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26 fevereiro, 2024

O sertão vai vir ao mar


Dirigido por Rodrigo César (2024), este filme foi gravado pela Rede Paraíba em apenas 7 dias, nas cidades de Pilar, São Miguel de Taipu e João Pessoa.
O roteiro é baseado na obra Dom Quixote e Sancho Pança, e conta as peripécias de Bento e Ciço, dois vaqueiros que trabalham em uma fazenda e precisam ir para a capital. 
As filmagens aconteceram com uma única câmera e a maioria das cenas foram feitas de primeiro take. A última cena do filme foi gravada na Ponta do Seixas, ponto mais oriental das Américas, em João Pessoa.
Nesta segunda-feira (26), na Tela Quente.
(a conferir)

11 setembro, 2019

BACURAU, o filme

Filme franco-brasileiro de 2019
Gênero: suspense
Duração: 130 min.
Roteiro e direção: Kleber Mendonça Filho (diretor de AQUARIUS) e Juliano Dornelles
Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam alvos de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.

Trailer


BACURAU (Nighthawk, 2019) - Vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes e de melhor filme no festival de Munique, além de muito elogiado em mostras não competitivas em festivais pelo mundo.

Onde assistir BACURAU em Fortaleza
Cinépolis Riomar 16:15 e 22:00
Centerplex Via Sul 18:00 e 20:45
Kinoplex Iguatemi 13:55, 16:40, 19:25 e 22:10
e outras salas

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08/09/2019 - "Mas, atenção, mandantes arrogantes, inescrupulosos, insensíveis, vira-latas, truculentos, grosseiros, chulos, ignorantes! 'Nunca antes na história deste país' sua escória foi tão bem representada pela capa dirigente da nação – representada, sim, porque, como sempre, essa capa são apenas patas que tiram as castanhas quentes do fogo, ela não manda nada. Como dirigentes, tivemos ditadores e democratas, de esquerda e de direita, diplomados e sem-diploma. Mas nunca tivemos deficientes mentais. Viva a novidade! Contudo, o aplauso a eles cai numa velocidade surpreendente, graças à sua própria performance: o suposto 'piso' de 30% de aprovação ruiu como castelo de cartas, a jamanta desgovernada despenca ladeira abaixo, arrastando a popularidade para 20% e daqui a pouco para 10."
Bacurau é uma lição de resistência para os tempos atuais, por Fernando Holanda, Brasil 24/7

13/09/2019 - "Rapaz, é como se aquele sertão altivo, apesar de riscado do mapa, puxasse com o violeiro Carranca (personagem de Rodger Rogério, o lendário compositor do Pessoal do Ceará) um coro de provocação ao resto do Brasil: Ai essa terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se uma imensa Bacurau. Uma imensa Bacurau, repito o refrão, na ideia de sobrevivência, na arte de teimar em ser gente e algum cheirinho de vingança (humanum est) nas ventas. Pego bigu no fado do Chico e do Ruy Guerra para tomar o vilarejo do Velho Oeste pernambucano como exemplo de reação organizada ao tratamento ao plano de extermínio por parte dos gringos invasores aliados ao coronelismo-coxinha do prefeito Tony Jr., na interpretação fria e magistral do ator paraibano Thardelly Lima. [...] Corta para 2019. Saltei da poltrona e dei de cara, na esquina da Consolação com a Paulista, com manifestantes de luto contra a ordem bolsonarista. Saí imitando o “abuso” genial de Lunga, o vingador representado pelo ator cearense Silvero Pereira."
Essa terra ainda vai tornar-se uma imensa Bacurau: uma crônica política de Xico Sá sobre a teimosia em ser gente e permanecer no mapa brasileiro, EL PAÍS Brasil

17/09/2019 - "Meu primeiro namoro acabou depois da estreia de "Aquarius" e o segundo, depois de "Bacurau". Emocionada porque meus relacionamentos andam em sincronia com sua arte, Kleber Mendonça Filho."
https://twitter.com/deborista/status/1174064303508533250
Resposta - Cupido ao contrário.

20 maio, 2018

O sertão vai virar mar

1963 - A convite de Glauber Rocha, Sérgio Ricardo compõe e faz arranjos para a trilha sonora do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol". O tema musicado é o mote messiânico dos rebeldes de Canudos, cuja história foi contada por Euclides da Cunha, em "Os Sertões". Sérgio Ricardo, antes muito identificado com o estilo da bossa-nova, aqui interpreta a canção com a voz rascante de um cantador de feira nordestino.
O Sertão vai virar mar,
E o mar virar sertão!
Tá contada a minha estória,
Verdade, imaginação.
Espero que o sinhô tenha tirado uma lição:
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem,
Não é de Deus nem do Diabo!



1977 - Guarabyra e Luiz Carlos Sá gravam no LP "Pirão de peixe com pimenta" (Som Livre) a sua composição "Sobradinho"
E passo a passo vai cumprindo a profecia
do beato que dizia
que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar...
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão.



Além de Sá, Rodrix e Guarabyra, gravaram esta canção: Trio Nordestino, Biquíni Cavadão e o Coral Ases MG.

2002 - O médico e escritor Moacir Scliar publica o livro "O sertão vai virar mar".
Gui e seus amigos estão lendo "Os sertões" e se impressionam com a Guerra de Canudos. O que não esperavam é que, quase um século depois, a situação se repetisse na cidade onde moram, e surgisse um beato atraindo fanáticos contra os poderosos.

2003 - Em abril de 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Buíque, cidade de 55 mil habitantes, a 258 quilômetros da capital pernambucana, para falar sobre o lançamento do programa Fome Zero. Mas um dos assuntos mais abordados durante seu discurso foi outra medida para ajudar a melhorar as condições de vida no sertão nordestino: a transposição do Rio São Francisco. "O projeto existe desde 1847. Se houver transposição neste país será no meu governo, pois eu sei o que é a seca", disse. Nascido a menos de 100 quilômetros dali, Lula estava certo – pelo menos em parte. Após muita discussão sobre os riscos, a viabilidade e a importância do projeto, a construção teve início em junho de 2007 em Cabrobó, também em Pernambuco. Orçada à época em quase R$ 4 bilhões, a obra engloba nove estações de bombeamento, 477 quilômetros de canais, aquedutos e reservatórios que levarão água para flagelados em quatro estados. Algumas das valas serão ligadas por túneis, como o Cuncas 2, em Mauriti, no Ceará.

Referências
"Da bossa nova à tropicália", de Santuza Cabral Naves
História da música Sobradinho https://youtu.be/s_pmGhMJiIg
https://resumando.wordpress.com/resumo-o-sertao-vai-virar-mar/ (resenha)
http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/04/o-sertao-vai-virar-mar.html

16 outubro, 2015

É assim no sertão

"Onde a seca maltrata
o linho não é páreo pro couro
pão é mais caro que prata
água vale mais do que ouro
macambira é melhor do que nata
jumento é mais forte que touro."

Guibson Medeiros, Pensador

31 maio, 2011

Sertão familiar

(desenho de autor ignorado)
por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Para o prefeito, a manhã nascia ao anoitecer.
Ele se sentia em casa era na zona. Culpa daquelas “mininas, endiabradas como um capiroto de saias”. Melhor ainda era aquela novinha. Ela gostava de contar causos de sua vida de prostituta sempre que tomava uns tragos a mais de cajubrina. Dizia que começou a gostar da vida com o “bombeiro-hidráutico” da cidade. “Nu cumeçu era só acariciação, faziam diumtudo, menas as via de fatu”, dizia.
“Um dia, contava rindo, nóis estava nos aconchego e começou a dar umas dor perto do estrombo, pra baixo assim do buxo, dijunto da presiguida, e ele danou a amassagiar, bem digavarziiim. Terminamo os doise com uzóio lubriando di estrela di tanto si amar. E ficamo ali estatelado.”
“Foi tão bão que a dor passou”, concluiu.
Perdeu “a única coisa que a gente perde e nunca mais apercura, ganha é os homi tudo... Assim qui nóis amadroce”, disse, olhar sumido no pensar.
“Aí, adispois, nostros dia, fui pedir o alco pro Seu Malaquias.”
“Que álcool, menina, quer tocar fogo em que?”
“Em nada, não, é o alco de serra pru mode pain cortá uns cano.”
Seu Malaquias riu aquele riso estrupiado de safado e deu o arco de serra.
Seu Malaquias era danado, oiava prela assim, qui dava até uns choqui elético na priquita. Quando foi adevolvê o alco Seu Malaquias fez uns agrado, mandou ela ispermentá umas roupa bunita, umas alpragata e imbuxô ela. Pain mandou ela pegar os panin de bunda, pra nunca mais vortá. O fiu num sigurou, não. Aí, passou a viver assim, recebendo os homi no cafofo ou na buléia dos caminhão. “São tudo uns sacatrapo do rabudo”, finalizou, rindo o riso de quase criança. De uma brancura que alumiava tudim.
Amanhecia quando o prefeito, primo do Seu Malaquias, foi embora sartisfeito, mas cheio de istrupícius nos miolo, pensando nas disculpa que ia dar pra cascavéia. De frente pra ingreja voltou a ter confiança. Num percisava se apreocupá, não, tudo ia continuar como dantes no quarté de abrantes.
“Êta, brasirzão bão!”, quase gritou pro sol que parecia vir dar bom-dia prêle.
Para a minina, a noite descia ao amanhecer.

21 fevereiro, 2011

Sertão religioso

Sertão religioso
Não pense que é valentia
Ir da seca à inundação,
Rezando em cantoria,
Atrás desta procissão.
Chuva na roça é alforria
Enxurrada é destruição.
Que o santo não se zangue
Co'essa nossa ''pidição'',
Mande a chuva pedida
Não traga o mar pro sertão.

Por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Nossa gente é tão dura quanto.
Veja a história abaixo. Escrevi após ouvir o relato de um amigo piauiense, sobre episódio que aconteceu com seu avô, lá no sertão do Piauí:
O ser humano, diante da natureza, sempre se sentiu pequeno, amedrontado, mas nunca desistiu de tentar domá-la. Assim, não se sabe se o medo, a inteligência ou a crença, fez com que essa criatura tão indefesa conseguisse sobreviver e multiplicar em toda a superfície da mãe Terra. Mesmo nos lugares mais improváveis.
Para mim, este talvez seja o maior milagre visto pelo próprio ser humano. E talvez explique porque existe uma parcela imensa da humanidade que manifesta fé inabalável em seres que julga estarem ali para servi-la em situações extremas. São recorrentes os casos em que a crença operou algo no ser humano, ou em torno de si, que modificou condições tidas como impossíveis.
Seu Doca está aí, vivinho, para não me deixar mentir.
Homem rude do sertão nordestino, não precisa dessas explicações inúteis. Ele acredita e pode contar seu milagre. Que tanto pode ser uma bênção, como um castigo.
Apesar do apelido quase doce - “Seu Doca” - trata-se do verdadeiro estereótipo de sertanejo: pouco ri, pouco fala, mas quando ri ou fala parece ter muita sabedoria; não chora nunca, não se enternece com nada, faz chorar e enternecer os familiares; não adoece e não para de trabalhar por nada no mundo; e sabe das coisas da natureza como ninguém.
Naqueles dias de seca, Seu Doca andava muito nervoso. A mulher se preocupava. Mesmo sem falar nada, sem manifestar suas preocupações, ele ficava mais calado, parecia que bufava ao invés de suspirar profundo e dormia menos do que de costume.
Na roça, parava de trabalhar e ficava olhando para o céu azul e o sol de fogo. Às vezes como a pedir clemência, no mais das vezes com um olhar desafiador, como a dizer: “o que fiz pra merecer isso?”. E as plantas secavam, os animais definhavam e a família quase não tinha água para beber ou cozinhar.
Seu Doca não era de rezar. A mulher dele rezava pela família toda. Ela participava das novenas e das penitências para trazer chuvas e fartura. Nas procissões era a mais fervorosa e a mais próxima do andor de São José ou de Santo Antônio, santo de sua devoção e padroeiro do lugar.
Porém, naquele ano e no anterior, os santos esqueceram que o sertão precisava de água para sobreviver. Não caía uma gota sequer. Passava tempos e tempos sem uma nuvem no céu e quando nublava, lá longe no horizonte, era apenas para soprar as cinzas do fogo da esperança que estava quase apagando. Soprava, avivava a brasa e ia embora. Não chovia nada.
Um dia, sozinho em casa, Seu Doca tomou uma decisão corajosa: se os santos não escutavam as preces de sua esposa, haviam de escutar uns desaforos de homem para homem.
Sol quente do meio-dia, pegou a imagem de Santo Antônio, tão luzidia e bela sobre a toalha branca do oratório, se dirigiu à roça e, no final da cerca, colocou a imagem sobre o mourão mais grosso, no sol a pino, e sentenciou:
- Vamu vê se tu é forte! Inquanto num chuvê, cê num sai daí... Vai torá no sol! Intonce, trate de mandá chuva!
Coincidência, castigo ou bênção, à noite os relâmpagos iluminaram os campos, os trovões estremeceram a casa e a água despencou do céu como uma cachoeira gigante. De tão exagerada a chuva, dizem que choveu a noite toda sem parar.
Ninguém sabe se Seu Doca teve algum estremecimento de temor ou agradecimento, pois não viram nenhuma grande mudança em suas faces. De manhã mostrava apenas um olhar mais aceso. Foi para a roça parecendo mais animado com aquele ar fresco e úmido:
- Agora temu água, muié!, falou ao sair de casa.
Andando, viu o estrago que o aguaceiro causou. A roça foi destruída pela enxurrada e os animais dispersos pela violência das águas. Alguns ficaram feridos. Grande parte da cerca tinha sido levada também. O mourão forte e grosso onde estava Santo Antônio tinha resistido. E o santo estava lá, sereno como se nada tivesse acontecido.
Seu Doca, de repente, sentiu-se frágil ao ver tanta destruição. Sentou numa pedra em frente e chorou um pranto que o sertão nunca vira desde que ele nasceu.
E os céus fizeram-lhe coro com as águas que voltaram a cair com força, inundando a propriedade e a alma do sertanejo. FGF

10 agosto, 2008

Estrada do sertão

"Coisa que não arrenego
nem tão pouco desapego
ter gostado de você.
Foi gostar desenxavido
encruado e recolhido
de ninguém se aperceber."


Que coisa linda é esta canção de João Pernambuco e Hermínio Bello de Carvalho!
É como uma estrada que nos leva ao sertão ancestral de todos nós!
Que grande intérprete é este Zé Luiz Mazziotti!
E os músicos que o acompanham nesta gravação? Edson Alves, no violão 6 cordas, e Zé Barbeiro (de quem tanto fala o jornalista Luis Nassif), no violão 7 cordas? Ah, idem, idem.