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18 maio, 2025

Manoel Brigadeiro (1922 - 2015)

Nascido em Natividade (RJ), Manoel Frederico Soares foi batizado com o sobrenome dos patrões de seus ancestrais remanescentes dos tempos da escravatura.
De família pobre, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro aos 8 anos. Começou a trabalhar muito cedo, como empregado doméstico, na casa do militar Antônio Guedes Muniz, que chegou a Marechal-do-ar. A cada promoção recebida pelo patrão, os amigos, carinhosamente, também o elevavam de posto. Daí seu pseudônimo artístico: Manoel Brigadeiro.
O convívio no meio aeronáutico lhe rendeu a profissão de mecânico de aviões e um cargo no então Ministério da Viação e Obras Públicas.
Conhecido como Embaixador do Samba em Brasília (onde passou a morar desde 1974, ao ser lotado no Ministério dos Transportes), ele foi autor de cerca de cem canções que foram gravadas por nomes como Ciro Monteiro, Alcides Gerardi, Isaurinha Garcia, Carmem Costa, Jair Rodrigues e Os Velhinhos Transviados.
Um dos seus sucessos foi "Tem bobo pra tudo", em parceria com João Correia da Silva, um samba lançado em 1962 na voz de Alcides Gerardi.

25 fevereiro, 2024

Luiz Antônio (Luís Antônio) e Miltinho

Antonio de Pádua Vieira da Costa, codinome Luiz Antônio, era conhecido nas rodas de boemia do Rio de Janeiro como Coronel. O apelido vem da sua formação militar - o compositor era oficial do exército, ex-pracinha da FEB na Itália e chegou a compor o Hino da AMAN - Academia Militar de Agulhas Negras.
Luiz nasceu em 16 de abril de 1921, no Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade, aos 75 anos, no dia 1.º de dezembro de 1996. Suas músicas foram gravadas por artistas de peso, como: Dick Farney, Claudete Soares, Marlene, Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Dóris Monteiro, Cauby Peixoto, Maysa, Miltinho, Elza Soares, Linda Batista e até o Palhaço Carequinha, que gravou "O Engraxate".
Quem não se lembra das músicas "Sassaricando"...  todo mundo leva a vida no arame, "Lata d'água"... na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria, sobe o morro e não se cansa, "Mulher de Trinta"... você, mulher, que já sofreu, "Barracão" ... de zinco, tradição do meu país? 
Seu último sucesso foi "Eu Bebo sim"... e estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo, um samba bem humorado que estourou na década de setenta na voz de Elizeth Cardoso.
Fonte: http://www.drzem.com.br/2012/01/luis-antonio-compositor-de-alta-patente.html
Milton Santos de Almeida, conhecido com Miltinho (RJ, 31/01/1928 - 07/09/2014) foi um cantor brasileiro. As melhores lembranças de Miltinho devem-se à escolha do  repertório de seus discos. Canções de compositores, como Luiz Antônio, autor de alguns de seus principais sucessos. Além de "Mulher de trinta", Luiz Antônio compôs ""Menina moça", "Ri", "Poema das mãos", "Poema do adeus" e a favorita do cantor, "Eu e o Rio" ("A melodia mais linda que alguém já fez, uma beleza de letra", derretia-se Miltinho).

Ft. Baden Powell (violão)

05 julho, 2023

Heitor dos Prazeres (1898-1966)

"Este prazer que eu tenho no nome é o prazer que eu divido com o povo."
Heitor dos Prazeres, um artista de múltiplos talentos: era músico, cantor, pintor, marceneiro, estilista, figurinista e cenógrafo.
Era frequentador da casa de Tia Ciata, que reunia os mais importantes nomes do samba e do choro.
Fez 350 músicas, sendo a mais conhecida "Pierrô Apaixonado", em parceria com Noel Rosa.
Criou o cavaquinho de cinco cordas e escreveu o manual para tocar o instrumento.
Fundou a "Deixa Falar" (a mais antiga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), a "Portela" e a "Mangueira".
Expôs quadros em mostras e bienais no Brasil e no exterior.
Apesar de todas as adversidades estruturais, que tendem a diminuir a capacidade do povo negro de estar no mundo, ele foi capaz de produzir uma obra artística vasta e primorosa.

Quadro "Praça XV", de Heitor dos Prazeres (1965)

12 fevereiro, 2023

Burt Bacharach (1928 - 2023)

O lendário pianista e compositor americano Burt Bacharach, que produziu canções de sucesso por várias décadas, morreu nessa quinta-feira (9) em Los Angeles. De causas naturais.
Ele ficou conhecido por suas baladas românticas que cruzavam a fronteira entre o jazz e o pop com sofisticados arranjos orquestrais. Bacharach conquistou seis prêmios Grammy e três Oscars, e sua canção de maior sucesso foi "Raindrops keep fallin' on my head".


24 outubro, 2021

"Menesca"

O violonista e compositor capixaba radicado no Rio de Janeiro, Roberto Menescal, conhecido carinhosamente por "Menesca", completa amanhã 84 anos de uma vida dedicada à boa música.
Seu contato com a música iniciou-se por influência de sua família em 1950, quando começou a estudar piano. Alguns anos depois, ganhou um acordeão, que aprendeu a tocar sozinho, até chegar ao violão – principal instrumento da carreira de Roberto Menescal.
Estreou na música profissionalmente aos 18 anos, acompanhando a cantora Sylvinha Telles no início da sua carreira.
Foi professor de violão em uma academia musical que fundou com o amigo e músico Carlos Lyra – e foi aí que conheceu Nara Leão, que de aluna virou amiga e parceira.
Menescal compôs clássicos como "Você" e "O barquinho" (c/ Ronaldo Bôscoli) e "Bye Bye Brasil" (c/ Chico Buarque), dentre tantos outros sucessos musicais.
Como instrumentista, participou de gravações com Elis Regina (a Pimentinha), Gal Costa, Beth Carvalho, Maysa Monjardim e Claudette Soares.
Um dos maiores nomes da Bossa Nova, Roberto Batalha Menescal é um dos artistas e produtores mais atuantes do cenário musical, sendo que, além de cuidar de sua carreira pessoal, também encontra tempo para participar de projetos com outros artistas e principalmente dos novos talentos, que buscam nele inspiração.
Nesta homenagem ao grande Menescal, compartilhamos este vídeo em que o aniversariante de amanhã apresenta "O Barquinho", ao lado de nove músicos e cantores japoneses.
Parabéns, mestre Roberto Menescal!
(https://www.facebook.com/SomdoAnimal)



Aqui, contada por ele, a história de "O barquinho". Que deu pane no motor, quando ele, o Bôscoli e uns amigos pescavam no alto mar, para além das Ilhas Cagarras, eles à deriva, o dia terminando, um perigo danado e o maior perrengue.
E o som do motor do barquinho tentando ligar, com o barqueiro puxando a cordinha que fazia:
Tek, tek... tek, tek...
Tek, tek... tek, tek...
Té, té, té, té, té, té, tek...
Té, té, té, té, té, té, tek...
Dessa cadência, saiu a frase musical que virou a base da música
Dia... de luz... Festa... de sol...
(Tek... Tek... Tek... Tek...)
E o barquinho a deslizar no macio azul do mar.
(Té... té... té... té... té... té... Tek...)

09 abril, 2021

Precisamos falar de Ednardo

Ednardo, nome artístico de José Ednardo Soares Costa Sousa (Fortaleza, Ceará, 17 de abril de 1945), é um cantor/compositor brasileiro e um dos integrantes do chamado "Pessoal do Ceará". Lançou 14 álbuns musicais e fez várias parcerias, possuindo mais de 300 músicas compostas. Atuou também no cinema e teatro, criando para estes trilhas musicais. Em 1979, foi protagonista do movimento "Massafeira", que reuniu vários artistas cearenses, inclusive o poeta sertanejo Patativa do Assaré, no Teatro José de Alencar, onde foi gravado o disco homônimo. Dentre seus maiores sucessos constam: "Terral", "Longarinas", "Artigo 26", "Pavão Mysteriozo", "Enquanto engoma a calça", "A manga rosa", "Beira-mar", "Carneiro", "Lagoa de Aluá", "Flora", "Ausência" etc.
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Postagens em "EntreMentes" e "Linha do Tempo":
Terral | Enquanto engoma a calça | áudio Vicente Celestino | Art. 26 | Pavão Mysteriozo
http://blogdopg.blogspot.com/2017/09/novissimo-farol.html c/ vídeo de "Terral"
http://blogdopg.blogspot.com/2013/01/enquanto-engoma-as-calcas.html c/ vídeo de "Enquanto engoma a calça"
http://blogdopg.blogspot.com/2019/01/a-voz-orgulho-do-brasil.html c/ áudio 2 de "Rasguei o teu retrato"
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/09/o-pao.html c/ link para "Artigo 26"
http://blogdopg.blogspot.com/2020/09/pavao-mysteriozo.html c/ vídeo de "Pavão Mysteriozo"
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Comentário A batida nostálgica e processional do maracatu está presente em várias composições dele, perpassa como um referencial de resistência, grande parte de seu trabalho. Tem maracatu no "Pavão Mysteriozo", em "Longarinas", em parte de "Terral", e mais acintosamente em "Cauim", canção que inicia seus versos saudando a "Rainha preta do maracatu", e "Maracatu Estrela Brilhante".
http://ednardo.art.br/novo/materi07.php Gilmar de Carvalho
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Ednardo:
"Na recente manifestação em desapreço à democracia brasileira, foram às raias da insanidade, gritando pelo fechamento do congresso, volta de regime militar, prisões no STF e outras demonstrações de ódio extremista, e subserviência de nosso país a outros governos. Seria de se esperar em evento deste tipo. Mas então colocaram a música Pavão Mysteriozo, gravada de meu disco e com minha voz, em um dos caminhões de som para o público cantar, como se eu tivesse dando um aval."
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2021 Ednardo surpreende a internet ao contar a verdadeira história por trás de sua canção "Ausência", uma das faixas do álbum "O Romance do Pavão Mysteriozo".

O autor conta à revista Forum sobre o encontro que virou canção com a moça que morreu na guerrilha do Araguaia.

15 março, 2021

Lamartine Babo

"Quero o programa de calouros com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando, um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso."
Nonato Buzar - Chico Anysio, "Rio antigo"

Lamartine de Azeredo Babo (Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1963) foi um compositor popular brasileiro.
Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso".
Numa outra, o entrevistador pergunta qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um… Uns desejam ir ao céu… já que atuam no éter… Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter… Os pensamentos da classe são éter… ó… gênios…" - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".
E aconteceu também o caso dos correios:
Lalá foi enviar um telegrama, o telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega:
"Magro, feio e de voz fina".
Lalá tirou o seu lápis e bateu:
"Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista"

Caricatura: Evolução do estilo (década de 40), de Nássara

Arquivo:

19 janeiro, 2020

Adeus, "Menino Passarinho"

Luiz Rattes Vieira Filho (12/10/1928-16/01/2020), pernambucano de Caruaru. Compositor, cantor e radialista. Faleceu na última quinta-feira, aos 91 anos, na casa de Saúde São José, onde estava internado.
Autor de canções inesquecíveis como "Inteirinha", "Os olhinhos do menino", "Guarânia da lua nova",  "Guarânia da saudade", "Paz do meu amor", "Prelúdio para ninar gente grande", também conhecida como "Menino Passarinho", "Na asa do vento" e "Menino de Braçanã", entre outras.
Na década de 1970, Luiz Vieira comandou um programa semanal na TV Ceará.
Em 17/08/2014, apresentou-se no programa "Senhor Brasil", em que foi entrevistado por Rolando Boldrin, na TV Cultura. Na ocasião, além de contar causos e falar sobre a carreira, cantou duas de suas músicas (vídeo).



"O nosso agora pranteado e sempre grande personagem comoveu os acadêmicos da ABL ao reafirmar todo seu viés de fidelidade à autenticidade das fontes da música brasileira. Além de seu amor ao rádio e à comunicação, permanentemente à disposição do público brasileiro, junto com suas composições, por mais de sete décadas. Portanto, digo e repito: A perda de Luiz Vieira quase que encerra o glorioso elenco da Era do Rádio e do Disco no Brasil." ~ Ricardo Cravo Albin

05 agosto, 2017

O Poeta do Estácio

Luís Carlos dos Santos, compositor e cantor brasileiro
(7/1/1951 Rio de Janeiro, RJ — 4/8/2017 Rio de Janeiro, RJ)
Nome artístico: Luiz Melodia. Filho de Oswaldo "Melodia", sambista do bairro do Estácio, e Eurídice. Durante a adolescência compôs e cantou músicas, chegando a formar, com os amigos da vizinhança, o conjunto "Os Instantâneos". Participou de vários programas de calouros na rádio e na televisão. Em 1972, sua música "Pérola negra" foi gravada por Gal Costa e Maria Bethânia gravou sua composição "Estácio, holly Estácio". No ano seguinte - Luiz Melodia lançou o primeiro LP, "Pérola negra", em que registrou "Magrelinha", entre outras canções. Em 1975, foi finalista do "Festival Abertura", da TV Globo, com a música "Ébano". Em 1976 sua música "Juventude transviada" foi incluída na trilha sonora da novela "Pecado capital" (Rede Globo). Segundo o Dicionário Cravo Albin da MPB, sua obra compreende 93 composições autorais distribuídas em 27 discos.
O corpo de Luiz Melodia foi velado na tarde de ontem, na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá, no Centro do Rio. O músico morreu na madrugada desta sexta-feira (4) aos 66 anos. Ele lutava contra um câncer na medula óssea.


07 maio, 2017

Obrigado por tanta coisa boa, Belchior (1946 – 2017)

Caetano: canções de Belchior são imortais
Não é por acaso que Belchior é lembrado e louvado por gerações sucessivas. Suas canções não são das que morrem. Ele prefigurou os anos 80 em termos globais e se instalou na memória profunda da história da criação de música popular no Brasil. As pessoas que enchiam os teatros a cada reaparição do bardo cearense entendem o sentido dessa história.


Obra poética de Belchior dialogou com os Beatles e também com Bob Dylan, por Leonard Attuch
Estudante de medicina que largou tudo para se tornar músico, Belchior foi fortemente influenciado por dois ícones de sua geração: os Beatles e Bob Dylan. Belchior não deve ser apenas homenageado e reverenciado. Deveria ser estudado em todas as escolas do País como um dos maiores poetas que o Brasil já produziu.


Belchior, uma morte anunciada, por Jorge Hélio Chaves de Oliveira
Nestes tempos de profunda apreensão nacional - para ficar apenas no território do eufemismo -, a morte de um pensador urbano, um contumaz leitor de clássicos da literatura nacional e mundial, um cronista musical da migração Nordeste-Sudeste, um repórter das inquietações típicas da juventude universal soa emblemática em ambiente de tanta desesperança.


Obrigado por tanta coisa boa, Belchior (1946 – 2017), por Paulo Nogueira
E então leio que artistas fizeram uma homenagem a Belchior, o gênio perdido da música brasileira. Fico estranhamente tocado, ou não estranhamente. Belchior foi o último ídolo que eu tive na música. Eu era um adolescente quando Elis consagrou músicas de Belchior como Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais. Eu simplesmente amava Belchior, com sua voz anasalada e melancólica, suas melodias tristes embaladas em letras longas e poéticas.


Belchior me ensinou que a felicidade é uma arma quente, por Nathalí Macedo
Belchior foi o meu primeiro contato com a poesia da vida real, quando meu pai ouvia o vinil de "Coração Selvagem" em manhãs de domingo tão melancólicas quanto esta e eu me deixava fisgar, sem nenhuma relutância, pelos versos que de tão autênticos me pareciam epifanias, embora eu ainda não soubesse que se chamavam epifanias.


A morte de Belchior e a construção do estereótipo do "maluco beleza", por Wilson Roberto Vieira Ferreira
Na verdade Belchior vivia um embate ideológico-musical com a sua geração. Porém de uma forma velada e ambígua: com arranjos musicais simples e teclados muitas vezes “engraçados” (daí tentarem puxá-lo para o rótulo “brega”), mas com letras profundas e crítica ácida, revelando vasta erudição, poesia refinada, conhecedor de línguas latinas e literatura clássica.


O outro silêncio de Belchior: ele deixou o planeta, por Nonato Albuquerque
Havia sempre um ar de Edgar Alan Poe na sua essência, como alguém do passado que tivesse caído em nossos dias. O canto à la Dylan, esfaqueando os ouvidos de todos era um pedido de passagem a que o "seu mundo" se permitisse em nós. Depois, o auto-exílio, a fuga e agora esse outro silêncio.


[Também enalteceram a obra de Belchior: Alceu Valença, Ana Carolina, Elba Ramalho, Fernando Morais, Gilberto Gil, Grijalbo Coutinho, Guilherme Arantes, Raimundo Fagner, Zélia Duncan.]

Belchior - "Espacial"


Recordando Belchior

08 agosto, 2016

Romântico é uma espécie em extinção

O corpo do cantor e compositor mineiro Vander Lee foi enterrado no sábado, no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. O enterro foi marcado por forte emoção dos parentes, amigos e dos fãs que o homenagearam cantando suas canções. O músico morreu aos 50 anos, na manhã da última sexta-feira (5), de problemas cardiovasculares.
Nascido na capital mineira, Lee começou a carreira tocando em bares e teatros de Belo Horizonte e de outras cidades de Minas. Em 1996, ganhou o segundo lugar no festival Canta Minas, realizado pela TV Globo Minas, com a música "Gente não é cor". Depois da premiação, o artista começou a produzir seu primeiro disco, ainda como Vanderly. Só a partir do segundo álbum passou a usar o nome Vander Lee.
Com nove discos, entre registros de estúdio e ao vivo, o músico tinha como tema de suas canções o amor, o futebol, a espiritualidade e o cotidiano urbano. Suas canções foram também gravadas por muitos cantores como Gal Costa, Alcione, Maria Bethânia, Fagner, Elza Soares, Emilinha Borba, Leila Pinheiro, Luiza Possi, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Elba Ramalho e Regina Souza, entre outros.
Cantando e tocando violão, só ou acompanhado de uma banda, e em momentos cantando a capella, Vander Lee era um artista excepcional. De seu maravilhoso repertório, gosto especialmente de "Cafezinho com biscoito" (cujo vídeo já foi postado aqui), "Onde Deus possa me ouvir", "Sambado", "Pensei que fosse o céu", "Esperando aviões", "Alma nua" e "Românticos".



De Luis Nassif:
Há os que ambicionam a eternidade construindo empresas, golpeando instituições, lutando na arena política, com seus aspectos lúgubres, góticos, construindo castelos de cartas nos porões do poder com as armas dos subterfúgios, fazendo das sombras seu habitat, do ódio a sua arma.
E os que vêm para iluminar, para consolar, para lembrar a todos nós a necessidade da luta permanente para a consolidação dos valores da civilização, da solidariedade, da capacidade de emocionar, de superar o ódio e a intolerância.
Vander Lee veio, partiu cedo, mas deixou sua marca.
http://jornalggn.com.br/noticia/vander-lee-romanticos-sao-eternos-por-luis-nassif

11 outubro, 2010

A nível de...

O médico e escritor Aldir Blanc, letrista dos mais consagrados da MPB, falou e disse:


Principais obras musicais (com vários parceiros) de Aldir Blanc: "A nível de...", "Amigo é pra essas coisas", "De frente pro crime", "Dois pra lá, dois pra cá", "Kid Cavaquinho", "Linha de passe", "Miss Suéter", "O bêbado e a equilibrista" (Hino da Anistia), "O mestre-sala dos mares", "O rancho da goiabada", "Parati", "Plataforma", "Querelas do Brasil", "Ronco da cuíca" e "Transversal do tempo".

Postagens relacionadas: Sinal Fechado numa Transversal do Tempo e O metalúrgico e o marinheiro.

20 julho, 2007

Um hino à esperança

Paulo Soledade (1919 – 1999), compositor, era paranaense de Paranaguá. Dentre as suas composições musicais, destaca-se Estão Voltando as Flores (vê, estão voltando as flores / vê, nessa manhã tão linda), considerada por Luís Nassif um hino à esperança. Paulo Soledade fez esta música após receber a notícia de que estava recuperado (de uma doença em que já fora dado como desenganado).
Dele pode-se dizer que teve uma existência interessante, dessas de tirar o fôlego de um cristão.
Atuou no teatro ao lado do grande Ziembinski; fundou com Carlinhos Niemeyer, Sérgio Porto, Ibrahim Sued e Heleno de Freitas, e outros companheiros de boêmia, o Clube dos Cafajestes (do qual compôs o hino); fez curso de caça nos EUA em 1942, onde recebeu a patente de oficial da Força Aérea norte-americana; no Brasil, por algum tempo foi piloto da aviação civil, da qual saiu por motivo de doença; foi repórter do jornal A Noite; e montou no Rio, em 1961, a casa noturna Zum Zum.
A boate Zum Zum foi um marco na história da bossanova. Em seu palco, apresentavam-se os ícones da MPB dos anos 60, em shows produzidos por Aloysio de Oliveira.
Além da já citada Estão Voltando as Flores, são também canções de Paulo Soledade:
Com Marino Pinto, Estrela do Mar (um pequenino grão de areia / que era um pobre sonhador), um grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira, e Calúnia.
Com Fernando Lobo, Zum Zum (oi zum zum zum zum zum zum / está faltando um), em homenagem a um companheiro da Aeronáutica que falecera, e Já é Noite.
Com Vinicius de Morais, Poema dos Olhos da Amada (ó minha amada que olhos os teus / são cais noturnos, cheios de adeus) e várias composições de cunho infantil que foram gravadas nos discos Arca de Noé 1 e 2.
Com Antonio Maria, Insensato Coração.
Com Tom Jobim, Sonho Desfeito.
Etc.
Agora, falta apenas dizer o nome completo do compositor: Paulo Gurgel Valente do Amaral Soledade.
Taí, gostei.

Em áudio, Estão Voltando as Flores, por Emílio Santiago e por Dalva de Oliveira. Arquivos musicais para escutar e baixar no www.4shared.com.

Em vídeo, Poema dos Olhos da Amada, por Taiguara e por Vinicius. Abaixo.