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13 junho, 2026

Aversão estética

Esta imagem é uma ilustração histórica da revista britânica "Punch", publicada em 17 de fevereiro de 1877, satirizando as modas da época.
A cena retrata um diálogo social sobre "verdadeiro refinamento artístico", com foco nas cores vibrantes de roupas femininas.
O texto menciona a aversão de um personagem aos novos corantes sintéticos derivados do alcatrão de hulha, populares na época por produzirem cores intensas como malva e magenta.


Anfitrião:
"Vamos descer para a ceia, Sr. Mirabel. Permita-me apresentá-lo à Srta. Chalmers."
Sr. Mirabel:
"Sei. É a jovem alta ao lado de sua esposa!"
Anfitrião:
"Sim. Ela é a garota mais charmosa que conheço."
Sr. Mirabel:
"Eu não duvido. Mas... ah, como me afetam os corantes sintéticos, você não sabe! Eu realmente não poderia descer para a ceia com uma jovem que usa guarnições malva na saia e fitas magenta no cabelo!"
Anfitrião:
"Sim, ela é a garota mais charmosa..."

02 maio, 2026

Patriotismo cego

Uma nova escultura de Banksy parece mostrar um homem cego pela própria bandeira.
Instalada recentemente em Waterloo Place, em Londres, a obra mostra um homem de terno dando um passo à frente do seu pedestal, enquanto uma grande bandeira cobre-lhe completamente o rosto. A figura parece confiante, mas o próximo passo, que o leva ao vazio, transforma o momento seguinte em algo inseguro.
Vem atraindo os fãs locais e, através da mídia e da internet, os seus admiradores por todo o mundo. Como costuma acontecer no que diz respeito às obras que ele faz com forte teor político.


Bansky no Blog EM:

14 outubro, 2022

Espelhos mágicos - 1

1 de 3
John Dee (retrato) era um tipo histórico de Jekyll e Hyde - gigante intelectual ou charlatão sombrio, dependendo do seu ponto de vista. Nascido em 1527, quando a Inglaterra estava gostando desse florescimento da arte (a qual chamamos de Renascimento), ele treinou com a cientista e fabricante de instrumentos técnicos Gemma Frisius, em Lovaina, nos Países Baixos e passou a ser um distinguido matemático.
Conselheiro pessoal e escritor oficial de "documentos de posição" técnicos sobre assuntos de política de navegação e marítima para a Rainha Elizabeth I, sua opinião foi buscada pelo governo Tudor no investimento em novas tecnologias e projetos para farejar metais.
O prefácio de Dee para a primeira edição em língua inglesa dos "Elementos de Geometria", do matemático grego Euclides (1570), editado por Sir Henry Billingsley, é considerado uma referência histórica nas aplicações da matemática pura em ciência e tecnologia.
Por outro lado, Dee associou-se a "skryvers" de má reputação, ou médiuns espirituais, como William Backhouse e Edward Kelley, e era amplamente conhecido em sua vida como um "conjurador notório". (*) Ele lançou horóscopos, mergulhou na alquimia e participou de elaboradas tentativas de adquirir conhecimentos consultando espíritos convocados com auxílio de bolas de cristal, feitiços e encantamentos derivados de manuscritos misteriosos.
1580. John Dee tornou-se um dos poucos plebeus visitados pela rainha Elizabeth. Poucas horas depois da morte da segunda esposa de Dee, a rainha e todo o seu conselho privado apareceram à sua porta. Dee tentou entretê-la usando o "espelho mágico" que ele havia recebido de Sir William Pickering, que antes fora o pretendente de Elizabeth. O espelho, feito de obsidiana altamente polida (vidro vulcânico), foi um dos muitos objetos e tesouros mexicanos trazidos para a Europa após a conquista do México por Cortés, entre 1527 e 1530.
Dee se tornou um "mágico" de cultura popular. Ele faz uma aparição no filme "Jubilee" (Jubileu), de Derek Jarman, concedendo a Elizabeth I uma visão de como será Londres na década de 1970.

(*) O biógrafo Benjamin Woolley juntou as evidências muitas vezes contraditórias dos restos fragmentários sobre a vida de Dee com considerável circunspecção, para que o leitor possa decidir por si mesmo em qual Dr Dee eles preferem acreditar. "The Queen's Conjuror: The Science and Magic of Dr Dee", por Benjamin Woolley. 394p. HarperCollins

Extraído de: The science of spiritualism, por Lisa Jardine, The Guardian

(Seria de obsidiana o espelho utilizado pela madastra da Branca de Neve?)

13 fevereiro, 2021

O mercado aberto

Até a década de 1990, era considerado legal comprar bens roubados no Mercado de Bermondsey (Caledonian Market), em Londres, sem medo de processos judiciais.
O mercado operava sob a antiga lei de "marché ouvert", ou "mercado aberto", um conceito jurídico medieval que permitia a venda aberta de bens roubados em mercados designados de uma cidade.
A ideia era que, se você fosse roubado e não verificasse se sua propriedade roubada estava sendo vendida em um mercado local, então você não estava tomando medidas razoáveis ​​para recuperá-la.
Surpreendentemente, o Mercado de Bermondsey operou sob essa lei até 1994, quando uma pintura roubada de Joshua Reynolds foi vendida por 100 libras e o comprador evitou a acusação de ter adquirido bens roubados, argumentando que a venda estava sujeita a essas regras.
A brecha já foi abolida.

Bermondsey (Caledonian Market), 1950

"Nemo dat quod non habet", que significa "ninguém dá o que não tem", é o conceito jurídico atualmente aplicado. Às vezes, chamado apenas de "nemo dat", trata-se da regra que afirma que a compra de uma posse de alguém que não tem o direito de propriedade também nega ao comprador qualquer título de propriedade.

10 janeiro, 2021

A ponte (en)rolante de Heatherwick

Instalada em agosto de 2004, a Rolling Bridge atravessa uma entrada do Grand Union Canal, em direção à bacia de Paddington, em Londres. A princípio, a ponte rolante parece discreta: uma passarela simples de aço e madeira. Para permitir o acesso de um barco a ser ancorado na entrada do canal, é que ela se curva lentamente até que suas duas extremidades se encontrem, formando uma escultura octogonal que fica em um dos lado do canal. A ponte, de doze metros, é feita de oito segmentos triangulares, que se dobram um para o outro. A unidade principal escondida no subsolo alimenta os aríetes hidráulicos dentro dos parapeitos da ponte, que dobram o corrimão. É isso que permite que a ponte se enrole.
Toda quarta e sexta-feira, ao meio-dia, e aos sábados, às 14h, a equipe da Merchant Square delicia visitantes e pessoas que moram e trabalham em Paddington, demonstrando a Rolling Bridge em ação.



INTERNAUTAS TRAVAM A BATALHA DA PONTE
— A única falha é o objetivo.
— O objetivo é inspiração, escultura, arte com função e design inovador e impressionante. É e sempre será um ponto de discussão fantástico para moradores e turistas. Vê-la funcionando é um deleite absoluto e traz sorrisos aos rostos de pessoas de todas as idades. A arte não precisa ser útil - como essa peça o É, mas isso é apenas um bônus.
— Há barcos por lá, portanto a ponte é apenas para as pessoas chegarem ao outro lado, quando não há barcos passando naquele momento em particular.
— Barcos em 3 polegadas de água? Olhe para os gansos em pé ao fundo.
— Seria mais divertido de usar se a ponte dobrasse sobre uma pequena ilha, onde as pessoas pudessem ficar presas por algumas horas se não saíssem a tempo!

03 julho, 2019

O projeto da piscina infinita de Londres

Piscinas infinitas são um marco de resorts à beira-mar e hotéis de alto padrão - mas você provavelmente não viu um assim. A Compass Pools está planejando construir uma piscina infinita no topo de um arranha-céu de 55 andares em Londres, proporcionando uma visão de 360 ​​graus do horizonte.

Mas há um problema: as pessoas estão confusas sobre como se vai entrar e sair da piscina. Algumas, no Twitter, compararam o projeto a um experimento em "The Sims" que deu errado. (*)
O site da Compass Pools diz que os nadadores usariam uma escada em espiral "baseada na porta de um submarino" que se elevaria do piso da piscina.
Alex Kemsley, designer de piscinas e diretor técnico da Compass Pools, disse ao BUSSINESS INSIDER, que a escada funcionaria como "um tubo em um tubo".
"O primeiro tubo seria para 'cortar um caminho' através da água e criar uma eclusa de ar", disse Kemsley. "O segundo, para levar uma escada até o nível da água." A empresa optou por não adicionar escadas ao exterior do edifício porque isso iria estragar a vista.
Kemsley acrescentou que a escada seria controlada por um controlador lógico programável para garantir que todas as travas e válvulas operem no momento correto.
Mas isso não impediu que os espectadores especulassem sobre outras formas (heterodoxas) como os nadadores entrariam e sairiam da piscina.

(*) "Em vez de piscinas, escolhemos desenvolver novas funcionalidades no modo construção: manipulação direta, construir a casa divisão por divisão e poder trocar facilmente as vossas divisões personalizadas, para tornar o ambiente imediato mais relacionado e interativo para o vosso Sim". Explicação da Electronic Arts aos fãs de The Sims, versão 4.

17 abril, 2019

O banco de Camden

Segundo o site Futility Closet, o bairro londrino de Camden desaprovou de uma forma consagradora este banco de concreto. Ele foi projetado em 2012 pelos designers da Factory Furniture para impedir o sono, o skate, o tráfico de drogas, o graffiti e o roubo.
Sua superfície desencoraja qualquer atividade (exceto sentar-se), repele a tinta, não contém fendas ou esconderijos, e ele pesa duas toneladas.
O resultado foi chamado de uma "obra-prima do design desagradável", um "anti-objeto perfeito", definido "muito mais pelo que não é do que pelo que é", um "exemplo de arquitetura hostil"  e, como se isso tudo não bastasse, "opressiva para os sem-tetos".


Se desencoraja os skatistas é discutível.

03 abril, 2019

Construindo o Impossível

O holandês Cornelis Jacobszoon Drebbel (1572 - 7 de novembro de 1633) foi o construtor do primeiro submarino navegável.
Em 1620, usando o projeto de William Bourne, de 1578, ele fabricou para a Marinha Real Inglesa um submarino dirigível com uma estrutura de madeira coberta de couro. Entre 1620 e 1624, Drebbel construiu e testou com sucesso mais dois submarinos, cada um maior que o anterior.
O modelo final (terceiro) tinha 6 remos e podia transportar 16 passageiros. Este modelo foi demonstrado para o rei James I pessoalmente e para os vários milhares de londrinos que se aglomeraram nas margens do rio Tâmisa. O submarino ficou submerso por três horas e pôde viajar de Westminster até Greenwich e voltar, a uma profundidade de 12 a 15 pés (4 a 5 metros). Drebbel até levou James neste submarino em um dos testes de mergulho, fazendo de James I o primeiro monarca a viajar debaixo d'água.


Este submarino foi testado muitas vezes no Tâmisa, mas não o bastante para atrair o entusiasmo do almirantado e nunca foi usado em combate.
Mais recentemente, foi sugerido que os relatos contemporâneos de seus testes continham elementos significativos de exagero e o submarino era, no máximo, um semi-submersível capaz de viajar no Tâmisa pela força da correnteza.
Em 2002, o construtor de barcos Mark Edwards construiu um submarino de madeira baseado na versão original de Drebbel. Este submarino do construtor britânico foi exibido no programa de TV Building the Impossible (BBC) do mesmo ano.
[https://en.wikipedia.org/wiki/Cornelis_Drebbel]

14 outubro, 2018

Arte picotada

A mulher que adquiriu "Menina com Balão" por um milhão de libras esterlinas (cerca de cinco milhões de reais), em uma casa de leilão em Londres, decidiu ficar com o quadro mesmo após ter sido este parcialmente destruído. O criador da obra, Banksy, havia instalado um picotador de papel no interior da moldura. E, assim que o martelo foi batido no leilão, o quadro começou a deslizar pela moldura, tendo sido cortado em tiras para a surpresa de todos.
A adquirente vai deixá-lo do jeito que ficou. Para especialistas em arte, a "pegadinha" paradoxalmente ajudou a valorizar o quadro que agora é cotado pelo dobro do preço que alcançou no leilão.
https://twitter.com/i/moments/1051085500042366976

Bansky é um artista de rua britânico. Num graffiti que desenhou no campo de refugiados de Calais, França, ele retratou Steve Jobs, com um saco às costas e um computador Macintosh na mão. A imagem era para lembrar que, se tivessem fechado as fronteiras ao pai de Steve Jobs, um imigrante sírio, a Apple provavelmente nunca teria existido.

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21 agosto, 2018

Direitos autorais perpétuos

Em 1929, James Barrie doou todas as receitas com Peter Pan para o Great Ormond Street Hospital for Children, em Londres. Depois que Barrie morreu em 1937, os direitos autorais se tornaram uma importante fonte de receita para o hospital. Normalmente, no Reino Unido, um direito de autor dura até 50 anos após a morte do autor, então Peter Pan entrou no domínio público, no final de 1987.
Mas, em 1988, o governo acrescentou uma alteração especial à lei que rege a propriedade intelectual:
"As disposições do Anexo 6 ​​têm o efeito de conferir aos curadores, em benefício do Hospital for Sick Children, o Great Ormond Street Hospital, de Londres, os royalties da exibição, publicação comercial, transmissão ou inclusão em programa a cabo da peça Peter Pan, de Sir James Matthew Barrie, ou de qualquer adaptação deste trabalho, não obstante o direito de autor da obra ter expirado em 31 de dezembro de 1987."
Assim, de um modo exclusivo, o menino que não queria crescer tem direitos autorais que nunca expirarão - de acordo com a lei do Reino Unido, e que se prolongarão perpetuamente a partir de 1988.

Jonathan Balley  traz todos os detalhes em PT - Plagiarism Today.

30 maio, 2018

Paisagens áridas

A Polícia Metropolitana de Londres acredita que seu software de inteligência artificial (AI) será útil na tarefa de detectar imagens de abuso infantil nos próximos dois ou três anos. Mas, em seu estado atual, o sistema não consegue distinguir a diferença entre uma foto de um deserto e uma foto de um corpo nu.
A polícia londrina já se baseia na AI para ajudar a flagrar conteúdo incriminatório em dispositivos eletrônicos apreendidos, usando o software de reconhecimento de imagem para escanear imagens de drogas, armas e dinheiro. Mas quando se trata de nudez, o sistema não é confiável.
"Às vezes, surge um deserto e o sistema interpreta como uma imagem indecente ou pornografia", afirmou para The Telegraph, Mark Stokes, chefe do departamento de eletrônicos e digitais da polícia. "Por algum motivo, muitas pessoas têm protetores de tela com imagens de desertos e ele detecta-os 'pensando' que é a cor da pele".


Mesmo quando os seres humanos supervisionam os sistemas automatizados os resultados são imperfeitos. No ano passado, um moderador do Facebook removeu uma fotografia vencedora de Pulitzer de uma jovem nua que foge do local de ataques de napalm durante a Guerra do Vietnã, que teria sido sinalizado por um algoritmo. A empresa mais tarde restaurou a imagem e admitiu que não era pornografia infantil.
As máquinas não têm a capacidade de entender as nuances humanas, e o software do departamento ainda não demonstrou que pode mesmo diferenciar com sucesso o corpo humano de paisagens áridas. E, como vimos com a controvérsia da fotografia ganhadora do Pulitzer, as máquinas também não são ótimas para entender a gravidade ou o contexto das imagens nuas de crianças.

26 maio, 2018

O gafanhoto dourado

Oficialmente aberto pela rainha Elizabeth em 1571, o edifício da Royal Exchange foi construído por Sir Thomas Gresham para tornar disponível um lugar de negociação para os comerciantes. Durante o século 17, no entanto, os corretores de ações foram proibidos de entrar na Royal Exchange, devido a seus maus modos, e foram forçados a operar a partir de outros edifícios nas proximidades.
O prédio original foi destruído no Grande Incêndio de Londres e, projetado por Edward Jarman, foi substituído por outro edifício que abriu em 1669.
Infelizmente, a segunda versão foi destruída em outro incêndio, em 1838.
O terceiro e atual prédio da Royal Exchange foi projetado por William Tite, sensivelmente imitando a arquitetura do original de Gresham e, ao mesmo tempo, incorporando um projeto clássico inspirado no Panteão de Roma.
O gafanhoto de cobre dourado que faz as vezes de um catavento no topo do Royal Exchange incrivelmente sobreviveu aos dois incêndios. Sir Gresham, que usava o gafanhoto (não esse) como uma insígnia da família, considerava-o um símbolo da boa sorte.

http://www.dorothearestorations.com/case-studies/royal-exchange-grasshopper-weather-vane
https://lostcityoflondon.co.uk/tag/royal-exchange/


Aos tempos bicudos

06 junho, 2017

Um pouco de normalidade

Depois dos mais recentes ataques terroristas que deixaram 7 mortos e 48 pessoas feridas em Londres, no último sábado, uma foto inusitada ganhou destaque nas redes sociais. A imagem que mostra um grupo de pessoas correndo da cena de terror – entre elas, um homem com um copo de cerveja na mão.

Pessoas fugindo #LondonBridge, mas o cara da direita não é de derramar uma gota. Deus abençoe os ingleses! @hmanella

A foto já foi retuitada mais de 38 mil vezes. O The Independent diz que as pessoas estão se identificando com a imagem porque ela traz "um pouco de normalidade a um dia horrível".

02 março, 2017

O Conhecimento

Para obter a licença os motoristas de táxi de Londres devem passar por um exame de memória punitivo que inclui 25.000 ruas e todos os negócios importantes com respeito a elas. "The Knowledge" (O Conhecimento) já foi chamado o teste mais difícil do que qualquer outro tipo no mundo, exigindo milhares de horas de estudo e uma série de exames orais progressivamente difíceis, que levam em média quatro anos para ser concluído.
O guia para potenciais taxistas diz:
Para atingir o padrão exigido para ser licenciada como um motorista de táxi "All London" você vai precisar de um conhecimento profundo, principalmente, da área dentro de um raio de seis milhas de Charing Cross. Você precisa saber: todas as ruas; conjuntos habitacionais; parques e espaços abertos; escritórios e departamentos governamentais; centros financeiros e comerciais; instalações diplomáticas; prefeituras; cartórios; hospitais; templos e locais de adoração; estádios de esportes e centros de lazer; escritórios de companhias aéreas; estações; hotéis; clubes; teatros; cinemas; museus; galerias de arte; escolas; faculdades e universidades; delegacias de polícia e sedes de empresas; tribunais civis, penais e cortes de apelação; prisões; e outros locais de interesse para os turistas. Na verdade, você precisa saber de qualquer lugar que um passageiro de táxi possa pedir para ser levado.
Curiosamente, os taxistas de Londres possuem um hipocampo que a nenhum motorista comum é dado possuir.

(Hugo J. Spiers, "Will Self and His Inner Seahorse", in Sebastian Groes, ed., Memory in the Twenty-First Century, 2016.)

Hipocampo: é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. Além disso é relacionado com a navegação espacial. Seu nome deriva de seu formato arqueado apresentado em secções coronais do cérebro humano, se assemelhando a um cavalo-marinho (do grego: hippos = cavalo, kampi = curva).

01 março, 2017

A Sra. Hora de Greenwich

por David Rooney
O Museu dos Relojoeiros (The Clockmakers' Museum) em Londres é o lar de muitos relógios maravilhosos. Numa de suas vitrines, pode-se ver um relógio de bolso com a aparência modesta e que seria fácil de ser perdido.
No entanto, tomou parte em uma história muito perto do meu coração, a história de Ruth Belville, a Sra. Hora de Greenwich (Greenwich Time Lady), cuja biografia escrevi em 2008.
O relógio de bolso em exposição no Museu dos Relojoeiros foi originalmente de propriedade de John Belville, astrônomo sênior do Royal Observatory Greenwich, que o usou entre 1836 e sua morte em 1856, depois de levar com precisão a Hora de Greenwich a uma rede de assinantes em Londres, cada um pagando uma taxa anual para receber uma visita semanal do relógio.
Em 1836, não havia melhor maneira de saber a hora certa no centro de Londres. O relógio de bolso de John Belville era o estado da arte do tempo, proporcionando o tempo com uma precisão de um décimo de segundo.
A história poderia ter terminado com a morte de John Belville em 1856. Por esse tempo, informações de horas por telégrafo começavam a surgir, fornecendo a hora exata para qualquer pessoa com o equipamento certo.
No entanto, muitos dos assinantes de John estavam dispostos a continuar com a tecnologia que conheciam e confiavam. E pediram a sua viúva, Maria, para assumir o seu negócio.
Maria Belville continuou realizando o serviço, com o mesmo relógio, por mais 36 anos, até 1892, quando decidiu se aposentar.
Novamente, o serviço poderia ter terminado ali. Por esse tempo, a hora através do telégrafo era uma tecnologia estabelecida, com empresas comerciais concorrendo pela prestação do serviço. Mas o telégrafo elétrico, embora mais moderno, não era tão preciso nem tão confiável quanto o velho relógio de bolso.
Em minha pesquisa, descobri inúmeras reclamações por escrito sobre o serviço de tempo dos Correios. Parece que a empresa tinha um monte de problemas para manter suas linhas em ordem, enquanto Maria Belville funcionava, semana após semana, regular como um relógio. Assim, quando ela se aposentou, muitos de seus assinantes pediram a sua filha, Ruth, para entrar no negócio da família.
E aqui está a parte mais surpreendente da história. Ruth Belville prosseguiu realizando o mesmo trabalho com o relógio de bolso do século XVIII, a cada semana, por mais de 48 anos.
Durante o reinado de Ruth, transcorreu a era da rádio, com a BBC a transmitir o som do Big Ben desde 1924. E o telégrafo elétrico também estendeu seu alcance e sua confiabilidade.
No entanto, ainda havia um mercado para a tecnologia mais antiga do relógio de bolso. As novas tecnologias não substituem de imediato as mais antigas. Elas podem coexistir por muito mais tempo do que poderíamos supor.
Ruth finalmente se aposentou em 1940, aos 86 anos de idade, quando a Segunda Guerra Mundial tornou impossível que ela continuasse andando pelas ruas com segurança. E o fez com uma grande sensação de melancolia por sentir que o seu tempo havia-se esgotado.
Era o fim de um notável capítulo que durou 104 anos na história da distribuição do tempo e da tecnologia em geral.
Ela faleceu em 1943.
Tradução: PGCS

https://blog.sciencemuseum.org.uk/ruth-belville-the-greenwich-time-lady/
http://www.futilitycloset.com/2016/06/06/podcast-episode-108-greenwich-time-lady/

Ver também: O despertador humano

29 janeiro, 2017

Curiosidades sobre o Big Ben

Um vídeo e algumas curiosidades no Science Channel sobre a engenharia do Big Ben, o famoso relógio de Londres que já tem mais de um século e meio de idade.



Big Ben é o nome do sino, mas acabou se popularizando como nome do relógio.
A precisão do relógio é de cerca de 2 segundos por semana.
Gasta-se uma hora e meia para dar corda no relógio.
Sua familiar melodia tem 16 notas.
O som alcança os 118 decibéis (é quase tão alto quanto a decolagem de um avião).
E a forma de  ajustar o relógio, quando há diferença com relação ao tempo oficial GMT, é por meio da colocação de moedas de centavos sobre um dos seus mecanismos até que a hora coincida.

Seu inconfundível badalar
Onde você pode ouvir e comprar: http://www.soundsnap.com/tags/big_ben (sugerido por Jaime Nogueira)

Partiu partitura

07 janeiro, 2016

(B)ar alcoólico


Um bar inaugurado em Londres, o Alcoholic Architecture (o Arquitetura Alcoólica), inovou na maneira de servir seus clientes. Além de oferecer bebidas alcoólicas, como qualquer bar que se preza, ele disponibiliza para seus frequentadores uma "nuvem de álcool", apelidada de "drinque respirável". Trata-se de um vapor que mistura álcool e energético numa proporção de 1:3. Os efeitos são bastante fortes, pois o álcool é absorvido pelo corpo humano através dos pulmões, olhos e pele. Dessa forma, ele entra diretamente na corrente sanguínea, sem passar pelo fígado (onde seria metabolizado), o que acentua seus efeitos sobre o cérebro. Por isso, os clientes só têm autorização para ficar 50 minutos desfrutando da citada "nuvem".
Não se sabe, porém, se o bar será uma nuvem passageira. Psiquiatras ouvidos pelo jornal The Independent já se mostraram totalmente contrários a essa novidade.
E o Dr. Niall Campbell, um especialista em dependência de álcool, do Hospital Priory, em Roehampton, foi ainda mais contundente:
"A última coisa que este país precisa é de uma outra maneira de alcoolizar-se."

19 setembro, 2015

De utilidade lúdica

Aqui tendes um link para ver a faixa de pedestres mais famosa do mundo: Abbey Road, Londres. Com imagem, som, informações de hora e temperatura locais – tudo transmitido por uma câmera 24 horas.

O cruzamento é uma festa. Graças aos turistas que, a todo instante, lá comparecem para viver a "experiência Beatles".

Uma crônica de Alberto Villas, publicada em CartaCapital.

24 julho, 2015

Os ladrões de livros de Londres

Na década de 1990, Londres foi um reduto de notórios ladrões de livros. Eles furtavam por encomenda para as lojas da Charing Cross Road, recebendo por seus furtos uma determinada fração dos preços de capa dos livros.
Um dos ladrões de livros mais notórios na cidade foi um homem chamado Roy Faith. Ele sempre fazia duas visitas a uma livraria. Durante a primeira, ele escolhia os livros que iria furtar e empilhava-os em algum lugar onde eles não seriam vistos. Depois de sair da loja de mãos vazias, Roy esperava por cerca de meia hora e voltava quando os vendedores estavam ocupados demais para avistá-lo. Levava apenas um minuto para Roy colocar discretamente a pilha de livros em sua enorme mochila e sair antes que alguém desse conta do furto.
Outro ladrão, conhecido como Barry, era especializado em roubar o Times Atlas. A 75 libras cada exemplar, esses atlas eram muito cobiçados pelos ladrões de livros. Mas, devido ao grande tamanho, eram difíceis de serem escondidos. Eles não cabiam em sacolas ou mochilas, porém Barry encontrou uma solução. Vestindo uma capa de chuva personalizada, com enormes bolsos no interior, ele era capaz de furtar dois atlas de cada vez.

Extraído de The book thieves of 1990s London, por Cory Doctorow. In: Boing Boing.
Recomenda-se (só a leitura)
Roubando livros, uma crônica de Roberto Gomes.

23 setembro, 2014

Correndo contra o metrô

Vídeo sobre um corredor atrevido que se propõe vencer o metrô de Londres, descendo em uma estação (Mansion House), correndo pelas ruas e subindo para a mesma composição na estação seguinte (Cannon Street).



Rapidez, porém aliada à logística. Numa cidade em que o metrô é a melhor forma de se mover, não deve haver outras duas paradas em que, correndo entre elas, o desafiante seja capaz de vencer o metrô.
Ler também
A maratonista dos metrôs

02/10/2014 - Atualizando...
Agora um homem chamado Anthony, usuário de cadeira de rodas, decidiu enfrentar o mesmo desafio. E o que você descobre, assistindo ao vídeo, é que força de vontade Anthony tem de sobra, mas certos obstáculos simplesmente não conseguem ser transpostos. O vídeo, iniciativa de The Free Help Guy, foi feito para chamar a atenção para o fato de que apenas 25 por cento das estações do metrô de Londres estão adaptadas para as necessidades dos cadeirantes. Saiu no Blue Bus.