João Batista Nogueira Junior, mais conhecido como João Nogueira, nasceu em 12 de novembro de 1941, no Rio de Janeiro.
Começou a compor, aos 15 anos, para um bloco carnavalesco com sede no Meier, aparecendo na cena artística nacional no início dos anos 1970, quando emplacou o sucesso "Das 200 Pra Lá" (Esse mar é meu / Leva seu barco pra lá desse mar/ Esse mar é meu/ Leva seu barco pra lá).
Um samba que defendia a política de expansão de nossa fronteira marítima ao longo de 200 milhas da plataforma continental. Na voz de Eliana Pittman, o samba assumiu as primeiras posições das paradas e mereceu citação em reportagem da revista americana Time, por seu tom nacionalista afirmativo. À época, João se viu às voltas com certo patrulhamento, já que a bandeira das 200 milhas havia sido levantada pelo ditadura militar. “Pensaram que eu tinha virado Dom e Ravel”, brincou ele mais tarde.
Outra das músicas mais cantadas de João, uma espécie de hino dos compositores, foi o sucesso do disco de 1980, "Boca do Povo". Trata-se de "Poder da Criação" (Ninguém faz samba só porque prefere/ Força nenhuma no mundo interfere/ Sobre o poder da criação), com Paulo César Pinheiro, seu parceiro mais constante.
João Nogueira morreu no dia 5 de junho de 2000, aos 58 anos, vítima de um infarto do miocárdio, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes.
Ele deixou 4 filhos, entre eles: Diogo Nogueira, que pegou o bastão e nos faz matar as saudades do pai, dadas as semelhanças física e vocal e a simpatia com que apresenta o melhor do samba carioca.
Nascido em Natividade (RJ), Manoel Frederico Soares foi batizado com o sobrenome dos patrões de seus ancestrais remanescentes dos tempos da escravatura.
De família pobre, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro aos 8 anos. Começou a trabalhar muito cedo, como empregado doméstico, na casa do militar Antônio Guedes Muniz, que chegou a Marechal-do-ar. A cada promoção recebida pelo patrão, os amigos, carinhosamente, também o elevavam de posto. Daí seu pseudônimo artístico: Manoel Brigadeiro.
O convívio no meio aeronáutico lhe rendeu a profissão de mecânico de aviões e um cargo no então Ministério da Viação e Obras Públicas.
Conhecido como Embaixador do Samba em Brasília (onde passou a morar desde 1974, ao ser lotado no Ministério dos Transportes), ele foi autor de cerca de cem canções que foram gravadas por nomes como Ciro Monteiro, Alcides Gerardi, Isaurinha Garcia, Carmem Costa, Jair Rodrigues e Os Velhinhos Transviados.
Um dos seus sucessos foi "Tem bobo pra tudo", em parceria com João Correia da Silva, um samba lançado em 1962 na voz de Alcides Gerardi.
Filha de Sérgio Buarque de Holanda, autor do clássico "Raízes do Brasil", e de Maria Amélia Alvim Buarque de Holanda, Cristina fez parte de uma das famílias mais influentes da cultura brasileira. Era irmã do cantor e compositor Chico Buarque, da cantora Miúcha e da ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda.
Ela iniciou a carreira musical em 1968, ao gravar a faixa "Sem Fantasia", de Chico Buarque, em dueto com o irmão. Em 1974, lançou seu primeiro disco solo, "Cristina". Este álbum, que trazia o sucesso "Quantas Lágrimas", do compositor Manacéia da Portela, ajudou a consolidar sua identidade artística marcada pela reverência aos sambistas tradicionais.
Cristina morreu no sábado (20), aos 74 anos.
Nos últimos anos, vivia na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, onde organizava rodas de samba e mantinha viva uma tradição que sempre cultivou com esmero.
"Seu modo de vida simples e sua dedicação à música fizeram dela uma referência cultuada por sambistas e estudiosos da cultura popular brasileira." (Carter Anderson, Jornal do Brasil)
O entrante mês está sendo aqui saudado por este samba na excelente interpretação da cantora Roberta Sá.
Canção do compositor carioca Sidney Miller, "Alô, Fevereiro" (que foi sucesso na voz de Dóris Monteiro em 1972) é uma das faixas do 2.º disco da cantora Roberta Sá – "Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria". O álbum vendeu mais de 50 mil cópias e rendeu à Roberta seu primeiro disco de ouro, além de duas indicações ao Grammy Latino nas categorias artista revelação do ano e melhor álbum de MPB.
Baden Powell, em 1968, já desfrutava de bastante prestígio, principalmente por suas parcerias com Vinícius de Moraes. No entanto, relata o blogueiro Luís Pini Nader, "queria sangue novo para um novo festival, a I Bienal do Samba. Foi à casa do primo, João de Aquino, e roubou-lhe o parceiro, o precoce e já maduro letrista Paulo César Pinheiro, então com 16 anos e ainda imberbe".
Baden mostrou-lhe um samba de roda que aprendera na Bahia com seu amigo e capoeirista, Canjiquinha. O tema havia sido composto pelo lendário Mestre de capoeira Besouro Cordão de Ouro, famoso tanto por suas composições quanto pela coragem de enfrentar a polícia e revoltar-se contra os desmandos dos senhores.
Paulo César Pinheiro já havia lido no romance "Mar Morto", de Jorge Amado, algumas histórias do Mestre capoeirista que voava como um besouro para escapar da polícia.
Percebendo que o momento era propício para aquele resgate, os compositores fizeram uma segunda parte para a música do Besouro (Quando eu morrer me enterrem na Lapinha / Calça culote, paletó almofadinha), exaltando o homem que, mesmo só contra o erro lutava e, ante a derrota, não se conformava. E assim nasceu "Lapinha", (*) uma das mais brilhantes parcerias da música brasileira.
Inscrita no festival, por absoluta ignorância dos organizadores, "Lapinha" quase foi desclassificada por plágio. Obviamente, tratava-se de uma citação literal, uma homenagem explícita ao canto do Besouro, sem a malícia que caracterizaria o plágio.
Depois de alguma argumentação, a canção pôde seguir no festival, defendida por Elis Regina, Mussum e "Os Originais do Samba" (vídeo), até ser premiada com o 1.º lugar.
Dentre os argumentos utilizados para convencer os organizadores a manterem "Lapinha" no páreo, estaria o fato de outra canção do Besouro ter sido citada numa música de Noel Rosa.
Eis os versos do Besouro: "Quando eu morrer, disse Besouro/ Não quero choro nem vela / Também não quero barulho / Na porta do cemitério / Eu quero meu berimbau / Eu quero meu berimbau / Com uma fita amarela / Gravado com o nome dela".
Qualquer semelhança com "Fita Amarela" não é mera coincidência. Ao que se saiba, no entanto, o Poeta da Vila jamais foi acusado de plágio.
N. do E.
(*) Lapinha, também bairro de Salvador, reduto de capoeiristas e sambistas na década de 1920.
É um tipo de samba caracterizado por interrupções repentinas durante as quais o cantor comenta humoristicamente o tema. O breque é uma designação abrasileirada do inglês break (freio) para as falas proferidas pelo intérprete. Enquanto a orquestra fica sem tocar ou apenas fazendo alguma marcação livre.
O breque está para o samba como o recitativo está para a cantata e a ópera, afirmou Arthur Moreira Lima.
Mesmo já presente em algumas canções de Noel, Sinhô e Mário Reis, credita-se ao cantor Luiz Barbosa (em "Risoleta", de 1937, samba de Wilson Batista e Haroldo Lobo) a introdução dessas pausas declamatórias no samba. Mas, de fato, quem popularizou e consagrou esse estilo (que confere graça e malandragem ao samba) foi o cantor Moreira da Silva.
Numa entrevista, o próprio Moreira reconheceu o pioneirismo de Luiz Barbosa, reservando para si o mérito de prolongar a duração dos breques. Além de enriquecê-lo com gírias dos morros cariocas (acrescento eu).
No Ceará, destacou-se nesse estilo o compositor Luiz Sérgio Bezerra, autor dos sambas de breque "Noite Feliz" e "Saúde de ferro".
Até prova em contrário, o breque mais longo é o que está no samba "Na subida do morro", de Geraldo Pereira, Moreira da Silva e Ribeiro Cunha.
- Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora o seu umbigo.
Aí meti-lhe o "aço", quando ele ia caindo me disse:
- Morengueira, você me feriu.
Eu então disse:
- É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede emprego. Como é que você vem com "xavecada", está armado? Eu quero é ver sua gordura que a banha está cara!
Aí meti a mão lá na "duana", na "peixeira", é porque eu sou de Pernambuco, cidade pequena, porém decente, peguei o "vagulino" pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma "tubagem"; ele caiu, bum!, todo ensanguentado.
E as senhoras, como sempre, nervosas:
- Meu Deus, esse homem morre, moço! Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue.
- Ora, minha senhora, dê-lhe óleo canforado, penicilina, estreptomicina, "crebiosa", "engrazida" e até vacina Salk.
Mas o homem já estava frio. Agora, o malandro que é malandro não denuncia o outro, espera para tirar a forra.
Lançado em 20 de dezembro de 2019, "Quem foi que disse que eu não faço samba..." é um EP1 de Erasmo Carlos dedicado ao samba, ao sambalanço e ao samba-rock2. O álbum contém canções compostas por Erasmo, algumas até então não gravadas por ele:
Notas 1Sigla de "Extended Play", um EP caracteriza uma gravação musical em suporte físico (vinil, CD etc.) ou digital contendo 4-6 músicas e com um tempo total de execução de 30 minutos ou menos. 2Outros sucessos autorais do "Tremendão" nos referidos gêneros: Coqueiro verde, Pega na mentira, Minha âncora, Não existe saudade no cosmos e Meu ego (c/ Nara Leão)
(https://music.youtube.com/watch?v=cDTONv3HUhg&list=OLAK5uy_lghBRCeDUhWKxgggkki4gs5hBqC9qmR38)
O economista Helio Beltrão (que comandou a pasta do Ministério Extraordinário da Desburocratização no governo Figueiredo) "era um político com alma de administrador e um administrador com temperamento de artista - cantava, tocava violão e, enquanto levava despachantes à falência, compunha sambas em parceria com Billy Blanco, seu velho companheiro de serestas em Ipanema". (Ruy Castro)
Um deles foi o "Samba contra a burocracia", que o grupo"Originais do Samba" (Mussum and friends) gravou em 1979.
https://youtu.be/UgEcgr_Q8CI
Num ninho (num ninho) de burocratas, milhões de burocratinhos há.
Quem os desburocratizar, um desburocratizador será. (bis)
Nós é (ai, nós é) que somos os culpados,
Ficamos burocratizados,
contra a vontade do Imperador.
Pedro I recebeu carta às margens do Ipiranga,
Deu a bronca de que o Brasil ia ficar de tanga
E, ali mesmo, sem carimbo e sem processo
O seu despacho verbal foi um sucesso
Descomplicou e resolveu bonito
E a Independência do Brasil saiu no grito. (bis)
Chico recebe Pelé no campo do seu Politeama.
Chico fala da "invencibilidade" do Politeama.
Pelé põe os pés no cimento fresco.
Pelé fala dos seus gols.
Chico "perdeu a conta" dos seus.
Pelé autografa no cimento fresco.
Chico e Pelé posam para fotografias.
Pelé revela "ser grato" ao Corinthians.
Pelé surprende Chico com uma foto da "linha do Santos que fez mais gol no Brasil".
(Tite, Álvaro, Pagão, Pelé e Pepe)
Pelé lê a dedicatória da foto.
Chico quer saber se Pelé sonha com o futebol.
Cantam "Preconceito", samba de Marino Pinto e Wilson Batista.
Chico dá autógrafo a Pelé e vice-versa em camisas do Politeama.
Abraçam-se.
Do cruzamento da música com alguns conhecidos trava-línguas surgiu este samba. Obra de um gênio chamado Paulo Vanzolini.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
O sapo saltou do saco,
se sacudiu e sumiu da soma.
Tatu, tamanduá, tejubina
transaram umas trovas,
tolices totais.
O vento da vida ventou
e varreu você pro nunca mais.
O gato do mato, passando prato,
ai que barato.
Cachorro pedindo socorro
na rampa do morro
e gritando que é o zorro.
Um pinto muito distinto
tomando absinto
em pleno recinto.
E o rastro do vento
puxando pra dentro
do meio do centro do nunca mais.
Samba e amor e... futebol caminham muito juntos... futebol tem uma malícia, uma malemolência um gingado, um suingue... samba tem toda essa malícia, esse jeitinho, esse jeito bem peculiar, né?... quer dizer, pequenos acordes, pequenos compassos... e você cria versos que são realmente maravilhosos.
Parcerias
Parceiro é um pouco só a metade... (só a metade?)... sim, é só a metade porque, veja bem, música... porque é difícil você ter parceiro em música... como é essa coisa de você fazer uma parte da música e uma outra pessoa fazer a outra parte?... são duas pessoas diferentes... então, eu acho que parceiro é exatamente essa outra metade... é preciso que você deixe uma metade para que seja preenchida pela metade do seu parceiro, que também deixou uma outra metade e essas duas metades criam uma terceira pessoa, que não é nem você nem o seu parceiro. (transcrito de vídeo)
Nova Ilusão, 1941
Autores: Pedro Caetano e Claudionor Cruz
Intérpretes: Renato Braga, Lúcio Alves, Paulinho da Viola e Zélia Duncan
É dos teus olhos a luz, que ilumina e conduz minha nova ilusão. É nos teus olhos que eu vejo o amor e o desejo do meu coração. És um poema na terra, uma estrela no céu, um tesouro no mar. És tanta felicidade, que nem a metade consigo exaltar. Se um beija-flor descobrisse a doçura e meiguice que teus lábios tem, jamais roçaria as asas brejeiras por entre roseiras em jardins de ninguém. Oh, dona dos sonhos, ilusão concebida, surpresa que a vida me fez das mulheres! Há no meu coração um amor em botão que abrirás se quiseres.
As histórias dos bastidores da canção, por Laura Macedo.In:http://blogln.ning.com
Numa terça-feira do verão carioca de 1941, quatro dias antes de estrear o show no Golden Room do Copacabana Palace, Sílvio Caldas encontrou-se por acaso com o seu velho amigo Claudionor Cruz. Sabendo da estreia de Sílvio, grande cartaz a época, Claudionor ofereceu para lançar no show uma valsa inédita, apaixonada, seresteira como as que Sílvio gostava e como as que Claudionor fazia tão bem com seu parceiro Pedro Caetano. Sílvio Caldas, ele próprio compositor de belas valsas, agradeceu. Valsas tinha muitas. Que tal Claudionor e Pedro fazerem um samba. Um samba choro nos moldes de "Da cor do pecado", música e letra de Bororó, que o próprio Sílvio gravara com sucesso, em 1939. Não querendo perder a oportunidade Claudionor Cruz prometeu a Sílvio Caldas entregar o novo samba no dia da estreia, sábado. Promessa difícil de cumprir porque Pedro e Claudionor moravam um no centro e o outro no subúrbio e não poderiam se encontrar antes disso. Foi de Pedro Caetano a ideia e Claudionor aceitou na hora. Ele, Pedro, faria uma nova letra para "Da cor do pecado", ou seja, com o mesmo número de versos, cada verso com o mesmo número de sílabas, observando a pontuação e a acentuação melódica de Bororó. Ao mesmo tempo Claudionor faria a melodia que coubesse perfeitamente na letra de "Da cor do pecado". Primeira e segunda partes prontas, letra e melodia casadas, samba intitulado “Nova ilusão”. Sílvio Caldas aprendeu um pouco antes de entrar em cena. Lançou na noite de estreia, mas por algum motivo jamais o gravaria. Quem fez primeiro foi Renato Braga, irmão do compositor João de Barro, o Braguinha. Nada aconteceu. Em março de 1953, Lúcio Alves reviveu com arranjos de Radamés Ganattali, já então como samba canção. E as lições que ficam dessa história são pelo menos três: uma, o atestado do imenso talento de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, dois gigantes da nossa música popular brasileira, ambos hábeis tanto em letra como em melodia. Outra lição: a de que até um Sílvio Caldas podia errar na hora de escolher o que gravar. A terceira: a de que o novo samba nasceu para ficar, sobretudo quando revivido mais de trinta anos depois por Paulinho da Viola (vídeo 1).
Nova Ilusão, 1948
Autores: Zé Menezes e Luiz Bittencourt
Intérpretes: Os Cariocas, Billy Eckstine e João Gilberto (vídeo 2)
Foi o destino talvez causador desse samba infeliz, ter você junto a mim outra vez, relembrar todas as juras que fiz. Tão satisfeito fiquei ao sentir nosso amor reviver, eu nem sei se sorri ou se chorei, custei até mesmo a crer. Recomeçamos assim a nossa felicidade, jamais alguém pensaria que aquela amizade viesse de novo a ter fim. Mas durou pouco afinal, essa nova ilusão terminou e não sei, se por bem ou por mal, você foi e não voltou.
José Menezes de França nasceu em 06/09/1921, em Jardim, Ceará. Compositor, arranjador e multiinstrumentista, dominava o cavaquinho, o bandolim, o banjo, o violão tenor, o violão de 6, 7 e 10 cordas, a guitarra e o contrabaixo. Em 1948, teve sua primeira composição gravada, o samba "Nova Ilusão", lançado pelo grupo "Os Cariocas", na gravadora Continental. Esse samba, inclusive, acabou se tornando o prefixo das apresentações do grupo. In:Zé Menezes, o craque das cordas
É permitido criar músicas com nomes de outras músicas que já existem?
Canções são mais que títulos e, na visão prática da lei, títulos (que são frequentemente muito curtos) não podem ter seus direitos autorais garantidos. Violações de direitos autorais requerem uma reprodução ou imitação substancial de conteúdo. Não podemos reclamar para nós o direito sobre as palavras "eu te amo", por exemplo, porque não há tantas formas de dizer a mesma coisa, convenhamos. Sequências de acordes também não têm direitos autorais; melodias e letras, por outro lado, sim.
https://pt.quora.com (Sealtiel)
Se estiver em dúvida, consulte a Lei 9.610/98. Veja o que ela diz: Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei: VI - os nomes e títulos isolados; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm
Nascido como Antônio Carlos Bernardes Gomes, em 7 de abril de 1941, foi como Mussum que ele se eternizou para o público brasileiro.
Ele cresceu no Morro da Cachoeirinha, no Rio de Janeiro. Filho de uma empregada doméstica, teve uma infância pobre, mas aprendeu com a mãe o valor do estudo. Analfabeta, sua mãe lhe dizia o quanto era importante aprender a ler. E ele, ainda menino, passou a ensinar a mãe a ler.
Trabalhou como ajustador mecânico, faxineiro, cozinheiro e serviu a Força Aérea Brasileira, porém foi na música que seu talento se destacou. Formou com amigos o grupo musical "Originais do Samba", que gravou 13 discos e fez muito sucesso nos anos 1970.
Em 1965, deu os seus primeiros passos no humor, participando do programa humorístico da Rede Globo, "Bairro Feliz". Nesse programa, ele recebeu o apelido com que ficou conhecido. Grande Otelo passou a chamá-lo de Mussum, em referência ao muçum ou mussum, (*) um peixe escorregadio e liso. Para o ator, Antônio Carlos parecia-se com esse peixe por ser capaz de se livrar das situações mais constrangedoras.
Em suas apresentações humorísticas, conheceu Dedé Santana. Logo depois, chamou a atenção de Renato Aragão por causa de seu talento para o improviso. Em 1972, formou um trio com Dedé e Didi. Dois anos depois, a entrada de Zacarias fez com que eles formassem um quarteto e, através do programa "Os Trapalhões", conquistaram um imenso público na TV brasileira.
Além de seu carisma e facilidade para contar causos, Mussum se destacou pelo jeito de falar, criando um dialeto próprio que até hoje é lembrado e repetido por muita gente. Enchendo a sua fala com palavras terminadas em "is": "Cacildis", "forévis", "biritis", "turmis", "todo mundo vê os porris que eu tomo, mas ninguém vê os tombis que eu levo!"
Em 1977, ele deixou o grupo "Os Originais do Samba" para se dedicar apenas ao humorístico "Os Trapalhões". A música, porém, nunca o abandonou. Fez diversas apresentações musicais no programa de humor e chegou a gravar três discos solos.
O problema cardíaco pôs fim à vida desse homem de coração imenso e sorriso largo. Sua alegria, seu talento em representar, o samba no pé, a habilidade no reco-reco, o dialeto pessoal, a irreverência e tantas outras qualidades o tornaram admirado e querido por muita gente.
Fonte: Iconografia da História
(*) Mussum pode ser peixe ou o ator. Muçum pode ser peixe ou um município gaúcho. E as duas opções dão palíndromos!
Álbum: Quem foi que disse que eu não faço samba...
A história da morena nua que, ao "funkiar" na avenida em desfile de carnaval, ensandeceu a multidão e a bateria, fazendo com que a escola de samba perdesse pontos no quesito harmonia. E nem pensou que foi por causa dela que a escola não ganhou.
Sérgio Marcus Rangel Porto (1923 - 1968), cronista, radialista e compositor.
Conhecido também pelo pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. É o autor do famoso FEBEAPÁ ou Festival de Besteiras que Assola o País.
Em 1953, escreveu a "Pequena história do jazz". Em 1954, atuou como colaborador da "Revista de Música Popular", fundada por seu tio Lúcio Rangel e por Pérsio de Moraes.
Ainda em 1956, destacou-se em São Paulo ao participar, por 16 semanas na TV Tupi, do programa "O céu é o limite", respondendo perguntas sobre a música popular brasileira, tendo faturado o maior prêmio pago até então pelo programa: 300 mil cruzeiros.
Era grande admirador e pesquisador de música popular, possuindo uma discoteca avaliada em cerca de 30 mil discos entre 78 rpm e LPs.
Em 1965, Sérgio Porto passou a dedicar-se ao teatro de revista, tendo escrito entre outras "Pussy pussy cats", revista produzida por Carlos Manga, na qual apareceu o seu famoso Samba do crioulo doido. Gravado pelo Quarteto em Cy, em 1968, o samba fez grande sucesso, sendo inclusive apresentado em show do mesmo nome, que correu quase todo o país com cerca de 100 apresentações, e do qual ele próprio participava ao lado do Quarteto em Cy. Fonte: Dicionário de Cravo Albin
Em 1973 o Quarteto em Cy gravou a marcha-rancho Nabucodonosor, também de Sérgio Porto. Gravada cinco anos após a morte do criador da família Ponte Preta (Tia Zulmira, Primo Altamirando, Rosamundo, Bonifácio, o Patriota...), que havia falecido em 1968, Nabucodonosor foi registrada em compacto simples Odeon S7B-630-A e figurou também na coletânea "Só sucessos" – volume 11. O site "O Caixote" (fora do ar) trazia a informação de que Nabucodonosor foi composta em homenagem a Rogéria e que seu título original era Marcha da Bicha Louca, que foi censurado.
Fontes: Luciano Hortêncio e Samuel Machado Filho.
Samba do crioulo doido
Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casar
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
{Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar} bis
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
{E foi proclamada a escravidão} bis
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Dona Leopoldina virou trem
E Dom Pedro é uma estação também
{Ô, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou} bis
Nabucodonosor
Nunca mais quero sair fantasiado
Nunca mais quero brincar no carnaval
Nunca mais, ai, nunca mais serei vaiado
Naqueles bailes do Municipal
Foi no ano passado, eu me fantasiei, imaginem vocês
Fui pra lá carregado, todo enfeitado, com mil paetês
Com miçangas e vidrilhos, apliques, lantejoulas
Bordados eu tinha até mesmo nas minhas ceroulas
Quantas noites tive que ficar acordado
Quantas noites eu cheguei mesmo a passar mal
Quantas noites eu caprichei nos meus babados
Pra quase ir em cana no final
Começou o desfile, a fofoca comia em pleno salão
Sonho de Messalina, não sabe de quem, levou um bofetão
Esplendor Renascentista foi desclassificado
Aí deu um pulo pra cima e caiu desmaiado
Foi então que desisti de desfilar
Foi então que abandonei a passarela
Foi então que começaram a me estranhar
[E o povo já gritava prende ela] bis
Terminou o desfile eu só não chorei porque não sou mulher
E mesmo que fosse, eu nunca seria como uma qualquer
[Fui pra minha casa curtindo a minha dor
Rasgado e amassado de Nabucodonosor]
bis
Thread de LUIZ ANTÔNIO SIMAS:
Um nome inadmissível de logradouro carioca é a praça Maria Magdala Oliveira, em Campo Grande. Madame Mag era colunista do jornal Diário de Notícias e inimiga do samba, que considerava manifestação primitiva e boçal de pretos. Queria um Rio europeu. Encheu tanto o saco que Janet de Almeida e Haroldo Barbosa compuseram inspirados nela, em 1945, a música Pra que discutir com madame (Madame diz que a raça não melhora / E a vida piora por causa do samba...). E essa figura é praça na cidade inventada pelo samba. A gravação mais famosa da música é a de João Gilberto. Mas sou louco pelo raro registro do próprio Janet de Almeida, craque carioca falecido aos 26 anos! e que inspirou muito João. Que sincopado! E eu acho que a praça deveria mudar de nome para Praça Janet de Almeida. O samba venceu, madame!
Pra que discutir com madame 1 - Janet de Almeida 2 - Elza Soares 3 - João Gilberto
1960 "Tiro ao Álvaro" foi composta por Adoniran e seu produtor Oswaldo Moles.
1973 Junto com outras canções de Adoniran, "Tiro ao Álvaro" foi censurada. A Censura expressou-se assim: "Letras com palavras incorretas e que brincam com a oralidade de São Paulo". Para que pussese ser aprovada tinha que virar "Tiro ao Alvo" e as palavras "tauba", "automorve" e "revorve" deveriam ser corrigidas. Adoniran, que fazia os sambas para o povo - e era desse jeito, coloquialmente, que o povo se expressava-, preferiu guardar suas canções a ter de adequá-las.
1978 "Tiro ao Álvaro" voltou à cena. Desta vez, no histórico encontro de Adoniran Barbosa com Elis Regina no Bar da Carmela, no Bixiga, em São Paulo. Adoniran elogiou a cantora, dizendo: "Não é por que o samba é meu mas você canta como eu quero, você leva a sério as coisas e não fica fazendo gracinha, e não tem graça o samba, é um drama, é um drama..."
1990 O grupo Demônios da Garoa grava pela Copacabana "Tiro ao Álvaro" no LP "Esses Divinos Demônios da Garoa".
Transcrito de: "Censura na Música Brasileira", vídeo por Badi Assad, com inclusão de outras fontes.
O Dona Carmela não existe mais. Junto com imóveis vizinhos, foi demolido, cedendo espaço para um grande estacionamento. Pois, então. São Paulo não tem um personagem mais amado, em sua história, do que Adoniran Barbosa. A gaúcha Elis Regina projetou-se, a partir de São Paulo, como a maior cantora brasileira de todos os tempos. O cantinho deles deveria ter sido guardado, como algo quase sagrado, como as fotografias de nossos mais queridos antepassados.
Caetano Veloso compôs a canção "Sampa" em 1978, durante as comemorações do aniversário da cidade de São Paulo. Nestes 44 anos de existência, a composição ganhou o coração dos paulistanos. Ainda hoje, não só estes usam a designação carinhosa para se referir à cidade que os Novos Baianos passeiam em sua garoa.
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços / Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva / Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba / Mais possível novo quilombo de Zumbi.
Relendo a entrevista que Antônio Maria fez com Vinicius de Moraes para a revista "Senhor", entende-se que, ao lançar sua famosa blague, o Poetinha não estava chamando São Paulo de "túmulo do samba".
Maria: Em que regime político você gostaria de viver: na democracia ou no socialismo? Vinicius: No socialismo. Mas, com samba. Essa seria a mais linda solução para o Brasil. A reforma agrária tem de vir, mas é preciso que Ciro Monteiro, João Gilberto, AC Jobim e você venham juntos.
Vinicius estava a defender a ideia de um socialismo - com samba!
A cidade de Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Vadico, Anibal Augusto Sardinha (o Garoto, precursor da bossa nova), Carlinhos Vergueiro, Germano Mathias, Eduardo Gudin, Demônios da Garoa e do segundo maior carnaval de escolas de samba no Brasil estaria mais para "cúmulo do samba", não é mesmo?