28 fevereiro, 2011

Viajar é preciso, comer não é preciso

por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Fernando Pessoa há de perdoar o título. E o texto, claro.
Final de ano. Férias. E uma vontade louca de viajar. Não conseguiu passagem de avião, nem tinha coragem de colocar o carro na estrada. Decidiu, com a devida vênia da esposa, que viajariam de ônibus. Para onde iam, no litoral baiano, conseguiram passagem em um ônibus com poltronas confortáveis e ar-condicionado.
O ônibus saiu cedo de Brasília e, na primeira parada para lanche, ele já estava com bastante fome.
Ao avistar os pastéis expostos na lanchonete não se conteve. Atracou-se com o maior que viu. De carne. Na primeira mordida, o óleo escorreu entre seus dedos. Estava delicioso. A fome era tanta que resolveu experimentar uma coxinha de frango e finalizou com um lustroso rissole de queijo.
Satisfeitos os passageiros e, mais ainda, o nosso viajante, o ônibus seguiu viagem sem transtornos e em um clima agradável.
Passava do meio-dia quando o ônibus parou para almoço. Não imaginava comer mais nada, pois ainda estava sentindo-se satisfeito com o lanche que fizera. Na realidade, estava até um pouco empanturrado, apesar de terem se passado mais de três horas. O cardápio estava convidativo, mas a esposa não era de comer muito. Resolveram, então, pedir um prato mais simples: um filé com fritas, acompanhados de arroz e uma saladinha. Comeu mais do que a esposa.
O ônibus partiu e ele pensou em tirar um cochilo, mas não conseguiu. Algo começou a revirar suas vísceras suavemente. Aquilo foi num crescendo até que começou a ficar meio tonto e a suar frio. Deu tempo apenas de correr para o banheiro e mirar o sanitário. Nunca pensou que existisse tanta coisa no estômago. Quase virou-se do avesso.
Saiu do banheiro pálido, abatido... Ficou mais ainda quando viu que o ar do ônibus estava meio saturado. Alguns passageiros mais sensíveis tinham colocado toalhas no rosto. Um que estava mais próximo do banheiro foi parar quase no meio do ônibus, fingindo conversar com um senhor da poltrona próxima. A garota do banco de trás ainda deu uns engulhos. Seu namorado sentou-se na perna da poltrona, talvez para evitar um provável jato. Creio que ali começava um problema de relacionamento do casal.
Ignorou o caos à sua volta e sentou-se ao lado da esposa. Tentou relaxar. Segundos depois:
- Um saco!
- Amor, sei que é um saco, mas acontece, né? Você não tem culpa...
- Um saco plástico, rápido!
Encheu o saco. Levou cuidadosamente para o banheiro e ainda deu uns jatos diretos no sanitário. Estava impressionado com a quantidade de líquido que saia do estômago. Não tinha comido, nem bebido tanto assim!
Voltou em meio aos olhares quase assassinos e sentou-se, já agarrado com outro saco plástico. O estômago deu mais alguns pinotes e parou. Seus engulhos eram seguidos pelos da garota na poltrona de trás. O namorado ainda tentava amenizar, passando um pano úmido na testa da menina, que suava frio. O banheiro entupiu de vez. Teve que levar o saco plástico, meio cheio, segurando para não derramar. Começou a sentir umas pontadas diferentes. Tentou pensar em algo para evitar sujar as calças. A camisa estava encharcada de suor. O rosto pálido pingava por todos os poros. Finalmente, o ônibus fez uma parada estratégica em uma rodoviária. Enquanto o motorista corria com o ônibus para a garagem, ele correu para o banheiro. Sem noção de tempo, parece ter passado uma eternidade jateando o vaso. Aquilo não acabava nunca! Felizmente, aos poucos o jato foi diminuindo até cessar. O banheiro não tinha papel. Teve que usar a cueca e jogar fora. Vestiu-se, jogou água no rosto, saiu para o ar livre e respirou aliviado. Pálido, com as pernas meio bambas, mas já estava melhor.
Na garagem, o ônibus parece ter dado perda total ou, então, fizeram uma limpeza muito eficiente, pois quando voltou parecia outro ônibus. Limpo, cheiroso, brilhando...
Fez-se de desentendido quando o motorista falou, apontando para o final do corredor:
- É todo seu, compadre.
Quando o ônibus partiu, notou algumas poltronas vazias. Alguns covardes devem ter desertado. Mas o resto da viajem foi tranquila e, no outro dia, o mar se encarregou de lavar sua honra e sua alma, e as férias foram salvas por dias maravilhosos.
A volta foi de uma frugalidade franciscana. A companhia não fez nenhuma reclamação em nenhum órgão de defesa do consumidor contra ele.
Feliz Ano Novo, enfim!

O menino magnético

Um menino sérvio de sete anos de idade, chamado Bogdan, virou notícia internacional por apresentar uma capacidade aparentemente paranormal (embora não muito útil). Segundo várias fontes, incluindo MSNBC e The Daily Mail, Bogdan seria magnético. Devido a isso, objetos domésticos como colheres, facas e garfos se prendem à sua pele com uma facilidade quase sobrenatural.
A ideia de que uma pessoa possa gerar um campo magnético forte a tal ponto é bizarra; porém, mais estranho é que este campo consiga atrair objetos feitos de vidro, plástico, louça, metal e até mesmo um controle remoto.
Bogdan é apenas o último de uma longa fila de pessoas que já afirmaram ter esta capacidade. Não existe nenhuma evidência de que Bogdan, ou qualquer outra pessoa, seja "magnético".
A chave para compreender esse fenômeno não está no magnetismo, nem em qualquer tipo de habilidade mística, mas sim na física do atrito. A pele é muito elástica e tende a ficar em conformidade com os objetos com os quais entra em contato. Isto é especialmente visível em dias quentes, quando a pele nua adere fortemente a assentos de couro ou plástico.
Materiais não ferrosos incluídos nas demonstrações são outra prova de que o fenômeno não é magnético. O que os metais, o vidro e o plástico mostram em comum? Todos eles têm as superfícies muito lisas.
As chamadas pessoas "magnéticas" apresentam duas características que se repetem:
Primeiro, elas têm poucos pelos em seus corpos. Às vezes, como acontece no caso de Bogdan, é porque se trata de alguém que não atingiu a puberdade. Muitas vezes, porém, é porque são pessoas de origem asiática, as quais normalmente não são hirsutas. Este detalhe é importante porque a presença de pelos reduz a adesividade entre a pele e um objeto colocado sobre ela.
Segundo, as pessoas "magnéticas", vistas em vídeos e fotografias com objetos em seus corpos, tendem a inclinar-se ligeiramente para trás. Se houvesse realmente algum tipo de força desconhecida ou magnética, segurando esses objetos, elas seriam também capazes de se inclinar para a frente. É também verdade que Bogdan é um pouco gordinho e que, portanto, uma parte do peso dos objetos colocados em seu tórax repousa na parte superior de seu abdome saliente.
Testar essas pessoas supostamente magnéticas é fácil: basta aplicar uma leve camada de óleo sobre a pele (que remove a sua natural aderência) para ver como o "magnetismo" delas desaparece; ou, então, pedir que elas repitam o truque usando uma camiseta.

Texto traduzido por PGCS do artigo Magnetic Boy: Mistery or SimplePhysics?, de Benjamin Radford, publicado com VÍDEO no site Discovery News.

27 fevereiro, 2011

Falece Moacyr Scliar



Faleceu hoje (27/02/2011), no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o escritor e colunista de vários jornais Moacyr Scliar, aos 73 anos, deixando enlutadas a Saúde Pública e a Literatura brasileiras.

Ver a nota completa no Blog do Marcelo Gurgel.

S de Sapo...

Depois de ligar para o Call Center da Tim para fazer uma reclamação, um usuário recebeu esta Nota Fiscal. O endereço está igual ao que informou, após repetidas dificuldades da telefonista para entender a sigla SQN.


Convenhamos, ele tambem não foi lá muito esperto. Bastaria ter dito... Super Quadra Norte.
Nelson Cunha

Google Chrome. Testes de velocidade

Aqui o Google testa a velocidade de seu navegador contra:
o canhão de batatas,
o som e...
o raio.
Tire suas conclusões.


Leitura
Cinco razones por las cuales elegir Google Chrome, artigo de Carlos Rebato, no qual ele explica por que prefere o navegador da turma de Mountain View.

26 fevereiro, 2011

Limpando o vaso sanitário e o gato

Como limpar o vaso sanitário e o gato ao mesmo tempo
1. Abra as duas tampas do vaso e coloque duas colheres de sopa de xampu para animais.
2. Pegue o gato e acalme-o, enquanto você o carrega para o banheiro.
3. Surpreenda o gato com um movimento rápido, e coloque-o no vaso e feche ambas as tampas. É possível que você tenha que sentar no vaso para que o gato não o abra.
4. O gato vai se agitar e fazer muitas ondas. Não se importe com o barulho que vem do vaso, porque o gato na verdade está gostando do que está acontecendo.
5. Puxe a descarga umas três ou quatro vezes. Isso faz com que haja uma lavação completa, seguida do enxágue necessário.
6. Peça para que alguém abra a porta da casa. Também não deixe ninguém entre o banheiro e a porta aberta.
7. Coloque-se atrás do vaso o máximo possível, e rapidamente abra as duas tampas do vaso.
8. O gato irá sair correndo do vaso, voará pelo banheiro até chegar fora da casa, onde ele se secará naturalmente.
9. Tanto o vaso sanitário como o gato estarão limpinhos e cheirosos.

Transcrito de Salve o Bule.

Veja as FOTOS FINAIS.

Mundo bestial


A polícia de Wichita, Estados Unidos, prendeu um homem de 20 anos por fazer sexo com o cão.

Pobre Scooby!

P.S.
Em Novas frentes andei comentando sobre o declínio do bestialismo no mundo. Parece que falei cedo demais.

25 fevereiro, 2011

"Quase Memória"

Por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

SAUDADE

Tudo vem a seu tempo
Era o dito de meu pai naquele tempo
De riso fácil e alegria confiante

O tempo foi passando e levando
Na roda dessa correnteza veloz
O melhor de tudo e todos nós

Sem perguntar se era chegado o tempo
De doer assim tão doído e tanto
Nesse tempo de saudade e pranto

Ao ler "Quase Memória", do Carlos Heitor Cony, quase encontrei meu pai em cada um dos capítulos do livro. Os versos acima, linhas tortas, pequenas e doídas, vieram no meio da enxurrada de lembranças. Entretanto, como o autor do livro, fui percebendo gradativamente que aquelas lembranças não eram mais meu pai. Era uma "quase memória", aparadas as arestas que construímos ao longo de muitos anos. Era a construção boa e amorosa de alguém a quem se deve a vida, o caráter, o modo de olhar o mundo e o outro. A quantidade e intensidade de fantasias e viagens inventadas por meu pai eram bem menores, mas, como o pai do autor do livro, ele navegava em histórias fantásticas que, muito tempo depois, descobri não serem verdadeiras. Apesar de divertidas, passei a ficar muito irritado com aquilo, mas, aos poucos - num ritmo menor do que deveria, reconheço - fui aceitando-o e amando-o como era: muito humano, amigo, com um coração imenso e uma vontade inesgotável de nos ensinar sem descansos. Mesmo depois de um dia de trabalho que sabíamos estafante.
Apesar dos sentimentos que poderá despertar, "Quase Memória" é um livro para ser lido de peito aberto, se divertindo e gargalhando a cada história inverossímil do personagem de carne e osso que parece esculpido em fantasias, e deixando as lembranças correrem soltas. Vale a pena.

CADERNO DE LITERATURA
Organizador: Ernesto Fonsêca
Editor: Almir Júnior
5ª Edição, 2 de setembro de 2009

Plenilúnio



Astro dos loucos, sol da demência,
Vaga, noctâmbula aparição!
Quantos, bebendo-te a refulgência,
Quantos por isso, sol da demência,
Lua dos loucos, loucos estão!




Composição: terceira estrofe do poema  Plenilúnio, de Raimundo Correia, e a gravura Young woman reaching for the full moon, de Elena Ray.

Alternativa: Ismália.

24 fevereiro, 2011

Desescute

Sabem aquela música chata que a gente não consegue tirar da cabeça? Aquele música que, não importa o que a gente faça, fica tocando sem parar no cérebro?
Pois já existe como removê-la. Descobri isso em minha leitura diária do Gente de Mídia, blog do jornalista Nonato Albuquerque.
A solução é apresentada pelo site Desescute, que propõe substituir a música chata por outra... ainda pior!
O site, para dar sustentação ao método que utiliza, baseia-se em recentes "estudos científicos publicados sobre o fenômeno da impregnação melódico-cerebral".


Comentário
O controlador do EntreMentes ainda não tem uma opinião formada sobre a eficácia do método.
Ao tentar substituir o "Rebolation", do Parangolé, pelo "Sai da minha aba", do Alexandre Pires, recebeu um pacote promocional com o "Morango do Nordeste", do Frank Aguiar, o "Ilariê", da Xuxa, o "Un, dos, tres, Maria", do Ricky Martin, o "Meu pintinho amarelinho", do Gugu e o jingle "Presidente 89" do Eymael.
Se isso não for uma espécie de operação casada e poligâmica, não sabe mais o que é.

Pulmão ou floresta?

O homem é antecedido pela floresta e sucedido pelo deserto.
Pichação francesa

Aqui vemos:

Um pulmão (florestal) parcialmente destruído pelo cigarro? Uma floresta (pulmonar) parcialmente destruída por uma queimada? Ambas as coisas?
A manipulação de fotos, considerada uma forma de arte da era digital, produziu esta imagem. É de tirar o fôlego.


23 fevereiro, 2011

O pacote misterioso

Nelson José Cunha (João Monlevade - MG)

Quem não conhece um português de boteco, imortalizado nas anedotas, vingança do brasileiro colonizado? Cada nação escolhe o seu português. Para o espanhol, esse personagem obtuso vem da Galícia.
O americano elegeu o irlandês, o francês prefere o belga e o alemão faz do polonês o seu alvo de gozação. Deve ser uma necessidade nacional, ter alguém para descarregar aquele sentimento de inferioridade que mora conosco. É bom saber que existe alguém mais bronco do que nós. No Brasil é o português de anedota.
Imagino que estas escolhas tenham alguma razão lógica, pois os imigrantes citados nestes exemplos são, na sua maioria, pessoas simplórias nos seus países de origem e forçados a imigrarem, e assim preenchem com perfeição o estereótipo de que se necessita.
Mas o Eduardo desta história fica longe da figura do português convencional, a começar pelo nome, não é um Manuel ou Joaquim, mas Eduardo, terror das menininhas do Castelo. Era a região do Rio, onde eu morava. O Eduardo manejava um boteco, metido a restaurante, que costumávamos freqüentar; ficava nas imediações da Santa Casa. A especialidade da casa era frango assado.
Vinha gente de longe para provar da iguaria. A casa vivia sempre cheia de estudantes, atraídos pelo "pendura", cartão de crédito da rapaziada. Muito namoro e casamento começou ali, geladinha com frango assado na mesa e outras franguinhas esvoaçantes bicando os corações.
O Duquinha acabou fisgado por uma destas, motivo de inveja da moçada. Chamava-se Laura, uma tremenda franguinha. Como se vê, o nosso português não estava lá para piadas, oh pá !.
Laurinha gostava de usar minissaia e nós, de vê-la sentada.
- Senta Laurinha ! Era o que mais se ouvia.
Tínhamos pelo "portuga" um punhado de admiração e outro tiquinho de despeito, pois o filho da puta sempre tascava a mina mais cobiçada da casa com aquele sotaque malandro e conversa envolvente. Para completar era um galã e no xadrez nos vencia a todos. Gostava de literatura e se metia com versos. Fernando Pessoa andava pregado pelos cantos do boteco.

Certo dia, correu pela Faculdade a história que vou lhes contar agora. Estando o Eduardo ainda arrumando o balcão para o início da segunda jornada do dia, entrou um freguês bem apessoado carregando um pacote na mão. Não era um embrulho qualquer, tinha algo parecido a uma caixa de bombom "Garoto", disfarçada em papel ocre e enlaçado meticulosamente por alguém que valorizara o seu conteúdo. Por fora, levava um desses lacres em alto relevo feitos com cera vermelha - Coisa fina e responsável. Sentou-se e sem pressa pediu o que de melhor havia na casa, inclusive o vinho do Porto que o Duquinha reservava para clientes especiais. O que chamava atenção naquele sujeito era o seu cuidado extremado com o pequeno embrulho, sempre com uma das mãos pousada sobre ele como se asas tivesse e algum risco de voar. Aquilo intrigou o nosso Duquinha, pois o homem não largava o pacote nem quando ia ao quartinho. À menção de alguém que se aproximava da sua mesa, mudava o pacote de lugar como se quisesse protegê-lo.

Lá pelas tantas, depois de zerar o estoque de vinho, o dono do pacote perguntou por uma marca de cigarro que o Duquinha desculpou-se por não tê-la. Diante de tão indesculpável falta, o estranho levantou-se, foi ao balcão, curvou-se ao pé do ouvido do Eduardo e pediu que guardasse aquele pacote com responsabilidade e frisou bem a palavra RESPONSABILIDADE.
Como não podia passar sem aquela maldita marca de cigarro iria buscá-la nos botecos da vizinhança.
O Duca, honrado pela demonstração de confiança do desconhecido, tratou de tomar conta do pesado e valioso pacote com o cuidado de uma galinha com seus ovos. A demora do freguês o fez atender o restante da clientela carregando consigo aquele estorvo. Era incômodo, mas assim mesmo desfilava com um certo grau de orgulho, pois aquilo deveria ser alguma especialidade.
Vez ou outra saía até a calçada, espiava de cada lado para conferir onde havia se enfiado o dono da encomenda. Pô! Já estava chegando a hora de fechar e o sujeito não voltava. Não demorou para a freguesia tomar conhecimento da história e apelar pela abertura do pacote.
- Aaabre... aaabre.... aaabre... - retumbava o coral dos aflitos e gozadores.
O Duca finalmente cedeu à gritaria e preparou-se para abrir o pacote em meio à roda dos curiosos. Já tinha gente apostando que aquilo só poderia ser alguma caixa de jóias roubadas deixadas por acaso num momento de aperto. Mas o mistério só resistiu até a abertura do embrulho. Surgia, aclamada pelos presentes, uma rapadura para adoçar um pouco da ira do "portuga" diante da gozação da moçada.
Alguém comera e bebera nas barbas de Dom Eduardo e saíra sem pagar a conta. Assim fez-se a escrita e o nosso Duquinha recuperou o “prestígio” do português da anedota.
E a Laurinha ? Ai que calcinha!

O "zoológico subterrâneo"

Paul Middlewick só precisou exercitar a imaginação diante do mapa do metrô de Londres.

22 fevereiro, 2011

Atualizando a velha guarda

ANTES ERA → AGORA É
obrigado → valeu
é complicado  → é foda
rouge → blush
discoteca → balada
cafona → brega
reclame → propaganda
oi, olá, como vai? → e aê?
imitação → genérico
fofoca → babado
a bênção, pai → qual é, coroa?
mãe, posso ir? → véia, fui!
legal → irado
cansaço → estresse
desculpe → foi mal
médico de senhoras →gineco
costureira → estilista
por favor → quebra essa
recreio → intervalo
gafe → mico
madureza → supletivo
tristeza → deprê
atlético → sarado
peituda → siliconada
bunduda → popozuda
caramba! → caraca!
namoro → pegação
flertar → ficar
laquê → spray
derrame → AVC
não brinca! → ah, fala sério!
senhor → tio
preste atenção! → se liga!
amor! → benhêêê!

 (enviada por e-mail pela médica Renata Pinto)

Make yourself comfortable

Tradução: SENTA QUE O TIGRE É MANSO!


Provérbio bilíngue do dia
De gustibus et encostibus non est dispuntandum. Gostos e encostos não se discutem.
Itapiúna - CE

21 fevereiro, 2011

Sertão religioso

Sertão religioso
Não pense que é valentia
Ir da seca à inundação,
Rezando em cantoria,
Atrás desta procissão.
Chuva na roça é alforria
Enxurrada é destruição.
Que o santo não se zangue
Co'essa nossa ''pidição'',
Mande a chuva pedida
Não traga o mar pro sertão.

Por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Nossa gente é tão dura quanto.
Veja a história abaixo. Escrevi após ouvir o relato de um amigo piauiense, sobre episódio que aconteceu com seu avô, lá no sertão do Piauí:
O ser humano, diante da natureza, sempre se sentiu pequeno, amedrontado, mas nunca desistiu de tentar domá-la. Assim, não se sabe se o medo, a inteligência ou a crença, fez com que essa criatura tão indefesa conseguisse sobreviver e multiplicar em toda a superfície da mãe Terra. Mesmo nos lugares mais improváveis.
Para mim, este talvez seja o maior milagre visto pelo próprio ser humano. E talvez explique porque existe uma parcela imensa da humanidade que manifesta fé inabalável em seres que julga estarem ali para servi-la em situações extremas. São recorrentes os casos em que a crença operou algo no ser humano, ou em torno de si, que modificou condições tidas como impossíveis.
Seu Doca está aí, vivinho, para não me deixar mentir.
Homem rude do sertão nordestino, não precisa dessas explicações inúteis. Ele acredita e pode contar seu milagre. Que tanto pode ser uma bênção, como um castigo.
Apesar do apelido quase doce - “Seu Doca” - trata-se do verdadeiro estereótipo de sertanejo: pouco ri, pouco fala, mas quando ri ou fala parece ter muita sabedoria; não chora nunca, não se enternece com nada, faz chorar e enternecer os familiares; não adoece e não para de trabalhar por nada no mundo; e sabe das coisas da natureza como ninguém.
Naqueles dias de seca, Seu Doca andava muito nervoso. A mulher se preocupava. Mesmo sem falar nada, sem manifestar suas preocupações, ele ficava mais calado, parecia que bufava ao invés de suspirar profundo e dormia menos do que de costume.
Na roça, parava de trabalhar e ficava olhando para o céu azul e o sol de fogo. Às vezes como a pedir clemência, no mais das vezes com um olhar desafiador, como a dizer: “o que fiz pra merecer isso?”. E as plantas secavam, os animais definhavam e a família quase não tinha água para beber ou cozinhar.
Seu Doca não era de rezar. A mulher dele rezava pela família toda. Ela participava das novenas e das penitências para trazer chuvas e fartura. Nas procissões era a mais fervorosa e a mais próxima do andor de São José ou de Santo Antônio, santo de sua devoção e padroeiro do lugar.
Porém, naquele ano e no anterior, os santos esqueceram que o sertão precisava de água para sobreviver. Não caía uma gota sequer. Passava tempos e tempos sem uma nuvem no céu e quando nublava, lá longe no horizonte, era apenas para soprar as cinzas do fogo da esperança que estava quase apagando. Soprava, avivava a brasa e ia embora. Não chovia nada.
Um dia, sozinho em casa, Seu Doca tomou uma decisão corajosa: se os santos não escutavam as preces de sua esposa, haviam de escutar uns desaforos de homem para homem.
Sol quente do meio-dia, pegou a imagem de Santo Antônio, tão luzidia e bela sobre a toalha branca do oratório, se dirigiu à roça e, no final da cerca, colocou a imagem sobre o mourão mais grosso, no sol a pino, e sentenciou:
- Vamu vê se tu é forte! Inquanto num chuvê, cê num sai daí... Vai torá no sol! Intonce, trate de mandá chuva!
Coincidência, castigo ou bênção, à noite os relâmpagos iluminaram os campos, os trovões estremeceram a casa e a água despencou do céu como uma cachoeira gigante. De tão exagerada a chuva, dizem que choveu a noite toda sem parar.
Ninguém sabe se Seu Doca teve algum estremecimento de temor ou agradecimento, pois não viram nenhuma grande mudança em suas faces. De manhã mostrava apenas um olhar mais aceso. Foi para a roça parecendo mais animado com aquele ar fresco e úmido:
- Agora temu água, muié!, falou ao sair de casa.
Andando, viu o estrago que o aguaceiro causou. A roça foi destruída pela enxurrada e os animais dispersos pela violência das águas. Alguns ficaram feridos. Grande parte da cerca tinha sido levada também. O mourão forte e grosso onde estava Santo Antônio tinha resistido. E o santo estava lá, sereno como se nada tivesse acontecido.
Seu Doca, de repente, sentiu-se frágil ao ver tanta destruição. Sentou numa pedra em frente e chorou um pranto que o sertão nunca vira desde que ele nasceu.
E os céus fizeram-lhe coro com as águas que voltaram a cair com força, inundando a propriedade e a alma do sertanejo. FGF

A Espanha não quer o "virundum"

A notória dificuldade que o brasileiro tem de memorizar a letra do Hino Nacional poderia ter uma solução definitiva. Se tirássemos algum proveito daquilo que foi a experiência espanhola. Com origem na "Marcha Granadera", de 1770 e cujo autor é desconhecido, El Himno Nacional de España jamais deixou o espanhol em situação vexatória.
Não tem letra. Nos 240 anos de existência desse hino, súditos que foram tomados de ardor cívico até tentaram pôr letras nele. Em vão escreveram. Nenhuma delas teve aceitação popular, nenhuma foi oficializada pelo governo espanhol.

porquenohoy.blogspot.com

E a Espanha não é atualmente o único país com... hino-sem-letra. Tem a companhia de San Marino e da Bosnia-Herzegovina nessa questão.

Você poderá gostar de ler O Hino Nacional e O virundum.

20 fevereiro, 2011

Telecinesia


- Quantas pessoas aqui têm poderes de telecinesia? Levantem minha mão. Emo Philips

É a alegada capacidade de mover fisicamente um objeto com a força psíquica (da mente), fazendo-o levitar, mover-se ou apenas ser abalado pela mente. Tal poder está agrupado na paranormalidade. A telecinesia ou telecinésia é também conhecida como TK.
Não existem evidências científicas de que esta aparente capacidade possa ser controlada conscientemente. Estudos na parapsicologia demonstram que, se a telecinese existir, seria incontrolável, espontânea e inconsciente. Muito diferente do que é visto na ficção ou alegado por paranormais. Wikipédia

Australian calling

Para trabalhar na casa de Dona Rosana a empregada doméstica tem que ser fluente em inglês. É uma patroa que tem muitas amigas no exterior. Quando viaja, uma delas pode resolver ligar e...
Precavida como é, Dona Rosana não vai deixar essa amiga in the woods without a dog.

19 fevereiro, 2011

Meus seguidores


Hoje, eu vou escrever uma nota de agradecimento aos incansáveis seguidores oficiais desta bitácora. São poucos esses followers, como vocês podem ver (estão todos na fotografia ao lado), mas eles, acompanhando e repercutindo tudo o que escrevo no blog, desempenham um papel importante. E seguem-me, de fato, por toda parte.

Esclarecimento
EntreMentes, ao contrário de meus outros blogs (estão relacionados no Home Blogs), por ser editado em modelo antigo, não possibilita a inclusão do gadget que torna público os meus seguidores. Para isso, eu teria que fazer uma atualização do modelo, sobre a qual sou alertado de que "pode haver perdas".

Pós-escrito
Ler até que ponto essas perdas podem representar para o blog no comentário (comments) feito por Nonato Albuquerque.

Da arte de julgar

Eram dois vizinhos. Um deles comprou um coelho para os filhos. Os filhos do outro vizinho também quiseram um animal de estimação. E os pais deles compraram um filhote de pastor alemão.
Começou uma conversa entre os dois vizinhos:
- Ele vai comer o meu coelho!
- De jeito nenhum. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos e fazer amizade!
É... Parece que o dono do cão tinha razão. Juntos cresceram e se tornaram amigos. Era comum ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. E as crianças, felizes, com os dois animais que criavam.


Eis que o dono do coelho foi viajar com a família, num fim de semana. E não levaram o coelho.
No domingo, à tarde, o dono do cachorro e sua família tomavam um lanche tranquilamente, quando, de repente, entra o pastor alemão com o coelho carregado entre os dentes, imundo, sujo de terra e morto.
O cão levou uma tremenda surra! Quase o mataram de tanta pancada.
Dizia o homem:
- O vizinho estava certo. Só podia dar nisso!
Mais algumas horas, os vizinhos iam chegar. E agora?!
Todos se olhavam. O cachorro, coitado, lá fora, lambendo os ferimentos.
- Já pensaram como vão ficar as crianças?
Não se sabe exatamente quem teve essa idéia, mas parecia infalível.
- Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, enxugá-lo com o secador e depois o colocamos em sua casinha.
E assim fizeram. Ficou com bom aspecto o animal morto. Parecia vivo, diziam as crianças.
Logo depois, veem os vizinhos chegando. Ouvem os gritos das crianças.
- Descobriram!
Em poucos minutos, o dono do coelho veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.
- O que foi?! Que cara é essa?
- O coelho, o coelho...
- O que tem o coelho?
- Morreu!
- Morreu? Ainda hoje à tarde parecia tão bem.
- Morreu na sexta-feira!
- Na sexta?!
- Foi. Antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora ele reapareceu!

A história termina aqui. O que aconteceu depois fica com a imaginação de cada um de nós. Mas o grande personagem desta história, sem dúvida alguma, é o cachorro. Imaginem que o coitado, desde sexta-feira, em vão procurou por seu amigo de infância. Até que, depois de muito farejar, descobriu que ele estava morto e enterrado. O que fez o cão, a seguir? Provavelmente, com o coração partido, desenterrou o amigo e foi mostrá-lo a seus donos, imaginando que estes poderiam ressuscitá-lo.
Fonte: internet, reescrita

18 fevereiro, 2011

Boas falas

Nelson Cunha me enviou o texto abaixo para que eu o traduzisse:
Interlingua es un lingua international facile e de aspecto natural elaborate per linguistas professional como un denominator commun del linguas le plus diffundite in le mundo in le dominios del scientia, cultura, commercio, etc. Un texto in interlingua es immediatemente intelligibile a milliones de personas in tote le mundo, sin necessitate de studio previe.
Informando ainda que o texto havia sido lido por universitários de todos os países em que o idioma nativo era uma língua latina, germânica,eslava ou inglesa. E que eles o compreenderam sem qualquer estudo prévio da língua em que o mesmo estava escrito.
Não há a necessidade de tradução. O texto, que tem muitas palavras de origem latina, é perfeitamente  compreensível a quem fala o português. Apesar de que não está em nosso idioma, percebe-se.
Mas que diabos de língua é essa? Tampouco é espanhol, inglês, francês, italiano...
Pedi ajuda aos universitários, digo, ao Tradukka. Veja o que ele me respondeu:
- Spanish?
Por fim, Nelson esclareceu:
Paulo,
Lembra-se do velho Esperanto? Não pegou.
Depois de uma análise crítica sobre as causas da falência do Esperanto, alguns lingüistas pensaram num idioma que tivesse, como o Esperanto, regras invariáveis de grafia e pronúncia, tempos verbais limitados, mas suficientes para expressar idéias. Conjugação invariável da primeira à última pessoa e tudo o mais necessário a um idioma funcional. Como o idioma é intuitivo, ficou fácil aprender sua gramática. Restou o vocabulário. Os 3 grandes troncos idiomáticos do mundo ocidental são: Germânicos (Inglês, Alemão, Escandinavo) , Latinos ( Português, Francês, Espanhol etc) e Eslavos ( Russo , Polonês etc,) . Procurou-se similaridade entre eles, ou seja, palavras com o mesmo significado e grafia parecida. Montou-se daí um dicionário.
É por este motivo que um estudante com um vocabulário rico no seu idioma nativo, pode ler um texto em INTERLINGUA sem contato prévio com a língua.
O que falta agora é sua adoção pelo mundo ocidental de modo a ser ensinado durante 6 meses em todos os países deste hemisfério. O idioma é tão simples que qualquer mau aluno poderia aprendê-lo sem esforço. Serviria ao propósito de língua franca para literatura, comércio, internet e, evidentemente, turismo.
Procure por Interlingua (no Google) e saberá mais.
É claro que o idioma é pobre e sua essência o obriga a isto, mas cumpre o papel de ferramenta de comunicação.
Espero ter saciado sua curiosidade com este resumo.
Vale aqui a curiosidade do assunto que é o meu objetivo como modesta linha auxiliar do seu blog. Seria interessante publicar um texto em Interlingua e pedir tradução. Você verá a audiência do blog e estimulará a curiosidade do internauta pelo assunto.
Abraços,
Nelson
Sítios recomendados:
União Brasileira pró Interlíngua
O que é Interlíngua?
Wikipédia

Gurgel. Especulações sobre a origem do sobrenome

A família Gurgel no Brasil, segundo diversos autores, teve início com a vinda de Tous-Saint Gurgel para o nosso país, em 1595. Aqui, o corsário francês casou-se com Domingas de Arão Amaral, de família lusitana, no ano de 1598, e desse consórcio nasceram oito filhos.
Sendo filho de pai alemão da região da Baviera, de seu lado paterno o francês Tous-Saint herdou o sobrenome Gurgel.
Em alemão, die Gurgel significa garganta, que tanto pode ser a parte anterior do pescoço (a goela, o mesmo que die Kehle) quanto uma passagem estreita entre montanhas (desfiladeiro). Se o que legou o nome à família foi a remota existência de um Gurgel bom de papo ou de antepassados que viviam em algum desfiladeiro europeu, isso fica com a imaginação de cada um.
Um dos sinônimos para garganta é gorja (do francês gorje). Derivaram de gorja: gorjal, gorjeio, gorjeira e gorjeta (a gratificação que se dá ao garçom para molhar a garganta).
Na área farmacêutica, existe um produto à base de cetilpiridínio que se indica para afecções da garganta. Tem o sugestivo nome de...  Gurgol.
E, para finalizar, a informação da forma com que nossos parentes em Moçambique grafam o sobrenome: Gourgel. A respeito disso já escrevi uma nota no Linha do Tempo. PGCS

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Outras e graciosas especulações sobre a origem do sobrenome. Por Winston Graça

Várias especulações poderiam ser acrescentadas ao sobrenome do seu ancestral, aquele que inaugurou seu sobrenome.
É bom lembrar que realmente, na idade média, sobretudo entre marinheiros, soldados e piratas, o nome familiar não interessava muito, mas sim aquele que bem designava o seu portador.
Assim obtivemos sobrenomes nacionais tais como “Pequeno”, “Marinheiro”, “Pimenta”, “Ferreira” etc...
Quem sabe o “Gurgel” ou “Gourgel” do Tous-Saint não seja realmente porque o homem tinha uma voz exímia e sabia trinar?
Ou talvez esse corsário tinha aqueles pescoços (goelas) fortes, curtos e grossos, típicos dos homens do mar?
Ou um cara que tinha uma fome constante e se “esguelava” na comida?
Ou Tous-Saint seria um falastrão que, na ausência de mídia para digitar um blog, passava o tempo contando estórias de pescadores, entornando boas cervejas da Bavária e quejandos?
Ou dono de uma voz tronitruante, daquelas que quando falava, o navio estremecia e lá de sua cabine o comandante ouvia e reclamava: “esse goela não me deixa trabalhar...”
Ou quem sabe fosse um grumete daqueles que sobe ao pico do mastro e se esgoela para a marinhada lá de cima, aos gritos de qualquer coisa à vista?
Ou como o homem era filho da Bavária, onde abundam montanhas e desfiladeiros (“kehles”), os companheiros diziam: “e aí, Tous-Saint dos Kehles”...?
Dessa região pode ser andado pelo Tirol, treinando trinos gritantes dos picos cheios de eco: “Ôooo tiruêitttiiiii...”
Quem sabe seu antepassado, à noite à luz da lua sobre o convés, não “gorgeava” lindas canções medievais, em um alaúde de estimação, parecido com seu violão, com saudades de louras tranças deixadas em terra, ou morenos buços de Domingas, deixada no Tejo, e aí a marinheirada dizia: esse cara é mesmo uma garganta!


WINSTON_09697


P.S. – Você sabia que “Gorjala” é o nome de um gigante lendário, de pescoço grosso e guloso do folclore cearense? Pois é...

17 fevereiro, 2011

A presença do acaso em nossas vidas

1. Introdução
O que é “acaso”?
Segundo os dicionários, acaso é "um conjunto de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas, e que determinam um acontecimento qualquer".
É de se notar que, na definição de "acaso", existe uma ligação direta entre causa e efeito, causa e consequência e que, mesmo desconhecendo a causa, esta foi determinante para o acontecimento.
Em outras palavras, quando observamos a ocorrência de um fato, mas dizemos que o "acaso" provocou, é porque não conhecemos a causa que foi determinante para o acontecimento.
E se o acaso puder ser definido de outra forma? Se definirmos o acaso como a ausência de causa ou como algo que pode ter se originado de tantas outras causas - nenhuma determinante em si mesma para a ocorrência e, ainda, possivelmente sem nenhuma conexão entre si - e que podemos dizer com certeza que não existe causa ou série causal que a determinou? É possível?
Creio que sim e é isso que ocorre em nossas vidas. Religiões, superstições, conhecimento, relacionamentos, mandingas, simpatias, são apenas formas como tentamos agir sobre nossas vidas esperando conseguir um resultado previsível.
Entretanto, o resultado que pretendemos alcançar como, por exemplo, sucesso profissional ou acertar na loteria, não está vinculado diretamente a nenhum desses fatores e pode até ter sido determinado por fator nenhum. Apenas aconteceu por mero acaso. E neste caso, estamos querendo dizer que nenhuma causa foi determinante para o resultado alcançado.
Aí, o nosso cérebro dá um nó, porque, a imensa maioria das pessoas, dentre as quais podemos citar filósofos, cientistas e outros estudiosos, rejeita a ideia da existência de um acontecimento sem uma causa que o determinou. Seria algo como, em física, dizer que observamos uma reação sem ter havido qualquer ação anterior.
2. Determinismo
Existe corrente filosófica que rejeita veementemente a ideia de acaso. Para esses pensadores não existe acaso. Assim, não existem causas independentes e desconhecidas, existe apenas o desconhecimento do início de onde se originou a causa. E, ainda segundo essa corrente, as explicações estariam no início do Universo onde tudo o que aconteceu ou acontecerá já teria sido determinado. Essa corrente de pensamento é chamada de "determinista".
Foi Laplace quem deu a maior contribuição ao determinismo ao afirmar que, não existindo o que chamamos de acaso, é possível achar explicação para qualquer evento. Segundo ele, se existisse uma inteligência que pudesse conhecer todas as forças que atuam ou que atuaram sobre o Universo desde o seu nascimento, essa inteligência poderia explicar qualquer acontecimento, mostrando suas causas. Poderia, também, predizer, a partir de uma situação presente, tudo que iria acontecer a partir daí.
Os deterministas são de opinião que, em todo o Universo, todos os corpos e forças atuam uns sobre os outros de forma que sempre haverá um encadeamento obrigatório e lógico entre os acontecimentos.
Em suma, para os deterministas, tudo está escrito e nada acontece por acaso e, portanto, nada acontece sem uma finalidade já definida no início dos tempos.
3. Livre arbítrio
Em oposição ao determinismo, existe uma outra corrente que defende a existência, não de uma causa única e primordial, mas de “cadeias de causas e efeitos interligadas onde um fenômeno determina um outro, que determina um outro..., e juntos eles constituem uma série causal”. Assim, dentro de cada cadeia causal é possível localizar a causa de cada ocorrência. Uma série causal poderia ser, então, completamente independente de uma segunda.
Duas séries causais seriam consideradas independentes quando não existisse um elo de ligação entre elas. Como exemplo, citam a ocorrência de um eclipse, ao mesmo tempo em que verifica que o pneu de seu carro furou. Por serem fenômenos sem nenhum elo de ligação entre si, podemos dizer que o furo do pneu ocorreu por acaso, não tem nada a ver com o eclipse.
Caso o eclipse tivesse provocado intensa escuridão e, em consequência, o carro tivesse caído em um buraco e furado o pneu, poderíamos dizer que duas séries causais independentes (o eclipse e o fato do autor estar na rua com seu carro) se cruzaram resultando em uma terceira série causal: o furo no pneu do carro.
Segundo essa entendimento a respeito do acaso, ainda que todos os fatos ocorram dentro de um mesmo Universo, a existência de fatos isolados dos demais justificaria o livre arbítrio. No pensamento determinístico não há espaço para o livre arbítrio, tudo já estaria determinado e ocorreria de acordo com o preestabelecido. A aceitação da existência de séries causais independentes resulta na convicção de que o homem pode evitar que séries causais independentes se cruzem, podendo, também, criar suas próprias séries causais que gerariam consequências previsíveis.
Essa corrente de pensamento levou o ser humano a acreditar em resultados, bons ou maus, advindo de deuses, em atos praticados em vidas passadas, em atos praticados por ele ou seus antepassados, na bondade dos santos, bem como em mandingas, simpatias e superstições sem fim. Ou seja, com o livre arbítrio, o ser humano, ao invés de se sentir livre para tomar as rédeas de seus próprios resultados, ficou preso a fatores e crenças que, na sua imaginação, seriam determinantes para criação de séries causais propícias ao resultado que ele estava procurando.
Isso acontece porque é muito difícil para o ser humano aceitar consequências sem causas diretas, bem como reação sem ação anterior que a provocou. Tudo porque tendemos a procurar padrões e, nos relacionamentos humanos e suas consequências, pode não existir um padrão para as causas nos resultados observados, mesmo que sejam iguais ou parecidos com os milhares de resultados que ocorrem em torno de nós.
Não que a causa seja desconhecida ou não possa ser apurada. Mas um mesmo resultado pode ter sido obtido por várias causas sobre as quais não temos controle, podemos apenas inferir o grau de probabilidade de um evento ocorrer sob várias causas possíveis.
4. Aleatoriedade
Segundo alguns estudiosos, essa aparente dificuldade em aceitar a ideia do acaso em sua definição mais correta é porque resultaria na aceitação de que os corpos que compõem o Universo não tem, nem nunca tiveram, qualquer relação de causa e efeito direta. Rejeitam a ideia de que todos os acontecimentos, inclusive o início do processo que resultou no Universo como hoje o conhecemos, seriam obra do mais puro acaso.
A partir daí, uma outra corrente vem se destacando, aceitando a ocorrência de séries causais independentes, que consideram aleatórias, ou seja, sem um padrão definido, e rejeitam a tese de que o ser humano pode atuar sobre essas séries causais de forma a gerar resultados previsíveis.
Os índios canadenses têm uma frase que resume isto muito bem: "Formigas montadas em um tronco descendo o rio têm a certeza de que o estão dirigindo".
Assim, não tendo como gerar resultados previsíveis, todos os humanos, por mais conscientes que sejam e por mais visão de futuro que tenham, irão se deparar a todo momento com o mais puro jogo de dados, onde existem apenas probabilidades de acertar qualquer dos números em uma jogada qualquer.
Por isso, existem pensadores que afirmam ser a determinação e a persistência mais importantes para a obtenção de um bom resultado em uma carreira profissional ou empresarial, por exemplo, do que a inteligência, sabedoria ou conhecimento acumulado.
Calvin Coolidge, um dos Presidentes dos Estados Unidos, chegou a afirmar que: “Nada no mundo pode substituir a persistência. O talento não pode. Nada é mais comum do que pessoas talentosas frustradas. A genialidade não pode. O gênio não recompensado é quase proverbial. A educação não pode. O mundo está cheio de fracassados instruídos. Apenas a persistência e a determinação são onipotentes.”
Diante da aleatoriedade que cerca a existência humana, probabilidades de acerto resultam, então, mais da quantidade de ações desenvolvidas em uma determinada direção do que qualquer outro fator que esteja sob nosso controle ou que venhamos a controlar.
Leonard Mlodinov, em "O Andar do Bêbado", define bem: "...um dos importantes fatores que levam ao sucesso está sob nosso controle: o número de vezes que tentamos rebater a bola, o número de vezes que nos arriscamos, o número de oportunidades que aproveitamos. Pois até mesmo uma moeda viciada que tenda ao fracasso às vezes cairá do lado do sucesso."
Então, "tente outra vez", como diria o sábio Raulzito.

Fernando Gurgel Filho
Sobradinho-DF, 18 de maio de 2010.

Bibliografia
Entler, Ronaldo - "Definição do acaso”, texto publicado no portal http://www.entler.com.br/, 1997;
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda - "Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa", Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro-RJ, 1998;
Gray, John - "Cachorros de Palha", 6ª edição, Editora Record, Rio de Janeiro-RJ, 2009;
Mlodinov, Leonard - "O Andar do Bêbado", Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro-RJ, 2009.

GLOSSÁRIO DE GESTÃO EM SAÚDE. Lançamento na SESA

Com 446 verbetes distribuídos em pouco mais de 100 páginas, o "GLOSSÁRIO DE GESTÃO EM SAÚDE – Terminologia para uso na gestão", de autoria de Cícera Borges Machado e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, divulga pesquisa bibliográfica sobre os termos relativos à gestão, tendo como fonte  módulos de cursos nesta área na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE). Segundo os autores, o estudo surgiu da necessidade de maior compreensão dos conceitos apresentados nas disciplinas do curso, tendo em vista a complexidade do tema.
Os termos pesquisados são classificados nas categorias de Atenção à Saúde, Administração e Planejamento em Saúde, Políticas Públicas, Economia da Saúde, Vigilância em Saúde, Ciência e Tecnologia em Saúde, Epidemiologia, Demografia, Recursos Humanos, Equidade em Saúde e Social, Direito Sanitário e Ética e Bioética.
O livro é recomendado a profissionais, acadêmicos professores e gestores da área da saúde.

Para o lançamento do livro, a Secretaria da Saúde do Estado realiza nesta quinta-feira, 17 de fevereiro, às 9 horas, um café com saúde, no espaço Rodolfo Teófilo da Sesa, na Avenida Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema.

Fonte: Home page da SESA, via Blog do Marcelo Gurgel

16 fevereiro, 2011

DESABAFOS em fotos e versos. Lançamento

Hoje, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, ocorrerá o lançamento do livro "DESABAFOS em fotos e versos". A obra reúne 40 imagens capturadas pelas lentes de George Luiz Sampaio Teixeira, que ilustram outros tantos poemas elaborados por Sandra Tédde Santaella, disso resultando em um livro repleto de belas fotos e lirismo.
Sobre o trabalho conjunto desses dois autores, Regine Limaverde assim se expressou:
"Toda a minha amizade e admiração aos dois poetas: um que expressa sentimentos com palavras e outro com uma máquina de fotografias."

Serviço
Dia: 17/02/11
Horário: 19h30
Local: Centro Cultural Oboé, na Rua Maria Tomásia, n° 531, Aldeota

Para quem não puder comparecer ao evento no Oboé, o livro poderá ser adquirido nas grandes livrarias de Fortaleza (Cultura, Saraiva, Nobel, Siciliano e Lua Nova) e diretamente com os autores.

Busque no Busk

Busk é uma nova rede social, que permite os usuários buscar e colecionar notícias de qualquer parte do mundo. Os resultados são mostrados em ordem cronológica, e com apenas um clique, você favorita o link escolhido.
Depois de adicionado à sua página, as notícias são classificadas em categorias, e podem ser visualizadas através de uma nuvem de tags e um gráfico interativo.
Além disso, você pode seguir outros usuários e compartilhar seu conteúdo. Alguns sites, como o Nadave.net (fonte desta informação), têm páginas personalizadas, onde os usuários podem procurar suas notícias preferidas.

Gato por lebre

O jurisconsulto espanhol Covarrubias relata que a locução gato por lebre já era empregada no século XVI. E o slideshow abaixo comprova que, nos tempos atuais, multiplicam-se os exemplos de que a expressão continua utilizável.

15 fevereiro, 2011

Vestido de noiva

O chef de cozinha colombiano Juan Manuel Barrientos criou um vestido de noiva comestível. Ele apresentou a peça durante uma feira de moda em Medellin, na Colômbia.
A foto abaixo registra o momento em que Barrientos prova e aprova o vestido.

G1 / Planeta Bizarro
Retificando...
chef de cozinha colombiano Juan Manuel Barrientos criou um vestido comestível de noiva.

Assunto + ou - relacionado: Toilet Paper Wedding Contest 2010.

Imagine...

Só imagine porque você não terá a chance.


14 fevereiro, 2011

A gente não quer só comida!

thomasfuchs.com
Mas...
A necessidade e a fome ensinam, respectivamente, a rezar e a comer. E ambas ensinam a sobreviver ou a morrer tentando. Creio que a incorporação de determinadas comidas ao cardápio humano pode ser explicada, em grande parte, pela fome. Não pelo exotismo das comidas, porque o que é rejeitado por um povo é iguaria pra outro, até por causa da localização geográfica e consequente evolução cultural gastronômica. Mas, a utilização de alguns alimentos, somente se justifica levando-se em consideração épocas em que as hordas humanas padeceram de fome intensa e mortal. Então, como se justifica um ser humano em sã consciência e sem conhecer, como os primeiros que se depararam com a iguaria, colocar alho na boca?, pimenta?, cebola?, um simples maxixe?, ou tantos outros temperos e alimentos que usamos no dia-a-dia e não nos damos conta da estranheza que deveria nos causar.
Falo sério.
E os temperos/alimentos que nascem escondidos embaixo da terra? Além do ser humano ter que cavar para acessá-lo, ainda têm que limpar, descascar e, em épocas mais recentes, cozinhar. Mesmo assim, muitos não têm boa aparência. Haja fome pra comer – desde que a pessoa não conheça, repito – mandioca, batata, trufa (???)... Nestes casos a explicação pode ser mais simples. Como o ser humano sempre observou o comportamento das aves e dos animais, pode ter visto porcos do mato e javalis fuçando, desenterrando e comendo os tubérculos. Daí, deve ter sido um passo para imitá-los.
Hoje, isto está em qualquer manualzinho de sobrevivência na selva: observe o que comem as aves e os animais, não coma nada peludo, amargo ou com cheiro muito ativo.
Bom, esses atributos tiram muita coisa maravilhosa do cardápio. Hehehehe.
Basta pensar em..., hummmm, kiwi que é peludo por fora, mas muito saboroso; azeitona que é muito amarga, mas em conserva fica uma delícia; ou caqui, cujo odor é muito forte, mas é uma fruta deliciosa.
Mas, e os alimentos que fogem - alguns totalmente - às regras básicas de sobrevivência, como: jiló, pequi, guariroba, cogumelos, caramujos, algumas folhas e tubérculos que são venenosas se não fervidos? Creio que apenas a fome explica a coragem dos primeiros que provaram. Muitos humanos devem ter morrido na tentativa de se saciar. Devem, pelo menos, ter morrido saciados.
Outros alimentos, na falta de conservação, estragam. Alguns até com muita facilidade. Outros, após passarem por algum processo de degradação, podem se tornar fatais para o ser humano. O queijo comum é assim. Como explicar, então, apreciarmos leite estragado (coalhada, queijo, etc); queijo mofado (roquefort e camembert na França e gorgonzola na Itália); frutas, grãos em decomposição/fermentação (aluá, vinho, cerveja, uisque, cachaça...); além de outras práticas culinárias que, para nós, são muito exóticas, como fazer sopa de ninho de andorinha ou fazer café de grãos defecados.
Outros alimentos provocam euforia, desorientação, alucinações... Neste caso, a observação do comportamento dos outros animais também justifica a utilização pelo ser humano. Pelo menos é a explicação oficial do uso de determinados frutos ou sementes. No caso do café, por exemplo, dizem que os criadores de ovelhas estranhavam quando alguma se alimentava de uma frutinha avermelhada, pois ficavam muito serelepes. Descobriram o café. Não explicam como o ser humano passou a secar, moer os grãos e fervê-los para obter a bebida. Segundo as mesmas fontes oficiais, ovelha nenhuma até hoje fez isso.
Enfim, concluindo, na hora do “pega pra capar”, come-se de um tudo... E se alguém souber de algum livro sério e interessante que conte a história da evolução gastronômica da humanidade, favor indicar que tenho muito interesse.

Então, a vida está monótona? Falta emoção? Quer mais adrenalina? Então, experimenta um dos pratos abaixo (in mundoestranho.abril.com.br/alimentacao, por Gleydson Alves). São as 10 comidas consideradas mais estranhas do mundo:

10) ESCORPIÃO FRITO - O escorpião é um prato admirado pela maioria dos povos asiáticos. Grande parte dos países do continente degusta o petisco usando hashi, esse par de varetas usado para levar a comida à boca.
9) FILETES DE PEIXE VENENOSO - O tal peixe venenoso é o fugu ou baiacu, que tem muita tetrodotoxina, um veneno dez vezes mais forte que o cianeto. Para que a iguaria não mate ninguém, o cozinheiro retira uma bolsa perto das brânquias com o veneno. Depois, fura a bolsa e espalha sobre a carne do peixe uma pequena dose da toxina, para provocar um certo "efeito alucinogénico" em quem come! Por causa dos riscos da ingestão do alimento, os cozinheiros e chefes de restaurantes são exaustivamente treinados até ganharem o aval para preparar o fugu para consumo. Mesmo assim, cerca de 20 pessoas morrem por ano, intoxicadas pelo veneno do peixe!
8) FAROFA DE FORMIGA - O insecto aparece no cardápio rural brasileiro em certas áreas do Sudeste. Além de consumida em farofas, ela também pode ser torrada com tempero ou congelada para comer durante o ano. E faz bem! Como vários outros insectos, as formigas são ricas em proteína, têm baixo teor de gordura e alto teor de fósforo.
7) MORCEGO À CAÇAROLA - Os morcegos que fazem parte do cardápio humano são os que se alimentam de frutas. Escolhidos por não serem venenosos e por sua dieta saudável, os morcegos frutíferos têm baixo teor de gordura e uma carne cuja textura é comparada à dos frangos. Além da caçarola (um guisado com carne, vegetais e batatas), outras boas pedidas (quer dizer, boas pelo menos para os povos asiáticos) são a sopa e a lasanha de morcego.
6) CANGURU AO VAPOR - O hábito de comer cangurus começou com os nativos australianos. Hoje em dia, a carne do bicho é picada e cozida em vapor, com a adição de bacon, sal e pimenta para dar um temperozinho . Não sobra nada: até o rabo é aproveitado para fazer sopa! O gosto é comparado ao da carne de avestruz, uma carne vermelha bem forte.
Os pratos feitos com canguru são vendidos em mais de 900 restaurantes, desde pizzarias até serviços de quarto em hotéis cinco estrelas.
5) OMELETE DE LARVA DO BICHO-DA-SEDA - Na China, as larvas são fritas com cebola cortada e um molho grosso ou misturadas em omeleta com ovos de galinha. Na Tailândia, depois de ser incluída na lista de comidas locais, em 1987, a teia do bicho-da-seda passou a ser adicionada às sopas na alimentação de crianças nas escolas tailandesas.
4) SOPA DE CÃO - Para os coreanos, o cão é considerado bastante energético e, de acordo com a crença, melhora o desempenho sexual dos homens. Além da carne, a sopa leva legumes e tem um cheiro forte, principalmente por causa do tempero - em geral, especiarias como açafrão, cravo e canela. A venda da carne de cachorro já foi proibida por causa de protestos de protectores dos animais. Mas, em países como a Coreia do Sul, a fiscalização é fraca e muitos restaurantes continuam a confeccionar o prato.
3) CÉREBRO DE MACACO - Séculos antes do Indiana Jones, os africanos já cultivavam o costume de deglutir miolos de primatas. Anote o modo de preparação: primeiro, lave o cérebro (do bicho, claro) com água fria. Depois, acrescente vinagre ou suco de limão, retirando membranas e vasos sanguíneos da camada mais superficial. Conserve em salmoura e, finalmente, ponha a iguaria para cozinhar. Em todas as espécies de macaco, o órgão é rico em fósforo, proteínas e vitaminas. Prefere outros cérebros? Tente o de gorila, considerado afrodisíaco.
2) CALDO DE TURU - O turu é um molusco de cabeça dura e corpo gelatinoso, tem a grossura de um dedo e vive em árvores podres, caídas. Consumido na ilha de Marajó e no interior da Amazónia vivo e cru, em caldo com farinha ou em moqueca, o bichinho é rico em cálcio e tido como afrodisíaco. O gosto é semelhante ao dos mariscos.
1) TARÂNTULA FRITA - Apesar de pavorosa, a espécie não é venenosa - e é a mais consumida no mundo por ser maior que as outras aranhas. A parte mais cobiçada é o abdómen do aracnídeo. É lá que fica a maior parte da carne - na cabeça estão as vísceras e no restante do corpo não há muito mais o que comer. Os maiores consumidores de Tarântula são os índios na América do Sul e os aborígenes na Austrália.

Fernando Gurgel Filho

A viagem das palavras

Deonísio da Silva dá exemplos de como é curiosa a viagem das palavras.
Ampère, volt e ohm, entre outras palavras, entraram para o francês em 1881, por ocasião de um congresso de engenheiros eletricistas realizado naquele ano em Paris. Cientistas europeus estão na origem das três palavras: o francês André-Marie Ampère (1775-1836); o italiano Alessandro Volta (1745-1827) e o alemão Georg Simon Ohm (1789-1854).
Não denominamos volta, mas volt, porque a palavra deu entrada pelo francês, que omitiu a vogal final.
Conversão
Um volt produz uma corrente elétrica de 1 ampère através de uma resistência de 1 ohm.

13 fevereiro, 2011

Um passeio virtual

Passeie virtualmente pela Basílica de São Paulo Fora dos Muros usando o mouse.


Uma sugestão do médico Winston Graça.

Doutor em MPB

"Certa vez, eu saía apressada de um dos almoços na Editora (José Olympio) para a sessão do Conselho Federal de Cultura, que começa às duas horas, e o Ministro Cândido Motta ofereceu levar-me no seu carro. Dávamos a volta pelo parque do Flamengo, quando veio à nossa conversa o assunto netos, meus e dele, todos maravilhosos, claro. E de repente ele se põs a explicar, meio complicado, a vocação profissional do seu neto Nelson Motta, o Nelsinho.
- Adora música, principalmente a popular, desde pequeno, é queda irresistível...
Tive a impressão de que, de certa maneira, o avô justificava o rapaz ante os possíveis preconceitos elitistas da senhora literata. E protestei com veemência:
- Mas eu sou fã do Nelsinho! Fã de firma reconhecida1 Tenho os discos com as músicas, não perco a coluna dele no jornal, e sempre que posso o vejo na TV! É um doutor em música popular. E, além disso, Ministro ele é lindo!
O Ministro visivelmente inchou o peito naquele orgulho inocente que só os avós conhecem: os seus olhos luziram, seu sorriso clareou mais, e ele acabou concordando, beatífico:
- Sim, é lindo!
E a concordância em torno daquele neto e daquele adjetivo selou uma cumplicidade afetuosa entre nós. Daí por diante, mal me via, ele abria o sorriso, adiantava-se para me apertar a mão e, assim que apanhávamos um local para conversar sossegados, íamos discutir, conspiratoriamente, não de inquietações políiticas ou novidades das letras - mas, doce e consoladamente, de netos."

Trecho final do discurso de posse da escritora Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras, em 4 de novembro de 1977.

Quem é Nelson Motta
Nelson Motta, na década de 1960
Nelson Cândido Motta Filho, nascido em 29/10/1944, em São Paulo - SP.
Jornalista. Teve colunas nos jornais "Última Hora" , "O Globo" e "O Estado de São Paulo". Foi membro do júri do programa de Flávio Cavalcanti, "Um instante, maestro", o que lhe valeu grande popularidade. De 1992 a 2000, atuou como um dos apresentadores do programa "Manhattan Connection", produzido em Nova York e exibido no Brasil pelo canal GNT.
Empresário. Criou as casas noturnas "Noites Cariocas", "Paulicéia Desvairada", "African Bar" e "Dancin' Days", sendo esta a primeira discoteca do Brasil. Montada em 1976, com a peculiaridade de contar com garçonetes cantoras, que passaram a atuar profissionalmente no cenário musical como As Frenéticas, no estilo "disco-dance" da época, misturado ao teatro de revistas e às chanchadas cinematográficas da década de 1950, interpretando canções de sua autoria e de outros compositores.
Produtor de arte. Discos, shows, festivais, musicais de TV e peças de teatro.
Escritor. Autor de "Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais", livro autobiográfico publicado em 2000, e de vários outros livros.
Torcedor do Fluminense. Lançou pela Ediouro o livro "Fluminense - Vida, paixão e glória de uma máquina de jogar bola", em 2005.
Compositor. O Dicionário Cravo Albin cataloga 78 canções (algumas são versões) de Nelson Motta com diversos parceiros.


Principais sucessos musicais de Nelson Motta
Como uma onda (c/ Lulu Santos)
Dancin' days (c/ Ruban) - O tema de abertura da novela homônima da Rede Globo (no vídeo).
De onde vens (c/ Dori Caymmi)
De repente California (c/ Lulu Santos)
É só chamar (versão de "Call me", de Tony Hatch)
O cantador (c/ Dori Caymmi)
Perigosa (c/ Rita Lee e Roberto de Carvalho)
Saveiros (c/ Dori Caymmi) - A canção vencedora da fase nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC), interpretada por Nana Caymmi.
Um novo tempo (c/ Marcos e Paulo Sérgio Valle) - O tema cantado pelo elenco da Rede Globo nos especiais de fim de ano da emissora. PGCS

12 fevereiro, 2011

A Rússia em cores. Um século atrás

Paulo,
Pensei que seria interessante olhar para trás no tempo com esta extraordinária coleção de fotos coloridas tiradas entre 1909 e 1912. Naqueles anos, o fotógrafo Sergei Mikhailovich (1863-1944) realizou um levantamento fotográfico do Império Russo com o apoio do czar Nicolau II. Ele usou uma câmara especializada em capturar três imagens em preto e branco, numa sucessão bastante rápida, com filtros verde, azul e vermelhos. As imagens obtidas eram mais tarde por ele recombinadas, dando origem a imagens coloridas.
A alta qualidade dessas imagens, combinada com suas cores brilhantes, torna difícil para os espectadores acreditarem que, ao contemplá-las, estão voltando 100 anos no tempo. Quando essas fotos foram tiradas a Revolução Russa e a I Guerra Mundial ainda não tinham acontecido.
Nelson Cunha

Um grupo de crianças judias com seu professor no Uzbequistão

Numa feira perto de você...

:-)
Imagem enviada por João Bosco Gurgel
[Esqueça o iPod, o iPhone e o iPad.]

EsponsAIS


POR ELE


Que feliz sou eu, meu amor!
Já, já estaremos casados,
O café da manhã na cama,
Um bom suco e um pão torrado


Com ovos bem mexidinhos.
Tudo pronto bem cedinho
Depois, irei para o trabalho
E você, para o mercado.


Daí, você corre pra casa,
Rapidinho arruma tudo
E corre pro seu trabalho
Para começar o seu turno.


Você sabe que, de noite,
Gosto de jantar bem cedo,
De ver você bem bonita,
Alegre e sorridente.


Pela noite, minisséries,
Cineminha bem barato,
Nada, nada de shoppings
Nem de restaurantes caros.


Você vai cozinhar pra mim
Comidinhas bem caseiras
Pois não sou dessas pessoas
Que gostam de comer besteiras.


Você não acha, querida,
Que esses dias serão gloriosos?
Não se esqueça, meu amor
Que logo seremos esposos!
POR ELA


Que sincero, meu amor!
Que oportunas suas palavras!
Espera tanto de mim
Que me sinto intimidada.


Não sei fazer ovo mexido
Como sua mãe adorada.
Meu pão torrado se queima,
De cozinha não sei nada!


Gosto muito de dormir
Até tarde, relaxada,
Ir ao shopping fazer compras
Com o Visa tarja dourada.


Sair com minhas amigas,
Comprar só roupa de marca,
Sapatos só exclusivos
E as
lingeries mais caras.


Pense bem, que ainda há tempo,
A igreja não está paga,
Eu devolvo meu vestido
E você, seu terno de gala.


E domingo bem cedinho,
Pra começar a semana,
Ponha aviso num jornal
Com letras bem destacadas:


HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
PORQUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR À MERDA!

(autor desconhecido)

11 fevereiro, 2011

Nomes profissionais


Ana Lisa - Psicanalista
P. Lúcia - Fabricante de bichinhos
Pinto Souto - Fabricante de cuecas
Marcos Dias - Fabricante de calendário
Olavo Pires - Balconista de lanchonete
Décio Machado - Guarda florestal
H. Lopes - Jóquei
Oscar Romeu - Dono de concessionária
Hélvio Lino - Professor de música
K. Godói - Médico proctologista
Alberta Alceu Pinto - Garota de programa
H. Romeu Pinto - Garoto de programa
Eudes Penteado - Cabeleireiro
Sara Vaz - Mãe-de-Santo
Passos Dias Aguiar - Instrutor de auto-escola
Édson Fortes - Baterista
Sara Dores da Costa - Médico reumatologista
Jamil Jonas Costa - Médico urologista
Iná Lemos - Médico pneumologista
Ester Elisa - Enfermeira
Ema Thomas - Médico traumatologista
Malta Aquino Pinto - Médico venereologista
Inácio Filho - Médico obstetra
Oscar A. Melo - Confeiteiro

Os fundadores da medicina chinesa

FU-HSI
Viveu há cinco mil anos atrás, sendo concebido (1) sem pecado após vinte anos de gestação. Sua sabedoria médica despontou, in utero, ao colaborar com as autoridades chinesas no controle da natalidade de sua genitora. (2) Ainda de fraldas, desfraldou sua bandeira: a sua filosofia médica. Na Natureza, astuciou Fu-Hsi, tudo seria composto por duas forças cósmicas: o Yin e o Yang. O Yin é a fêmea, o Yang é o macho. (3) O Yin é a Terra, o Yang é o Céu. (4) Assim, no universo em miniatura que existe em cada ser humano essas forças se entrechocam em cada célula, em cada órgão e no corpo todo. (5) Se Yin e Yang estão em harmonia a saúde prevalece; se Yang chega tarde à casa, cheirando a bebida, e Yin desce o rolo de pastel na cabeça dele, surge a doença. Como se trata de um enfrentamento marido x mulher, o médico talvez não devesse meter a colher-medida. (6) PGCS
(1) Concebam só isso.
(2) Duvido que, depois de tal gestação, ela tenha tentado gerar mais alguém.
(3) O indeciso onde fica?
(4) Ora, o indeciso fique sobre a linha do horizonte.
(5) Filosofia dele.
(6) Filosofia minha.

Leia no Preblog sobre os outros fundadores: SHEN NUNG, HUANG-TI e MA-SHIH-HUANG, tendo sido este último o pai da medicina veterinária chinesa.


Bônus - Algumas variações artísticas de Yin/Yang
Álbum no Google+.

10 fevereiro, 2011

E por falar em banana...



Os que mudam
Há aqueles que querem mudar o mundo; são os bons;
Há aqueles que querem mudar seu país; são os muitos bons;
Há aqueles que querem mudar sua cidade; são melhores ainda;
Porém há aqueles que querem mudar a si mesmos; esses são os imprescindíveis.
(Paródia de "Os que lutam", de Bertold Bretch)

Era um servidor público padrão e exemplar.
Muito eficiente e sua inteligência acima da média de um barnabé permitira-lhe descobrir em pouco tempo que as embalagens não abrem onde está escrito “abra aqui”, que a frase “vou estar passando para fulano” - principalmente quando ditas por telefonistas - queria dizer apenas “esquece” e que o chefe era o ser supremo no seu universo.
Como todo ser que se considera superior, tinha absoluta certeza dos desígnios emanados dos patrões e tinha fé inquestionável nas hostes celestes. Somente uma coisa abalava seus conceitos sobre os céus, a terra e o universo: não saber, desde que nascera no interior, porque as cabras, cabritos, cabritas e assemelhados defecavam em bolinhas.
Isto não o impedia, por exemplo, de ficar entre chateado e alegre quando era preterido em alguma promoção.
Alegre pelo respeito que o chefe lhe tinha de comunicar pesaroso, mais uma vez nos últimos 30 anos: “Queria que você, pessoa de minha confiança, tivesse um pouco de compreensão, mas o cargo que reservei para você foi preenchido pelo Diretor de Pesquisas em Qualidade dos Parentes – Di-PQP.”
Triste pela espera. “E o cargo abaixo, que está vago? Pode ser esse mesmo.”, ainda tentava argumentar. E o chefinho, com cara desolada, coitado, respondia: “Está reservado para uma estagiária que termina o curso no fim do ano. Não posso nem tocar nesse assunto na diretoria! Você merece coisa melhor!”


Como não há mal que sempre dure - e não volte – e bem que nunca acabe – e nunca mais volte -, ele um dia leu uma história cretina na rede sobre uns macacos africanos que eram capturados porque os nativos colocavam bananas dentro de uma cumbuca de boca pequena e, quando um macaco metia a mão e pegava uma banana, era capturado, morto e assado. Isto porque, com a banana na mão, não podia largar o cesto e fugir. E nunca aconteceu de algum largar a banana. E morriam.
O barnabé, único animal que aprende com o erro dos outros – nunca com os dele mesmo -, viu que estava na mesma situação do macaco. Resolveu fazer uma mudança radical na sua vida. Largou a banana que segurava há anos, procurou outra mais apetitosa, segurou-a com firmeza... E morreu.

i-Moral da história: enquanto houver banana...
Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

A dose banana-equivalente

Avanços em unidades de medida
A dose banana-equivalente (ou a dose equivalente a banana) é uma medida alternativa das mais curiosas e, ao mesmo tempo, compreensível.
É um conceito ocasionalmente empregado pelos defensores da energia nuclear para comparar os riscos da exposição à radiação com a radiação naturalmente produzida por uma banana comum.
Explicação
A banana (assim como o feijão, o abacate e as nozes) é uma fonte rica em potássio, o terceiro mineral mais abundante no corpo humano. Por sua vez, o potássio contém 0,0117 por cento de potássio 40, o isótopo K-40, que é naturalmente radioativo.Tendo uma banana comum (com o peso de 150 g) cerca de 450 mg de potássio, o qual contém 0,0528 mg de sua forma radioativa, calcula-se em 520 picocuries a dose que alguém recebe ao ingerir uma banana [Wikipedia].
Falsos alarmes
As bananas são suficientemente radioativas para disparar alarmes em portos e aeroportos.