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25 julho, 2025

O Milagre da Rua do Ouvidor

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é um igreja localizado na Rua do Ouvidor, número 35, no Centro Histórico do Rio de Janeiro.
Na tarde de 25 de setembro de 1893, durante a II Revolta da Armada, uma bala de canhão atingiu a igreja, derrubando sua torre. De lá de cima - 25 metros de altura - caiu a imagem de mármore de Nossa Senhora da Fé e o fato foi visto pelos fiéis como um milagre, o "Milagre da Rua do Ouvidor".
José Luiz Lira conta a história:
Quando da eclosão da Segunda Revolta da Armada brasileira, um tiro disparado pelo Encouraçado Aquidabã que tentava atingir o Palácio do Itamaraty - então sede do governo - atingiu a torre sineira da igreja, derrubando a estátua em tamanho real de Nossa Senhora da Fé - uma devoção medieval, que, apesar da queda de 25 metros de altura, sofreu poucos danos - quebrou apenas dois dedos, sendo o fato considerado milagroso à época.
O tiro de canhão partiu do encouraçado Aquidabã – que antes tivera papel importante na queda da Monarquia brasileira.
Em 2020, a igreja foi fechada, interditada pela Defesa Civil. A irmandade dona do templo passava por dificuldades financeiras, até que uma intervenção da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro nomeou um empresário do ramo imobiliário para exercer as funções de provedor da entidade.
Depois de quase quatro anos em obras, a Igreja de N. Sra. da Lapa dos Mercadores foi reaberta.
A irmandade desde então está ativa e, todos os sábados e domingos às 12 horas, promove missas solenes cantadas em latim. Estas celebrações são abertas ao público e acompanhadas de coral e orquestra.
Tanto a estátua, com um dos braços da cruz quebrado (em data incerta por um faxineiro), quanto o projétil que atingiu a torre, encontram-se, hoje, expostos na sacristia.
E dizem que esse projétil foi o primeiro caso de bala perdida no Rio de Janeiro.

05 julho, 2023

Heitor dos Prazeres (1898-1966)

"Este prazer que eu tenho no nome é o prazer que eu divido com o povo."
Heitor dos Prazeres, um artista de múltiplos talentos: era músico, cantor, pintor, marceneiro, estilista, figurinista e cenógrafo.
Era frequentador da casa de Tia Ciata, que reunia os mais importantes nomes do samba e do choro.
Fez 350 músicas, sendo a mais conhecida "Pierrô Apaixonado", em parceria com Noel Rosa.
Criou o cavaquinho de cinco cordas e escreveu o manual para tocar o instrumento.
Fundou a "Deixa Falar" (a mais antiga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), a "Portela" e a "Mangueira".
Expôs quadros em mostras e bienais no Brasil e no exterior.
Apesar de todas as adversidades estruturais, que tendem a diminuir a capacidade do povo negro de estar no mundo, ele foi capaz de produzir uma obra artística vasta e primorosa.

Quadro "Praça XV", de Heitor dos Prazeres (1965)

18 janeiro, 2023

Instituto Antônio Carlos Jobim


Nesta oficina irritada
Tudo veio da floresta
As longas tábuas do assoalho
A madeira do piano
O jacarandá do violão

A lenha da lareira
Este lápis, esta mesa
Esta cadeira, esta porta
Esta janela ...
Tudo é floresta.


Criado em 2001, localiza-se no corredor cultural do Jardim Botânico - Rua Jardim Botânico, 1008, o Instituto Antônio Carlos Jobim. Esta entidade tem como objetivo preservar e disponibilizar para o público, especialmente para estudantes e pesquisadores, a obra musical e poética do Maestro Antônio Carlos Jobim, e, além disto, seu pensamento, admiração e preocupação com a preservação da natureza do Brasil.
O maestro era frequentador assíduo do Jardim Botânico do Rio, onde costumava se inspirar para compor suas músicas e observar os pássaros. E grande parte da obra de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) foi inspirada na Mata Atlântica. Tom Jobim acreditava que o brasileiro deveria se orgulhar por ter o único país do mundo com nome de árvore. "Águas de Março", "Água de beber", "Boto", "Chovendo na Roseira", "A Correnteza", "Matita Perê", "Sabiá" foram algumas de suas composições influenciadas pela fauna e flora desse bioma.
O acervo do Instituto inclui objetos pessoais, partituras, letras de músicas, correspondências, fotografias, livros, entre outros. Dentre as preciosidades, estão o manuscrito da letra da música Dindi, o cartão enviado, de Los Angeles, em 1965, para a mãe, um cachimbo, uma caixa com pios de pássaros e um bilhete dirigido a Vinícius de Moraes.
Seu acervo catalogado pode ser acessado via Web no site www.jobim.org que recebe em média 1200 consultas semanais.
A entrada da exposição é gratuita (o que não acontece com a visitação completa ao Jardim Botânico).

27 fevereiro, 2022

Vila Isabel

O inventor do jogo do bicho foi o empresário mineiro João Baptista Vianna Drummond, nascido em Itabira do Mato Dentro em 1.° de maio de 1825. Drummond veio cedo para o Rio de Janeiro, trazendo na mala os três contos de réis que seu pai, um coronel mineiro, deixara como dote para cada um dos catorze filhos. Espírito empreendedor, o futuro barão estabeleceu-se no comércio de importação, mas seu primeiro grande sucesso no mundo das finanças deveu-se a especulações bem sucedidas na bolsa de valores.
Já estabelecido como homem de negócios, casa-se com a filha de um banqueiro e é admitido na aristocracia carioca, na época girando em torno da corte imperial. Mais adiante, estará atuando nos negócios públicos e estabelecendo amizade com o Barão de Mauá, de quem se torna sócio em alguns empreendimentos. Em 1872, Drummond compra uma vasta área na zona norte do Rio, então pertencente à Duquesa de Bragança, e inicia o empreendimento que o tornaria indissoluvelmente ligado à história da cidade.
O Barão de Drummond era uma das poucas personalidades que podia orgulhar-se de ter fundado um bairro inteiro a partir do nada. Foi o que aconteceu com Vila Isabel (homenagem à princesa), bairro planejado, cujos lotes de terra foram vendidos já com todos os melhoramentos urbanos devidamente implantados. Ao contrário do modelo urbanístico então dominante na cidade, cujas ruas estreitas atestavam a herança portuguesa, a Vila Isabel foi concebida a partir do modelo parisiense que Drummond conhecera numa viagem à França, com avenidas largas e uma estrutura de lazer e de serviços até então inexistente no Rio.
O Barão de Drummond foi também um ferrenho abolicionista: alforriou todos os seus escravos muito antes da Abolição e deu às ruas de Vila Isabel o nome dos principais líderes abolicionistas da segunda metade do século XIX.

FEITIÇO DA VILA
(Noel e Vadico)

Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba.

Estátua de Noel Rosa em Vila Isabel 
Ficheiro Wikipédia
 

c/ João Gilberto

Filme: NOEL ROSA - Poeta da Vila (2006)
https://www.youtube.com/watch?v=OK8wpU56Z7o

21 janeiro, 2022

O galeão Botafogo

Foi um galeão a serviço da Marinha Portuguesa durante o século XVI. Em sua época, o São João Baptista (seu nome oficial) era o mais poderoso navio de guerra do mundo. Lançado ao mar por volta de 1534, com 1 000 toneladas de deslocamento e armado com 366 bocas de fogo de bronze, o que lhe dava um tal poder de fogo que ficou conhecido por "Botafogo".
A partir de então, a tática do combate naval é completamente alterada e a abordagem é substituída pelo duelo de artilharia. A superioridade da artilharia naval torna possível aos portugueses derrotar forças numericamente muito superiores, com isso obtendo o domínio dos mares do Oriente e conquistando possessões na Ásia.
Foi o esporão do Botafogo que conseguiu quebrar as correntes em La Goleta, que defendiam a entrada do porto, permitindo, então, à armada cristã que conquistasse a cidade de Tunes (gravura).


Um dos membros da tripulação do galeão, chamado João Pereira de Sousa - um nobre originário da cidade de Elvas - era o responsável pela artilharia do navio, pelo que também ganhou a alcunha de "Botafogo". Ele incluiu esse apelido em seu sobrenome, transmitindo-o a seus descendentes. Mais tarde, quando se estabeleceu no Brasil, destacou-se na defesa da colônia contra os invasores franceses. Como recompensa, a Coroa Portuguesa doou-lhe terras junto da baía de Guanabara, numa área que passou a ser conhecida por Botafogo em alusão à sua alcunha. E estas terras vieram a constituir o atual bairro de Botafogo da cidade do Rio de Janeiro.

29 agosto, 2021

Jogo do bicho

- Etelvina!
- O que é, Morengueira?
- Acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar.
(samba de breque "Acertei no milhar",de Wilson Batista e Geraldo Pereira, gravado por Moreira da Silva em 1958)



A origem do jogo do bicho remonta ao fim do Império e início do período republicano. Jornais da época contam que, para melhorar as finanças do jardim zoológico localizado no bairro da Vila Isabel, que estava em dificuldades financeiras, João Batista Vianna Drummond, um senhor de terras e escravos, criou uma loteria em que o apostador escolhia um entre os 25 bichos do zoológico.
Cada bicho era representado por quatro números consecutivos compreendidos entre 00 e 99. Havia 25 bichos numerados de 01 até 25 por ordem alfabética. Os números de 00 a 99 correspondiam aos 25 bichos conforme uma progressão aritmética, calculando o próximo múltiplo de quatro. Por exemplo, o camelo (8) é 29-32, e a vaca (25), 97-00 (hoje, o bicho correspondendo a um número entre 0000 e 9999 é indicado pelos dois dígitos finais.). Ao final do dia, os organizadores do jogo revelavam o nome do bicho vencedor e afixavam o resultado num poste, o que até os dias de hoje continua sendo feito.
O jogo do bicho tem algumas regras que estipulam limites nas apostas: um exemplo é a "descarga" de alguns números muito apostados, como o número do túmulo de Getúlio Vargas ou número do cavalo no dia de São Jorge. Para alguns organizadores, os números muito jogados são cotados a fim de evitar a "quebra da banca". 
 Apesar de sua popularidade e de ser tolerado por muitas autoridades, o jogo do bicho é uma contravenção no Brasil. Como forma de se legitimar perante a sociedade, os banqueiros de jogo do bicho procuram vincular-se às escolas de samba de suas áreas de atuação, o que também poderia ser usado, segundo alguns, como forma de lavagem do dinheiro da contravenção.Wiki

06 janeiro, 2020

Cabeça de Porco

Para os cariocas o termo "cabeça-de-porco" é sinônimo de "cortiço". O nome foi emprestado pela maior casa de cômodos de aluguel da capital. Construído pelo conde d'Eu, marido da princesa Isabel, seus enormes aposentos eram subdivididos por placas de madeira. Duas mil pessoas moravam ali! Sobre os portões em vez das habituais estátuas de leões, havia uma enorme cabeça de porco.
No início da noite de 26 de janeiro de 1893, por ordem do prefeito do Distrito Federal, Cândido Barata Ribeiro, a polícia ocupou o mais célebre dos cortiços cariocas da época, conhecido como Cabeça de Porco, no centro da cidade. A estalagem, conjunto de casinhas onde viviam de quatrocentas a 2 mil pessoas, conforme a fonte, foi em seguida desocupada, sem que se desse aos moradores o tempo necessário para recolher suas coisas — e, em poucas horas, demolida. A justificativa apresentada para a "decepação" — como escreveu o Jornal do Brasil — do Cabeça de Porco foi que se tratava de um "valhacouto de desordeiros".
Para o historiador Sidney Chalhoub, sua destruição "marcou o início do fim de uma era, pois dramatizou, como nenhum outro evento, o processo em andamento de erradicação dos cortiços cariocas" — do qual decorreria, imediatamente, o surgimento das primeiras favelas do Rio de Janeiro. Ilustração da mentalidade das elites, e não apenas as da época, para as quais classes pobres seriam sinônimo de classes perigosas, a brutal eliminação do Cabeça de Porco foi uma prefiguração do "bota-abaixo" que, dez anos depois, na gestão do prefeito Pereira Passos, mudaria a face do Rio de Janeiro.

02 janeiro, 2020

Botequins

Botequim n.º 1
autor: Sidney Miller
http://www.letras.mus.br/sidney-miller/386817/

Oitavo botequim
autor: Jota Jr.
c/ Helena de Lima (1965)
http://www.letras.mus.br/helena-de-lima/oitavo-botequim/

Saudades dos meus botequins
autores: Paulinho do Cavaco e Luiz Pimentel
http://www.letras.mus.br/paulinho-do-cavaco/saudades-dos-meus-botequins/

No Bip Bip:


Guia de bares do Rio de Janeiro onde se bebe com democracia e respeito
Bares e democracia: para quem prefere gastar o suado dinheiro e beber onde se respeitam a diversidade, as utopias e os cantos de Lula livre e Marielle vive.
Fonte: Bares bacanas, Rede Brasil Atual

30 novembro, 2019

O Brasil em imagens

Vamos com calma. Uma vítima imagem de cada vez.
O sequestrador, que está em um bar na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, libertou há pouco o quarto refém. Outras três pessoas permanecem retidas pelo criminoso no interior do estabelecimento, sendo dois homens e uma mulher.
O sequestro começou por volta das 15h desta sexta-feira (29), quando um homem entrou no bar armado com uma faca.
A última pessoa libertada foi este senhor, que sai com uma cerveja (casco escuro) na mão e o sorriso no rosto.
O Fluminense, 29/11/2019 20:16

"O Brasil não é para principiantes."
~ Tom Jobim

05 setembro, 2019

Acendedores de lampiões, por Debret

Esta aquarela de Jean-Baptiste Debret mostra o sistema de iluminação pública do Rio de Janeiro, na primeira metade do século 19, à base de óleo de baleia.


O desenho dá uma ideia de como era o serviço de iluminação pública no Rio, antes do advento do gás. Dois negros escravos, um descendo o lampião suspenso na fachada de uma casa, na antiga Rua da Ajuda, e outro trazendo à cabeça, enorme canjirão de óleo de baleia com o respectivo funil, preparam um candeeiro de quatro mechas para servir à noite.
Com as primeiras "minas" de petróleo sendo descobertas no Brasil, o óleo de baleia deixou de ser utilizado como fonte de energia para a iluminação pública, a partir da década de 1870, embora a função de acendedor de lampiões continuasse a existir nos tempos da iluminação com derivados do petróleo.

ANP. Petróleo e Estado. Rio de Janeiro: 2015. 310p. Arquivo PDF

O acendedor de lampiões 1 2

27 fevereiro, 2019

Temas cearenses no carnaval carioca de 2019

Das 14 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro que desfilarão nos dias 3 e 4 de março de 2019 na Marquês de Sapucaí, duas vão se apresentar com temas cearenses.
União da Ilha, que levará para a Sapucaí "A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu", tendo como enredo um encontro (ficcional) entre dois ícones da literatura cearense: Raquel de Queirós (1910-2003) [1] [2] e José de Alencar (1829-1877).
Paraíso do Tuiuti, a escola vice-campeã do carnaval do ano passado, que levará para a Avenida o enredo "O salvador da pátria", sobre a história do bode Ioiô.
Figura folclórica da cultura popular cearense, Ioiô costumava perambular pelas ruas centrais da cidade, na companhia de boêmios e escritores que frequentavam os bares e cafés ao redor da Praça do Ferreira, antigo centro cultural da capital, e que lhe davam cachaça para beber. Em 1922, o bode foi eleito "vereador" como forma de protesto à política local. Segundo conta a história popular, recebeu o nome de "Ioiô" por percorrer sempre o mesmo trajeto, definido entre a Praça do Ferreira e a Praia de Iracema.
Imagem: Foto do bode Ioiô empalhado e exposto no Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51 - Centro de Fortaleza).
Ler mais: http://www.ceara.com.br/cepg/h40.htm
04/03/2018 - Atualizando ...
Num trecho do enredo, o carnavalesco Jack Vasconcelos explica:
"Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!".
O texto que explica o enredo também cutuca a Lava Jato de Sergio Moro, ao tratar da forma como Lula foi condenado: "Não posso provar, mas tenho total convicção da autenticidade de tudo o que a ele atribuíram…".
Quem ler a sentença de Sergio Moro não encontrará a descrição de conduta criminosa nem a apresentação de provas de crime.
Fatos indeterminados…
Desta vez, Jack Vasconcelos foi buscar a história de um bode popular para, metaforicamente, passar a mensagem que o Brasil precisa entender.
Leia a íntegra deste artigo no DCM.

10 março, 2018

Observatório da Intervenção

OBJETIVO GERAL
Criar um Observatório para acompanhar e divulgar os desdobramentos, impactos e violações de direitos decorrentes da intervenção federal no Rio de Janeiro.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Acompanhar os fatos e desdobramentos da intervenção
  • Identificar, reunir, documentar e divulgar violações de direitos em favelas e bairros
  • Divulgar análises dos resultados da intervenção
  • Mobilizar entidades, lideranças comunitárias, ativistas e jornalistas atuantes nos temas de segurança pública e política de drogas na criação de uma rede apoiadora das ações do Observatório
  • Verificar o impacto da intervenção nas cenas abertas de consumo de crack e de outras drogas
CONTEXTO
Em 16 de fevereiro de 2018, o governo federal decretou uma intervenção na área de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Como interventor, foi designado um general do Exército, que passa a ter comando direto sobre as polícias estaduais e sobre a Secretaria de Administração Penitenciária até 31 de dezembro desse ano. A medida tem caráter de excepcionalidade em relação ao Estado de Direito e suscita dúvidas sobre sua constitucionalidade. Experiências anteriores no Rio de Janeiro e no Brasil mostram que iniciativas como essa não apenas são ineficazes, como resultam em graves violações de direitos, sobretudo de moradores de favelas e periferias.
Diante do cenário, o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania não vê possibilidade de "contribuir" com o interventor federal ou com projetos resultantes da intervenção. O Observatório não tem o sentido de colaborar com a intervenção na criação de propostas na área de segurança; pelo contrário, avalia que os problemas de segurança do Rio de Janeiro, especialmente nas áreas mais vulneráveis da cidade, tenderão a se agravar. O que nos move, portanto, é a intenção de difundir para a sociedade análises objetivas sobre os impactos da intervenção e de contribuir com a mobilização de parceiros que já dedicam suas instituições e vidas à luta contra a violência, as injustiças e a discriminação das favelas.
Usaremos as ferramentas e os parâmetros acadêmicos, técnicos e científicos que balizam há dezoito anos nossas práticas de pesquisas e projetos na área de segurança, violência, polícia e justiça e asseguramos que os resultados do trabalho do Observatório corresponderão rigorosamente aos fatos, impactos, desdobramentos e denúncias de violências efetivamente decorridas da intervenção.
O Observatório pretende ser uma fonte consistente e confiável de consulta, aberta aos interessados em conhecer e entender a intervenção. Também gostaria de ser um espaço de encontro de parceiros e pessoas que se dedicam a preservar a vida, os direitos e a democracia na metrópole.
Site: https://www.ucamcesec.com.br/projeto/observatorio-da-intervencao/. Ler mais.

O Cristo Redentor usando binóculo e megafone criado pelo cartunista Laerte é o símbolo provocativo do Observatório da Intervenção, uma das iniciativas surgidas para monitorar os militares que assumiram o controle da segurança no Rio de Janeiro.

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15/03/2018 - Hashtag #MariellePresente
Vereadora Marielle Franco denunciou atrocidades cometidas por bandidos vestidos de farda, e pagos com o nosso dinheiro, contra moradores do Acari. Hoje ela foi assassinada em pleno centro da cidade. ~ Jornalistas Livres
Marielle não será esquecida, e os jornais do mundo também vão contar o que aconteceu hoje. ~ Mídia NINJA
Durante sessão solene em memória da vereadora Marielle Franco, solicitei a criação de uma comissão externa para acompanhar a investigação sobre seu assassinato e para que esse crime não fique impune. ~ Jean Wyllys
Execução de Marielle Franco repercute no parlamento europeu. ~ Erika Kokay
Não é agenda política. Não é "esquerdizar uma morte". Deixem de ser burros. Uma vereadora foi executada na democracia. Executada. Não assaltada. O autor desse crime pode não ser quem vocês chamam de bandido, mas justamente quem vocês chamam de herói. ~ Pedro Vilanova
O dia em que o Rio de Janeiro parou: dezenas de milhares de pessoas lotam a Cinelândia neste momento em memória de Anderson e Marielle. ~ Gregorio Duvivier
Tristes dias para o país onde uma defensora dos direitos humanos é brutalmente assassinada. Lamento e repudio a morte da ativista Marielle Franco, vereadora pelo PSOL, e de Anderson Pedro Gomes, seu motorista. ~ Dilma Rousseff

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17/03/2018 - Anônimo
Não sei por que tanta comoção pela morte de Jesus. Ficava andando com pobres, desocupados e prostitutas. Quando morre um soldado romano ninguém fala nada.

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20/03/2018 - A Permuta dos Santos, Roda Viva e Gota d'Água
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14 novembro, 2012

Um tomógrafo tematizado e humanizado

A Prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou este ano no Hospital Municipal Jesus, em Vila Isabel, um tomógrafo decorado como se fosse um submarino. Ele fica em uma sala ambientada como um oceano, de modo a tentar tornar o exame mais humanizado e menos assustador para as crianças. Os sons e luzes teatralizadas e suaves ajudam a criar a ambientação deste projeto concebido por Gringo Cardia.
Fonte: Paula Rizzo, Cool*ruja


27 abril, 2012

O lar singular de Jorge George

Conto

No ano fiscal de 1972, Jorge George morou no Rio. Mais precisamente: Jorge George morou no elevador social de um edifício na Prado Júnior, nas proximidades do Beco da Fome. Um elevador espaçoso (aliás, sobejamente espaçoso se atentarmos para o fato de que não botavam forro de proteção em dia de mudança), com a capacidade máxima para oito pessoas e que contava com uma razoável assistência técnica. Jorge George sonhava ser cidadão de Copacabana e sucedia que, àquela freguesia, só havia aquele elevador cabível no orçamento. Era pegar ou... usar as escadas de um prédio. Ah, os bons tempos bicudos...
A princípio, Jorge George enfrentou a incompreensão dos moradores do edifício. Um deles, por sinal o mais iracundo, era Severino, do 403. Ele, mulher e filhos totalizavam oito "paraíbas", a capacidade máxima do elevador como já vimos; mas, com Jorge George dentro... Por isso, antes que alguém fosse ao fundo do poço, Jotagê, o nosso cuidoso Jorge George, se prontificou a sair do ascensor, sim, toda vez que a ponderável família Severino do utiliário precisasse. E se alguém mais falava contra sua permanência no elevador, sem tardamento Jotagê o punha cativo. Não com palavras, mas com atos. Como, por exemplo, o de pagar rigorosamente em dia a taxa de condomínio.
[...]
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15 julho, 2011

Vulcões no Brasil

Se você depende da crença de que não existem vulcões no Brasil para sustentar algum tipo de ufanismo vai se decepcionar com o que eu vou afirmar. Existem vulcões no Brasil.
Como o Pico do Cabuji, também conhecido como Peito de Moça, que fica no município de Angicos, Rio Grande do Norte. No caminho entre Natal e Mossoró, e há quem diga que ele, com seus 590 metros de altitude, é o verdadeiro Monte Pascoal. Bem, como é um Peito de Moça que já mirrou (desde o Holoceno), é melhor eu seguir viagem.
À ilha de Trindade, que tem numerosos centros vulcânicos. A cerca de 1200 quilômetros da costa do Estado de Espírito Santo, e com íngremes paredões, essa ilha só pode ser visitada de helicóptero. E uma pequena guarnição da Marinha brasileira que vive por lá diz nunca ter visto sinais de atividade vulcânica. Precisaria ter residência fixa na ilha há 40 mil anos para ter pisado na lava ainda quente.
Ah, o Vulcão de Nova Iguaçu! Situado no município de mesmo nome no Rio de Janeiro, este vulcão está completamente extinto. Aliás, pode até não ter existido. As comunidades acadêmicas estão divididas e mantêm há anos acaloradas discussões sobre a realidade do vulcão, indo das placas tectônicas ao fluxo piroclástico. Etc. A mim pouco importa que grupo vá ganhar a contenda, eu não preciso deste vulcão para acendrar (sinônimo de limpar com cinzas) a alma do meu Brasil varonil.
Não muito longe de Nova Iguaçu, mais precisamente na capital do Estado, é onde eu encontro finalmente o meu argumento a fortiori. Ocorre no Rio de Janeiro a maior concentração de vulcões do mundo. A cidade tem centros vulcânicos para islandês nenhum botar defeito. Disfarçados de bueiros da Light, eles explodem a todo instante pela cidade, inquietando a população. E basta uma centelha num desses hot points para garantir a sua ignição.

Paulo Gurgel

07 abril, 2011

Massacres em escolas e universidades

Nos últimos quinze anos, escolas e universidades foram palco de tiroteios e massacres. Veja quais foram os mais graves incidentes do tipo:

ABRIL DE 2011 - REALENGO (RIO DE JANEIRO), BRASIL
MARÇO DE 2010 - FUJIAN, CHINA
FEVEREIRO DE 2010 - ALABAMA, ESTADOS UNIDOS
MARÇO DE 2009 - WINNENDEN, ALEMANHA
SETEMBRO DE 2008 - KAUHAJOKI, FINLÂNDIA
FEVEREIRO DE 2008 - CHICAGO, ESTADOS UNIDOS
FEVEREIRO DE 2008 - BATON ROUGE (LOUISIANA), ESTADOS UNIDOS
NOVEMBRO DE 2007 - TUUSULA, FINLÂNDIA
ABRIL DE 2007 - VIRGÍNIA, ESTADOS UNIDOS
OUTUBRO DE 2006 - PARADISE (PENSILVÂNIA), ESTADOS UNIDOS
SETEMBRO DE 2006 - MONTREAL, CANADÁ
MARÇO DE 2005 - MINNESOTA, ESTADOS UNIDOS
SETEMBRO DE 2004 - CARMEN DE PATAGONES, ARGENTINA
SETEMBRO DE 2004 – BESLAN (OSSÉTIA DO NORTE), RÚSSIA
ABRIL DE 2002 - ERFURT, ALEMANHA
ABRIL DE 1999 - DENVER (COLORADO), ESTADOS UNIDOS
MARÇO DE 1996 - DUNBLANE, ESCÓCIA

Fonte: BBC
Sargento Márcio Alves, 38: evitou
que a tragédia na Escola Tasso da Silveira
em Realengo, RJ, tivesse sido ainda pior.