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27 março, 2023

São Simeão


Durante os dias do Império Bizantino, monges que desistiram de uma vida normal por sua fé cristã, às vezes, pareciam competir sobre quem poderia sacrificar-se mais ou até mesmo punir-se mais.
São Simeão Estilita, o Velho, foi um pioneiro na autoprivação. Nascido por volta de 390 dC na Síria, ele entrou na vida monástica ainda adolescente. Simeão se tornou um asceta, passando semanas sem comer para se purificar. Ele era tão extremista que foi convidado a deixar o mosteiro e passou a viver a vida de um eremita sozinho no topo de uma série de pilares. O primeiro tinha três metros de altura, mas ele encontrou lugares mais altos para sentar e ficar. Simeão instalou-se em um pilar que tinha 15 metros de altura e ficou lá 37 anos! Seu espaço para viver era uma plataforma de cerca de um metro quadrado com uma espécie de grade. Simeão só foi derrubado pela morte.
Alguns dos seguidores de Simeão também tentaram viver em um pilar, e ficaram conhecidos como estilitas, ou eremitas de pilares. A prática durou até a Idade Média, pelo menos em sua forma extrema.

https://www.neatorama.com/2022/07/11/The-Monk-Who-Lived-Atop-a-Pillar-For-37-Years/
https://www.amusingplanet.com/2022/07/simeon-stylites-ascetic-who-lived-atop.html

21 dezembro, 2022

São Longuinho, o santo dos objetos perdidos

Longuinho foi um dos soldados romanos destacados para acompanharem o castigo, a crucificação e a morte de Jesus. Chamava-se, na verdade, Longinus, nome que significa "Uma Lança". Por isso, acredita-se que ele tenha sido o soldado que perfurou com uma lança o lado de Jesus, de onde brotou sangue e água.
Conta-se que ele era um soldado de baixa estatura que servia na alta corte de Roma, antes de ser destacado para servir em Israel. Por causa de sua estatura, ele conseguia ver tudo o que se passava por baixo das mesas nas festas romanas. Com isso, ele achava os pertences perdidos das pessoas e devolvia-os a seus donos.
Daí surgiu sua fama de bom soldado e de sempre encontrar coisas perdidas. Esta fama do soldado Longinus, do mundo pagão, passou para o convertido São Longuinho.
Após abandonar o exercito romano por causa de sua conversão, Longinus fugiu para Cesárea e, depois, Capadócia, hoje Turquia. Mas foi descoberto pelo governador da Capadócia e denunciado a Pôncio Pilatos. No processo, foi acusado de desertor e condenado a pena de morte. Se ele renunciasse à sua fé em Jesus Cristo seria perdoado. Mas ele se manteve firme na fé, foi torturado e depois decapitado.
São Longuinho foi canonizado pelo Papa Silvestre II, quase mil anos depois. O processo de canonização já tinha caminhado bastante, conforme os trâmites exigidos pela Igreja. Porém, vários documentos que faziam parte do processo tinham ficado perdidos ao longo dos anos. Então, o Papa pediu a intercessão do próprio São Longuinho para que o ajudasse a encontrar os documentos perdidos. Pouco tempo depois, aqueles documentos foram encontrados e a canonização aconteceu.
E a devoção de rezar para São Longuinho, pedindo para ele ajudar a encontrar objetos perdidos se espalhou pelo mundo cristão. Encontrado esse objeto, o dono deve dar três pulinhos e fazer uma oração para agradecer ao Santo.
(https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-longuinho/151/102/)
E o que houve com a lança?
Tal como acontece com várias outras relíquias, diversos lugares mundo afora afirmam preservar a lança de Longinus, chamada de "Santa Lança". O site Aleteia apresenta quatro versões sobre a preservação dessa relíquia: 1: de Jerusalém para Constantinopla e Roma; 2: Armênia; 3: Viena e Nuremberg e 4: Cracóvia.
A lenda da "Lança do Destino", cobiçada, conquistada e perdida por Adolf Hitler
A lança com que o centurião Longinus tinha ferido o lado de Cristo chegou a ser também conhecida como "A Lança do Destino", já envolta em mitos praticamente "mágicos": quem a possuísse teria poder sobre os destinos do mundo, mas, caso a perdesse, encontraria derrota e morte. Adolf Hitler a desejava precisamente porque lhe eram atribuídos esses "grandes poderes". De fato, o ditador nazista chegou a tomar posse física da lança, identificada então com a que estava no Museu Hofburg, em Viena.


Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 30 de abril de 1945, a peça foi reencontrada pelos norte-americanos sob o comando do tenente William Horn, a quem fora confiada a busca do tesouro dos Habsburgo. Enquanto Horn tomava posse da lança em nome do governo dos Estados Unidos, Adolf Hitler, naquela mesma tarde, a centenas de quilômetros, tirava a própria vida em um bunker de Berlim.
Em 7 de janeiro de 1946, o general Patton devolveu a "Lança do Destino" à Áustria, onde o objeto permanece exposto no Schatzkammer, uma das coleções do Palácio Imperial de Hofburg.

07 dezembro, 2022

Doces metáforas

"Por causa de seus hábitos laboriosos", lemos no clássico "Signs and Symbols in Christian Art", de George Ferguson, "a abelha tornou-se o símbolo de atividade, diligência, trabalho e organização". Além disso, algumas lendas antigas afirmam que as abelhas nunca dormem e, portanto, sua imagem era frequentemente usada "para representar a vigilância e o zelo cristãos na aquisição da virtude", explica Ferguson.
No entanto, nem todas as abelhas que encontramos na arte cristã representam necessariamente essas virtudes. É o caso dos Barberini, por exemplo, uma nobre família italiana que ganhou destaque no século XVII e à qual pertencia o Papa Urbano VIII. Seu brasão papal inclui o de sua família, mostrando três abelhas encimadas pela tiara papal e as chaves cruzadas de São Pedro. Alguns dos grandes monumentos de Roma, incluindo o Baldacchino na Basílica de São Pedro, apresentam este emblema.


Mas as abelhas são uma coisa, e as colmeias, outra bem diferente. Por que encontramos colmeias na arte cristã?
Parece que Santo Ambrósio é o culpado.
Uma lenda afirma que, quando ele era apenas uma criança pequena, um enxame de abelhas se instalou no rosto de Ambrósio enquanto ele descansava em seu berço, deixando para trás uma gota de mel. Seu pai, continua a lenda, entendeu isso como um sinal de sua futura eloquência e língua melíflua. De fato, Ambrósio cresceu e se tornou um escritor prolífico e um pregador eloquente.
Mas há um pouco mais nisso: foi Ambrósio quem comparou a própria igreja a uma colmeia : "a colmeia", lemos no livro de Ferguson, "é similarmente o símbolo de uma comunidade piedosa e unificada". O cristão, então, é comparado a uma abelha, trabalhando para o bem comum da colmeia à qual dedica seu trabalho e sua vida.
http://aleteia.org/2019/10/09/the-meaning-of-bees-and-beehives-in-christian-art/ (Aleteia, Daniel Esparza)

Festejado em 7 de dezembro, Ambrósio é o santo padroeiro das abelhas (e dos apicultores).

26 março, 2022

Uma pro santo





Quem bebe, dorme;

quem dorme, não peca;

quem não peca, é santo;

logo, quem bebe é santo.

20 setembro, 2021

Os dias da semana em português

Na maioria dos idiomas, os nomes dos dias da semana se originam dos nomes de astros (Sol, Lua) ou de deuses pagãos (Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, Saturno).
No português esse fenômeno não aconteceu. 
É que, no século VI, São Martinho (520 - 579), bispo de Braga, Portugal, entendeu que seria uma blasfêmia chamar os dias da semana por nomes pagãos. Ele propôs que, durante a Semana Santa – que era então totalmente consagrada aos cultos e às orações –, fossem os dias chamados "ferias" (dias livres) e ordenados numericamente, conforme a liturgia católica (de segunda a sexta).
O nome domingo veio do latim Dies Domini (Dia do Senhor) e o sábado, do hebraico Shabbat, o dia de descanso do povo judeu.
Como o domingo é o primeiro dia da semana, o dia seguinte passou a ser chamado "segunda feria", ou seja, "segundo dia de folga da semana", e assim por diante. Aí está a primeira referência escrita que se conhece de "segunda feria".

(Igreja de São Vicente, Braga. Ano: 618)

Com o passar do tempo, essa denominação passou a ser usada o ano todo, não apenas durante a Semana Santa, e a palavra "feria" acabou sendo transformada em "feira".
Fonte: http://pt.quora.com/Por-que-no-Brasil-a-maioria-dos-dias-da-semana-terminam-com-feira

Em suas instruções, Martinho se opôs ao costume astrológico de nomear os dias da semana. Devido a sua influência, apenas o português e o galego (que, à época, eram uma única língua), entre as línguas românicas, assumiram para os dias da semana os nomes dos números e da liturgia católica, e não das divindades pagãs. O galego em grande parte retornou à nomenclatura anterior. WIKI

05 setembro, 2021

Os matemáticos e o diabo


Em 1954, a Argélia emitiu este selo recordando Santo Agostinho de Hipona (354–430).
Ele é também lembrado por sua citação sobre os matemátios, a de que estes estariam mancomunados com o diabo.
A citação: "Quapropter bono christiano, sive mathematici, sive quilibet impie divinantium, maxime dicentes vera, cavendi sunt, ne consortio daemoniorum animam deceptam, pacto quodam societatis irretiant." A qual foi traduzida como: "O bom cristão deve ter cuidado com o matemático e todos aqueles que fazem profecias vazias. Já existe o perigo de os matemáticos terem feito um pacto com o diabo para escurecer o espírito e confinar o homem nas cadeias do inferno."
Alguns sugerem que esta é uma tradução incorreta. A palavra latina "mathematici" deriva do significado grego de "algo aprendido" e se referia principalmente aos astrólogos. A astrologia era o principal ramo da matemática na época, o que não é mais nos tempos modernos.
De acordo com o Shorter Oxford English Dictionary, 3ª edição.

26 janeiro, 2020

Que barbeiragem foi essa?

Fernando Gurgel
Uma historinha contada pelo meu irmão:
Meu amigo calhorda estava de malas prontas para uma viagem de sonhos à Roma. Iria à Capela Sistina, veria o Papa Francisco, depois Florença, Milão, Lago Como e mil outros lugares turísticos interessantes.
Antes da viagem, foi à barbearia onde cortava o cabelo há anos. O barbeiro, seu amigo, não gostava nada da Itália e, usando a intimidade que tinham, começou a desancar o passeio tão esperado do amigo:
- Fui duas vezes à Itália. Pura enganação. Filas enormes para ver pouca coisa, uma multidão de gente naquela praça São Pedro, povo mal humorado,
as pizzas daqui são muito melhores... Em suma, é muita ruína pra pouco tempo de ver tudo. Detestei.
Meu amigo calhorda, aborrecido com a conversa, não falou necas de pitibiribas.
Ao voltar da viagem, depois de algum tempo, voltou à barbearia para um novo corte de cabelo. O barbeiro fez a pergunta de praxe:
- E aí, compadre, como foi na Itália?
- Rapaz, nem te conto. Fui a uma missa rezada pelo Papa Francisco e ele passou assim bem pertinho de mim. Me olhou com um olhar de estranhamento, parou ao meu lado e cochichou no meu ouvido: "Meu irmão, que cabelinho mais mal cortado é esse? No Brasil não tem barbeiro, não?"
E caiu na gargalhada.



N. do E.
Tratar os clientes com gentileza e cortesia, evitando ceder à tentação da fofoca: este foi o conselho do Papa Francisco, ao receber em audiência (29/04/2019) os cabeleireiros, barbeiros e esteticistas pertencentes ao Comitê São Martinho de Porres. O santo peruano Martinho de Porres (retrato), que tem como atributos um cachorro, um gato, um pássaro e um rato comendo juntos no mesmo prato, foi proclamado em 1966 padroeiro destas categorias de trabalhadores.
Fonte: Vatican News

12 fevereiro, 2018

O padroeiro dos assassinos

A quantidade máxima de seriedade admite a quantidade máxima de comédia. Somente se estivermos seguros em nossas crenças, podemos ver o lado cômico do universo. ~ Flannery O'Connor
Há santo para tudo, até assassinos (embora a nossa fonte diga "assassinos arrependidos"). São Julião Hospitaleiro é o santo padroeiro de palhaços e trabalhadores de circo, barqueiros, violinistas, malabaristas, caçadores, peregrinos, pessoas sem filhos e assassinos.
Como ele obteve a última designação é uma história que pode fazer você lembrar-se da história de Édipo Rei. Julião teve uma maldição que dizia que ele mataria seus pais. Para evitar esse destino, ele se afastou de casa e caminhou por 50 dias. Ele, obviamente, não leu a peça de Sófocles, porque esse foi seu primeiro erro. Então, ele se acomodou e se casou com uma viúva rica.
Durante todo esse tempo, no entanto, seus pais o haviam procurado diligentemente e seus esforços foram finalmente recompensados ​​quando encontraram o castelo do filho. Infelizmente, Julião estava em uma caçada, mas sua esposa os recebeu com grande alegria. Na verdade, ela estava tão satisfeita em ver seus sogros pela primeira vez que os honrou instalando-os no quarto principal do castelo.
Voltando para casa muito mais tarde, Julião descobriu o casal em sua própria cama e concluiu que seria sua esposa com outro homem. Furioso, ele os matou, assim cumprindo a profecia. Quando sua esposa, que tinha estado na igreja, informou-o de seu trágico erro, Juliçao ficou desanimado e desesperado quanto à salvação.

Crédito da imagem: Neatorama
No entanto, de acordo com uma versão medieval da história, sua esposa ofereceu um incentivo inflexível. "Bem, eu sei que Deus é tão misericordioso e tão amoroso", disse ela, "que se o servirmos por todas as nossas vidas, sem raiva e sem inveja, certamente que ele nos concederá a sua misericórdia."
O casal passou o resto de suas vidas tentando compensar os assassinatos e se tornou conhecido pela hospitalidade e ajuda aos viajantes. Você pode ler a história de São Julião Hospitaleiro na Catholic Exchange.

(http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/1430/28)/

04 julho, 2017

Apreciação de uma obra de arte

Vernet relatou que ele uma vez foi contratado para pintar uma paisagem, com uma caverna e São Jerônimo nela.
Ele pintou a paisagem, com São Jerônimo à entrada da caverna. Quando entregou o quadro, o comprador, que não entendia de perspectiva, disse:
- A paisagem e a caverna estão bem feitas, mas São Jerônimo não está na caverna.
- Eu compreendo, senhor - respondeu Vernet, e vou alterá-lo.
Tomou a pintura e tornou a sombra mais escura, de modo que o santo parecia sentar-se mais atrás. O cavalheiro foi buscar o quadro. Mas novamente achou que o santo não estava na caverna. Vernet então apagou a figura e devolveu o quadro ao cavalheiro, que parecia perfeitamente satisfeito.
Sempre que ele via estranhos a quem mostrava o quadro, ele dizia:
- Aqui você vê uma quadro de Vernet, com São Jerônimo na caverna.
- Mas não estamos vendo o santo - retrucavam os visitantes.
- Desculpem, cavalheiros - respondia o possuidor, mas ele está aí. Eu o vi de pé à entrada da caverna, e depois... mais para trás. Por isso, tenho certeza de que ele está dentro dela.

Thomas Byerley e Joseph Clinton Robertson, The Percy Anecdotes, 1821

05 setembro, 2016

Castidade, mas não ainda

A procrastinação é corriqueira e interessante, mas também intrigante. Embora seja geralmente considerada como prejudicial e irracional, estudos recentes sugerem que a maioria de nós ocasionalmente procrastinamos, e muitos de nós procrastinamos persistentemente.
Nem mesmo os santos são imunes. Santo Agostinho registra, em sua obra "Confissões" como, depois de anos de hedonismo sexual, ele prometia voltar ao cristianismo e rezava para a castidade e a continência.
É desse período de esbórnia uma famosa oração de Agostinho, "Senhor, concedei-me castidade e continência, mas não ainda".
Ele abominava a vida que levava e, sinceramente, desejava mudar seu curso, mas adiou a mudança em sua vida até o verão de 386.
Como ele próprio relatou, a sua conversão foi incitada por uma voz infantil que ele ouviu, pedindo-lhe para "tomar e ler" (em latim: tolle, lege). O que ele entendeu ser um comando divino para abrir a Bíblia, abri-la e ler a primeira coisa que encontrasse.

Ilustração: Conversão de Agostinho.1756. Por Charles-Antoine Coypel, atualmente no Palácio de Versalhes, na França. WIKIPEDIA

24 maio, 2016

Luciferianos

Não têm nenhuma relação com o satanismo.
São seguidores de um bispo da Sardenha, do século 4, Lúcifer de Cagliari, que é reverenciado como santo.
No Concílio de Milão, em 354, defendeu Atanásio de Alexandria e se opôs a arianos poderosos, o que fez o imperador Constâncio II, simpatizante dos arianos, confiná-lo por três dias no palácio. Durante seu confinamento, Lúcifer debateu tão veementemente com o imperador que ele acabou por bani-lo para a Palestina e depois, para Tebas, no Egito
Sua festa no calendário da Igreja Católica é no dia 24 de maio, e existe uma capela na Catedral de Cagliari dedicada a ele.
Mas São Lúcifer não é muito lembrado fora da Sardenha para evitar mal-entendidos e escândalos.

20 janeiro, 2016

São Guinefort

Guinefort foi o único cão a ser canonizado. Pela vontade do povo, mas não pela decisão da Igreja.
Guinefort, um galgo, pertencia a um cavaleiro francês. A história diz que o cavaleiro entrou no quarto de seu filho à noite e não encontrou o bebê. No entanto, ele viu Guinefort com manchas de sangue por todo o rosto e acreditou que o galgo tivesse jantado o filho.
Ele tomou da espada e matou o cão.
Então, seu filho começou a chorar, e ele encontrou-o sob um berço, ao lado de uma víbora morta. Guinefort tinha salvo o bebê de uma morte certa e foi "recompensado" com a própria morte!
O cavaleiro e sua família imediatamente ergueram um santuário para o cão incompreendido e, depois, "milagres" começaram a acontecer no santuário.
Os moradores da região declararam Guinefort santo protetor das crianças. A Igreja Católica odiava isso e gastou centenas de anos tentando convencer as pessoas que o cão nunca fora "cãononizado".
Essa tendência persistiu até os anos 1930. Hoje em dia, você não ouve mais ninguém falar em São Guinefort.

10 Honored Animals, Mental Floss

05 julho, 2015

Santo com relógio

Já viu santo com relógio? (Picasso)

Sim...
Bem...
Quero dizer...
Relógio com santo já vi:
Madona com São Zacarias em um relógio de parede.

Onde comprar: Parmigianino

21 junho, 2015

Uma (e outra) para o santo

O fato curioso começou na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, quando um casal ingressou com uma ação que pedia a retificação de uma área de 45 hectares que teriam sido subtraídas de seu terreno. O terreno - ou pelo menos uma parte dele - pertencia ninguém menos que São Sebastião.
O casal inicialmente ganhou a causa e teve o terreno retificado, mas a Mitra Diocesana de Paracatu foi à Justiça para anular a retificação e saiu vitoriosa. O casal resolveu, então, recorrer e a apelação foi desprovida.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Comentário
O caso é bastante interessante, envolvendo temas de Direito Civil e Processual Civil, mas uma das principais questões era basicamente:
Um santo tem personalidade jurídica? Santo pode receber doação? Quem representa o santo judicialmente?
Publicado por Matheus Galvão no JusBrasil
Enviado por Fernando Gurgel

Leia como votou o Exmo. Sr. Ministro João Otávio de Noronha, o relator deste caso no STJ.

Fernando;
A São Sebastião (acima retratado por Botticelli) faltou quem o defendesse anteriormente. Falo da questão movida contra ele, por ser cristão, à época do imperador Diocleciano. Mas, como o santo se apresentou ao imperador, depois de dado como morto a flechadas e jogado num rio, talvez ele não tivesse mesmo jeito. E deram-lhe outra oportunidade para se tornar mártir, desta vez por espancamento.
PG
O que é mais uma flechada?
A origem desta frase:
Tenho um grande amigo, com quem viajamos recentemente, que, quando surgia uma despesa inesperada ou quando questionávamos sobre o preço alto de alguma coisa, sempre repetia: "O que é mais uma flechada para São Sebastião?"
Gozação total.
E este amigo mandou-me um artigo sobre Santo Antônio, quase na mesma linha do tal processo:
António Militar
Fernando Gurgel

20 outubro, 2013

Oração a Santo Isidoro

O Papa João Paulo II indicou Santo Isidoro para ser o santo padroeiro da Internet. Ainda não pegou totalmente porque essas coisas levam algum tempo.
Por que Santo Isidoro?
Nascido em Sevilha, Espanha, no ano de 560, Isidoro foi o autor de Etymologiarum Libri XX, uma obra em 20 livros que reunia os conhecimentos da época sobre artes e ciências.
Escrita em latim simples e publicada em 636, após a morte do santo espanhol, essa obra foi, durante mil anos, uma espécie de enciclopédia do conhecimento humano.
Era tudo o que o homem da época queria saber e tinha medo de perguntar. Aliás, como acontece atualmente com quem navega na Internet.
E, para os católicos mais fervorosos, até uma oração para ser usada antes de iniciar uma navegação já existe:
Deus onipotente e eterno, que nos criastes à vossa imagem e nos mandastes buscar tudo quanto é bom, verdadeiro e belo, especialmente na Divina Pessoa do vosso Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, nós vos pedimos, que, por intercessão de Santo Isidoro, bispo e doutor, em nossas navegações na Internet, movamos as mãos e os olhos apenas às coisas que Vos agradam, e acolhamos com caridade e paciência todos quantos encontrarmos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

13 setembro, 2013

Um passeio pelo mundo da cerveja


Dentre os inúmeros tratados sobre a cerveja, considero este o mais didático. Do qual inclusive consta o nome do santo padroeiro da loura gelada: Santo Arnoldo, esse iluminado, que, na época da Peste, proibiu os cristãos de tomar água. Só cerveja. E, assim, salvou milhares de pessoas do adoecimento e da morte pela ingestão de água contaminada. Mas, em compensação, encheu o nosso mundo de "papudinhos".
Cheers!
Afrânio Bizarria

13 agosto, 2013

O martírio de São Cassiano

Cassius de Ímola foi bispo de Bréscia, no século IV e é considerado santo pelos católicos.
Pouco se sabe da sua vida, ainda que relatos, que fazem parte da tradição cristã, convirjam em alguns detalhes sobre o seu martírio.
Foi mestre-escola em Ímola, onde ensinava taquigrafia como forma de ensinar os preceitos religiosos cristãos sem que os seus perseguidores compreendessem o que estava escrito. Como se recusou a fazer sacrifícios aos deuses romanos, foi condenado à morte pelo imperador Juliano, o Apóstata.  E a sorte de São Cassiano foi entregue a seus próprios alunos, que o odiavam pela severidade.
Os alunos vingaram-se, então, torturando-o, preso a uma estaca, e cravando-lhe no corpo os estilos de ferro com que escreviam nas tábuas de cera e madeira.
O seu martírio é lembrado pela Igreja Católica a 13 de agosto e é considerado o patrono dos taquígrafos. WIKIPÉDIA

Martírio de São Cassiano, por Innocenzo Francucci
Hagiologia
São Pixinguinha, Um santeiro cearense e Dez "santos" brasileiros

21 fevereiro, 2011

Sertão religioso

Sertão religioso
Não pense que é valentia
Ir da seca à inundação,
Rezando em cantoria,
Atrás desta procissão.
Chuva na roça é alforria
Enxurrada é destruição.
Que o santo não se zangue
Co'essa nossa ''pidição'',
Mande a chuva pedida
Não traga o mar pro sertão.

Por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Nossa gente é tão dura quanto.
Veja a história abaixo. Escrevi após ouvir o relato de um amigo piauiense, sobre episódio que aconteceu com seu avô, lá no sertão do Piauí:
O ser humano, diante da natureza, sempre se sentiu pequeno, amedrontado, mas nunca desistiu de tentar domá-la. Assim, não se sabe se o medo, a inteligência ou a crença, fez com que essa criatura tão indefesa conseguisse sobreviver e multiplicar em toda a superfície da mãe Terra. Mesmo nos lugares mais improváveis.
Para mim, este talvez seja o maior milagre visto pelo próprio ser humano. E talvez explique porque existe uma parcela imensa da humanidade que manifesta fé inabalável em seres que julga estarem ali para servi-la em situações extremas. São recorrentes os casos em que a crença operou algo no ser humano, ou em torno de si, que modificou condições tidas como impossíveis.
Seu Doca está aí, vivinho, para não me deixar mentir.
Homem rude do sertão nordestino, não precisa dessas explicações inúteis. Ele acredita e pode contar seu milagre. Que tanto pode ser uma bênção, como um castigo.
Apesar do apelido quase doce - “Seu Doca” - trata-se do verdadeiro estereótipo de sertanejo: pouco ri, pouco fala, mas quando ri ou fala parece ter muita sabedoria; não chora nunca, não se enternece com nada, faz chorar e enternecer os familiares; não adoece e não para de trabalhar por nada no mundo; e sabe das coisas da natureza como ninguém.
Naqueles dias de seca, Seu Doca andava muito nervoso. A mulher se preocupava. Mesmo sem falar nada, sem manifestar suas preocupações, ele ficava mais calado, parecia que bufava ao invés de suspirar profundo e dormia menos do que de costume.
Na roça, parava de trabalhar e ficava olhando para o céu azul e o sol de fogo. Às vezes como a pedir clemência, no mais das vezes com um olhar desafiador, como a dizer: “o que fiz pra merecer isso?”. E as plantas secavam, os animais definhavam e a família quase não tinha água para beber ou cozinhar.
Seu Doca não era de rezar. A mulher dele rezava pela família toda. Ela participava das novenas e das penitências para trazer chuvas e fartura. Nas procissões era a mais fervorosa e a mais próxima do andor de São José ou de Santo Antônio, santo de sua devoção e padroeiro do lugar.
Porém, naquele ano e no anterior, os santos esqueceram que o sertão precisava de água para sobreviver. Não caía uma gota sequer. Passava tempos e tempos sem uma nuvem no céu e quando nublava, lá longe no horizonte, era apenas para soprar as cinzas do fogo da esperança que estava quase apagando. Soprava, avivava a brasa e ia embora. Não chovia nada.
Um dia, sozinho em casa, Seu Doca tomou uma decisão corajosa: se os santos não escutavam as preces de sua esposa, haviam de escutar uns desaforos de homem para homem.
Sol quente do meio-dia, pegou a imagem de Santo Antônio, tão luzidia e bela sobre a toalha branca do oratório, se dirigiu à roça e, no final da cerca, colocou a imagem sobre o mourão mais grosso, no sol a pino, e sentenciou:
- Vamu vê se tu é forte! Inquanto num chuvê, cê num sai daí... Vai torá no sol! Intonce, trate de mandá chuva!
Coincidência, castigo ou bênção, à noite os relâmpagos iluminaram os campos, os trovões estremeceram a casa e a água despencou do céu como uma cachoeira gigante. De tão exagerada a chuva, dizem que choveu a noite toda sem parar.
Ninguém sabe se Seu Doca teve algum estremecimento de temor ou agradecimento, pois não viram nenhuma grande mudança em suas faces. De manhã mostrava apenas um olhar mais aceso. Foi para a roça parecendo mais animado com aquele ar fresco e úmido:
- Agora temu água, muié!, falou ao sair de casa.
Andando, viu o estrago que o aguaceiro causou. A roça foi destruída pela enxurrada e os animais dispersos pela violência das águas. Alguns ficaram feridos. Grande parte da cerca tinha sido levada também. O mourão forte e grosso onde estava Santo Antônio tinha resistido. E o santo estava lá, sereno como se nada tivesse acontecido.
Seu Doca, de repente, sentiu-se frágil ao ver tanta destruição. Sentou numa pedra em frente e chorou um pranto que o sertão nunca vira desde que ele nasceu.
E os céus fizeram-lhe coro com as águas que voltaram a cair com força, inundando a propriedade e a alma do sertanejo. FGF

04 dezembro, 2010

Será o Ben[edi]to?

O papa Bento XVI chegou ao Brasil em missão não oficial e trouxe um motorista negro.
Ele tinha um compromisso, estava atrasado e o motorista não passava dos 80 km/h. A toda hora, o papa Bento falava para ele dirigir mais rápido e... nada! Ele continuava nos 80 km/h.
Aí o papa disse:
- Deixe que eu mesmo irei dirigindo.
O negro ficou no banco de trás e o próprio papa passou a dirigir o carro a 140 km/h.
Foi quando um guarda rodoviário mandou o papa parar. Quando viu quem era, resolveu passar um rádio para o chefe dizendo:
- Chefe, peguei um cara importante voando na Dutra. O que que eu faço?
- Quem é... um deputado? - perguntou o chefe.
- Não, chefe, é mais importante.
- É um senador?
- Não, chefe, é mais importante ainda.
- Então é um governador de estado!
- Que nada, chefe, é mais importante ainda...
- Então só pode ser o próprio presidente!
- É mais importante que o próprio presidente, chefe.
- Puxa, nesse caso, então só pode ser o papa!
- Que nada chefe. O papa é apenas o motorista dele. É São Benedito... em pessoa!

Fonte: web

09 dezembro, 2006

Micropoemas do infortúnio - 1

Quando as águas baixam,
a bruma se desfaz
e a todos é revelado o caminho das pedras:
um santo suspende a sua função
de andar sobre as águas.