Sua aventura criminal terminou dentro de algumas horas depois.
Quando preso, McArthur Wheeler confessou que tinha aplicado suco de limão em seu rosto, na crença de que o suco o tornaria invisível para as câmeras. "Eu não entendo, usei o suco de limão", falou em soluços no momento de sua prisão.
Mais tarde, soube-se que a idéia sem precedentes do suco era uma sugestão que dois amigos de Wheeler comentaram dias antes do assalto. Wheeler testou a ideia aplicando suco em seu rosto e tirando uma foto para se certificar da eficácia. Na fotografia, o rosto dele não apareceu, provavelmente porque o enquadramento tinha sido um pouco desajeitado e acabou se concentrando no teto da sala em vez do rosto coberto com suco de limão. Sem perceber, Wheeler deu por certo que ficaria invisível durante o assalto.
Meses depois, o professor de psicologia social na Universidade de Cornell, David Dunning, não conseguia acreditar na história do intrépido Wheeler e do suco de limão. Intrigado pelo caso, especialmente pela incompetência exibida pelo ladrão frustrado, ele se propôs a realizar uma investigação com uma hipótese anterior: poderia ser possível que minha própria incompetência me deixasse inconsciente dessa mesma incompetência?
Uma hipótese, algo artificial, mas isso teve muito sentido. Para realizar o estudo que elucidou se a hipótese era verdadeira, Dunning escolheu um aluno brilhante, Justin Kruger, com o objetivo de encontrar dados que confirmariam ou refutariam a ideia. O que eles acharam os deixou ainda mais surpresos.
Leia na íntegra: Efeito Dunning-Kruger: características e prejuízos deste efeito psicológico, um artigo de Christofer C. Silva em PENSAR BEM VIVER BEM.

Efeito Dunning-Kruger (1)

12 agosto, 2019

Efeito Dunning-Kruger

É o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos.

Imagem: veio daqui.

Agora, vem o pior: é a incompetência que os priva da habilidade de reconhecer os próprios erros.
"Se você é incompetente, você não consegue saber que é incompetente. As habilidades necessárias para fornecer uma resposta correta são exatamente as habilidades de que você precisa ter para ser capaz de reconhecer o que é uma resposta correta." Dunning e Kruger (Journal of Personality and Social Psychology. 1999)

Relacionada: A síndrome do pombo enxadrista

19 agosto, 2018

O experimento da Prisão de Stanford

por Juliana Blume, em 18/06/2018
Cinquenta anos depois da realização do estudo psicológico mais famoso do mundo, da Prisão de Stanford, os participantes e o organizador Philip Zimbardo (em 1971, o professor de psicologia Phil Zimbardo torturou 11 alunos voluntários em nome da ciência) ainda recebem pedidos frequentes de entrevistas. O experimento durou apenas seis dias, e ainda assombra os envolvidos nele e faz parte do imaginário social do mundo todo.
Inicialmente, o estudo foi aclamado nos EUA como uma justificativa perfeita para a falta de eficácia na reabilitação de prisioneiros das cadeias americanas. Já na Europa, foi visto como uma explicação para o comportamento sanguinário de nazistas durante o holocausto. Mas desde a virada o século psicólogos e pesquisadores do mundo inteiro têm encarado o estudo com outros olhos.
Ele contém falhas importantes de metodologia, e tentativas de replicação do experimento por outros pesquisadores não encontraram o mesmos resultados. Agora, novos documentos sobre o experimento foram colocados à disposição do público, e um escritor dos EUA realizou novas entrevistas com o organizador e participantes para escrever um livro sobre um julgamento de um criminoso que recebeu uma pena bastante branda ao usar o estudo de Stanford em sua defesa.
Este escritor se chama Ben Blum, e escreveu um livro sobre seu próprio primo, Alex Blum, um soldado do exército americano de 19 anos que em 2006 assaltou um banco com seu superior do exército, e defendeu-se dizendo que só fez o que fez porque acreditava se tratar de um treinamento. Sua defesa utilizou o estudo de Stanford para argumentar que o jovem não tinha consciência do que fazia por conta de seu contexto no exército e por estar seguindo ordens de seu superior.
Anos depois, porém, Alex admitiu para Ben que sabia exatamente o que estava fazendo, e que assumir responsabilidade por sua ação tinha sido muito benéfico para ele. Intrigado com o caso, Ben começou sua extensa pesquisa sobre o experimento, e entrevistou Zimbardo duas vezes, assim como voluntários que nos anos 1970 cumpriram papéis de guardas ou prisioneiros no estudo.
Siga lendo em Hypescience.
(Grato a Jaime Nogueira pela remessa do artigo.) 

19 agosto, 2017

O que você vê numa imagem define suas prioridades


A imagem acima faz a ronda na internet onde tem gerado um certo debate. E não são poucos os que dizem honestamente o que viram em primeiro lugar. O desenho simplesmente se tornou viral ao propor um desafio óptico que, segundo dizem, pode definir as prioridades de cada um.
O jornal Daily Mail publica que psicólogos consultados sugerem que o cérebro humano pode ver duas imagens "quase simultaneamente ", mas o que domina nossa percepção é determinada por nossos "pensamentos e experiências".
A verdade é que se pode ver, dependendo de onde o foco é colocado, tanto uma mulher nua quanto dois homens-rabiscos com os braços estendidos em uma dança aparente. E quem se inclina a ficar com a segunda opção tem uma explicação bem convincente: essa mulher não tem umbigo?!


30 setembro, 2015

A Operação Fantasia

Em 1943, procurando usar a guerra psicológica em seus esforços de guerra contra os japoneses, o US Office of Strategic Services apelou para um plano estranho. Observando que os xintoístas "viam" a imagem de uma raposa iluminada como um prenúncio de tempos difíceis, os especialistas da agência sugeriram que "em condições extremamente difíceis", os japoneses "seriam prejudicados, pelo que pode considerar um mau presságio" e sucumbirem ao "medo, terror e desespero".
Como é que se faz uma raposa brilhar?
Começaram por experimentar balões em forma de raposa cobertos com tinta luminosa e presos por linha de pesca. Mas, até o final de 1944, eles arquivaram essa ideia. E passaram a pulverizar raposas ao vivo com tinta luminosa para soltá-las nos campos de combate, chamando isso de ​​"ferramenta psicológica mais potente da América contra os japoneses".
A operação teria início com a distribuição de panfletos de aviso de mal próximo falsamente produzidos por adivinhos japoneses. Estes (os panfletos) seriam jogadas do ar e também seriam espalhados por agentes de campo que usariam apitos especiais de junco para imitar gritos de raposas. Usariam ainda pastas e pós para simular odores de raposa. Completando a farsa, o OSS também recrutou colaboradores japoneses que sabiam simular "pessoas possuídas pelo espírito da raposa".
Para testar o plano, a agência liberou 30 raposas no Central Park, "pintadas com um produto químico radiante que brilhava no escuro". De acordo com um relatório, os cidadãos horrorizados com a visão repentina dos animais fantasmagóricos, fugiram dos recessos sombrios do parque com os "jeemies" gritando.
Animados com estes resultados, os estrategistas do OSS definiram sobre a possível aquisição de raposas da China e da Austrália, em antecipação a uma invasão aliada do Japão. Só a inesperada conclusão da guerra, com o lançamento da bomba atômica, impediu essa operação de ir em frente.
"Ainda assim, o desenvolvimento dessa ideia demonstra como os americanos durante a guerra percebiam a psicologia de seu inimigo asiático de uma forma muito diferente da psicologia de seus inimigos na Europa", escreve Robert Kodosky, em Psychological Operations American Style (2007).

A superação do medo
The Scaredy Swan: um curta-metragem de animação com a história de um cisne que tinha medo da água.

25 junho, 2015

As preferências na ordem das notícias

Médico: Sr. Silva, temos uma boa notícia e uma má notícia. Qual você quer ouvir primeiro?
Sr. Silva: Dê-me logo a má notícia.
Médico: Nós amputamos a perna errada.
Sr. Silva: Oh, não!... E a boa notícia?
Médico: A outra perna começou a melhorar.
Brincadeira à parte, um projeto de pesquisa, "Do you want the good news or the bad news first? The nature and consequences of news order preferences" ("Você quer as boas ou as más notícias primeiro? A natureza e as consequências das preferências na ordem das notícias"), publicado em Pers Soc Psychol Bull, de 31 de outubro de 2013, examina três estudos sobre as preferências na ordem das notícias e as consequências dessas preferências.

30 maio, 2013

Sobre a arte de pendurar quadros

É notório que, por vezes, até mesmo as galerias de arte mais prestigiadas penduram os trabalhos dos artistas de forma errada. Mas pouca investigação científica tem abordado a questão de saber se o público opinaria corretamente sobre como posicionar as pinturas de arte moderna.
George Mather, que é professor da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lincoln e professor visitante da Faculdade de Psicologia da Universidade de Sussex, Reino Unido, realizou um estudo experimental para ajudar a descobrir a resposta.
Dezoito participantes (alunos), sem experiência formal em arte, opinaram sobre quarenta obras de arte moderna cujas orientações foram apresentadas aleatoriamente (0, 90, 180 ou 270 graus). Os resultados obtidos foram revelados em "Juízo estético de orientação em arte moderna", foi publicado no i-Perception , vol. 3, no. 1, 2012, pp 18-24.
O estudo descobriu que o julgamento dos participantes sobre a correta orientação das obras de arte dependia, em certa medida, da percepção de seu conteúdo (meaningfulness). Assim, os percentuais de acertos variaram de 88,89% de Two Women with Still Life (% meaningful = 100), de Fernand Léger, a 0% de Suprematist Composition: Airplane Flying (% meaningful = 0), de Kasimir Malevich, por exemplo.
Foi intrigante, no entanto, que algumas pinturas que pareciam ter pouco conteúdo "significativo", como One (% meaningful = 0), de Jackson Pollock, com 55,45% de acertos, tenham sido orientadas corretamente. "A origem destes juízos de orientação continua a ser identificado", diz o professor.
A lista completa das pinturas utilizadas no estudo encontra-se aqui.

N. do E.
A imagem acima foi criada  no Pollock Generator por Improbable Research.

02 dezembro, 2012

Esse cara NÃO sou eu


(repassado por Martinho Rodrigues)

O Cara de verdade.

07/12/2012 - Atualizando...
[...] Lana Harari, psicóloga e terapeuta de casais, pondera que a maioria das mulheres só se encanta por um homem assim durante um período do relacionamento. “No início ou no auge da paixão, é possível um parceiro que dê tantas demonstrações derramadas do seu amor agradar. Mas depois isso pode acabar cansando a mulher. Ele acaba virando mesmo um chato”, analisa.
Quando este comportamento ultrapassa o estágio da paixão, a relação pode acabar entrando num terreno perigoso, de acordo com a psicanalista Luciana Saddi, autora do livro “Perpétuo Socorro”, que aborda uma crise amorosa. “O exagero da demanda pode acabar resultando em violência. Alguém que passa o tempo todo pensando na mulher exige dela o mesmo comportamento. Ele fica insatisfeito quando ela não dá esse retorno”, pondera. “A paixão se transforma em perseguição”.
Luciana enxerga traços de imaturidade nesse tipo de homem. “Um indivíduo assim pode ser comparado a um bebê vivendo a fantasia aterrorizante de perder a mãe. Ele é dependente da parceira, sua existência depende dela”, avalia a psicanalista. [...]

19 agosto, 2011

Elogie do jeito certo

por Marcos Meier(*)

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

(*) Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante. Seus textos encontram-se no site www.marcosmeier.com.br (Fernando Gurgel Filho).