Mostrando postagens com marcador resistência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resistência. Mostrar todas as postagens

22 setembro, 2022

Troncos cortados

Com a poesia do grande Miguel Torga, em "Penas do Purgatório":

"Continua a lembrança dolorosa nas cicatrizes.
Troncos cortados que não brotam mais.
E permanecem verdes, vegetais.
No silêncio profundo das raízes."

Comparada com um majestoso cedro-do-líbano, uma oliveira, com seu tronco retorcido cheio de nós, talvez não seja nem um pouco impressionante. Mas as oliveiras têm uma capacidade incrível de resistir às mais variadas condições climáticas. O amplo sistema de raízes da oliveira possibilita que ela se recupere mesmo quando o tronco foi destruído. E, desde que suas raízes continuem vivas, ela brota de novo.

14 janeiro, 2021

Mitridatismo

mitridatismo (mi.tri.da.tis.mo) s.m. tolerância ou resistência a um veneno pela ingestão de doses cada vez maiores, porém não letais, da substância tóxica; resiliência toxicológica. [derivado do antropônimo Mitridates, esp. de Mitridates VI, que teria adquirido tal imunidade desta maneira] 
Mitrídates VI
(132 a.C. – 63 a.C.), também chamado de Mitrídates Magno, foi rei do Ponto (região correspondente ao norte da Turquia) de 120 a.C. até sua morte. Considerado um inimigo de Roma, seus inimigos tramaram por diversas vezes envenená-lo. Ciente dessa possibilidade, Mitrídates começou a ingerir venenos em pequenas doses repetidas, depois de testá-los previamente em prisioneiros e escravos, garantindo assim as doses que seriam seguras para ingerir.
Em sua busca por antídotos, ele também testou os efeitos destes sobre os presos, administrando-os antes de lhes dar o veneno ou logo após envenená-los. Desta forma, acredita-se que ele também descobriu vários antídotos contra substâncias tóxicas. Mas o que o tornou famoso foi o Mithridacum, uma poção complexa produzida por seu médico de câmara, composta por 54 ingredientes que o rei chegou a tomar diariamente e que foi considerado por décadas como um antídoto universal.
Conforme a lenda, após ser derrotado por Pompeu, Mitrídates tentou o suicídio por envenenamento - sem efeito devido a sua resistência. Teria, então, forçado um de seus servos a matá-lo com a espada. Esta história é contada na peça "Mitrídates" (1673), de Jean Racine, e na ópera "Mitridate, re di Ponto" (1770), de Mozart.
O processo do mitridatismo é utilizado na produção do soro antiofídico, entre outras aplicações práticas.

20 dezembro, 2019

A arte revolucionária de Emory Douglas

Emory Douglas: o designer por trás dos cartazes revolucionários das Panteras Negras
Douglas foi diretor de arte do Partido das Panteras Negras nos anos 60/70.
Nessa época, os EUA não era um bom lugar para ser negro. Tudo que ele viu e viveu contribuiu pra que sua arte fosse fundamental para o fortalecimento da comunidade negra.
Os recursos do partido eram escassos e não havia apoio midiático para a propagação da mensagem. Todo esse peso estava nas mãos de Emory que ficou responsável por produzir todo o material gráfico que sentenciaria a frase: "all power to the people" (todo poder ao povo).
O trabalho dele era minimamente pensado, desde a mensagem política às técnicas visuais. A produções sofriam pela limitação de recursos gráficos mas ainda sim, e através disso, ele consolidou a identidade marcante do partido usando apenas referências de xilogravura e poucas cores.
• Uma mãe negra com uma criança no colo enquanto segura uma arma:
Como Douglas disse: "as pessoas se viam na obra de arte. Elas se tornavam os heróis. Elas podiam ver seus pais ou irmãos e irmãs na arte".
Sua arte empoderava.
Emory Douglas já chegou a ser listado pelo FBI como um dos nomes de maior ameaça dos EUA por sua contribuição às Panteras Negras – acho que a polícia americana não curtia muito a ideia de ser retratada como porcos...
Todo seu trabalho até hoje é ignorado pelas grandes galerias e instituições artísticas, mas é inegável a relevância e riqueza que há nele. Esse cara arriscou sua vida e nos deixou um legado enquanto designer, enquanto ativista.
Emory Douglas é uma inspiração pra mim.

Extraído de uma thread do designer @wagnercomdablio no Twitter


O Partido das Panteras Negras (em inglês, Black Panther Party ou BPP) foi uma organização urbana socialista revolucionária fundada por Bobby Seale e Huey Newton em 15 de outubro de 1966. O partido atuou nos Estados Unidos, de 1966 a 1982, com filiais internacionais que operaram no Reino Unido, no início da década de 1970, e na Argélia, de 1969 a 1972. No início, a prática principal do Partido das Panteras Negras foi a patrulha de cidadãos armados para monitorar o comportamento dos membros do Departamento de Polícia de Oakland, na Califórnia, e desafiar a brutalidade policial local. Em 1969, os programas sociais da comunidade se tornaram uma atividade central dos membros do partido. A adesão ao Partido das Panteras Negras alcançou o pico em 1970, com escritórios em 68 cidades e milhares de membros. Combatido pelo FBI (cujo diretor, J. Edgar Hoover, considerava as Panteras Negras como "a maior ameaça à segurança interna do país"), vilipendiado pela grande imprensa e enfraquecido por lutas internas, a influência do Partido sobre a comunidade negra estadunidense declinou nos anos seguintes. Em 1980, o Partido das Panteras Negras tinha apenas 27 membros.

29 julho, 2018

Para não dizer que eu não falei de "Bella Ciao"

A canção "Bella Ciao" é o hino mundial antifascista, conhecida por todos os que desejam a liberdade, em qualquer parte do mundo. Há várias versões sobre o seu nascimento. Uma delas diz que era o canto das trabalhadoras rurais temporárias italianas, as "boias-frias" de lá, no fim do século XIX. Já modificada, serviu como protesto contra a Primeira Guerra Mundial e depois foi usada foi como um símbolo dos "partigiani", os guerrilheiros do movimento de resistência ao fascismo, na Segunda Guerra Mundial. Desde então, dá para dizer que "Bella Ciao" esteve presente em todos os movimentos a favor da democracia ocorridos no século passado e neste século 21.
Carlos Motta



Ver também: Canto dos últimos partisans, por Franco Fortini