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13 setembro, 2025

Coelhada

"Watership Down" (no Brasil, "A Longa Jornada") é o romance de estreia do autor inglês Richard Adams, publicado pela Rex Collings Ltd. de Londres, em 1972. 
Ambientado em Hampshire, no sul da Inglaterra, a história apresenta um pequeno grupo de coelhos. Embora vivam em seu ambiente selvagem natural, com tocas, eles são antropomorfizados, possuindo sua própria cultura, linguagem, provérbios, poesia e mitologia. Evocando temas épicos, o romance segue os coelhos enquanto eles escapam da destruição de sua toca e buscam um lugar para estabelecer um novo lar (a colina de Watership Down), encontrando perigos e tentações ao longo do caminho. 
Crítica 
Ao ouvir que "Watership Down" era um romance sobre coelhos escrito por um funcionário público, Craig Brown escreveu: 
"Prefiro ler um romance sobre funcionários públicos escrito por um coelho".

12 março, 2024

Réu confesso

Em 1963, Peter Reyn-Bardt matou sua esposa e a enterrou em uma turfeira (*) no Condado de Cheshire, Inglaterra. Vinte anos depois, quando um corpo foi descoberto, ele presumiu que havia sido pego e se entregou.
Ele deveria ter esperado. Uma investigação mostrou que o corpo não era de sua esposa, mas de um homem da Idade do Ferro que morreu dois mil anos antes e foi estranhamente preservado no pântano frio e ácido.
Eles condenaram Reyn-Bardt de qualquer maneira.
(https://www.futilitycloset.com/2005/10/13/the-lindow-man/)
N. do E.
(*) Turfeira é um tipo de solo, feito de turfa. Fósseis são relativamente comuns em turfeiras.

18 dezembro, 2023

Scotland Yard

A polícia inglesa não se chama Scotland Yard, mas este nome é usado como metonímia para designar a polícia metropolitana de Londres.
A alcunha vem do fato de que o edifício da primeira sede dessa unidade policial se encontrava na rua Great Scotland Yard. A rua tinha este nome porque, antes da união entre Inglaterra e Escócia, era o local da embaixada da Escócia e onde o rei da Escócia se instalava quando estava na Inglaterra.
Scotland Yard é então apenas a alcunha para uma unidade policial, e não o nome da polícia na Inglaterra.


30 junho, 2023

Capitão Boycott

Charles Cunningham Boycott nasceu em Norfolk, Inglaterra, no ano de 1832. A partir de 1850, serviu ao Exército Britânico no 39º Regimento de Infantaria. 
Em 1872, vai à Irlanda trabalhar como Agente de Terras para Lorde Erne, um latifundiário local. Boycott também cultivava suas próprias terras.
Passando por dificuldades, os camponeses locais pediram a ele uma redução em seus aluguéis. Boycott não só recusou como deu início a processos de despejo.
A Liga Irlandesa da Terra então iniciou uma campanha para proteger os inquilinos da exploração, assegurando-lhes um aluguel justo.
Quando Boycott tentou se contrapor à campanha, a Liga lançou um movimento para isolá-lo na comunidade local:
  • Os vizinhos não lhe falariam. 
  • As lojas não lhe serviriam. 
  • Na igreja, não lhe falariam nem se sentariam perto dele.
Um regimento de 1.000 homens da organização policial "Royal Irish Constabulary" foi enviado para proteger suas plantações. E o episódio todo custou ao governo britânico cerca de 10.000 Libras, para proteger as 350 Libras que valeriam sua colheita de batatas, segundo a estimativa feita pelo próprio Boycott.
Em 1947 a história do capitão Boycott foi tema do filme "Captain Boycott".

Seu nome deu origem em inglês ao verbo "boycott", que significa colocar em ostracismo. Em português: "boicote".

09 maio, 2023

O imposto da covardia

scutage (do latim scutum), escudo.
Na Inglaterra medieval, se um cavaleiro não desejasse ir lutar numa guerra, ele poderia pagar o scutage, popularmente conhecido como "imposto da covardia". O imposto, que foi iniciado pelo rei Henrique I, em 1100, permitia que os cavaleiros fossem dispensados do serviço militar em campanhas específicas. Mais tarde, o rei João, fazendo uso indevido desse imposto, passou a exigi-lo mesmo quando não havia guerras.

16 fevereiro, 2023

A epidemia dos joanetes

Um estudo pioneiro publicado no International Journal of Paleopathology demonstrou que uma grande parte da população inglesa sofreu de uma praga de joanetes, provavelmente causada por uma tendência ridícula da moda medieval.
O joanete, conhecido pela medicina como "hálux valgo", é uma deformidade da articulação que conecta o dedão do pé ao resto do pé. É doloroso e pode causar outros problemas, incluindo o equilíbrio deficiente. A condição está associada ao uso de calçados constritivos por um longo período de tempo, bem como a fatores genéticos. Hoje, muitas vezes é causada pelo uso de sapatos de salto alto.

imagem: veio daqui 

Na Idade Média, os ingleses não ligavam tanto para sapatos de salto alto, mas havia entre eles uma certa tendência da moda em direção aos sapatos com bico longo e pontiagudo, chamados de "poulaines" ou "crakows" por seu suposto local de origem, Cracóvia, Polônia. Links internos  [1] [2]
Mas, apenas saber que as pessoas naquela época faziam escolhas erradas na moda não prova que elas sofreram por isso. É aí que entrou em ação desenterrar velhos esqueletos (n = 177) para olhar seus pés.
Para saber o quão ruim era a epidemia de joanetes, os pesquisadores analisaram quatro cemitérios dentro e ao redor de Cambridge. Os enterrados no cemitério do mosteiro foram os mais afetados. Quase metade, 43 por cento, dos restos encontrados lá tinham joanetes.
O cemitério rural teve uma taxa de ocorrências muito menor, apenas três por cento, sugerindo que esses camponeses conseguiram evitar pelo menos uma praga. No geral, dezoito por cento dos indivíduos examinados tinham joanetes.

15 setembro, 2022

Dedos de salsicha

Os dedos inchados de Charles III viraram assunto na internet. E o Palácio de Buckingham, por sua vez, não divulga se há algum problema com a saúde do monarca.
Médicos ouvidos em reportagens indicam muitas possíveis causas para a inchação. Somente as relacionadas com artrites são quatro: osteoartrite, artrite reumatoide, artrite psoriátrica e gota.


Prefiro pensar numa causa mais prosaica: Música. Se Charles, por acaso, ainda estiver estudando ukulele, naquele velho ukulele feito de pote vazio de margarina.

07 agosto, 2022

Cavern Club homenageia Gil

CB - Durante a turnê internacional em que celebra os 80 anos de vida, Gilberto Gil foi agraciado com a marcação de seu nome na conhecida parede da fama do Cavern Club, em Liverpool (Inglaterra). O encontro com John David, dono do estabelecimento, onde são homenageados alguns dos grandes nomes da música, ocorreu na última quinta-feira (29/7).


(crédito: Instagram/Reprodução)
O Cavern Club é um bar temático localizado em Liverpool, cidade em que os Beatles tiveram origem. A banda costumava tocar no local e, por isso, o Cavern Club ficou conhecido como o berço do grupo. Além de ser um clube de Rock n’ Roll, o bar coleciona os nomes dos grandes artistas que passaram por lá e marcaram seus nomes em tijolos instalados no grande muro do estabelecimento. Grandes nomes da música, como Stevie Wonder, Queen, The Rolling Stones, Elton John, Rod Stewart, Oasis e Arctic Monkeys se apresentaram nesse clube.
O próprio dono do Cavern Club pediu para botar um tijolo com o nome do artista baiano na grande parede. Gil é o terceiro brasileiro (os outros são Ivan Lins e a banda Sepultura) a receber a referida homenagem.


18 abril, 2022

Proclamação e petições contra o café na Inglaterra

Proclamação
A introdução do café como bebida para os ingleses trouxe muitas mudanças em sua rotina.
Antes do café, o vinho, a cerveja e o uísque eram as principais bebidas apreciadas pelos britânicos. Com o novo hábito de beber café, os pubs foram dando lugar às casas de café, locais para falar sobre o que estava se passando e discutir como a vida deveria ser, virando febre na época.
Justamente por isso, em 1675, o rei Charles II escreveu uma proclamação decidindo que todas as casas de café fossem fechadas. Charles II acreditava que as pessoas se reuniam nesses locais para, entre um gole e outro da bebida, conspirar contra o trono. Entretanto, os donos das casas de café argumentaram e essa proclamação foi anuladaa. Mas teve sua consequência: iniciou-se o declínio das casas de café na Inglaterra.

Petições
E não foi apenas a majestade que as casas de café incomodaram. Apesar de algumas casas terem funcionárias mulheres e de que algumas delas foram, inclusive, proprietárias de casas de café (como Anne Rochford e Moll King), qualquer outra mulher que fosse vista nesses locais não era considerada "respeitável".
Com isto, em 1674, as mulheres apresentaram uma petição pedindo o fechamento das casas de café e o respectivo consumo do que elas chamaram de "uma bebida que seca e enfraquece", reclamando da virilidade masculina após o uso.
Há quem defenda que o texto, na verdade, não foi escrito por mulheres e sim, por homens, em uma produção literária, justamente criada em uma casa de café. Verdade ou não, como resposta, os homens também retornaram com uma petição, claro, defendendo o café, a qual ainda pode ser lida na íntegra aqui.

 

03 janeiro, 2021

A riqueza entricheirada

por Kabir Chibber, QUARTZ
Título original: This is the proof that the 1% have been running the show for 800 years
O status de uma família na sociedade pode persistir por oito séculos ou mais, de acordo com o estudo de dois economistas que usaram o status educacional e os sobrenomes na Inglaterra entre 1170 e 2012. São 28 gerações inteiras.
Os sobrenomes foram adotados pela primeira vez pelas classes altas da Inglaterra, principalmente os conquistadores normandos, bretões e flamengos da Inglaterra em 1066, geralmente de suas propriedades na Normandia e registrados no Domesday Book de 1086, o registro público sobrevivente mais antigo do país. Muitos desses sobrenomes persistem no topo da sociedade inglesa: Baskerville, Darcy, Montgomery, Neville, Percy e Talbot.
A presença em Oxford ou Cambridge tem uma correlação ainda mais forte. Basta considerar algumas das barreiras à entrada, como o fato de a Oxbridge (como as duas universidades são conhecidas na Grã-Bretanha) ter seus próprios exames de admissão especiais até 1986, e até 1940, os exames para Oxford incluíam um teste em latim. E isso apesar do fato de a frequência a todas as universidades britânicas terem sido gratuitas até 1986.
"O status social é mais fortemente herdado do que a altura", escreve Gregory Clark, da Universidade da Califórnia, Davis e Neil Cummins, da London School of Economics. Essa correlação permanece inalterada ao longo dos séculos. A mobilidade social na Inglaterra em 2012 foi um pouco maior do que nos tempos pré-industriais. ”
E, antes de 1902, havia pouco apoio público ao ensino universitário na Inglaterra. A maioria das bolsas de estudos foi destinada a estudantes das escolas secundárias de elite para ajudá-los a se destacar nos exames de bolsas, não por serem pobres e talentosos. Os cientistas esperavam que a expansão do apoio estatal nos anos 60 a 80 para o ensino médio e superior pudesse conter a maré dos mesmos nomes. "Não há evidências disso", disseram eles. "A elite anterior do sobrenome persistiu com tanta tenacidade depois de 1950 quanto antes."
"De fato, todas as mudanças sociais e econômicas que tomamos como garantias não fizeram diferença na correlação entre sobrenomes de elite e mais instruídos e status social. Ainda mais notável é a falta de um sinal de qualquer declínio na persistência de status nas principais mudanças institucionais, como a Revolução Industrial do século XVIII, a disseminação da educação universal no final do século XIX ou a ascensão do estado social-democrata no século XX ", disseram eles.
Este estudo não é o primeiro a mostrar como a riqueza se tornou entrincheirada. Quatz escreveu sobre como os 90% inferiores das famílias americanas não são mais ricas do que em 1986, e o exame do capitalismo por Thomas Piketty recebeu críticas arrebatadoras. Mas o trabalho de Cummins e Clark mostra até onde vai. Tradução: PGCS

Em Florença:
São quase seis séculos, o equivalente a 18 gerações.

08 julho, 2020

Poços petrificantes

Ursula Southeil (c. 1488 - 1561), mais conhecida como Mãe Shipton, foi uma profetisa inglesa. Ela nasceu em Knaresborough, Yorkshire, em uma caverna hoje conhecida como a Caverna de Mãe Shipton, que, junto com o Poço Petrificante e o parque associado, são operados atualmente como atrações turísticas. Ursula tinha a reputação de ser horrivelmente feia.
Um poço petrificante é o que dá aos objetos uma aparência de pedra. O poço de Knaresborough é o exemplo mais notável desses poços que petrificam as coisas.
Se um objeto é colocado no poço e deixado lá por um período de semanas ou meses, ele adquire um aspecto externo pedregoso. Acreditava-se que essa propriedade do poço fosse o resultado de uma magia (remember Medusa) ou bruxaria, mas se trata de um fenômeno totalmente natural, devido à deposição do conteúdo mineral incomumente alto da água seguida da evaporação desta.


Este processo não deve ser confundido com a petrificação em que as moléculas constituintes do objeto original são substituídas (e não apenas sobrepostas) por moléculas de um mineral.

08 fevereiro, 2020

A batalha das caretas

Um detalhe peculiar da Batalha de Waterloo:
À medida que o dia passava, a cavalaria francesa se tornou mais e mais desesperada, demonstrando isso com gestos ferozes e progressivamente mais acentuados a cada vez que era repelida. Os esgares e gestos dos soldados franceses tornaram-se tão marcantes que, quando o coronel, Fielding Browne dava a ordem de "preparem-se para cavalaria", os oficiais retransmitiam-na para as tropas inglesas, acrescentando: "Agora, homens, façam caretas!"
("The Prince of Wales’s Volunteers" Navy and Army Illustrated, 1899)

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Casacos vermelhos

16 julho, 2019

Inclusões na moeda britânica

Deu na BBC (12 de março de 2019):
Prof. Stephen Hawking foi homenageado com uma nova moeda de 50p inspirada em seu trabalho pioneiro em buracos negros.
O físico morreu no ano passado, aos 76 anos, tendo se tornado um dos líderes mais renomados de sua área.
Ele se junta a um grupo da elite de cientistas que aparecem em moedas britânicas, incluindo Sir Isaac Newton e Charles Darwin.
O Prof. Hawking também foi sugerido como o novo rosto da nota de £ 50, que contará com um cientista. Uma decisão será tomada no verão.

Deu no Gizmodo (15 de julho de 2019):
A decisão foi finalmente tomada.
O Banco da Inglaterra anunciou que o matemático britânico e cientista da computação Alan Turing aparecerá na nova nota de £ 50 do Reino Unido. Ele foi escolhido entre milhares de nomes que foram submetidos pelo público para a possível inclusão na moeda britânica.
Turing trabalhou em Bletchley Park e ajudou a decifrar o código Enigma nazista durante a Segunda Guerra Mundial. É creditado como tendo sido responsável por apressar, através de seu trabalho, o fim da guerra.
A citação que aparece na nota diz:
"Esta é apenas uma prévia do que está por vir, e apenas a sombra do que vai ser".

07 janeiro, 2019

O mergulhador que salvou a catedral

No início do século XX, grandes rachaduras começaram a aparecer nas paredes maciças e tetos arqueados da Catedral de Winchester. Alguns eram largos o suficiente para que corujas pudessem entrar. Os pedaços de pedra caíam no chão.
Winchester fica em um vale do rio Itchen - com muita água subjacente. Você ainda pode ver uma inclinação distinta em algumas paredes de sua extremidade leste.
Então, William Walker, um mergulhador experiente que trabalhava no estaleiro de Portsmouth, foi chamado.
A partir de 1906, Walker trabalhou sob a água abaixo da Catedral por seis horas por dia, a profundidades de até 6 metros. Ele trabalhou na escuridão total, usando as mãos nuas para sentir seu caminho através da água turva.
Seu enorme e pesado traje de mergulho demorava muito para que vestisse. Então, quando ele parava para o almoço, ele tirava apenas o capacete. Ele também, às vezes, fumava um cachimbo por achar que isso mataria algum germe.
Levou seis anos para escavar as trincheiras inundadas e preenchê-las com sacos de concreto. Quando ele terminou, todas as águas subterrâneas puderam ser bombeadas e as paredes inferiores apoiadas com segurança por pedreiros
Em 1911, uma equipe de 150 operários da qual ele fazia parte integrou as bases com cerca de 25 mil sacos de concreto, 115 mil blocos de concreto e 900 mil tijolos. Em seguida, uma linha de contrafortes imponentes foi adicionada ao lado sul da catedral e, finalmente, o prédio estava seguro.
Infelizmente, ele morreu com apenas 49 anos, durante a grande epidemia de gripe espanhola de 1918. Desde então, a história inspiradora desse homem modesto e trabalhador capturou a imaginação pública e sua fama cresceu constantemente.
Você encontrará uma pequena estátua dele em seu traje de mergulho, segurando seu enorme capacete, na extremidade da Catedral.

The diver who saved the cathedral, WINCHESTER CATHEDRAL

No diagrama acima, da Popular Science de 1912, dois homens operam uma grande bomba no nível do solo. Abaixo deles, parado em uma plataforma logo acima do nível da água, o assistente do mergulhador controla o ar e as linhas de comunicação para o mergulhador enquanto ele se move em torno da trincheira. Walker, no fundo, segura um saco de concreto que acabou de ser baixado para ele. As trincheiras eram geralmente mais longas e mais estreitas do que aqui descritas, e a água deveria ser impenetravelmente mais turva pelos sedimentos.
(https://www.futilitycloset.com/2018/03/12/podcast-episode-192-the-winchester-diver/)

11 maio, 2018

Em louvor do ar: uma poesia catalítica

Em 2014, a Universidade de Sheffield, na Inglaterra, expôs "o primeiro poema de purificação do ar no mundo". In Praise of Air (foto), quatro estrofes do professor de literatura Simon Armitage, que foram impressas em um painel de 10 por 20 metros, revestido com partículas de dióxido de titânio que usam a luz solar e o oxigênio para limpar o ar de um poluente, o óxido de nitrogênio.


"Esta é uma colaboração divertida entre a ciência e as artes para destacar uma questão muito séria, a da má qualidade do ar em nossas cidades", disse o professor de ciência Tony Ryan, que colaborou no projeto. "Este poema sozinho irá erradicar a poluição de óxido de nitrogênio criada por cerca de 20 carros todos os dias".

03 dezembro, 2017

Velozes e invasoras

Entre as bilhões de estrelas da Via Láctea algumas se movem muito mais rapidamente do que todas as outras. Estas estrelas, conhecidas como estrelas hipervelozes, não são originárias da Via Láctea, mas de uma galáxia vizinha e invadiram a nossa galáxia graças às suas velocidades extremas.
É o que diz um estudo publicado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que criou um modelo para calcular a trajetória e a velocidade destas estrelas de hipervelocidade e com isso descobrir a sua verdadeira origem: a Grande Nuvem de Magalhães.
Na Via Láctea, há pelo menos 100 bilhões de estrelas. Até a presente data, já foram descobertas 20 estrelas hipervelozes, embora estime-se que existam cerca de 10 mil delas na galáxia em que vivemos.
O estudo também estima que a Grande Nuvem de Magalhães nos envie uma destas estrelas de hipervelocidade a cada 300.000 anos ou mais.


"Na minha opinião como cidadão vialáctico, eu não gosto da ideia de que essas estrelas venham assim tão facilmente. Deveriam fazer um muro intergaláctico e que paguem os Magalhães..."

GIZMODO

Conheça nossos vizinhos
Grupo Local - É o grupo composto por mais de 54 galáxias que inclui nossa Galáxia, a Via Láctea, sendo a maioria delas galáxias anãs, com o centro gravitacional localizado entre a Via Láctea e a Galáxia de Andrômeda. As galáxias do Grupo Local cobrem uns 10 milhões de anos-luz de diâmetro e têm uma aparência binária. Os dois membros principais do grupo são a Via Láctea e a Galáxia de Andrômeda. Estas são duas galáxias espirais e cada uma tem um sistema de galáxias satélites. Andrômeda é a maior do grupo. e Via Láctea é a segunda maior, sendo possivelmente a mais massiva. A terceira e quarta são a Galáxia do Triângulo e a Grande Nuvem de Magalhães, que são satélites de Andrômeda e da Via Láctea, respectivamente. (N. do E.)

15 outubro, 2017

Ao incansável defensor do horário de verão

"A luz é uma das maiores dádivas do nosso Criador. Enquanto a luz do dia nos ilumina, a alegria reina, as ansiedades amainam e reunimos coragem para enfrentar a vida." ~ William Willett
Embora a ideia do horário de verão tenha sido especulada por Benjamin Franklin em 1784, e, muito embora o astrônomo neozelandês George Hudson tenha apresentado, em 1895, por escrito, uma proposta sobre ele à Royal Society da Nova Zelândia, é considerado William Willett o verdadeiro pai da ideia.
William Willett (10 de agosto de 1856 - 4 de março de 1915), construtor inglês. Ele afirmou ter tido a ideia (do horário de verão) enquanto fazia uma viagem de manhã, no início do verão, em Petts Wood, perto de sua casa em Chislehurst, em Londres. Ele observou que muitas persianas ainda estavam baixas, embora já existisse uma boa iluminação natural, porque muitos não atinavam com isso. Então, ele passou a usar suas economias para fazer uma campanha em favor de um esquema de ajuste dos relógios para a temporada e publicou um panfleto em 1907. Sua ideia original era fazer quatro mudanças semanais de 20 minutos cada, para um total de 80 minutos. Mas o primeiro Daylight Saving Bill, propondo uma única hora na mudança na estação, falhou em 1908.
Willett não viveu o suficiente para ver sua ideia colocada em prática. Ela só seria adotada em 1916 (um ano depois de sua morte), pela Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial, como uma medida para economizar carvão.
Atualmente, cerca de 30 países utilizam o horário de verão, pelo menos em parte de seu território. Para maioria deles, o princípio continua o mesmo sugerido por Willett: adaptação das atividades diárias à luz do Sol.
Memorial
Na cidade inglesa de Petts Wood há um memorial dedicado "ao incansável defensor do horário de verão". A inscrição sob o relógio do sol diz: "Horas non numero nisi aestivas", que quer dizer: "Não conto as horas, a menos [que sejam] de verão".
http://pballew.blogspot.com.br/2017/08/on-this-day-in-math-august-10.html#links
https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Willett

12 outubro, 2017

Os enigmas no monumento do milênio

Visite Luppitt (East Devon, Inglaterra) e resolva os enigmas que estão no monumento original do milênio.
Este monumento de granito granulado fino, uma pedra excepcionalmente dura, foi inaugurado em 31 de dezembro de 2000 - apenas a tempo para o início do verdadeiro milênio.
Conforme descrito no site a ele dedicado, os enigmas incluem:
uma pesquisa de palavras ocultas sobre mais de 30 nomes de lugares, uma ilusão anamórfica em três vias, uma ideia completamente nova baseada nos coelhos de Tinner, um antigo labirinto de uma igreja francesa, um moderno labirinto ferroviário (especialmente desenhado pelo professor Roger Penrose), um anagrama de palavras, um quebra-cabeça de letras, um quadrado mágico tradicional (SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS), criptoritmos, ratos escondidos, e outras curiosidades e enigmas.
http://puzzlemuseum.com/luppitt/lmb02.htm

26 julho, 2017

Vox populi

Em 1907, a Nature Magazine publicou um artigo de Francis Galton intitulado "Vox Populi", sobre o que hoje é chamado de "sabedoria da multidão".
Em uma feira rural em Plymouth, na Inglaterra, ocorreu um espetáculo no qual os habitantes locais poderiam adivinhar o peso de um boi a ser abatido. Os bilhetes custavam seis pences, o grande prêmio era a carcaça do animal, e parece ter havido vários prêmios menores.
Depois da votação, Galton conseguiu os bilhetes com as estimativas.
Os 787 palpites votados variaram de aproximadamente 1000 libras a aproximadamente 1500. A mediana dos palpites foi 1207 libras e o peso do boi em pé foi 1198 libras. Neste caso, mediana das estimativas (a "vox populi") ficou a 9 libras, ou 0,8 por cento, do valor observado.
Você pode quase imaginar a surpresa de Galton, que não era propriamente um fã do homem comum.

Aqui está o seminal artigo de Francis Galton, publicado em Nature (1907), No. 1949, Vol. 75, 450-451.

11/03/2018 - Atualizando ...
Vídeo: The Bean Machine
"Sempre que uma grande amostra de elementos caóticos é organizada na ordem de sua magnitude uma forma insuspeitada e mais bela de regularidade prova estar latente o tempo todo." ~ Francis Galton

17 julho, 2017

O prognosticador da tempestade

Conhecido também como o barômetro da sanguessuga, o prognosticador da tempestade (tempest prognosticator) é um invento do século XIX que o mundo está a dever a George Merryweather.
Nesta invenção, doze sanguessugas são mantidas em pequenas garrafas abaixo de um sino. Quando as sanguessugas se agitam por uma tempestade que está se aproximando, elas tentam sair das garrafas para entrar em tubos de metal e, com isso, acabam acionando um pequeno martelo que bate no sino.
A sanguessuga teria dificuldade em entrar nos tubos, mas tentaria fazê-lo se fosse suficientemente motivada pela probabilidade de mau tempo. Ao tocar o sino significaria que aquela sanguessuga individual está indicando que uma tempestade se aproxima. Merryweather referia-se às sanguessugas como seu "júri de conselheiros filosóficos" e que, quanto mais delas tocassem o sino, mais provável seria uma tempestade.
Em seu ensaio, Merryweather também observou outras características do projeto, incluindo o fato de que as sanguessugas eram colocadas em garrafas de vidro dispostas em um círculo para evitar que eles sentissem "a aflição do isolamento".
O Dr. Merryweather, curador honorário do Museu da Sociedade Literária e Filosófica de Whitby, detalhou a sensibilidade que as sanguessugas medicinais exibiam em reação às condições elétricas na atmosfera. Ele se inspirou nestas duas linhas do poema "Sinais de Chuva", de Edward Jenner: "The leech disturbed is newly risen; Quite to the summit of his prison".
Merryweather gastou muito do seu tempo, em 1850/51, desenvolvendo suas ideias e criando seis projetos a respeito de seu dispositivo "eletromagnético-atmosférico conduzido pelo instinto animal". Estes variaram de uma versão barata, que ele previu seria usado pelo governo e as indústrias navais, até um projeto bem mais caro. O design caro, inspirado na arquitetura dos templos indianos, foi feito por artesãos locais e mostrado na Grande Exposição de 1851, no Crystal Palace, em Londres.

https://en.wikipedia.org/wiki/Tempest_prognosticator - c/ imagens