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10 outubro, 2025

Vida que segue

ah, vida que segue
sem ao menos apressar
o passo de um jegue
(haicai)
A expressão "vida que segue" em língua portuguesa é comumente usada para transmitir a ideia de que, apesar dos desafios, dificuldades ou mudanças, a vida continua e é preciso seguir em frente. Ela carrega um sentido de adaptação às circunstâncias, muitas vezes sugerindo que não há como parar o fluxo natural da vida mesmo diante das adversidades.
Life goes on (inglês), la vida sigue (espanhol), la vie continue (francês), la vita va avanti (italiano), das Leben geht weiter (alemão) etc. Essas expressões mostram que a ideia da "vida que segue" é universal, presente em diferentes culturas e idiomas, sempre carregando um sentido de resiliência e aceitação do fluxo natural da vida.
Ah, a "vida que segue"! É como se o universo dissesse: "Olhe, meu amigo, hoje não é seu dia, mas o show precisa continuar. E você está escalado para o papel principal."
Ela simplesmente avança, arrastando você junto — como uma esteira rolante que não tem botão de parar e que, de vez em quando, joga um obstáculo em seu caminho só para ver você dançar.
Mas a verdade é que a melhor estratégia é entrar na dança. Aceitar que alguns dias vão ser tão absurdos que virarão histórias para contar no happy hour. No grande esquema das coisas, um pé na jaca que acontece hoje e pode virar anedota amanhã.
A vida que segue é aquela mestra sarcástica que lhe ensina todos os atos de pura rebeldia existencial.
Vida que segue... era o bordão com que João Saldanha pontuava seus artigos publicados na imprensa brasileira.
É o título do CD e DVD de Zeca Pagodinho, lançado em 2013, para comemorar os 30 anos de carreira do cantor.
Recomeços... e assim a nossa vida segue... se aperfeiçoando sempre e edificando nossa essência a cada superação!
A expressão volta e meia aparece em poemas, títulos de contos e crônicas , romance e até mesmo no prefácio deste livro ("Brilhos"). Reforçando sua carga emocional e filosófica, e remetendo à ideia de algo que persiste e segue. Assim como a vida.
A vida que segue? Sim, a vida consegue. E eu sigo junto.
Paulo Gurgel

03 outubro, 2025

Vamos ao parque

Uma meditação lírica sobre ir ao parque para brincar, que se estende a uma reflexão sobre a própria vida.


Meu primeiro grande choque cultural ao chegar na América foi que playgrounds de concreto, quadras de basquete e pequenos triângulos de grama entre ruas movimentadas tinham placas que os chamavam de "parques". De onde eu vim, um parque era um lugar de canto de pássaros e folhas farfalhantes, um lugar para passear, para se perder, para sonhar; um pedaço de maravilha no meio da cidade; um deserto de bolso. Foi em um parque que dei meus primeiros passos, dei meu primeiro beijo, me perguntei pela primeira vez por que estamos vivos.
O parque — o parque propriamente dito — como um lugar de contemplação, iluminação e descoberta ganha vida com grande emoção em We Go to the Park — o produto de uma colaboração incomum entre a autora e dramaturga sueca Sara Stridsberg e a artista italiana Beatrice Alemagna.
No alvorecer da pandemia, em meio ao cativeiro enlouquecedor do lockdown e à tempestade da incerteza, Alemagna entrou em uma espécie de transe de pintura — uma explosão de cor e sentimento canalizando suas esperanças e medos, sonhos e lembranças. (A arte de cada artista é seu mecanismo de enfrentamento — fazemos o que fazemos para nos salvar, para permanecermos sãos, para encontrar o fino cordão da graça entre nós e o mundo.)
Quando Stridsberg recebeu uma seleção dessas imagens impressionistas sem história, ela foi movida a responder com sua própria arte. Suas palavras esparsas e líricas deram coerência às imagens, fazendo delas algo incomumente adorável: parte história, parte poema, parte oração.
Alguns dizem que viemos das estrelas,
que somos feitos de poeira estelar,
que um dia surgimos no mundo
do nada.
Não sabemos.
Então vamos ao parque.
Extraído de: We Go to the Park, por Maria Popova. In: The Marginalian

18 junho, 2025

🔍a vida é curta

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 e tudo passa

e o dinheiro também

e a arte é longa

e a morte é certa

e eu grosso

e a covid longa

06 maio, 2025

Por uma vida simples



Muitos pensam que o movimento em direção à simplicidade é apenas um movimento contra a tecnologia.
Na realidade, uma vida simples implica fazer escolhas cuidadosas sobre a sustentabilidade, a fiabilidade e a capacidade de reparação da tecnologia do que se utiliza.
Se não tiveres uma necessidade genuína de um dispositivo, não o compres!
~ Ray Lovegrove, Mastodon

A vida é como um banho... Quanto mais tempo nele, mais enrugado você fica.
~ Col, Mastodon

Se você ama a vida, não perca tempo, pois é de tempo que a vida é feita. 
~ Bruce Lee, inspiracional x Ben Franklin

19 abril, 2025

Otimização da vida

Se você quiser fazer algo ótimo em sua vida – seja lá o que isso signifique para você – lembre-se disto: você terá um número ilimitado de tentativas.
O único fator limitante é sua expectativa de vida.


E as piores coisas que você poderá fazer são:
- importar-se com o que as outras pessoas pensam;
- não querer correr riscos;
- falhar lentamente;
- desistir.
Dustin Curtis @dcurtis

02 janeiro, 2025

Sem terremotos a Terra seria inabitável?

A Terra recebe calor do sol, mas também de seu núcleo quente e derretido. O calor por baixo mantém a nossa superfície ativa, com massas de terra e mar movendo-se umas contra as outras e reorganizando-se, num processo denominado de placas tectônicas. Essas placas, que se movem na superfície do planeta, mudam ao longo do tempo, dando-nos montanhas, oceanos, vulcões e terremotos com o seu movimento gradual, mas por vezes violento. Este sistema como um todo cria ecossistemas vivos e mantém certos gases e minerais movendo-se para cima e para baixo na atmosfera, na superfície, na água e nas profundezas do subsolo. O efeito como um todo é o de um termostato, num equilíbrio delicado que mantém a temperatura da superfície em uma faixa que sustenta toda a vida.


Mas e se o nosso mundo fosse estático, sem placas tectônicas? Então, seria mais parecido com Vênus. Uma teoria sobre esse planeta diz que a atividade vulcânica perpétua lançou tanto dióxido de carbono na atmosfera que as temperaturas mais elevadas causaram a evaporação dos oceanos, deixando o planeta demasiado quente e seco para sustentar qualquer tipo de vida. Quando a água de um planeta acaba, não há como recuperá-la. Mas a Terra é um planeta geologicamente ativo, caso contrário não poderíamos viver aqui. Leia como isso funciona no Atlas Obscura.

16 abril, 2023

Assim é a vida: um sopro

Compositor: Oswaldo Montenegro

Canção do vídeo: "A Lista". Em 1999, Oswaldo compôs o tema-homônimo para a peça "A Lista", que se transformou em um sucesso maior do que a própria montagem da peça.


http://youtu.be/7bY0AFhtlbk

Minibio: Oswaldo Viveiros Montenegro nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15/3/1956. Aos sete anos de idade, mudou-se com a família para São João del Rey, MG, onde começou a aprender violão. Em 1971, passou a residir em Brasília, DF, cidade que é tema frequente em sua obra. Teve seu definitivo reconhecimento nacional no festival da TV Tupi, em 1979, com a música "Bandolins", classificada em terceiro lugar, e com a primeira colocação de "Agonia", música de Mongol, um ano depois no festival "MPB 80" (Rede Globo). Em 1993, gravou "Seu Francisco", com composições de Chico Buarque. O disco deu origem a um show homônimo produzido por Hermínio Bello de Carvalho. Ao longo de sua carreira, Oswaldo Montenegro recebeu 5 Discos de Ouro e 1 Disco de Platina.
http://dicionariompb.com.br/artista/oswaldo-montenegro/

25 junho, 2022

A natureza sempre encontra seu (its) caminho

Esta plantinha, por exemplo, nasce de um cadeado.


A vida

quando quer ir em frente

nunca se dá por vencida.



Este riacho passa por dentro de uma árvore.

27 maio, 2022

Sem escolha

Nascemos sem escolher, de pais que não escolhemos, em corpos e fronteiras que não escolhemos, para existirmos em uma região do espaço-tempo que não escolhemos por um período que não escolhemos.
Como os físicos sabem, não escolhemos os átomos particulares que constelam nosso eu particular ou as configurações neurais que acionam nossa consciência.
Em consequência, como James Baldwin sabia, nem mesmo escolhemos quem amamos.

Without choosing, The Marginalian

10 janeiro, 2022

Como é a vida na cidade mais fria do planeta

Yakutsk, que detém o recorde histórico de -72,2 ºC, é a cidade mais fria do planeta. Esta cidade fica no nordeste da Sibéria, a apenas 280 milhas ao sul do Círculo Polar Ártico. No entanto, cerca de 300.000 pessoas vivem neste inóspito lugar.
Aqui estão algumas das coisas incríveis que acontecem lá:
  • As pessoas não podem usar óculos de proteção de metal, porque o metal com o frio gruda na carne e não pode ser retirado sem lacerar a pele.
  • Deixada ao ar livre, uma banana se torna algo tão duro que você pode usá-la como um martelo.
  • Todo o solo está congelado até 30 ou 35 metros de profundidade; as casas têm de ser construídas sobre pilares e, à medida que o gelo por vezes se move, os edifícios também se movem.
  • Os carros não podem ser usados 6 a 7 meses por ano porque congelam sob a neve e o gelo. Quem os mantém em garagens aquecidas pode circular com eles, mas deve deixá-los ligados quando estacionados na rua - mesmo horas - sem ninguém dentro (se o motor parar, o carro congela em 10 minutos).
  • Andar de carro na estrada é, literalmente, arriscar a vida: se o veículo parar de funcionar, e você não conseguir consertá-lo em meia hora e não houver cobertura de telefone, você morre. Todo mundo carrega uma caixa de ferramentas em seu carro para o caso.
  • Entrar na floresta é igualmente perigoso. Tem gente que se embriaga, cai no chão onde ninguém pode ver e depois de um tempo jmorre de frio.
  • As pessoas usam inúmeras camadas de roupa - naturalmente - mas é comum sofrer ulcerações pelo frio principalmente nas orelhas ou nos dedos (e, às vezes, amputações são necessárias).
  • Os mortos não podem ser enterrados, porque o solo está congelado. Alternativamente, eles são cremados por 2 ou 3 dias e, em seguida, os restos mortais são enterrados. Existem cadáveres enterrados há um ou dois séculos que parecem ter morrido recentemente. Além disso, você também pode encontrar mamutes ou fósseis de dinossauros perfeitamente preservados na área.
  • Como animais de estimação, há cães (os muito peludos), mas não gatos (morrem); também há  cavalos e vacas, embora geralmente passem o dia inteiro nos estábulos.
  • As pessoas não precisam de geladeiras: colocam os alimentos em bolsas penduradas nas janelas. No mercado, o peixe (que é basicamente o que comem, porque não tem agricultura nem pecuária) é vendido totalmente congelado e dura dias e dias; basta deixá-lo ao ar livre.
  • Muitos aparelhos eletrônicos não funcionam porque estão fora das faixas de temperatura de operação: devido ao frio extremo, câmeras, microfones ou telefones celulares às vezes não funcionam corretamente.
Via

09 dezembro, 2021

Vida em Marte!

Manchete do NY Times em 09/12/1906:

HÁ VIDA NO PLANETA MARTE

Tradução - Prof. Percival Lowell, reconhecido como a maior autoridade no assunto, declara não haver dúvida de que seres vivos habitam nosso mundo vizinho.

Dez anos antes

Percival viu um sistema de raios em atividade na superfície de Vênus (que ninguém mais além dele conseguiu ver).

25 outubro, 2021

A preocupação com os filhos, por Bertrand Russell

Em seu ensaio intitulado "Como envelhecer", escrito em seu octogésimo primeiro ano e depois publicado em "Portraits from Memory and Other Essays", Bertrand Russell coloca no coração de uma vida satisfatória a preocupação não excessivamente emocional com os filhos.
"Outra coisa a evitar é aderir à juventude na esperança de extrair vigor de sua vitalidade. Quando seus filhos crescerem, eles desejarão viver suas próprias vidas, e se você continuar a se importar com eles como quando eram pequenos, é muito provável que eles o considerem um fardo, a menos que tenham uma insensibilidade incomum. Não estou dizendo que não devemos nos preocupar com eles, mas sim que nosso interesse deve ser contemplativo e, se possível, filantrópico e não excessivamente emocional. Os animais tornam-se indiferentes para com os pequenos, na medida em que podem ser autossuficientes; mas os seres humanos, por causa de sua longa infância, acham isso difícil."
Poderá também gostar de ler:
O desejo da Vida por si própria, por Khalil Gibran

02 agosto, 2021

A arca lunar

Já que nosso planeta está enfrentando múltiplos desastres como secas, asteroides e ainda a possibilidade de uma guerra nuclear, cientistas dizem que os seres humanos devem olhar para a viagem espacial como um meio de salvar a vida.
Uma arca, projetada por Thanga e uma equipe de pesquisadores da Universidade do Arizona, EUA, armazenaria células reprodutivas como espermatozoides e óvulos de 6,7 milhões de seres da Terra, incluindo humanos. E o banco proposto, ou arca lunar, ficaria abaixo da superfície da Lua.
Esta construção, como a "Arca de Noé" na Bíblia, poderia armazenar biomaterial das espécies com mais eficiência do que protegê-las na Terra ou criá-las num ecossistema artificial.

© FOTO / JEKAN THANGA / UNIVERSIDADE DO ARIZONA. Projeto de arca lunar para amostras de biomaterial humano.

O pesquisador sugeriu construir arcas em poços lunares e tubos de lava que podem servir de abrigo contra oscilações de temperatura na superfície, radiações solar e cósmica e micrometeoritos.
Segundo o cientista, a arca seria controlada por robôs e colocada em temperaturas congelantes a fim de preservar as amostras, enquanto panéis solares serviriam de recurso de energia.
O conceito de uma arca global com amostras de biomaterial não é novo. A ideia tem sido implementada no Silo Global de Sementes de Svalbard, que contém um gigantesco banco para sementes de plantas, localizado na ilha norueguesa de Spitsbergen, no Círculo Polar Ártico, a fim de proteger plantas contra perda de biodiversidade. Neste banco há mais de 992 mil amostras, cada uma contendo uma média de 500 sementes.
12/02/2021

Arquivo: Museu da Pessoa no Arquivo Ártico Mundial

04 julho, 2021

A ciência dos namorados

Um raro e arrebatador vislumbre do lento abraço duplo com o qual algumas das criaturas mais ternas da Terra fazem mais de si mesmas
O privilégio de testemunhar essa dança do amor em um alcance tão íntimo inspirou a metáfora central com a qual encontrei o maior desafio conceitual deste livro infantil baseado no romance da realidade ("The Snail with the Right Heart") - a parte da história sobre como os caracóis geram caracóis, com a tarefa de transmitir com precisão conceitos de ciência e sexualidade para jovens leitores que podem não ter este quadro de referência:

É assim que acontece: quando um caracol encontra um parceiro, os dois se encaram, tocando suavemente os tentáculos um do outro para sentir se gostam um do outro. E se o fizerem, eles deslizam seus corpos um ao lado do outro em um lento abraço duplo, até que suas peças de criação de bebês se encaixem como peças de um quebra-cabeça. Em seguida, eles se perfuram suavemente com pequenas lanças chamadas “dardos do amor”, que contêm seus genes - os blocos de construção dos corpos. Os genes são como pequenas sementes que seus pais plantam no jardim que se torna o seu corpo - sua combinação especial de sementes é o que o torna você , o que torna o seu jardim corporal diferente do de qualquer outra pessoa. Os genes são como a vida fala com o futuro.
Para uma contrapartida poética, aqui está o incomparável Sir David Attenborough narrando a dança de acasalamento quase sobrenatural do primo sem casca do caracol, filmado com tecnologia cinematográfica muito superior (se bem que pontuada com uma trilha sonora inferior): VÍDEO

Snails Run for Love, Maria Popova
Tradução: PGCS

04 junho, 2021

A ponte para cruzar o rio da vida

"Ninguém pode construir para você a ponte sobre a qual você, e apenas você, deve cruzar o rio da vida", escreveu Nietzsche, aos trinta anos.

"O caminho verdadeiro e duradouro para a experiência", aconselhou o poeta ganhador do Nobel Seamus Heaney mais de um século depois, em seu magnífico discurso de formatura, "envolve ser verdadeiro [...] com sua própria solidão, com seu próprio conhecimento secreto."

"Ser ninguém além de você mesmo - em um mundo que está fazendo o melhor, noite e dia, para torná-lo como todos os outros - significa travar a batalha mais difícil que qualquer ser humano pode travar." (E.E. Cummings, citado por Maria Popova, em BrainPickings)

"É preciso coragem para crescer e se tornar quem você realmente é."


"Enormous Smallness: A Story of  E.E. Cummings" - um livro ilustrado incomumente delicioso que celebra a vida de Cummings, pelo poeta Matthew Burgess, do Brooklyn, ilustrado por Kris Di Giacomo (o artista por trás do maravilhoso livro do alfabeto "Take Away the A").

22 abril, 2021

Nossa Terra, nossa vida


Terra, nossa casa, é o terceiro planeta (para quem vem) do Sol. É o único planeta conhecido por ter uma atmosfera contendo oxigênio livre, oceanos de água em sua superfície e, claro, vida.
A Terra é o quinto maior dos planetas do sistema solar. É menor que os quatro gigantes gasosos - Júpiter , Saturno , Urano e Netuno -, porém maior que os outros três planetas rochosos, Mercúrio , Marte e Vênus.
A Terra tem um diâmetro de aproximadamente 13 mil quilômetros e é redonda porque a gravidade puxa a matéria para esta forma. Mas não é perfeitamente redonda. A Terra é realmente um "esferoide oblato" porque o seu giro faz com que seja esmagada em seus polos e inchada no equador.
A água cobre aproximadamente 71% da superfície da Terra, e a maior parte dela está nos oceanos. Cerca de um quinto da atmosfera da Terra consiste em oxigênio, produzido pelas plantas. Os cientistas estudam nosso planeta há séculos, e muito se aprendeu nas últimas décadas estudando imagens da Terra a partir do espaço.

http://www.space.com/54-earth-history-composition-and-atmosphere.html

12 abril, 2021

Sim à vida, apesar de tudo!

"Decidir se vale a pena viver é responder à questão fundamental da filosofia", escreveu Albert Camus em seu clássico ensaio "O Mito de Sísifo", de 1942. "Todo o resto… é brincadeira de criança; devemos, antes de tudo, responder à pergunta."
A pergunta que a vida nos faz. A qual, ao respondê-la, podemos perceber o significado do momento presente, que não muda apenas de hora em hora, mas também de pessoa para pessoa. A pergunta é inteiramente diferente em cada momento para cada indivíduo.
Podemos, portanto, ver como a questão do sentido da vida, a menos que seja colocada com total especificidade, na concretude do aqui e agora, parece-nos tão ingênua quanto à questão de um repórter entrevistando um campeão mundial de xadrez e perguntando: "E agora, Mestre, por favor, diga-me: qual jogada de xadrez você acha que é a melhor?" Existe um movimento, um movimento particular, que poderia ser bom, ou mesmo o melhor, além de uma situação de jogo muito específica e concreta, uma configuração específica das peças?
Viktor E. Frankl, autor de "YES TO LIFE, in spite of everything"
Naquele mesmo ano (1942), o jovem neurologista e psiquiatra vienense Viktor Frankl (26 de março de 1905 - 2 de setembro de 1997) foi levado para Auschwitz junto com mais de um milhão de seres humanos privados do direito básico de responder a esta pergunta por si mesmos, em vez disso considerados indignos de viver. Alguns sobreviveram lendo. Outros, por humor. Alguns outros, por puro acaso. A maioria, não. Frankl perdeu sua mãe, seu pai e seu irmão para o assassínio em massa nos campos de concentração. Sua própria vida foi poupada pela linha da vida fortemente entrelaçada do acaso, escolha e caráter.
(http://www.brainpickings.org/2020/05/17/yes-to-life-in-spite-of-everything-viktor-frankl/)

11 fevereiro, 2021

A vida é o que você faz dela

No "Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams, uma raça super inteligente de seres constrói um computador, chamado Deep Thought (Pensamento Profundo), para obter uma resposta à pergunta final sobre o universo: "Qual é o significado da vida, do universo e tudo mais?".
Em resposta a essa pergunta, o computador fornece uma resposta muito simples e supostamente absurda: "42".

Douglas Adams passava parte de seu tempo, na escola e na vida profissional, como programador de computadores. Em programação, o asterisco é comumente usado para significar "o que você atribui a ele", "o que você quer que seja" etc. Na principal linguagem de programação da época, ASCII,  "42" é a designação do asterisco.
A Deep Thought foi perguntado: "Qual era o verdadeiro significado da vida?", e ele respondeu com o que tinha em mãos (no sentido conotativo): "42".
42 = a vida é o que você faz dela.

Coringa ou joker é a carta do baralho que, em certos jogos, muda de valor conforme a combinação de cartas que o jogador tem em mãos.

Douglas Adams descartava todas as teorias
O cálculo do 42 de Douglas Adams

(Arquivado no blog EM para publicar em 11 de fevereiro, o 42º dia do ano.)

28 janeiro, 2021

O processo da anidrobiose

por Thomas Boothby
Sem água, um ser humano sobrevive por apenas 100 horas. Mas há um criatura tão resiliente que pode ficar sem água por décadas. Esse animal de um milímetro consegue sobreviver tanto nos ambientes mais quentes quanto nos mais gelados da Terra, e conseguem resistir a altos níveis de radiação. Este é o tardígrado, e é uma das criaturas mais resistentes da Terra, mesmo parecendo mais com um urso de goma (de gelatina) gordinho de oito pernas. A maioria dos organismos precisa de água para sobreviver. A água permite que ocorra o metabolismo, que é o processo que inicia todas as reações bioquímicas que acontecem nas células. Mas criaturas como o tardígrado, também conhecido como urso d'água, driblam essa restrição com um processo chamado anidrobiose, palavra vinda do grego que significa vida sem água. 

E por mais extraordinário que seja, os tardígrados não estão sozinhos. As bactérias, os organismos unicelulares chamados de archaea, plantas (a rosa-de-Jericó, por exemplo) e mesmo outros animais sobrevivem à seca. Para muitos tardígrados, isso exige que eles passem por algo chamado estado tonel. Eles enrolam-se como uma bola, puxando sua cabeça e suas oito pernas para dentro do corpo e esperam até que a água retorne. Pensa-se que, enquanto a água torna-se escassa e os tardígrados entram no estado tonel, eles começam a sintetizar moléculas especiais, que enchem as células dos tardígrados para substituir a água perdida formando uma matriz. Os componentes das células que são sensíveis à desidratação, como o DNA, as proteínas e membranas ficam presas nessa matriz. Pensa-se que isto mantém estas moléculas presas em posição para impedi-las de desenrolarem-se, desintegrarem-se ou fundirem-se. Assim que o organismo é reidratado, a matriz dissolve-se, deixando para trás células intactas e funcionais. Além da aridez, tardígrados também toleram outros estresses extremos: serem congelados, aquecidos além do ponto de ebulição da água, altos níveis de radiação, e até o vácuo do espaço sideral. Isso levou a especulações errôneas como a de que tardígrados são seres extraterrestres. Apesar de ser um pensamento divertido, evidências científicas colocam como certa sua origem na Terra, onde evoluíram com o tempo. Na verdade, essa evolução terrestre trouxe mais de 1,1 mil espécies conhecidas de tardígrados e, provavelmente, ainda há muitas outras a serem descobertas. E por serem tão resistentes, eles existem em quase todo lugar. Eles vivem em todos os continentes, incluindo a Antártida. E estão em diversos biomas incluindo desertos, mantos de gelo, no mar, água doce, florestas úmidas, e nos picos mais altos das montanhas. Mas você também pode encontrar tardígrados nos lugares comuns, como em musgos ou líquens em jardins, parques e florestas. Você só precisa de um pouco de paciência e um microscópio. Cientistas estão tentando descobrir se os tardígrados usam o estado tonel, a técnica antidesidratação, para sobreviver a outros estresses. Se conseguirmos entender como essa e outras criaturas estabilizam suas moléculas biológicas sensíveis, talvez possamos aplicar este conhecimento para estabilizar vacinas, ou para desenvolver colheitas que tolerem o clima instável da Terra. E estudando como os tardígrados sobrevivem à exposição prolongada ao vácuo do espaço sideral, os cientistas podem achar pistas sobre os limites ambientais da vida e como proteger astronautas. Nesse processo, os tardígrados podem nos ajudar a responder uma questão decisiva: é possível que a vida subsista em planetas muito mais hostis que o nosso?
Os grifos são nossos.

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