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26 abril, 2026

Violão amigo

De: Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro
Com Joyce (voz, assovio e violão), Yuka Kido (flauta), Kazuo Yoshida (bateria), Benisuke Sakai (baixo), Tomohiro Yahiro (percussão) e Osamu Kobayashi (piano)

Apresentação na TV japonesa em 1994:

"Violão pedaço / Do meu paraíso / Que me estende o braço / Sempre que eu preciso."

04 janeiro, 2026

Um poema, uma canção

O poema: "E então, o que quereis?", de Vladimir Maiakovski.

"Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas".

A canção: "Corsário", de João Bosco e Aldir Blanc.

07 novembro, 2025

Lô Borges (1952 - 2025)

Salomão Borges Filho, mais conhecido por Lô Borges, nasceu em 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, e tinha dez irmãos numa família com fortes vínculos musicais. Ainda adolescente, nos anos 1960, passava a maior parte do tempo no bairro de Santa Tereza, com os amigos, tocando violão em rodas que privilegiavam a bossa nova e o repertório dos Beatles.
Essa relação evoluiu para a formação do Clube da Esquina - a MPB de Minas Gerais.
No time, além de Lô, estavam seu irmão Márcio Borges, ao lado de Fernando Brant e Ronaldo Bastos, que eram os letristas da turma, os compositores Beto Guedes, Flávio Venturini e Tavito, o guitarrista Toninho Horta, o pianista e arranjador Wagner Tiso e o baixista Novelli. À frente do grupo, Milton Nascimento, que já gravava discos individuais e alcançara o sucesso nacional com a canção "Travessia".

Vídeo: Lô Borges em "Um café lá em casa", do violonista Nelson Faria

O artista morreu em Belo Horizonte, no último domingo (2), aos 73 anos, por falência múltipla de órgãos em decorrência de uma intoxicação medicamentosa.
Da obra de Lô Borges: 
"Feira moderna" (c/ Beto Guedes e Fernando Brant), "O trem azul" (c/ Fernando Brant), "Para Lennon e McCartney" (Márcio Borges e Fernando Brant), "Paisagem na janela" (c/ Fernando Brant) e "Quem sabe isso quer dizer amor" (c/ Márcio Borges), entre outras canções.

13 julho, 2025

Irmãos Cavalcanti

Flávio Cavalcanti (1923 — 1986) foi um jornalista, repórter, apresentador de rádio e televisão, crítico de música e compositor brasileiro. Um dos mais famosos e polêmicos comunicadores brasileiros, fez sucesso no comando de alguns programas de rádio e televisão nas décadas de 1960 e 1970, como o "Programa Flávio Cavalcanti", "Um Instante, Maestro!" e "A Grande Chance".

Seu estilo foi polêmico na televisão brasileira. Franco e direto em suas opiniões, Flávio Cavalcanti era conhecido por criticar duramente em seu programa artistas que considerasse ruins ou com músicas medíocres — com direito a quebrar ao vivo os discos deles. Como fez com os LPs do gaúcho Teixeirinha, quando este participou de "A Grande Chance". Teixeirinha era o autor de "Coração de Luto", apelidada de "Churrasquinho de Mãe", não obstante o estrondoso sucesso alcançado por esta canção na década de 1960.

Celso Cavalcanti, também compositor, é irmão de Flávio.


Celso e Flávio. Print screen do vídeo "Relatos Históricos" por @EntreMentes

Uma busca avançada no site Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) mostra que existem 53 fonogramas cujo autor é Celso Cavalcanti.

"Nossa Canção de Amor" (1949), por Mário de Azevedo, pela Continental, em 78 RPM.

"Mancha de Batom" (1952), gravada pelo grupo Os Cariocas, pela Sinter, em 78 RPM.

"Ninguém" (1953), gravada por Heleninha Costa, pela RCA Victor, em 78 RPM.

"O Amor Acontece" (1954), gravada por Dolores Duran, pela Copacabana, em 78 RPM.

"Manias" (1955), gravada por Ivon Curi, pela RCA Victor, em 78 RPM.

Os fonogramas contêm as 5 canções que Celso Cavalcanti compôs no período de 1949 a 1955, a primeira delas, com Fred Mello, e as 4 outras canções, com o irmão Flávio Cavalcanti. Delas, "Manias" foi a que obteve o maior sucesso, tendo sido gravada por Ivon Curi, Dolores Duran, Lucio Alves, Milton Banana Trio, Wilson Simonal, Turma da Pilantragem, Miltinho/Dóris Monteiro, Tito Madi, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Alcione e Claudette Soares, entre outros.


Vídeo c/ Carol Nogueira e banda

https://www.facebook.com/reel/579940844458296
https://immub.org/compositor/celso-cavalcanti
https://www.atribunarj.com.br/materia/os-100-anos-de-flavio-cavalcanti-um-dos-genios-da-tv
https://www.youtube.com/watch?v=edFFJPzYAXs

23 março, 2025

Beatriz: uma canção inalcançável?

Imortalizada na voz de Milton Nascimento, a canção "Beatriz", de Edu Lobo e Chico Buarque, foi também gravada por Gal Costa, Mônica Salmaso, Renato Braz, Zizi Possi e Ana Carolina.
Faz parte da trilha sonora de "O Grande Circo Místico", um espetáculo apresentado pelo Balé Guaíra em 1982. O enredo dessa peça foi baseado no poema "Túnica Inconsútil", de Jorge de Lima, desenvolvido por Nahum Alves de Souza e que apresentava o trajeto de uma família circense ao longo dos anos.
Desafiado para interpretar esta canção, o Professor de Canto e Doutor em Música, Marcelo Elme, sentiu-se receoso de não dar conta do recado. Composta ao piano por Edu, a obra-prima "Beatriz" tem melodia e harmonia complexas, além de uma tessitura muito ampla, com graves desafiadores para sua voz médio-aguda. Mas Marcelo Elme superou os obstáculos ao escolher o tom adequado e utilizar-se de determinados recursos vocais.
Entre eles:
1. o trânsito entre os registros
2. a suavização das quebras vocais
3. a equalização dos timbres
4. a precisão da afinação em saltos consecutivos.

Arquivo da Bia
2008 Do chão ao céu
2018 O Grande Circo Místico

09 fevereiro, 2025

Ai, que saudade d'ocê

O cantor e compositor paraibano Vital Farias morreu, nesta quinta-feira (6), aos 82 anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa. O artista se mudou na década de 1970 para o Rio de Janeiro, onde se formou em Música.
Natural de Taperoá-PB, Vital Farias é compositor de inúmeros sucessos da MPB, gravados e regravados por renomados artistas brasileiros (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Fagner, Zeca Baleiro e Lucy Alves). Entre suas canções autorais mais conhecidas estão:
  • Canção em dois tempos (Era casa, era jardim)
  • Veja (Margarida)
  • Sete cantigas para voar
  • Caso você case
  • Ai, que saudade d'ocê (vídeo)

27 outubro, 2024

Antonio Cícero (1945 - 2024)

"Espero ter vivido com dignidade e espero ter morrido com dignidade."
Antonio Cícero
Morreu na quarta-feira (23), aos 79 anos, o poeta Antonio Cícero Correia Lima, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nascido no Rio de Janeiro e filho de piauienses, era filósofo, escritor e letrista de muitas das canções que o Brasil canta. Com a cantora Marina Lima, sua irmã, compôs "Fullgás", "Acontecimentos" e "À Francesa", entre outros sucessos. A partir das composições em família, ele colecionou parceiros musicais como Lulu Santos e Sergio de Souza, com os quais compôs em 1984 o hit "O último romântico" (no vídeo abaixo, com Caetano Veloso e Jaques Morelenbaum).


Como compositor tinha mais de 300 canções registradas. Antonio Cícero era também crítico literário e entrou para a ABL (V. biografia), em agosto de 2017. Seu poema "Guardar" foi incluído na antologia "Os cem melhores poemas brasileiros do século", organizada por Ítalo Moriconi:
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la
isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado." (trecho)
Ele sofria de Alzheimer e se submeteu a um procedimento de morte assistida na Suíça (onde esse tipo de procedimento é permitido por lei). Aos amigos, Antonio Cícero deixou sua carta de despedida. 

20 outubro, 2024

O Ciúme

1987. Esta canção surgiu às margens do rio São Francisco, o Velho Chico, obviamente na ponte que "divide" a Bahia (Juazeiro) de Pernambuco (Petrolina). Caetano Veloso voltava de carro para Salvador quando resolveu entrar em um restaurante na citada divisa. Sobre a mesa em que se acomodou havia um jornal cuja manchete chamou a atenção do poeta: "Mulher morre esfaqueada na garganta, por ciúme, pelo marido". Comovido com o fato, estupefato com a informação e, somando-se a outras referências que as duas cidades, o rio, a ponte traziam para si, o compositor compôs este hino que verseja sobretudo sobre o sentimento do ciúme (o causador da violência fatal).
Dorme ponte, Pernambuco, rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme
O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta.

Na letra de "O Ciúme", se tomamos os gêneros das palavras Petrolina e Juazeiro para compor a analogia de um casal, é preciso que identifiquemos um terceiro, o causador do ciúme entre ambos. Não havendo a possibilidade do terceiro, não existiria razão causadora do ciúme. Este terceiro é o Rio São Francisco, que se interpõe entre as duas cidades: “Entre Petrolina e Juazeiro canta”. A estrofe central começa por tratar diretamente do rio: “Velho Chico vens de Minas”... O grande rio é o viajante que vem de longe e se coloca entre Juazeiro e Petrolina. Porém, esse ciúme logo é superado, pois o viajante segue seu curso, a admiração que causa a um e o outro a beleza do rio, logo é compreendida pelo outro, apenas, como tal, admiração. A ponte que se constrói, unifica ambos, fazendo com que seja superada a dificuldade causada pela passagem do rio. (Fernando Graça)

31 julho, 2024

A mesóclise na música brasileira

"Dar-te-ei"
(Marcelo Camelo)
Dar-te-ei, finalmente os beijos meus.
Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus.

"Os Passistas"
(Caetano Veloso)
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser. (vídeo)

"O homem deu nome a todos animais"
Esta canção na música popular traz outro exemplo de mesóclise. A letra é a versão de uma composição de Bob Dylan ("Te man gave names to all animals") pelo poeta da Paraíba (Zé Ramalho). Neste caso, por que podemos distinguir a mesóclise, que está gramaticalmente correta e não soa sinteticamente, talvez graças à dramaticidade da voz do cantor. Segue um trecho da melodia.
O homem deu nome a todos animais
desde o início, há muito tempo atrás.
Viu um bicho com tal poder
garras afiadas e um porte
quando rugia, tremia o soalho.
Disse com razão: invocar-se-á leão.

"Rap da mesóclise"
A mesóclise seria / a real democracia / Põe no meio da ação / pronomes de mão vazia / E falando no futuro / Ela incluir-lhes-ia.

15 julho, 2024

Morre Sérgio Cabral

Morreu ontem Sérgio de Oliveira Cabral Santos (Rio de Janeiro, 27 de maio de 1937 – Rio de Janeiro, 14 de julho de 2024), jornalista, escritor e pesquisador. 
Ele trabalhou em jornais como O Globo, Última Hora e Diários Associados e foi um dos fundadores do semanário O Pasquim, um dos órgãos referenciais do humor e da crítica política no país.
Conviveu com artistas como Ary Barroso, Eliseth Cardoso, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Tom Jobim, entre outros importantes nomes da MPB, o que faz com que seus textos tenham um misto de história pesquisada e vivida.
No final da década de 1980, junto com Teresa Aragão, dirigiu os lendários shows do Teatro Opinião, reduto de resistência à ditadura no Rio de Janeiro. Os espetáculos, sempre às segundas, serviram de abertura para o público da Zona Sul carioca conhecer nomes geniais do samba, como Martinho da Vila (lançado por Sérgio Cabral), Nelson Cavaquinho, Cartola, Carlos Cachaça, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Rildo Hora, Dona Ivonne Lara, Marçal, Guilherme de Brito e Clementina de Jesus, entre muitos outros.
Seus livros (atualmente publicados pela Lazuli Editora) são considerados referências para todos aqueles que desejam conhecer os bastidores da cultura brasileira dos últimos 50 anos, por conta de sua linguagem acessível e direta e da intimidade que teve com algumas das maiores personalidades do período.

07 julho, 2024

Matita Perê

É um álbum de estúdio de Antônio Carlos Jobim lançado em 1973. O disco faz referência ao mitológico personagem Matita Perê em duas gravações:
na faixa 1 - "Águas de Março", música e letra de Jobim", em que o personagem é designado por Matita-Pereira
É peroba no campo, é o nó da madeira / Caingá candeia, é o matita-pereira.
na faixa 3 - "Matita Perê", de Jobim e Paulo César Pinheiro, como título da canção e também do álbum.
No jardim das rosas / De sonho e medo / Pelos canteiros de espinhos e flores / Lá, quero ver você / Olerê, olará, você me pegar.
Mas o que é Matita Perê?
Matita Perê (18.900 resultados no Google) ou Matita Pereira (4.180.000 resultados) ou Matinta Perera (72.500 resultados) é uma personagem do folclore brasileiro, mais precisamente na Região Norte do país. Trata-se de uma bruxa velha que à noite se transforma em um pássaro agourento (rasga-mortalha) que pousa sobre os muros e telhados das casas e se põe a assobiar, e só para quando o morador, já muito enfurecido pelo estridente assobio, promete a ela algo para que pare (geralmente tabaco, mas também pode ser café, cachaça etc.).
Com poderes sobrenaturais, ela lança feitiços sobre suas vítimas capazes até de levar à morte. Quando está na sua forma mais comum, uma velha de vestido preto e cabelos caídos no rosto, costuma soltar um assobio agudo como se estivesse gritando o próprio nome. Costuma-se descrevê-la como uma bruxa idosa que se transforma durante as noites em um pássaro. Por outro lado, há versões que relatam que ela se transforma em uma coruja. Mais ainda, essa transformação envolve a representação da alma de um antepassado da personagem.

https://twitter.com/twittndre/status/1506725046550556672

A razão por que você não vê muitas corujas tocando instrumentos musicais é que você não sai muito.

03 julho, 2024

Samba em prelúdio

No início dos anos 1960, o violonista Baden Powell havia composto este samba. Exibindo-o a Vinicius de Moraes, o amigo poeta teria se animado em escrever uma letra para o tema instrumental. Mas, após muitas doses de uísque, Baden percebeu que a tal letra não saía. Perguntando a Vinícius sobre o motivo de seu entusiasmo inicial ter minguado, eis que este confessou, constrangido: não poderia escrever sobre um tema plagiado de Chopin.
Baden repeliu a acusação: "Eu conheço os prelúdios, os noturnos de Chopin… isso não tem nada a ver com Chopin!" E a discussão prosseguiu, com as acusações mútuas, até Vinícius ter uma ideia que poderia resolver, de uma vez por todas, a contenda: acordar a então esposa Lucinha (Maria Lúcia Proença), pianista e conhecedora do repertório do compositor polaco, para dar seu veredito. Eram seis da manhã, a moça teve seu descanso interrompido, escutou pacientemente a melodia apresentada por Baden e deu seu parecer:
– Isso não é Chopin, não!
E o poeta, assim, se entregou à máquina de escrever e, de uma só vez, escreveu a letra por inteiro.
Acontece que Vinícius de Moraes, com seu bom ouvido musical, não poderia estar completamente errado. E o tema em questão, que teria inspirado Baden, não era de Chopin, e sim de Heitor Villa-Lobos! Trata-se do Prelúdio da Quarta Bachiana Brasileira (1941).
Ignorando-se a inspiração erudita do tema instrumental de Baden, e o próprio título da canção, "Samba em prelúdio" traz um outro elemento que alude à música clássica: sua constituição enquanto composição polifônica, para canto e contracanto.
Fonte: 365 Canções Brasileiras
Com efeito, em suas diversas gravações, a obra traz duas vozes que dialogam e que se unem no final.
Vinicius de Moraes e Odete Lara
Toquinho e Maria Creuza
Vinicius e Ornella Vanoni (em italiano)
Toquinho e Maria Bethânia
Geraldo Vandré e Ana Lúcia
Aqui se chega ao grande violonista Paulinho Nogueira, que planejou a seguinte estratégia para gravar o "Samba em prelúdio":
1.ª parte - a melodia com notas mais graves;
2.ª parte - a melodia com notas mais agudas;
3.ª parte - a 2.ª utilizando-se da 1.ª como playback.
Mas, ao criar o arranjo violonístico, Paulinho descobriu que poderia dispensar o playback para gravar  a última parte. Se, para tanto, ele executasse as duas primeiras partes simultaneamente (vídeo). Coisa de gênio!


19 maio, 2024

Bola ou búlica

1. Jogo de bola de gude (bila, no Ceará) em três buracos no chão (búlica). Começa o jogo quem jogar a bola de gude mais perto de uma linha riscada no chão após os buracos, mas sem ultrapassar a linha. O jogador 1 começa tentando colocar a bola de gude no primeiro buraco; se acertar, continua, passando a vez para o outro (jogador 2) apenas quando errar. O objetivo é acertar os buracos numa sequência de ida e volta.
2. Canção de João Bosco e Aldir Blanc. Foi gravada por Elis Regina, Tamba Trio e MPB 4 (pseudovídeo). "É bola ou búlica, é fogo esse jogo, não dá pra enganar, nega."

25 fevereiro, 2024

Luiz Antônio (Luís Antônio) e Miltinho

Antonio de Pádua Vieira da Costa, codinome Luiz Antônio, era conhecido nas rodas de boemia do Rio de Janeiro como Coronel. O apelido vem da sua formação militar - o compositor era oficial do exército, ex-pracinha da FEB na Itália e chegou a compor o Hino da AMAN - Academia Militar de Agulhas Negras.
Luiz nasceu em 16 de abril de 1921, no Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade, aos 75 anos, no dia 1.º de dezembro de 1996. Suas músicas foram gravadas por artistas de peso, como: Dick Farney, Claudete Soares, Marlene, Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Dóris Monteiro, Cauby Peixoto, Maysa, Miltinho, Elza Soares, Linda Batista e até o Palhaço Carequinha, que gravou "O Engraxate".
Quem não se lembra das músicas "Sassaricando"...  todo mundo leva a vida no arame, "Lata d'água"... na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria, sobe o morro e não se cansa, "Mulher de Trinta"... você, mulher, que já sofreu, "Barracão" ... de zinco, tradição do meu país? 
Seu último sucesso foi "Eu Bebo sim"... e estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo, um samba bem humorado que estourou na década de setenta na voz de Elizeth Cardoso.
Fonte: http://www.drzem.com.br/2012/01/luis-antonio-compositor-de-alta-patente.html
Milton Santos de Almeida, conhecido com Miltinho (RJ, 31/01/1928 - 07/09/2014) foi um cantor brasileiro. As melhores lembranças de Miltinho devem-se à escolha do  repertório de seus discos. Canções de compositores, como Luiz Antônio, autor de alguns de seus principais sucessos. Além de "Mulher de trinta", Luiz Antônio compôs ""Menina moça", "Ri", "Poema das mãos", "Poema do adeus" e a favorita do cantor, "Eu e o Rio" ("A melodia mais linda que alguém já fez, uma beleza de letra", derretia-se Miltinho).

Ft. Baden Powell (violão)

01 setembro, 2023

Os bigodudos da MPB

Dou a largada, começando pelo Belchior. O bigode de meu falecido amigo e colega dos tempos acadêmicos era, por assim dizer, sua logomarca. Ocupando um avantajado espaço na capa de seus discos.
Em janeiro de 2017 (antes de sua morte, portanto), Belchior, foi homenageado virando nome de um bloco carnavalesco em BH. O "Volta, Belchior", que desfilou no bairro Santa Tereza, com os foliões usando um bigode à la Zapata que nem o cantor.
Billy Blanco, com o seu imponente bigode, é o número 2 da lista.
Outros, sendo citados en passant: Nazareth, Braguinha, Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Dorival Caymmi (e seus filhos Dori e Danilo), Tim Maia, Sivuca, Hermeto, Raul Seixas, Gonzaguinha, Zé Rodrix, Benito de Paula, Tom Zé, Dicró...
Também os letristas Aldir Blanc e Paulo Leminski (cujo bigode pendia pelas laterais do queixo).
E os que adotaram o bigode fino: Orlando Silva, Miltinho, Jackson...
E aquele, com "bigode" inclusive no nome artístico, o Tiago Bigode, que é cantor, compositor e instrumentista. Nascido no Fundão, região da zona leste de São Paulo, ele "faz música para tudo que é coisa!"
Nas fotos da gravação de "Matita Perê", em NY, Tom Jobim ostentava um bigode, talvez seu modesto tributo a esse boom capilar do movimento hippie. Conservava ainda o bigode e uma barba rala - que não durariam muito - no lançamento deste álbum no Clube Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, em 1973.
Outros, que cultivaram o bigode em determinados períodos da vida: Chico Buarque, Caetano e Toquinho. Atualmente, não mais.
Deixo para o final, Bienvenido Granda. Por ostentar um bigode prodigioso, Bienvenido era apelidado "el bigote que canta", "o bigode que canta", "the mustache that sings", conforme o idioma do país em que estivesse fazendo a turnê. Tendo sido um vocalista cubano, não é strictu sensu um bigodudo da MPB, mas foi quase um deles. Perdi a conta das vezes que ele veio cantar no Ceará trazido pelo comunicador Irapuan Lima.

20 agosto, 2023

Olê!, Olá!, Olerê!, Olará!

Interjeição é uma palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas.
São classificadas como interjeições de saudação, chamamento ou invocação: Salve!, Viva!, Olê!, Olá!, Alô!, Ei!, Ô, Ó.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.php
Quando acaba a inspiração para a letra, (compositores) completam a melodia com lalalá, lererê, chananá ou yeah yeah yeah.
Eduardo Affonso, in Xerebecanto

Mulher rendeira
1- (versão do Volta Seca)
Olê, muié rendeira
Olê, muié renda
A pequena vai no bolso
A maior vai no emborná
http://youtu.be/yxjWPUJmVvA 
2 - (arranjo de Zé do Norte)
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá
http://youtu.be/GvcnD_QA5vY
3 - (Juaneco y su Combo: "Mujer Hilandera", álbum "Leyenda Amazónica")
Ole mujer hilandera ole, ole, ole
Ole mujer hilandera... ole, ole, ole
Tú me enseñas a hacer hilo
Yo te enseño a enamorar
http://youtu.be/Ocym9HVyMP0
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2020/04/mulher-rendeira.html

No carnaval de 1964, caiu no gosto popular a Marcha do remador.
(de Antonio Almeida, defendida por Emilinha Borba)
Se a canoa não virar
Olê, olê, olá
Eu chego lá
http://youtu.be/U92hwU11c1Y

Apareceu a Margarida
1 - O Jogo e a Criança, por Jean Chateau L'ENFANT ET LE JEAU.
N. do T. Guido de Almeida No original "La tour prends gard", que talvez se possa traduzir por "A torre que se cuide". Não conseguimos nenhuma referência sobre esse jogo, quer dos livros, quer das pessoas que consultamos. Com base na pequena informação contida aqui, imaginamos ser algo parecido com o nosso popular "Onde está a Margarida", em que muitas crianças, em círculo, escondem uma outra, a "Margarida", enquanto uma vai cantando: "Onde está a Margarida, olê, olê, olá, onde está a Margarida, olê, seus cavaleiros?"... E as demais respondendo: "Ela está em seu castelo, olê, olê, olá." Etc. A primeira vai retirando as crianças, uma a uma, cantando: "tirando uma pedra, olê, olê, olá, tirando duas pedras olê, olê, olá etc., etc. As demais cantam: uma pedra não faz falta, olê, olê, olá etc, etc. Tudo se repete tantas vezes até ser retirada a última pedra, quando então aparece a Margarida, saudada com alegria: "Apareceu a Margarida! Apareceu a Margarida!". p.58-57
2 - Em outubro de 1967, "Margarida", de Gutemberg e Guarabyra venceu a fase nacional do II FIC, do Rio de Janeiro, deixando "Travessia", de Milton Nascimento em segundo lugar e "Carolina", de Chico Buarque, em terceiro. Mais uma vez, o júri do Festival Internacional se opunha à vontade popular, que pedia para "soltar a voz na estrada".
E ela está em seu castelo, olê, olê, olá
E ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros
http://pdfs.semanticscholar.org/6dce/3909b8b09cb6182a020cfe10c06363968d01.pdf
http://blogdopg.blogspot.com/2018/12/apareceu-margarida.html
http://www.letras.mus.br/marchinhas-de-carnaval/959716/

Olê, olá
(Chico Buarque)
Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança, que o samba é menino
Que a dor é tão velha que pode morrer
Olê! Olê! Olê! Olá!
http://youtu.be/mGPA074Elws

Sinhá Pureza
(Pinduca)
Olê-lê-lê olá-lá-lá
Misturei carimbó siriá
Carimbó sirimbó é gostoso
É gostoso em Belém do Pará
http://www.letras.mus.br/pinduca/1071090/

"Lulaço"
(no Lollapalooza)
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula.
http://youtu.be/6OCUe3b07NQ

Marginália 2
(Torquato Neto e Gil)
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte
Olelê, lalá
http://youtu.be/TT5Mt5G8CzM

Vai passar
(Francis Hime e Chico Buarque)
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar.
http://youtu.be/P6C5bZOr3xQ

Pivete
(Francis Hime e Chico Buarque)
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
(adiante:)
Sonha aquela mina, olerê
Prancha, parafina, olará
http://youtu.be/O5dKggN0arA

Se duvidas
(com Zeca Pagodinho e Joanna)
Olerê, olará
Olerê, venha cá
Se eu pudesse abrir
Meu coração e mostrar
http://www.letras.mus.br/joanna/191489/

Querelas do Brasil
(Maurício Tapajós e Aldir Blanc)
Gererê, sarará, cururu -- olerê
Ratatá, bafafá, sururu -- olará
Do Brasil, SOS ao Brasil
Nos nomes pertencentes à letra da música ”Querelas do Brasil” (1980- Aldir Blanc e Maurício Tapajós), duas origens merecem destaque: os topônimos de origem tupi e os topônimos nascidos dos neologismos, criados pelo autor para homenagear pessoas ilustres da cultura nacional (Jobim, CDA, Guimarães Rosa e Mário de Andrade) e suas obras, fazendo alusão à nomeação em homenagem aos heróis e aos seus feitos.
http://youtu.be/bkENNwwCqgM

Matita Perê
(Tom Jobim e Paulo César Pinheiro)
No jardim das rosas
de sonho e medo
Pelos canteiros
de espinho e flores
Lá, quero ver você
Olerê, olará,
você me pegar



- What does "olerê, olará" mean? I found it in the lyrics for Tom Jobim's (and PC Pinheiro) "Matita Perê": They seem to be interjections of some sort? Google Translate doesn't know, and googling has only given me confusing results. (I don't speak any Portuguese.) Very curious as to what they actually mean... "Lerê, (lará)" shows up later in the song a couple of times too, possibly related.
- As far as I know, and I'm 99% sure about this, it doesn't mean anything. Somewhat like "Ob-la-di Ob-la-da" in the Beatles song.It's just something that rhymes and he made it up for the song.

06 agosto, 2023

Promessas

Isto é lá com Santo Antônio(marchinha junina de Lamartine Babo, intérpretes Carmen Miranda e Mario Reis, ano 1934) Eu pedi numa oração Ao querido São João Que me desse um matrimônio Matrimônio, matrimônio Isto é lá com Santo Antônio. https://youtu.be/F816ZxDZY78

Promessa (samba de Custódio Mesquita e Evaldo Rui, intérprete Sylvio Caldas, disco RCA Victor de 1943) Rezei reza à beça Fiz uma promessa Segui procissão Comprei uma vela Acendi na capela Rezei uma oração Olha o meu gado está morrendo Minha gente chorando Meu campo torrando O senhor me esqueceu Andou chuviscando Andou peneirando Chover, não choveu. https://youtu.be/UPDUU99nU_s

Procissão (samba-rock de Gilberto Gil, ano 1968) E Jesus prometeu coisa melhor Prá quem vive neste mundo sem amor Só depois de entregar o corpo ao chão Só depois de morrer neste sertão Eu também tô do lado de Jesus Só que acho que ele se esqueceu De dizer que na Terra a gente têm De arranjar um jeitinho pra viver. (estrofe 2) https://youtu.be/KDclgRFm_0s

Borandá (de Edu Lobo, intérprete Maria Bethania, selo Elenco de 1866) Já fiz mais de mil promessas Rezei tanta oração Deve ser que eu rezo baixo Pois meu Deus não ouve não. https://youtu.be/-DfK4aeap8k

Permuta dos Santos (de Edu Lobo e Chico Buarque, intérprete Mônica Salmaso ft. pianista Cristóvão Bastos) Outro recurso muito eficaz, o mais eficaz de todos eles, consiste em "contrariar'' os santos. [...] levava-se para ali o S. Sebastião da igreja local, trazendo-se, em troca, [...] a imagem do Senhor do Bonfim, tudo processionalmente, com rezas e cânticos. Enquanto não chovia os santos não voltavam para seus lugares. "Dicionário do Folclore Brasileiro", de Luis da Câmara Cascudo. Bom Jesus de luz neon sai do Bonfim Pra capela de São Carlos Borromeu O Bom Jesus contrariado Deve se lembrar enfim De mandar o tempo de fartura que nos prometeu. (estrofe 3). https://youtu.be/CNBNFnJYoGM


24 junho, 2023

Patentes da MPB

Cito Almirante, a maior patente do rádio, Blecaute, o eterno General (da Banda) e o mecânico de aviões Manoel Brigadeiro, o Embaixador do Samba de Brasília, que é autor de mais de 100 composições, com sambas gravados por nomes como Ciro Monteiro, Alcides Gerardi, Isaurinha Garcia, Carmem Costa e Jair Rodrigues. Brigadeiro faleceu aos 93 anos, em 2015.
Prossigo citando o Coronel Antônio de Pádua, mais conhecido por Luiz Antônio, autor de "Sassaricando"... todo mundo leva a vida no arame, "Lata d'água"... na cabeça, lá vai Maria, sobe o morro e não se cansa, "Mulher de Trinta"... você, mulher, que já sofreu, e "Barracão" ... de zinco, tradição do meu país. Seu último sucesso foi “Eu Bebo sim”... estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo, um samba bem humorado que estourou na década de 1970, na voz da divina Elizeth Cardoso. 
Outros músicos da "caserna":
MC Marechal, Coronel Ludugero, Luís Coronel, Major RD, Capitão Barduíno, Tenente Lisboa (maestro), Cadete ( ou K.D.T., pernambucano de Ingazeira, o primeiro cantor a gravar em cilindros para a Casa Edison) Nelson Sargento (da Estação Primeira de Mangueira, autor de "Agoniza, mas não morre"), Sargentelli e as mulatas, Sargento Martinho (da Vila) e Raimundo Soldado.

(Lista em construção.)

09 maio, 2023

Rita Lee por Rita Lee

Libertária, irreverente e provocadora, a rainha do rock brasileiro escreveu:

"Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá. Fãs, esses sinceros, empunharão meus discos e entoarão 'Ovelha Negra', as TVs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória para exibir no telejornal do dia, e uma notinha no obituário de algumas revistas há de sair. Nas redes virtuais, alguns dirão: 'Ué, pensei que a véia já tivesse morrido, kkk'. Nenhum político se atreverá a comparecer a meu velório, uma vez que nunca compareci ao palanque de nenhum deles e me levantaria do caixão para vaiá-los. Enquanto isso, estarei eu, de alma presente no céu, tocando minha autoharp e cantando para Deus: 'Tank you Lord, finally sedated'.
Epitáfio: Nunca foi bom exemplo, mas era gente boa."

Nascida em 31 de dezembro de 1947, em São Paulo, Rita Lee Jones morreu nesta segunda-feira, dia 8. Reclusa nos últimos tempos, a artista recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão em 2021, e desde então vinha fazendo tratamentos contra a doença. Seu nome despontou durante o tropicalismo com a banda "Os Mutantes", na década de 1960. Ao ser convidada por Gilberto Gil para acompanhá-lo na canção "Domingo no Parque", no 3º Festival de Música Popular Brasileira da Record. Com os arranjos do maestro Rogério Duprat, a apresentação de Rita Lee e banda marcou a introdução das guitarras na MPB. A quebra de fronteiras entre ritmos e influências, a partir de suas parcerias musicais com o marido Roberto de Carvalho, tornou-se central na consolidação de sua carreira solo (com 55 milhões de discos vendidos). Com ele, como escreveu na autobiografia, seu "rockinho radical virou rockarnaval, tango, bossa, pop, bolero e tal".

Arquivo
2007 Unidos pelo trocadilho
2018 Numa banheira
2021 A Terra com os anéis de Saturno, desculpe o auê
2023 João e Rita (a publicar)

15 março, 2023

Morre Theo de Barros, coautor de "Disparada"

São Paulo - O violonista, compositor e arranjador Teófilo Augusto de Barros Neto morreu na madrugada desta quarta-feira (15), aos 80 anos.
Nascido no Rio de Janeiro, Theo sempre será lembrado, entre outros motivos, por integrar o Quarteto Novo, nos anos 1960.
Em parceria com Geraldo Vandré, fez a canção "Disparada", que dividiu o 1.º lugar com "A Banda", de Chico Buarque, no festival da TV Record, em 1966.
Outro de seus sucessos foi "Menino das Laranjas", que Elis Regina gravou em seu primeiro compacto.
Foi também diretor musical de peças teatrais como "Arena conta Zumbi" e gravou seis álbuns em sua carreira. Fonte: Jornal GGN


Uma nota pitoresca na apresentação de "Disparada" foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte de um sertão assolado pela seca. Zuza Homem de Mello recorda o sucesso da queixada. Era incrível como um instrumento sem ressonância (a "ressonância" ficava por conta dos dentes frouxos da queixada) pudesse fazer um som tão alto. O sertão e a cidade