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21 novembro, 2014

Causo mineiro

Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma pincumel e cuzinhando um kidicarne cumastumate pra fazer uma macarronada cum galinhassada.
Quascaí de susto quanduvi um barui vinde dendu forno parecenum tidiguerra.
A receita mandopô midipipoca dendagalinha prassá.
O forno isquentô, o mistorô e o fiofó da galinhispludiu! Nossinhora! Foi um trem doidimais! Quascaí dedapia!
Fiquei sensabê doncovim, noncotô, proncovô!
Ópcevê quilocura! Grazadeus ninguém semaxucô!
(enviado por Fernando Gurgel)

11 agosto, 2012

Meu nome é Fernando...

Não acredite em escritor depois de algumas doses. Veja o texto abaixo, extraído de crônica do escritor Fábio de Sousa Coutinho, no Jornal da Associação Nacional dos Escritores - ANE:
"Em noite de estrepitosa confraternização etílica entre as mesas do Antonio's, no Leblon dos anos de 1970, alguém se aproxima do ouvido de um dos mais exaltados convivas e cochicha:
- Otto, você está falando alto demais, se houver informante da repressão por aí, você se ferra.
Num rompante que misturou sofisticado bom humor e uma calculada dose (sem trocadilho) de ousadia, Otto Lara Resende subiu na cadeira e proclamou, alto e bom som:
- Digo e repito para quem quiser ouvir: a ditadura militar é o maior atraso do Brasil, tem de acabar e vai cair. Se algum dedo-duro estiver presente, pode anotar: meu nome é Fernando Sabino!"
(colaboração de Fernando Gurgel Filho)

Sabino formava, com Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos, o trio de amigos inseparáveis de Otto, os quatro cavaleiros do apocalipse mineiro, todos saídos de Belo Horizonte na década de 1940 e radicados no Rio, desde então. Mas Otto teve dezenas, talvez centenas, de outros amigos, quase todos fascinados pela conversa a um tempo solta, divertida e invariavelmente culta e bem informada do grande "causeur". Nelson Rodrigues, um desses admiradores, chegou a agregar um apêndice ao título de uma de suas peças mais célebres: "Bonitinha mas ordinária, ou Otto Lara Resende".

Outra do Otto

09 setembro, 2011

Dr. Asdrúbal e o cliente com "aquilo roxo"

Já está fora de moda falar atualmente em "aquilo roxo". A expressão entre aspas remonta aos tempos da República das Alagoas, quando o presidente Collor, em momento de destempero verbal, usou-a para designar os seus "países baixos".
No entanto, em sua pujante vida profissional, Dr. Asdrúbal chegou a assistir um paciente que tinha "aquilo roxo". Literalmente falando.
Era um cidadão, aí pelos cinquenta anos, que compareceu em seu consultório acompanhado da esposa. Ele veio muito preocupado... por estar apresentando a genitália com a cor modificada: roxa! Sem que o cidadão estivesse a apresentar sintomas e outros sinais que fizessem suspeitar de estar acometido por alguma doença conhecida.
O Dr. Asdrúbal examinou-o, num primeiro momento considerando se achar diante de um grande desafio diagnóstico. Pois essas situações de desconforto, mais do que as grandes doenças, costumam ter uma elucidação diagnóstica mais difícil.
Após examinar o paciente, verificou, porém, que... um pouco da coloração arroxeada tinha passado às suas mãos! Dr. Asdrúbal valorizou esse detalhe. E, virando-se para a esposa do paciente, fez uma série de perguntas que mostravam toda a sua percuciência.
- A senhora vem usando algum método contraceptivo?
- Sim, doutor. O diafragma.
- Somente isso?
- Acrescento uma geleia espermicida.
- Sabor uva, não é?

22 julho, 2011

A Conduta CTA

O Professor Geraldo Gonçalves, regente da disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina, era também o responsável pelo Ambulatório dessa especialidade, no Hospital das Clínicas da UFC.
Suas aulas práticas eram muito concorridas, mercê da sua competência e bem-querência, associada ao trato humanitário que dava aos sofridos pacientes que ali chegavam.
Em 1969, Paulo Gurgel, aluno do quarto ano, estreava nesse ambulatório, um serviço caracterizado pela agilidade no atendimento e pelo aprendizado propiciado a vários acadêmicos, simultaneamente, sob a direta orientação do Prof. Geraldo.
Certa vez, depois que o acadêmico Paulo fez a anamnese, o paciente foi examinado pelo professor, sob os olhares atentos dos seus alunos. Concluso o exame físico, o docente indaga ao estudante Paulo:
- Enfim, qual é a sua impressão diagnóstica?
- Penso que, de acordo com a história clínica e também com os achados do exame físico, esse senhor tem artrite reumatóide - respondeu Paulo.
- Parabéns! O seu diagnóstico está correto. Mas qual será a sua conduta nesse caso, meu rapaz?
- Acho que devo prescrever antiinflamatórios e corticóides - explica o estudante.
- Você está no rumo certo; porém, o mais apropriado é a "Conduta CTA" - estimula o professor.
- "Conduta CTA"? Desconheço tal conduta, mestre. É algo novo que ainda não está em nosso livro-texto?
- Isso não é teórico, meu filho; mas, uma questão prática, bem adequada à nossa realidade.
Nisso, o Prof. Geraldo Gonçalves levanta-se e vai até o armário para retirar algumas amostras para entregar ao paciente, e pontifica com toda a sua espirituosidade:
- "Conduta CTA" significa "Conforme Tenha no Armário".
Para bem guardar na lembrança, o querido mestre juntava as amostras grátis, recebidas dos propagandistas de remédios, que, com regularidade, o visitavam em sua clínica particular, para suprir o seu precioso armário do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas, os quais eram dispensados aos enfermos despossuídos. Não era ele um Robin Hood, tirando dos ricos para dar os pobres, mas, movidos por seus caros princípios da caridade cristã, guardava para distribuir com quem nada tinha, o que vinha às suas mãos, de graça e sem nenhum favor.

SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da - Contando causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2011. p.28-29.

23 fevereiro, 2011

O pacote misterioso

Nelson José Cunha (João Monlevade - MG)

Quem não conhece um português de boteco, imortalizado nas anedotas, vingança do brasileiro colonizado? Cada nação escolhe o seu português. Para o espanhol, esse personagem obtuso vem da Galícia.
O americano elegeu o irlandês, o francês prefere o belga e o alemão faz do polonês o seu alvo de gozação. Deve ser uma necessidade nacional, ter alguém para descarregar aquele sentimento de inferioridade que mora conosco. É bom saber que existe alguém mais bronco do que nós. No Brasil é o português de anedota.
Imagino que estas escolhas tenham alguma razão lógica, pois os imigrantes citados nestes exemplos são, na sua maioria, pessoas simplórias nos seus países de origem e forçados a imigrarem, e assim preenchem com perfeição o estereótipo de que se necessita.
Mas o Eduardo desta história fica longe da figura do português convencional, a começar pelo nome, não é um Manuel ou Joaquim, mas Eduardo, terror das menininhas do Castelo. Era a região do Rio, onde eu morava. O Eduardo manejava um boteco, metido a restaurante, que costumávamos freqüentar; ficava nas imediações da Santa Casa. A especialidade da casa era frango assado.
Vinha gente de longe para provar da iguaria. A casa vivia sempre cheia de estudantes, atraídos pelo "pendura", cartão de crédito da rapaziada. Muito namoro e casamento começou ali, geladinha com frango assado na mesa e outras franguinhas esvoaçantes bicando os corações.
O Duquinha acabou fisgado por uma destas, motivo de inveja da moçada. Chamava-se Laura, uma tremenda franguinha. Como se vê, o nosso português não estava lá para piadas, oh pá !.
Laurinha gostava de usar minissaia e nós, de vê-la sentada.
- Senta Laurinha ! Era o que mais se ouvia.
Tínhamos pelo "portuga" um punhado de admiração e outro tiquinho de despeito, pois o filho da puta sempre tascava a mina mais cobiçada da casa com aquele sotaque malandro e conversa envolvente. Para completar era um galã e no xadrez nos vencia a todos. Gostava de literatura e se metia com versos. Fernando Pessoa andava pregado pelos cantos do boteco.

Certo dia, correu pela Faculdade a história que vou lhes contar agora. Estando o Eduardo ainda arrumando o balcão para o início da segunda jornada do dia, entrou um freguês bem apessoado carregando um pacote na mão. Não era um embrulho qualquer, tinha algo parecido a uma caixa de bombom "Garoto", disfarçada em papel ocre e enlaçado meticulosamente por alguém que valorizara o seu conteúdo. Por fora, levava um desses lacres em alto relevo feitos com cera vermelha - Coisa fina e responsável. Sentou-se e sem pressa pediu o que de melhor havia na casa, inclusive o vinho do Porto que o Duquinha reservava para clientes especiais. O que chamava atenção naquele sujeito era o seu cuidado extremado com o pequeno embrulho, sempre com uma das mãos pousada sobre ele como se asas tivesse e algum risco de voar. Aquilo intrigou o nosso Duquinha, pois o homem não largava o pacote nem quando ia ao quartinho. À menção de alguém que se aproximava da sua mesa, mudava o pacote de lugar como se quisesse protegê-lo.

Lá pelas tantas, depois de zerar o estoque de vinho, o dono do pacote perguntou por uma marca de cigarro que o Duquinha desculpou-se por não tê-la. Diante de tão indesculpável falta, o estranho levantou-se, foi ao balcão, curvou-se ao pé do ouvido do Eduardo e pediu que guardasse aquele pacote com responsabilidade e frisou bem a palavra RESPONSABILIDADE.
Como não podia passar sem aquela maldita marca de cigarro iria buscá-la nos botecos da vizinhança.
O Duca, honrado pela demonstração de confiança do desconhecido, tratou de tomar conta do pesado e valioso pacote com o cuidado de uma galinha com seus ovos. A demora do freguês o fez atender o restante da clientela carregando consigo aquele estorvo. Era incômodo, mas assim mesmo desfilava com um certo grau de orgulho, pois aquilo deveria ser alguma especialidade.
Vez ou outra saía até a calçada, espiava de cada lado para conferir onde havia se enfiado o dono da encomenda. Pô! Já estava chegando a hora de fechar e o sujeito não voltava. Não demorou para a freguesia tomar conhecimento da história e apelar pela abertura do pacote.
- Aaabre... aaabre.... aaabre... - retumbava o coral dos aflitos e gozadores.
O Duca finalmente cedeu à gritaria e preparou-se para abrir o pacote em meio à roda dos curiosos. Já tinha gente apostando que aquilo só poderia ser alguma caixa de jóias roubadas deixadas por acaso num momento de aperto. Mas o mistério só resistiu até a abertura do embrulho. Surgia, aclamada pelos presentes, uma rapadura para adoçar um pouco da ira do "portuga" diante da gozação da moçada.
Alguém comera e bebera nas barbas de Dom Eduardo e saíra sem pagar a conta. Assim fez-se a escrita e o nosso Duquinha recuperou o “prestígio” do português da anedota.
E a Laurinha ? Ai que calcinha!

26 dezembro, 2010

O começo da briga


O delegado fala ao depoente: - O senhor foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém, lá no interior de São Borja. Cinco mortos, oito feridos, uma barbaridade... - No meu bolicho, seu delegado! Quem sou eu para ter armazém? Armazém é o do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que... - Não desvie do assunto. Como e porque começou a briga? - Bueno, pos então, historiemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada. O doutor entende: peonada no más, loucos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal... - Continue, continue, deixe o turco em paz. - Pos, então, bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns trinta home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Taio Feio. O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá; deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe. O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo; deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Taio Feio. Um contraparente do Taio Feio não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo pelo lombo. Um amigo do Lautério se botou no contraparente do Taio - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna. Um irmão do Sarna, chateado com aquilo, pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do home que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor! E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido. Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero. Meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada. Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda! O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo. Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito - se arevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha? - Acho, sim. Mas e aí? - Pois, como lhe disse, nós se arevoltemo e saquemo os talher. E foi aí que começou a briga, seu delegado.
(de autor desconhecido)

01 maio, 2010

A versão gaudéria da Bíblia

Os causo das Escritura
"Pois não sei se já les contei os causo das Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora. A história, essa é meio comprida, mas vale a pena contá por causa dos revertério. De Adão e Eva acho que não é perciso contá os causo, porque todo mundo sabe que os dois foram corrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.
Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu. O primeiro índio a botá cerca de arame foi um tal de Abel. Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço no peito do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguay. Deixou o filho dele, um tal de Noé, tomando conta da estância.
A estância essa ficava nas barranca de uma corredera e o Noé, uns ano despois, pegou uma enchente muito feia pela frente. Cosa munto séria. Caiu uma barbaridade de água. Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundiá em cima de cerro. O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se largou nas correnteza, o índio velho. A enchente era tão braba que quando o Noé se deu conta a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio.
Foi aí que um tal de Moisés varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atoleiro. Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga. A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram morá numa estância muito linda, chamada estância da Babilônica. Bueno, tavam as família ali, tomando mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele. Abriram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga.
Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero. Peleia braba, seu. O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés. E já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carretero, de seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça. Foi me acudam e tou morto. Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão. Foi uma sanguera danada. Tanto que até hoje aquele capão é chamado de Mar Vermelho.
Mas entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão. Nem les conto! Um dia o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum guri de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chegado ao piazito, passou a mão no facão e de um talho só cortou as velha em dois. Esse é o muito falado causo do Perjuízo de Salomão que contam por aí.
Mas, por essas estimativas, o major Salomão, o que tinha de brabo tinha de mulherengo. Eta índio bueno, seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não havê discordância. Só que quando Deus nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo. Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância e foi sê china de bolicho. Uma vergonhera pra família. Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomou jeito na vida. O pobre do major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois cano.
Mas, vejam como é a vida. Pois essa mesma Maria Madalena se casou-se três ano dispois com um tal de coronel Ponciano Pilatos. Foi ele que tirou ela da vida. Eu conheço uns três caso do mesmo feitio e nem um deles deu certo. Como dizia muito bem o finado meu pai, mulher quando toma mate em muita bomba, nunca mais se acostuma com uma só. Mas nesses contraproducente, até que houve uma contrapartida. O coronel Ponciano Pilatos e a Maria Madalena tiveram doze filho, os tal de aposto, que são muito conhecido pelas caridade que fizeram. Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada de Maria Madalena, que dispois foi santa muito afamada. A tal de Santa Ceia.
Pois era uns tempo muito mal definido. Andava uma seca braba pelos campo. São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana. Um rico animal, criado em casa, que só faltava falá. Pois tiveram que se desfazê do pobre. E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estouraram as revolução.
Os maragato, chefiado por uma tal de coronel Jordão, acamparam na entrada da Vila. Só não entraram porque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazo, aquele mesmo que por duas vez foi dado por morto. Mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas, se passou-se pros maragato e já se veio uns tal de Romano, que tavam numas várzeas, e ocuparam a Vila.
Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um preto muito forte e muito feio chamado Calvário. Pois vejam como é a vida. Esse mesmo preto Calvário, degolador muito mal afamado, era filho da velha Palestina, que tinha sido cozinheira da Virge Maria. Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato. Mas entonces botaram Nosso Senhor na cadeia, junto com dois abigeatário, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis. Os dois tinham peleado por causo de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padre, monsenhor Caifás e o cônego Atanásio.
Mas aí veio uma força da Brigada, comandada pelo coronel Jesus Além, que era meio parente do homem por parte de mãe, e com ele veio mais três corpo de provisório e se pegaram com os maragatos. Foi a peleia mais feia que se tem conhecimento. Foi quarenta dia e quarenta noite de bala e bala.
Morreu três santo na luta: São Lucas, São João e São Marco. São Mateus ficou três mês morre não morre, mas teve umas atenuante a favor e salvou-se o índio. Nosso Senhor pegou três balaço, um em cada mão e um que varou os pé de lado a lado. Ainda levou mais um pontaço do mais velho dos Romanos, o César Romano, na altura das costela. Ferimento muito feio que Nosso Senhor curou tomando vinagre na sexta-feira da paixão. Mas aí, Nosso Senhor se desiludiu-se dos home, subiu na Cruz, disse adeus pros amigo e se mandou-se de volta pro céu. Mas deixou os dez mandamentos, que são cinco e que se pode muito bem acolher em dois: não se mata home pelas costa, nem se cobiça mulher dos outros pela frente."
(de autor desconhecido)